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Sábado, Julho 10, 2004
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7:03 PM by Cassiano Leonel Drum
O amor é cego
Estudo revela que a paixão romântica suprime as atividades nas áreas do cérebro responsáveis pelo pensamento crítico
GABRIELA LITRE/ LA NACIÓN/GDA
Nossas avós já advertiam: o amor é cego. Agora, a ciência acaba de lhes dar razão. Pesquisadores da University College London (Grã-Bretanha) mostraram que os sentimentos amorosos levam à supressão da atividade nas áreas do cérebro que controlam o pensamento crítico. Basicamente, o cérebro decide reduzir nossa capacidade de avaliar o caráter e a personalidade do objeto do nosso afeto.
Os cientistas demonstraram que tanto o amor chamado "romântico" quanto o maternal produzem os mesmos efeitos no cérebro. Outro estudo da mesma universidade constatou que o amor também pode provocar reações químicas similares às da cocaína ou da alta velocidade. Em todos os casos, em seus estágios iniciais o amor deixa suas vítimas "flutuando nas nuvens".
Uma antiga fábula conta que a coruja suplicou à águia para que, durante suas caçadas, poupasse a vida de seus filhotes. Compadecida com o choro da coruja, a nobre águia exclamou: "Senhora, diga-me como são os seus filhos. Eu os reconhecerei e evitarei de comê-los". A coruja disse: "Não demorará a vê-los, majestade, são os bebês mais bonitos do bosque". A águia então escolheu os filhotes mais feios que encontrou, e os devorou. Eram os filhos da coruja.
A lição óbvia da história tem agora sustentação científica, já que o estudo demonstrou que a infeliz coruja não mentia, apenas acreditava com sinceridade no que dizia.
Como? Os cientistas escanearam o cérebro de 20 jovens mães enquanto elas observavam fotos de seus filhos, outras crianças conhecidas e amigos adultos. Em todos os casos, o padrão da atividade cerebral foi similar ao das pessoas enfeitiçadas pela paixão romântica: a eliminação quase total da apreciação crítica dos seres amados.
Tanto o estudo dos enamorados quanto o das mães registraram um incremento da atividade na área do cérebro conhecida como "sistema de recompensa". Quando essas zonas são estimuladas (com comida, bebida ou um bom salário, por exemplo), produzem sentimentos de euforia. Mas o que surpreendeu os pesquisadores foi a redução da atividade dos sistemas cerebrais necessários para realizar juízos negativos.
O mesmo estudo aplicado a animais produziu resultados semelhantes. O chefe da equipe de cientistas, Andreas Bartels, encontrou uma explicação simples para o fenômeno: é fundamental que o amor romântico e o maternal sejam vistos pelo cérebro como algo extremamente positivo. De outra maneira, a espécie deixaria de procriar.
- Nossa pesquisa permite concluir que o relacionamento humano utiliza um mecanismo para desativar as redes de avaliação social crítica e as emoções negativas e, ao mesmo tempo, une os indivíduos ao envolvê-los em um circuito de recompensa que explica o poder do amor para motivarmos e gratificarmos - explica Bartels.
Mas existe uma diferença entre o amor maternal e o romântico. Apenas o último eleva a atividade do hipotálamo, que controla as sensações de excitação sexual.
Os "estranhos" efeitos das flechas do Cupido não acabam aí. Um grupo de cientistas italianos, que analisou 12 mulheres e 12 homens que se apaixonaram nos seis meses anteriores, comprovou que os homens diminuíam seus níveis normais de testosterona - enquanto o das mulheres aumentava.
- Os homens, de alguma maneira, se tornaram mais parecidos com as mulheres, e as mulheres com os homens. É como se a natureza quisesse evitar o que poderia criar diferenças entre homens e mulheres, já que é tão importante que a relação sobreviva a essa etapa - diz Donatella Marazziti, cientista da Universidade de Pisa.
Os efeitos inesperados do amor não acabam aí. John Marsden, diretor do Centro Nacional de Adicção da Grã-Bretanha, diz que a dopamina (substância produzida pelo cérebro quando está estimulado) provoca os mesmos efeitos da cocaína e da alta velocidade.
- A atração é realmente como uma droga. O deixa querendo mais - diz Marsden.
Basicamente, o cérebro "se incendeia" quando a pessoa começa a falar com alguém que considera atraente. O coração começa a bater três vezes mais rápido do que o normal e bombeia mais sangue para as faces e para os órgãos sexuais, resultando no conhecido "frio no estômago".
Tal como ocorre com a cocaína e com a velocidade, o efeito é temporário, dura entre três e sete anos, no máximo. A partir daí, a relação depende de fatores muito mais profundos do que um conjunto de hormônios e caprichos cerebrais.
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5:03 PM by Cassiano Leonel Drum
Um namoro fenomenal
O amor entre Ronaldo e Daniella Cicarelli é lindo e muito lucrativo
André Rizek

Com um sorriso de 8 centímetros e outros atributos, Daniella encantou Ronaldo (ao lado, com a modelo), que, em nome do amor, corre todo dia. É preciso fôlego para ganhar a simpatia do sogrão
Com 1,79 metro de altura, quase 8 centímetros de boca (fechada) e um corpão de estremecer as passarelas, a modelo e apresentadora Daniella Cicarelli é uma sensação nacional. Agora, namorada oficial do jogador Ronaldo, prepara-se para ganhar também o mundo.
A mineira de 24 anos, que largou o curso de administração em Belo Horizonte para tentar a carreira de modelo em São Paulo, há tempos tenta lançar-se no circuito internacional. Dois anos atrás, contratou uma agência em Nova York para cuidar do assunto, mas, até o mês passado, o investimento pouco tinha rendido.
À exceção de uma capa na revista GQ alemã, em 2002, nunca havia estrelado uma campanha publicitária ou um catálogo de moda fora do país. Agora, tudo mudou. Na semana que vem, ela segue para Nova York, onde será fotografada para a capa da prestigiada Vanity Fair italiana e aproveitará para bisar a GQ alemã. Seu empresário, Caíco de Queiroz, garante que as fotos já estavam acertadas "meses antes" de o romance com Ronaldo pegar fogo.
No entanto, ele admite que o céu passou a ser o limite para sua cliente. "Essa celebração da mídia em torno dos dois vai ser incrível para a carreira dela", diz. A experiente empresária Mônica Monteiro, que cuida da carreira de Gisele Bündchen, vai mais longe: "O namoro vai torná-la conhecida mundialmente. Os europeus vão correr para saber quem é a Daniella", diz.
Já começaram. Segundo o Yahoo!, a apresentadora brasileira ocupa, desde o mês passado, o segundo lugar no ranking das personalidades mais procuradas no site da Espanha. No Brasil, o "efeito Ronaldo" também já se faz notar. A modelo, que cobrava 18.000 reais para dar o ar da graça (e que graça!) num evento, agora não levanta da cama por menos de 30.000.
De Creta, na Grécia, onde está com Ronaldo, Daniella se recusou a comentar o namoro. "Só digo que estou muito, muito feliz." Ronaldo também. Além de tatuar as iniciais "R" e "D" no pulso e permanecer colado na namorada feito chiclete durante os dias em que permaneceu no Brasil, o jogador deu a ela a suprema prova de amor ao cancelar o plano de usar as férias de verão para viajar com amigos.
Até conhecer Daniella, tinha tudo pronto para alugar um barco e partir para um animado cruzeiro entre Ibiza e Sardenha, o festivo circuito europeu freqüentado por playboys consagrados e modelos em ascensão. Alugou o barco, sim, mas para velejar ao largo da romântica ilha grega e com apenas uma modelo, sua amada Daniella. Foi ela quem escolheu o destino da viagem. Assim como é ela quem escolhe o restaurante em que os dois irão jantar e também quem determina que Ronaldo vai, sim, fazer dieta e correr todos os dias em sua companhia.
Amigos contam que na relação entre os dois predomina a seguinte dinâmica: Daniella manda e Ronaldo, feliz, obedece. No dia em que foi assistir à gravação do programa da apresentadora na MTV, por exemplo, o jogador, abordado nos corredores, aceitou fazer uma ponta no programa RockGol, da mesma emissora. Já se preparava para entrar no estúdio quando ouviu a bronca da namorada: "Se você não participa do meu programa, também não participa de nenhum outro!".
A resposta do Fenômeno, segundo quem a presenciou, foi: "Tá bom, Daniella. Não precisa falar assim". A apresentadora, contam amigos, também deixou claro que não vai tolerar os usuais "sumiços" com que o craque costumava surpreender suas ex-namoradas. Na primeira bola fora, avisou, o atacante leva cartão vermelho.
Se namorar Ronaldo, o superastro internacional, é ótimo para Daniella, namorar Daniella, triatleta e maratonista fanática, é muito bom para Ronaldo. O técnico Carlos Alberto Parreira já declarou que "a seleção brasileira agradece" à esportista e boa moça Daniella. O presidente da CBF, Ricardo Teixeira, fez coro dizendo que dará parte dos prêmios do time à apresentadora.
O staff do jogador também aplaude a relação. Afinal, para técnicos, empresários e patrocinadores, é muito melhor ver o atacante surgir na mídia no papel de namorado apaixonado que nas horas vagas aparece correndo e cuidando da forma ao lado da namorada sarada do que meio gorducho e preguiçoso, por causa das noitadas com o amigão e recém-separado Roberto Carlos, seu companheiro no Real Madrid.
Todo mundo contente, então? Bem, quase todo mundo. O empresário Antonio de Pádua, pai de Daniella, parece ser uma exceção. "O que eu acho de a Daniella namorar o Ronaldo? Não acho nada. É um grande atacante. É o que eu tenho a dizer sobre ele", declarou a VEJA. A amigos, Pádua diz que se preocupa com a imagem da filha, às voltas "com esse negócio de jogador de futebol" e todo o estigma que pesa sobre a categoria.
Ronaldo e Daniella já foram comparados ao casal Shrek e Princesa Fiona, os personagens do filme Shrek. Agora, o roteiro está completo. Como no desenho, o craque vai ter de suar para convencer o pai de sua amada de que, por trás do ogro, existe um sujeito de bom coração.
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4:44 PM by Cassiano Leonel Drum
Diogo Mainardi
Pobre é bom negócio
"Os pobres, nos livros de Guimarães Rosa, falam melhor do que nós, pensam melhor do que nós, se comportam melhor do que nós. Rosa glorifica a bandidagem, as idéias e a espiritualidade dos pobres. Ele era o John Travolta da 'nonada'"
A gente gosta de pobres. A gente gosta tanto deles que nunca pensou em torná-los menos pobres. A gente gosta de votar em pobres, de reclamar de pobres, de escrever sobre pobres. De fato, a literatura brasileira desapareceria se não fossem eles. A Feira de Livros de Paraty acaba de homenagear Guimarães Rosa, o maior representante do pauperismo na literatura nacional. Os pobres, em seus livros, falam melhor do que nós, pensam melhor do que nós, se comportam melhor do que nós.
Dá vontade de largar tudo e ir morar no sertão mineiro. Enquanto eu atravesso a Visconde de Pirajá para comprar meio quilo de alcatra no açougue, os sertanejos rosianos atravessam um universo épico. Enquanto eu combato os cupins no chão de sinteco da sala, eles combatem o Diabo em pessoa. Rosa glorifica a bandidagem, as idéias e a espiritualidade dos pobres. Uma espiritualidade muito semelhante à sua, aliás. Rosa conseguia acreditar simultaneamente em umbanda, kardecismo e cientologia. Era o John Travolta da "nonada".
Lula, no balanço de um ano e meio de poder, tentou demonstrar que está trabalhando pelos pobres, embora não tenha podido dar um aumento relevante do salário mínimo. Um aumento para 275 reais, segundo os economistas petistas, representaria um custo adicional aos cofres públicos de cerca de um bilhão e meio de reais. Um bilhão e meio de reais é a quantia que Lula gasta anualmente em propaganda, para persuadir o eleitorado pobre de que ele está trabalhando pelos pobres.
Que eu saiba, nenhum governo do mundo gasta tanto em propaganda quanto o nosso. Um bilhão e meio de reais foi também o que a Petrobras gastou para comprar uma distribuidora de botijões de gás. O maior problema do Brasil é o gigantismo do Estado. Como responde Lula? Aumentando ainda mais o Estado. Um bilhão e meio de reais, enfim, é bem menos do que Lula gastou na liberação de recursos aos seus aliados, para obter votos no parlamento ou para financiar obras eleitoreiras. A democracia brasileira se fundamenta no achaque eleitoral e na compra de votos.
Lutar pelos pobres, no Brasil, é sempre um bom negócio. O caso mais flagrante é o das aposentadorias aos perseguidos pelo regime militar. José Dirceu foi um dos primeiros beneficiários da Lei de Anistia, passando à frente de muitos octogenários e nonagenários mais pobres do que ele.
A rigor, Dirceu ficou menos pobre por ter defendido uma revolução comunista em favor dos pobres. Uma dúvida: ele entrega um quinhão de sua aposentadoria ao partido ou a regra se aplica apenas ao seu salário ministerial?
Quem também furou a fila da Comissão de Anistia e garantiu uma rica aposentadoria vitalícia foi Carlos Heitor Cony. Como se sabe, Cony contestou duramente o regime militar, sobretudo quando esteve na direção de órgãos subversivos como a revista Desfile ou quando se prestou a redigir os manifestos indignados do grande revolucionário Adolpho Bloch.
Ainda bem que o Brasil tem tantos pobres. Dá e sobra para todo mundo: para os escritores, para os políticos, para os revolucionários, para os jornalistas. O que seria de nós sem tantos pobres?
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4:27 PM by Cassiano Leonel Drum
O cão é o melhor amigo
Garfield, no filme: nada de original
Como o próprio Jim Davis analisa, o que faz o sucesso de uma tirinha e permite que ela seja publicada décadas a fio é muito mais a qualidade do personagem, e a sua coerência, do que as piadas que ele protagoniza.
Veja-se o caso exatamente de Garfield: comida, descanso e o afeto incondicional de seu dono, o desaventurado Jon, são os únicos assuntos de que se ocupa mas, aplicados a ele, esses temas têm se mostrado inesgotáveis. O cinema, entretanto, exige algum tipo de contexto ou enredo. E é aí que Garfield O Filme (Garfield The Movie, Estados Unidos, 2004), que estréia nesta sexta-feira no país, subverte a lógica que a tirinha vem pregando em seus 26 anos de existência e desaponta.
Para que haja história, o gato não pode simplesmente ficar parado à espera de que as bênçãos da vida caiam em seu colo, como faz sua versão de papel. Ele tem de agir e nada é mais anti-Garfield do que a ação. Contracenando com atores já de começo pouco expressivos Breckin Meyer, como Jon, e Jennifer Love Hewitt, como a veterinária por quem ele é apaixonado , o Garfield de computação gráfica sai de sua paz para salvar seu grande rival, o cão Odie, de um explorador inescrupuloso.
Nem a dublagem de Bill Murray, no original, é capaz de esconder o fato de que o roteiro repete, lance por lance, dezenas de outros filmes infantis. Só quem impressiona, aqui, é o simpaticíssimo Odie. É o cúmulo da ironia: um filme feito para celebrar um gato, em que todas as glórias ficam com o cachorro.
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4:06 PM by Cassiano Leonel Drum
"A PORTA DO LADO"
Drauzio Varella
Em entrevista dada pelo médico Drauzio Varella, disse ele que a gente tem um
nível de exigência absurdo em relação à vida, que queremos que absolutamente
tudo dê certo, e que, às vezes, por aborrecimentos mínimos, somos capazes de
passar um dia inteiro de cara amarrada.
E aí ele deu um exemplo trivial, que acontece todo dia na vida da gente.
É quando um vizinho estaciona o carro muito encostado ao seu na garagem (ou
pode ser na vaga do estacionamento do shopping).
Em vez de simplesmente entrar pela outra porta, sair com o carro e tratar da
sua vida, você bufa, pragueja, esperneia e estraga o que resta do seu dia.
Eu acho que esta história de dois carros alinhados, impedindo a abertura da
porta do motorista, é um bom exemplo do que torna a vida de algumas pessoas
melhor, e de outras, pior.
Tem gente que tem a vida muito parecida com a de seus amigos, mas não
entende por que eles parecem ser tão mais felizes. Será que nada dá errado
para eles?
Dá aos montes.
Só que, para eles, entrar pela porta do lado, uma vez ou outra, não faz a
menor diferença.
O que não falta neste mundo é gente que se acha o último biscoito do pacote.
Que "audácia" contrariá-los! São aqueles que nunca ouviram falar em saídas
de emergência: fincam o pé, compram briga e não deixam barato.
Alguém aí falou em complexo de perseguição? Justamente. O mundo versus eles.
Eu entro muito pela outra porta, e às vezes saio por ela também. É incômodo,
tem um freio de mão no meio do caminho, mas é um problema solúvel. E como
esse, a maioria dos nossos problemões podem ser resolvidos assim, rapidinho.
Basta um telefonema, um e-mail, um pedido de desculpas, um deixar barato. Eu
ando deixando de graça, para ser sincero. Vinte e quatro horas têm sido
pouco para tudo o que eu tenho que fazer, então não vou perder ainda mais
tempo ficando mal-humorado.
Se eu procurar, vou encontrar dezenas de situações irritantes e gente idem,
pilhas de pessoas que vão atrasar meu dia. Então eu uso a "porta do lado" e
vou tratar do que é importante de fato.
Eis a chave do mistério, a fórmula da felicidade, o elixir do bom humor, a
razão porque parece que tão pouca coisa na vida dos outros dá errado.
Fonte: Em Nome Do Amor (Meire Michelin)
Recebida de meu brother Miron - Thanks my brother
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10:09 AM by Cassiano Leonel Drum
Superávit na balança profissional
Bom momento do Brasil nas exportações amplia oportunidades para quem quer trabalhar num setor que cresceu 27,1% em relação ao mesmo período do ano passado
Clarisse Cintra
O Brasil exporta soja, minério, aviões, ônibus, petróleo e outros produtos. A variedade na oferta faz com que o comércio exterior seja um dos setores que mais injetam dinheiro no País. Segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, o saldo das exportações até a terceira semana de junho foi de 2,192 bilhões de dólares, um crescimento de 27,1% em relação ao mesmo período do ano passado. Oportunidades de ouro para quem está preparado. A remuneração é um salário de até R$ 20 mil e comissão que varia de 1% a 5% do negócio fechado.
