E N T R E L A Ç O S ENTRELAÇOS

INTERESSES DO BLOG
Vocês encontrarão aqui muitas figuras construidas em Flash, Fireworks, Swift3D e outros aplicativos. Encontrarão também muitas crônicas do Luiz Fernando Veríssimo, Martha Medeiros, Macaco Simão e de outros cronistas de jornais diários e de revistas semanais. Endereço para email: cassiano.leonel@terra.com.br e para observações e comentários utlize os links disponíveis nos próprios textos. Espero que ele seja útil a você de alguma maneira, pois esta é uma das razões dele existir.

Clique em baixo para ver um mapa da Rua Caldas Junior - PORTO ALEGRE





Escreva seu nome?

Escreva de onde você é?

Escreva seu E-mail?


SubmitFree: Submit to 25+ Search Engines for free !!!!

Seus olhos merecem estas paisagens
:: :: :: :: :: :: :: :: :: :: :: :: :: :: ::

on-line


:: :: :: :: :: ::


Visit W3Schools XHTML School


Support Peace Action!
BLOGS QUE EU RECOMENDO


:: :: :: ::
Ordem e Blogresso
OUTRAS PÁGINAS DO AUTOR

:: :: :: :: :: ::

SEMPRE HAVERÃO RELÓGIOS PARA MARCAR O TEMPO
:: :: :: :: :: :: ::
O Ponto de Encontro dos Blogueiros do Brasil
:: ::
::

:: ::

Arquivos

Powered by
Cassiano
[Powered by Blogger]
E N T R E L A Ç O S

Sábado, Julho 10, 2004




O amor é cego

Estudo revela que a paixão romântica suprime as atividades nas áreas do cérebro responsáveis pelo pensamento crítico
GABRIELA LITRE/ LA NACIÓN/GDA

Nossas avós já advertiam: o amor é cego. Agora, a ciência acaba de lhes dar razão. Pesquisadores da University College London (Grã-Bretanha) mostraram que os sentimentos amorosos levam à supressão da atividade nas áreas do cérebro que controlam o pensamento crítico. Basicamente, o cérebro decide reduzir nossa capacidade de avaliar o caráter e a personalidade do objeto do nosso afeto.

Os cientistas demonstraram que tanto o amor chamado "romântico" quanto o maternal produzem os mesmos efeitos no cérebro. Outro estudo da mesma universidade constatou que o amor também pode provocar reações químicas similares às da cocaína ou da alta velocidade. Em todos os casos, em seus estágios iniciais o amor deixa suas vítimas "flutuando nas nuvens".

Uma antiga fábula conta que a coruja suplicou à águia para que, durante suas caçadas, poupasse a vida de seus filhotes. Compadecida com o choro da coruja, a nobre águia exclamou: "Senhora, diga-me como são os seus filhos. Eu os reconhecerei e evitarei de comê-los". A coruja disse: "Não demorará a vê-los, majestade, são os bebês mais bonitos do bosque". A águia então escolheu os filhotes mais feios que encontrou, e os devorou. Eram os filhos da coruja.

A lição óbvia da história tem agora sustentação científica, já que o estudo demonstrou que a infeliz coruja não mentia, apenas acreditava com sinceridade no que dizia.

Como? Os cientistas escanearam o cérebro de 20 jovens mães enquanto elas observavam fotos de seus filhos, outras crianças conhecidas e amigos adultos. Em todos os casos, o padrão da atividade cerebral foi similar ao das pessoas enfeitiçadas pela paixão romântica: a eliminação quase total da apreciação crítica dos seres amados.

Tanto o estudo dos enamorados quanto o das mães registraram um incremento da atividade na área do cérebro conhecida como "sistema de recompensa". Quando essas zonas são estimuladas (com comida, bebida ou um bom salário, por exemplo), produzem sentimentos de euforia. Mas o que surpreendeu os pesquisadores foi a redução da atividade dos sistemas cerebrais necessários para realizar juízos negativos.

O mesmo estudo aplicado a animais produziu resultados semelhantes. O chefe da equipe de cientistas, Andreas Bartels, encontrou uma explicação simples para o fenômeno: é fundamental que o amor romântico e o maternal sejam vistos pelo cérebro como algo extremamente positivo. De outra maneira, a espécie deixaria de procriar.

- Nossa pesquisa permite concluir que o relacionamento humano utiliza um mecanismo para desativar as redes de avaliação social crítica e as emoções negativas e, ao mesmo tempo, une os indivíduos ao envolvê-los em um circuito de recompensa que explica o poder do amor para motivarmos e gratificarmos - explica Bartels.

Mas existe uma diferença entre o amor maternal e o romântico. Apenas o último eleva a atividade do hipotálamo, que controla as sensações de excitação sexual.

Os "estranhos" efeitos das flechas do Cupido não acabam aí. Um grupo de cientistas italianos, que analisou 12 mulheres e 12 homens que se apaixonaram nos seis meses anteriores, comprovou que os homens diminuíam seus níveis normais de testosterona - enquanto o das mulheres aumentava.

- Os homens, de alguma maneira, se tornaram mais parecidos com as mulheres, e as mulheres com os homens. É como se a natureza quisesse evitar o que poderia criar diferenças entre homens e mulheres, já que é tão importante que a relação sobreviva a essa etapa - diz Donatella Marazziti, cientista da Universidade de Pisa.

Os efeitos inesperados do amor não acabam aí. John Marsden, diretor do Centro Nacional de Adicção da Grã-Bretanha, diz que a dopamina (substância produzida pelo cérebro quando está estimulado) provoca os mesmos efeitos da cocaína e da alta velocidade.

- A atração é realmente como uma droga. O deixa querendo mais - diz Marsden.

Basicamente, o cérebro "se incendeia" quando a pessoa começa a falar com alguém que considera atraente. O coração começa a bater três vezes mais rápido do que o normal e bombeia mais sangue para as faces e para os órgãos sexuais, resultando no conhecido "frio no estômago".

Tal como ocorre com a cocaína e com a velocidade, o efeito é temporário, dura entre três e sete anos, no máximo. A partir daí, a relação depende de fatores muito mais profundos do que um conjunto de hormônios e caprichos cerebrais.

Comments:




Qual lâmpada usar?

Os gastos com iluminação correspondem em média a 30% da energia usada em uma residência. Com a escolha certa da lâmpada é possível reduzir esse gasto. O consultor em iluminação Antônio Carlos Mingrone, professor da Faculdade de Arquitetura da Universidade de São Paulo, explica cada modelo. E entrelaços trás essas dicas para você economizar e encontrar a melhor alternativa.

Pedro Rubens

Incandescentes

Emitem um tom de luz mais amarelado, apropriado para criar um clima aconchegante, principalmente em salas de estar, de jantar e quartos. Consomem mais energia que as fluorescentes e podem ter sua potência diminuída utilizando-se um dimmer. As do tipo spot são muito usadas na iluminação de espelhos e de closets.
Vida útil: 750 a 1 000 horas (modelo clássico)

Fotos J. Miranda

Fluorescentes
Cerca de 80% mais econômicas do que as lâmpadas incandescentes. São indicadas para locais que precisem de iluminação constante: as de tom branco na cozinha, lavanderia e escritório e as de tom amarelado nas salas e quartos. Para obter melhor efeito de iluminação é recomendado usar os modelos compactos com uma luminária com refletor adequado.
Vida útil: 10 000 horas

Fotos Jorge Butsuem

Halógenas
Lâmpadas incandescentes que funcionam com gases, os quais aumentam a durabilidade em até três vezes em relação às incandescentes comuns.

As halógenas refletoras servem para dar destaque a objetos e detalhes da arquitetura. As do tipo palito são muito utilizadas em arandelas e luminárias pequenas.
Vida útil: de 1 500 (bipino) a 3 000 horas (refletoras)


Dicróicas

Lâmpadas halógenas com facho de luz com abertura de 10 a 60 graus. Os ângulos menores são ideais para destacar objetos de arte. É revestida de um material refletor que reduz o calor excessivo produzido.

Precisam de transformador para funcionar na tensão da rede.
Vida útil: 2 000 a 5 000 horas




Comments:




Um namoro fenomenal

O amor entre Ronaldo e Daniella Cicarelli é lindo e muito lucrativo

André Rizek



Com um sorriso de 8 centímetros e outros atributos, Daniella encantou Ronaldo (ao lado, com a modelo), que, em nome do amor, corre todo dia. É preciso fôlego para ganhar a simpatia do sogrão

Com 1,79 metro de altura, quase 8 centímetros de boca (fechada) e um corpão de estremecer as passarelas, a modelo e apresentadora Daniella Cicarelli é uma sensação nacional. Agora, namorada oficial do jogador Ronaldo, prepara-se para ganhar também o mundo.

