|
|
Sábado, Julho 03, 2004
Posted
7:10 PM by Cassiano Leonel Drum
David Coimbra
04/07/2004
As meninas da boate
Foto(s): Kevin Camarque, Reuters/ZH
A loirinha Maria Sharapova (foto), de apenas 17 anos, não é uma loirinha - é uma Grande Loira. A menina tem 1m90cm. Mais alta do que a Ana Hickmann! Graciosa e delicada, apesar do tamanho, ela estonteou Londres, durante o torneio de Wimbledon.
As russas, de fato, se destacam por sua beleza singular. Quando estava em Ulsan, na cobertura da Copa, de repente deparei com um grupo de mulheres lindíssimas rondando o hotel da Seleção. Desconfiei. Aquele tipo de mulher exuberante não era comum em Ulsan. Após rápida investigação, descobri tratarem-se de russas, que, fugidas da crise, emigraram para a Coréia em busca de trabalho.
Pensei que talvez fossem prostitutas. E, realmente, elas trabalhavam numa boate, vestiam-se com roupas provocantes, incentivavam os clientes a beber. Mas... de forma alguma aceitavam fazer sexo! Uma estrangeira flagrada em prostituição, na Coréia, é presa, deportada e xingada.
Então, os clientes da tal boate sofriam o suplício de Tântalo, aquele infeliz mortal que ousou roubar o néctar e a ambrosia dos deuses. Sua condenação foi crudelíssima. Esfaimado, ele via os frutos sumarentos das árvores ao alcance da mão.
Quando ia tocá-los, os galhos se encolhiam ao vento. Sedento, ficava mergulhado na água fresca até a curva do lábio inferior. No instante em que ia beber, a maré baixava sem que ele jamais conseguissem sequer lamber uma gota. Brabeza.
A Grande Loira
Tenho um amigo que faz orações para a Grande Loira. Nenhuma heresia, os irmãos Zé Antônio e Ivan Pinheiro Machado dirigem suas preces ao Cavalo Celeste, por exemplo. Então, nas noites de sexta-feira, meu amigo olha para a lua e recita: "Oh, Grande Loira, que nos céus enlanguesce..." Por aí. Ele acredita que assim sai mais bem preparado para enfrentar as atribulações da noite. Tem dado certo, ao que parece, meu amigo faz algum sucesso.
Essa Grande Loira, que de cima das nuvens nos vigia com seu olhar blasé, sempre imaginei que ela fosse de Cachoeira do Sul. Porque Cachoeira, graças à benéfica ação da imigração alemã, que aliás completa 180 anos, Cachoeira é pródiga em loiras. Posso afirmar isso por conhecer bem a cidade. A comprovar a minha tese estão as rainhas e princesas da Fenarroz, todas loiras, no máximo castanhas de um castanho-clarinho.
Foi o que disse essa semana, ao dar uma palestra no Colégio Roque, em Cachoeira. Quando já estava me preparando para sair, uma moreninha de uns 12 anos de idade saiu da platéia e marchou resoluta em minha direção, com os olhinhos pretos faiscando, as mãos na cintura, uma sobrancelha levantada.
- Quero uma explicação - exigiu ela.
Arregalei os olhos.
- Explicação?
- É. Por que essa preferência pelas loiras?
Esclareci que não tenho preferência por loiras, de modo algum, que inclusive minha namorada Marcinha é morena com olhos de um verde do mar da Praia Brava. Não adiantou. O nariz dela continuava empinado e o pezinho batia de indignação no parquê.
- As loiras não dominam Cachoeira, não - prosseguiu, desafiadora. - Eu mesmo sou princesa da minha turma.
Admiti que ela era de fato uma princesinha. O elogio não a fez arrefecer.
- E as duas princesas da Fenarroz são morenas! - sentenciou.
As princesas da Fenarroz são morenas! Naquele momento, assaltou-me um daqueles lampejos de sabedoria nos quais compreendemos o sentido da vida. Entendi as vitórias de Santo André, Ulbra, Glória, 15, Once Caldas, Figueirense, Grécia, Portugal e até daquele time de entregadores de gás, o São Caetano. Entendi. São os estranhos eflúvios deste século 21 tão extravagante. Tudo é muito bizarro, no século 21. Tenho apenas uma esperança de que as antigas tradições e de que a velha e boa ortodoxia voltem a imperar: ironicamente, a própria Fenarroz - rainha ainda é loira! A Grande Loira continua velando por nós.
Lendas do futebol
O futebol gaúcho é pintalgado de lendas. Lendas mesmo - algumas verdadeiras; outras, quem sabe? Contarei parte delas, uma por domingo. E vou começar com o creme do creme. Com um centroavante. Cardeal. Chamavam-no Cardeal porque jogava com o que, 70 anos atrás, se chamava de "casquete" vermelho na cabeça. Todos os velhinhos com quem falei a respeito de Cardeal fizeram a tal frase que os velhinhos fazem acerca dos grandes jogadores da sua época:
- Era melhor que Pelé!
Cardeal adorava jogar descalço. Mas não podia fazer isso nos jogos, obviamente. Assim, no final dos treinos, ele tirava as chuteiras e mandava que os colegas riscassem marcas nas traves. Ia para a meia-lua e, de lá, chutava com os pés nus, mirando a marca. Jamais errou. Cardeal era da zona sul do Estado, tornou-se ídolo no Nacional de Montevidéo e, no Fluminense, compôs um ataque célebre com Tim, Hércules, Carreiro e Romeu.
A tuberculose, porém, foi mais eficiente do que qualquer zagueiro. Cardeal adoeceu e, horror dos horrores, teve um pulmão extirpado. Mesmo assim, continuava jogando. Só que não podia mais correr. Postava-se, então, à beira da grande área. Exatamente dentro do perímetro da meia-lua. Ficava lá, parado, esperando.
Quando a bola o alcançava, Cardeal fazia um único movimento, no máximo dois: com um toque de algodão, mandava a bola para o gol, fora do alcance do goleiro. Sempre fora do alcance do goleiro. Com um único pulmão, Cardeal ainda foi um dos maiores centroavantes da sua época. É o que diz a lenda. Você conhece alguma tão lustrosa? Pode mandar.
david.coimbra@zerohora.com.br
Comments:
Posted
7:08 PM by Cassiano Leonel Drum
Martha Medeiros
04/07/2004
Entrevista
Nada sobre livros ou os melhores momentos da carreira. A pergunta era sobre a minha última gargalhada. Quando foi mesmo?
Outro dia tive que responder a uma entrevista inusual. As perguntas nada tinham a ver com início de carreira, livros preferidos, fórmulas mágicas para vencer problemas. Ao contrário disso tudo, a enquete queria saber qual havia sido a última vez que eu havia gargalhado pra valer. Qual a última vez que eu havia quebrado uma promessa. Qual a última vez que eu havia sido surpreendida.
Bom, essa era fácil de responder: eu estava sendo surpreendida naquele exato instante. Não esperava ter que parar pra pensar em coisas desse tipo. A gente passa voando pelos dias, na tentativa de cumprir nossas metas, que não são poucas: trabalhar, trabalhar, trabalhar e, na sobrinha de tempo, fazer supermercado, se exercitar, ler os jornais. E aí vem alguém e pergunta qual a última vez que eu gargalhei pra valer? Foi quando eu estive com minhas amigas, num encontro de final de tarde. Já nem lembrava.
Qual a última vez que eu jantei sozinha? Qual a última vez que eu contribuí para caridade? Qual a última vez que eu dormi num hotel?
Eram perguntas triviais, e no entanto me vi forçada a me conectar com sensações de isolamento, generosidade, tristeza, cansaço, euforia. Em vez de falar de coisas práticas e idéias prontas, eu estava fazendo um inventário das emoções mais corriqueiras do dia-a-dia. Se a gente esquece de reavivá-las, viramos apenas uma máquina humana cumpridora de tarefas.
Qual a última vez que eu apertei a mão de alguém? Qual a última vez que eu fiquei furiosa? Qual a última vez que eu menti?
Parece fácil, mas as respostas não saem de imediato. É preciso resgatar momentos que a gente mal registrou, que não pareciam importantes porque não estavam anotados na agenda. Para responder esse tipo de pergunta, é preciso estar tão atento aos coffeebreaks quanto às palestras, dar tanta atenção às mãos entrelaçadas no cinema quanto ao filme na tela.
É nestes breves interlúdios que a vida acontece e a gente se revela pra si mesmo. É nestes poucos segundos que a alma aflora: quando você é apresentado a uma pessoa e aperta firme sua mão, quando mentem pra você e você fica furiosa, ou quando seu filho pergunta se nunca vai acontecer nada de mal com ele e quem mente é você.
Qual a última vez que você dormiu demais? Qual a última vez que você beijou alguém? Qual a última vez que você foi injusto?
Parecia o juízo final. Mas era só uma entrevista que me fez trazer de volta o que realmente interessa.
martha.medeiros@zerohora.com.br
Comments:
Posted
7:07 PM by Cassiano Leonel Drum
Luis Fernando Verissimo
04/07/2004
Pensamentos vagos
Nos desfiles, as modelos mostram seus seios usando roupas transparentes. É raro encontrar alguém vestindo as mesmas roupas nas ruas. Será que eu ando freqüentando a realidade errada?
Do baú. À conhecida piada inglesa sobre a razão para as estradas francesas serem arborizadas - era para o exército alemão poder marchar na sombra - os franceses respondiam que Hitler só não ocupou a Inglaterra porque fizeram um plebiscito, e o exército alemão preferiu o clima da Rússia. Os ingleses chamam os franceses de "frogs ", sapos, porque eles comem rãs, entre outras coisas estranhas. E os ingleses, respondem os franceses, que comem até comida inglesa?
A sua hora
O escritor inglês Aldous Huxley tinha uma teoria curiosa, segundo a qual a maturidade de certos artistas não dependia da sua idade cronológica mas de uma espécie de precocidade misteriosamente programada para coincidir com uma vida curta. Ninguém pode dizer o que Mozart faria se tivesse vivido mais do que os trinta e poucos anos que viveu, mas ele dificilmente ficaria mais "maduro" do que já era. Os últimos quartetos de corda de Beethoven, considerados a sua obra mais perfeita, foram compostos pouco antes da sua morte, aos 57 anos.
