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Sábado, Junho 12, 2004




Ponto de vista: Lya Luft

Sobre pais e filhos


"O mundo é informe quando se está começando a caminhar por ele: quem poderia sugerir formas, apontar caminhos, discutir questões, escutar e dialogar está tão inseguro quanto os que mal acabaram de nascer"

"Por que as crianças hoje são tão malcriadas e os adolescentes tão agressivos?"

A pergunta mexeu com todos. Alguns aplaudiram, outros deram risada (solidária, não irônica), e pareceu correr pela sala uma onda de alívio: o problema não era a dor secreta de cada um, mas uma aflição geral. Minha resposta não foi nada sofisticada. Saltou espontânea de trás de tudo o que li sobre educação e psicologia:

"Porque a gente deixa".

E a gente deixa porque talvez uma generalizada troca de papéis nos confunda. Por exemplo, a que ocorre entre público e privado. Vivemos uma ânsia de expor o que pensamos sobre os outros, achando que nos resguardamos da opinião alheia. No entanto, essa é uma forma de botar a cara na janela, tornar-se cabide dos fantasmas alheios uma verdade mais contundente do que imaginam os que nunca se debruçaram em nenhum parapeito.

Ilustração Ale Setti

Quando pequena, numa cidade do interior, era engraçado no fim da tarde, no sobrado de meus avós, subir numa banqueta e, cotovelos apoiados em almofadas, ficar olhando pela janela o que se passava na rua. Até que descobri que eu é que estava sendo olhada: eu me expunha. Eu, tímida e assustada, era personagem, não platéia. E a janela perdeu a graça.

Filhos malcriados e agressivos... O problema da autoridade em crise não é do vizinho, não acontece no exterior, não é confortavelmente longínquo. É nosso. Parece que criamos um bando de angustiados, mais do que seria natural. Sim, natural, pois, sobretudo na juventude, plena de incertezas e objeto de pressões de toda sorte, uma boa dose de angústia é do jogo e faz bem.

Mas quando isso nos desestabiliza, a nós, adultos, e nos isola desses de quem estamos ainda cuidando, a quem devemos atenção e carinho, braço e abraço, é porque, atordoados pelo excesso de psicologismo barato, talvez tenhamos desaprendido a dizer não. Nem distinguimos quando se devia dizer sim. Estamos tão desorientados quanto esses que têm vinte, trinta anos menos do que nós. Assim é instalada a inversão, e esta pode ser bem dolorosa.

Muitas vezes crianças são excessivamente malcriadas e adolescentes agressivos demais porque têm medo. Ser insolente, testar a autoridade adulta, quebrar a cara e bater pé, tudo isso faz parte do crescimento, da busca saudável de um lugar no mundo. Mas não ter limites é assustador. Ser superprotegido fragiliza. O mundo é informe quando se está começando a caminhar por ele: quem poderia sugerir formas, apontar caminhos, discutir questões, escutar e dialogar está tão inseguro quanto os que mal acabaram de nascer.

Teorias mal explicadas, mal digeridas e mais mal aplicadas geraram o medo de magoar, de afastar, de "perder" o filho. A fuga da responsabilidade, o receio de desagradar (todos temos de ser bonzinhos) aliam-se ao conformismo, o "hoje em dia é assim mesmo". Ninguém mais quer ser responsável: é cansativo, é tedioso, dá trabalho, causa insônia. Queremos ser amiguinhos, mas os filhos precisam de pais. E, intuindo nossa aflição, esperneiam, agridem, se agridem talvez por não confiarem o suficiente em nós.

Ter um filho é, necessariamente, ser responsável. Ensinar numa escola é ser responsável. Estar vivo, enfim, é uma grave responsabilidade. Não basta tentar salvar a própria pele nessa guerrilha social, econômica, ética e concreta em que estamos metidos. Trata-se de ter ao menos um pequeno facho de confiança, generosidade e experiência, e colocá-lo nas mãos das crianças e dos jovens que, queiram eles ou não, se voltam para nós antes de se voltarem contra nós.

Lya Luft é escritora

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Diogo Mainardi

O diogomainardismo

"Assim como o termo malufismo ganhou a conotação de desvio de dinheiro público, o diogomainardismo pode ser definido como uma difamação espalhafatosa na tentativa de chamar atenção"

Virei um insulto. Tutty Vasques assinalou o fato. Quando os leitores querem insultá-lo por causa de um artigo, já não ofendem sua mãe, como antes, mas o comparam a mim. Chamam-no de Diogo Mainardi. Assim como o termo malufismo ganhou a conotação de desvio de dinheiro público, diogomainardismo pode ser definido como uma difamação espalhafatosa na tentativa de chamar atenção.

Foi com esse significado nada lisonjeiro que meu nome entrou para o dicionário. Acompanhado por adjetivos como derrotista, frustrado, invejoso, ególatra, leviano, oportunista, mal-humorado. Pouco importa que eu não me reconheça na descrição. Diogo Mainardi se tornou uma entidade maior do que eu. Como Pelé, posso começar a falar a meu respeito na terceira pessoa.

O epíteto Diogo Mainardi é aplicado a qualquer coitado que reclame publicamente de alguma coisa. Do jornalista que denuncia nossa falta de jeito para o cinema ao blogueiro adolescente que se recusa a gostar de uma determinada banda musical.

Em geral, trata-se de gente inofensiva que se limita a soltar um comentário gratuito sobre um tema desimportante. Basta pouco para estimular a ultrajante comparação. Atribuíram-me o monopólio do protesto. Desse modo, qualquer um que proteste é automaticamente associado a mim, com tudo o que isso tem de negativo.

Os brasileiros sempre preferiram o conchavo e o corporativismo à discussão e à insubordinação. Apesar dessa nossa propensão à canalhice, tivemos grandes contestadores no passado, sobretudo na imprensa. Aparentemente não sobrou nenhum. Ou melhor, só sobrei eu, um palerma, uma caricatura grosseira de quem me precedeu.

Pelas contas de Tutty Vasques, 96% dos cariocas cassariam meu visto e me mandariam embora do Rio de Janeiro. Certamente os mesmos 96% que apoiavam Lula no começo do mandato. A eleição de Lula representou o triunfo do diogomainardismo. Peguei no pé do presidente desde os primeiros tempos, para contrastar a euforia plebiscitária que se formou ao seu redor. Agora a euforia passou.

As pessoas se encheram de Lula e, conseqüentemente, encheram-se de mim, identificando-me como uma espécie de parasita do insucesso petista. Cresci como um verme solitário na barriga do governo, alimentando-me da figura de bom selvagem de Lula, com seu palavreado primário e sua malandragem brasileira. Quando Lula acabou, acabei junto. Virei um palavrão. Daqui a alguns anos, por sorte, ninguém mais se lembrará de nós.

Claro que ser identificado como único opositor do Brasil me envaidece. Claro também que não é bom para o país. A identidade cultural brasileira não se baseou em idéias, mas em um ou dois acordes de violão. A falta de idéias não criou o hábito da contraposição, da reivindicação, da argumentação. Quem não está acostumado a argumentar é facilmente enganado. Por isso o Brasil não funciona.

Porque a gente forma espontaneamente maiorias bovinas de 96%. Cultura não é rebolar na rua. Cultura é reclamar, achincalhar, protestar, caluniar. Lamento muito que meu nome seja usado para ofender os mais inconformados. Se alguém o chamar de Diogo Mainardi, porém, não se desespere. Eu já fui comparado até a Aracy de Almeida.

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Crédito para universitário

Ministro da Educação anuncia R$ 800 milhões para financiamento de mensalidades. Ano passado, 70 mil alunos foram beneficiados

PORTO ALEGRE E BRASÍLIA - O ministro da Educação, Tarso Genro, anunciou verba de R$ 800 milhões para a reabertura do Financiamento Estudantil (Fies) no segundo semestre. Por esse sistema de crédito, o estudante paga 30% da mensalidade de instituições particulares e os 70% restantes são financiados, com juros de 9% ao ano, para quitação depois da formatura em geral, o programa tem recursos para atender a 26% dos interessados.

O Fies foi criado em 1999, substituindo o Crédito Educativo (Creduc). Pelos números do Ministério da Educação, o programa já foi responsável, desde a implantação, pela concessão de financiamentos de R$ 2,1 bilhões. Nesse período, foram feitos 276.288 contratos, sendo que 4.296 já foram liquidados. Os demais 271.992 estão ativos. Cada estudante recebe em média R$ 1.772 durante o curso. Em todo o País, 1.332 instituições participam do programa, que se espalha por 1.633 centros universitários.

Preferência para alunos da escola pública

O cronograma do Fies no segundo semestre será divulgado na semana que vem. No ano passado, as inscrições aconteceram entre julho e agosto. Foram 70 mil vagas, com preferência para alunos de oriundos de escolas públicas e os que procuraram cursos de Licenciatura em Matemática, Física, Química, Biologia, Ciências, História, Letras e Educação Física.

A inscrição é feita pelo formulário de entrevista disponível no site http://fies.caixa.gov.br. É preciso fornecer o número do CPF, ter renda familiar de pelo menos 30% do valor da mensalidade e, mais tarde, apresentar um fiador.

Bolsa integral para quem não tem renda suficiente

Quem não tem renda para participar do Fies deve procurar o Universidade para Todos, que tem 30 mil bolsas de estudo integrais em universidades privadas. O público-alvo desse projeto é formado por estudantes de renda familiar de até um sálário mínimo (R$ 260) per capta.

O Ministério da Educação ainda não divulgou se esse programa ou o Fies se encaixarão no sistema de cotas raciais. Em Porto Alegre, o ministro Tarso Genro disse a lei de reforma do Ensino Superior prevê o fim das cota. Segundo ele, a política de cotas só se justifica quando a desigualdade social prejudica o ingresso de determinadas camadas. O ministro garante que o aumento de qualidade pretendido para os próximos 10 anos reduza essas distorções. Tem que ser uma política transitória, não permanente, afirmou.