A mineira de 24 anos, que largou o curso de administração em Belo Horizonte para tentar a carreira de modelo em São Paulo, há tempos tenta lançar-se no circuito internacional. Dois anos atrás, contratou uma agência em Nova York para cuidar do assunto, mas, até o mês passado, o investimento pouco tinha rendido.

À exceção de uma capa na revista GQ alemã, em 2002, nunca havia estrelado uma campanha publicitária ou um catálogo de moda fora do país. Agora, tudo mudou. Na semana que vem, ela segue para Nova York, onde será fotografada para a capa da prestigiada Vanity Fair italiana e aproveitará para bisar a GQ alemã. Seu empresário, Caíco de Queiroz, garante que as fotos já estavam acertadas "meses antes" de o romance com Ronaldo pegar fogo.

No entanto, ele admite que o céu passou a ser o limite para sua cliente. "Essa celebração da mídia em torno dos dois vai ser incrível para a carreira dela", diz. A experiente empresária Mônica Monteiro, que cuida da carreira de Gisele Bündchen, vai mais longe: "O namoro vai torná-la conhecida mundialmente. Os europeus vão correr para saber quem é a Daniella", diz.

Já começaram. Segundo o Yahoo!, a apresentadora brasileira ocupa, desde o mês passado, o segundo lugar no ranking das personalidades mais procuradas no site da Espanha. No Brasil, o "efeito Ronaldo" também já se faz notar. A modelo, que cobrava 18.000 reais para dar o ar da graça (e que graça!) num evento, agora não levanta da cama por menos de 30.000.

De Creta, na Grécia, onde está com Ronaldo, Daniella se recusou a comentar o namoro. "Só digo que estou muito, muito feliz." Ronaldo também. Além de tatuar as iniciais "R" e "D" no pulso e permanecer colado na namorada feito chiclete durante os dias em que permaneceu no Brasil, o jogador deu a ela a suprema prova de amor ao cancelar o plano de usar as férias de verão para viajar com amigos.

Até conhecer Daniella, tinha tudo pronto para alugar um barco e partir para um animado cruzeiro entre Ibiza e Sardenha, o festivo circuito europeu freqüentado por playboys consagrados e modelos em ascensão. Alugou o barco, sim, mas para velejar ao largo da romântica ilha grega e com apenas uma modelo, sua amada Daniella. Foi ela quem escolheu o destino da viagem. Assim como é ela quem escolhe o restaurante em que os dois irão jantar e também quem determina que Ronaldo vai, sim, fazer dieta e correr todos os dias em sua companhia.

Amigos contam que na relação entre os dois predomina a seguinte dinâmica: Daniella manda e Ronaldo, feliz, obedece. No dia em que foi assistir à gravação do programa da apresentadora na MTV, por exemplo, o jogador, abordado nos corredores, aceitou fazer uma ponta no programa RockGol, da mesma emissora. Já se preparava para entrar no estúdio quando ouviu a bronca da namorada: "Se você não participa do meu programa, também não participa de nenhum outro!".

A resposta do Fenômeno, segundo quem a presenciou, foi: "Tá bom, Daniella. Não precisa falar assim". A apresentadora, contam amigos, também deixou claro que não vai tolerar os usuais "sumiços" com que o craque costumava surpreender suas ex-namoradas. Na primeira bola fora, avisou, o atacante leva cartão vermelho.

Se namorar Ronaldo, o superastro internacional, é ótimo para Daniella, namorar Daniella, triatleta e maratonista fanática, é muito bom para Ronaldo. O técnico Carlos Alberto Parreira já declarou que "a seleção brasileira agradece" à esportista e boa moça Daniella. O presidente da CBF, Ricardo Teixeira, fez coro dizendo que dará parte dos prêmios do time à apresentadora.

O staff do jogador também aplaude a relação. Afinal, para técnicos, empresários e patrocinadores, é muito melhor ver o atacante surgir na mídia no papel de namorado apaixonado que nas horas vagas aparece correndo e cuidando da forma ao lado da namorada sarada do que meio gorducho e preguiçoso, por causa das noitadas com o amigão e recém-separado Roberto Carlos, seu companheiro no Real Madrid.

Todo mundo contente, então? Bem, quase todo mundo. O empresário Antonio de Pádua, pai de Daniella, parece ser uma exceção. "O que eu acho de a Daniella namorar o Ronaldo? Não acho nada. É um grande atacante. É o que eu tenho a dizer sobre ele", declarou a VEJA. A amigos, Pádua diz que se preocupa com a imagem da filha, às voltas "com esse negócio de jogador de futebol" e todo o estigma que pesa sobre a categoria.

Ronaldo e Daniella já foram comparados ao casal Shrek e Princesa Fiona, os personagens do filme Shrek. Agora, o roteiro está completo. Como no desenho, o craque vai ter de suar para convencer o pai de sua amada de que, por trás do ogro, existe um sujeito de bom coração.

Comments:




Diogo Mainardi
Pobre é bom negócio

"Os pobres, nos livros de Guimarães Rosa, falam melhor do que nós, pensam melhor do que nós, se comportam melhor do que nós. Rosa glorifica a bandidagem, as idéias e a espiritualidade dos pobres. Ele era o John Travolta da 'nonada'"

A gente gosta de pobres. A gente gosta tanto deles que nunca pensou em torná-los menos pobres. A gente gosta de votar em pobres, de reclamar de pobres, de escrever sobre pobres. De fato, a literatura brasileira desapareceria se não fossem eles. A Feira de Livros de Paraty acaba de homenagear Guimarães Rosa, o maior representante do pauperismo na literatura nacional. Os pobres, em seus livros, falam melhor do que nós, pensam melhor do que nós, se comportam melhor do que nós.

Dá vontade de largar tudo e ir morar no sertão mineiro. Enquanto eu atravesso a Visconde de Pirajá para comprar meio quilo de alcatra no açougue, os sertanejos rosianos atravessam um universo épico. Enquanto eu combato os cupins no chão de sinteco da sala, eles combatem o Diabo em pessoa. Rosa glorifica a bandidagem, as idéias e a espiritualidade dos pobres. Uma espiritualidade muito semelhante à sua, aliás. Rosa conseguia acreditar simultaneamente em umbanda, kardecismo e cientologia. Era o John Travolta da "nonada".

Lula, no balanço de um ano e meio de poder, tentou demonstrar que está trabalhando pelos pobres, embora não tenha podido dar um aumento relevante do salário mínimo. Um aumento para 275 reais, segundo os economistas petistas, representaria um custo adicional aos cofres públicos de cerca de um bilhão e meio de reais. Um bilhão e meio de reais é a quantia que Lula gasta anualmente em propaganda, para persuadir o eleitorado pobre de que ele está trabalhando pelos pobres.

Que eu saiba, nenhum governo do mundo gasta tanto em propaganda quanto o nosso. Um bilhão e meio de reais foi também o que a Petrobras gastou para comprar uma distribuidora de botijões de gás. O maior problema do Brasil é o gigantismo do Estado. Como responde Lula? Aumentando ainda mais o Estado. Um bilhão e meio de reais, enfim, é bem menos do que Lula gastou na liberação de recursos aos seus aliados, para obter votos no parlamento ou para financiar obras eleitoreiras. A democracia brasileira se fundamenta no achaque eleitoral e na compra de votos.

Lutar pelos pobres, no Brasil, é sempre um bom negócio. O caso mais flagrante é o das aposentadorias aos perseguidos pelo regime militar. José Dirceu foi um dos primeiros beneficiários da Lei de Anistia, passando à frente de muitos octogenários e nonagenários mais pobres do que ele.

A rigor, Dirceu ficou menos pobre por ter defendido uma revolução comunista em favor dos pobres. Uma dúvida: ele entrega um quinhão de sua aposentadoria ao partido ou a regra se aplica apenas ao seu salário ministerial?

Quem também furou a fila da Comissão de Anistia e garantiu uma rica aposentadoria vitalícia foi Carlos Heitor Cony. Como se sabe, Cony contestou duramente o regime militar, sobretudo quando esteve na direção de órgãos subversivos como a revista Desfile ou quando se prestou a redigir os manifestos indignados do grande revolucionário Adolpho Bloch.

Ainda bem que o Brasil tem tantos pobres. Dá e sobra para todo mundo: para os escritores, para os políticos, para os revolucionários, para os jornalistas. O que seria de nós sem tantos pobres?

Comments:




O cão é o melhor amigo

Garfield, no filme: nada de original

Como o próprio Jim Davis analisa, o que faz o sucesso de uma tirinha e permite que ela seja publicada décadas a fio é muito mais a qualidade do personagem, e a sua coerência, do que as piadas que ele protagoniza.