O profissional da área tem que ter formação em Economia, Finanças ou Negócios e saber prever a tendência de preços dos produtos. Tem que ter capacidade de analisar o cenário econômico mundial, saber as regras do comércio exterior e como andam as negociações de acordos tarifários internacionais, explica o professor Antônio Fiorêncio, do Ibmec.
Dominar outros idiomas é fundamental
O administrador Alexandre Yuñez, 33 anos, que tem uma empresa de comércio exterior, acha que o interesse por leitura e a vontade conhecer outros países ajudam na profissão. Para ele, houve a facilidade de o pai ser espanhol. Tenho dupla cidadania e falo espanhol e inglês. Isso é fundamental para quem faz negócios no exterior, garante.
Recentemente, ele ficou dois meses na Europa, apresentando mostras de granito na Dinamarca, Suécia, Noruega, Bélgica, Holanda e Alemanha. Primeiro faço um contato por fax, e-mail ou carta. Apresento o produto e depois visito as empresas interessadas, explica.
Annette Fernandes Netto, 45 anos, é aluna de Comércio Exterior na UFRJ e tem uma pequena indústria de equipamentos automotivos. Ela importa produtos da África do Sul, Japão e EUA e exporta para países como Portugal e Argentina. Annette acredita que o comércio exterior está crescendo também por causa da globalização. Com a tecnologia atual e a Internet, o acesso ao mercado é muito mais fácil. Mas a área precisa ser melhor explorada pelas empresas brasileiras, diz.
Ações do Governoestimulam as exportações
Para que o produto brasileiro tenha preços competitivos no mercado externo, o incentivo do Governo é importante. A retirada de alguns impostos vem ajudando a comercialização do produto, observa Adriano Silveira, 37 anos, que trabalha há 21 anos com comércio exterior e é diretor da empresa Opus. Ele destaca que a visita do presidente Lula à China foi significativa e deve aumentar o comércio entre os dois países. Há uma tendência de crescimento, avalia.
O comércio exterior brasileiro varia de acordo com a região para onde o produto está sendo exportado. A Europa compra principalmente soja. Nos Estados Unidos, os calçados são o maior produto de exportação brasileira. A Ásia e a Europa Oriental têm demonstrado interesse crescente para soja, couros e peles, laranja e semimanufaturados de ferro e aço. No caso do Mercosul, sobressaem as vendas brasileiras de veículos.
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10:06 AM by Cassiano Leonel Drum
A diarista
Doméstica: vestido de chita da Casa da Alessa (preço dob consulta)
Os anos 50 estão no ar. E o cotidiano das donas-de-casa é a inspiração. Feminina e romântica, a nossa "doméstica fashion" abusa das saias e do bordado inglês. Estampados, os tecidos simples e leves, como o algodão, imperam.
Os utensílios domésticos viram acessórios. A silhueta marcada e a cintura ajustada pelos aventais arrematam a produção.
E voces haverão de concordar, tem seu charme, não? Um ótimo fim de semana.
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8:34 AM by Cassiano Leonel Drum
Cláudio Moreno
10/07/2004
Anos sessenta
Já me convenci de que jamais vamos ter sossego, pois eles, assim como o Diabo, nunca dormem: uma aluna de Letras do interior do Rio de Janeiro me informa, desamparada, que o seu professor defende, categoricamente, que o certo é dizer anos sessentas, ao falarmos da risonha década da minha juventude. Isso é rematada tolice, minha prezada Aluna de Letras.
Sempre se disse, aqui e em Portugal, anos cinqüenta, anos sessenta. Todos éramos felizes e falávamos corretamente. No entanto, de alguns anos para cá, têm surgido estranhas vozes apregoando que o correto seria anos cinqüentas, anos sessentas.
Quem são elas? Eu, que já as conheço muito bem, posso fazer-te um retrato falado: essas vozes provêm de pessoas de escassa formação em Letras (quando não em Jornalismo!), de nenhuma expressão na área acadêmica, que se metem a reformar o mundo da linguagem com um furor e um entusiasmo inversamente proporcionais ao seu conhecimento. Não conhecem Lingüística e raramente citam os bons gramáticos da gema, pois preferem citar-se entre si, dentro da mesma laia.
Essas "autoridades" logo tratam de relacionar uma série de regras impressionantemente precisas, em geral reunidas em lotes de conta redonda (pois essa gente tem um verdadeiro fascínio por títulos como "Cem regras de ...", "As 1000 regras mais ...", "Os Dez Mandamentos do ..."), e mandam bala no nosso pobre idioma. Seu tom é invariavelmente repressivo e onipotente ("não pode", "é proibido", "está errado", "não admito"), mas as "regras" que formulam são absurdas e fantasiosas, apresentadas sem o raciocínio ou a pesquisa que as embasou.
Quase nunca discutem, quase nunca tentam argumentar; evitam, assim, que venha à luz a fragilidade de seus conhecimentos. Num discurso vazio e autoritário, limitam-se a afirmar - o que, na cabeça de porongo deles, já é o suficiente.
Os poucos que vi tentando honestamente justificar esse achado dos tais anos sessentas basearam-se na conhecida possibilidade de substantivar os numerais (e, de resto, qualquer outra classe gramatical) no Português. O fato é conhecido: embora numerais como quatro, cinco, nove, oito sejam invariáveis por sua própria natureza, passam a flexionar-se quando se tornam substantivos, ao ocuparem a posição nuclear do sintagma. Em "quatro carros brancos", o núcleo é o substantivo carros; quatro é apenas um numeral e, como tal, ocupa a posição periférica à esquerda.
No entanto, em "todos os quatros do baralho", é ele que ocupa a posição de núcleo (acompanhado devidamente do pronome todos, do artigo os e do adjunto adnominal do baralho). Você vai observar o mesmo fato em "preciso de dois oitos", "a prova dos noves" - só que esse não é o caso de anos sessenta!
Em anos sessenta, o núcleo é anos, enquanto sessenta é um elemento periférico que não está em relação de concordância com o núcleo. Podemos dizer que os dois elementos estão numa relação de independência análoga à que têm entre si os termos de compostos sintáticos como manifestação-monstro ou menina-prodígio, que fazem o plural manifestações-monstro e meninas-prodígio (os traços de gênero e número não atravessam do núcleo para o periférico). Para que te sintas segura, coloca os anos sessenta junto com construções corriqueiras como "todos os dias trinta", "nesta turma houve vários graus zero", em que ninguém tentaria flexionar o numeral.
Mais uma coisinha: acho que nunca vamos importar do Inglês aquela maneira peculiar de referir-se às décadas como os 80s, os 70s, que os franceses já começam a usar. No entanto, se esse horror viesse a ocorrer, então escreveríamos e diríamos os oitentas, os setentas (como eles escrevem the eighties, the seventies) - mas isso é coisa bem diferente.
claudio.moreno@zerohora.com.br
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8:31 AM by Cassiano Leonel Drum
Paulo Sant'ana
10/07/2004
O marketing que desumaniza
A professora universitária Magda Tyska Rodrigues escreveu uma crônica que não pode ser cortada, tem de ser publicada por inteiro. Ela, como eu, tem uma filha adolescente, por isso se comoveu com o que também me comove. Não tenho outro caminho senão dar-lhe a palavra na coluna de hoje:
"Nós, brasileiros, carecemos, sim, de oportunidades de trabalho, mas esbanjamos falta de respeito ao ser humano.
Pense numa menina, de 15 ou 16 anos, cujo 'trabalho' é ficar numa esquina movimentada, em cima de um caixote, segurando um banner de propaganda de imóveis. Deparamo-nos diariamente com essas cenas chocantes e ultrajantes. O que é, senão ultrajante, ficar em cima de um caixote, em frente a uma sinaleira, segurando um banner? Às vezes o material 'mercadológico' serve para esconder o rosto de quem o segura.
Algumas empresas, chegam a vestir 'trabalhadores' de palhaços. Literalmente. Inclusive com o nariz vermelho. A cena em avenida movimentada, numa manhã de sábado, foi de chorar.
Esses trabalhadores, ao finalizarem sua tarefa-circo, talvez chorem mesmo - pela humilhação".
Continua: "Será que os marqueteiros, graduados, pós-graduados, com MBAs no Exterior, não teriam idéias melhores? Estudar, ficar fora do país, investir para colocar uma menina em cima de um caixote, segurando um banner que ninguém lê? Será que percebem que ninguém fixa o olhar naquele banner maldito? Quantos cursos mais serão necessários para ensiná-los que gente a gente respeita? 'Trabalho' é a produção e reprodução da existência. É nas relações sociais do trabalho que os sujeitos se formam e se deformam, humanizam-se e desumanizam-se.
Essas formas de publicização não são adequadas e, pior, não agradam.
Dos marqueteiros é difícil esperar um retorno adequado, por isso apelo ao cidadão. A partir de hoje, senhoras e senhores, ao pararem nas sinaleiras, procurem memorizar o produto que está lá naquele banner maldito que a menina está segurando, em cima de um caixote.
Memorizem a empresa que está promovendo aquela cena ridícula: ao vermelho da sinaleira, meninas acorrendo à avenida, cada uma com um desses banners, formando uma palavra. Leiam esta palavra, decorem-na. Fiquemos atentos para nunca, nunca mesmo, consumirmos esses produtos, cujo merchandising é feito à custa da dignidade humana. Isso não é trabalho. Nada nessa experiência contribui para o desenvolvimento do ser humano, a não ser o exercício de lidar com a vergonha a cada vez que a sinaleira fecha.
Já que tantos cursos não foram capazes de ensinar aos marqueteiros sobre dignidade, ensinemos nós, cidadãos comuns, contribuintes, pais e mães de família, que não haverá comprador para produtos cujo merchandising ultrajar a dignidade de trabalhadoras e trabalhadores. Ensinemos nós, pelo amor de Deus! Vamos dar um basta. Essa situação já beira o nível do insuportável.
Não sou contra a publicização de produtos, sou contra a insensatez".
psantana.colunistas@zerohora.com.br
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8:29 AM by Cassiano Leonel Drum
Clima
Fim de semana abaixo de zero
Geada que cobriu os campos de Caxias do Sul foi um anúncio das baixas temperaturas no Estado, que hoje podem chegar a -5ºC (foto Roni Rigon, Agência RBS/ZH)
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Sexta-feira, Julho 09, 2004
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6:59 PM by Cassiano Leonel Drum
Banco na loja
Em busca de 25 milhões de famílias sem conta, instituições investem em miniagências no varejo
Por Paula Pavon
Há uma inusitada disputa em curso entre alguns dos principais bancos do País. O alvo, desta vez, está na base da pirâmide social. São os 25 milhões de famílias sem conta em banco, concentradas na periferia das grandes cidades. Para trazê-las ao sistema financeiro, as instituições estão apostando pesado nos chamados correspondentes bancários: miniagências localizadas em supermercados, padarias e lojas.
O pai da idéia é o Lemon Bank, primeiro banco criado somente com correspondentes bancários. Hoje, porém, até uma casa bancária de elite como o Citibank explora este mercado. Sua marca PratiPag foi lançada no ano passado e já tem 1.100 pontos. Depois de atrair os ricos, os bancos perceberam que para crescer precisam atingir todo tipo de cliente, diz Joel Santanna, consultor da RiskBank.
A concorrência ficou mais acirrada a partir de fevereiro, com a entrada do Banco do Brasil nesse segmento. Passada a fase piloto, o banco agora quer passar de 25 para 4.500 pontos-de-venda até o final do ano. Temos de aproveitar a boa demanda, justifica Ivan Guimarães, presidente do Banco Popular, empresa criada pelo BB para atuar neste segmento, que vai investir R$ 94 milhões este ano nos novos correspondentes. O próprio Lemon, que tem hoje 2,5 milhões de clientes, espera passar de 3.820 pontos para 4.500 até final do ano.
É a forma mais barata de crescer e atingir o público de baixa renda, diz Michael Esrubilsky, presidente do banco. Para expandir a rede, o Lemon contrata empresas especializadas em buscar comerciantes interessados em ser correspondentes bancários. Somos o intermediário entre o banqueiro e o lojista, explica Alessandro Vieira, gerente da Netcash, uma dessas companhias. A estratégia da Caixa Econômica é diferente. Líder no segmento, com 11,4 mil pontos, a CEF usa uma equipe própria de 200 consultores para buscar parceiros em todo o País.
Por meio dos correspondentes bancários, os clientes podem pagar conta, aplicar em caderneta de poupança, comprar seguro de vida e fazer depósitos ou saques. Em lojas bem localizadas, chegam a ocorrer 10 mil operações por mês, com volume médio de R$ 100 mil. No caso do Banco Popular, os clientes podem até investir em um fundo de investimento atrelado à renda fixa. Um luxo para quem, até outro dia, não tinha conta em banco.
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6:26 PM by Cassiano Leonel Drum
Exclusivo
Pilantropia
Em 1999, o médico Beny movimentou em conta corrente 566 vezes mais do que seus rendimentos
O médico Beny Schimidt, professor da Universidade Paulista de Medicina, omitiu do Fisco o envio dos R$ 9,4 milhões para Bahamas, conhecido paraíso fiscal do Caribe. O montante foi enviado em outubro de 1999, quando ele teve um total de rendimentos de R$ 78 mil e um patrimônio declarado de R$ 150 mil. No entanto, Beny movimentou em sua conta corrente quase R$ 11 milhões, o que equivale a 566 vezes mais do que seus rendimentos tributáveis.
Foi em 2001, quando seu patrimônio informal já havia pulado para R$ 1,2 milhão, que Beny Schimidt saiu do anonimato. Ganhou fama por um pretenso ato exemplar de filantropia. Dizendo usar recursos próprios, o médico fundou uma clínica na favela Paraisópolis, a maior de São Paulo, onde anunciava consulta e todo tipo de exames a R$ 20. Seis meses depois, Beny fechou a clínica ao entrar em atrito com os sócios. O motivo da discórdia foi um contrato com a Faculdade Paulista de Medicina.
Ele não nos informava direito com quanto de recursos a faculdade iria entrar. Tudo não passou de um golpe para o Beny ganhar dinheiro, acusa sua ex-sócia Ana Silvia, que cuidava da contabilidade da clínica. Segundo ela, a clínica foi fechada minutos antes de um coquetel em que seria selado o acordo. Ele ficou muito revoltado porque envolvia muito dinheiro e quebrou tudo.
Tivemos de chamar a polícia. Durante a fundação da clínica, o médico voltou a ter um rendimento financeiro estrondoso: R$ 4,5 milhões, 75 vezes mais que seu patrimônio. No final da década de 90, quando enviou o dinheiro para o Exterior, o médico ocupava função de destaque no CNPq, onde chegou a responder a um processo no Tribunal de Contas da União por uso indevido de verbas de diárias de viagem.
Segundo a ex-sócia, a entidade filantrópica nunca existiu. Todo o dinheiro era contabilizado na empresa particular do médico, a Clínica Schimidt, que estava em situação irregular junto à Receita. A sócia acredita que o médico usava o marketing para receber doações do governo e de organizações não-governamentais que ajudaram a engordar seu patrimônio.
O telefone não parava de tocar de gente oferecendo dinheiro, disse. Ao contrário da fortuna de Rodrigo Silveirinha e dos demais membros da máfia dos fiscais do Rio que caiu na Suíça por meio de uma rede de doleiros, a grana desses novos tubarões federais saiu para o Exterior pelos caminhos legais, através das chamadas contas CC-5.
Mesmo informando as remessas ao Banco Central, Beny e outros funcionários da lista da força-tarefa simplesmente omitiam essa informação da Receita Federal, o que, segundo os investigadores, caracteriza crime contra o Fisco e o sistema financeiro. Beny, no entanto, disse a ISTOÉ: Sou médico, sou pobre. Não tenho todo esse dinheiro nem mandei dinheiro para o Exterior.
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6:17 PM by Cassiano Leonel Drum
Exclusivo
Riqueza clandestina
Força-Tarefa fecha o cerco em torno de servidores federais que não conseguem explicar a origem do dinheiro que os transformou em milionários
Amaury Ribeiro Jr. e Leonel Rocha
Colaboraram: Francisco Alves Filho
e Ricardo Miranda
A legislação brasileira exige que todo cidadão declare seus bens no Imposto de Renda. No caso do funcionalismo público, a Lei nº 8.429, de 1992 chamada Lei de Conduta do Servidor , é mais rígida. Anualmente, os barnabés, como são conhecidos, têm que apresentar ao Tribunal de Contas da União suas declarações de renda atualizadas. Se o servidor não declara ou não comprova a origem do dinheiro que transita por suas contas e dos valores incorporados a seu patrimônio, ele pode ser demitido e até ter seus direitos políticos suspensos, além de responder criminalmente pela Lei do Colarinho-Branco.
Como dinheiro não nasce em árvore, a suspeita, nesse caso, é de corrupção. Foi o caso, por exemplo, da máfia do propinoduto carioca, encabeçada pelo já famoso Rodrigo Silveirinha. O grupo de funcionários públicos, descoberto por ISTOÉ no ano passado com US$ 33,4 milhões em contas na Suíça, foi afastado de seus cargos e responde a vários processos na Justiça.
Agora uma força-tarefa formada por investigadores da Controladoria Geral da República, do Ministério Público e da Polícia Federal fisgou outro cardume de 400 graduados peixes do serviço público federal que também esconderam muito dinheiro no Exterior.
Estes superbarnabés são suspeitos de ter cometido crimes de evasão de divisas, sonegação de impostos, improbidade administrativa, enriquecimento ilícito e corrupção. Calcula-se que chegue a R$ 350 milhões a evasão de divisas somente desse grupo, com contas bancárias nos Estados Unidos, Inglaterra e em paraísos fiscais, como Bahamas e Ilhas Cayman. Todo o resultado das investigações vai gerar um inquérito-mãe a ser aberto a pedido do Ministério Público Federal para apurar os crimes cometidos.
O trabalho dos investigadores detectou que, mesmo enviando caminhões de dinheiro por vias legais através das contas CC5 controladas pelo Banco Central , a Receita Federal é enganada, ora porque os bancos deixam de informar dados sobre a CPMF, ora porque não há no formulário de Imposto de Renda um campo específico para a declaração sobre de onde provêm os rendimentos declarados como não tributáveis. A reportagem de ISTOÉ teve acesso a parte da lista da força-tarefa e fez um extenso levantamento em cartórios, durante quatro meses, em juntas comerciais de vários Estados.