Já Verdi morreu com quase 80 anos, não muito depois de escrever o que dizem ser a sua ópera definitiva, Falstaff, e Goya teve que esperar a velhice e toda a sua amargura para produzir suas melhores gravuras e as fantásticas "pinturas negras", sem as quais sua reputação póstuma não seria a mesma. A teoria de Huxley, improvável, mas literariamente atraente, pressupõe um certo poder profético do artista. Shakespeare escreveu
A Tempestade com 47 anos, sem saber que seria sua última peça (ele morreu com 52), mas ela tem o tom adequado de um testamento e de uma despedida, com o mago Prospero, senhor de todos os dramas e tramas vistos sobre o palco, declarando seu sortilégio acabado e anunciando sua aposentadoria em Milão, onde cada terceiro pensamento será sobre a sua sepultura.
O final da peça é tão adequado que suspeita-se que tenha sido acrescentado depois da morte do autor, mas pode-se imaginar Shakespeare, de volta a Stratford-on-Avon e acossado por maus pressentimentos, dando o mote para todos os artistas ainda por vir: quando pensamentos sobre a sepultura começarem a se tornar muito freqüentes, apresse-se e providencie seu legado definitivo.
Está chegando a sua hora, não importa a sua idade. O poeta W.H.Auden, comentando a especulação de Huxley, levou-a ainda mais longe. Disse que os artistas morrem quando querem, ou quando devem. E que, portanto, não existem obras de arte incompletas.
Para onde vão os seios
Pensamentos de uma mente vaga, vendo as fotos de um desses desfiles de moda: para onde vão os seios à mostra quando saem das passarelas? Em todos os desfiles de moda pelo menos metade das modelos mostra roupas transparentes em que os seios aparecem. Mas é raro encontrar alguém na, digamos, vida civil usando as mesmas roupas, ou roupas com a mesma transparência.
Os seios não aparecem na mesma proporção quando as roupas saem das passarelas para a realidade. Ou eu é que ando freqüentando a realidade errada? Pode-se argumentar que os desfiles são representações de um ideal impossível de ser reproduzido no cotidiano.
Num desfile de modas todas as mulheres são lindas, altas e magras. São, por assim dizer, mulheres destiladas, ou a mulher como ela sonha ser - e andar, e brilhar, e vestir roupas caras. Desta maneira os seios à mostra nos desfiles também seriam idealizações. Só seriam seios reais se viessem junto com o vestido, e a mulher, usando sua transparência, automaticamente ficasse com seios de manequim.
As manequins são como aqueles desenhos nos cartões à sua frente nas poltronas dos aviões, de pessoas ajustando o colete salva vidas, colocando as máscaras de oxigênio, assumindo a posição adequada para o caso de queda do avião, atirando-se pelo tobogã para sair do avião acidentado - enfim, em situações de emergência. E nenhuma daquelas pessoas têm cara de quem está numa situação de emergência. Não estão exatamente sorrindo, mas suas expressão é de quem enfrenta emergências com naturalidade, até com uma certa indiferença.
São o tipo de pessoas que seguiriam as instruções de respirar normalmente depois de colocar as máscaras de oxigênio - coisa que você e eu nunca faríamos. As manequins são assim. Desfilam como se ser magnífica, com seios magníficos, fosse uma coisa comum. Na vida real, poucas mulheres podem usar uma roupa cara com a cara que a roupa cara merece, como fazem as manequins. Como na vida real, ninguém respira normalmente durante uma emergência.
Comments:
Posted
7:06 PM by Cassiano Leonel Drum
Moacyr Scliar
04/07/2004
Confusões literárias
Eu estava em São Paulo participando de um congresso de escritores. Era época da repressão. Dois colegas estavam comigo, mas disseram que não iriam falar. Eu entrei sozinho no salão. Era tudo comigo
A próxima quarta-feira, dia 7, marca o início da Festa Literária Internacional de Parati (Flip), que, em sua segunda edição, deverá reunir 21 escritores brasileiros e 16 estrangeiros (Paul Auster, entre eles) na bela e histórica cidade do litoral fluminense. O festival, idealizado pela editora inglesa Liz Calder, já ganhou bom prestígio.
E começa, portanto, a gerar polêmicas, uma das quais com repercussão nacional: o notável escritor João Ubaldo Ribeiro, um dos convidados, anunciou que não mais comparecerá. Achou-se pouco prestigiado pela divulgação do evento e abriu mão do convite, o que deu manchetes na imprensa do centro do país.
Seu gesto, ainda que surpreendente, não é excepcional. Volta e meia escritores deixam de aparecer nos encontros de literatura. Às vezes a desistência ocorre no último momento e disso posso dar um testemunho pessoal.
Eu estava em São Paulo participando de um congresso de escritores. Era a época da repressão, essas coisas eram difíceis de organizar, mas os coordenadores haviam conseguido o milagre de reunir ficcionistas e poetas de todo o país.
Num dos painéis estavam Rubem Fonseca, o nosso Dyonelio Machado e o jovem escritor (bota tempo nisso) que então eu era. O painel seria realizado no auditório do próprio hotel em que estávamos hospedados. Estava na hora, e dirigiam-nos para o local, quando, no corredor, Rubem Fonseca voltou-se para mim e disse que não iria falar.
Tudo o que o escritor tem para dizer está em seus livros, explicou. Eu ponderei que aquele não era exatamente o momento para provar essa verdade, mas Rubem estava decidido: despediu-se e foi embora. E eu também não vou falar, acrescentou Dyonelio Machado. Sua explicação era diferente: "Eles vão dizer: olha só como o velhinho ainda está lúcido." Foi embora também.
Entrei sozinho no salão, sem saber o que fazer. Ao microfone, contei o que havia sucedido: o painel programado já não aconteceria, pelo que eu me escusava. O auditório mostrou-se compreensivo e algumas pessoas pediram que eu falasse um pouco sobre minha trajetória. Eu disse que era de Porto Alegre, filho de emigrantes judeus-russos, que esta origem aparecia em minha ficção - enfim, dei um depoimento. Não me saí de todo mal e achei que, como se diz aqui no RS, estava pelada a coruja. Infelizmente, estava enganado.
Na minha fala eu havia mencionado o nome do escritor Samuel Rawett, também de origem judaica, a quem eu não conhecia, e que, por acaso, estava presente. Alguém se ofereceu para me apresentar a ele. Fomos até a rodinha em que se encontrava o Rawett. Ali estava ele, um homem magrinho, com cara de poucos amigos.
Eu disse que era um prazer conhecê-lo. Respondeu, aos berros, que para ele não era prazer nenhum. Vocês me perseguem, estou farto disso, gritou, numa clara demonstração da paranóia que já então o acometia e que o levava a ver, em todos os lugares, uma conspiração judaica contra ele. A custo consegui acalmá-lo. E não preciso dizer que respirei aliviado quando aquele dia terminou.
Eu estou no painel do qual o João Ubaldo ia participar. O que desperta em mim uma suspeita: será que não sou eu a causa desses ataques de rejeição? Não serei o portador de uma espécie de maldição que faz os meus companheiros de mesa desistirem na última hora? Vamos ver o que acontece no próximo painel. Se alguém cancelar a participação, vocês já sabem quem é o culpado.
scliar@zerohora.com.br
Comments:
Posted
7:05 PM by Cassiano Leonel Drum
Paulo Sant'ana
04/07/2004
Tarifas atacam como feras
Literalmente, nós, brasileiros, estamos fritos. O Superior Tribunal de Justiça derrubou o aumento na tarifa telefônica, que seria de 7,43% sobre a assinatura básica e de pulso, devendo o reajuste chegar agora a 17,45%.
Em seguida virá o aumento da energia elétrica, que se estima ficará também em torno de 17%, repetindo-se há anos o que parece nunca mais irá ter paradeiro: as tarifas aumentam em três vezes o valor da inflação, o que vai deixando a população aos estertores.
Ninguém agüenta mais esta selvagem lógica matemática, há uma inflação de fachada para tabelar os raros salários que são reajustados, há outra de valor três vezes maior para arrancar dos bolsos populares o mínimo que ainda resta de uma renda dos trabalhadores que diminui, também e por isso mesmo, a cada ano.
A única salvação que se vislumbrava era a de que a Justiça dos tribunais fosse impedir esses aumentos brutais, atendendo ao princípio de que os reajustes só podiam exceder à inflação se pudessem ser suportados pelos consumidores e usuários, mas, ao que consta, o princípio de que os contratos leoninos celebrados com as concessionárias têm de ser honrados, sob pena de desestimular os investidores, é o que prevalece nas decisões judiciais.
Agora que a Justiça capitulou, não há mais qualquer esperança e os brasileiros ficam assim condenados a empobrecer.
E quem já é pobre tende a miserabilizar-se.
Não há equação que salve quem vê as tarifas subirem 100% em quatro anos, sem quaisquer reajustes em seus ganhos que possam custeá-los.
Assim foi nos últimos anos, assim será nos próximos.
É o fim.
É duro dizê-lo, é penoso declará-lo, mas se era para reajustarem as tarifas telefônicas a esse nível escalpelador de três vezes a inflação por cada ano, melhor seria então que não houvesse a expansão do setor na privatização.
A terrível realidade é que cada vez mais se torna ilusório aquele feito que se comemorou com estrépito de todos poderem ter ligado o seu telefone sem custo de compra da linha.
Vê-se agora que a linha telefônica que parecia não custar nada cobra um preço exorbitante pela sua "gratuidade".
Quando a esmola é muita, o santo desconfia; laranja na estrada, tá bichada ou tem marimbondo no pé.
E antes que alguém torça o nariz para estas minhas observações, é evidente que o ângulo em que me situo é exclusivamente o do consumidor ou usuário, o que paga o pato, o que sustenta a estrutura.
Com cara de palhaço, pinta de palhaço, roupa de palhaço.
Como cantava o Miltinho, foi esse nosso amargo fim.
Os catarinenses, nossos estimados vizinhos, estão a nos colocar aturdidos com algumas supremacias eventuais mas significativas que ostentam ultimamente sobre os gaúchos, inimagináveis anos atrás.
O Figueirense lidera absoluto o campeonato nacional, e os estudantes de Florianópolis, numa corajosa atitude ultimamente nunca vista no Rio Grande, saíram para as ruas nos últimos dias, em passeatas e comícios relâmpagos, reagindo energicamente contra o aumento de 15% nas passagens dos ônibus da Capital.
A luta dos estudantes de Florianópolis foi tão exemplar e brava que a prefeitura, antes irredutível, declarou ontem que deve rever o reajuste.