Veja-se o caso exatamente de Garfield: comida, descanso e o afeto incondicional de seu dono, o desaventurado Jon, são os únicos assuntos de que se ocupa mas, aplicados a ele, esses temas têm se mostrado inesgotáveis. O cinema, entretanto, exige algum tipo de contexto ou enredo. E é aí que Garfield ­ O Filme (Garfield The Movie, Estados Unidos, 2004), que estréia nesta sexta-feira no país, subverte a lógica que a tirinha vem pregando em seus 26 anos de existência e desaponta.

Para que haja história, o gato não pode simplesmente ficar parado à espera de que as bênçãos da vida caiam em seu colo, como faz sua versão de papel. Ele tem de agir e nada é mais anti-Garfield do que a ação. Contracenando com atores já de começo pouco expressivos Breckin Meyer, como Jon, e Jennifer Love Hewitt, como a veterinária por quem ele é apaixonado , o Garfield de computação gráfica sai de sua paz para salvar seu grande rival, o cão Odie, de um explorador inescrupuloso.

Nem a dublagem de Bill Murray, no original, é capaz de esconder o fato de que o roteiro repete, lance por lance, dezenas de outros filmes infantis. Só quem impressiona, aqui, é o simpaticíssimo Odie. É o cúmulo da ironia: um filme feito para celebrar um gato, em que todas as glórias ficam com o cachorro.

Comments:




"A PORTA DO LADO"
Drauzio Varella

Em entrevista dada pelo médico Drauzio Varella, disse ele que a gente tem um
nível de exigência absurdo em relação à vida, que queremos que absolutamente
tudo dê certo, e que, às vezes, por aborrecimentos mínimos, somos capazes de
passar um dia inteiro de cara amarrada.

E aí ele deu um exemplo trivial, que acontece todo dia na vida da gente.

É quando um vizinho estaciona o carro muito encostado ao seu na garagem (ou
pode ser na vaga do estacionamento do shopping).

Em vez de simplesmente entrar pela outra porta, sair com o carro e tratar da
sua vida, você bufa, pragueja, esperneia e estraga o que resta do seu dia.

Eu acho que esta história de dois carros alinhados, impedindo a abertura da
porta do motorista, é um bom exemplo do que torna a vida de algumas pessoas
melhor, e de outras, pior.

Tem gente que tem a vida muito parecida com a de seus amigos, mas não
entende por que eles parecem ser tão mais felizes. Será que nada dá errado
para eles?

Dá aos montes.

Só que, para eles, entrar pela porta do lado, uma vez ou outra, não faz a
menor diferença.

O que não falta neste mundo é gente que se acha o último biscoito do pacote.

Que "audácia" contrariá-los! São aqueles que nunca ouviram falar em saídas
de emergência: fincam o pé, compram briga e não deixam barato.

Alguém aí falou em complexo de perseguição? Justamente. O mundo versus eles.

Eu entro muito pela outra porta, e às vezes saio por ela também. É incômodo,
tem um freio de mão no meio do caminho, mas é um problema solúvel. E como
esse, a maioria dos nossos problemões podem ser resolvidos assim, rapidinho.

Basta um telefonema, um e-mail, um pedido de desculpas, um deixar barato. Eu
ando deixando de graça, para ser sincero. Vinte e quatro horas têm sido
pouco para tudo o que eu tenho que fazer, então não vou perder ainda mais
tempo ficando mal-humorado.

Se eu procurar, vou encontrar dezenas de situações irritantes e gente idem,
pilhas de pessoas que vão atrasar meu dia. Então eu uso a "porta do lado" e
vou tratar do que é importante de fato.

Eis a chave do mistério, a fórmula da felicidade, o elixir do bom humor, a
razão porque parece que tão pouca coisa na vida dos outros dá errado.

Fonte: Em Nome Do Amor (Meire Michelin)

Recebida de meu brother Miron - Thanks my brother

Comments:




Superávit na balança profissional

Bom momento do Brasil nas exportações amplia oportunidades para quem quer trabalhar num setor que cresceu 27,1% em relação ao mesmo período do ano passado
Clarisse Cintra

O Brasil exporta soja, minério, aviões, ônibus, petróleo e outros produtos. A variedade na oferta faz com que o comércio exterior seja um dos setores que mais injetam dinheiro no País. Segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, o saldo das exportações até a terceira semana de junho foi de 2,192 bilhões de dólares, um crescimento de 27,1% em relação ao mesmo período do ano passado. Oportunidades de ouro para quem está preparado. A remuneração é um salário de até R$ 20 mil e comissão que varia de 1% a 5% do negócio fechado.

O profissional da área tem que ter formação em Economia, Finanças ou Negócios e saber prever a tendência de preços dos produtos. Tem que ter capacidade de analisar o cenário econômico mundial, saber as regras do comércio exterior e como andam as negociações de acordos tarifários internacionais, explica o professor Antônio Fiorêncio, do Ibmec.

Dominar outros idiomas é fundamental

O administrador Alexandre Yuñez, 33 anos, que tem uma empresa de comércio exterior, acha que o interesse por leitura e a vontade conhecer outros países ajudam na profissão. Para ele, houve a facilidade de o pai ser espanhol. Tenho dupla cidadania e falo espanhol e inglês. Isso é fundamental para quem faz negócios no exterior, garante.

Recentemente, ele ficou dois meses na Europa, apresentando mostras de granito na Dinamarca, Suécia, Noruega, Bélgica, Holanda e Alemanha. Primeiro faço um contato por fax, e-mail ou carta. Apresento o produto e depois visito as empresas interessadas, explica.

Annette Fernandes Netto, 45 anos, é aluna de Comércio Exterior na UFRJ e tem uma pequena indústria de equipamentos automotivos. Ela importa produtos da África do Sul, Japão e EUA e exporta para países como Portugal e Argentina. Annette acredita que o comércio exterior está crescendo também por causa da globalização. Com a tecnologia atual e a Internet, o acesso ao mercado é muito mais fácil. Mas a área precisa ser melhor explorada pelas empresas brasileiras, diz.

Ações do Governoestimulam as exportações

Para que o produto brasileiro tenha preços competitivos no mercado externo, o incentivo do Governo é importante. A retirada de alguns impostos vem ajudando a comercialização do produto, observa Adriano Silveira, 37 anos, que trabalha há 21 anos com comércio exterior e é diretor da empresa Opus. Ele destaca que a visita do presidente Lula à China foi significativa e deve aumentar o comércio entre os dois países. Há uma tendência de crescimento, avalia.

O comércio exterior brasileiro varia de acordo com a região para onde o produto está sendo exportado. A Europa compra principalmente soja. Nos Estados Unidos, os calçados são o maior produto de exportação brasileira. A Ásia e a Europa Oriental têm demonstrado interesse crescente para soja, couros e peles, laranja e semimanufaturados de ferro e aço. No caso do Mercosul, sobressaem as vendas brasileiras de veículos.

Comments:




A diarista



Doméstica: vestido de chita da Casa da Alessa (preço dob consulta)

Os anos 50 estão no ar. E o cotidiano das donas-de-casa é a inspiração. Feminina e romântica, a nossa "doméstica fashion" abusa das saias e do bordado inglês. Estampados, os tecidos simples e leves, como o algodão, imperam.

Os utensílios domésticos viram acessórios. A silhueta marcada e a cintura ajustada pelos aventais arrematam a produção.

E voces haverão de concordar, tem seu charme, não? Um ótimo fim de semana.

Comments:




Cláudio Moreno
10/07/2004


Anos sessenta

Já me convenci de que jamais vamos ter sossego, pois eles, assim como o Diabo, nunca dormem: uma aluna de Letras do interior do Rio de Janeiro me informa, desamparada, que o seu professor defende, categoricamente, que o certo é dizer anos sessentas, ao falarmos da risonha década da minha juventude. Isso é rematada tolice, minha prezada Aluna de Letras.

Sempre se disse, aqui e em Portugal, anos cinqüenta, anos sessenta. Todos éramos felizes e falávamos corretamente. No entanto, de alguns anos para cá, têm surgido estranhas vozes apregoando que o correto seria anos cinqüentas, anos sessentas.

Quem são elas? Eu, que já as conheço muito bem, posso fazer-te um retrato falado: essas vozes provêm de pessoas de escassa formação em Letras (quando não em Jornalismo!), de nenhuma expressão na área acadêmica, que se metem a reformar o mundo da linguagem com um furor e um entusiasmo inversamente proporcionais ao seu conhecimento. Não conhecem Lingüística e raramente citam os bons gramáticos da gema, pois preferem citar-se entre si, dentro da mesma laia.