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O Reencontro

Romário volta para os braços da torcida depois de uma ausência de 41 dias. Para matar a saudade, nada melhor do que fazer gol hoje no Guarani, em Volta Redonda
Marluci Martins

É Dia dos Namorados, e o coração vai bater mais forte, sim. Pelo menos, o dos tricolores. E, seguramente, mais ainda o de quem for ao Estádio da Cidadania, em Volta Redonda, onde o Fluminense enfrenta hoje o Guarani, a partir das 16h.

Em campo, um bom partido para quem anda carente de gols e emoção: moreno, baixinho (1m69), mas de corpo atlético, Romário volta para os braços da torcida tricolor depois de uma ausência de 41 dias. Haja saudade...

No dia 2 de maio, um estiramento na panturrilha direita separava Romário de sua paixão, a bola. A lesão foi sofrida justamente aos 4 minutos do clássico diante do Vasco, ex-amor do atacante.

Depois do estiramento muscular, veio a insuportável lombalgia. E, ainda, surgiram boatos de que Romário estava flertando de novo com o Vasco. Passaram-se cinco jogos um deles, válido pela Copa do Brasil. E Romário volta a vestir a camisa do Flu, disposto a uma nova lua-de-mel com a bola e a torcida.

O atacante entrou em campo somente em quatro dos oito jogos disputados até agora pelo Fluminense no Campeonato Brasileiro. Com Romário (dois gols na competição), o time teve dois empates, uma derrota (São Paulo) e uma vitória (Vasco se bem que o Baixinho ficou somente quatro minutos em campo, nessa partida).

Com tratamento vip, Romário não seguiu para Volta Redonda ontem de manhã, com a delegação. Enquanto o time treinava no Estádio da Cidadania, o Baixinho fazia, no Rio, um trabalho de reforço muscular, com o preparador-físico Alexandre Mendes.

O treino em Volta Redonda não foi lá muito proveitoso para o técnico Ricardo Gomes. Ele não definiu o time que enfrenta hoje o Guarani.

Técnico tem dúvida no ataque e problema na zaga

Rodolfo, com dor no joelho esquerdo, não treinou, e dificilmente estará em condição de entrar em campo. Se não melhorar até a hora da partida, será substituído por Odvan, que está há um mês sem jogar.

No ataque, Ricardo Gomes não escolheu quem será o companheiro de Romário.

Teremos modificações no meio-campo e estou mais preocupado com isso do que com as opções que tenho para o ataque. Marcelo e Alessandro estão atravessando boa fase, disse o técnico tricolor, que, na impossibilidade de contar com com Diego (suspenso) e Maicon (contundido), escalou Marcão e Thiago.

Roger, que levara uma pancada na panturrilha, recuperou-se, treinou ontem e está liberado pelo departamento médico para o jogo, que marca a estréia do Fluminense no Estádio da Cidadania.

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Liberato Vieira da Cunha
12/06/2004


Baú de ouro

A capa do livro de que falarei hoje é uma fotografia de um baú, que não está cheio de areia aurífera, mas de versos igualmente preciosos que saíram da inspiração de um poeta gauchesco cheio de amor pela sua terra e pela sua gente. Como o Cid Campeador, o poeta Nei Fagundes Machado também foi exilado da sua amada Ijiquiquá, no interior do município de Uruguaiana. Louco de saudade, curtindo a nostalgia dos transplantados, de que falava Manoelito de Ornellas, tratou de encher o seu baú com versos de ouro.

Nei é o filho mais velho do patriarca Júlio Machado da Silva, um gaúcho de exceção. Do tio Júlio e da tia Rosa originou-se uma plêiade de talentos os mais variados. O João e o Julinho são músicos, compositores e poetas de mão cheia. São, por exemplo, os autores de Guri, um dos clássicos do cancioneiro gaúcho. As seis irmãs cantam como anjos. Ver e ouvir os nove filhos cantando, tocando ou declamando, é um privilégio reservado a poucos.

O Nei é hoje, depois da morte do tio Júlio, o maior mestre de truco-cego do Estado e nosso líder inconteste no Clube Pitoco, que reúne a carpeta campeira em Porto Alegre. Mas não é só isso: o Nei é poeta dos bons, ótimo declamador e, como todos os Machado, toca uma gaita de botão, um violão campeiro e se defende lindo no piano. Ah, e canta muito bem, embora não goste de cantar em público. Seus versos, como o baú do Cid, contêm ouro, o ouro puro da verdadeira poesia.

liberato.vieira@zerohora.com.br

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Cláudia Laitano
12/06/2004


Wo-o-o Feelings

Ouve-se um compacto "óóóóó" na platéia, seguido pelo rumor quase imperceptível de mãos que se procuram no escuro. Alguns espectadores, não poucos, vão além do carinho discreto: tomam fôlego, apertam os olhinhos e abandonam-se num beijo que se prolonga até o último acorde da canção.

Estamos na estréia do novo show de Caetano Veloso, em São Paulo. O repertório inclui alguns dos compositores mais sofisticados que a música popular já produziu - Cole Porter, George Gershwin, Noel Rosa e o próprio Caetano entre eles. Mas o que derrete a platéia, o que puxa a sinfonia de suspiros e inspira a interpretação mais rasgada do cantor é um clássico da pieguice nacional em idioma estrangeiro. Se você cantarolou o título lá em cima, é provável que já tenha dançado Feelings de rostinho colado. Para os outros, um pequeno recuo histórico.

Depois de ficar seis meses nas paradas brasileiras em 1974, o tema romântico da novela Corrida do Ouro chegou patrolando as rádios americanas no ano seguinte. Morris Albert, nascido Maurício Alberto Kaiserman, recebeu quatro indicações ao Grammy por essa música com letra em inglês que ele compôs aos 22 anos e que até hoje é tida como a mais gravada da história desde White Christmas: antes de Caetano, Julio Iglesias gravou, Gloria Gaynor, Henry Mancini, Johnny Mathis e Sarah Vaughan também - até a Mulher Biônica cantarolou a musiquinha num dos episódios da série.

Aos 52 anos, Morris Albert deve estar até agora tentando entender o que o mundo inteiro viu (ou ouviu) numa canção embalada por versos tão profundos quanto estes: "Sentimentos/ Nada mais que sentimentos/ Estou tentando esquecer os meus/ Sentimentos de amor/ Lágrimas/ Estão rolando em meu rosto/ E estou tentando esquecer os meus/ Sentimentos de amor".

Amor sem "as nossas músicas" é como filme sem trilha sonora - pode até funcionar, mas perde um tantão da graça. A canção de amor mais bonita que eu conheço chama-se Valsa Brasileira e é do Chico Buarque. Começa assim: "Vivia a te buscar / Porque pensando em ti/ Corria contra o tempo/ Eu descartava os dias/ Em que não te vi/ Como de um filme/ A ação que não valeu/ Rodava as horas pra trás/ Roubava um pouquinho/ E ajeitava o meu caminho/ Pra encostar no teu".

Mas como música e paixão são artes sinuosas, jamais dancei de rostinho colado ouvindo Valsa Brasileira. Talvez o clima de romance combine melhor com melecas como Feelings mesmo - vai entender por quê. Em um de seus poemas mais conhecidos, Fernando Pessoa nos dá uma pista: "Todas as cartas de amor são/ Ridículas./ Não seriam cartas de amor se não fossem/ Ridículas".

Sentimentos, wo-o-o, sentimentos. Nem sempre é preciso, ou possível, dizer muito mais do que isso.

claudia.laitano@zerohora.com.br

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Cláudio Moreno
12/06/2004


Alpaca e vicunha

Se a pele da ovelha é ovina e a da cabra é caprina, o que seria a pele da alpaca? E da vicunha? A pergunta vem de São Paulo, de um amável peleteiro (ainda existem alguns, embora exerçam seu honrado ofício com a máxima discrição possível, neste século em que só falta darmos aos animais o direito ao voto).

Pelos exemplos que ele citou, percebe-se que ele está se referindo àquele grupo de vocábulos especiais que convencionamos chamar de adjetivos eruditos: cúpreo para cobre, argênteo para prata, lupino para lobo, eqüino para cavalo, e assim por diante. Estes adjetivos foram formados tardiamente, num dos períodos mais interessantes (e afortunados!) da história do Português.

Em primeiro lugar, devo lembrar ao meu leitor que nosso vocabulário veio do Latim em duas etapas distintas. A camada mais antiga - a base do nosso léxico - é constituída por aqueles vocábulos latinos que, com as modificações de séculos de uso, somadas à influência dos substratos lingüísticos existentes na Península Ibérica antes da invasão romana, evoluíram até tomar a forma que hoje têm.

Assim como uma brilhante moeda de cobre, recém-cunhada, vai perdendo o brilho e a efígie, ficando mais fina e sem a serrilha das bordas, sob a ação do tempo e do uso, assim palavras latinas como insula, pluvia ou hibernus foram sofrendo também essa erosão do tempo e do uso, resultando nos vocábulos ilha, chuva e inverno, respectivamente. Esses vocábulos, por sua vez, começam a produzir derivados, já dentro dos processos habituais do Português (ilhéu, ilhado; chuveiro, chuvoso, chuvarada; invernada, invernia) - e vão continuar produzindo, enquanto a nossa for uma língua viva.

A camada mais recente veio no Renascimento. Até então, os tratados de Ciência, de Filosofia, de Teologia e de Direito só eram escritos em Latim, usando-se as línguas modernas (o Francês, o Português, o Espanhol) só para poesia, narrativas de viagens e, é óbvio, para as comunicações e os registros indispensáveis à vida quotidiana. Nos séculos 15 e 16, no entanto, começam a ser escritos os primeiros tratados em "vulgar" (assim os eruditos classificavam a língua nacional de cada país), o que trouxe duas conseqüências importantíssimas: em primeiro lugar, permitiu a todo cidadão alfabetizado o acesso a um saber que antes era privilégio dos latinistas; em segundo lugar, obrigou as línguas modernas a ampliarem consideravelmente o seu vocabulário, a fim de poder exprimir as idéias que antes só eram expressas em Latim.