Povo que não protesta contra reajustes desumanos, em última análise merece-os.
psantana.colunistas@zerohora.com.br
Comments:
Posted
9:14 AM by Cassiano Leonel Drum
Sonhos de verão
Romantismo, tempero tropical, perfume retrô e delírios infantis: Fashion Rio deu a partida rumo à próxima estação
Marcia Disitzer
O Fashion Rio, que terminou na quarta-feira, no MAM, desfilou moda e esbanjou show. Na ânsia de transformar roupa em espetáculo, os estilistas não pouparam esforços: Elza Soares cantou, Filhos de Gandhi emocionaram, teve aula de italiano, performance de break, rap, e 45 meninos de rua, recrutados no sinais de trânsito da cidade, foram figurantes.
Muito além do show, a moda mostra a sua força. Andrea Marques, à frente da Maria Bonita Extra, eterniza a grife; Luiza Marcier, de À Colecionadora, amadurece e encanta com vestidos com desenho de caneta bic; Zigfreda, de Kátia Wille, já está pronta para vôos solos. A praia carioca continua muito bem, obrigada.
No desfile-show da Rygy, uma celebração das tribos do Rio e da chita, que deve se consagrar, agora, nas areias. Os forasteiros fortalecem o evento: Carmelitas, Coven e Lei Básica acrescentaram flores, rendas, pássaros e temperos ao verão 2005.
Comments:
Posted
9:01 AM by Cassiano Leonel Drum
Ponto de vista: Stephen Kanitz
Os mesmos erros do passado
"Lançar novamente títulos com juros nominais 'flutuantes' é um retrocesso, é retomar o erro que causou duas décadas perdidas. Não se assegura 'estabilidade' monetária assinando contratos com juros 'flutuantes' "
É assustador quão poucos jornalistas econômicos e economistas criticaram o recente lançamento pelo governo de 750 milhões de dólares de dívida, com juros nominais "flutuantes". Dois que olharam feio foram o site www.jubileubrasil.org.br e o jornalista Ney Hayashi da Cruz, da Folha de S.Paulo.
A pegadinha está na palavra juro "flutuante". Todo economista sabe que juros flutuam até o dia da assinatura do contrato. Esse empréstimo é diferente. Ele reza que os juros irão flutuar APÓS a assinatura do contrato. A cláusula de juros não contém um número predeterminado, como 3% ou 16%. A cláusula de juros reza que o Brasil pagará a taxa LIBOR, QUALQUER QUE VENHA A SER ESSA TAXA NO FUTURO. Você assinaria um contrato desses?
Dezenas de ministros e secretários da Fazenda desde 1964 assinaram sem pestanejar. Assinaram contratos indeterminados com relação ao preço dos juros, com cláusula contratual incerta. Seus críticos consideraram essa cláusula um verdadeiro cheque em branco. Segundo Delfim Netto, na época não havia alternativa, era pegar ou largar.
Sabemos o fim daquela história, a libor "flutuou" para 16% em 1981, e todos os contratos efetuados quando os juros eram de somente 4%, 5%, 6% e 7% foram imediatamente repactuados para 16%. Passamos a pagar 16% sobre toda a nossa dívida, passada e futura. Conclusão: quebramos, dando início a duas décadas perdidas, quando perdemos a corrida contra a Índia e a China.
Perguntei ao melhor economista que tivemos, Mario Henrique Simonsen, por que ele assinara esses contratos flutuantes: "A ciência econômica não tinha meios de prever esse aumento excepcional dos juros". Concordo plenamente, mas essa é justamente a razão para não assinar esse tipo de contrato. A prudência financeira nesse caso exigiria, no mínimo, negociar um teto máximo de juros como precaução, digamos não mais que 12%, ou negociar um hedge de juros na Bolsa de Chicago. Nada disso foi feito.
O resto da administração pública tem de se preocupar com o Orçamento da União, a Lei de Licitação, o Tribunal de Contas, de pagar preço fixo em tudo, enquanto um ministério tem carta branca para assinar preço incerto?
Em 1986 fui trabalhar para o Ministério do Planejamento, a pedido do ministro João Sayad, para tentar cancelar esses contratos com juros flutuantes e negociar contratos com juros reais fixos pela duração do contrato, ou seja, criar uma alternativa.
A revista Euromoney ficou sabendo do plano e, para minha grande surpresa, o endossou com o editorial intitulado "Entra em cena o Alquimista". Os "alquimistas" éramos nós, do Ministério do Planejamento, que, na opinião da publicação, estávamos transformando lixo em ouro, apresentando um plano ganha-ganha ¿ além de reduzir os juros para 3% reais, fixos e imutáveis, e eliminar o risco da flutuação desestabilizadora. O editorial completo está em meu site, www.kanitz.com.br. Enquanto isso, o Ministério da Fazenda preparava a moratória, uma estratégia perde-perde que nos custou muito caro.
Lançar novamente títulos com juros nominais "flutuantes" é um retrocesso, é retomar o erro que causou duas décadas perdidas. Não se assegura "estabilidade" monetária assinando contratos com juros "flutuantes".
Em 2000, economistas da escola nominalista de FHC pioraram a situação lançando o Global Bond 40, com juros nominais fixos de 13% ao ano por quarenta anos, meses antes de a taxa libor começar a cair para o atual patamar de 1,8%.
Agora voltamos a lançar títulos com juros "flutuantes", justamente quando todo mundo espera que os juros americanos subam acentuadamente.
Que lógica é essa? Não seria melhor lançar títulos com juros reais fixos, como incentivou a Euromoney vinte anos atrás, medida posteriormente adotada pelo governo americano, o que lhe permitiu lançar títulos com juros reais de 3%, os famosos TIPS?
E se os juros subirem para 16%, como subiram em 1981? Daquela vez foi uma surpresa, era o cisne negro, o evento improvável, mas hoje nenhum economista pode dizer que é impossível ocorrer de novo um juro desses.
Onde estão os protestos de todo mundo que viveu flutuando nas duas décadas perdidas? Onde está o bom senso financeiro? Vamos começar tudo de novo?
Stephen Kanitz é administrador por Harvard
(www.kanitz.com.br)
Comments:
Posted
8:57 AM by Cassiano Leonel Drum
Caixinha de surpresa
Medicamento que aumenta o bom colesterol é o mais novo exemplo de uma moderna safra que inclui drogas potentes, certeiras e indicadas contra mais de uma enfermidade
Cilene Pereira, Lena castellón e Mônica Tarantino
Colaborou: Juliane Zaché
Vencer uma doença com o uso de uma simples pílula é um sonho antigo, mas, em muitos casos, algo difícil de ser alcançado. Porém, a expansão do conhecimento sobre o corpo humano, a criação de tecnologias e uma inesgotável vontade de buscar novas saídas para velhos problemas têm proporcionado o surgimento de remédios mais potentes, sofisticados e com menos efeitos colaterais.
A oferta desses produtos está gerando um ganho de vida em tempo e em qualidade nunca antes visto. Eles contribuem para elevar as chances de cura do câncer, reduzir a ocorrência de infartos e para baixar as taxas de mortalidade da Aids. Só para falar de três grandes inimigos da saúde.
Muitos desses medicamentos representam revoluções no tratamento das doenças. Em certas situações, a droga divide a história do combate a uma determinada enfermidade em antes e depois dela. Foi assim, por exemplo, com a penicilina o primeiro antibiótico e a luta contra as infecções.
Nesta semana, mais um representante do time dos super-remédios será discutido em um encontro a ser realizado em Estrasburgo, na França. O Niaspan (ácido nicotínico ou niacina) é o primeiro medicamento criado para aumentar um tipo de colesterol, o HDL. Isso é importante porque essa fração é do bem. Ela limpa as placas de gordura dos vasos sanguíneos. Por isso, é conhecida como o bom colesterol.
Pesquisas mostram que a nova droga consegue elevá-la em 30%. Até agora, a melhor estratégia medicamentosa para controlar as taxas de colesterol era a estatina. Embora eficaz, essa classe de remédios tem ação principal sobre o LDL, o mau colesterol (ele se deposita nas paredes das artérias, prejudicando a circulação sanguínea).
Multiuso: no início vendida em pó, a droga é hoje indicada para o coração
Ter à disposição um remédio voltado para a elevação do bom colesterol é importante, porque estudos têm demonstrado que em diversos casos de infarto o LDL estava controlado, mas o HDL estava em baixa. Ou seja, o correto é manter os dois tipos de colesterol dentro dos níveis preconizados pelos médicos.
A niacina vem para ser tomada em conjunto com a estatina. Dessa forma, o risco de doenças cardiovasculares se reduz muito mais, diz o cardiologista Raul Dias dos Santos, do Instituto do Coração (InCor). Na verdade, o benefício dessa substância já era conhecido. O problema é que a forma de ação da niacina que estava no mercado causava efeitos colaterais como rubor e coceira, além de afetar o nível de açúcar no sangue.
O medicamento foi modificado pelo laboratório (Merck) e chegará este ano em parte da Europa numa formulação de liberação gradual que garante a eficácia sem causar os mesmos problemas. O remédio já está presente nos Estados Unidos, na Inglaterra e na Alemanha e vai desembarcar no Brasil em 2005. Dentro de cinco anos, os pacientes também deverão contar com outra droga que aumentará o HDL: o torcetrapib, que está sendo desenvolvido pelo laboratório Pfizer.
A criação de remédios como esses é um trabalho que exige conhecimento profundo do corpo humano e o uso de uma tecnologia bastante refinada. Em média, levam-se 14 anos, da idéia à produção, até que ele chegue às prateleiras. Apesar da complexidade, a velocidade dos lançamentos de produtos farmacêuticos tem crescido nos últimos tempos. Dados da Associação da Indústria Farmacêutica de Pesquisa (Interfarma) mostram que na década de 60 um medicamento mantinha-se no mercado como o único de sua categoria por cerca de 12 anos.
No final dos anos 80, com o incremento da pesquisa para encontrar drogas contra a Aids, esse tempo caiu para quatro anos. Essa corrida para oferecer drogas diferenciadas está sustentada em investimentos de grande porte. Para este ano, por exemplo, a Bristol Myers-Squibb reservou US$ 2,5 bilhões para pesquisa. A Pfizer separou US$ 7,5 bilhões para desenvolvimento de novos produtos.
Hoje, o sonho das companhias farmacêuticas é fabricar remédios que sejam fenômenos de venda. Criar um produto contra a gripe, por exemplo, seria retorno certíssimo de investimentos. No entanto, apesar de muito desejado e pesquisado, esse tipo de medicamento ainda não existe por causa de dificuldades como a grande capacidade de mutação do Influenza, o vírus causador da doença.