Existem muitos casos de enriquecimento meteórico sem origem como os que serão exemplificados a seguir. Nas análises se confirma ainda uma triste realidade: a falta de comunicação entre a Receita Federal, o Banco Central e os demais órgãos financeiros do País está facilitando a saída do dinheiro da corrupção e de outros crimes pelos canais oficiais.
A força-tarefa detectou também a conivência de bancos com o esquema, que em alguns casos simplesmente omitiram as remessas de seus clientes para o Exterior ao Banco Central, assim como a origem deste dinheiro. Isso acaba refletindo no índice da CPMF, que serve de padrão para as fiscalizações de auditores fiscais.
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7:52 AM by Cassiano Leonel Drum
Férias, pra que te quero
Aproveitar a folga escolar no cinema é boa pedida. Só no Anima Mundi são 612 filmes. E ainda tem 'Nem Que a Vaca Tussa', 'Cinegibi, O Filme - A Turma da Mônica', 'Meninas Malvadas'...
Tatiana Contreiras e Zean Bravo
Cebolinha Luciano Huck fazem graça na volta da turminha às telas em Cinegibi.
Já em Nem Que a Vaca Tussa, uma turma da fazenda tenta salvar seu lar.
A temporada de férias não é só nas escolas: nas telas, a programação é quase toda para a garotada. Da 12ª edição do Anima Mundi, com 612 filmes, à nova estréia da Disney, Nem Que a Vaca Tussa, o fim de semana vem recheado, com direito até a Cinegibi, o Filme Turma da Mônica, que traz de volta ao cinema a dentucinha mais famosa do Brasil. Na programação, as pré-adolescentes também têm vez com Meninas Malvadas.
Julho é um mês brabo: tem ogros, aracnídeos, vacas com tosse, uma série de concorrentes muito fortes. Minha proposta não é parecida com a dos colegas; é de um filme infantil por excelência, explica o desenhista Maurício de Sousa. Cine-Gibi mostra a turma em pequenas histórias amarradas em uma só: o inventor Franjinha cria um liquidificador-projetor que exibe os quadrinhos na telona. Entre um causo e outro, Luciano Huck, Fernanda Lima e Wanessa Camargo fazem participações.
Hair High (Cabelo em Pé), de Bill Plympton, é sensação do Anima Mundi, que tem filmes para pais e filhos
No Centro, o Anima Mundi vai longe, com destaques da Coréia do Sul, uma historinha ao estilo Mogli, o menino-lobo, e até a versão animada da canção A Casa que não tinha teto, não tinha nada. As sessões infantis na Sala de Cinema do CCBB são gratuitas, assim como as sessões Animação em Curso e Futuro Animador na Sala de Vídeo.
Nos outros espaços, os ingressos são baratinhos, de R$ 1 a R$ 4. A Sessão Infantil desse ano é a mais forte que tivemos, frisa Cesar Coelho, um dos organizadores do festival. Temos seis programas, mais a sessão Futuro Animador, com filmes de crianças do mundo inteiro, e três longas muito bons.
No circuitão, tem o divertido Nem Que a Vaca Tussa, que, na versão dublada, tem as vozes de Fernanda Montenegro, Isabela Garcia e Cláudia Rodrigues, como as três adoráveis vaquinhas-protagonistas. Minha personagem é olhuda como eu, me identifiquei, brinca Fernanda, que faz a senhora Calloway, vaca que usa chapéu e lidera as companheiras na tentativa de arranjar dinheiro para pagar a hipoteca da fazenda onde vivem.
Já os mais crescidos conferem em Meninas Malvadas garotas que só se preocupam com a estética, conquistar garotos e derrubar adversárias. O filme seria mais um sobre a auto-afirmação adolescente nas escolas se não fosse um detalhe: a mocinha fofa que nunca tinha ido a uma escola, por ter sido educada pelos pais zoólogos, na África, vira um furacão de maldades quando experimenta a popularidade escolar. Ela é vivida por Lindsay Lohan. (Colaborou Ana Lúcia do Vale).
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7:46 AM by Cassiano Leonel Drum
PORTO ALEGRE, SEXTA-FEIRA, 9 DE JULHO DE 2004
Crédito educativo: juros em foco
O Superior Tribunal de Justiça determinou que é indevido o uso da Tabela Price na atualização monetária de contrato de financiamento de crédito educativo firmado com instituição do Sistema Financeiro Nacional. A irregularidade na aplicação desse indicador consiste no fato de que os juros crescem em progressão geométrica, caracterizando-se a capitalização.
Conforme recurso interposto por Cristina Carraneo da Silveira, na atualização cabe aplicar juros legais ajustados de forma não-capitalizada. Assim, o Código de Defesa do Consumidor poderia ser aplicável na revisão desse financiamento.
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7:43 AM by Cassiano Leonel Drum
David Coimbra
09/07/2004
A coleguinha
Numa dessas tantas redações da vida havia uma repórter muito, mas muito tímida. Parecia assim uma freirinha de Coronel Bicaco. Andava sempre de olhos baixos e bastava a menção de seu nome para lhe afoguear o rosto. Nunca ninguém reparava nela, sexualmente falando. Mas, num verão, a moça saiu de férias. Ausentou-se por 15 dias, tão-somente.
Só que, ao voltar, nossa!, alguma coisa havia acontecido com ela. Não era o bronzeado ou a cor do cabelo. Não. Ela entrou na redação pisando firme e fitando os homens com uma navalha no olhar. Fora uma menina quem se despedira, era uma mulher quem retornava.
A redação ficou ouriçada. Os homens, de desejo; as mulheres, de inveja. Confesso: também me interessei pela gaja. Antes, considerava-a tão atraente quanto um seminário de recursos humanos. Agora, ela se transformara numa gueparda tresandante de sexo, sexo, sexo.
Pois bem. Sabe o que sucedeu com ela naqueles 15 dias? Adquiriu confiança. É um fenômeno que ocorre com as belas mulheres: em algum momento da vida, geralmente situado entre a pré-adolescência e a adolescência, elas compreendem o poder que têm sobre os homens. E passam a empregá-lo.
Já eu, a mudança de comportamento daquela coisinha me inquietou porque, puxa, sou realmente suscetível à propaganda. Por exemplo: tinha um comercial de tomografia helicoidal na Rádio Gaúcha, um jingle suave, com uma letra harmônica. Eu ouvia aquele jingle e me dava uma vontade de fazer tomografia helicoidal... A mesma coisa são as facas Ginsu. Sempre que vejo as facas Ginsu na TV cortando sapato ou lata enfrento dificuldades para resistir à tentação de encomendar uma.
Então, quando aquela coleguinha pisou com segurança no carpete da redação, agindo como se fosse alguém de fato especial, o que eu e todos os homens intuímos foi o seguinte: ela pode ter razão! É por isso que as pessoas pretensiosas impressionam e, amiúde, têm sucesso. É a força da propaganda.
Por essa mesma razão é tão difícil votar. A propaganda eleitoral, desencadeada há pouco, ela me confunde! Os candidatos todos, eles ficam fazendo publicidade de si mesmos, gritando como são bons, quanto bem vão fazer, e, é forçoso admitir, não lhes falta autoconfiança. Logo, tenho tendência de acreditar em tudo! Para me precaver, adotei um estratagema - estudo a história do candidato. Procuro conhecer seu passado, o que já fez, de onde ele vem.
Assim, não tenho me decepcionado. Meus candidatos prometem e cumprem. Como a coleguinha. Ela também cumpriu suas promessas e desabrochou numa mulher esfuziante, que passa os dias cravando os saltos dos seus escarpins nos corações dos homens. Ah, a coleguinha... Meu único arrependimento é ainda não ter encomendado uma faca Ginsu. E se precisar cortar uma faca lá em casa, como é que vou fazer?
david.coimbra@zerohora.com.br
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7:41 AM by Cassiano Leonel Drum
Mauren Motta
09/07/2004
Hora de mudar
Já me mudei algumas vezes na vida. Incrível como sempre repassamos nossa história nessas horas. Cada caixa aberta, cada foto encontrada ou souvenir achado marca parte da nossa trajetória. Sabe aquelas tranqueiras que nem sabemos por que um dia guardamos? Pois tenho certeza de que você tem uma delas por perto. Mesmo que estejam escondidas no fundo falso de um baú antigo, lá estão elas para que a gente lembre de um momento importante ou fase vivida.
Na adolescência, quando os computadores ainda não eram máquinas para uso pessoal, eu costumava escrever meu diário em uma agenda. Além de relatar o meu dia, gostava de guardar coisas que me lembrassem o que tinha feito. Valia tudo: chave, papel de bala, conchinha da praia... E eu não era a única. Em um tempo sem blogs, a agenda passava de mão em mão. Todo mundo tinha a sua e escrevia na dos outros. A parceira pesada ocupava grande parte da minha mochila e, durante alguns anos depois de usada, espaço precioso em meus armários.
Por falar nisso, eles sempre são pequenos demais pra mim. Tenho exercitado o desapego. Aprendi que passar adiante o que está fora de uso abre espaço em casa e alivia o coração. Dia desses, estava na minha vó Iony revirando o passado e viajei no tempo. Procurava um lustre antigo e achei a minha coleção de papéis de carta. Já na casa de minha vó Vera guardo minhas bonecas mais queridas. Com a falta de espaço, a casa delas sempre foi um porto seguro para armazenar sonhos vividos e objetos de estimação.
Como vou mudar de apartamento, tenho procurado coisas para compor a minha nova vida. Montar casa nova é uma das mais caras e prazerosas atividades. Planejar, reciclar e tentar visualizar como vai ficar, meu passatempo predileto. Dessa vez vou tratar de editar, até porque acredito que os guardados percam o sentido a cada década vivida. Acho o máximo aqueles bazares de garagem com plaquinhas do tipo "Família muda".
Sempre me pareceram corajosos e renovadores. Com a correria do meu dia-a-dia, planejo muito e executo pouco. Dessa vez, a mudança está sem data marcada. A única certeza é que vou me livrar das quinquilharias, aliviar espaço na casa de meus familiares e guardar com cuidado somente as verdadeiras preciosidades.
mauren@rbstv.com.br
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7:40 AM by Cassiano Leonel Drum
Paulo Sant'ana
09/07/2004
Um júri intrincado
Li, como todos os leitores de ZH, avidamente, a excelente entrevista realizada pela repórter Adriana Irion com o empresário Luiz Henrique Sanfelice, preso pela acusação de matar sua esposa, Beatriz Helena Rodrigues.
Já ouvi até personagens investidos de autoridade no caso referirem que pode se repetir o caso Daudt, quando a polícia e o Ministério Público igualmente apresentaram uma farta coleção de indícios contra o acusado.
Essa idéia é compartilhada pela opinião pública. Há verdadeiramente essa similitude entre um caso e outro, no que se refere principalmente à mais completa inexistência de uma prova material, objetiva e definitiva sobre a autoria dos dois assassinatos.
Mas uma diferença enorme se desprende entre os dois casos: o réu, no caso Daudt, respondeu a todo o processo solto, vindo afinal a ser absolvido, enquanto, neste caso de Novo Hamburgo, desde o primeiro instante o acusado está preso, tendo assim sido transposto pelas autoridades o princípio constitucional da presunção de inocência.
Na entrevista, o preso acusa a polícia de incompetência na condução das investigações.
É preciso deixar claro que neste caso houve uma parceria nítida entre a polícia e o Ministério Público nas investigações.
Ainda assim, o ânimo solidário da delegada e do promotor em indiciar o acusado e mantê-lo preso não seriam suficientes para suprimir-lhe a liberdade. Felizmente, no nosso sistema penal, não basta o arbítrio da autoridade policial e do Ministério Público para colocar uma pessoa atrás das grades.
É indispensável e decisivo o aval do Poder Judiciário para que seja decretada a prisão de um acusado.
Quando foi decretada a prisão temporária do acusado, dias após o crime, ainda se podia entender que a Justiça não tivesse a intuição da culpabilidade, mas armava-se da cautela de proteger as investigações de manobras eventuais do indiciado.
Mas agora é mais séria a decisão: tendo sido decretada prisão preventiva do acusado, isso é sinal evidente de que as conclusões da polícia e do Ministério Público foram acolhidas como respeitáveis pela juíza instrutora.
Mas é preciso deixar bem claro que isso não significa um avanço das autoridades sobre juízo de valor quanto à autoria do crime, até mesmo porque essa decisão pertence ao Tribunal do Júri, pessoas do povo que serão chamadas a decidir sobre a culpabilidade ou não do réu.
A decisão de prisão preventiva quer dizer apenas que a juíza que a exarou vê fundada suspeição sobre o acusado, entendendo ser melhor para a ordem pública que ele continue preso.
Quando li o pedido de prisão preventiva do promotor Eugênio Paes Amorim, pensei comigo: "Pronto, foi colhida a prova irretorquível de autoria contra Sanfelice".
É que o promotor indiciava a empregada doméstica do acusado por falso testemunho, acusando-a de ter recebido suborno do patrão, no valor de R$ 1,9 mil, para mentir que ele chegara em casa às 10h15min no dia do crime.
Mas, observando melhor o inquérito, fui ver que não existe esta prova. O promotor apenas conjetura (praxe em denúncias) que houve o suborno, eis que foi encontrado o dinheiro em poder da empregada. Só que ela diz que eram suas economias guardadas e manteve-se firme em sua declaração, embora se suponha que tenha sido legalmente pressionada.
Será um dos mais momentosos júris de todos os tempos entre nós, se até lá não surgirem dados novos e ponderáveis.
A acusação se baseando em indícios coordenados por dedução, a defesa argumentando a ausência de prova veemente e cabal.
A impressão que colho deste caso, depois de debruçar-me muitas horas sobre ele, é de que ou o preso é inocente da acusação ou cometeu um crime perfeito.
psantana.colunistas@zerohora.com.br
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7:38 AM by Cassiano Leonel Drum
Diplomacia
Desencontros no Mercosul
Foto de Lula e seu colega argentino Kirchner espelha o clima da 26ª reunião de presidentes em Puerto Iguazú, que terminou sem avanços e em meio a troca de acusações (foto Marcello Casal, ABR/ZH)
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Quinta-feira, Julho 08, 2004
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9:25 PM by Cassiano Leonel Drum
Meninas Malvadas
Lindsay Lohan segura longa que escorrega na conclusão Paulo Santos Lima
Paulo Santos Lima
Lindsay Lohan (terceira da esq. para a dir.) é a garota que vivia na África e que fica amiga das patricinhas do colégio Meninas Malvadas, comédia teen de Mark Waters escrita por Tina Fey, roteirista do programa humorístico Saturday Night Live, lida com dilema atual da humanidade, ser ou não um ente incluído em seu meio.
A idéia, contemporânea, acaba caindo num conservadorismo temático e formal, bem aquém das comédias adolescentes dos anos 80, cujo ineditismo sugeria certa transgressão de valores.
Cady (Lindsay Lohan) é a garota excluída do grupo, que vivia na África e agora retorna a Illinois. A corriola colegial, mesmo diversa, tem como modelo o trio de patricinhas, todas fúteis, fofoqueiras e maledicentes, lideradas por Regina George. O acaso faz com que a alienígena fique amiga das vilãzinhas, uma chance de se tornar uma agente infiltrada e vingar aqueles que são vilipendiados pelas peruetes.
A grande sacada é mostrar que o processo de inclusão de Cady na high school, via grupo de patricinhas, não lhe causa transtorno moral mais severo, nem quando assume o lugar da líder. Mas, lógico, trata-se de ambiente mais que conservador, e o mandamento moral e seus valores não são postos em xeque, levando o epílogo para o óbvio reajuste da ordem e celebração do estado de paz e inclusão universal viável, o que é uma falácia. Lindsay Lohan, a menina da vez nos Estados Unidos, merece, contudo, todas as estrelas do mundo. Marvada carne
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8:04 PM by Cassiano Leonel Drum
Fórum Social 2005
Frei Betto, Autor de Hotel Brasil
O Fórum Social Mundial retorna a Porto Alegre em janeiro, entre os dias 26 e 31. Será a sua quinta edição, de cara nova. Serão preservadas a diversidade, a pluralidade e a autonomia dos participantes. É o caráter democrático, sem prevalência deste ou daquele partido ou ideologia. Não haverá declaração final nem hierarquia entre as diversas causas defendidas.
A estrutura continuará repartida em conferências, painéis, testemunhos, mesas de diálogo e controvérsias, oficinas e seminários. Qualquer entidade inscrita poderá promover oficina ou seminário. Contudo, haverá maior articulação entre os participantes que tenham causas em comum. Uma consulta começa a ser feita, para identificar os temas e as atividades a serem realizadas.
Esse novo perfil ficou definido na reunião do Conselho Internacional do FSM na Itália, em abril. Ao inscrever-se, cada entidade será informada de que outras atividades estão sendo programadas em torno do mesmo tema. O sistema fornecerá também meios de contato com as demais entidades envolvidas num tema assinalado. Assim, haverá maior diálogo e objetivos afins, o que facilitará o planejamento de ações comuns.
A marca comum do FSM, acentuada em Mumbai, será a luta contra o neoliberalismo, a militarização do planeta, a pobreza e a exclusão social, articulando a mobilização global com a local, os fóruns regionais com os movimentos populares, a busca de um outro mundo possível, com os valores éticos inerentes a um modelo de sociedade em que a realização coletiva resulte na efetiva promoção da dignidade pessoal.
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7:56 PM by Cassiano Leonel Drum
ARTUR DA TÁVOLA
Amores tempestuosos
Há pessoas que por razões de temperamento preferem a excitação do amor tempestuoso e há pessoas que pelas mesmas razões preferem o amor sereno. Falo de amor e não de paixão. Esta é sempre um tornado. Hoje o tema é amor e não paixão. Sim, também há amores tempestuosos que não são paixão: são modos radicais de amar. É o caso dos grandes ciúmes ou do quanto mais briga mais gosta etc. Aliás é mais comum sobretudo no começo das relações.
O amor sereno é: eu em você me sendo e você em mim, se sendo. É o caso em que duas pessoas chegam ao máximo de identificação sem perda da identidade de cada um. É raro. É igual ao que acontece na santidade, portanto abençoado.
O santo é um ser que se identifica totalmente com o sofrimento alheio sem perda de sua identidade, sua originalidade, sua coragem de ser como é. Isso no amor sereno (uma espécie de beatitude) é maravilhoso, porque habitualmente a identificação tende a esmagar a identidade do outro. Ou se não esmaga, provoca choques.
E vice-versa: há vezes em que a identidade forte de cada temperamento esmaga ou tende a esmagar a identidade do próximo. Nesses casos o amor se mantém mas como aqueles carros de boi puxados por animais velhos e ca(n)sados. O fluxo amoroso não corre em paralela: bate de frente.