É o caso dos adjetivos eruditos: nossos escritores humanistas, ao formá-los, utilizaram radicais que foram buscar diretamente no Latim literário, criando-se os curiosos (mas enriquecedores) pares formados por uma palavra já evoluída e uma palavra reconstituída: de pluvia, temos chuva e pluvial; de auru, temos ouro e áureo; de capillu, temos cabelo e capilar; de insula, temos ilha e insular; de masculu, temos macho e másculo - e por aí vai a valsa.

Voltando à nossa imagem da moeda de cobre: é como se surgisse, além daquela moeda gasta pelo tempo, outro exemplar, novinho em folha, trazido do tesouro do passado - e as duas agora passassem a circular lado a lado. Nossa dívida para com nossa mãe latina fica, assim, duplicada.

Ora - e aqui é que bate o ponto! -, uma língua morta como o Latim tem seu léxico restrito à realidade que era conhecida pelos seus derradeiros falantes. Na Idade Média o Latim já era língua morta; no Renascimento, mais do que morta. Quando a América ficou conhecida - e, com ela, a lhama, a alpaca, a vicunha, a anta, o chocolate, o caju, a capivara e outros que tais -, o léxico latino já estava encerrado.

Portanto, é natural que tenhamos adjetivos eruditos para bois, cabras e carneiros, mas não para alpacas, vicunhas e pingüins - esses radicais não existiam no Latim. E cá para nós: não fazem a menor falta em nosso idioma. Um casaco de pêlo de alpaca é... um casaco de pêlo de alpaca.

claudio.moreno@zerohora.com.br

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Paulo Sant'ana
12/06/2004


A inteligência animal

Os cientistas estão alarmados com as experiências com cães, num instituto alemão, que dão conta de que os animais caninos são capazes de identificar objetos através dos sons emitidos pelos lábios humanos.

Ou seja, se um homem pronuncia por diversas vezes a palavra "óculos" e segura nas mãos os seus óculos, perante um cão, o animal acaba percebendo que aquele objeto são os óculos.

Logo em seguida, o homem segura nas mãos uma luva. E repete a palavra "luva" durante umas cem vezes.

O cão associará imediatamente a palavra "luva" à luva que o homem tem na mão.

Foi assim que os pesquisadores alemães fizeram. A seguir, colocaram uma luva e uns óculos em outra peça da casa. E pediram para um cão da raça border collie buscar a luva. O cão foi até a outra peça da casa e trouxe a luva.

O mais impressionante: os pesquisadores selecionaram oito objetos e os fixaram, nome por nome, na memória idiomática dos cães.

Colocaram os oito objetos noutra sala, juntaram a eles um nono objeto, deste ainda não tinham dito ao cão qual era o seu nome.

Pediram então ao cão que trouxesse o nono objeto, cujo nome o cão nunca tinha ouvido.

O cão foi até a outra peça da casa e trouxe o nono objeto. Pela simples e incrível razão de que, tendo encontrado na outra peça da casa nove objetos, oito dos quais identificava e ligava aos fonemas humanos utilizados para nomeá-los, como nunca tinha ouvido antes aquele nome solicitado pelos pesquisadores, o cão concluiu que só podia ser o nono objeto o correspondente ao pedido.

Fantástico.

Mais fantástico ainda quando se sabe que os cães e alguns outros animais têm mais sensibilidade para entender os homens do que nós a eles.

Tanto que esses pesquisadores alemães estão declarando que suas constatações nada mais são que a confirmação de depoimentos de donos de cães que insistiram sempre em dizer que seus animais entendiam as palavras que eles pronunciavam, o que era encarado com desdém pela ciência.

As atitudes dos cães nós entendemos. Eu, por exemplo, como qualquer dono de cão, sei quando a minha cadelinha poodle quer que eu a segure no colo: ela late, empina sua ancas traseiras para cima e baixa o pescoço e a cabeça: quer subir no colo.

Quando ela percebe que já me vesti e me preparo para sair, late, bate bastante e vai diversas vezes até a porta, indicando que irá querer sair junto.

Quanto às atitudes dos animais, eles nos dão a perceber as suas intenções.

No entanto, eu calculo que, quase todos os donos de cães, jamais conseguimos traduzir os latidos dos cães, para nós se constituem em incompreendidos verbos.

Ou sejam, essas pesquisas alemãs constatam que os cães conseguem traduzir a linguagem dos homens - por associação ou eliminação, o mesmo método usado pelos bebês humanos para aprender a falar - enquanto que nós no máximo intuímos, pela veemência ou languidez de seus latidos, algumas de suas vagas intenções.

Estes fatos todos são relevantes porque a ciência continua a afirmar que os animais não possuem inteligência, são movidos só pelo instinto.

Mas depois que assisti, estupefato, pela televisão, a um chimpanzé indiano ensinando seus dois filhotes a colocar uma pedra no chão, uma noz em cima da pedra - e com outra pedra bater sobre a noz e alimentar os seus dois filhotes com a fruta emergida da casca, prática que se transmite de pai para filho entre os macacos que comem nozes e nunca tinham avistado qualquer ser humano, não tive mais dúvidas: os animais são dotados, sim, de inteligência.

psantana.colunistas@zerohora.com.br

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Clima
No umbral do inverno



A oito dias do começo da estação fria, gaúchos vivem um fim de semana gelado, como em Canela (foto Nereu de Almeida, Agência RBS/ZH)


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Sexta-feira, Junho 11, 2004




Orkut é a mais nova febre da rede a pegar no Brasil
DIEGO ASSIS
da Folha de S.Paulo


É namoro ou amizade? Em tempos de internet, a tradicional brincadeira que servia para as crianças descobrirem e revelarem suas preferências está virando coisa de gente grande.

Mais nova febre da rede a pegar o Brasil de jeito, o Orkut --ferramenta ligada ao "império" Google, em www.orkut.com-- é um site de relacionamentos que permite que o internauta tenha sempre, a um clique do mouse, uma lista de amigos, chegados e comunidades com perfis semelhantes.

Uma "social networking", que tem despertado a atenção de investidores interessados em algo além de beijo, abraço ou aperto de mão.

Mas não só: "Os brasileiros andam usando o Orkut como clubinho de fofocas e lesação, o que não deixa de ser divertido. É o jeito comportamental dos brasileiros, que antes já havia invadido o fotolog. Tem gringo chiando feio contra isso", resume Hisato Tanaka, que se filiou ao serviço para "reencontrar gente de outras épocas". "A capacidade do Orkut de ampliar e resgatar o círculo de amigos próximos é absurda. Mesmo quando você nem está a fim disso, acaba tendo que socializar, por uma questão de educação", completa.

Uma das exigências do serviço é a veracidade das informações que o usuário coloca em sua ficha pessoal, de acesso público. Uma mistura de jogo da verdade com entrevista para vaga de emprego, que servirá para que os velhos conhecidos se "achem" na rede e também para que novas amizades se estabeleçam, por meio de afinidades. (Se eu e você gostamos do Radiohead, do Monty Python e do seriado "Simpsons", todos temas das inúmeras comunidades do Orkut, então já podemos ser amigos.)

"Ente digital"

Após algumas semanas de experiência, no entanto, a pergunta que persiste é: quem está dizendo a verdade --nada mais do que a verdade-- no Orkut?

"Sim, eu menti. Eu disse que era advogado, eu disse que tinha curso de gourmet, eu disse que entendia de vinhos, eu disse que fazia noise eletrônico, mas isso tudo só para parecer mais interessante a outros olhos", escreveu um membro da comunidade "Eu Menti Meu Perfil no Orkut". Será verdade?

"Eu menti para entrar no 'Eu Menti Meu Perfil no Orkut' porque preciso me socializar e fazer amigos. É isso", retrucou outro, no mesmo fórum.

Em uma enquete promovida pela reportagem da Folha no próprio Orkut, 99,9% das pessoas responderam que jamais usaram o site para contar mentiras sobre si próprios.

"Só digo a verdade e omito o que não me interessa dizer. A pior coisa que você pode fazer é mentir, porque é muito fácil ser desmascarado", respondeu... Moon Shine --nome verdadeiro e foto ela não revela!

E mais: quem mente, grita em uníssono com a grande maioria dos orkutianos consultados, são os outros. "Não acredito nos perfis masculinos. Geralmente os homens são solteiros, sarados e ricos", diverte-se a garota.

Descrito com pelo menos dois dos adjetivos acima, o argentino radicado em São Paulo Andrés Nigoul conta que já adicionou diversas pessoas que mal conhece em sua lista. Em pouco tempo, os (novos) amigos haviam criado a "Comunidade dos Adoradores do Andrés", segundo ele, "meio na sacanagem". "Eles me tratam de mestre, ou iluminado. É estranho e às vezes engraçado", comenta Nigoul, que diz também já ter usado a comunidade de quadrinhos do serviço para encontrar parceiros para um projeto.

Mas, assim como na vida real, a grande contribuição cultural brasileira ao Orkut vem do ramo das telenovelas. Há dias uma enxurrada de celebridades têm se tornado "adeptas" da nova onda.

"Eu sou uma mulher de atitude: um bom uísque resolve qualquer situação. Aliás, a vida só faz efeito mesmo após a segunda dose", declara em seu perfil Heleninha Roitman, personagem de Renata Sorrah na novela "Vale Tudo". Os amigos de Heleninha? Odete Roitman, Darlene Sampaio, Dona Armênia, Hebe Camargo, Silvio Santos e até um Elvis Presley, que, por sua vez, é amigo de Serguei...

"Estamos sendo digitalizados, estamos criando nosso ente digital no Orkut. Sobre se falam a verdade? Qual é a verdade de cada um? A que ele vê ou a que os outros vêem nele?", pergunta o paulista Mick Bernard, que há tempos vinha acompanhando o serviço de longe e só conseguiu entrar mesmo quando recebeu um convite da filha. Isso porque entre as regras do Orkut a principal é que bicão não entra.