Comments:
Posted
8:55 AM by Cassiano Leonel Drum
continuação
O mesmo obstáculo impede, por enquanto, o desenvolvimento de um único remédio para acabar com o HIV, o vírus da Aids. É preciso muita energia, esforço e dinheiro para conseguir algo que funcione bem. É uma pesquisa de risco, afirma Ricardo Diaz, professor da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). O grande medicamento pode ser descoberto a qualquer minuto, mas exige investimento contínuo e pesado, completa Elaine Maia, professora da Universidade de Brasília e especialista na criação de novas moléculas.
Até por essas dificuldades, uma forte aposta das empresas é aprimorar drogas que já se mostraram eficientes e seguras. Um dos objetivos é diminuir o número de vezes em que se toma um remédio. Quanto menos vezes o paciente precisar tomar o medicamento, menos chance ele tem de se esquecer ou mesmo de se cansar do tratamento.
Um exemplo dessa nova safra de produtos é o antibiótico Cipro XR (ciprofloxacina). Indicado para infecção urinária, pode ser tomado uma vez por dia. É um ganho considerável. Em geral, as medicações precisam ser ingeridas de duas a quatro vezes por dia, dependendo do antibiótico. Isso melhora a adesão ao tratamento, afirma o urologista Álvaro Sarkis, do Hospital Sírio-Libanês, de São Paulo.
Outra tendência importante que segue o princípio de facilitar o tratamento são os remédios que associam substâncias. Em vez de usar duas medicações para o mesmo problema, toma-se apenas um comprimido. Essa estratégia tem sido muito adotada no controle da hipertensão. Em casos moderados e graves, normalmente o paciente é obrigado a tomar mais de uma droga. Mas já existem vários produtos que unem dois compostos numa mesma cápsula, como o Micardis HCT (telmisartam e hidroclorotiazida) e o Sinergen (besilato de anlodipino e maleato de enalapril). O técnico em eletrônica René Blum, 67 anos, de São Paulo, faz uso do Sinergen. Nunca mais tive problemas, conta.
Ele é responsável pelo centro de transmissão da Rede Bandeirantes, onde foi fotografado na torre. É claro que o uso de remédios combinados não é para qualquer paciente. Nesses medicamentos, as doses são padrões. Não dá para mexer nelas. Se o paciente precisa de uma dose diferente, é preciso usar remédios separadamente, explica José Carlos Nicolau, diretor da Unidade Clínica de Coro
Comments:
Posted
8:35 AM by Cassiano Leonel Drum
Diogo Mainardi
Bush não é um Saddam
"O que importa é que a brutalidade americana coincidiu com a necessidade dos iraquianos. O Iraque tem uma pequena chance de dar certo. Com Saddam Hussein, não tinha chance nenhuma"
Lula considerou "ilegítimo" o ataque americano ao Iraque. Declarou que George Bush não tinha "o direito de decidir o que era bom e o que era ruim para o mundo". João Paulo Cunha foi mais longe. Acusou o presidente americano de "ordenar um massacre". Chamou-o de "déspota". Déspota era Saddam Hussein. Comparar George Bush a Saddam Hussein é insultar os milhões de iraquianos mortos ou torturados pelo ditador. João Paulo Cunha é como Madonna.
Madonna disse recentemente que George Bush e Saddam Hussein eram iguais porque "se comportavam de maneira irresponsável". Ela anunciou também que, de agora em diante, prefere ser chamada de Esther. O nome tem um significado cabalístico. João Paulo Cunha é nossa Esther. Lula é nossa Esther.
A linha adotada por Lula durante o conflito no Iraque foi defender o papel da ONU. Claro que se trata de uma enganação. A política da ONU para o Iraque, na última década, baseou-se no embargo comercial. Como se sabe, Lula e seus partidários sempre condenaram o embargo comercial. Queriam o fim das sanções impostas a Saddam Hussein.
Lula e seus partidários denunciaram também todas as outras intervenções militares americanas, muitas das quais contaram com o apoio da ONU. Foram contra a primeira guerra no Iraque. Foram contra a guerra na Iugoslávia. Foram contra a guerra no Afeganistão. Se dependesse de Lula, Saddam Hussein ainda estaria no Kuwait, Milosevic teria prosseguido o genocídio na Bósnia e no Kosovo, os talibãs continuariam a dar abrigo a Osama bin Laden.
José Dirceu acusou George Bush de deflagrar a guerra no Afeganistão apenas para contentar os interesses dos "círculos mais reacionários" dos Estados Unidos, que queriam construir um gasoduto na região. Onde está o tal gasoduto? O Afeganistão agora tem até eleições democráticas, mas não um gasoduto. A verdade é que os círculos mais reacionários dos Estados Unidos não tinham o menor interesse pelo Afeganistão, tanto que, na primeira oportunidade, se mandaram para o Iraque.
A maioria dos americanos está arrependida de ter apoiado a invasão do Iraque. O que é um bom sinal. Demonstra que os custos foram maiores do que os benefícios. Os americanos derrubaram Saddam Hussein e, ao contrário do que imaginavam, saíram perdendo com isso. Danem-se os americanos. Eles são ricos o bastante para cobrir o gasto. O único argumento cabível para invadir o Iraque era enfiar Saddam Hussein na cadeia.
E foi o que aconteceu. Digamos que um tirano assumisse o poder no Brasil. Digamos que ele bombardeasse com gás mostarda a população de Teresina. Uma força imperial que o destituísse seria bem-vinda. Pouco importa que os americanos tenham agido no Iraque com vinte anos de atraso. Ou que tenham contado um monte de mentiras.
Ou que tenham pensado unicamente em pilhar os recursos naturais do país. O que importa é que a brutalidade americana coincidiu com a necessidade dos iraquianos. O Iraque tem uma pequena chance de dar certo. Com Saddam Hussein, não tinha chance nenhuma. Independentemente do que pensam João Paulo Cunha, Lula e Esther.
Comments:
Posted
8:25 AM by Cassiano Leonel Drum
Cláudia Laitano
03/07/2004
Memórias roubadas
Sabe aquelas gavetas em que você guarda tudo que não tem coragem para jogar fora ou simplesmente não sabe mais onde pôr? Restos de aparelhos que não funcionam mais, um brinco sem par, a garantia do secador. Uma página do caderno de turismo com todas as informações sobre o Egito - nunca se sabe. Lápis sem ponta, cartões de visita, um rosário. Um bilhete banal de alguém que já foi importante. Botões, todo tipo de botões.
Pois é nesses inesgotáveis almoxarifados existenciais que costumam ir parar as fotografias antigas. Não as melhores - as que merecem os álbuns, os porta-retratos, as paredes da sala. As fotos que vão para a gaveta normalmente são aquelas que deram meio errado - mas não tanto a ponto de serem descartadas. Ou são meio mancas de contexto: o churrasco da firma, o batizado do filho de um conhecido, uma amiga muito sorridente num café em Amsterdã, ex-namorados.
Toda essa gente que não se conhece vai ficando ali, entre um talão de cheques usado e um pacote de lenços de papel pela metade, aguardando pacientemente uma sentença sobre o seu destino. E o tempo passa, a tralha se acumula, transborda para a gaveta de baixo. Até que chega o dia em que a faxina se torna inadiável. E que boa surpresa é reencontrar a amiga que não voltou mais ao Brasil, o ex-namorado ainda com cabelos, você mesmo 10 anos antes, numa pose que, pensando bem, nem era tão ruim assim.
Não sou do tipo que tem saudades do vinil, do telefone com discador ou do elevador com pantográficas. Mas ninguém me convence de que a tecnologia das câmeras digitais não está roubando memórias do futuro. Todo o princípio - muito racional e lógico - dessas câmeras é baseado no erro zero. A foto ficou boa? Ótimo. Não ficou? Delete. Aqui no jornal já é assim. O fotógrafo sai para a rua, faz 30 ou 40 fotos, sei lá, e no caminho de volta já vem selecionando o que fica e o que vai para o espaço. Tudo muito racional, muito lógico.
O problema é que o que hoje é secundário, descartável, daqui a 20 ou 30 anos, ou mesmo na semana que vem, pode ganhar todo um novo significado, talvez impossível de ser percebido com os olhos de hoje. O Kadão, editor de fotografia aqui da Zero Hora, costuma brincar que o retrato de Bill Clinton com uma inexpressiva estagiária chamada Monica Lewinsky teria sido imediatamente deletado na época por quase todos os fotógrafos com câmeras digitais. A história, às vezes, insiste em se construir a partir de material altamente deletável.
Não sei como serão as gavetas bagunçadas do futuro. Talvez em vez de retratos desemparelhados empilhem-se CDs muito organizados, cheios de fotos muito planejadas. Talvez daqui a cinco anos nem os CDs existam mais - vai saber. O certo é que o erro, o acaso, a aparente banalidade gravada naquelas velhas fotografias soltas na gaveta estão seriamente ameaçados. E junto com eles um bom pedaço da nossa própria história.
claudia.laitano@zerohora.com.br
Comments:
Posted
8:23 AM by Cassiano Leonel Drum
Ricardo Silvestrin
03/07/2004
Deu no New York Times
Bob Dylan, segundo Christopher Ricks, professor de poesia da Universidade de Oxford, é um dos maiores poetas da língua inglesa. A matéria do jornal, um tanto irônica, fala com um certo espanto das preferências de Ricks, mas não toca num ponto crucial. Chamar um compositor ou letrista de poeta não é o elogio mais correto como tantos pensam. Isso porque poesia, de livro ou mesmo falada, é uma arte. Letra de música é outra.
E não estou aqui com critérios de valor, tipo a poesia é culta e a letra é popular. A questão não é de valor, mas de estrutura. Uma letra de música não tem esse nome por acaso. Ela é parte da música. Tem a letra, a melodia, o ritmo, a harmonia, e mais o pulso, o ataque, a altura, a interpretação, o timbre... Tudo isso junto é o que vai dar a música. Quando Tom Jobim canta "Eis aqui este sambinha feito numa nota só / outras notas vão entrar, mas a base é uma só", ele está o tempo todo tocando uma única nota.
"Esta outra é conseqüência do que acabo de dizer...", mudou de nota. "Quanta gente existe por aí que fala, fala e não diz nada, ou quase nada / já me utilizei de toda a escala no final não deu em nada, ou quase nada" - aqui ele toca toda a escala, todas as notas. "E voltei pra minha nota, como eu volto pra você..." - voltou para uma nota só. "E quem quer todas as notas, ré, mi, fá, sol, lá, si, dó, acaba sem nenhuma, fique numa nota só".