Nas pessoas dadas a amores tempestuosos, o choque se dá porque a identidade é diferente mas a identificação não é poderosa nem pacífica e tudo resulta numa luta de identidades que acaba por trincar o sensível amálgama amoroso.
Para este cronista, um dos problemas mais difíceis para o ser humano resolver consiste em distinguir com clareza os conceitos moradores em duas palavras parecidas e que até se misturam em certas situações: identificação e identidade. Em síntese: se for bom, quanto mais me identifico com próximo, melhor sou.
Mas doente, porque identificação total significa a perda da identidade. Se for tão forte a ponto de manter a minha identidade acima de tudo ou todos, também sou doente porque identidade sem empatia acaba em frieza ou falta de amor pelo próximo. Saber se identificar em profundidade sem perder a identidade, eis o enigma a ser (é possível) resolvido.
E-mail: tavola@ism.com.br
Esta coluna é atualizada às terças, quartas e quintas.
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8:02 AM by Cassiano Leonel Drum
Hoje temos Cinema/Televisão e as crônicas de sempre. Embora as previsões fossem de que estaria muito frio a sensação térmica não é de tanto, ou até porque sempre agasalha-se melhor quando dizem que faz esfriar. Mas amanhã sim é para chegar a temperaturas negativas, bem como no fim de semana. Enquanto o amanhã não chega, vamos desfrutando o hoje, lendo os textos ai abaixo. Uma ótima quinta-feira.
O bem amado
Com 76 anos, Burt Bacharach esbanja vitalidade, inspira musical que estréia amanhã e grava com gênio do hip hop
Rubia Mazzini
Um gênio da música popular americana ou apenas um bom autor de trilhas para cinema? Há mais de 40 anos, quando começou a fazer sucesso em Hollywood, Burt Bacharach tornou-se alvo da questão que ainda hoje é capaz de gerar polêmica. Os que sempre o consideraram um gênio podem sorrir, subir numa bicicleta e sair por aí assobiando Raindrops Keep Fallin On My Head. Aos 76 anos, o autor de títulos como esta mágica canção do clássico de 1969 Butch Cassidy and the Sundance Kid está novamente no centro das atenções.
Aqui no Rio, tem sua vasta obra homenageada em Cristal Bacharach, espetáculo que estréia hoje para convidados no Teatro Glória, com a assinatura dos diretores-fãs Cláudio Botelho e Charles Möeller. Nos Estados Unidos, espera-se para o mês que vem o lançamento de disco em parceria com Dr. Dre (gênio do hip hop) e de uma caixa com quatro álbuns, incluindo sucessos, raridades e material inédito.
Ed Motta lembra quando tomou consciência de sua obra. Conheci Burt Bacharach através das milhares de regravações dele por artistas da soul music. Mas acho que comecei a reparar mesmo por causa de uma gravação de Raindrops Keep Fallin num disco do Edwin Starr que comprei quando era moleque, numa banca na Carioca.
Antes conhecia de orelhada, conta Ed Motta, elegendo Alfie, uma das muitas parcerias de Bacharach com o letrista Hal David, composta para o filme de mesmo nome, em 1966, a preferida. Fã da gravação de Tracy Horn para a mesma Alfie, o escritor Marçal Aquino recorre a um clássico do brasileiro Tom Jobim para exaltar as qualidades do americano. É a Garota de Ipanema do Burt Bacharach, opina.
O baterista dos Titãs e pesquisador musical, Charles Gavin, lembra que Elvis Costello (com o disco Painted From Memory) foi um dos responsáveis pelo resgate da obra do maestro na década de 90, depois de um período em que ela basicamente era associada à chamada música de elevador. Estou com 44 anos.
Acho que todo mundo da minha idade que se interessa por música e cinema já cantarolou uma melodia dele, acredita, assobiando Ill Never Fall in Love Again na hora de apontar a favorita. O ator e músico Felipe Rocha faz coro. A que mais gosto é The Look of Love, diz ele, acrescentando que Burt é uma referência para a sua banda, a Brasov.
A atriz Maria Flor faz parte da turma que conhece I Say a Little Prayer apenas da trilha sonora da comédia romântica O Casamento do Meu Melhor Amigo. Adoro essa música, mas realmente não sei muito sobre o artista... , reconhece a atriz, sem imaginar que essa é uma das canções compostas por Bacharach sob a influência das viagens ao Brasil, na década de 50, quando era pianista (e namorado) de Marlene Dietrich.
Se foi a Bossa Nova ou, como defendem alguns, o baião o ritmo nacional que fez a cabeça do gringo, só ele mesmo para responder, tallvez em sua próxima visita ao País. O convite para assistir a Cristal Bacharach foi feito. Quem sabe ele não aparece por aqui?
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7:58 AM by Cassiano Leonel Drum
Linda, famosa e feliz no amor
O sucesso na TV e o corpo bem delineado garantiram mais uma capa de revista para Alinne Moraes. Desta vez, a surfista Moa de Da Cor do Pecado mostra suas belas curvas na Boa Forma deste mês, fazendo jus ao título da publicação.
Apesar de não ser fã de ginástica, a atriz mantém um programa de exercícios diários com um personal trainer. A alimentação é equilibrada, com o menos possível de frituras, doces e refrigerantes. Confesso que, às vezes, fujo às regras. Não resisto a um belo prato de feijoada e a uma barra de chocolate, conta a loura, sem motivos para remorso.
E se felicidade deixa mesmo a pele mais bonita, ela não tem do que reclamar. Alinne é só elogios à vida a dois, com o também ator Cauã Reymond. Ele está me ajudando a me tornar uma pessoa melhor a cada dia. Cauã é maduro, sensível e inteligente.
É um poeta. É bonito, lindo, gostoso e bom ator. É uma pessoa incrível, derrete-se a beldade. O felizardo e os marmanjos, certamente, acham o mesmo dela.
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7:49 AM by Cassiano Leonel Drum
Leticia Wierzchowski
08/07/2004
O inferno de todos nós
O filme sobre o Cazuza termina no instante exato da dor. Nós todos sabemos o que sucedeu depois: a morte, o desaparecimento do poeta. Aquela mãe careta e funcional, amantíssima e dominadora, e aquele pai acostumado ao sucesso e, ao mesmo tempo, doce e afetuoso, desmaterializam-se no final do filme; diferentemente, na vida real eles tiveram que seguir do fim em diante.
A pessoa de Lucinha Araújo tomou forma depois da morte do filho. Controversa, a mãe por excelência, superou a perda do rebento único e foi tratar de salvar crianças carentes que carregavam o vírus, e o estigma do HIV. Fundou a Sociedade Viva Cazuza, que sobrevive dos direitos autorais do músico e hoje abriga mais de 30 crianças doentes em regime de internato, e ajuda outros doentes de Aids com medicamentos e cestas básicas.
Num grande ato de superação, Lucinha Araújo trocou a pele da sua dor e foi tratar da dor alheia; ela é um exemplo, entre outros, menos ilustres mas tão valorosos quanto. Há uma série de pessoas que, após a perda de um filho, arregaçaram as mangas e saíram para ajudar o próximo - um gesto de coragem e de dignidade que faz a gente acreditar na gente.
Eu sei, gentilíssimo leitor, que esta é a minha segunda crônica que versa sobre o Cazuza. É verdade que o filme me pegou - pensei nele durante dias, senti saudade durante dias; durante dias fui aquela mãe que viu seu filho ir da refulgência ao sofrimento sem poder fazer nada além de amá-lo.
Então, neste fim de semana, lendo o absolutamente genial As Cidades Invisíveis, do Italo Calvino, fiquei com seu último parágrafo gritando em meus ouvidos. Assim foi que a figura de Lucinha Araújo (a ótima Marieta Severo, no filme da Sandra Werneck) voltou a ocupar a minha mente - ela é a mãe que aprendeu a salvar a si e aos outros do inferno.
Como eu já falei tudo, deixo aqui a pérola final de As Cidades Invisíveis para o deleite de vocês: "O inferno dos vivos não é algo que será; se existe, é aquele que já está aqui; o inferno no qual vivemos todos os dias, que formamos estando juntos. Existem duas maneiras de não sofrer.
A primeira é fácil para a maioria das pessoas: aceitar o inferno e tornar-se parte deste até o ponto de deixar de percebê-lo. A segunda é arriscada e exige atenção e aprendizagem contínuas: tentar saber reconhecer quem e o que, no meio do inferno, não é inferno, e preservá-lo, e abrir espaço."
Oxalá.
leticia.wierz@zerohora.com.br
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7:48 AM by Cassiano Leonel Drum
Luis Fernando Verissimo
08/07/2004
Tese e antítese
Tese: no novo futebol, talento demais atrapalha. Santo André vencedor da Copa do Brasil, Once de Onde Mesmo? campeão da Libertadores e Grécia campeã da Europa podem ser anomalias acidentais, mas o que dizer do Real Madrid, aquela seleção do mundo que não ganha de mais ninguém? Não é que as estrelas se ocupem muito com campanhas publicitárias e badalações e não queiram arriscar os ossos, ou joguem de ressaca.
É que têm talento demais. O talento exuberante é sempre um talento natural, e quem tem talento natural não tem nada a aprender, só a ensinar. É difícil para um talentoso natural se sujeitar a treinar os fundamentos do futebol, pois já nasceram com eles, ou a uma disciplina tática que muitas vezes exige o sacrifício do seu brilho pessoal. Os medíocres não têm este problema.
A preliminar daquele jogo França x Brasil pelo aniversário da Fifa, em maio, foi entre dois times de mulheres. E se, em lugar do Reali Jr. e do Dinho Eichenberg, eu estivesse no Estade de France acompanhado por duas francesas (digamos, Beranger e Amelie) que não soubessem nada sobre futebol, eu usaria a preliminar das mulheres e não o jogo das estrelas para lhes mostrar o básico: como um time deve se colocar na defesa, como sair para o ataque - enfim, o óbvio.
Claro que entre as mulheres em campo também havia talentos naturais, mas pode-se supor que a maioria aprendera a jogar futebol em vez de nascer para ele. E viu-se muito menos espetáculo mas muito mais, por exemplo, passes certos na preliminar do que no jogo principal. E jogadas aprendidas e aperfeiçoadas com treino.
A impressão que se tem, vendo esses fenômenos passageiros jogarem - como Bulgária, Croácia, Coréia e outros em Copas do Mundo recentes -, é essa, a do óbvio bem ensaiado e rigorosamente aplicado. Uma entrega total a esquemas defensivos bem organizados - ou seja, à mente do treinador - e confiança total em talentos específicos lá na frente. E, claro, no Fortuito, que joga em todas as posições e em todos os jogos. O treinador da Grécia não inventou nada. Apenas teve a vantagem de ter um time menos talentoso.
Antítese: também deve ser dito que a única maneira de deter o triunfo da mediocridade e das defesas impenetráveis é confiar naquele jogador que está se tornando um mito, de tão escasso: o que vai para cima do marcador e do submarcador e do terceiro marcador e destrói as defesas a dribles, o que além de talento tem arrojo. "De l'audace", diria eu para a Beranger e a Amelie. "Toujours de l'audace!"
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7:46 AM by Cassiano Leonel Drum
Paulo Sant'ana
08/07/2004
O novo imposto canino
Noticia-se que um deputado federal está apresentando projeto pelo qual todo proprietário de cães terá de pagar um imposto por animal que tiver em seu poder, em casa ou em canil.
Não é de surpreender, a criação de impostos no Brasil parece ser o esporte favorito dos governantes e legisladores.
A ordem tributária vigente é tributar a propriedade, o trabalho e o prazer. Paga-se imposto ou tarifa para ter carro, barco, telefone, garagem, ancoradouro, residência, televisor, assim como para fumar, beber, comer, sem falar nas despesas várias que se instalam sempre que uma pessoa deliberar fazer sexo, tais como camisinha, viagra, motel etc.
O imposto sobre cães é análogo, trata-se de tributar o amor que as pessoas têm pelos animais. Odiar custa barato, mas o Estado impõe aos seus súditos que paguem muito caro para amar.
Ficou impossível para as pessoas viver sem serem tributadas. Na vida moderna, cada vez mais o Estado controla e mantém vigilância sobre as pessoas.
Recentemente, os vereadores de São Paulo aprovaram um projeto de lei que prevê o registro de animais de estimação na prefeitura.
Os animais ganharão nos próximos 180 dias uma plaqueta de identificação para ser colocada na coleira e um registro geral, semelhante à carteira de identidade.
A medida em breve se estenderá para todas as cidades e Estados brasileiros. Primeiro, o cadastramento, depois a tributação, a exemplo do que acontecerá com as armas: as pessoas são obrigadas a registrarem os revólveres ou pistolas que têm em seu poder, sendo-lhes cobrado o respectivo tributo sobre posse ou eventual uso.
A declaração de propriedade e posse de animais deverá ser feita a exemplo do imposto de renda: confissão e logo em seguida a tributação.
Evidentemente, em seguida os cães tributados terão uma classificação, como acontece com os carros: cão com pedigree pagará mais do que os outros. Com certeza, os cães ferozes, que servem também de armas de defesa e proteção, pagarão imposto maior do que, por exemplo, os inofensivos poodles.
Ou então se tarifarão os cães pelo peso.
Cada raça de cão com a sua alíquota respectiva.
Em compensação, o imposto deixará neste caso de ser leonino para se tornar canino.
Prepare-se então para pagar imposto para ter em casa cães ou pássaros. Como tudo que é bom, haverá o correspondente imposto.
No caso dos pássaros, além do imposto de registro, não se surpreenda se concederem direito ao Ecad de tributar o seu cântico.
E como sempre acontece com os impostos, se instalará a respectiva sonegação. A ocultação de cães, método já usado em muitos condomínios, se exacerbará.
Quem tiver quatro cães vai tentar só pagar imposto sobre dois.
Sem falar nos vira-latas, que se constituirão em explosiva e polêmica informalidade.
Os cães ambulantes de rua serão os camelôs da nova ordem tributária.
psantana.colunistas@zerohora.com.br
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7:44 AM by Cassiano Leonel Drum
Evento
Potência sobre duas rodas
As mais incrementadas e modernas motos disponíveis no Estado estão expostas no 5º Salão de Motociclismo, em Porto Alegre. Sessenta expositores estão instalados no centro de eventos do DC Navegantes, até domingo (foto Aline Custódio/ZH)
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Quarta-feira, Julho 07, 2004
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8:53 PM by Cassiano Leonel Drum
Quarta, 7 de julho de 2004.
Maestro, qual é a nota musical?
Internet e celulares prometem reacender a indústria fonográfica
Cristina de Luca e Mylène Neno
Nada melhor do que comemorar os 50 anos do rock incendiando o mundo da música, não é? E as novas tecnologias estão aí exatamente para esse propósito. Pelo menos é o que nos faz crer a nova investida do Escritório Central de Arrecadação e Distribuição (Ecad), capaz de abalar qualquer estrutura.
Se preparem agora para a arrecadação de direitos de execução pública de ringtones e músicas baixadas da Web! Isso mesmo. A entidade entende que ao receber chamadas em seu celular, com toques de suas músicas favoritas, o usuário está executando publicamente essas canções e deve pagar por isso.
As pessoas acham que na Internet tudo é possível, é uma orgia informática. Mas essa libertinagem de direitos não existe. Por isto o Ecad está se adequando a fim de que a utilização de música pela Web seja feita de forma lícita, explicou a superintendente do Ecad, Glória Braga, durante o 5º Seminário de Inverno: Desafios Jurídicos na Internet, Publicidade e Software Livre, semana passada, no Rio.
A cobrança recairá sobre operadoras, desenvolvedores de software e provedores de conteúdo. E é bem provável que ao menos parte desse valor seja repassado aos clientes, aumentando o custo dos downloads. Isso tem que ser muito estudado para que não passem a cobrar duas, três, quatro vezes esses direitos, lembra Claudia Boechat, da Sony Music. Até entendo que o Ecad considere ringtones e mastertones como execução pública, mas não vai ser viável para nenhum dos lados nem Ecad, nem gravadoras, nem editoras.
Segundo Antero Salgado, gerente nacional de arrecadação do Ecad, a negociação com as operadoras está bem adiantada e a cobrança deve começar a ser feita já a partir desse mês. Os índices são de 5% sobre o valor de download de ringtones e 7,5%, nos true tones. No mundo todo é assim. Não estamos inventando nada, garante.
Confira como é dividida a arrecadação de execução pública pelo Ecad em cada segmento do mercado.
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8:49 PM by Cassiano Leonel Drum
ARTUR DA TÁVOLA
Sabores inesquecíveis
E não é que deu saudade do tempo em que mergulhava o Biscoito Maria, aquele de maisena, na xícara farta do café com leite? Contrariei restrições médicas, fui ao armário, achei o pacote e, com alegria de travessura infantil, afundei dois biscoitosno café com leite! Desilusão! O sabor era outro, não porque deixei de ser criança mas a qualidade do produto, era inferior à dos saborosos e velhos biscoitos Maria.
Fiquei a pensar em antigas delícias que por sua popularidade ou popularização, depois caíram na desqualificação. Já nem falo no gostoso Polenguinho que misteriosamente foi diminuindo de tamanho na relação inversa ao preço..., nem no antes maravilhoso Catupiry que hoje parece sebo.
Tampouco aludo aos saquinhos de queijo ralado com sabor de tudo menos de parmesão, ou mesmo no velho e crocante Creme Cracker, cujo quadrado diminuiu como já diminuíra, aos poucos o tamanho das garrafas de água mineral, cada vez menores e mais caras, um avanço predatório das empresas multinacionais em nossas águas, a ameaçar incomparáveis relíquias do patrimônio mineral do País.
Garrafinhas ínfimas que as ditas empresas diminuem de tamanho sem baixar o preço e ninguém faz nada. Isso, sem esquecer de que um litro de Coca Cola custa mais caro que um litro de gasolina...Já não falo nas caixinhas do sorvete ¿diet¿ e de iogurte que igualmente minguaram. São espertezas da indústria em País no qual o consumidor ainda não aprendeu a se defender como deve.
Mergulhar o biscoito de Maisena no café com leite, vejam só, um gesto tão simples e olhe-me a reclamar e a recordar alguns sabores inesquecíveis de anos passados, hoje tornados artificiais e insípidos em qualquer bar ou botequim, e mesmo em restaurantes, como pastéis, empadas, quibes fritos, bolinho de bacalhau que é batata pura e pizzas sem graça..