Essas "autoridades" logo tratam de relacionar uma série de regras impressionantemente precisas, em geral reunidas em lotes de conta redonda (pois essa gente tem um verdadeiro fascínio por títulos como "Cem regras de ...", "As 1000 regras mais ...", "Os Dez Mandamentos do ..."), e mandam bala no nosso pobre idioma. Seu tom é invariavelmente repressivo e onipotente ("não pode", "é proibido", "está errado", "não admito"), mas as "regras" que formulam são absurdas e fantasiosas, apresentadas sem o raciocínio ou a pesquisa que as embasou.

Quase nunca discutem, quase nunca tentam argumentar; evitam, assim, que venha à luz a fragilidade de seus conhecimentos. Num discurso vazio e autoritário, limitam-se a afirmar - o que, na cabeça de porongo deles, já é o suficiente.

Os poucos que vi tentando honestamente justificar esse achado dos tais anos sessentas basearam-se na conhecida possibilidade de substantivar os numerais (e, de resto, qualquer outra classe gramatical) no Português. O fato é conhecido: embora numerais como quatro, cinco, nove, oito sejam invariáveis por sua própria natureza, passam a flexionar-se quando se tornam substantivos, ao ocuparem a posição nuclear do sintagma. Em "quatro carros brancos", o núcleo é o substantivo carros; quatro é apenas um numeral e, como tal, ocupa a posição periférica à esquerda.

No entanto, em "todos os quatros do baralho", é ele que ocupa a posição de núcleo (acompanhado devidamente do pronome todos, do artigo os e do adjunto adnominal do baralho). Você vai observar o mesmo fato em "preciso de dois oitos", "a prova dos noves" - só que esse não é o caso de anos sessenta!

Em anos sessenta, o núcleo é anos, enquanto sessenta é um elemento periférico que não está em relação de concordância com o núcleo. Podemos dizer que os dois elementos estão numa relação de independência análoga à que têm entre si os termos de compostos sintáticos como manifestação-monstro ou menina-prodígio, que fazem o plural manifestações-monstro e meninas-prodígio (os traços de gênero e número não atravessam do núcleo para o periférico). Para que te sintas segura, coloca os anos sessenta junto com construções corriqueiras como "todos os dias trinta", "nesta turma houve vários graus zero", em que ninguém tentaria flexionar o numeral.

Mais uma coisinha: acho que nunca vamos importar do Inglês aquela maneira peculiar de referir-se às décadas como os 80s, os 70s, que os franceses já começam a usar. No entanto, se esse horror viesse a ocorrer, então escreveríamos e diríamos os oitentas, os setentas (como eles escrevem the eighties, the seventies) - mas isso é coisa bem diferente.

claudio.moreno@zerohora.com.br

Comments:




Paulo Sant'ana
10/07/2004


O marketing que desumaniza

A professora universitária Magda Tyska Rodrigues escreveu uma crônica que não pode ser cortada, tem de ser publicada por inteiro. Ela, como eu, tem uma filha adolescente, por isso se comoveu com o que também me comove. Não tenho outro caminho senão dar-lhe a palavra na coluna de hoje:

"Nós, brasileiros, carecemos, sim, de oportunidades de trabalho, mas esbanjamos falta de respeito ao ser humano.

Pense numa menina, de 15 ou 16 anos, cujo 'trabalho' é ficar numa esquina movimentada, em cima de um caixote, segurando um banner de propaganda de imóveis. Deparamo-nos diariamente com essas cenas chocantes e ultrajantes. O que é, senão ultrajante, ficar em cima de um caixote, em frente a uma sinaleira, segurando um banner? Às vezes o material 'mercadológico' serve para esconder o rosto de quem o segura.

Algumas empresas, chegam a vestir 'trabalhadores' de palhaços. Literalmente. Inclusive com o nariz vermelho. A cena em avenida movimentada, numa manhã de sábado, foi de chorar.

Esses trabalhadores, ao finalizarem sua tarefa-circo, talvez chorem mesmo - pela humilhação".

Continua: "Será que os marqueteiros, graduados, pós-graduados, com MBAs no Exterior, não teriam idéias melhores? Estudar, ficar fora do país, investir para colocar uma menina em cima de um caixote, segurando um banner que ninguém lê? Será que percebem que ninguém fixa o olhar naquele banner maldito? Quantos cursos mais serão necessários para ensiná-los que gente a gente respeita? 'Trabalho' é a produção e reprodução da existência. É nas relações sociais do trabalho que os sujeitos se formam e se deformam, humanizam-se e desumanizam-se.

Essas formas de publicização não são adequadas e, pior, não agradam.

Dos marqueteiros é difícil esperar um retorno adequado, por isso apelo ao cidadão. A partir de hoje, senhoras e senhores, ao pararem nas sinaleiras, procurem memorizar o produto que está lá naquele banner maldito que a menina está segurando, em cima de um caixote.

Memorizem a empresa que está promovendo aquela cena ridícula: ao vermelho da sinaleira, meninas acorrendo à avenida, cada uma com um desses banners, formando uma palavra. Leiam esta palavra, decorem-na. Fiquemos atentos para nunca, nunca mesmo, consumirmos esses produtos, cujo merchandising é feito à custa da dignidade humana. Isso não é trabalho. Nada nessa experiência contribui para o desenvolvimento do ser humano, a não ser o exercício de lidar com a vergonha a cada vez que a sinaleira fecha.

Já que tantos cursos não foram capazes de ensinar aos marqueteiros sobre dignidade, ensinemos nós, cidadãos comuns, contribuintes, pais e mães de família, que não haverá comprador para produtos cujo merchandising ultrajar a dignidade de trabalhadoras e trabalhadores. Ensinemos nós, pelo amor de Deus! Vamos dar um basta. Essa situação já beira o nível do insuportável.

Não sou contra a publicização de produtos, sou contra a insensatez".
psantana.colunistas@zerohora.com.br

Comments:


Clima
Fim de semana abaixo de zero



Geada que cobriu os campos de Caxias do Sul foi um anúncio das baixas temperaturas no Estado, que hoje podem chegar a -5ºC (foto Roni Rigon, Agência RBS/ZH)


Comments:

Sexta-feira, Julho 09, 2004




Banco na loja

Em busca de 25 milhões de famílias sem conta, instituições investem em miniagências no varejo

Por Paula Pavon

Há uma inusitada disputa em curso entre alguns dos principais bancos do País. O alvo, desta vez, está na base da pirâmide social. São os 25 milhões de famílias sem conta em banco, concentradas na periferia das grandes cidades. Para trazê-las ao sistema financeiro, as instituições estão apostando pesado nos chamados correspondentes bancários: miniagências localizadas em supermercados, padarias e lojas.

O pai da idéia é o Lemon Bank, primeiro banco criado somente com correspondentes bancários. Hoje, porém, até uma casa bancária de elite como o Citibank explora este mercado. Sua marca PratiPag foi lançada no ano passado e já tem 1.100 pontos. Depois de atrair os ricos, os bancos perceberam que para crescer precisam atingir todo tipo de cliente, diz Joel Santanna, consultor da RiskBank.

A concorrência ficou mais acirrada a partir de fevereiro, com a entrada do Banco do Brasil nesse segmento. Passada a fase piloto, o banco agora quer passar de 25 para 4.500 pontos-de-venda até o final do ano. Temos de aproveitar a boa demanda, justifica Ivan Guimarães, presidente do Banco Popular, empresa criada pelo BB para atuar neste segmento, que vai investir R$ 94 milhões este ano nos novos correspondentes. O próprio Lemon, que tem hoje 2,5 milhões de clientes, espera passar de 3.820 pontos para 4.500 até final do ano.

É a forma mais barata de crescer e atingir o público de baixa renda, diz Michael Esrubilsky, presidente do banco. Para expandir a rede, o Lemon contrata empresas especializadas em buscar comerciantes interessados em ser correspondentes bancários. Somos o intermediário entre o banqueiro e o lojista, explica Alessandro Vieira, gerente da Netcash, uma dessas companhias. A estratégia da Caixa Econômica é diferente. Líder no segmento, com 11,4 mil pontos, a CEF usa uma equipe própria de 200 consultores para buscar parceiros em todo o País.

Por meio dos correspondentes bancários, os clientes podem pagar conta, aplicar em caderneta de poupança, comprar seguro de vida e fazer depósitos ou saques. Em lojas bem localizadas, chegam a ocorrer 10 mil operações por mês, com volume médio de R$ 100 mil. No caso do Banco Popular, os clientes podem até investir em um fundo de investimento atrelado à renda fixa. Um luxo para quem, até outro dia, não tinha conta em banco.

Comments:




Exclusivo
Pilantropia

Em 1999, o médico Beny movimentou em conta corrente 566 vezes mais do que seus rendimentos

O médico Beny Schimidt, professor da Universidade Paulista de Medicina, omitiu do Fisco o envio dos R$ 9,4 milhões para Bahamas, conhecido paraíso fiscal do Caribe. O montante foi enviado em outubro de 1999, quando ele teve um total de rendimentos de R$ 78 mil e um patrimônio declarado de R$ 150 mil. No entanto, Beny movimentou em sua conta corrente quase R$ 11 milhões, o que equivale a 566 vezes mais do que seus rendimentos tributáveis.