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Coelho mania

Autor mais vendido no mundo, Paulo Coelho mudou-se para um antigo moinho na França. E não pára de produzir. Já está escrevendo seu próximo livro, O zahir

Eliane Lobato St. Martin (França)

Foi-se o tempo em que era possível interpelar Paulo Coelho durante suas caminhadas diárias em Copacabana. Hoje, quem quiser falar pessoalmente com o escritor precisa viajar até Paris, enfrentar mais de uma hora de avião para alguma cidade perto de St. Martin, em Béarn, e finalmente pegar um táxi para o pequeno vilarejo de 190 habitantes, onde ele transformou um antigo moinho cercado de verde em casa.

"Nessa casa tenho um espaço maravilhoso e o resto do mundo em volta para usufruir "

Neste ambiente talhado para atender a demandas espirituais, nos Pireneus franceses, Paulo Coelho poderia refestelar-se e sonhar matéria-prima básica de sua atividade, agora milionária. Mas já está produzindo seu próximo livro, O zahir palavra árabe que significa objeto ou pensamento que jamais se esquece. O autor garante, no entanto, que a obra só será editada a partir do ano que vem.

Paulo Coelho é um fenômeno da literatura mundial e nunca esteve tão em evidência. Quando recebeu ISTOÉ em sua casa, no início do mês, o escritor franqueou seu e-mail. Havia 187 convites de viagens para receber prêmios ou participar de eventos. Seu cachê para palestras é de 30 mil euros (cerca de R$ 100 mil).

Afinal, ele é o autor mais vendido no mundo em 2003, segundo a revista britânica Publishing Trends, com a marca de 65 milhões de exemplares em quase mil edições diferentes. Seu último livro, Onze minutos, acaba de ser lançado na Estônia e na Polônia, seguindo os passos de O alquimista, de 1988, contumaz andarilho de listas de best-sellers em todo o mundo. O alquimista, por sinal, acaba de ganhar mais um prêmio por ter ultrapassado meio milhão de cópias na Grã-Bretanha.

Em consequência do suces-so, o autor é alvo de ferrenha pirataria internacional. Em Angola, seus livros custam US$ 50 (R$ 150) e nem um cent vai para sua conta. Sei de tudo e não posso fazer nada!, conforma-se. Traduzido em 56 idiomas e publicado em 156 países, Coelho é o escritor brasileiro que alcançou o maior reconhecimento internacional de todos os tempos. Seu sucesso levou o jornal inglês Publishing News a criar o termo coelhomania.

"Caminho todo dia e uma vez por semana subo uma montanha, treino tiro ao alvo com arco e faço meditação. E, claro, escrevo." Iletrado É o triunfo de Paulo Coelho, que costuma ser tratado aqui como símbolo de um Brasil iletrado. Seu vertiginoso sucesso não é, decididamente, um fato tupiniquim. Estudiosos, como Gabriel Perissé, mestre em literatura brasileira pela Universidade de São Paulo, explicam o fenômeno.

No auge da crise da modernidade em que mergulhamos, todos anseiam confusamente pelo retorno ao mundo das tradições, das revelações. Algo que nos dê uma fé: o milagre é possível. Ou que nos dê uma vitória sobre o caos: a magia é possível, escreveu. A idéia resume o pulo do gato ou melhor, do Coelho. Com um discurso simples, ele consegue fazer com que cada leitor entenda que há obstáculos, mas também esperança.

"Caminho todo dia e uma vez por semana subo uma montanha, treino tiro ao alvo com arco e faço meditação. E, claro, escrevo."

Na eficácia de sua mensagem, a coelhomania prospera. Duas mil pessoas prestigiaram o lançamento de Onze minutos, no ano passado, na livraria Borders de Londres. O escritor brasileiro deu mais autógrafos do que o jogador inglês David Beckham, que tinha lançado livro na semana anterior. Atravessei a linha do sucesso global. Estou no mercado há 15 anos e não sou autor de um livro só, vangloria-se.

Com 16 livros de sucesso consolidado o último, o infantil O gênio e as rosas, com Mauricio de Sousa, lidera as vendas desde que foi lançado, há sete semanas , ele virou grife e pode se dar ao luxo de cometer ousadias, como jogar no mercado dois títulos num mesmo ano. Na França, enquanto Onze minutos começava sua trajetória, ele lançou Maktub. Me arrependi. A Alemanha queria lançar Maktub lá também e não permiti.

Não se pode canibalizar o mercado, isso mata o autor, penitencia. Porém, os franceses desmentiram a tese. Maktub brilha, há 11 semanas, na lista de jornais como o LExpress. Como desdobramento, Coelho virou branch a tradução literal seria ramo, mas que significa faturar royalties com o próprio nome , um bico profissional praticamente dominado por esportistas. Ele exibe um projeto finamente encadernado de um agente sueco que propôs dar seu nome a produtos como canetas, suíte de hotel, café literário.

Não topou. Simplesmente perdeu a paciência com o esnobismo do agente e acabou puxando um insólito diálogo: Peter, quem é mais rico, eu ou você? A resposta: Você, claro. Coelho: Quantas vezes? Ele: Umas 30. Coelho: Não, está errado. Devo ser mais rico umas 40 vezes, mas não fico falando sobre isso. O que você quer me provar? O escritor explica que é vítima constante de name dopping, nome dado a quem não pára de se auto-valorizar. Perto de mim, as pessoas ficam inseguras e querem se mostrar. Detesto isso, diz.

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Exagerado

Depois de 14 versões de roteiro, chega ao cinema Cazuza O Tempo Não Pára, filme sobre a vida do polêmico cantor, vivido com perfeição por Daniel de Oliveira
Flávia Motta



Dentro do Túnel Zuzu Angel, Daniel Oliveira posa depois de cena em que o carro fica sem gasolina

A tão falada performance de Daniel de Oliveira como protagonista em Cazuza O Tempo Não Pára, de Sandra Werneck e Walter Carvalho, pode ser entendida na frase de Lucinha Araújo, mãe do artista: É de dar nervoso. Houve momentos em que João (Araújo, o pai) ficou na dúvida se a cena era com Daniel ou Cazuza. É nesse clima de é ou não é que o filme estréia hoje nos cinemas. Abrangendo pouco mais de 10 anos da vida de Agenor o nome de batismo , o longa pode deixar entre os fãs a sensação de que algo ficou de fora. E ficou mesmo, muita coisa. Mas, segundo Lucinha, porque sua vida era intensa demais para ser contada em 90 minutos. Daria uma novela.

Contar a história do poeta não deve ter sido fácil. Houve 14 versões de roteiro. Queríamos o cara que estava no lugar certo, na hora certa, mas, às vezes, fazendo coisas erradas, explica Victor Navas, que divide o roteiro com Fernando Bonassi. E entre as coisas erradas incluem-se as noites de bebedeira, o uso de drogas, problemas com a polícia e uma certa promiscuidade.



No palco, cena de Ideologia, último show

Amigo de Cazuza, o produtor musical Ezequiel Neves ficou satisfeito. O filme é completo, redondaço, perfeito, emocionantíssimo, exulta. Redondo, mas nem tanto, já que uma das ausências mais sentidas na fita é a de Ney Matogrosso, o primeiro a gravar música de Cazuza e dirigiu seu último show, além de ter namorado o poeta. Soube que Ney ficou chateado. Ele foi muito importante, teve uma história linda com meu filho e ficou do lado dele até o último suspiro. Quem sabe disso, vai sentir falta, acredita Lucinha.

Ezequiel divide o filme em duas partes: A primeira é solar, com Cazuza no Circo Voador, no Baixo Leblon. Depois da doença, fica noturno, pesado, mas não melodramático. Antes dos sintomas da Aids, Cazuza é retratado como farrista, capaz de irritar os parceiros do Barão Vermelho nos ensaios e atrasos de shows. A transição para a doença começa com uma febre após sair do Barão. E segue em ritmo menos acelerado, cada vez mais comovente. Muito pelas dores de Cazuza e sua crescente fragilidade. Mais ainda pelo sofrimento de Lucinha.

Talvez seus contemporâneos se identifiquem mais com a fase saudável do poeta. Mas a trajetória da Aids comove. E, embora o filme termine sem a morte de fato (1990), a cena que representa Cazuza se despedindo da vida compensa ausências da fita.

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Matador

Don Juan dos tempos modernos, Ronaldo prova que também é um fenômeno fora de campo. A nova musa do craque é a modelo Daniela Cicarelli

Marco Senna

Fenômeno, também, na arte da sedução, Ronaldo segue colecionando namoradas com a mesma facilidade com que dribla seus marcadores antes de fazer mais um gol. Don Juan dos tempos modernos (apesar da careca), o astro da seleção brasileira acaba de eleger sua nova musa: a estonteante apresentadora da MTV Daniela Cicarelli, conforme antecipou a colunista Lu Lacerda, do Caderno D do DIA.

O novo casal vip da praça foi visto, quarta-feira, à noite, badalando no Club Heaven, em São Paulo. Em meio a um clima de romance no ar, os dois não se desgrudaram. E para não fugir à regra, o astro do Real Madrid curvou-se à beleza de mais uma loura, sua obsessão.



Juliana Ferra garantiu ter sido amante do artilheiro durante dez anos

Com a ascensão de Cicarelli (a esportista-modelo também carregará a tocha olímpica) ao posto de número um de Ronaldo, a apresentadora de televisão Lívia Lemos, com quem o Fenômeno vinha circulando nos últimos tempos, virou mais um caso do passado. Uma paixão que vingou só enquanto Lívia ganhou a mídia como capa da revista Playboy. O amor é lindo, mas, para o astro, dura pouco.