Então o Samba de uma Nota Só do Tom não tem uma nota só. Tem todas as notas. Vai de uma a várias. Comenta com palavras e notas o mérito da economia. Falar pouco, mas falar bem, em vez de falar e falar e não dizer nada. Transita ainda pela analogia com os casos amorosos - quem quer todas as notas acaba sem nenhuma. Letra e música se completam e ficam indissociáveis. É outra arte. O texto aqui não é um poema de livro.
Para ser lido. É parte de algo cantado e tocado. Na música Ângela, também do Tom: "Ângela, por que tão triste assim, agora / e tudo quanto existe chora / teu rosto na janela da-que-le-a-vi-ão" - nessa parte a escala vai subindo, e o sentido se completa com a melodia e a harmonia. O avião sobe musicalmente. Ele segue: "Lá embaixo a terra é um mapa / que agora uma nuvem tapa...".
Chamar o Tom de poeta é chamar urubu de meu louro. Tom é um grande compositor e um grande letrista. Costumam chamar um grande letrista de poeta quando querem elogiar, mas é um elogio incorreto. Além do mais, a que poeta se está referindo. Como se todo poeta fosse grande coisa.
Dependendo do poeta, o elogio pode sair pela culatra. Cada macaco no seu galho. Bob Dylan é um dos maiores letristas da língua inglesa. Olha o que ele cantava em 1963 na canção Masters of War (Senhores da Guerra): "Vós, senhores da guerra / que construís canhões / que construís aviões da morte....espero que morrais / e que chegue depressa a vossa morte / seguirei a vossa urna / na tarde pálida / e estarei vigilante quando vos baixarem / para o leito de morte / e ficarei sobre a vossa campa / até estar seguro da vossa morte". Por letristas como Dylan é que a letra de música é também uma grande arte. Não precisa nem deve ser chamado de poeta.
ricardo.silvestrin@zerohora.com.br
Comments:
Posted
8:18 AM by Cassiano Leonel Drum
Paulo Sant'ana
03/07/2004
Banco dos réus incompleto
Leio que o aparecimento de Saddam Hussein na televisão iraquiana, tomando conhecimento das acusações que lhe faz um tribunal improvisado, deixou perplexos os iraquianos.
Foi também a minha sensação. Não sei por que me excita a curiosidade que um homem tão poderoso recentemente, um ex-chefe de Estado, esteja recolhido a uma cela de cárcere em lugar desconhecido de todos, seja levado ao tribunal acorrentado nas mãos e nos pés, e diante do juiz que o citou, perguntado sobre qual era o seu nome, tenha respondido galhardamente: "Saddam Hussein al Majid, presidente da República do Iraque".
O juiz corrigiu: "Profissão? Ex-presidente do Iraque?" Saddam retrucou: "Não, presente, atual. É a vontade do povo iraquiano".
Que arrogância! Ou que altivez! Como é que um homem assim tão humilhado com a prisão e deposição do poder consegue ainda reunir forças para desafiar os seus captores, dizendo ter seu trono usurpado?
O mundo já teve milhares de tiranos sangrentos, menos de 10 deles foram julgados por seus crimes em todo o curso da História.
É gratificante que um déspota como Saddam sente no banco dos réus. Mas há um travo nesta gratificação. É que Saddam disse ao juiz que o citou o seguinte: "Isso tudo é um teatro do Bush, o criminoso, para ajudá-lo em sua campanha eleitoral".
É célebre a sentença: "Falta alguém em Nuremberg". E a impressão que se tem depois desta guerra e das torturas e mortes que foram impostas aos prisioneiros vencidos é que falta alguém no banco dos réus ao lado de Saddam.
O Grupo de Apoio à Prevenção da Aids julga tão importante que saia publicado nesta coluna o seu entender, dizendo que isso poderá salvar muitas vidas, que lhe cedo o espaço: "Prezado Paulo Sant'Ana. Através da presente, manifestamos nossa preocupação quanto ao conteúdo do texto 'Um homem aterrorizado', publicado em sua coluna de 16/06/2004, em virtude de o mesmo apresentar conceitos ultrapassados no que tange às diferentes formas de transmissão do vírus HIV.
Ocorre que, no referido texto, Vossa Senhoria afirma acreditar que apenas através do esperma e do sangue o vírus poderá ser transmitido, desconsiderando, como importante meio de transmissão, a secreção vaginal e o leite materno (mãe-filho).
Por se tratar de uma questão de saúde pública, e buscando esclarecer aos seus leitores, pensando em prevenção da Aids, é imperioso afirmar, de forma clara e direta, que MULHER TRANSMITE O HIV, SIM, nas relações sexuais desprotegidas: ou seja, o homem que se relacionar sexualmente com uma mulher portadora de HIV correrá o risco inegável de se infectar, nas relações com ela mantidas, se não fizer uso do preservativo (camisinha).
A presente afirmação reproduz estudos científicos amplamente comprovados, tanto no Brasil quanto em outros países, derrubando - já há muito tempo - os conceitos vigentes no início da epidemia de Aids, no sentido de que a mesma atingia, apenas, a determinados grupos ou segmentos da sociedade. Hoje, a Aids atinge a homens e mulheres, hetero e homossexuais, jovens e adultos, ricos e pobres.
Por último, os testes anti-HIV devem ser feitos nos locais destinados para tal fim, e que contam com profissionais habilitados para esclarecer e apoiar quem busca aqueles serviços.
Temerário, portanto, que pessoas sem capacitação específica se ofereçam para acompanhar abertura de envelope que contenha resultados de teste anti-HIV, conforme mencionado na referida coluna. Colocamo-nos à sua disposição, bem com a todos os leitores desse jornal, para as informações necessárias, através do telefone 3221-6363, ou diretamente na nossa sede, localizada na Rua Luiz Afonso, nº 234, nesta Capital. Atenciosamente, (ass.) Carlos Alberto Duarte, presidente do Gapa/RS".
psantana.colunistas@zerohora.com.br
Comments:
Posted
8:16 AM by Cassiano Leonel Drum
Litoral
Mãos dadas pelo Caracol
Em Torres, moradores e veranistas deram um abraço simbólico no morro artificial construído durante mais de 10 anos pelo aposentado Hugo Bruxel. A Secretaria Estadual do Meio Ambiente ordenou a destruição da obra (foto Ronaldo Bernardi/ZH)
Comments:
Sexta-feira, Julho 02, 2004
Posted
6:54 PM by Cassiano Leonel Drum
Cinema
Teia de dúvidas
Homem-Aranha 2 é tão bom quanto o primeiro, mas agora ele vive o dilema entre a vida comum e a solitária caminhada de herói que combate vilões perigosos.
Ivan Claudio
Com os olhos anuviados, o lança-teias falhando e os dedos sem a viscosidade que lhe permite galgar arranha-céus, Peter Parker (Tobey Maguire), personagem de Homem-Aranha 2 (Spider-Man 2, Estados Unidos, 2004), cartaz nacional na sexta-feira 2, está com seus poderes aracnídeos completamente avariados.
Acaba despencando numa viela alagada e, ao esborrachar-se em cima de um carro, se levanta e reclama: Ai, minhas costas! É uma piadinha de bastidores. Saído das filmagens do excelente Seabiscuit alma de herói, na qual encarna um jóquei, Maguire se queixava de terríveis dores na coluna.
Na verdade, era uma desculpa para cair fora da agitada sequência do título milionário, que amealhou US$ 820 milhões ao redor do mundo. Mas a Columbia Pictures lhe ofereceu um cachê de US$ 17 milhões e tudo melhorou. Contrato refeito, o diretor Sam Raimi não só enganchou a gag da dor nas costas no filme como teve garantida a presença do mesmo ator perfeito no papel , uma das razões do sucesso do primeiro episódio.
Molina como Doc Ock: tentáculos de quatro metros que lançam carros para o alto e abrem cofres num peteleco
A adaptação de um dos quadrinhos mais famosos do mundo também volta esbanjando a mesma energia e equilibrando alucinantes cenas de ação com ótimas passagens dramáticas, temperadas de humor. Os efeitos do arrasa-quarteirão que chega a 600 cinemas do País foram igualmente aperfeiçoados com um orçamento de US$ 200 milhões, US$ 61 milhões a mais que Homem-Aranha.
Desta vez, a chamada spydercam, câmera que se move num cabo fazendo vôos rasantes para reproduzir o ponto de vista do personagem, chegou a fazer um percurso de 800 metros. Ao todo, foram construídos 100 sets de filmagens.
Contudo, a adrenalina de ver o rapaz voando entre prédios e saltando sobre trens em movimento não seria completa se ele não enfrentasse um vilão à altura. Seu novo adversário, bem mais excitante que o anterior, é o cientista Dr. Otto Octavius (Alfred Molina), batizado pelo editor do jornal Clarim Diário de Dr. Octopus, ou mais intimamente de Doc Ock.
Kirsten: prometida para um astronauta mauricinho
O apelido deve-se a uma particularidade. Em consequência de um experimento desastrado com fusão de energia, Octavius incorporou quatro tentáculos metálicos de vida própria, deixando-o com a aparência de um polvo ciborgue, metade homem, metade máquina. Doc Ock um dos vilões mais cultuados dos aranhamaníacos é um espetáculo à parte quando move suas geringonças como as serpentes da medusa, lançando carros para o alto e abrindo cofres num peteleco. Sem falar de sua personalidade conflituosa, que levou Molina a compará-lo, com certo exagero, ao Ricardo III de Shakespeare.
Alucinado com o desejo de ter o sol na palma da mão, o vilão teria a sede de poder facilmente saciada caso o Homem-Aranha tivesse insistido em abandonar a carreira de herói. Endividado, repreendido pelo admirado professor de física, rejeitado pelo amigo Harry (James Franco) e malsucedido na sua corte à amada Mary Jane (Kirsten Dunst), Parker decide jogar seu uniforme na lata de lixo e viver uma vida normal.
É quando Doc Ock toma a dianteira atacando com seus tentáculos de quatro metros de comprimento justamente a tia de Parker, Mary (Rosemary Harris). Posteriormente, escolhe como refém a amada MJ, prometida para um astronauta mauricinho. São motivos suficientes para Parker recuperar suas habilidades e ir à luta.