Neguinho come para matar a fome, não mais pelo sabor. Ficaram tão populares que passaram a ser feitos de qualquer maneira. O mesmo se deu com alguns produtos de lata como salsichas e os outrora deliciosos e fartos pêssegos em calda, hoje mirrados e tristonhos...Por falar nisso: há quanto tempo você não come uma broa de milho ou um doce de batata roxa?
E-mail: tavola@ism.com.br
Esta coluna é atualizada às terças, quartas e quintas.
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8:15 AM by Cassiano Leonel Drum
Hoje temos futebol para começar, Turismo, Televisão/Cinema e como sempre, as cronicas do dia, com a Martha Medeiros, o Coimbra e o Paulo Santana. Boa leitura e um ótimo dia de quarta-feira.
O Vasco é o time da virada
Com a dupla Pet-Muriqui, equipe vence o Vitória por 3 a 1. Foi o primeiro tirunfo em São Januário
Carlos Monteiro
Petkovic foi o maestro do Vasco em São Januário. Mesmo caçado em campo, o gringo fez um gol de pênalti e se isolou ainda mais na artilharia da equipe, agora, com 7 gols
Demorou. Mas depois de 4 meses e três dias, o Vasco finalmente venceu em São Januário. Ontem, de virada, o time de Geninho bateu o Vitória de Osvaldo de Oliveira, por 3 a 1. Os gols foram marcados por Petkovic, Henrique e Muriqui, com Obina descontando. Sábado, é dia de enfrentar o Flamengo.
O jogo começou com a torcida do Vasco sentindo um friozinho na espinha. Aos 3 minutos, Pedro cruzou da direita e Márcio rebateu para o meio da área. A tensão aumentaria, aos 15. Ignorando as pressões da diretoria cruzmaltina, que colocou faixas criticando os erros da arbitragem contra o Vasco, o juiz Romildo Correia marcou, corretamente, um pênalti de Henrique em Obina. O próprio Obina cobrou e fez 1 a 0, aos 16.
A partir daí, o Vasco acordou. Depois de desperdiçar boas oportunidades aos 15 (Pet escorregou na área) e aos 24, quando a zaga interceptou um passe açucarado de Valdir para o Gringo, o Vasco empatou.
Aos 31, Valdir foi lançado pela esquerda, invadiu a área, foi derrubado e o juiz, também corretamente, marcou o segundo pênalti do jogo. Pet cobrou aos 34 e empatou a partida em 1 a 1.
Como na primeira etapa, os vascaínos levaram um susto, logo no primeiro minuto da etapa final. Leonardo chutou de fora da área e Márcio soltou novamente. Só que desta vez para escanteio.
O Vasco, com menos um Alex Alves não fazia nada de produtivo , quase marca, aos 10. Diego lançou da esquerda, no segundo pau, Valdir subiu mais do que os zagueiros e cabeceou cruzado, mas para fora.
Aos 12, o gorducho Alex Alves desperdiçou sozinho, diante de Juninho. Aos 16, foi Valdir quem perdeu gol incrível. Chiquinho cruzou da Direita, o Bigode, sozinho, cabeceou para o chão, mas o goleiro pôs a escanteio.
Muriqui entrou no lugar do inoperante Alex Alves e mudou o time. Além de provocar a expulsão de Nenê, fez a jogada do segundo gol. Depois de passe de Petkovic ele chutou e a bola sobrou para Henrique marcar, aos 28. Mas o terceiro foi do jovem atacante. Pet fez excelente jogada, tocou para Muriqui, que teve tranqüilidade, escolheu o canto e fez 3 a 1, aos 46, tranqüilizando a torcida.
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8:11 AM by Cassiano Leonel Drum
Nova atração de peso no mar
Costa Cruzeiros traz no verão o maior navio com que a empresa já trabalhou no Brasil. Reservas até o mês que vem têm descontos
O Victoria tem programação especial para a garotada
Uma presença de peso promete mexer com a temporada de cruzeiros do verão brasileiro. Mais precisamente uma presença de 75.200 toneladas. Trata-se do navio Costa Victoria, de acordo com a armadora italiana Costa Cruzeiros, a maior e mais moderna embarcação destinada a operar férias a bordo no Brasil. A atração chega em dezembro, mas opções de reservas nesse e em outros navios já estão nas agências, até com descontos especiais. Quem fizer reserva até 31 de agosto, por exemplo, pode abocanhar um desconto de até 15%, nos navios Tropicale e Victoria, com embarque em Santos ou no Rio.
A chegada do Costa Victoria será a principal responsável pelo aumento de 80% da oferta de cruzeiros marítimos para a temporada de verão. A expectativa da empresa, que é aumentar o número de passageiros de 25 mil para 40 mil, tem boas chances de bater, se depender dos primeiros números: até junho 12 mil pessoas já garantiram seus lugares, o que representa 35% da meta.
Palmira se prepara para o 16º cruzeiro desde 1991
Os dados do novo navio, que foi inaugurado em 1996 e passou por reforma ano passado, impressionam: a embarcação tem capacidade para receber 2.394 passageiros, instalados confortavelmente em 964 cabines, sendo 242 com vista panorâmica. Só de altura, o navio tem 56 metros.
Enquanto viajam entre destinos paradisíacos no Brasil, como Búzios, Salvador e Ilhéus, ou no exterior, no caminho até Savona na Itália, por exemplo, os passageiros poderão matar o tempo desfrutando de piscina coberta e descoberta , jacuzzis, restaurantes, bufês, pizzaria, bares, teatro, danceteria, academia, salão de beleza, spa, quadra de tênis, Internet café, cassino, além da programação de festas, cruzeiros temáticos e shows.
Além do Victoria, a Costa Cruzeiros continuará disponibilizando o Costa Tropicale, navio que já vai para sua quarta temporada no Brasil. Mesmo menor, o Tropicale oferece atrações semelhantes ao Victoria, e tem entre seus destinos os mares do Sul, como a costa da Argentina.
Com tantas opções tem gente que não vê a hora de garantir seu lugar num dos navios. Mesmo já tendo feito 15 cruzeiros, a aposentada Palmira Jones Gonçalves Magalhães, 79 anos, já planeja mais um para o fim do ano: É uma experiência única, a melhor maneira de se viajar.
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8:07 AM by Cassiano Leonel Drum
Tá ruim pra todo mundo
Nicole Kidman diz que homens não aparecem e Maryeva está precisando de alguém. É ou não é o fim da picada?
Zean Bravo
Maryeva é isso tudo que você está vendo, mas é também a imagem da solidão na ficha que preencheu no Paparazzo. Quer casar, filhos e nada: anda precisando de namorado
Agora a coisa ficou feia para valer. Se até a deusa Nicole Kidman engrossou o time das solteiras que reclamam da falta de oferta masculina no mercado, o que será das mortais que passam longe do padrão das estrelas de Hollywood? Os homens não estão batendo na minha porta, surpreendeu a ex-senhora Tom Cruise, apontando o que acredita ser o real motivo de não ter ninguém para chamar de seu: Sou uma mulher com 37 anos e 2 filhos.
O desabafo da atriz, claro, repercutiu entre as solteiras daqui. Está ruim para todos. Nesse mundo frívolo e descartável é fácil sair e beijar na boca. Mas idealizamos muito o outro e como somos seres humanos fica difícil encontrar uma pessoa para dividirmos tudo, avalia a assessora de imprensa Alessandra Brandão, 25 anos, que não concorda com as desculpas de Nicole. Ela foi casada com Tom Cruise! O padrão de comparação ficou muito alto, destaca.
Sonho: Viver feliz com um parceiro. Projeto: Casar, morar na praia e ter filhos. Namorado: Precisando, Maryeva
Atual atração do site Paparazzo, a apresentadora esportiva e mulher para ninguém botar defeito , Maryeva, dá todos os indícios de que ainda não encontrou outro namorado depois do tenista Gustavo Kuerten. Na ficha técnica que acompanha seu ensaio sensual na Internet, ela manda ver e diz que está precisando de um namorado.
Sem assumir os boatos de mais uma reconciliação com o ex, Dado Dolabella, a cantora Wanessa Camargo jura que pela primeira vez está solteira e feliz. Não conseguia ficar sem engatar um namoro no outro. Hoje me basto, diz ela, aos 21 anos. Igualmente bonita e famosa, Carol Castro, que terminou um namoro recentemente, dá seu parecer. Deixo acontecer. Não pode ficar esperando, que a pessoa não vem. O fato de ser atriz e fazer cena de beijo não é o que atrapalha.
Os homens não estão batendo na minha porta. Tenho 37 anos e 2 filhos, Nicole Kidman
E Carol continua. Complicado é achar alguém que acompanhe meu ritmo. Aprendi que amigo, família e trabalho são para sempre. Namorado, não!, destaca a atriz, de 20 anos.
Com ex-namorados galãs como Rafael Calomeni e Marcos Palmeira, a atriz Amanda Lee, 25 anos, ensina que é preciso encontrar um equilíbrio. Todo mundo vive reclamando. Estou tranqüila e não gosto de rotular nada. Só posso dizer que meu coração está preenchido, ocupado, diz, vaga.
Amanda tem razão. A reclamação é geral. Pior: entre mulheres de qualquer idade. Que o diga a estudante Bruna da Silva Peçanha, 18 anos. A mulherada está fácil e os homens ficam inseguros de ter relacionamento sério, acham que todas vão ser iguais. Por causa de umas e outras todas pagam, dispara a menina, que repete a desculpa preferida dos marmanjos com medo de compromisso. Nessas horas, de nada adianta ser estrela de cinema, sentencia.
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8:03 AM by Cassiano Leonel Drum
Martha Medeiros
07/07/2004
O alívio de Marta Suplicy
Semana passada foram publicadas algumas matérias sobre o namoro do senador Eduardo Suplicy com a jornalista Monica Dallari, que estavam juntos, secretamente, havia um ano. Ninguém confirma, mas a repentina divulgação do romance teria sido feita para melhorar a posição de Marta Suplicy nas pesquisas eleitorais. O PT teria pedido uma ajudazinha ao ex-marido da atual prefeita de São Paulo: ao vê-lo apaixonado e feliz, o povo esqueceria que ela um dia o chutou, atitude típica de uma mulher sem coração.
Marido chutado? Mulher sem coração? Marta, que já foi feminista militante, deve estar muito sem jeito por depender desse tipo de julgamento. Chegou a declarar-se aliviada porque o ex-marido conseguiu uma namorada e assim a libertou do estigma de mulher fria e desumana.
Ninguém é inocente, sabemos todos que em política quem manda é a opinião pública. Meu desencanto não é com o casal Suplicy, e sim com a caretice dessa tal opinião pública. Ainda sobrevive a lenda de que uma mulher com mais de 50 anos de idade, casada há 36 e com três filhos adultos não pode se apaixonar por outro homem, encerrar um longo casamento e iniciar uma nova etapa. Marta, em sua vida pessoal, não optou pela hipocrisia, seguiu seu coração, provando que, sim, tem um.
Se Eduardo Suplicy tivesse aparecido na semana seguinte à da separação com uma bonitona a tiracolo, estariam quites, não se falaria mais nisso. Mas não, ele amava a esposa, ficou um tempo sozinho e, pior, sofrendo. Inverteu-se um papel clássico e a sociedade levou um susto. Como ela teve coragem de largar um homem tão bom?
O homem tão bom está amando novamente. Marta já pode ser perdoada pela ousadia de ter corrido atrás de sua felicidade. Talvez agora suba uns pontinhos no conceito do eleitorado paulista, que por enquanto está preferindo Paulo Maluf, que comemorará bodas de ouro ano que vem, como cidadão exemplar que é.
Ou seja, grande parte da população ainda fica inquieta e insegura diante daqueles que promovem mudanças profundas em suas vidas. Claro que este episódio da separação não tem grande relevância no resultado das pesquisas, mas só o fato de ser levado em consideração é um atraso.
Marta Suplicy deveria ser julgada apenas pelo trabalho que vem fazendo - ou deixando de fazer - na administração da principal metrópole do país. O certo seria ela se sentir aliviada com contas públicas em dia, com obras e promessas concluídas, e não aliviada porque o ex-marido deixou de ser visto pelos eleitores como um pobre-diabo abandonado. Marta só agora está se sentindo absolvida publicamente pelo crime de ter feito um homem sentir dor-de-cotovelo.
martha.medeiros@zerohora.com.br
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8:01 AM by Cassiano Leonel Drum
David Coimbra
07/07/2004
Uma noite de tempestade
Acho que é muito sucrilhos. Há décadas existe sucrilhos, sei, mas os atuais devem ser mais vitaminados. Só pode. Senão, como explicar essa geração de gigantes com dentadura perfeita, gente que bebe mate na Redenção, mas que parece egressa da Escandinávia? Uma super-raça de Valquírias e Macistes. Já nascem sem o dente do siso e sabendo fazer download. Coisa bem linda fazer download numa tarde ensolarada de inverno.
Claro, nem sempre isso é vantagem. A maioria dos homens se sente desconfortável ao lado de mulheres mais altas. Lembro do Mentirinha, assim apelidado por ter as pernas curtas. O Mentirinha arrumou uma namorada mais alta do que ele, o que lhe enchia de vergonha. Só ficava com ela dentro do carro. Quando saía, caminhavam à beira da calçada; ela na pista, o Mentirinha sobre o meio-fio. Um dia, a moça não agüentou mais a situação.
- Há muita distância entre nós, Mentira - queixou-se.
E rompeu o namoro.
Baby-doll transparente
Já o meu amigo Plisnou nunca se importou com essas questões verticais. Ao contrário. Pequeninho, passando ali ali do metro e meio, o Plisnou preferia as mulheres grandes. Uma vez, dividíamos apartamento lá em Criciúma, o Plisnou arranjou uma loira chamada Mary, que aquela loira, nossa, era uma loira realmente grande. E linda. Usava minissaias minúsculas, estava sempre de salto alto, uma côsa. A gente saía pela cidade para procurar o Plisnou e perguntava a qualquer um na rua:
- Viu por aí um baixinho com uma loirona?
- Ah, vi, sim, eles foram por lá.
O trânsito parava para vê-los na rua, por Deus. E o Plisnou, em vez de se incomodar, orgulhava-se disso.
Ele levava aquela loira lá para casa. Ela ficava lá. Passava os fins de semana andando pelos corredores só de camiseta, algo de fato angustiante. Além disso, tratava-se de uma loira bastante liberal. Uma noite, o Plisnou saiu para trabalhar e fiquei sozinho com a loira no apartamento. Começou uma tempestade.
De repente, a mulher irrompeu no meu quarto vestida com um baby-doll curtíssimo e transparente. Cara, dava para ver a calcinha dela. Pequena, meia fatia de pizza. De rendinha. Ela chegou arfando, os seios subindo e descendo ao ritmo da respiração forte, lembro com exatidão de como aqueles seios subiam e desciam, subiam e desciam. A mulher pulou sobre mim:
- Ai, David, tenho medinho de raio...
Em nome da amizade sagrada que tinha e tenho pelo Plisnou, expulsei-a do quarto.
- Fora! Fora!
Geração transgênica
Não consegui dormir aquela noite. Até hoje não sei se fiz o certo.
Mas dizia isso tudo por dois motivos. Em primeiro lugar, porque admiro essa geração transgênica. Eles dominarão o mundo. Já o dominam. O futebol foi a última paliçada de resistência dos baixotes, e agora caiu. Vide Kaká, Zidane e outros de igual quilate. São grandalhões. E bons de bola.
Que trio!
Certa feita, eu cobria a Copa América do Paraguai e ocorreu um momento histórico: encostados ao balcão, conversávamos nós três: eu, Tostão e Roberto Rivellino (o maior, o maior). Que meio-campo, esse, hein! Hein! Hein! Enfim, conversávamos sobre a vida, o mundo, as coisas. Aí parei ao lado deles e, vendo os Ronaldos e mais o Rivaldo lá adiante, comentei:
- Pô, mas vocês são bem mais baixos que eles.
Com efeito, Rivellino, Tostão e até Pelé, os três medem 1m73cm. Ao ouvir minha observação, Rivellino contra-golpeou bazofiando que ele e Tostão jogavam mais do que o trio de erres da seleção moderna. Já Tostão refletiu uns segundos e completou, falando baixinho:
- Mas se nós fôssemos do tamanho deles jogaríamos muito mais.
Quer dizer: o mundo é da geração transgênica.
Aninha Hickmann, desolada, alucinada de ciúmes, mortificada, sem saber o que fazer
Foto(s): Grifith, divulgação, Banco de Dados/ZH
Fim de semana estragado
Agora vamos ao segundo motivo pelo qual contava essas histórias. Trata-se de Aninha Hickmann. Estou preocupado com ela. Temo ter arruinado seu fim de semana. Pelo seguinte: domingo passado escrevi que a taluda tenista russa Maria Sharapova é mais alta do que Aninha. Não é. Aninha eleva a sua loirice santa-cruzense a 1m85cm; Maria, apenas a 1m83cm. Diferença pouca, verdade, mas as mulheres são competitivas. Imagino Aninha lendo a Zero Hora e resmungando:
- Como é que o David diz que sou menor que essa nanica?
Foi um erro. Lamentável.
Perdão, Aninha.
david.coimbra@zerohora.com.br
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7:58 AM by Cassiano Leonel Drum
Paulo Sant'ana
07/07/2004
Idosos e deficientes
Atenção, deputados estaduais gaúchos: no Rio de Janeiro, em função de uma lei estadual, os 280 mil idosos e deficientes físicos ou mentais que dirigirem o próprio carro ou têm motorista vão poder usar os estacionamentos públicos ou privados gratuitamente.
A lei prevê que o Detran "fique responsável pelo fornecimento, para os portadores de deficiência e maiores de 65 anos, de um cartão especial, dando gratuidade nas garagens e estacionamentos públicos e privados do Estado".
Os estacionamentos municipais cariocas já dispõem de vagas gratuitas para os deficientes, pelo que servirão também agora aos idosos, o que pode e deve ser imitado aqui em Porto Alegre imediatamente.
A lei estadual do Rio teve o cuidado de reservar 2% das vagas dos estacionamentos para os deficientes e idosos, é claro que para não inviabilizar os negócios. Mas o mínimo em cada estacionamento é de duas vagas para os deficientes e idosos.
No que os gaúchos são diferentes dos cariocas?
É hora de os parlamentares e governantes daqui também garantirem esses direitos.