Susana Werner foi noiva do jogador. Hoje é a mulher do goleiro Júlio César

Sinônimo de projeção social, Ronaldo sempre foi disputado por louras. Nem bem havia conquistado fama internacional, ele se envolveu num rumoroso affair com a mineira Nádia França, que viria juntar-se à paulista Viviane Brunieri para, na carona do amado, virarem celebridade como As Ronaldinhas. O Fenômeno morou com Nádia, na Holanda, e só não foi pai no início de carreira porque a namorada (hoje, mulher do atacante Alex Alves, do Vasco) perdeu a criança.



Milene Domingues foi mulher de Ronaldo durante quase quatro anos e é mãe de Ronald



Já na condição de melhor jogador do mundo, o craque se apaixonou, em 96, pela modelo Susana Werner (atualmente, senhora Júlio César), com quem teve um relacionamento de três anos marcado pelo ciúme.



Lívia Lemos ganhou a capa da Playboy com texto de apresentação do Fenômeno

A vida de solteiro do astro teve curta duração. Por ocasião da Copa América de 99, Ronaldo começou a namorar a Rainha das Embaixadas, Milene Domingues. Os dois se casaram em dezembro daquele ano, e o filho Ronald nasceu em abril de 2000, na Itália.

Mas o matrimônio ruiu, em 2003, sob insinuações de traição de ambos os lados. Na onda da separação, apareceu a advogada Juliana Ferraz, revelando ao mundo ser uma amante de 10 anos do astro, a ponto de ter se submetido a dois abortos de filhos do Fenômeno.



As Ronaldinhas Nádia e Viviane tiveram caso com o craque e formaram uma dupla

Cobiçado, por ser famoso e milionário, Ronaldo passou a ser, em Madri, o sonho de consumo de muitas donzelas. Preocupada, a ex-spice girl Victoria Adams, mulher do inglês David Beckham, declarou que não gostaria de ter o brasileiro como vizinho; seria má influência para o marido.



Mireia Canalda, modelo espanhola, foi apenas mais um caso relâmpago

Recentemente, a modelo catalã Mireia Canalda chegou a flertar com Ronaldo. O romance não durou mais do que algumas semanas. Das beldades escolhidas pelo Fenômeno, a única que afirma ter resistido foi a apresentadora de TV Fernanda Lima. Será?



Fernanda Lima, apesar dos boatos, nega que tenha tido um affair com o Fenômeno

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Casa para baixa renda

Governo propõe priorizar FGTS para financiar imóvel destinado às famílias com renda de até R$ 1.300
Cristiane Campos

O Conselho Curador do FGTS está analisando proposta do Ministério das Cidades de alterar os programas de financiamento habitacional com dinheiro do Fundo de Garantia, considerados os mais em conta. Os juros variam de 6% a 10,16% ao ano mais Taxa Referencial (TR) e beneficiam quem recebe até R$ 4.500. Nas demais linhas do Sistema Financeiro da Habitação (SFH), a taxa é de 12% ao ano mais a TR.

A prioridade do Governo é facilitar a compra da casa própria para famílias de baixa renda. Segundo o secretário Nacional de Habitação, Jorge Hereda, esse público é o que mais necessita de subsídios, mas fica de fora por falta de recursos. A operação é considerada de risco para o agente financeiro: Por isso, temos déficit habitacional de 92% nas famílias com renda de até três mínimos (R$ 780). Outra proposta também em estudo é diminuir ainda mais os juros para a baixa renda.

Levantamento do Ministério das Cidades mostra que 80% das verbas do FGTS financiaram a compra do imóvel para famílias com renda superior a cinco salários (R$ 1.300). A idéia é que a classe média passe a ser atendida pelo setor privado. Nesse caso, os juros são mais altos e o financiamento não chega a 100%. Hereda afirmou que essa mudança não vai ocorrer de uma hora para outra, devendo ser amplamente discutida.

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David Coimbra
11/06/2004


A sorte do soldado americano

Na véspera do Dia D, certo pára-quedista americano resolveu arriscar seus escassos dólares no jogo de cartas que corria pelo bivaque aliado. Teve sorte. Em algumas horas, amealhou US$ 2,5 mil, quantia que, em 1944, dava para prover uma Marlene Dietrich com suas longas e macias pernas. Ao deixar o jogo, o soldado começou a calcular o que faria com o dinheiro - uma parte daria para a mãe, outra guardaria como poupança, um tanto esbanjaria com as francesas em Paris.

Já estava com tudo mais ou menos planejado, quando estacou. Um desagradável pressentimento lhe gelou a espinha. O pára-quedista sentiu que, se ficasse com o dinheiro tão facilmente ganho, não sairia vivo das areias de Omaha. Voltou para o jogo, disposto a perder tudo. Pouco antes da invasão, restavam-lhe humildes 20 dólares. Que ele emprestou a um amigo, durante o embarque.

Essa curiosa história de superstição é narrada pelo repórter Cornelius Ryan no livro O Mais Longo dos Dias, lançado semana passada pela L&PM em comemoração aos 60 anos da data, 6 de junho. Imagino que cada um dos 50 mil soldados que enfrentaram as minas e a artilharia alemãs nessa invasão suicida deve ter vivido seu momento de reverência ao mágico ou ao sagrado. Porque, quando diante da circunstância decisiva ou da dificuldade, o homem faz isso mesmo: apela para o invisível.

Pois, por ironia, justamente agora, em pleno século 21, o século do smart phone e da melancia quadrada, justamente na era da ciência absoluta se multiplicam as seitas, as fórmulas místicas, as práticas ocultas. Por quê? Exatamente por causa das dificuldades e das circunstâncias decisivas.

Observe: é nos países pobres que grassa a fé no invisível, algo que bem poderia ser utilizado como medidor de desenvolvimento. Na Inglaterra, na Alemanha, no Japão, nesses lugares em que a vida escorre redonda e fácil, a impressão é de que eles são todos ateus. Só impressão, claro - Deus ainda vive no coração dos ricos. Mas com muita discrição, sem os êxtases religiosos dos arrabaldes do mundo. Eles, os ricos, podem passar a noite sem rezas e invocações, porque sabem o que acontecerá durante o dia.

Um viperino jornalista americano da primeira metade do século 20, H.L. Mencken, definia a fé como a crença ilógica de que o improvável vai acontecer. Que belo será o dia em que se recorrerá menos à fé no Brasil, um terreno onde toda a crença viceja, do horóscopo ao feng shui. Porque, então, o país dependerá menos da ocorrência do improvável. Afinal, a única razão desse Brasil ser assim tão crente é ser assim tão sofredor.

david.coimbra@zerohora.com.br

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Mauren Motta
11/06/2004


Escrevendo com o coração

Admiro os compositores e os escritores. Traduzir sentimentos em palavras para a pessoa amada é um talento. Sempre tive vontade de tocar a alma, com calma, do meu bem-amado. Sempre quis dizer e compor versos felizes. Fazer dinheiro com sentimento, então, deve ser tipo incrível! Já pensou juntar as duas coisas em uma só?

Deixa eu me explicar melhor: imagine você, depois de uma noite daquelas, ter de compor uma canção? Às vezes vem do nada ou pode demorar uma carrada. Um minuto de inspiração pode valer um milhão. Mesmo que a frase chave de todo o seu sucesso diga apenas que você não tá nem aí. Como medir e descobrir o que vai colar no ouvido e tocar o coração?

Que seja eterno enquanto dure, dizia o poeta. Trocadilhos nessa hora são engraçados, mas dispensáveis. O fato é que se você tem uma gata do lado, um homem pra chamar de seu, tudo fica mais lindo. O mundo amanhece colorido, o que é cinza vira rosa. O tempo parece curto para tanta empolgação.

E é nessa hora que as idéias pulam do coração para o papel com a maior naturalidade do mundo. Existem pessoas que não ligam para o amor ou as relações. Deixam escapar momentos incríveis por não querer se entregar, uma perda de tempo. Pra que tanto resguardo e tanta preservação? Somos pessoas e não instituições. Não ter vergonha de dizer que gosta é uma virtude.

Vida louca vida, vida breve. Cazuza sabiamente escreveu nos seus versos o que sabemos na prática. Ele e o Renato Russo, poetas e mestres da minha geração, partiram cedo e produziram com a ansiedade de quem vai viver pouco. O legado deixado ainda vai embalar muitos amantes apaixonados que nem mesmo saberão quem eles são. No toque do celular do meu namorado está "É preciso amar as pessoas como se não houvesse amanhã". Parece brega, mas não é. Ele sabe muito bem o que isso significa. Nos apropriamos desta frase, para escrever a nossa história e deixar sem data marcada ou compromisso firmado. O hoje vale mais que o amanhã, até porque, como saber o que vai acontecer?

Pra mim, amor foi feito pra dar e não pra prometer. Amanhã, dia 12 de junho, devemos lembrar disso. Preparar um verso, escrever um texto ou simplesmente dizer o que sentimos. Dar uma de poeta uma vez na vida, não custa nada. Então aí vai: para o meu guardião amado, um sorriso rasgado, um verso falado. Gustavo, tenha um feliz dia dos namorados.

mauren@rbstv.com.br

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Paulo Sant'ana
11/06/2004


Ósculo parlamentar

Um fato inédito na história política brasileira: um senador e uma senadora atracam-se, não em luta física, como é comum nos parlamentos de todo o mundo, mas num beijo lascivo e demorado, indiferentes às câmeras fotográficas dos jornalistas.

Já há uns 20 dias, a senadora Heloísa Helena (sem partido) havia causado surpresa ao plenário e à nação quando irrompeu no recinto do Senado de sandálias altas, toda maquiada - ela que sempre foi vista de cara limpa e parecendo uma monja indiana -, vestindo uma ousada minissaia.

Ainda não se desconfiava, mas agora se sabe que ela afiava suas garras para conquistar o coração e a libido do senador Eduardo Suplicy (PT-SP), recentemente separado da prefeita paulistana.

O que está se verificando, pelas imagens de televisão e tons das insinuações nos discursos e apartes de Heloísa Helena que foram mostrados anteontem, fora dos ângulos dos beijos, é um assédio sexual da senadora ao senador.