Foi em 2001, quando seu patrimônio informal já havia pulado para R$ 1,2 milhão, que Beny Schimidt saiu do anonimato. Ganhou fama por um pretenso ato exemplar de filantropia. Dizendo usar recursos próprios, o médico fundou uma clínica na favela Paraisópolis, a maior de São Paulo, onde anunciava consulta e todo tipo de exames a R$ 20. Seis meses depois, Beny fechou a clínica ao entrar em atrito com os sócios. O motivo da discórdia foi um contrato com a Faculdade Paulista de Medicina.

Ele não nos informava direito com quanto de recursos a faculdade iria entrar. Tudo não passou de um golpe para o Beny ganhar dinheiro, acusa sua ex-sócia Ana Silvia, que cuidava da contabilidade da clínica. Segundo ela, a clínica foi fechada minutos antes de um coquetel em que seria selado o acordo. Ele ficou muito revoltado porque envolvia muito dinheiro e quebrou tudo.

Tivemos de chamar a polícia. Durante a fundação da clínica, o médico voltou a ter um rendimento financeiro estrondoso: R$ 4,5 milhões, 75 vezes mais que seu patrimônio. No final da década de 90, quando enviou o dinheiro para o Exterior, o médico ocupava função de destaque no CNPq, onde chegou a responder a um processo no Tribunal de Contas da União por uso indevido de verbas de diárias de viagem.

Segundo a ex-sócia, a entidade filantrópica nunca existiu. Todo o dinheiro era contabilizado na empresa particular do médico, a Clínica Schimidt, que estava em situação irregular junto à Receita. A sócia acredita que o médico usava o marketing para receber doações do governo e de organizações não-governamentais que ajudaram a engordar seu patrimônio.

O telefone não parava de tocar de gente oferecendo dinheiro, disse. Ao contrário da fortuna de Rodrigo Silveirinha e dos demais membros da máfia dos fiscais do Rio que caiu na Suíça por meio de uma rede de doleiros, a grana desses novos tubarões federais saiu para o Exterior pelos caminhos legais, através das chamadas contas CC-5.

Mesmo informando as remessas ao Banco Central, Beny e outros funcionários da lista da força-tarefa simplesmente omitiam essa informação da Receita Federal, o que, segundo os investigadores, caracteriza crime contra o Fisco e o sistema financeiro. Beny, no entanto, disse a ISTOÉ: Sou médico, sou pobre. Não tenho todo esse dinheiro nem mandei dinheiro para o Exterior.

Comments:




Exclusivo
Riqueza clandestina

Força-Tarefa fecha o cerco em torno de servidores federais que não conseguem explicar a origem do dinheiro que os transformou em milionários

Amaury Ribeiro Jr. e Leonel Rocha
Colaboraram: Francisco Alves Filho
e Ricardo Miranda


A legislação brasileira exige que todo cidadão declare seus bens no Imposto de Renda. No caso do funcionalismo público, a Lei nº 8.429, de 1992 chamada Lei de Conduta do Servidor , é mais rígida. Anualmente, os barnabés, como são conhecidos, têm que apresentar ao Tribunal de Contas da União suas declarações de renda atualizadas. Se o servidor não declara ou não comprova a origem do dinheiro que transita por suas contas e dos valores incorporados a seu patrimônio, ele pode ser demitido e até ter seus direitos políticos suspensos, além de responder criminalmente pela Lei do Colarinho-Branco.

Como dinheiro não nasce em árvore, a suspeita, nesse caso, é de corrupção. Foi o caso, por exemplo, da máfia do propinoduto carioca, encabeçada pelo já famoso Rodrigo Silveirinha. O grupo de funcionários públicos, descoberto por ISTOÉ no ano passado com US$ 33,4 milhões em contas na Suíça, foi afastado de seus cargos e responde a vários processos na Justiça.

Agora uma força-tarefa formada por investigadores da Controladoria Geral da República, do Ministério Público e da Polícia Federal fisgou outro cardume de 400 graduados peixes do serviço público federal que também esconderam muito dinheiro no Exterior.

Estes superbarnabés são suspeitos de ter cometido crimes de evasão de divisas, sonegação de impostos, improbidade administrativa, enriquecimento ilícito e corrupção. Calcula-se que chegue a R$ 350 milhões a evasão de divisas somente desse grupo, com contas bancárias nos Estados Unidos, Inglaterra e em paraísos fiscais, como Bahamas e Ilhas Cayman. Todo o resultado das investigações vai gerar um inquérito-mãe a ser aberto a pedido do Ministério Público Federal para apurar os crimes cometidos.

O trabalho dos investigadores detectou que, mesmo enviando caminhões de dinheiro por vias legais através das contas CC5 controladas pelo Banco Central , a Receita Federal é enganada, ora porque os bancos deixam de informar dados sobre a CPMF, ora porque não há no formulário de Imposto de Renda um campo específico para a declaração sobre de onde provêm os rendimentos declarados como não tributáveis. A reportagem de ISTOÉ teve acesso a parte da lista da força-tarefa e fez um extenso levantamento em cartórios, durante quatro meses, em juntas comerciais de vários Estados.

Existem muitos casos de enriquecimento meteórico sem origem como os que serão exemplificados a seguir. Nas análises se confirma ainda uma triste realidade: a falta de comunicação entre a Receita Federal, o Banco Central e os demais órgãos financeiros do País está facilitando a saída do dinheiro da corrupção e de outros crimes pelos canais oficiais.

A força-tarefa detectou também a conivência de bancos com o esquema, que em alguns casos simplesmente omitiram as remessas de seus clientes para o Exterior ao Banco Central, assim como a origem deste dinheiro. Isso acaba refletindo no índice da CPMF, que serve de padrão para as fiscalizações de auditores fiscais.

Comments:




Férias, pra que te quero

Aproveitar a folga escolar no cinema é boa pedida. Só no Anima Mundi são 612 filmes. E ainda tem 'Nem Que a Vaca Tussa', 'Cinegibi, O Filme - A Turma da Mônica', 'Meninas Malvadas'...
Tatiana Contreiras e Zean Bravo


Cebolinha Luciano Huck fazem graça na volta da turminha às telas em Cinegibi.


Já em Nem Que a Vaca Tussa, uma turma da fazenda tenta salvar seu lar.

A temporada de férias não é só nas escolas: nas telas, a programação é quase toda para a garotada. Da 12ª edição do Anima Mundi, com 612 filmes, à nova estréia da Disney, Nem Que a Vaca Tussa, o fim de semana vem recheado, com direito até a Cinegibi, o Filme Turma da Mônica, que traz de volta ao cinema a dentucinha mais famosa do Brasil. Na programação, as pré-adolescentes também têm vez com Meninas Malvadas.

Julho é um mês brabo: tem ogros, aracnídeos, vacas com tosse, uma série de concorrentes muito fortes. Minha proposta não é parecida com a dos colegas; é de um filme infantil por excelência, explica o desenhista Maurício de Sousa. Cine-Gibi mostra a turma em pequenas histórias amarradas em uma só: o inventor Franjinha cria um liquidificador-projetor que exibe os quadrinhos na telona. Entre um causo e outro, Luciano Huck, Fernanda Lima e Wanessa Camargo fazem participações.

Hair High (Cabelo em Pé), de Bill Plympton, é sensação do Anima Mundi, que tem filmes para pais e filhos

No Centro, o Anima Mundi vai longe, com destaques da Coréia do Sul, uma historinha ao estilo Mogli, o menino-lobo, e até a versão animada da canção A Casa que não tinha teto, não tinha nada. As sessões infantis na Sala de Cinema do CCBB são gratuitas, assim como as sessões Animação em Curso e Futuro Animador na Sala de Vídeo.

Nos outros espaços, os ingressos são baratinhos, de R$ 1 a R$ 4. A Sessão Infantil desse ano é a mais forte que tivemos, frisa Cesar Coelho, um dos organizadores do festival. Temos seis programas, mais a sessão Futuro Animador, com filmes de crianças do mundo inteiro, e três longas muito bons.

No circuitão, tem o divertido Nem Que a Vaca Tussa, que, na versão dublada, tem as vozes de Fernanda Montenegro, Isabela Garcia e Cláudia Rodrigues, como as três adoráveis vaquinhas-protagonistas. Minha personagem é olhuda como eu, me identifiquei, brinca Fernanda, que faz a senhora Calloway, vaca que usa chapéu e lidera as companheiras na tentativa de arranjar dinheiro para pagar a hipoteca da fazenda onde vivem.