Numa das cenas mais mirabolantes, o Homem-Aranha se vê na urgência de salvar com suas teias um comboio de metrô desgovernado e cheio de passageiros. Quase no final das tentativas de frear o trem, o condutor vira para o herói e pergunta: Ainda tem fio suficiente? Diálogos bem-humorados como este pipocam o tempo todo.
Ao impedir que uma estrutura de ferro desabe sobre MJ, por exemplo, o Aranha comenta, suando de esforço, que a carga está, de fato, pesada. E o que dizer da sequência em que, devidamente trajado, divide o elevador com um rapaz carregando um cãozinho. O moço o olha de soslaio e diz: Legal essa roupa de Homem-Aranha. Mas não é um pouco desconfortável? Sim, coça bastante, retruca o herói, fazendo um gesto tipicamente masculino.
Uma das razões da popularidade do Homem-Aranha, que já tem garantida sua existência até o sexto episódio, é justamente este lado humano. No primeiro filme, Raimi surpreendeu o público ao traçar um belo perfil psicológico do herói, que se sentia culpado pela morte do tio, abdicando do seu amor por Mary Jane para defender Nova York. Agora, o diretor dá um novo passo, aprofundando as relações entre os personagens numa evolução lógica que não repete as peripécias anteriores. Mas a emoção continua, e muito!
Comments:
Posted
6:45 PM by Cassiano Leonel Drum
Sexta, 2 de julho de 2004, 12h39
Coca-Cola é ameaça à segurança militar nos EUA
As latas da promoção são equipadas com celulares e GPS.
Há uma nova ameaça de segurança em algumas bases militares dos Estados Unidos - e ela se parece assustadoramente com... uma lata de Coca-Cola. Latas do refrigerante especialmente desenhadas, que fazem parte de uma promoção de verão da companhia, contêm telefones celulares e GPS. O fato tem preocupado oficiais em algumas instalações porque as latinhas poderiam ser usadas para espionagem. Assim, medidas de proteção estão sendo tomadas.
A Coca-Cola diz que tais preocupações não passam de bobagens. Um porta-voz da companhia, Mart Martin, afirmou que ninguém iria confundir uma das latinhas da promoção Unexpected Summer com uma Coca-Cola normal. "A lata é dramaticamente diferente", disse. As da promoção têm um painel na parte de fora e um enorme botão vermelho. "Ou seja, é muito claro que a lata é, na verdade, um equipamento de telefonia celular", completou.
Os ganhadores das latas ativam o dispositivo pressionando o botão. A latinha pode fazer contato apenas com o centro de promoções da Coca-Cola, assim como os dados do GPS que também só podem ser recebidos pela companhia. "Ela não pode ser usada como equipamento para espionar", garantiu Martin. Os prêmios da promoção incluem, entre outros, dinheiro e uma central de entretenimento doméstico.
Apesar disso, bases militares como o Centro de Armamentos do Exército em Fort Knox, no Kentucky, estão pedindo aos soldados que examinem bem suas latinhas de Coca-Cola antes de trazê-las às reuniões sigilosas.
"Estamos pedindo às pessoas que abram as latas e não as tragam se dentro houver um GPS", informou o sargento Jerry Meredith, porta-voz do centro em Fort Knox. "Não é como se estivéssemos examinando as latinhas no ponto de venda. É só uma questão de bom senso", completou ele.
A Força Aérea e a Marinha parecem ter ficado preocupadas também. Sue Murphy, uma porta-voz da base da Força Aérea em Dayton, Ohio, disse que aparelhos eletrônicos pessoais não são permitidos em alguns edifícios e salas de conferência.
"Na possibilidade remota de que uma lata dessas fosse encontrada em uma dessas áreas, nos asseguraríamos de que ela estivesse desativada, tentaríamos devolvê-la ao seu dono e pediríamos a ele que a utilizasse apenas em sua casa", explicou. Todos os funcionários da Marinha foram alertados a respeito das latas para mantê-las bem longe.
Paul Saffo, diretor de pesquisas no Instituto para o Futuro, comparou esta preocupação militar a quando a CIA baniu o Furbie, um boneco de brinquedo que podia repetir frases. "Há coisas que devem manter um general preocupado e acordado até tarde da noite pensando a respeito", disse Saffo. "Uma lata de Coca-Cola falante não pode ser uma delas."
Mas para o analista Bruce Don, da Rand Corporation, a preocupação dos militares é racional e apropriada. "Há muita razão em se preocupar a respeito de como essa tecnologia poderia ser aproveitada por terceiros sem o conhecimento da Coca-Cola", explicou ele. "Eu não me preocuparia se alguma dessas latas estivesse em meu refrigerador, mas se você tivesse uma reunião ou fosse a algum local sensível, não é inconcebível que ela pudesse ser usada para finalidades diferentes", completou.
Martin disse ainda que a maior fabricante de refrigerantes do mundo havia recebido telefonemas da Base Aérea de Hill Air em Ogden, Utah, e de uma base militar em Anchorage, no Alaska, pedindo mais informações sobre a promoção. Os telefonemas não expressavam nenhuma preocupação maior e a Coca-Cola não foi contatada pelas bases em Ohio e Kentucky, acrescentou. Respondendo se a Coca-Cola iria suspender a promoção por conta dessas questões de segurança, afirmou: "Não. Não há razão para isso".
Comments:
Posted
6:41 PM by Cassiano Leonel Drum
Sexta, 2 de julho de 2004, 17h38
Vegetarianos se agarram em NY para promover dieta
Um casal promoveu uma manifestação inusitada hoje em Nova York para promover uma dieta vegetariana. Ravi Ghand e Bethany Walker "se agarraram" em um colchão em uma calçada de Times Square garantindo que vegetarianos são melhores amantes.
Ghand, um fuzileiro dos EUA e veterano da guerra do Iraque, e Walker são ambos integrantes da organização Pessoas pelo Tratamento Ético de Animais (PETA), e faziam parte da "Turnê do Namoro ao Vivo" da PETA, que planeja manifestações similares nas ruas de Washington e outras cidades do país. A mensagem da PETA é de que "vegetarianos são melhores amantes".
Comments:
Posted
6:19 AM by Cassiano Leonel Drum
Supertaxa nos inativos
Aposentados e pensionistas da União recebem hoje com o desconto dos 11% de maio e junho
Teresa Cristina Fayal
Aposentados e pensionistas da União começam a sentir hoje no bolso o peso da cobrança previdenciária. O salário ficará menor para todos os que ganham mais de R$ 1.505,29. A cobrança de 11% será maior este mês porque nesse contracheque o valor descontado é referente a 40 dias de proventos: todo o mês de junho mais 10 dias de maio. Enquanto isso, no Supremo Tribunal Federal (STF) continua suspenso até o mês que vem, devido ao recesso, o processo de votação de duas ações indiretas de inconstitucionalidade (Adins) que contestam a validade da cobrança.
A taxação de inativos foi incluída na Reforma da Previdência, aprovada no ano passado, mas por exigência legal só pôde entrar em vigor após 90 dias de sua regulamentação. A cobrança passou a vigorar no dia 20 de maio, mas, como a data era próxima ao fechamento da folha de pagamento, não foi possível incluir o desconto referente aos 10 dias restantes, no contracheque daquele mês, liberado a partir do dia 2 de junho.
Enquanto a decisão do STF não sai, os servidores recorrem à Justiça por ações individuais ou por associações e sindicatos. A advogada Rose Marie De Bom alerta, no entanto, que os que ganharem liminares devem poupar o valor referente ao desconto que deixou de ser feito. ¿Apesar de a liminar garantir a isenção, os servidores devem se precaver, porque, se a União ganhar, poderá descontar de uma só vez todos os atrasados¿, explicou a advogada.
O ministro Antonio Cezar Peluso, do Supremo Tribunal Federal, que interrompeu o processo de votação da Adin, prometeu apresentar seu voto no mês que vem, assim que acabarem as férias no Judiciário.
O julgamento começou em maio, mas Peluso pediu vista. Por enquanto, dois ministros votaram pela derrubada da cobrança previdenciária ¿ Ellen Gracie, a relatora, e Carlos Ayres Brito. O ministro Joaquim Barbosa votou a favor. Faltam ainda os votos de oito ministros.
Como voces verificam estão metendo a mão no bolso que guarda o salário de nossos avós, pais, tios, enfim daqueles que estã aposentados pela União. E ao invés de um aumento de 10% naqueles salários, como se vê, ele está se reduzindo nesse percentual. E o dinheirinho está indo para onde? Uma ótima sexta-feira e um fim de semana melhor ainda.
Comments:
Posted
6:08 AM by Cassiano Leonel Drum
Na Disney com Felipe Dylon
O cantor, sucesso entre adolescentes, é uma das novidades que agências estão programando para as férias em parques de Orlando
Isabela Motta
Aventure-se na montanha russa Splash Mountain: descidas radicais
Muita brincadeira e pouca ou nenhuma preocupação. É assim que pais e filhos querem passar as tão esperadas férias de julho. E é para fazer a alegria dos pequenos e também dos adultos, por que não? que parques temáticos e agências de viagens preparam programações especiais para esta época do ano. Entre as novidades, passeios entre animais selvagens, viagens com atores, um show exclusivo com o cantor Felipe Dylon em plena Walt Disney World e um tour pelos principais parques de diversões do Brasil.
Destino tradicional entre os jovens há décadas, Orlando voltou a ser um dos lugares preferidos neste período depois de andar um tempo em baixa por causa dos dos atentados aos Estados Unidos, em setembro de 2001. O motivo? Além de diversão a valer no complexo de parques temáticos espalhado pela cidade entre eles, a Walt Disney World os grupos formados pelas agências especializadas estão sempre inovando.
Show com Felipe Dylon e festa com Henri Castelli
Este ano, a adrenalina não ficará por conta apenas dos brinquedos mais radicais. Ídolo de 10 entre 10 meninas por volta de seus 15 anos, o bonitinho Felipe Dylon aceitou convite de um grupo de empresas de vários estados e fará dois shows exclusivos na terra de Mickey Mouse.
Os pacotes que incluem a apresentação do cantor podem ser de 11 ou 14 dias. Os grupos também visitarão as principais atrações de Orlando como Magic Kingdom, Epcot Center, MGM Studios, Universal Studios, Thyphoon Lagoon, Sea World, Blizzard Beach, Islands of Adventure e Animal Kingdon. Ainda há vagas para os grupos que saem dias 10, 14, 15 e 21. Os shows estão marcados para os dias 20 e 22 e ainda haverá café da manhã com o ídolo.