No entanto, com esses beijos acintosos de iniciativa da senadora sobre o senador, o que se verifica é o desaparecimento de dois delitos: fica comprovado agora, inicialmente, que não se constitui falta de decoro parlamentar beijo de lábios contra lábios no plenário, pelo menos entre senadores de sexos diferentes, com quase certeza de que se dois senadores masculinos se beijarem na boca terão imediatamente os seus mandatos cassados, o que se constitui em violento preconceito contra os gays. Mas o mais importante é que também se consagra a tese corrente de que mulher é inimputável em assédio sexual: só os homens podem ser acusados desse deslize.

Examinem bem uma das fotos que republico na coluna: a senadora envolve o senador em uma gravata erótica, depois aplica-lhe um beijo na nuca, como se sabe uma das mais sensíveis zonas erógenas.

Fosse um homem que fizesse isso e logo o acusariam de assédio sexual. Por uma acusação não comprovada de beijo no pescoço há poucos dias um presidente de partido político foi destituído do seu cargo aqui na província.

Mulher então pode praticar assédio que não escandaliza? Como para a materialização de infrações não se pode distinguir o sexo do infrator, depois dessas sérias investidas da senadora sobre o senador, sem qualquer alarma ou escândalo, os homens passam também a se tornar imunes à acusação de assédio sexual.

Ou as mulheres também serão responsabilizadas e punidas por assédio, ou se locupletem ambos os sexos de inimputabilidade.

E voltemos definitivamente ao tempo feliz em que era lícito e saudável um sexo cortejar o outro.
psantana.colunistas@zerohora.com.br

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Dia dos Namorados
Romantismo sem data de validade



O comércio festeja o crescimento do número de apaixonados com mais de 60 anos, como o aposentado Anibal Bendati (foto Adriana Franciosi/ZH)


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Quinta-feira, Junho 10, 2004




10/06/2004 - 18h13
Mulheres de jogadores russos fazem striptease da sorte antes da Eurocopa
Da Redação

Da série futebol, essa paixão incontrolável. Nove mulheres e namoradas de atletas russos tiraram a roupa para as câmeras para encorajar seus companheiros a vencer os jogos da Eurocopa-2004. Apenas um duvidoso cartão com a foto de seus parceiros cobre alguma coisa.

A foto teve até nome: "Strip da Sorte". A Eurocopa reúne as 16 seleções mais fortes do futebol europeu - veja mais no especial do UOL Esporte.

O jornal "Komsomolskaya Pravda" está publicando diariamente uma das fotos em página inteira esperando com isso "inspirar" os jogadores para o torneio.

"As mulheres fizeram a parte delas, agora é a vez dos homens", disse a fotógrafa Svetlana Yeriklintseva, que teve a idéia da foto quando algumas mulheres disseram desejar "levantar o espírito" do time após uma derrota.

A quem interessar possa: o editor do UOL Tablóide anda precisando de sorte.

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10/06/2004 - 08h46
Mulher faz mais sexo no período fértil, diz estudo
da BBC, em Londres


Uma única relação sexual sem proteção tem mais chances de resultar em gravidez do que se pensava até o momento, segundo uma pesquisa realizada nos Estados Unidos e publicada na revista Human Reproduction.

Cientistas do Instituto Nacional Americano de Ciências da Saúde Ambiental descobriram que as mulheres são levadas insconscientemente a ter mais relações sexuais durante o período fértil ? o número de relações nesses dias é 24% maior que no resto do ciclo menstrual.

O estudo se concentrou em mulheres que passaram por cirurgia de esterilização ou usavam o dispositivo intra-uterino (DIU) como método anticoncepcional.

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Eduardo Suplicy e Heloísa Helena ignoram o bate-boca e fazem carinho

Nem tudo foi agressão ontem no Congresso. Os senadores Eduardo Suplicy (PT-SP) e Heloísa Helena (P-SOL-AL) protagonizaram um momento de, no mínimo, puro carinho e, em meio à sessão de violento bate-boca, encontraram um tempinho para trocar um caloroso beijo.

Cavalheiro, Suplicy, separado da prefeita de São Paulo, Marta Suplicy, também aproveitou a discussão da PEC dos vereadores para elogiar a senadora e o Partido do Socialismo e da Liberdade, que ela criou com outros parlamentares expulsos do PT.

O clima amigo entre os dois vem de longa data. No ano passado, quando lideranças petistas decidiam o destino da rebelde companheira, que se recusara a votar com a legenda na Reforma da Previdência, Suplicy se desdobrava em defesas a ela. Em julho, a alagoana foi afastada da bancada do partido, mas não deixou de retribuir os desvelos do senador com outro beijo em plenário.

A senadora tem surpreendido seus colegas. Recentemente, causou sensação ao comparecer com visual totalmente diferente à Casa. Ela trocou seu uniforme calça comprida e camisa branca por um vestido de crepe, que deixava os joelhos à mostra, e salto alto.

O amor é lindo, ainda mais entre dois senadores da República, não?

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Mengão demolidor

Flamengo vence o Vitória por 1 a 0 e agora só precisa de um empate no Rio para decidir a Copa do Brasil com o Santo André
SALVADOR - O Flamengo está a três passos, ou melhor, a três jogos, do paraíso, do prêmio de R$ 1 milhão e da vaga para a Libertadores de 2005.

Ontem à noite, no primeiro jogo pela semifinal da Copa do Brasil, o time carioca venceu o Vitória por 1 a 0 (gol de Fabiano Eller), em pleno Estádio Barradão, em Salvador, acabou com a invencibilidade da equipe baiana jogando em casa e, agora, se classificará para a decisão com um empate no jogo de volta, quarta-feira, no Maracanã. O primeiro finalista já foi definido. O Santo André, que havia perdido o jogo de ida por 4 a 3, despachou o 15 de Novembro-RS, por 3 a 1, e já assegurou sua vaga.

O primeiro tempo ficou marcado por faltas violentas do Vitória e também pela bela atuação de Júlio César. Empurrado por sua torcida o Barradão estava completamente lotado , o time baiano assustou logo nos primeiros momentos. Aos 5 minutos, Cléber cobrou falta, a bola cruzou a área, Douglas Silva tentou cortar, e quase fez gol contra. A trave salvou o Rubro-Negro carioca.

O jogo deixava muito a desejar no quesito técnica. Ambas as equipes erravam passes e demonstravam pouca inspiração. Ainda assim, foi o Vitória que criou as melhores chances. Aos 27, Cléber entrou na área e finalizou bem, para boa defesa de Júlio César. No lance seguinte, Obina quase abriu o placar. Novamente, o goleiro do Flamengo salvou a pátria.

Felipe parecia pouco inspirado e praticamente não apareceu na primeira etapa.

O segundo tempo começou equilibrado, mas sem grandes emoções. Aos 37, a glória e o gol do time carioca. O goleiro Juninho saiu jogando errado, Juliano serviu Fabiano Eller. O zagueiro bateu, a bola desviou em Adaílton e entrou: 1 a 0.

Ontem, a diretoria anunciou o pagamento dos salários atrasados do mês de março e também o acerto do direito de imagem de março e o 13º salário.

Pela Libertadores, o São Paulo, jogando no Morumbi, empatou em 0 a 0 com o Once Caldas, da Colômbia.

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Nilson Souza
10/06/2004


Como se fosse a primeira vez

Continua em cartaz nos cinemas da cidade um filme em que a personagem principal sofre de amnésia temporária e o sujeito que se apaixona por ela tem uma tarefa de Sísifo: conquistá-la todos os dias. Sísifo, de acordo com a mitologia grega, foi condenado a empurrar um bloco de mármore montanha acima. Só que quando chegava no alto da montanha, a pedra rolava de volta e ele tinha que começar tudo de novo - por toda a eternidade.

Pois o homem do filme, um jovem biólogo, resolve conquistar o amor da professora de artes interpretada pela belíssima Drew Barrymore, que sofre de um distúrbio neurológico. Ela acorda todas as manhãs sem qualquer lembrança dos acontecimentos do dia anterior. Daí que o namorado vê-se obrigado a reconquistá-la repetidas vezes e cada novo encontro é sempre para ela um primeiro encontro.

A exemplo do personagem mitológico condenado pelos deuses do Olimpo por excesso de astúcia, também o herói do filme, com seu histórico de conquistador, recebe uma espécie de condenação: apaixona-se por uma mulher que o esquece a cada noite.

Trata-se, evidentemente, de uma simbologia. Quem nunca viveu uma situação dessas, que atire a primeira pedra, montanha abaixo ou montanha acima.

Nós, eternas vítimas dessa doença prazerosa chamada paixão, somos assim. Achamos sempre que o nosso sentimento é mais forte, que o nosso sofrimento é maior, que o objeto de nosso amor nunca corresponde o suficiente - e que muito provavelmente vai nos esquecer em breve, talvez no dia seguinte. Já disse um escritor célebre que não há diferença entre um sábio e um tolo quando ambos estão apaixonados.

Há, porém, quem estabeleça uma diferença clara entre paixão e amor, sob o pretexto de que aquela é efêmera como a recordação da desmemoriada professora e este pode ser eterno como a maldição de Sísifo. Sei lá, não me atrevo a elaborar conceitos definitivos nesta insensata área das coisas do coração.

Mas sou obrigado a encerrar esta reflexão com uma advertência para os homens que me lêem: antes que chegue o sábado, é bom a gente começar a pensar em flores, chocolate, jóias, beijos, abraços, ou mesmo num bloco de mármore...

No Dia dos Namorados, elas jamais sofrem de amnésia.

nilson.souza@zerohora.com.br

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Leticia Wierzchowski
10/06/2004


Cannes et cummings

Deus me livre de fazer aqui uma simplificação grosseira, dessas que encontramos tanto e cada vez mais pela vida, mas há algo de triste no fato de Michael Moore ter ganho a Palma de Ouro em Cannes neste ano. Eu ainda não vi Fahrenheit 9/11, portanto meu raciocínio aqui nada tem a ver com o filme.