Já os mais crescidos conferem em Meninas Malvadas garotas que só se preocupam com a estética, conquistar garotos e derrubar adversárias. O filme seria mais um sobre a auto-afirmação adolescente nas escolas se não fosse um detalhe: a mocinha fofa que nunca tinha ido a uma escola, por ter sido educada pelos pais zoólogos, na África, vira um furacão de maldades quando experimenta a popularidade escolar. Ela é vivida por Lindsay Lohan. (Colaborou Ana Lúcia do Vale).

Comments:




PORTO ALEGRE, SEXTA-FEIRA, 9 DE JULHO DE 2004
Crédito educativo: juros em foco

O Superior Tribunal de Justiça determinou que é indevido o uso da Tabela Price na atualização monetária de contrato de financiamento de crédito educativo firmado com instituição do Sistema Financeiro Nacional. A irregularidade na aplicação desse indicador consiste no fato de que os juros crescem em progressão geométrica, caracterizando-se a capitalização.

Conforme recurso interposto por Cristina Carraneo da Silveira, na atualização cabe aplicar juros legais ajustados de forma não-capitalizada. Assim, o Código de Defesa do Consumidor poderia ser aplicável na revisão desse financiamento.

Comments:




David Coimbra
09/07/2004


A coleguinha

Numa dessas tantas redações da vida havia uma repórter muito, mas muito tímida. Parecia assim uma freirinha de Coronel Bicaco. Andava sempre de olhos baixos e bastava a menção de seu nome para lhe afoguear o rosto. Nunca ninguém reparava nela, sexualmente falando. Mas, num verão, a moça saiu de férias. Ausentou-se por 15 dias, tão-somente.

Só que, ao voltar, nossa!, alguma coisa havia acontecido com ela. Não era o bronzeado ou a cor do cabelo. Não. Ela entrou na redação pisando firme e fitando os homens com uma navalha no olhar. Fora uma menina quem se despedira, era uma mulher quem retornava.

A redação ficou ouriçada. Os homens, de desejo; as mulheres, de inveja. Confesso: também me interessei pela gaja. Antes, considerava-a tão atraente quanto um seminário de recursos humanos. Agora, ela se transformara numa gueparda tresandante de sexo, sexo, sexo.

Pois bem. Sabe o que sucedeu com ela naqueles 15 dias? Adquiriu confiança. É um fenômeno que ocorre com as belas mulheres: em algum momento da vida, geralmente situado entre a pré-adolescência e a adolescência, elas compreendem o poder que têm sobre os homens. E passam a empregá-lo.

Já eu, a mudança de comportamento daquela coisinha me inquietou porque, puxa, sou realmente suscetível à propaganda. Por exemplo: tinha um comercial de tomografia helicoidal na Rádio Gaúcha, um jingle suave, com uma letra harmônica. Eu ouvia aquele jingle e me dava uma vontade de fazer tomografia helicoidal... A mesma coisa são as facas Ginsu. Sempre que vejo as facas Ginsu na TV cortando sapato ou lata enfrento dificuldades para resistir à tentação de encomendar uma.

Então, quando aquela coleguinha pisou com segurança no carpete da redação, agindo como se fosse alguém de fato especial, o que eu e todos os homens intuímos foi o seguinte: ela pode ter razão! É por isso que as pessoas pretensiosas impressionam e, amiúde, têm sucesso. É a força da propaganda.

Por essa mesma razão é tão difícil votar. A propaganda eleitoral, desencadeada há pouco, ela me confunde! Os candidatos todos, eles ficam fazendo publicidade de si mesmos, gritando como são bons, quanto bem vão fazer, e, é forçoso admitir, não lhes falta autoconfiança. Logo, tenho tendência de acreditar em tudo! Para me precaver, adotei um estratagema - estudo a história do candidato. Procuro conhecer seu passado, o que já fez, de onde ele vem.

Assim, não tenho me decepcionado. Meus candidatos prometem e cumprem. Como a coleguinha. Ela também cumpriu suas promessas e desabrochou numa mulher esfuziante, que passa os dias cravando os saltos dos seus escarpins nos corações dos homens. Ah, a coleguinha... Meu único arrependimento é ainda não ter encomendado uma faca Ginsu. E se precisar cortar uma faca lá em casa, como é que vou fazer?

david.coimbra@zerohora.com.br

Comments:




Mauren Motta
09/07/2004


Hora de mudar

Já me mudei algumas vezes na vida. Incrível como sempre repassamos nossa história nessas horas. Cada caixa aberta, cada foto encontrada ou souvenir achado marca parte da nossa trajetória. Sabe aquelas tranqueiras que nem sabemos por que um dia guardamos? Pois tenho certeza de que você tem uma delas por perto. Mesmo que estejam escondidas no fundo falso de um baú antigo, lá estão elas para que a gente lembre de um momento importante ou fase vivida.

Na adolescência, quando os computadores ainda não eram máquinas para uso pessoal, eu costumava escrever meu diário em uma agenda. Além de relatar o meu dia, gostava de guardar coisas que me lembrassem o que tinha feito. Valia tudo: chave, papel de bala, conchinha da praia... E eu não era a única. Em um tempo sem blogs, a agenda passava de mão em mão. Todo mundo tinha a sua e escrevia na dos outros. A parceira pesada ocupava grande parte da minha mochila e, durante alguns anos depois de usada, espaço precioso em meus armários.

Por falar nisso, eles sempre são pequenos demais pra mim. Tenho exercitado o desapego. Aprendi que passar adiante o que está fora de uso abre espaço em casa e alivia o coração. Dia desses, estava na minha vó Iony revirando o passado e viajei no tempo. Procurava um lustre antigo e achei a minha coleção de papéis de carta. Já na casa de minha vó Vera guardo minhas bonecas mais queridas. Com a falta de espaço, a casa delas sempre foi um porto seguro para armazenar sonhos vividos e objetos de estimação.

Como vou mudar de apartamento, tenho procurado coisas para compor a minha nova vida. Montar casa nova é uma das mais caras e prazerosas atividades. Planejar, reciclar e tentar visualizar como vai ficar, meu passatempo predileto. Dessa vez vou tratar de editar, até porque acredito que os guardados percam o sentido a cada década vivida. Acho o máximo aqueles bazares de garagem com plaquinhas do tipo "Família muda".

Sempre me pareceram corajosos e renovadores. Com a correria do meu dia-a-dia, planejo muito e executo pouco. Dessa vez, a mudança está sem data marcada. A única certeza é que vou me livrar das quinquilharias, aliviar espaço na casa de meus familiares e guardar com cuidado somente as verdadeiras preciosidades.

mauren@rbstv.com.br

Comments:




Paulo Sant'ana
09/07/2004


Um júri intrincado

Li, como todos os leitores de ZH, avidamente, a excelente entrevista realizada pela repórter Adriana Irion com o empresário Luiz Henrique Sanfelice, preso pela acusação de matar sua esposa, Beatriz Helena Rodrigues.

Já ouvi até personagens investidos de autoridade no caso referirem que pode se repetir o caso Daudt, quando a polícia e o Ministério Público igualmente apresentaram uma farta coleção de indícios contra o acusado.

Essa idéia é compartilhada pela opinião pública. Há verdadeiramente essa similitude entre um caso e outro, no que se refere principalmente à mais completa inexistência de uma prova material, objetiva e definitiva sobre a autoria dos dois assassinatos.

Mas uma diferença enorme se desprende entre os dois casos: o réu, no caso Daudt, respondeu a todo o processo solto, vindo afinal a ser absolvido, enquanto, neste caso de Novo Hamburgo, desde o primeiro instante o acusado está preso, tendo assim sido transposto pelas autoridades o princípio constitucional da presunção de inocência.

Na entrevista, o preso acusa a polícia de incompetência na condução das investigações.

É preciso deixar claro que neste caso houve uma parceria nítida entre a polícia e o Ministério Público nas investigações.

Ainda assim, o ânimo solidário da delegada e do promotor em indiciar o acusado e mantê-lo preso não seriam suficientes para suprimir-lhe a liberdade. Felizmente, no nosso sistema penal, não basta o arbítrio da autoridade policial e do Ministério Público para colocar uma pessoa atrás das grades.

É indispensável e decisivo o aval do Poder Judiciário para que seja decretada a prisão de um acusado.

Quando foi decretada a prisão temporária do acusado, dias após o crime, ainda se podia entender que a Justiça não tivesse a intuição da culpabilidade, mas armava-se da cautela de proteger as investigações de manobras eventuais do indiciado.

Mas agora é mais séria a decisão: tendo sido decretada prisão preventiva do acusado, isso é sinal evidente de que as conclusões da polícia e do Ministério Público foram acolhidas como respeitáveis pela juíza instrutora.