A agência Tia Penha-MPS, de Vitória, também entrou na onda e levará o ator Henri Castelli para festa de confraternização com a garotada. As saídas de Vitória estão marcadas para os dias 20 e 21.
Comments:
Posted
6:02 AM by Cassiano Leonel Drum
David Coimbra
02/07/2004
Coisas da caixa de câmbio
Assim que tirou a carteira de motorista, depois de quarenta e tantos anos andando a pé, ou de carona, ou de humilhante, o bravo repórter Luís Henrique Benfica sentenciou:
- Tenho nojo de pedestre.
Foi o que me convenceu a fazer a habilitação. Agora, eu e o Benfica ficamos no café, discorrendo sobre as peculiaridades da vida de motorista. Sim, a vida de motorista é árdua, disso sabemos. Todos aqueles pedais. As complexidades do painel. E a marcha a ré, quão traiçoeira é a ré! Essas coisas.
Mas concluímos, também, que há vasta filosofia nas atribulações automotivas. Cunhamos inclusive um axioma que vem pautando nossos dias. O seguinte: "A vida é uma grande caixa de câmbio: depois que se engata a primeira, só vai".
Com essa verdade em mente, tudo é fácil. Exemplo: o Benfica tem de fazer uma matéria, a matéria não sai. Sentado ante a tela vazia do computador, ele sofre. Aí, pouso a mão em seu ombro e lembro:
- É preciso engatar a primeira.
O Benfica balança a cabeça, em muda concordância. E escreve a frase de abertura. Em seguida, o texto como que escorre sozinho pela tela, até o ponto final.
Engatar a primeira, lembre-se. Sempre funciona. Ou quase. Não funcionou, curiosamente, com uma questão relativa ao transporte. Isso do aeromóvel de Porto Alegre. Engataram a primeira, e na primeira ele ficou, correndo 200 metros para frente, rumo a um nada, 200 metros para trás, na direção de outro nada.
Ontem, vi os candidatos a prefeito debatendo sobre o aeromóvel. Tive a tal sensação do déjà vu. Em todas as campanhas, os candidatos falam sobre o aeromóvel, prometem finalizá-lo e tralalá. Chega, por favor. Nós sabemos que o aeromóvel vai continuar como está, eternamente na primeira marcha, percorrendo seus melancólicos 200 metros de cada dia. E é até bom que lá ele fique, tornando-se, enfim, algo útil: um monumento que nos lembre, para sempre, das falsas ilusões das campanhas eleitorais.
Proposta de debate
Esses debates. Eles são enfadonhos. Os homens ficam lá, tentando explicar o projeto habitacional em minuto e meio. O que é que alguém explica em minuto e meio? Em vez de debate, que se coloque os candidatos numa casa estilo Big Brother. Durante dois meses, eles vão conviver uns com os outros. Vão cozinhar, arrumar as camas, nadar na piscina. Nós eleitores assistiremos e os julgaremos. Se o Pedro Bial não quiser ser o mediador, pode ser o Lasier mesmo. A cada semana, um será eliminado, até que só reste o prefeito. Temo apenas que alguns cedam à tentação de estabelecer alianças debaixo dos edredons.
david.coimbra@zerohora.com.br
Comments:
Posted
6:00 AM by Cassiano Leonel Drum
Mauren Motta
02/07/2004
Rio amado
Sempre amei as férias de inverno. Fugir do frio e voar para o Rio era meu destino preferido nessa época do ano. Quando julho chegava, estava certo e garantido que iria encontrar a minha amiga mais querida: minha prima Daniela. Como sou filha única, ela é a irmã que não tive. Nunca moramos na mesma cidade, mas sempre estávamos sintonizadas uma na outra. A ansiedade da chegada acabava no desembarcar do vôo. O encontro era sempre seguido de um respirar profundo para sentir o cheiro de mar.
Entre outros lugares, a conversa era posta em dia no apê de Copacabana. A minha adolescência foi marcada pelas tardes passadas no Roller da Lagoa, a praia no Arpoador, o sorvete da Chaika, os passeios no Rio Sul e os surfistas dourados de sol. Tudo era novidade. A cidade não era tão violenta, e a liberdade era exercitada a cada segundo.
"Olha biscoito Globo, Olha o mate" - o grito dos vendedores atrapalhava a conversa na areia, mas caracterizava o território. Clássicos da praia, eles deixavam mais saborosas as manhãs no Posto 9. Naquele tempo, a Barra da Tijuca ainda era novidade, e a zona sul, ferveção. Como ver de perto o Barão Vermelho, a Legião Urbana e o Ultraje a Rigor cantando no Morro da Urca.
Nesta semana, estou aqui outra vez. A temporada de moda me trouxe de volta pra casa. Sim, me sinto em casa aqui. Do Rio posso dizer que conheço cada buraco. A maturidade me fez entender um outro tipo de cidade mais intelectualizada, boemia e histórica. Meu foco de atenção agora são as Livrarias de Ipanema, os antiquários e o samba da Lapa, os restaurantes do Leblon e os botecos do Baixo Gávea. Prefiro uma caminhada nas paineiras a um dia escaldante de praia.
Minha agenda de amigos também aumentou. Tem cariocas que conheci viajando para outros lugares que hoje são grandes parceiros também. Mas é claro que não dá tempo de fazer tudo que gosto ou encontrar com todo mundo. A correria da semana de moda deixa espaço, quando muito, para um atrasado jantar. Hoje não tenho mais férias de julho. Mesmo trabalhando, ainda dá pra matar a saudade do cheiro, rever os lugares, e principalmente, encontrar com a minha prima Daniela.
mauren@rbstv.com.br
Comments:
Posted
5:57 AM by Cassiano Leonel Drum
Paulo Sant'ana
02/07/2004
Debate foi refresco para Pont
Gostei muito do encontro de confraternização entre sete candidatos a prefeito de Porto Alegre, ontem, na RBS TV e na Rádio Gaúcha.
Deve ter sido preparatório para algum debate que porventura ainda possa vir a ocorrer entre os contendores.
Foi elogiável o clima de cordialidade havido entre os prefeituráveis. Ao que parece, no final da eleição todos terão atingido seus objetivos: o cavalo do comissário vencerá novamente o páreo e os outros candidatos terão reforçadas suas candidaturas a deputados dali a dois anos.
O Raul Pont (PT), que pensei fosse ser fustigado por críticas e ataques dos seus adversários, foi tratado a pão-de-ló e canapés pelos oposicionistas, nunca foi tão fácil para um partido alcançar o quinto mandato consecutivo numa cidade.
A impressão que se desprendeu do debate é de que são frágeis e inconsistentes os argumentos da oposição, pelo que caberá ao eleitorado reconduzir o partido governante ao poder.
Com a passividade concorde dos concorrentes.
Achei estranho que um dos dois ângulos mais nevrálgicos da administração citadina não tivesse sido levantado em nenhum momento pelos cinco ou seis candidatos de oposição: a degeneração do Centro e o asfixiamento do comércio nas ruas centrais pela concentração agressiva dos camelôs, tanto contra os comerciantes estabelecidos quanto sobre os transeuntes.
Nenhuma palavra sobre a degenerescência total do Centro, sobre a alarmante desvalorização imobiliária, não só nos prédios residenciais mas principalmente nos comerciais, com a zona central da cidade submetida a um aviltamento assustador na sua paisagem sociourbana, transformando-a gravemente de zona nobre da cidade, em poucas décadas, a um lugar evitado pela população, quando devia ser o que sempre tinha sido: um pólo de concentração dos negócios e um espaço alegre, agradável, movimentado e estuante para os passeios diários das pessoas.
Não estou fazendo juízo de valor sobre a atual administração municipal e seus três anteriores mandatos, até mesmo porque a obsequiosa ausência de qualquer ofensiva crítica dos candidatos oposicionistas no debate de ontem fez com que os telespectadores e ouvintes intuíssem que nada há que mudar na administração da cidade.
Estou, sim, fazendo juízo de valor atualíssimo sobre a estratégia dos candidatos ontem no debate que nos proporcionaram.
Quando o candidato do governo afirmou "que municipalizamos a saúde", deu o sinal verde para os oposicionistas atacarem que a obrigação principal da prestação dos serviços de saúde na cidade era da prefeitura, e não do triúnviro consórcio entre o município, o Estado e a União, pelo SUS, o que aparentemente torna difusa a responsabilidade.
Então era a hora de os candidatos oposicionistas cobrarem o caos das consultas e cirurgias, que demoram um, dois e até três anos em muitas especialidades, arrastando as pessoas para o agravamento de suas doenças e em muitos casos para o aleijão, a deformidade e a morte.
Nenhuma palavra da oposição, senão uma ou duas referências amenas e superficiais.
Raul Pont (PT), que era para ter enfrentado um corredor polonês no debate, desfrutou de uma deliciosa estação de veraneio.
E os candidatos oposicionistas devem ter adiado as suas críticas mais veementes à atual administração para os palanques.
Porque na oportunidade rica do debate por rádio e televisão não se notou qualquer razão para os eleitores derrubarem a hegemonia longeva do PT.
psantana.colunistas@zerohora.com.br
Comments:
Posted
5:55 AM by Cassiano Leonel Drum
Trânsito
Acidente entre dois ônibus deixa 38 feridos na Capital
Colisão ocorreu no corredor da Avenida Bento Gonçalves. De acordo com testemunhas, um dos veículos teve de frear para não atropelar uma mulher que atravessava fora da faixa de segurança e foi atingido pelo que vinha atrás (foto Ricardo Duarte/ZH)
Comments:
Quinta-feira, Julho 01, 2004
Posted
6:35 PM by Cassiano Leonel Drum
Mulher macho
Samara Felippo entra em Da Cor do Pecado como lutadora que conquista o feminino Abelardo
Alícia Uchôa
Para todo pé descalço, há mesmo um chinelo velho. Edilásia (Rosi Campos) já não vai precisar empurrar mulheres para Abelardo (Caio Blat) em Da Cor do Pecado. É que o maquiador vai enlouquecer quando conhecer Greta Bazaróv, novo personagem de Samara Felippo. E pode esquecer a carinha de moça doce da Celina de Chocolate com Pimenta. Com coques de Mamuska, ela é uma versão feminina do metrossexual: fala grosso e entende o universo masculino como ninguém.