E vejam como o Rio de Janeiro é imaginativo: no primeiro dia da promoção "Metrô a R$ 1", com a passagem sendo cobrada pela metade do valor real aos passageiros que trafegarem das 5h às 6h, as estações e os trens lotaram.
Multidões acordaram mais cedo para desfrutar do desconto, que teve também o mérito de diminuir a lotação dos trens na hora do pico, 60 minutos mais tarde.
No que os gaúchos são diferentes dos cariocas, que a Trensurb e as empresas de ônibus daqui também não façam a mesma promoção?
Sobre a coluna de ontem, recebo e transcrevo: "Na condição de vice-presidente da CPI das Carnes, que a Assembléia Legislativa realizou no ano passado (2003), li com muito interesse a tua coluna de hoje (6/07), de modo especial o trecho em que tratas do abigeato.
O caso de abigeato em São Luiz Gonzaga é apenas um amostra de uma situação que vem tomando proporções cada vez maiores em nosso Estado. Sem conotação política e apenas para que tenhamos um termo de comparação, os dados da Secretaria de Justiça e Segurança do Rio Grande do Sul (Dataseg), disponíveis na internet, nos informam que foram 6.701 abigeatos em 1999 (primeiro ano do governo Olívio Dutra) e 10.941 casos em 2003 (primeiro ano do governo Rigotto).
Isto significa um aumento de 63% nesse período. Como vês, é um índice que cresce assustadoramente e, só por isso, já está mais do que justificada a preocupação manifestada em tua coluna. É imperioso, portanto, que se faça alguma coisa no sentido de coibir esse tipo de roubo que tantos e tão variados prejuízos causa.
Por isso, entre as conclusões que apresentamos na CPI, indicamos um caminho ao Estado, qual seja de que o combate ao abigeato deve ser feito não somente pelas polícias Civil e Militar (inclusive em sua patrulha rodoviária), mas também por meio de um trabalho integrado com outros órgãos de governo, como as secretarias de Saúde, da Fazenda e da Agricultura.
É preciso monitorar os documentos de compra e venda dos animais assim como também é fundamental que se monitorem as condições sanitárias do rebanho e da carne comercializada. Além disso, há um outro e importante ponto a ser monitorado, que é o transporte de animais pelas estradas gaúchas. O abigeato é caso para ser combatido por uma força-tarefa.
Um abraço do (ass.) deputado estadual Elvino Bohn Gass (PT)".
psantana.colunistas@zerohora.com.br
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7:48 AM by Cassiano Leonel Drum
Porto Alegre
Fogo destrói casebres na Capital
Pela terceira vez em cinco anos, um incêndio atingiu a Vila Cabo Rocha, no bairro Azenha, consumindo 11 moradias e deixando 52 desabrigados (foto Carlinhos Rodrigues/ZH)
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Terça-feira, Julho 06, 2004
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8:18 PM by Cassiano Leonel Drum
06.07.2004, 12h32
BB incentiva demissão voluntária
CNB/CUT - Fábio Jammal Makhoul
Em plena Campanha Salarial dos bancários, o Banco do Brasil ignorou o movimento sindical e implantou, unilateralmente, um novo plano de demissões voluntárias, intitulado Plano de Estímulo ao Afastamento (PEA). O anúncio foi feito no último dia 1o de julho e surpreendeu bancários e sindicalistas. A nova direção do BB se mostrou um lobo em pele de cordeiro.
Quando parece que a democracia chegou ao banco percebemos que o ranço ditatorial da era FHC continua encalacrado nesta diretoria, lamentou Marcel Barros, da Comissão de Empresa dos Funcionários. Ele destaca que o plano foi adotado sem qualquer tipo de diálogo com o movimento sindical, o que foi uma verdadeira "bola nas costas" em plena campanha salarial unificada.
Segundo aprovou o Conselho Diretor do Banco do Brasil, o público-alvo do PEA são os funcionários com mais de 50 anos de idade e 15 anos de contribuição à Previ. O coordenador da Comissão de Empresa, Deli Soares, diz que o novo plano mescla elementos do PDV com o PAI-50 (Plano de Aposentadoria Incentivada), implementado neste primeiro semestre de 2004.
Nós estamos no meio de uma Campanha Salarial que pretende discutir com o banco a reforma da Parcela Previ e outros itens relativos a aposentadoria. Com o fator previdenciário que temos, quem optar pelo Plano vai sair perdendo. Foi muita irresponsabilidade do banco, comentou.
Deli e Marcel ressaltaram que os funcionários não devem aderir ao novo plano ou sairão perdendo. A Comissão de Empresa já enviou um comunicado às entidades sindicais com este posicionamento e vai pedir uma reunião com o banco para discutir este assunto. Claudio Gerstner, coordenador do Coletivo do BB no Sindicato de São Paulo, destacou que o movimento sindical não esperava este novo plano de afastamento em plena Campanha Salarial. A implementação de tal plano neste período só serve para anuviar as relações dos sindicatos com a direção do BB, lamentou.
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7:49 PM by Cassiano Leonel Drum
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Ilusão, ambição, fama
John Grisham nasceu em 1955, na cidade norte-americana de Jonesboro. Começou a escrever nas poucas horas vagas que a carreira como advogado lhe permitia. A partir da publicação de Tempo de matar, seu primeiro livro, priorizou o ofício de escritor. Aproveitou a experiência de advogado e escreveu vários romances thrillers-jurídicos como O Cliente, O dossiê Pelicano, O testamento, A firma, O advogado e O rei das fraudes, entre outros.
Tornou-se um dos autores mais lidos dos Estados Unidos, com cerca de 100 milhões de exemplares, ocupando as listas de mais vendidos por anos a fio. Sete de seus romances, entre eles A firma e O dossiê Pelicano tornaram-se filmes de sucesso.
Em Nas arquibancadas, romance de Grisham que acaba de ser publicado no Brasil, o autor parte de sua experiência pessoal de jogador de futebol americano, quando garoto, para narrar a história das glórias, fracassos e das raivosas e afetivas lembranças de Neely Crenshaw, provavelmente o maior quarterback da história dos Spartans.
Depois de quinze anos dos dias gloriosos em que Neely brilhou como poucos, ele volta à cidade natal, Messina, para assistir aos últimos momentos de vida e o enterro do treinador Eddie Rake, o homem que transformou o time numa invencível dinastia de futebol. Rigoroso, Eddie, a figura principal do livro, chegou a levar à morte um garoto durante um treino. Foi demitido por isso.
Lembrando de Rake com amor e ódio, Neely e os antigos companheiros resgatam velhas histórias. Neely conta sobre como foi subornado para aceitar uma entre as muitas faculdades que o convidaram depois de completar a escola em Messina. Ele relata como recebia propinas para continuar a jogar bem e, principalmente, narra o acidente em campo que arrebentou seu joelho, a carreira de jogador e parte de sua vida.
O escritor esmiúça o mais popular dos esportes americanos do mesmo modo que já esmiuçou os meios empresariais e jurídicos em seus romances anteriores. Na essência, todavia, o romance é sobre ilusão, ambição, fama e fracasso no mundo do futebol. Os melhores momentos da narrativa são os que ocorreram no auge da fama de Neely, quando trocou seu verdadeiro amor, a doce Cameron, pela gostosa, arrivista e popular Screamer.
Sentados nas arquibancadas, aguardando o apagar das luzes no campo, Neely e seus companheiros, os meninos, lembram as glórias do passado e ele carrega a angústia de se confrontar com uma existência que ele tentou se convencer que tinha ocorrido numa vida passada qualquer. Em seu novo livro Johh Grisham arrisca, inova, dá o melhor de si e mostra que sabe trabalhar com sentimentos de modo tão hábil quanto já manipulou leis, processos e estatutos.
Os leitores brasileiros vão gostar. Mesmo sendo história de futebol americano. Tradução de Aulyde Soares Rodrigues, 186 páginas, R$ 24,60. Editora Rocco, tel. 21-2507-2000.
Lançamentos
Dançar tango em Porto Alegre, do consagrado escritor gaúcho Sergio Faraco, recebeu o Prêmio de Ficção 1999 da Academia Brasileira de Letras. Os contos da obra retratam a paisagem rural fronteiriça do Rio Grande, situações sobre infância e descobertas sexuais e a desadaptação dos melancólicos e solitários indivíduos no espaço urbano. 156 páginas, L&PM Editores, tel. 3225-5777.
Ponto de Fuga, do professor, historiador e crítico de arte Jorge Coli, fala da dispersão da arte moderna, seja de temas, de onde ou como é produzida. Com erudição teórico-histórica e argúcia crítica, Coli nos oferece um verdadeiro guia sobre a criação artística contemporânea no Brasil e no mundo. 352 páginas, Perspectiva, tel. 11-3885-8388.
Sibila - Revista de Poesia e Cultura publicada pela Ateliê Editoral (tel. 11-4612-9666), ano IV, número 6, apresenta ensaios e resenhas, bem como obras de poetas brasileiros e estrangeiros. Nova poesia mexicana, a poética mundial de Jerome Rothenberg e versos de Paulo Leminski, Ana Cristina César e Flávio de Carvalho estão na edição, entre outros.
Lêdo Ivo - Coleção Melhores Crônicas, com prefácio e notas do professor e crítico Gilberto Mendonça Teles, apresenta crônicas selecionadas do grande poeta e escritor alagoano, que pertence à Academia Brasileira de Letras desde 1986. 288 páginas e foi publicada pela Global Editora, tel. 11-3277-7999.
DICA
Leio Stupid White Man, de Michael Moore, Francis Editora. Já gostava do estilo de reportagem de Moore na tevê. Agora gosto de seus filmes, como Farenheit 9/11 e Tiros em Columbine. O livro é um libelo contra o neoliberalismo econômico e um relato contestatório do golpe de Estado que colocou George W. Bush na Casa Branca.
Marco Poli, jornalista, editor do site
www.capitalgaucha.com.br
E palavras...
Parindo sapos
Na vida e na política faz milênios que a gente conhece e pratica a arte de engolir sapos. Há quem prefira engolir rãs em casa ou no restaurante. Há quem crie rãs para vender ou tenha ranários reais ou imaginários para obter gordos financiamentos públicos. Há quem tire proveito dos sapos de modo mais ecológico.
Na Felipe Camarão, nos anos sessenta, o major reformado do Exército Olysis, criava, nos fundos da casa, sapos enormes que limpavam, a baixíssimo custo, o terreno da pequena horta. Insetos e ervas daninhas dançavam. O major dominava os sapos até com carinho. Anos sessenta, sapos, militares.
Simbólico. Corte para 2003. As elites brasileiras não só engoliram, mas também convivem muito bem com o sapo barbudo, apelido brincalhão que o presidente da república Póstumo Brizola colocou no Lula na campanha política, em 1989. A gente engoliu o sapo Zagallo, que virou príncipe. Mas se a gente pensava que sabia tudo de sapos, a crença foi para o brejo. E sem trocadilho infame. No diário Etemaad, do Irã, saiu esta semana que uma mulher deu à luz a um sapo cinza em Teerã.
O ginecologista confirmou o fato. A menstruação da mulher estava atrasada há seis meses. Dois outros médicos consultados acreditam que a iraniana, mãe de dois filhos, tenha adquirido a larva do sapo em uma piscina suja, desenvolvendo-a até o anfíbio anuro se tornar adulto. Acho que o fato acontecido com a iraniana é altamente simbólico para nossos tempos.
Sem saber, a pobre mulher engoliu um projeto de sapo, deu casa, comida e proteção, levou um susto com o atraso da menstruação, mas ,no final, liberou o bicho para ele procurar a turma dele. É isso aí. Hoje em dia, mesmo involuntariamente, sapas ou sapos em perspectiva engolidos devem ser cuspidos, vomitados ou paridos. Nada de levar sapo para casa ou para o bucho. A arte de engolir sapos, como muitas artes dessa nossa era pós-moderna e pós-tudo, transformou-se com velocidade leporina.
A arte agora é não engolir. Sapo não é cartão da American Express. Não saia de casa com ele. Se engolir, dê um tempo ou não e bote para fora. Ah, leporina vem de lebre, aquele coelho grande, rápido como certos políticos-sapões cujo prato preferido é robalo com furtos do mar. Quanto a esses, melhor fechar a boca a vinte quilômetros de distância e nem pensar em engolir.
Jaime Cimenti
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8:06 AM by Cassiano Leonel Drum
Trocando as bolas
A sensual Carol Castro faz uma tímida e a fofa Maria Maya vive uma gostosa em Senhora do DestinoZean Bravo
Diretor de Senhora do Destino, Wolf Maya fugiu do óbvio ao trocar os papéis de Carol Castro e Maria Maya pouco antes da estréia da novela. Escalada para viver a madrinha de bateria Regininha, Carol ficou com a sofrida órfã Angélica, que, a princípio, seria de Maria, filha do diretor. Ganham as atrizes.
Revelada como a sensual Gracinha, de Mulheres Apaixonadas, Carol terá a chance de mostrar potencial dramático. Recém-saída dos figurinos de época de Chocolate com Pimenta, Maria volta ao ar recheando as roupas diminutas da espoleta Regina. Sou artista e nada melhor que subverter, diferenciar, ainda sou nova. Essa troca serve para mostrar que uma gostosa como a Carol fará bem o papel de uma sofredora, avalia Maria, 23 anos.
Carol confirma que com Angélica irá mostrar o outro lado da moeda. Fiz um teste mais voltado para o lado dramático. A personagem é sensível, densa, sofrida, lista a atriz, que ainda ouve piada na rua por conta do papel anterior. É aquela coisa... dizem que sou uma gracinha. O papel marcou, justifica.
A troca serve para mostrar que uma gostosa como Carol fará bem uma sofredora Maria Maya
Dona de uma galeria do tipo Patinho Feio caso da suburbana Kelly Bola de Salsa e Merengue , Maria se diverte com a madrinha de bateria que quer conquistar independência e sair de casa. Regina é a típica pós-adolescente, quer desabrochar, namorar. Para ela, mil reais é um montão de dinheiro. Ela quer posar nua para ter seu espaço na vida, não tem pretensões de ser a gostosona, explica a atriz, que alongou os cabelos por conta da sambista. Sempre fui mais cheinha, mas já vinha de um processo de emagrecimento. Tenho que estar bem para usar aquelas sainhas e shortinhos. Senão a firma fica no vermelho, brinca.
Maria também se garante no samba. Não aposto as fichas nessa coisa da gostosa, busco a personalidade da personagem. O samba tem sensualidade natural. Não vou dizer que sou fã ardorosa do ritmo, mas faço dança desde pequena e estou tendo aula agora, diz ela, já familiarizada com o vocabulário do meio. Estou só soltando as cadeiras. Vou tentar quebrar tudo, como eles dizem, ri.
Terminei um namoro de um ano, passei solidão e voltei transformada Carol Castro
Aos 20 anos, Carol buscou o sofrimento de Angélica nas próprias experiências. Sou pisciana, densa, absorvo tudo. Fui bem precoce na vida, que é nossa grande professora. Mudei muito de cidade e tive uma vida meio cigana. Isso dá uma maturidade a mais, acredita. Ela diz que ganhou mais bagagem nos três meses que passou na Argentina rodando o longa Perigosa Obsessão, antes de fazer a novela. Terminei um namoro de um ano à distância, passei momentos de solidão e voltei visivelmente transformada.
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8:03 AM by Cassiano Leonel Drum
Luxo para animais de estimação
Pet shops apostam em roupas, brinquedos, guloseimas e perfumes para cães e gatos
Silvana Caminiti
Perfume importado, gargantilha cravejada de cristais austríacos, camisa ou almofada com o escudo de times de futebol, chocolate importado. A lista não é de um consumidor comum, mas de produtos voltados para animais e que representam até 70% do faturamento de lojas de pet shop instaladas na Zona Sul do Rio. E o mercado não é tão atraente à toa. O Brasil tem a segunda maior população de bichos de estimação do mundo, e, segundo dados do IBGE, 63% dos brasileiros das classes A e B têm um animal de estimação.
Já a Associação Brasileira do Mercado Animal (ABMA) estima que o mercado gire R$ 15 bilhões ao ano, com crescimento anual entre 25% e 30%. Ainda de acordo com a ABMA, os gastos mensais, per capita, com animais domésticos por ano, giram em torno de R$ 380.
Há mais de 10 anos nesse mercado, o empresário Luiz Pereira, dono da rede Pet From Ipanema, lembra que, até os anos 80, as lojas trabalhavam com produtos agropecuários e avicultura, mas depois foram mudando o mix de produtos e o conceito passou a ser de butique para animais de estimação.
É cada vez mais comum encontrar artigos sofisticados em pet shops. Cachorros e gatos gostam de coisa boa, como comer chocolate importado ou dormir em uma cama com todo o conforto. E tem donos que pagam por esse luxo, conta Pereira, que acaba de embarcar para os Estados Unidos, onde foi procurar por novidades.
Para o lojista, quem quiser ter sucesso no segmento deve estar sempre atento às novidades do mercado, ter um diferencial para oferecer ao cliente como um mix variado de produtos, por exemplo e escolher bem o local da loja. Lojas em shoppings têm mais chances de sucesso, porque além do grande fluxo de pessoas, há a questão da segurança e da compra de impulso.
Pet From Ipanema: (21) 2523-2717
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7:57 AM by Cassiano Leonel Drum
Já que é terça-feira e está muito frio aqui pela portinho, nada melhor para aquecer que ler, e assim meus amigos aí estão uma série de crônicas para vocês se degustarem hoje e que tenham um ótimo dia de inverno, pelo menos por aqui pelo sul desse Brasil.
Cláudio Moreno
06/07/2004
Mas ela continua
Foi na ilha de Creta, a terra do Minotauro, que o homem voou pela primeira vez. Dédalo, o famoso arquiteto que construiu o labirinto, era prisioneiro do rei Minos, e resolveu fugir daquela ilha, ele e seu filho Ícaro. Cercado pelas ondas, vigiado pelo tirânico rei, Dédalo decidiu disputar com os pássaros os transparentes caminhos do céu.
Para isso, aplicou-se numa arte até então desconhecida: o filho juntou nos rochedos as penas que as aves marinhas deixavam cair nos seus ninhos e ele, o grande artesão, foi unindo uma a uma, primeiro com fios de linho, depois com a cera da abelha, até completar dois pares de asas, grandes o bastante para sustentá-los. Antes de alçar vôo, no entanto, Dédalo deu a Ícaro o conselho de um homem experiente: "Se desceres demais, a água do mar vai deixar tuas asas pesadas; se subires muito, o calor do sol vai derreter a cera e as penas se soltarão. Mantém-te no meio termo!".