Eu até aprecio o Michael Moore; é saudável a crítica que ele faz a uma cultura tão dominadora e cega quanto a americana, e a um presidente cujas idiossincrasias estão levando para as cucuias o frágil equilíbrio do mundo ocidental. Mas o caso é que estamos andando sobre arame farpado e, nesta aventura louca a dois mil metros de altura, corremos o risco de deixar cair no abismo um monte de coisas imprescindíveis à leveza de simplesmente existir.

O triste é que um festival de cinema abrace para si a tarefa de dar respostas políticas nesse nosso mundo onde todos estamos atolados de política até as orelhas. Ou seja, a criatura quer lirismo, e lá está o Michael Moore bradando sua bandeira contra os EUA.

Eu, pelo menos, queria lirismo, nem que fosse na tela do cinema, nem que fosse na tela do cinema em Cannes, um dos baluartes da arte em toda a sua elegância e, porque não, em seu resplendor. e. e. cummings tem um poema perfeito sobre isso. Um poema de puro cristal sobre a magia de tudo que não pode ser medido, nem pesado, nem ajustado às normas tão tristes daquilo que é político (correto ou não) nesta abstração à qual chamamos vida. Foi nesse poema que eu pensei quando vi o resultado de Cannes e, recortando um pouco do começo, é mais ou menos assim:

"... quando os espinhos olharem as suas rosas alarmados, e os arco-íris estiverem seguros contra a velhice, quando um tordo não puder cantar nenhuma lua nova se todas as corujas não tiverem aprovado sua voz - e qualquer onda assinar sobre a linha ponteada senão um oceano é obrigado a fechar; quando o carvalho pedir licença à bétula para criar uma bolota - os vales acusarem as suas montanhas de terem altitude - e março denunciar abril por sabotagem; então acreditaremos nessa incrível humanidade inanimal (e não antes.)."

Então que o meu desconforto não tenha nada a ver com Moore e seu Fahrenheit. É que eu estava esperando alguma coisa como rosas e tordos, vales e montanhas; mas infelizmente o mundo atual não guarda mais importância para estes vagos milagres obsoletos.

leticia.wierz@zerohora.com.br

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Luis Fernando Verissimo
10/06/2004


Burrice

Que mulher é mais inteligente do que homem ninguém discute. Bom, talvez alguns homens, mas só para provar como são menos inteligentes. Tem um fato, no entanto, que parece desmentir essa superioridade feminina. Não sei se as estatísticas confirmam, mas é evidente que existem muito mais novos fumantes entre as mulheres do que entre os homens. E quem começa a fumar, hoje, só pode ser burro.

No número total de fumantes no mundo, imagino que os homens ainda batam as mulheres. Mas é muito mais comum ver-se meninas adolescentes fumando do que meninos. Talvez esta desproporção já existisse e as meninas fumassem mais, mas escondidas. Hoje fumam abertamente, em toda parte, e sem parar. E como são adolescentes, pertencem à primeira geração de fumantes que não pode ter nenhuma dúvida sobre o mal que o cigarro faz.

Outras gerações de adolescentes começavam a fumar para imitar os adultos, para se sentirem adultos, para serem sofisticados e porque, pelo menos depois dos primeiros acessos de tosse, era bom, e pouco ligavam para a alegação careta e não provada de que podia encurtar suas vidas. Hoje, que cigarro mata é não apenas uma certeza mas uma certeza universalmente difundida e conhecida. E mesmo assim as meninas começam a fumar.

Velhos fumantes não podem ser chamados de burros. Quando se tornou insofismável que fumar dava câncer e matava de outras maneiras terríveis, já estavam fisgados. Só podemos (nós que, sem sermos gênios, adivinhamos desde cedo que aspirar fumaça não podia fazer bem) ser solidários com a sua luta contra o vício, ou com a sua resignação. Mas quem começa a fumar sabendo tudo o que sabe, desculpe: é burro. No caso, burra. Para não enveredarmos pela hipótese de que se trata de uma geração suicida.

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Paulo Sant'ana
10/06/2004


Um belo exemplo

Peço um obséquio aos leitores: leiam com atenção este e-mail que me envia um juiz de Direito encarregado de presidir a administração de penas dos detentos da comarca de Santa Maria. É um impressionante relato de como com jeito e sensibilidade se pode chegar a excelentes resultados nas relações humanas.

Eis o e-mail: "Prezado Sant'Ana. Não li a coluna de sábado, mas dela ouvi falar.

Concordo que a população em geral está se lixando para o que acontece dentro dos presídios, afinal muitos pensam que preso bom é preso morto.

Como juiz das execuções criminais, tenho convivido com essa realidade desde 1997. Os presos sabem desse sentimento da sociedade. Sentem a exclusão e vez que outra dão o troco.

Tenho tentado mudar esse quadro. Uma vez, na cidade de Santa Rosa, pessoalmente convidei vários empresários (esses que são sempre assaltados etc), homens e mulheres de bem, para um café, num sábado pela manhã. Depois de aceito o convite, disse-lhes que a refeição seria servida dentro do presídio, local onde eles nunca haviam estado. Uns 40 compareceram, vários por curiosidade. O café, bolinhos, chimarrão, pipoca etc., tudo preparado pelos presos.

Eles olharam as celas, os banheiros, as condições do cárcere. Ficaram todos impressionados. Separei 10 presos para que contassem sua história até a prisão. Crimes graves e leves. Presos jovens e velhos, homens e mulheres. Manifestação cara a cara, olho no olho, no refeitório do presídio. Quando o terceiro ou quarto preso estava falando, vários empresários começaram a lacrimejar, sensibilizados pelas histórias sofridas e pela dor que somente se sente dentro da prisão.

Foi uma experiência interessante ver vítimas e bandidos chorando junto. Essas pessoas depois me ajudaram a recuperar os apenados. Passaram a acreditar que isso é possível. Melhoramos as condições do presídio. Conseguimos cursos e empregos. As pessoas querem a morte dos presos (ou não dão importância) porque nunca estiveram dentro de uma prisão e não têm a menor idéia do que se passa lá dentro. Um abraço, (ass) Sidinei José Brzuska, juiz de Direito da Vara das Execuções Criminais de Santa Maria".

Pelo relato acima, não é difícil entender que os presidiários se encontram sob custódia do Estado. Custódia quer dizer guarda, proteção.

Ou seja, a responsabilidade de tornar os detentos párias ou pessoas profícuas e recuperadas e regeneradas é do Estado.

Tudo que acontece dentro de um presídio é responsabilidade do Estado.

Agora mesmo a Superintendência dos Serviços Penitenciários gaúchos está realizando um convênio exemplar com a São Paulo Alpargatas, pelo qual 1,3 mil presos estão produzindo bolas de futebol dentro dos presídios gaúchos.

Os apenados recebem R$ 2 por cada bola costurada, têm assim uma atividade remunerada e ainda, para cada três dias de trabalho, terão um dia de redução de pena.

Segundo a Secretaria da Segurança, por vários convênios com empresas públicas e privadas, já são 9 mil os detentos que trabalham nos presídios gaúchos, numa população carcerária de 20 mil. Essa é uma excelente iniciativa das nossas autoridades.

Comprova-se que, se o Estado se organizar, haverá educação e trabalho prisional nos cárceres.

Os assassinatos, as torturas, a lei do mais forte só reinam nos presídios quando o Estado, por omissão, torna o ambiente carcerário deletério.
psantana.colunistas@zerohora.com.br

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Arte
A cidade dos bonecos



Bonequeiros de oito países mostram sua arte nos 60 espetáculos do 16º Festival Internacional, que se realiza até domingo em Canela (foto 16º Festival Internacional de Bonecos de Canela, divulgação/ZH


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Quarta-feira, Junho 09, 2004




MOMENTOS

Há momentos na vida que temos que abrir mão de tudo que fazia sentido, das nossas verdades e do que reputávamos como sendo os nossos valores. Constatamos que eles se tornaram inúteis ao nosso crescimento, já fazem parte do passado e a vida, não se detém olhando para trás, antes, caminha para a frente, em busca de novos acontecimentos.

Há momentos na vida que todas as vigas mestras que asseguravam a nossa sustentação vêm abaixo e a casa cai, independente da nossa tácita recusa ou inaceitação.

Há momentos na vida que ficamos sem saber para onde ir, que nada consegue nos alegrar, motivar ou seduzir e, em compasso de espera, vamos assistindo a fragmentação das nossas estruturas, agora transformadas em quimeras.

Nestes momentos ( que têm o peso de uma eternidade), nada nem ninguém pode fazer nada por nós ... estamos definitivamente vazios e sós, porque até a Natureza se cala e Deus perde a fala, indiferente ao nosso torpor.

Em meio à dor, esmiuçamos o que sobrou de nós, remexemos entre os escombros e descobrimos que algo ainda não morreu.

Tênue e frágil, lá está uma pequena centelha de esperança, aguardando uma virada do destino, que certamente nos surpreenderá com novas alegrias ... e com tantos outros desatinos.

Momentos ...

Fátima Irene Pinto

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O Guardião do Castelo

Certo dia, num mosteiro zen-budista, com a morte do guardião foi preciso encontrar um substituto. O grande Mestre convocou então todos os discípulos para determinar quem seria o novo sentinela. O Mestre, com muita tranqüilidade, falou:

- "Assumirá o posto o primeiro monge que resolver o problema que vou apresentar."

Então, ele colocou uma mesinha magnífica no centro da enorme sala em que estavam reunidos e, em cima dela, pôs um vaso de porcelana muito raro, com uma rosa amarela de extraordinária beleza a enfeitá-lo e disse apenas:

- "Aqui está o problema!" Todos ficaram olhando a cena. O vaso belíssimo, de valor inestimável, com a maravilhosa flor ao centro. O que representaria? O que fazer? Qual o enigma?

Nesse instante, um dos discípulos sacou a espada, olhou o Mestre, os companheiros, dirigiu-se ao centro da sala e ... ZAPT ... destruiu tudo, com um só golpe. Tão logo o discípulo retornou a seu lugar, o Mestre disse:

- "Você será o novo Guardião do Castelo."