Greta é uma mulher-macho, uma lutadora brutamontes e grossa. É a versão feminina do Abelardo. Enquanto ele é recriminado por ser muito feminino, ela é toda masculinizada, dá porrada em quem a contraria e vê a luta como sexo, mas é do bem, avisa Samara, que passou a semana testando o figurino e começa a gravar semana que vem, depois de um intervalo de quase dois meses, quando terminou a novela das seis.
O grande encontro está previsto para acontecer daqui a uma semana, quando ela divide a cena com Abelardo em seu próximo filme de luta e ele se apaixona. No entanto, como toda novela, a recíproca não será verdadeira. Pelo menos a princípio. Ela é completamente volúvel e olha Thor (Cauã Reymond), que está numa fase poeta para conquistar as meninas e o acha lindo. Pensa que ele é o sensível e o intelectual da família, que a completa e se apaixona. Como conhece o Abelardo como lutador, inverte tudo, conta a atriz, que faz sua estréia no mundo da comédia.
Já na primeira semana, Greta dá uma surra em Abelardo, que fica ainda mais encantado com a moça. Ela, entretanto, nem liga. Larga as filmagens para ir ao recital de poesia de Thor. Ele, enciumado, vai atrás, sobe no palco e começa a confusão. Apesar da disputa de atenção, Samara não vê no personagem uma rival de Tina (Karina Bacchi).
Não vão ficar todos os irmãos na dela, só o Abelardo mesmo é quem se prende, explica Samara, que pretende entrar para ficar. Com o tempo, Greta ganha casa, uma história e fica até o fim da novela.
Comments:
Posted
1:46 PM by Cassiano Leonel Drum
FLAMENGO X SANTO ANDRÉ
O Santo milagreiro
Sem criatividade e poder ofensivo, Flamengo joga mal e perde para o Santo André (2 a 0), legítimo campeão da Copa do Brasil
Janir Júnior
Em momento algum o Flamengo conseguiu superar a forte marcação e a determinação do Santo André. Felipe não teve espaço
Do céu ao inferno, sem escala no purgatório. O Flamengo pagou ontem, ao ser derrotado por 2 a 0 pelo Santo André, em pleno Maracanã, um dos maiores micos de sua história. Depois de chegar ao Maior do Mundo comemorando antecipadamente o bicampeonato da Copa do Brasil, o torcedor rubro-negro deixou o estádio banhado em suor e lágrima, ao ver o modesto time do ABC, que disputa a Segundona do Brasileiro, conquistar o título e garantir vaga na Libertadores do ano que vem.
Com o vexame, o Flamengo deixou de arrecadar R$ 1 milhão para os seus combalidos cofres, e o técnico Abel Braga deve se despedir da Gávea. A demissão do treinador pode acontecer a qualquer momento. Assim como a ida de Felipe para o futebol francês. Para piorar, no basquete, outra decepção. O Rubro-Negro foi derrotado pelo Uberlândia, que ficou com o título nacional.
No primeiro tempo, o Flamengo não atuou como favorito. Desprezando a força de sua torcida, o Rubro-Negro atuou mal. Apesar da inoperância do time do técnico Abel Braga, o Santo André pouco fez, embora tivesse a bola sobre seu domínio por mais tempo.
Sem querer, o Flamengo melhorou um pouco após os 8 minutos da etapa inicial. Róbson torceu o tornozelo esquerdo e acabou saindo de campo. Em seu lugar entrou Jônatas. Embora não tenha sido brilhante, o reserva deu um pouco mais de consistência ao inoperante meio-campo rubro-negro.
Apesar de confuso, o Flamengo foi quem teve a melhor oportunidade de gol. E ela só foi acontecer aos 40 minutos. Felipe abandonou a ponta direita e apanhou um rebote na esquerda. O camisa 10 encontrou Jônatas livre no meio da área, que chutou forte. Mas a bola bateu na perna de um zagueiro e saiu pela linha de fundo.
O Santo André precisou apenas de 22 minutos, no segundo tempo, para conquistar o título. Logo aos 7, Sandro Gaúcho, sozinho entre Roger e Da Silva, escorou um escanteio de cabeça e fez 1 a 0 para o time do ABC.
O Flamengo perdeu-se em campo e o Santo André ampliou aos 22. Osmar invadiu pela esquerda, cruzou e Élvis, provando que não estava morto, desviou de Júlio César: 2 a 0.
A partir daí, o time do técnico Péricles Chamusca passou a tocar a bola. E a torcida do Flamengo, aos gritos de timinho, deixou o estádio. Era o fim do sonho da Libertadores.
Comments:
Posted
12:17 PM by Cassiano Leonel Drum
Louras em chamas
Sheila Mello tenta mostrar que há vida depois do Tchan beijando Marinara em peça de teatro
Zean Bravo
Sheila é Shana...
Temos momentos fortes, de puxão de cabelo e toque no seio Marinara
Vida de ex-loura do É o Tchan não é moleza. Depois de aposentar o shortinho do grupo baiano, Sheila Mello tenta emplacar seu grupo de dança de rua e faz de tudo para diversificar suas atuações. Jurada do novo show de calouros de Silvio Santos, Gente que Brilha, a namorada de Alexandre Pires Estamos muito bem, obrigada!, garante agora também é atriz de teatro. E resolveu estrear no ramo com a comédia 2/4 de Motel, em cartaz em São Paulo (e que estará em janeiro no Rio), protagonizando cena de beijo e até intimidades na banheira com a personagem de Marinara Costa. Recebi o texto, achei superdivertido e acreditei na minha capacidade de realizar o projeto. Tudo me interessou: o elenco, o texto e o desafio de crescer, diz ela.
Um dia alguém falou: só falta ela trocar o Alexandre pela Marinara idem
Na peça, Sheila é Shanny, cantora adolescente virginal de dupla personalidade. Aí ela vira Shana, garota que topa tudo, completa Marinara, que se diz surpreendida com a dançarina. Ela é simples, do bem. Temos momentos fortes, de puxão de cabelo e toque no seio. São cenas reais de uma relação, diz Marinara, que ri logo em seguida ao lembrar de uma história de bastidor. Primeiro ela faz doce, mas acaba contando. Rolou uma sintonia, um carinho legal entre a gente. Teve um dia que alguém falou que só faltava a Sheila trocar o Alexandre pela Marinara. Sai pra lá, diverte-se a policial e candidata a vereadora nas próximas eleições.
Sheila é Shanny
São cenas que têm a ver com o contexto. Aliás, são poucas Sheila
A ação da trama acontece enquanto Duda (Marinara), integrante da AMAM Associação das Mulheres que Amam Mulheres espera a namorada no motel. Duda é a passiva da relação e começa a ser provocada pela Shana. Ela resiste àquele pedaço de perdição até jogar tudo para o alto, pegar o champanhe, a cereja e viver aquilo, descreve Marinara, que se diz sem problemas com opção sexual. Como assim? Ainda não aconteceu de ficar com mulher. Sou nordestina, gosto de figura máscula. Mas digo que sou Marinara e Mário, meu lado masculino, o bofão que luta, revela.
Sobre beijar Sheila, Marinara diz: Sempre rola polêmica. Sheila concorda e ainda acrescenta. A peça pode causar polêmica por tudo! Todo o texto é de alguma forma polêmico. O beijo pode ser mais uma das coisas..., avalia a dançarina, admitindo certo nervosismo com a nova empreitada. Mas me preparei e estou segura. Me superei em vários sentidos, avisa.
Comments:
Posted
12:15 PM by Cassiano Leonel Drum
Luis Fernando Verissimo
01/07/2004
Duas imagens
O Millôr desafiou: diga "uma imagem vale mil palavras" sem usar palavras. Certo, como sempre, o nosso sábio maior. Mas nas últimas semanas vi duas imagens que significavam tanto que me deixaram sem palavras. Uma foi aquela foto de senadores comemorando a derrota da proposta de salário mínimo do governo, logo após a votação. Numa ponta da foto aparece o Antonio Carlos Magalhães, eufórico. Na outra ponta, também eufórica, a Heloísa Helena. E, entre eles, outros festejadores, com predominância de senadores do PFL.
Se eu não consegui organizar um pensamento para enquadrar a foto, imagino alguém, no futuro, procurando palavras para interpretá-la e, com ela, a estranha forma que tomou a política brasileira naquele ano de 2004, quando rebelados contra a incoerência do PT aderiram à incoerência do PFL votando por um mínimo maior do que o proposto.
A imagem não terá detalhes - como o de que a Câmara depois restaurou o mínimo que o governo queria - nem explicações sobre as sutis motivações de cada um na gama de eufóricos que ia de ACM a Heloísa Helena. Só dirá, sem palavras, isto: que houve um torneio de incoerências e algumas pessoas precisaram escolher entre uma incoerência amargurante e uma incoerência hipócrita e se aliaram à hipócrita, porque os dias eram assim. E que foi tudo (também não dirá a foto) por R$ 15.
Outra imagem que me deixou sem palavras foi uma que vi na TV, de dois homossexuais se casando num Estado no sul dos Estados Unidos. Não me lembro que Estado era nem se foi uma cerimônia oficial - duvido que o casamento homossexual já esteja legalizado em algum Estado sulista americano -, mas o espantoso da imagem era que um dos homens era branco e o outro negro. Há não muitos anos o casamento inter-racial era proibido por lei nos Estados sulistas. Até o namoro inter-racial era arriscado: negro com branca podia dar linchamento, branco com negra era impensável, ou era clandestino.
Para descrever o que teve que mudar na cabeça de uma comunidade inteira para tornar possível, ou pelo menos não causar apoplexia coletiva, a união de pessoas de raças diferentes e do mesmo sexo, não há palavras possíveis. Só o sentimento de que, afinal de contas, algumas coisas mudam para melhor, e a hipocrisia não é uma fatalidade genética humana.
Comments:
Posted
12:08 PM by Cassiano Leonel Drum
Nilson Souza
01/07/2004
Entrevista com um rei
Sou avesso a palavrões, mas ouvi um esta semana que não poderia ter sido melhor colocado. Era daqueles bem cabeludos, mas soou como um elogio. O brasileiro tem esse dom: é capaz de abraçar o melhor amigo e saudá-lo com alguma expressão que, em outra circunstância, seria considerada ofensa imperdoável.
Fui ver o filme Pelé Eterno, numa sessão predominantemente assistida por pais e filhos adolescentes. Aqueles homens, evidentemente, foram ao cinema para provar aos seus filhos que era verdade tudo o que diziam em casa sobre o maior craque de todos os tempos. E as cenas não deixam dúvidas: encantam até mesmo quem não morre de amores pelo futebol.
Pelé jovem, um fei |