Pai e filho, então, com um pequeno impulso, ergueram-se contra o azul do céu, e neste momento - conta-nos Ovídio -, foram vistos por um pescador, por um pastor e por um camponês, que pensaram que eles eram verdadeiros deuses que voltavam para o Olimpo. Talvez Ícaro tenha pensado o mesmo, deixando-se empolgar pela sensação de leveza; foi subindo cada vez mais, embriagado pelo prazer de voar, até que o previsto ocorreu: a cera se derreteu e as asas se desfizeram, fazendo-o precipitar-se nas águas profundas do mar.
Quem enxergou esta cena com olhos bem diferentes foi Bruegel, o Velho, o grande pintor flamengo, que nos deu, em 1558, a sua versão desta queda. Os mesmos personagens de Ovídio estão lá, é verdade, mas é outra a sua atitude. Numa ampla paisagem que se abre sobre o mar, vista do alto de um monte, aparece em primeiro plano o camponês, absorto em manejar seu arado.
Em seguida aparece o pastor, apoiado em seu cajado, descansando entre as ovelhas; mais abaixo, junto à água, o pescador observa suas linhas. No fundo, num vasto mar verde-claro, povoado de navios, ilhas e cidades longínquas, vemos apenas as pernas de Ícaro, no momento exato em que seu corpo é tragado pelo oceano.
Talvez tenham ouvido seu grito, mas não lhe dão importância. Um jovem - coisa inaudita! - acaba de cair do céu, mas o camponês olha o chão, o pastor vira-lhe as costas e o pescador não parece nem um pouco curioso com as penas que se espalham sobre as ondas. Um sol eterno ilumina o horizonte, e um vento favorável enfuna as velas dos navios, que seguem seu caminho nesta imensidão verde-azulada - a lembrar-nos, neste instante, daquelas duas palavras que resumem a única certeza que podemos ter sobre a vida: ela continua.
claudio.moreno@zerohora.com.br
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7:54 AM by Cassiano Leonel Drum
Liberato Vieira da Cunha
06/07/2004
A Porta do Enigma
Há, num lugar que freqüento, o que apelido de a Porta do Enigma. Se me volto para ela distraído, parece inclinada, contra todas as leis da arquitetura e, suponho, da física. É um mistério indecifrável, pois as esquadrias, as dobradiças, as paredes, a própria antiga mansão em que se contém deveriam ser igualmente tortas, o que, asseguro, não ocorre. Uso óculos desde os nove anos e poderia atribuir esse permanente desafio ao equilíbrio da Terra à minha visão, que não se compara exatamente à de um lince.
Não me animo a perguntar aos outros se também notam o prodígio. Elegi essa Porta do Enigma como um tipo de símbolo dos desconcertos do mundo. Pouco importa se apenas eu a considere empenada, prisioneira de razões que a razão desconhece. É uma espécie da imagem das imagens que você e eu e provavelmente meia humanidade costumam embaralhar bem no íntimo.
Já que não fui agraciado com a menor vocação para filósofo, prefiro me deter aqui numa das trivialidades que me sugere o fenômeno.
Você está convicto de que certo problema que o atormenta, roubando-lhe o sono e seqüestrando-lhe o humor, é o mais angustiante do mundo. Mas o mundo gira e os problemas passam. Por 24 horas, por uma semana, por dois meses, está absolutamente convicto de que enfrenta a incompreensão da humanidade, a indiferença do próximo, o alheamento daqueles a quem chama de amigos. Você se imagina refém de uma solidão devastadora, de uma irremediável orfandade.
Mas aí quem menos espera lhe estende a mão. Ou então você descobre que, feito as árvores que se desnudam no inverno, há invariavelmente um setembro que as reveste de cores e de frutos. Você nota, onde antes havia sombras e frio e desolação, uns reflexos de luz e calor. E renasce e percebe em seu coração e em sua mente energias insuspeitadas. Seus dramas de repente se afiguram mínimos e de novo celebra a paz consigo e sua circunstância.
Não estou narrando nenhum conto de fadas. Já assisti a algumas dessas ressurreições. Já provei até uma que outra. Elas existem, elas são reais como os pássaros, os astros, os oceanos.
Não quero desvendar os segredos da Porta Enigmática. Gosto no entanto de refletir sobre seu enviesado, inexplicável perfil.
Aquela porta é uma aliciante metáfora da vida. Aquela porta abre-se e fecha-se. E embora em desafio à simetria, seus mecanismos não se curvam nem se vergam e o trinco obedece à chave e ambos protegem há séculos o velho solar de que falei no início desta crônica.
Assim somos nós, toscos objetos, construídos à semelhança da harmonia do universo, desde que, a cada inverno, não duvidemos da vinda da primavera.
liberato.vieira@zerohora.com.br
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7:52 AM by Cassiano Leonel Drum
Moacyr Scliar
06/07/2004
A comunicação como pesadelo
Fiquei impressionado com a quantidade de e-mails e recados que recebi em função de minha coluna sobre Simon, aquele programa de computador americano ativado pela voz que, tentando ajudar os passageiros de uma companhia aérea a resolver os seus problemas, dá-nos a sensação de estarmos vivendo em uma realidade fantasmagórica, o reino do Big Brother. Esta sensação, pelo jeito, é partilhada por um grande número de pessoas.
A Adriana Schnell distribuiu na Ritter dos Reis cópias da coluna para mostrar como as pessoas buscam sensibilidade e humanismo. O Werner Schumacher aproveitou para contar uma história surrealista: num aeroporto americano, ele teve de preencher um minucioso formulário sobre bagagem. Ele não tinha bagagem alguma, mas a funcionária manteve-se inflexível e exigiu o formulário. A Tania Couto e a gentil Maria Helena, da Varig, perguntaram se eu achei a bagagem. Achei, sim. Primeiro que o Simon.
A verdade é que estamos inextrincavelmente enredados numa rede de comunicações: cartas, e-mails, mensagens telefônicas. Com o celular, estamos ao alcance de todos, a qualquer hora do dia e da noite. Não existe instrumento mais invasivo que o telefone; é só ele soar - e sempre soa de maneira insistente -, largamos tudo o que estamos fazendo para atender.
Lembro um assessor do secretário da Saúde que queria falar com seu chefe, mas não conseguia furar a barreira formada por outros assessores; só conseguiu o seu objetivo quando, da sala ao lado, ligou para o número particular do secretário. As pessoas que ligam muitas vezes não se dão conta de sua intromissão; a elementar pergunta "Pode falar?" raramente é usada. E as ligações agora se ampliaram com o fenômeno do telemarketing.
Trata-se de alguém que nos liga e de imediato começa a explicar seu propósito, que é de vender alguma coisa. O texto, evidentemente memorizado e recitado de forma ininterrupta, irrita muita gente, e imagino os desaforos que os telemarqueteiros devem ouvir, o que certamente lhes reserva um lugar no Céu (onde não há telefone). São muito comuns, a propósito, as ofertas das companhias telefônicas.
Quando o serviço era estatal tal não acontecia, porque não havia concorrência e também não havia muito a ofertar em termos de tecnologia. Mas hoje as ligações acontecem, e com elas as ofertas mais variadas. Esses dias estava preparando uma aula quando fui interrompido pelo telefone. "Aqui é da Portugal Telecom", disse uma agradável voz feminina. Respondi que, se se tratava de alguma oferta, eu não estava interessado.
A moça hesitou e disse que sim, que de certo modo se tratava de uma oferta: a Portugal Telecom queria me convidar para fazer parte do júri de seu já famoso prêmio literário, o que é uma distinção. Já na qualidade de jurado, pedi desculpas e tive de reconhecer: nem sempre que o telefone toca é o telemarketing chamando.
scliar@zerohora.com.br
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7:50 AM by Cassiano Leonel Drum
Paulo Sant'ana
06/07/2004
Queixas e providências
Está correndo solto o abigeato no Estado. Em São Luiz Gonzaga, em uma só noite, foram furtados de uma fazenda 80 vacas e um touro.
Dias depois, foram furtados 17 touros charoleses do mesmo criador.
Com a crise socioeconômica que nos assola, era natural que a onda de assaltos, roubos de toda a espécie e furtos se alastrasse para o Interior.
Aqui na Grande Porto Alegre já na manhã de ontem o noticiário estava repleto de assaltos, mais um entre os quase 20 que já ocorreram contra as bilheterias do Trensurb este ano, lotéricas, postos de gasolina etc.
A impressão que se tem é de que multidões de pessoas que antes não aderiam ao crime se atrevem já a integrá-lo, mediante uma falência da repressão e da prevenção das polícias atarantadas por tantas reclamações e queixas.
Já não há ninguém mais em Porto Alegre que não tenha sido assaltado ou então tenha tido parentes ou conhecidos atacados.
Os moradores da Cidade Baixa reclamam periodicamente aos jornais pelos assaltos e furtos que ocorrem diariamente no bairro e clamam por segurança.
O tenente-coronel Jorge Barcellos, comandante do Policiamento da Capital, em correspondência enviada a esta coluna, admite a ocorrência de inúmeros assaltos a pedestres e a residências da Cidade Baixa, assim como de furtos e reclamações dos moradores contra perturbação de sossego no interior e derredor de casas noturnas.
Mas diz o comandante que tem um alento para os moradores e freqüentadores da Cidade Baixa: segundo o coronel, o 9º BPM vem empreendendo esforços para minimizar esses graves problemas.
Entre as ações da polícia ostensiva naquele território, enumera o oficial que três viaturas fazem o patrulhamento da Cidade Baixa durante as 24 horas do dia. Há moradores que reclamam justamente da ausência dessas viaturas. Mas o coronel afirma que elas estão lá permanentemente em ação.
Diz mais: que duas duplas de brigadianos ciclistas fazem a ronda no bairro, com ênfase para as escolas e comércio, das 7h às 19h. E que duas motocicletas tripuladas patrulham os principais eixos da Cidade Baixa, diariamente, das 9h às 17h.
Acrescenta ainda que as Patrulhas Tático-Móveis (Patamo) cobrem a área comercial e bancária da Cidade Baixa durante o dia, tendo como foco durante a noite os bares e casas noturnas.
Além disso, é feito "policiamento" nas ruas. Não sei o que significa isso, mas presumo que sejam alguns agentes fardados a pé, cuja ausência é reclamada veementemente pela população.
Assevera ainda o chefe do CPC que diariamente, em todos os turnos, são feitas barreiras para fiscalização em ônibus, táxis-lotação, táxis e pedestres, visando a apreender armas e prender foragidos. Somente nos meses de maio e junho foram apreendidas três armas, 16 munições variadas, 21 gramas de maconha, seis papelotes de crack e sete buchas de cocaína. Parece pouco, mas é o relatório do coronel para esta coluna, que informa que no período de janeiro até hoje a BM registrou 1.006 ocorrências na Cidade Baixa, resultando em 63 pessoas presas, um número agora então alentador.
Mas só o gesto do comandante do CPC em prestar contas à população, através desta coluna, já é elogiável.
Pressupõe que a atenção do policiamento à Cidade Baixa vai se intensificar. Não deixe cair, coronel. O policiamento tem também que se comunicar.
psantana.colunistas@zerohora.com.br
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7:45 AM by Cassiano Leonel Drum
Governo Federal
Solenidade no Planalto fortalece José Dirceu
Ao lado de José Alencar (E) na reunião ministerial, Lula diz que governar é a arte de ter paciência e José Dirceu (D) apresenta balanço positivo que deve pautar o discurso dos candidatos do PT (foto Jamil Bittar, Reuters/ZH)
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Segunda-feira, Julho 05, 2004
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7:51 PM by Cassiano Leonel Drum
O Nó do Afeto
Em uma reunião de pais, numa escola da periferia, a diretora ressaltava o apoio que os pais devem dar aos filhos; pedia-lhes também que se fizessem presentes o máximo de tempo possível...
Ela entendia que, embora a maioria dos pais e mães daquela comunidade trabalhassem fora, deveriam achar um tempinho para se dedicar e entender as crianças.
Mas a diretora ficou muito surpresa quando um pai se levantou e explicou, com seu jeito humilde, que ele não tinha tempo de falar com o filho, nem de vê-lo, durante a semana, porque, quando ele saía para trabalhar, era muito cedo, e o filho ainda estava dormindo...Quando voltava do serviço, já era muito tarde, e o garoto não estava mais acordado.
Explicou, ainda, que tinha de trabalhar assim para prover o sustento da família, mas também contou que isso o deixava angustiado por não ter tempo para o filho e que tentava se redimir, indo beijá-lo todas as noites quando chegava em casa. E, para que o filho soubesse da sua presença, ele dava um nó na ponta do lençol que o cobria. Isso acontecia religiosamente todas as noites quando ia beijá-lo. Quando o filho acordava e via o nó, sabia, através dele, que o pai tinha estado ali e o havia beijado.
O nó era o meio de comunicação entre eles.
A diretora emocionou-se com aquela singela história e ficou surpresa quando constatou que o filho desse pai era um dos melhores alunos da escola. O fato nos faz refletir sobre as muitas maneiras de as pessoas se fazerem presentes, de se comunicarem com os outros. Aquele pai encontrou a sua, que era simples, mas eficiente. E o mais importante é que o filho percebia, através do nó afetivo, o que o pai estava lhe dizendo.
Por vezes, nos importamos tanto com a forma de dizer as coisas e esquecemos o principal, que é a comunicação através do sentimento; simples gestos como um beijo e um nó na ponta do lençol, valiam, para aquele filho, muito mais do que presentes ou desculpas vazias. É válido que nos preocupemos com as pessoas, mas é importante que elas saibam, que elas sintam isso.
Para que haja a comunicação é preciso que as pessoas "ouçam" a linguagem do nosso coração, pois, em matéria de afeto, os sentimentos sempre falam mais alto que as palavras.
É por essa razão que um beijo, revestido do mais puro afeto, cura a dor de cabeça, o arranhão no joelho, o medo do escuro.
As pessoas podem não entender o significado de muitas palavras, mas sabem registrar um gesto de amor. Mesmo que esse gesto seja apenas um nó... Um nó cheio de afeto e carinho.
E você, já deu algum nó afetivo hoje?
Autor desconhecido
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7:44 PM by Cassiano Leonel Drum
Paulo Coelho
Eu nunca viajei à China, mas a China já viajou muitas vezes até minha alma. Através de seus contos, seus livros, seus provérbios, seus filósofos, este país vem dando uma colaboração ímpar à cultura humana. A seguir, algumas histórias da tradição chinesa:
Do arrependimento sincero
O monge Chu Lai era agredido por um professor que não acreditava em nada do que ele dizia. Entretanto, a mulher do professor era seguidora de Chu Lai - e exigiu que seu marido fosse pedir desculpas ao sábio. Contrariado, mas sem coragem de contrariar a mulher, o homem foi até o templo e murmurou algumas palavras de arrependimento. "Eu não o perdôo", disse Chu Lai. "Volte ao trabalho".
A mulher ficou horrorizada: "Meu marido se humilhou, e o senhor - que se diz sábio - não foi generoso!" Respondeu Chu Lai: "Dentro de minha alma não existe nenhum rancor. Mas, se ele não está arrependido, é melhor reconhecer que tem raiva de mim. Se eu tivesse aceito seu perdão, íamos estar criando uma falsa situação de harmonia - e isto aumentaria ainda mais a raiva de seu marido."
Carregando o que já foi deixado para trás
Chu e Wu voltavam para casa, depois de uma semana de meditação no mosteiro. Conversavam sobre como as tentações se colocam diante do homem. Chegaram à margem de um rio. Ali, uma bela mulher esperava para poder atravessar a correnteza. Chu pegou-a nos braços, carregou-a até a outra margem e continuou sua viagem com o amigo. A determinada altura, Wu disse: "Conversávamos sobre a tentação, e você pegou aquela mulher no colo. Deu oportunidade para o pecado instalar-se em sua alma".
Chu respondeu: "Meu caro Wu, eu agi naturalmente. Atravessei aquela mulher e a deixei na outra margem do rio. Mas você continua carregando-a em seu pensamento - e por isso está mais próximo do pecado".
O lado bom sempre escuta
Quando ia para o lago, Confúcio sempre passava por determinada casa, e parava para conversar sobre o jardim da varanda, que era o orgulho do proprietário. Às vezes, o homem estava bêbado, mas Confúcio fingia não prestar atenção ao fato, e continuava a falar do jardim. Num dia em que o homem estava muito embriagado, um discípulo disse: "Ele não escuta, porque sua alma está cheia de álcool".
Confúcio respondeu: "Uma pessoa só consegue se desenvolver sabendo que tem um lado bom. Mesmo nos momentos de fraqueza, é preciso chamar a atenção para este lado. Então, eu converso sobre a beleza de seu trabalho como jardineiro, e, em algum canto de sua alma, ele me escuta. Assim consigo evitar que a culpa destrua sua vontade de seguir o caminho".
Reflexão
(Tradução livre de um trecho do Tao Te King)
"Há algo simples e natural
que já existia antes do céu e da terra,
e continua presente, sem mudar de forma,
mesmo que não possa ser medido.
Sua virtude é suprema, e sua direção é adiante.
Seguir adiante significa: ir longe.
Ir longe, significa: retornar à origem.
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6:34 AM by Cassiano Leonel Drum
Luis Fernando Verissimo
05/07/2004
Alvos e erros
Segundo o Tutty Vasques, a diferença entre o Clinton e o Bush é que quando o Clinton errava o alvo só acertava o vestido da moça. Historicamente, não foi bem assim: o Clinton também acertou outras coisas que não devia, como um laboratório no Sudão que não era o que se pensava e (ups!) uma embaixada chinesa em Belgrado. Mas nada comparável, em repercussão, ao vestido da moça. Já qual era o alvo que o Bush errou no Iraque, ou se errou, será discutido por muito tempo.
Os alvos declarados - as armas de destruição em massa disponíveis para o terror mundial e o arsenal nuclear operacionável em 45 minutos - não existiam. O objetivo era apenas bons negócios pós-guerra para o Cheney e seus favorecidos e para os petroleiros patrocinadores da sua carreira e do seu governo? Por favor, cinismo não.
Era só a gana de pegar o Saddam? Não se sabe quantos morreram naqueles bombardeios humanitários iniciais da guerra, quando tentaram matar o homem "de primeira". Erraram, e continua morrendo gente numa guerra que começou com mentiras e só acabou de mentira. E o Saddam continua aí, agora com um púlpito.