Moral da História: Não importa qual o problema. Nem que seja algo lindíssimo. Se for um problema, precisa ser eliminado. Um problema é um problema. Mesmo que se trate de uma mulher sensacional, um homem maravilhoso ou um grande amor que se acabou. Por mais lindo que seja ou, tenha sido, se não existir mais sentido para ele em sua vida, tem que ser suprimido.

Muitas pessoas carregam a vida inteira o peso de coisas que foram importantes no passado, mas que hoje somente ocupam um espaço inútil em seus corações e mentes. Espaço esse indispensável para recriar a vida. Existe um provérbio oriental que diz: "Para você beber vinho numa taça cheia de chá é necessário primeiro jogar o chá fora, para então, beber o vinho."

Limpe a sua vida, comece pelas gavetas, armários, até chegar às pessoas do passado que não fazem mais sentido estar ocupando espaço em seu coração. O passado serve como lição, como experiência, como referência. Serve para ser relembrado e não revivido. Use as experiências do passado no presente, para construir o seu futuro. Necessariamente nessa ordem!

Autor desconhecido
Enviada por: Edeli Arnaldi

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E tudo vai acabar num arraiá

Para mostrar que o Governo está unido, presidente fará festa junina na Granja do Torto
Renata Giraldi



BRASÍLIA - No sábado, tem arraiá na Granja do Torto. E o ritmo da viola vai ser um só: mostrar que o Governo está unido e afinado, apesar das brigas internas. A primeira-dama é quem está organizando o superevento. O local é o mesmo onde são realizados encontros com autoridades estrangeiras, reuniões ministeriais e churrascos, inclusive com artistas. Mas, por ordem da anfitriã, o assunto política não deverá ser tocado pelo menos durante a festa.

Convites restritos, os ministros, os líderes e alguns dos amigos mais chegados já receberam a convocação: a entrada será um pratinho de salgado ou doce. Exatamente como se faz nas festas de bairro e no interior do País. Desacostumado a freqüentar festas juninas, um ministro recomendou ontem à secretária que providenciasse a entrada da festa. Atarefada, a funcionária passou boa parte da manhã levantando alternativas. Também desconcertado, um outro ministro não sabia como lidar com o assunto: Nem estou sabendo direito como é que vai ser isso. Mas eu vou, claro.

Dona Marisa deixou os convidados livres: podem optar ou não pelo traje típico de festa junina. Independentemente da roupa escolhida, os convidados deverão se agasalhar, o frio seco de Brasília tem feito os termômetros baixarem para 14 graus à noite.

Notívagos, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e Dona Marisa provavelmente vão querer estender o arrasta-pé madrugada adentro. É só lembrar de outras comemorações em que a Granja do Torto, espécie de casa de campo dos presidentes da República, foi palco. Em março, o diretor-gerente do Fundo Monetário Internacional, o alemão Horst Köhler, foi homenageado com um churrasco regado a cerveja nacional e vinho chileno. Um mês depois, o presidente ouviu antigos boleros, como Dama de Vermelho, com a dupla sertaneja Bruno e Marrone. A cantoria aconteceu durante uma entrevista ao SBT, mas, após o trabalho, o anfitrião e os convidados saborearam churrasco com feijão tropeiro.

A dúvida é saber se para o arraial de sábado estão mantidos o tradicional quentão e as inúmeras batidas de frutas típicas de festas juninas todas feitas com cachaça. Por sinal, em uma das maiores confraternizações do presidente com os petistas, a cachaça teve lugar de destaque. Uma das exceções foi o churrasco oferecido, em janeiro, a Zeca Pagodinho, quando a cerveja foi a bebida eleita. O convidado famoso fez questão de levar uma caixinha de isopor com várias latinhas. Onde eu vou, eu levo, comentou o artista.

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Xô, Satanás!

Flamengo não teme o Vitória e nem seu principal craque, o Capetinha Edílson, e garante que joga para vencer a semifinal da Copa do Brasil, hoje, em Salvador
Janir Júnior

O Flamengo enfrenta o Vitória, hoje, às 21h45, no Estádio Barradão, em Salvador, na primeira partida pela semifinal da Copa do Brasil. É mais do que um simples jogo de futebol. É o jogo dos milhões, afinal, um bom resultado deixará o time mais próximo da decisão e do título, que vale R$ 1 milhão. É também o jogo da forca.

Abel Braga está com a corda no pescoço no Brasileirão e um resultado ruim pode fazer a cabeça do técnico rolar. É ainda o jogo do exorcismo: os jogadores querem esquecer de vez a goleada de 5 a 1, sofrida há exato um mês, e a imagem do Capeta Edílson, que, na ocasião, marcou dois gols.

Foi-se o tempo em que o futebol era apenas o jogo da paixão. Agora, o amor está ligado às cifras. E o discurso na Gávea é unânime: além da conquista e da vaga para a Libertadores de 2005, o título vale dinheiro. Seria uma combinação perfeita: campeão no currículo e dinheiro para o clube poder pagar aos jogadores. Isso serve como uma motivação a mais. Afinal, todo trabalhador tem que receber seus salários, destacou Felipe.

O experiente Zinho, tricampeão da Copa do Brasil defendendo Flamengo, Grêmio e Palmeiras, tem a mesma opinião. Até o dia 30 (data da final), temos de esquecer os salários atrasados e outros problemas. Essa é a oportunidade de conseguir as cotas de dinheiro e fazer com que o clube cumpra com suas obrigações, destacou o jogador.

A tática para o jogo dentro das quatro linhas está definida. O time jogará nos contra-ataques, usando os laterais como elementos surpresas. Negreiros atuará quase fixo dentro da área. Felipe será o responsável pela armação de jogadas, mas também terá total liberdade para chegar próximo ao gol e arriscar finalizações. A zaga, formada por André Bahia e Fabiano Eller, terá a proteção de Da Silva, que atuará quase como um terceiro zagueiro.

Vamos sem nenhum tipo de receio. As chances são de 50% para cada lado. Nem lembro mais daquele 5 a 1, afinal não existem jogos iguais, afirmou Abel.

Será um jogo de 180 minutos. A segunda partida está marcada para quarta-feira, no Maracanã. E um detalhe pode mudar toda a estratégia. Felipe está com dois cartões amarelos e, caso receba o terceiro hoje à noite, estará suspenso do próximo confronto. Da Silva está na mesma situação.

Tudo isso faz parte do jogo. Um jogo que envolve paixão, dinheiro e revanche pela última goleada. Para o Flamengo um jogo de vida ou morte.

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Martha Medeiros
09/06/2004


Cazuza

Outro dia respondi a uma enquete rápida, que fazia perguntas tipo: Beatles ou Rolling Stones? (Beatles). Londres ou Nova York? (Londres). Madonna ou Britney Spears? (Britney quem?). Renato Russo ou Cazuza?

Eu gostava muito - e ainda gosto - do Renato Russo, mas ele tinha um quê de entidade, de Messias, uma coisa que nunca convidou à aproximação, e sim à reverência. Minha resposta é: Cazuza, disparado.

Vi o Barão Vermelho tocando pela primeira vez em Porto Alegre numa boate chamada Taj Mahal, na Farrapos, mas não era bocada, o lugar reunia gente interessante e interessada em novidades, e aquela banda era novidade. Eles tocaram praticamente dentro da pista de dança, não havia distância, viramos todos irmãos. Depois assisti a outro show deles no Rock in Rio, o grupo agora já famoso, arregimentando multidões. E, por fim, vi Cazuza em carreira solo, cantando no Teatro Presidente, um fiapo de gente, mas ainda energético: fez um espetáculo inesquecível.

Cazuza, disparado, por quê?

Por Bilhetinho Azul, um clássico lá do início de tudo. Porque quando ele cantava "eu ando tão down" a gente sentia o mau hálito de quem passou a noite sozinho, se torturando. Porque ele era carne de pescoço e ao mesmo tempo um lorde.

Cazuza, disparado, porque era um sujeito apaixonado que cantava exatamente o que sentia, os amores ele inventava, mas as letras que esses amores geravam eram todas de verdade, saltavam direto da cama pro violão, direto do coração pro palco. Não parecia haver intermediário entre vida e composição.

Cazuza, disparado, em homenagem a Cássia Eller, que era tão visceral quanto, e em homenagem a Janis Joplin, de quem ele também tinha um jeito. Cazuza, disparado, em homenagem a todos aqueles que não estabelecem fronteiras entre sua vida e arte, que escrevem, cantam, atuam com as veias saltadas, com o sangue quente, com a alma aos gritos, gente que não se economiza, não se resguarda, que se doa e se esborracha, que levanta e ri de si mesmo, que faz sua arte atendendo apenas aos pedidos de dentro, e não aos da platéia.

Cazuza, disparado, em homenagem àqueles que abriram mão de ser um bom marido ou uma esposa digníssima, em homenagem aos que resistiram à tentação de ser exemplo de boa conduta, e em troca ofereceram originalidade, passionalidade e poesia. São eles que nos lembram de que nós, também, não somos assim tão coerentes e tão assépticos, há dentro de todos nós uma possibilidade de irreverência e de liberdade, mas nos falta a prática.

Cazuza, disparado, porque suas idéias correspondiam aos fatos.

martha.medeiros@zerohora.com.br

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David Coimbra
09/06/2004


A vida cor-de-rosa

Agora mesmo o Barros estava assobiando La Vie en Rose, aqui ao lado, nesse canto da Redação. La Vie en Rose. Por Deus. Pensei que ninguém mais assobiava La Vie en Rose. No máximo, no máximo, a Tânia Carvalho e o Tatata Pimentel, meus colegas de Café TVCom, que são francófilos irredutíveis, fãs suspirantes da Edit Piaf. Mas o Barros é assim. Adquiriu o repertório de assobios em elevadores ou em consultórios de dentista, creio. Às vezes ele gorjeia um Ray Connif. Já o peguei t