Mas é preciso deixar bem claro que isso não significa um avanço das autoridades sobre juízo de valor quanto à autoria do crime, até mesmo porque essa decisão pertence ao Tribunal do Júri, pessoas do povo que serão chamadas a decidir sobre a culpabilidade ou não do réu.

A decisão de prisão preventiva quer dizer apenas que a juíza que a exarou vê fundada suspeição sobre o acusado, entendendo ser melhor para a ordem pública que ele continue preso.

Quando li o pedido de prisão preventiva do promotor Eugênio Paes Amorim, pensei comigo: "Pronto, foi colhida a prova irretorquível de autoria contra Sanfelice".

É que o promotor indiciava a empregada doméstica do acusado por falso testemunho, acusando-a de ter recebido suborno do patrão, no valor de R$ 1,9 mil, para mentir que ele chegara em casa às 10h15min no dia do crime.

Mas, observando melhor o inquérito, fui ver que não existe esta prova. O promotor apenas conjetura (praxe em denúncias) que houve o suborno, eis que foi encontrado o dinheiro em poder da empregada. Só que ela diz que eram suas economias guardadas e manteve-se firme em sua declaração, embora se suponha que tenha sido legalmente pressionada.

Será um dos mais momentosos júris de todos os tempos entre nós, se até lá não surgirem dados novos e ponderáveis.

A acusação se baseando em indícios coordenados por dedução, a defesa argumentando a ausência de prova veemente e cabal.

A impressão que colho deste caso, depois de debruçar-me muitas horas sobre ele, é de que ou o preso é inocente da acusação ou cometeu um crime perfeito.

psantana.colunistas@zerohora.com.br

Comments:


Diplomacia
Desencontros no Mercosul



Foto de Lula e seu colega argentino Kirchner espelha o clima da 26ª reunião de presidentes em Puerto Iguazú, que terminou sem avanços e em meio a troca de acusações (foto Marcello Casal, ABR/ZH)


Comments:

Quinta-feira, Julho 08, 2004




Meninas Malvadas

Lindsay Lohan segura longa que escorrega na conclusão Paulo Santos Lima
Paulo Santos Lima

Lindsay Lohan (terceira da esq. para a dir.) é a garota que vivia na África e que fica amiga das patricinhas do colégio Meninas Malvadas, comédia teen de Mark Waters escrita por Tina Fey, roteirista do programa humorístico Saturday Night Live, lida com dilema atual da humanidade, ser ou não um ente incluído em seu meio.

A idéia, contemporânea, acaba caindo num conservadorismo temático e formal, bem aquém das comédias adolescentes dos anos 80, cujo ineditismo sugeria certa transgressão de valores.

Cady (Lindsay Lohan) é a garota excluída do grupo, que vivia na África e agora retorna a Illinois. A corriola colegial, mesmo diversa, tem como modelo o trio de patricinhas, todas fúteis, fofoqueiras e maledicentes, lideradas por Regina George. O acaso faz com que a alienígena fique amiga das vilãzinhas, uma chance de se tornar uma agente infiltrada e vingar aqueles que são vilipendiados pelas peruetes.

A grande sacada é mostrar que o processo de inclusão de Cady na high school, via grupo de patricinhas, não lhe causa transtorno moral mais severo, nem quando assume o lugar da líder. Mas, lógico, trata-se de ambiente mais que conservador, e o mandamento moral e seus valores não são postos em xeque, levando o epílogo para o óbvio reajuste da ordem e celebração do estado de paz e inclusão universal viável, o que é uma falácia. Lindsay Lohan, a menina da vez nos Estados Unidos, merece, contudo, todas as estrelas do mundo. Marvada carne

Comments:




Fórum Social 2005

Frei Betto, Autor de Hotel Brasil

O Fórum Social Mundial retorna a Porto Alegre em janeiro, entre os dias 26 e 31. Será a sua quinta edição, de cara nova. Serão preservadas a diversidade, a pluralidade e a autonomia dos participantes. É o caráter democrático, sem prevalência deste ou daquele partido ou ideologia. Não haverá declaração final nem hierarquia entre as diversas causas defendidas.

A estrutura continuará repartida em conferências, painéis, testemunhos, mesas de diálogo e controvérsias, oficinas e seminários. Qualquer entidade inscrita poderá promover oficina ou seminário. Contudo, haverá maior articulação entre os participantes que tenham causas em comum. Uma consulta começa a ser feita, para identificar os temas e as atividades a serem realizadas.

Esse novo perfil ficou definido na reunião do Conselho Internacional do FSM na Itália, em abril. Ao inscrever-se, cada entidade será informada de que outras atividades estão sendo programadas em torno do mesmo tema. O sistema fornecerá também meios de contato com as demais entidades envolvidas num tema assinalado. Assim, haverá maior diálogo e objetivos afins, o que facilitará o planejamento de ações comuns.

A marca comum do FSM, acentuada em Mumbai, será a luta contra o neoliberalismo, a militarização do planeta, a pobreza e a exclusão social, articulando a mobilização global com a local, os fóruns regionais com os movimentos populares, a busca de um outro mundo possível, com os valores éticos inerentes a um modelo de sociedade em que a realização coletiva resulte na efetiva promoção da dignidade pessoal.

Comments:




ARTUR DA TÁVOLA

Amores tempestuosos

Há pessoas que por razões de temperamento preferem a excitação do amor tempestuoso e há pessoas que pelas mesmas razões preferem o amor sereno. Falo de amor e não de paixão. Esta é sempre um tornado. Hoje o tema é amor e não paixão. Sim, também há amores tempestuosos que não são paixão: são modos radicais de amar. É o caso dos grandes ciúmes ou do quanto mais briga mais gosta etc. Aliás é mais comum sobretudo no começo das relações.

O amor sereno é: eu em você me sendo e você em mim, se sendo. É o caso em que duas pessoas chegam ao máximo de identificação sem perda da identidade de cada um. É raro. É igual ao que acontece na santidade, portanto abençoado.

O santo é um ser que se identifica totalmente com o sofrimento alheio sem perda de sua identidade, sua originalidade, sua coragem de ser como é. Isso no amor sereno (uma espécie de beatitude) é maravilhoso, porque habitualmente a identificação tende a esmagar a identidade do outro. Ou se não esmaga, provoca choques.

E vice-versa: há vezes em que a identidade forte de cada temperamento esmaga ou tende a esmagar a identidade do próximo. Nesses casos o amor se mantém mas como aqueles carros de boi puxados por animais velhos e ca(n)sados. O fluxo amoroso não corre em paralela: bate de frente.

Nas pessoas dadas a amores tempestuosos, o choque se dá porque a identidade é diferente mas a identificação não é poderosa nem pacífica e tudo resulta numa luta de identidades que acaba por trincar o sensível amálgama amoroso.

Para este cronista, um dos problemas mais difíceis para o ser humano resolver consiste em distinguir com clareza os conceitos moradores em duas palavras parecidas e que até se misturam em certas situações: identificação e identidade. Em síntese: se for bom, quanto mais me identifico com próximo, melhor sou.

Mas doente, porque identificação total significa a perda da identidade. Se for tão forte a ponto de manter a minha identidade acima de tudo ou todos, também sou doente porque identidade sem empatia acaba em frieza ou falta de amor pelo próximo. Saber se identificar em profundidade sem perder a identidade, eis o enigma a ser (é possível) resolvido.

E-mail: tavola@ism.com.br

Esta coluna é atualizada às terças, quartas e quintas.

Comments:




Hoje temos Cinema/Televisão e as crônicas de sempre. Embora as previsões fossem de que estaria muito frio a sensação térmica não é de tanto, ou até porque sempre agasalha-se melhor quando dizem que faz esfriar. Mas amanhã sim é para chegar a temperaturas negativas, bem como no fim de semana. Enquanto o amanhã não chega, vamos desfrutando o hoje, lendo os textos ai abaixo. Uma ótima quinta-feira.

O bem amado

Com 76 anos, Burt Bacharach esbanja vitalidade, inspira musical que estréia amanhã e grava com gênio do hip hop
Rubia Mazzini

Um gênio da música popular americana ou apenas um bom autor de trilhas para cinema? Há mais de 40 anos, quando começou a fazer sucesso em Hollywood, Burt Bacharach tornou-se alvo da questão que ainda hoje é capaz de gerar polêmica. Os que sempre o consideraram um gênio podem sorrir, subir numa bicicleta e sair por aí assobiando Raindrops Keep Fallin On My Head. Aos 76 anos, o autor de títulos como esta mágica canção do clássico de 1969 Butch Cassidy and the Sundance Kid está novamente no centro das atenções.

Aqui no Rio, tem sua vasta obra homenageada em Cristal Bacharach, espetáculo que estréia hoje para convidados no Teatro Glória, com a assinatura dos diretores-fãs Cláudio Botelho e Charles Möeller. Nos Estados Unidos, espera-se para o mês que vem o lançamento de disco em parceria com Dr. Dre (gênio do hip hop) e de uma caixa com quatro álbuns, incluindo sucessos, raridades e material inédito.