O alvo maior dos ideólogos neoconservadores do governo Bush, de controlar a região e seus recursos para a potência americana, seria o mais plausível e até o mais defensável, em termos de realpolitick, conhecido eufemismo para amoralismo prático, de todos. Mas errar esse alvo também seria o maior desastre de todos. Um desastre com precedentes. O resultado da intervenção americana no Irã, quando derrubaram o Mossadegh para instalar o Xá, foi a teocracia dos aiatolás - a que os americanos acabaram tendo que escalar o Saddam, que já era um ditador sanguinário, mas um ditador sanguinário conveniente, para enfrentar.
Como tudo isso vai acabar ninguém sabe, mas pode muito bem acabar em ironia. E ironia histórica, o pior tipo. Com o Iraque governado por aiatolás fundamentalistas e, quem sabe, um Irã secularizado aliando-se aos americanos para contê-los.
Mas, enfim, dizem que só tem petróleo na região para mais uns 40 anos.
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6:32 AM by Cassiano Leonel Drum
Nei Lisboa
05/07/2004
Levando longe demais
Foi uma semana de sequestros-relâmpago na Cidade Baixa e no Bom Fim e também de tiroteio entre PMs e assaltantes aqui na Auxiliadora. Sempre que isso acontece, sempre que a violência respinga em redutos e personagens outros que não os habitualmente freqüentados por ela, acende-se um sinal de alerta.
"A coisa está chegando perto demais de nós", foi a frase que mais ouvi e que também pronunciei. Mas que "coisa" é essa senão a mera realidade? E quem seremos "nós", então, que sonhamos estar a salvo dela?
Se o cidadão é por acaso um jovem negro pobre, morador da periferia de uma grande cidade brasileira, ninguém precisa lhe dizer que a "coisa" está realmente muito por perto. No Brasil, quarto país do mundo no ranking de homicídios, o tráfico mata e muito, a polícia mata e muito, mas os alvos são pouco diferenciados entre si.
Se tomarmos apenas a porção abastada da sociedade, se analisarmos o Rio de Janeiro a partir do Leblon e de São Conrado, os índices são quase insignificantes. Em favelas logo ali ao lado, ultrapassam os da Colômbia, país em guerra civil declarada.
Isso não é de hoje, claro, há décadas essa situação vem se acirrando, e talvez por isso mesmo produza cada vez menos comoção pública, contanto que se restrinja ao seu mundo morro acima.
Quando por instantes desce ao asfalto, quando uma bala perdida atinge algum de "nós" - aí então o horror, o ápice inaceitável da violência, a cobrança de que o Estado tome providências urgentes. Afinal de contas, é essa a função primordial da polícia brasileira, manter os miseráveis longe dos portões do castelo a qualquer preço.
Mas o Estado, sempre cego e incompetente no trato desse mingau de cultura fervilhante, ali nem sequer apita mais, e a polícia cumpre a destinação que lhe deram simplesmente atirando antes de perguntar e corrompendo-se para melhor sobreviver. Acreditar que tal situação perdure indefinidamente, sem que o mingau escorra pela borda da panela e morro abaixo, é pura ingenuidade. Ou obstinação doentia.
Se a elite brasileira aceitasse entregar um mínimo que fosse dos seus anéis para não perder os dedos, se houvesse reles meia intenção séria de uma distribuição de renda justa, de investimento social, de educação como prioridade, de paulatina inclusão dessa maioria absoluta da população brasileira que vive entre a pobreza e a miséria, então já estaríamos trilhando o caminho do desarme e da não-violência. Do contrário, ninguém tem como se queixar de que ela esteja se aproximando, nós é que estamos levando a coisa longe demais.
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6:30 AM by Cassiano Leonel Drum
Paulo Sant'ana
05/07/2004
O jogo das Termópilas
Quero agradecer do fundo do coração às milhares de pessoas, a maioria de mulheres, que foram assistir ao Roberto Carlos, sábado, no Gigantinho, pelas homenagens que me prestaram antes do show.
Aqueles aplausos gerais e aquela vontade de me ver de perto, todo aquele inesperado reconhecimento caloroso à minha entrada no ginásio, causaram-me profunda emoção e serviram para que eu ache definitivamente que vale a pena a atividade de comunicação com o público.
No fim do show, pela gentileza do Dodi, ainda tinha a inhapa de conhecer de perto essa figura impressionantemente simpática do Roberto Carlos no camarim.
Eu tinha tanto que lhe falar/
Mas com palavras não sei dizer.
Obrigado.
Que estupendo jogo de futebol foi Portugal x Grécia! Os locais atirando-se ao ataque para justificar o favoritismo e a força da ambiência, os gregos notáveis na defensiva e com uma capacidade de contra-atacar impressionante.
Que vigor físico dos gregos, que ciência nos desarmes, que vocação para os passes em profundidade, que firmeza na solidariedade técnica entre os jogadores campeões!
Antes do gol grego, eu já pensava, deitado em casa: "A Grécia é melhor que Portugal", tal a harmonia e o equilíbrio das linhas do seu time.
Luiz Felipe já é um treinador consagrado, campeão mundial pelo Brasil, vice-campeão europeu por Portugal.
Mas se tivesse vencido ontem teria sido inscrito como o maior treinador de futebol de todos os tempos. Sair daqui do Brasil campeão mundial de seleções, ir aventurar-se em Portugal num time fraco e ganhar o título europeu seria façanha para um Hércules.
Eu vendo aquela tristeza do público português no estádio após o jogo, pensava comigo que por isto o futebol é embriagador: ele repete a vida, há dias de sucesso e outros dias de profunda frustração. O futebol tem como ingrediente também a esperança, que é a linha de espreita da alegria. E causa tensão e nervosismo, como a vida, porque pode estar implícita nele ali adiante a tristeza depressiva do fracasso.
Como na vida, tudo no futebol pode se decidir num detalhe, um gol supressivo de bola aparada de cabeça, vinda de um escanteio, como ontem, uma incidência banal do jogo acaba decidindo-o.
E quantas vezes para nós, na vida, surpreendemo-nos a lutar somente para manter o resultado, como fizeram ontem os gregos bravamente depois do um a zero, igualzinho aos seus 300 compatriotas que resistiram no Desfiladeiro das Termópilas ao exército persa de 2 milhões de homens comandado por Xerxes.
A vida é como o jogo de ontem, uns lutam para manter o resultado, outros para tentar desmanchá-lo.
Eu, como o poeta gauchesco do poema Galo de Rinha, sou um conformado: "Porque na rinha da vida/ já me bastava o empate".
psantana.colunistas@zerohora.com.br
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6:28 AM by Cassiano Leonel Drum
Segundo Caderno
O trovador do Rio Grande
No mês dos 85 anos de nascimento de Gildo de Freitas, sete CDs relembram um dos maiores trovadores do Estado. Sua viúva, Jurema (E, ao lado de foto do cantor), conta que ele chegou a formar dupla com Teixeirinha (foto Paulo Franken/ZH)
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6:22 AM by Cassiano Leonel Drum
O cérebro de Esponja
Roteirista do sucesso Bob Esponja é a cara do Patrick e vem ao Brasil para Festival Anima Mundi
Rubia Mazzini
Prestes a chegar ao Rio para participar do 12º Anima Mundi ¿ Festival Internacional de Animação do Brasil, que começa sexta-feira no Centro Cultural Banco do Brasil, o roteirista norte-americano Tim Hill falou ao DIA sobre seu trabalho em Bob Esponja, desenho animado que ajudou a conceber e no qual hoje atua como editor. Ele também é um dos roteiristas do aguardado Bob Esponja, o Filme, a primeira incursão do personagem no cinema, que tem estréia programada para novembro nos Estados Unidos e dezembro no Brasil.
Nascido na Califórnia, onde ainde vive, Tim Hill estudou Literatura Francesa e Teoria Cinematográfica antes de começar a escrever roteiros para animações, há oito anos. Ele já trabalhou para a MTV americana e é roteirista de Kenny, the Shark, do Discovery Channel. Também são dele a direção de Whoopi¿s Littleburg, um programa de bonecos estrelado pela atriz Whoopi Goldberg, e dos filmes Muppets from Space e Max Keeble¿s Big Move.
Também sou um horticultor famoso internacionalmente e apicultor amador. Minha grande paixão, no entanto, é a pintura díptica do século 20. A segunda é cerveja, conta o artista, confirmando que só mesmo um sujeito com senso de humor poderia criar as maluquices protagonizadas por Bob Esponja Calça Quadrada, Patrick Estrela, Lula Molusco e outras figuraças que habitam a Fenda do Bikíni.
O DIA Quando você começou a trabalhar com Stephen Hillemburg (o biólogo marinho que criou Bob Esponja)?
TIM HILL Comecei a trabalhar com Steve num cartoon chamado A Moderna Vida de Rocko. Depois, trabalhei com ele bem no começo de Bob Esponja, ajudando-o a criar as características dos personagens que ele já havia concebido. Nessa época Steve morava numa barraca à beira de uma estrada, então foi uma coisa boa o Nickelodeon (canal de TV por assinatura ter comprado a idéia dele. Agora Steve mora numa barraca em Beverly Hills (o bairro das estrelas de cinema em Los Angeles).
De onde vem a inspiração para criar aqueles episódios loucos de Bob Esponja?
Na verdade não criamos roteiros. Escrevemos premissas e esboços e depois trabalhamos com os artistas enquanto eles desenham as cenas. Muito do que você vê vem da mente desses talentosos animadores. A inspiração vem de muitos lugares. Mas eu acho que se você beber muito café e chegar atrasado no trabalho já está um passo à frente.
Você sabia que Bob Esponja é um dos desenhos mais populares hoje no Brasil?
Não, não sabia disso. Sinto muito que ele esteja corrompendo a sua cultura, mas essa é uma das vicissitudes da globalização. Você sabia que o churrasco brasileiro é muito popular nos EUA? Talvez nós devêssemos fazer uma história em que o Bob e o Patrick provassem churrasco brasileiro pela primeira vez e ficassem doidões, tivessem delírios por causa da carne. Acho que isso mostra um pouco como vem a inspiração... Obrigado pela idéia.
Por que você acha que há tantos adultos fãs do desenho e não apenas crianças?
Obviamente os adultos têm tempo demais para gastar. Eles não deveriam ver tanta TV. Deveriam apenas trabalhar, reclamar, voltar para casa, dormir e fazer isso tudo de novo no dia seguinte. Bom, essa é a minha compreensão da vida adulta. Mas, falando sério, acho que o programa tem um apelo amplo, ele não foi pensado como uma atração infantil.
Steve criou o programa que ele queria fazer e deu certo. Também acho que o Bob é um personagem ingênuo num mundo que está cada vez mais cínico. Ele prova que a felicidade que vale vem de dentro. Ou alguma coisa do tipo. Talvez Bob Esponja devesse criar a sua própria religião. Acho que ganharia muito dinheiro com isso.
Fale um pouco sobre Bob Esponja, O Filme.
Eu realmente não posso falar sobre o filme, porque assinei um pedaço de papel que diz que serei processado se o fizer. Mas adianto que Bob e Patrick serão as estrelas e que terão um conflito para resolver. Isso é muito genérico, mas é o melhor que posso fazer. Desculpe-me.
Você está vindo ao Brasil pela primeira vez? Tem idéia do que vai encontrar?
É, nunca estive no Brasil. Estou ansioso pela viagem. Espero experimentar a mundialmente conhecida hospitalidade de vocês. Sei que vou chegar aí no inverno, mas não estou bem certo sobre o que isso significa.
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6:18 AM by Cassiano Leonel Drum
Rubro-Negro sacode a poeira
Fla goleia Paysandu, melhora sua posição na tabela, e tenta esquecer o fracasso na Copa do Brasil
Janir Júnior
Do inferno ao céu em apenas um jogo. Nada melhor do que uma goleada de 4 a 1, e de virada, para o Flamengo exorcizar o trauma da tragédia que representou a perda do título da Copa do Brasil para o Santo André, em pleno Maracanã abarrotado de rubro-negros. A vitória sobre o Paysandu, ontem, no Raulino de Oliveira, em Volta Redonda, ameniza o carregado ambiente na Gávea já se falava na saída do técnico Abel Braga.
Para quem reclamava de não ter bons atacantes, o Flamengo parece ter descoberto dois bons valores (Marcelo, que atuou pela primeira vez como titular, e Whelliton, estreante) e recuperado outro (Jean voltou a fazer gol após jejum de 77 dias).
A pequena torcida pôde fazer tudo o que não fez diante do Santo André: gritou olé, comemorou quatro gols, festejou... Com o resultado, o Flamengo melhorou sua posição no Campeonato Brasileiro: é o 21º colocado.
Mas o primeiro tempo do Flamengo foi sofrível. Anestesiado, o time assistiu ao Paysandu jogar. Logo a 1 minuto de partida, Balão chutou para fora na frente do goleiro Diego. Pouco depois (aos 6), Henrique cometeu pênalti em Alonso, não marcado pela arbitragem. A persistência do Papão deu resultado: Bebeto Campos abriu o placar, aos 38, pegando rebote de Diego após chute de Balão. A defesa rubro-negra ficou olhando os atacantes adversários tocarem a bola. E Balão ainda mandou uma bola no travessão, aos 42.
Atordoado, o Flamengo retornou para o segundo tempo com Rafael no lugar de Reginaldo Araújo e com Whelliton na vaga de Íbson. Tudo conspirava contra o Rubro-Negro, até que Sandro acertou Jean sem bola e foi expulso, nos primeiros minutos. Aí, a partida mudou de história. O Flamengo acordou e, com dois gols praticamente seguidos, virou a partida: Roger fez aos 9, e Whelliton, aos 11. Animado, o time seguiu mandando no jogo e marcou mais dois gols: Jean, aos 21; e Marcelo, aos 22. Estava decretada a ressurreição da equipe da Gávea.
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6:14 AM by Cassiano Leonel Drum
Diplomacia
Missão em Timor
Como brasileiros ajudam a reconstruir um país em cinzas
Humberto Trezzi
Enviado Especial/Dili
São do Brasil os soldados que patrulham a fronteira e impedem a luta armada entre os dois Timor, o Leste (cristão e agora independente) e o Oeste (muçulmano e pertencente à Indonésia) (foto Humberto Trezzi/ZH)
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Domingo, Julho 04, 2004
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6:35 PM by Cassiano Leonel Drum
A felicidade tem pressa!
Qual será o mistério que envolve os encontros humanos? Porque amamos este e não aquele? Porque deixamos de gostar? Tudo bem, encontrar a felicidade e a auto-realização é uma trajetória individual e cada um deve trilhar esse caminho sozinho.
Mas para isso, é preciso que cada pessoa se permita ser feliz, descubra seus desejos e resgate o afeto perdido desde o momento em que deixou de tomar atitudes positivas, passou a viver por viver, se deixou levar, perdeu seus objetivos, nunca mais sonhou. E o pior: o tempo passou e você nem se deu conta de como está infeliz.
Mas um dia você acorda, se olha no espelho e se pergunta: o que eu fiz da minha vida? A quantas anda sua auto-estima? (o que é isso mesmo?). E tenta virar o jogo.
Então vamos lá: chega de viver entre o medo e a raiva. Chega de negociar com sentimentos e sensações. O medo é inimigo, só existe na sua cabeça. É preciso começar a trocar carícias, mostrar bons sentimentos, proporcionar prazer, a fazer com o outro todas as coisas boas que a gente tem vontade de fazer e não faz.
Mostrar o que é bom e nós costumamos esconder: a ternura, o encantamento, o carinho, a cooperação, a gentileza, a alegria, o romantismo, a poesia, a brincadeira. Deixe de ser muito sério, respeitável, comedido, contido, chato, restritivo. Já disse Caetano: "Gente é pra brilhar!". E eu completo: é também para amar, rir e ser feliz!
Marta Vicentin
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6:21 PM by Cassiano Leonel Drum
A vinte passos da aprovação
Professores apontam principais dicas para quem vai tentar vaga em concursos. Feira na Lapa oferece serviços só para os candidatos
Leila Souza Lima
Cursinhos estão com salas de aula lotadas. O anúncio de uma série de concursos públicos, boa parte ainda este ano, reacendeu em muitos a esperança em ter o contracheque no fim do mês, sem ameaça de desemprego. Todos gostariam de saber o grande segredo da aprovação.
Dois professores, Fábio Gonçalves, de Direito Administrativo, e Mauro Lasmar, que ensina Raciocínio Lógico Matemático, apontaram 20 dicas, mas nenhuma substitui a regra mais importante: muito estudo.
Esse crescente interesse nos concursos públicos também levou a Academia Brasileira de Educação e Cultura (Abec) e a Editora Ferreira a organizar a Primeira Feira do Concurso, quinta e sexta-feiras, na Fundição Progresso, nos Arcos da Lapa. No evento, o público poderá conhecer bancas examinadoras, obter informações sobre livros, assistir a palestras, além de participar de simulados.
Pouco conhecimento sobre as oportunidades
Segundo Fábio Gonçalves, também um dos organizadores do evento, outro objetivo é dar mais visibilidade aos concursos. Embora esse mercado venha crescendo muito, há pouco conhecimento sobre as oportunidades em oferta, observa. Em 2001, foram abertas mais de oito mil vagas só na esfera federal. Esse número saltou para 20 mil, em 2003, e, só até a primeira metade deste ano, soma mais de 22 mil já confirmadas, calcula Fábio.
Muitos conhecem o universo dos concursos públicos superficialmente e acabam descartando o que pode ser a chance de uma sólida carreira. As áreas de petróleo e meio ambiente, por exemplo, não estão restritas a técnicos, engenheiros e profissionais especializados. Formados em Direito têm excelente campo de trabalho nesses segmentos. E assim acontece com economistas, jornalistas, administradores e outros, além de profissionais com formação em Nível Médio.
Na opinião do diretor do curso, a procura por concursos aumentou devido ao desemprego, mas também porque os salários são pouco competitivos na iniciativa privada. Cargos médios pagam em torno de R$ 2 mil. Já os de Nível Superior oferecem remunerações médias de R$ 5 mil. É difícil achar uma empresa privada que pague esses valores, destaca Fábio.
Outra vantagem é a estabilidade. Alguns até abandonam o emprego privado, que até paga melhor, em troca da segurança do cargo público. Há casos em que nem precisam deixar de exercer a profissão, porque conseguem conciliar o consultório ou escritório com o cargo. Há até quem monte o negócio com a renda obtida após passar nas seleções, observa Fábio.
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