Ed Motta lembra quando tomou consciência de sua obra. Conheci Burt Bacharach através das milhares de regravações dele por artistas da soul music. Mas acho que comecei a reparar mesmo por causa de uma gravação de Raindrops Keep Fallin num disco do Edwin Starr que comprei quando era moleque, numa banca na Carioca.

Antes conhecia de orelhada, conta Ed Motta, elegendo Alfie, uma das muitas parcerias de Bacharach com o letrista Hal David, composta para o filme de mesmo nome, em 1966, a preferida. Fã da gravação de Tracy Horn para a mesma Alfie, o escritor Marçal Aquino recorre a um clássico do brasileiro Tom Jobim para exaltar as qualidades do americano. É a Garota de Ipanema do Burt Bacharach, opina.

O baterista dos Titãs e pesquisador musical, Charles Gavin, lembra que Elvis Costello (com o disco Painted From Memory) foi um dos responsáveis pelo resgate da obra do maestro na década de 90, depois de um período em que ela basicamente era associada à chamada música de elevador. Estou com 44 anos.

Acho que todo mundo da minha idade que se interessa por música e cinema já cantarolou uma melodia dele, acredita, assobiando Ill Never Fall in Love Again na hora de apontar a favorita. O ator e músico Felipe Rocha faz coro. A que mais gosto é The Look of Love, diz ele, acrescentando que Burt é uma referência para a sua banda, a Brasov.

A atriz Maria Flor faz parte da turma que conhece I Say a Little Prayer apenas da trilha sonora da comédia romântica O Casamento do Meu Melhor Amigo. Adoro essa música, mas realmente não sei muito sobre o artista... , reconhece a atriz, sem imaginar que essa é uma das canções compostas por Bacharach sob a influência das viagens ao Brasil, na década de 50, quando era pianista (e namorado) de Marlene Dietrich.

Se foi a Bossa Nova ou, como defendem alguns, o baião o ritmo nacional que fez a cabeça do gringo, só ele mesmo para responder, tallvez em sua próxima visita ao País. O convite para assistir a Cristal Bacharach foi feito. Quem sabe ele não aparece por aqui?

Comments:




Linda, famosa e feliz no amor

O sucesso na TV e o corpo bem delineado garantiram mais uma capa de revista para Alinne Moraes. Desta vez, a surfista Moa de Da Cor do Pecado mostra suas belas curvas na Boa Forma deste mês, fazendo jus ao título da publicação.

Apesar de não ser fã de ginástica, a atriz mantém um programa de exercícios diários com um personal trainer. A alimentação é equilibrada, com o menos possível de frituras, doces e refrigerantes. Confesso que, às vezes, fujo às regras. Não resisto a um belo prato de feijoada e a uma barra de chocolate, conta a loura, sem motivos para remorso.

E se felicidade deixa mesmo a pele mais bonita, ela não tem do que reclamar. Alinne é só elogios à vida a dois, com o também ator Cauã Reymond. Ele está me ajudando a me tornar uma pessoa melhor a cada dia. Cauã é maduro, sensível e inteligente.

É um poeta. É bonito, lindo, gostoso e bom ator. É uma pessoa incrível, derrete-se a beldade. O felizardo e os marmanjos, certamente, acham o mesmo dela.

Comments:




Leticia Wierzchowski
08/07/2004


O inferno de todos nós

O filme sobre o Cazuza termina no instante exato da dor. Nós todos sabemos o que sucedeu depois: a morte, o desaparecimento do poeta. Aquela mãe careta e funcional, amantíssima e dominadora, e aquele pai acostumado ao sucesso e, ao mesmo tempo, doce e afetuoso, desmaterializam-se no final do filme; diferentemente, na vida real eles tiveram que seguir do fim em diante.

A pessoa de Lucinha Araújo tomou forma depois da morte do filho. Controversa, a mãe por excelência, superou a perda do rebento único e foi tratar de salvar crianças carentes que carregavam o vírus, e o estigma do HIV. Fundou a Sociedade Viva Cazuza, que sobrevive dos direitos autorais do músico e hoje abriga mais de 30 crianças doentes em regime de internato, e ajuda outros doentes de Aids com medicamentos e cestas básicas.

Num grande ato de superação, Lucinha Araújo trocou a pele da sua dor e foi tratar da dor alheia; ela é um exemplo, entre outros, menos ilustres mas tão valorosos quanto. Há uma série de pessoas que, após a perda de um filho, arregaçaram as mangas e saíram para ajudar o próximo - um gesto de coragem e de dignidade que faz a gente acreditar na gente.

Eu sei, gentilíssimo leitor, que esta é a minha segunda crônica que versa sobre o Cazuza. É verdade que o filme me pegou - pensei nele durante dias, senti saudade durante dias; durante dias fui aquela mãe que viu seu filho ir da refulgência ao sofrimento sem poder fazer nada além de amá-lo.

Então, neste fim de semana, lendo o absolutamente genial As Cidades Invisíveis, do Italo Calvino, fiquei com seu último parágrafo gritando em meus ouvidos. Assim foi que a figura de Lucinha Araújo (a ótima Marieta Severo, no filme da Sandra Werneck) voltou a ocupar a minha mente - ela é a mãe que aprendeu a salvar a si e aos outros do inferno.

Como eu já falei tudo, deixo aqui a pérola final de As Cidades Invisíveis para o deleite de vocês: "O inferno dos vivos não é algo que será; se existe, é aquele que já está aqui; o inferno no qual vivemos todos os dias, que formamos estando juntos. Existem duas maneiras de não sofrer.

A primeira é fácil para a maioria das pessoas: aceitar o inferno e tornar-se parte deste até o ponto de deixar de percebê-lo. A segunda é arriscada e exige atenção e aprendizagem contínuas: tentar saber reconhecer quem e o que, no meio do inferno, não é inferno, e preservá-lo, e abrir espaço."

Oxalá.

leticia.wierz@zerohora.com.br

Comments:




Luis Fernando Verissimo
08/07/2004


Tese e antítese

Tese: no novo futebol, talento demais atrapalha. Santo André vencedor da Copa do Brasil, Once de Onde Mesmo? campeão da Libertadores e Grécia campeã da Europa podem ser anomalias acidentais, mas o que dizer do Real Madrid, aquela seleção do mundo que não ganha de mais ninguém? Não é que as estrelas se ocupem muito com campanhas publicitárias e badalações e não queiram arriscar os ossos, ou joguem de ressaca.

É que têm talento demais. O talento exuberante é sempre um talento natural, e quem tem talento natural não tem nada a aprender, só a ensinar. É difícil para um talentoso natural se sujeitar a treinar os fundamentos do futebol, pois já nasceram com eles, ou a uma disciplina tática que muitas vezes exige o sacrifício do seu brilho pessoal. Os medíocres não têm este problema.

A preliminar daquele jogo França x Brasil pelo aniversário da Fifa, em maio, foi entre dois times de mulheres. E se, em lugar do Reali Jr. e do Dinho Eichenberg, eu estivesse no Estade de France acompanhado por duas francesas (digamos, Beranger e Amelie) que não soubessem nada sobre futebol, eu usaria a preliminar das mulheres e não o jogo das estrelas para lhes mostrar o básico: como um time deve se colocar na defesa, como sair para o ataque - enfim, o óbvio.

Claro que entre as mulheres em campo também havia talentos naturais, mas pode-se supor que a maioria aprendera a jogar futebol em vez de nascer para ele. E viu-se muito menos espetáculo mas muito mais, por exemplo, passes certos na preliminar do que no jogo principal. E jogadas aprendidas e aperfeiçoadas com treino.

A impressão que se tem, vendo esses fenômenos passageiros jogarem - como Bulgária, Croácia, Coréia e outros em Copas do Mundo recentes -, é essa, a do óbvio bem ensaiado e rigorosamente aplicado. Uma entrega total a esquemas defensivos bem organizados - ou seja, à mente do treinador - e confiança total em talentos específicos lá na frente. E, claro, no Fortuito, que joga em todas as posições e em todos os jogos. O treinador da Grécia não inventou nada. Apenas teve a vantagem de ter um time menos talentoso.

Antítese: também deve ser dito que a única maneira de deter o triunfo da mediocridade e das defesas impenetráveis é confiar naquele jogador que está se tornando um mito, de tão escasso: o que vai para cima do marcador e do submarcador e do terceiro marcador e destrói as defesas a dribles, o que além de talento tem arrojo. "De l'audace", diria eu para a Beranger e a Amelie. "Toujours de l'audace!"

Comments:




Paulo Sant'ana
08/07/2004


O novo imposto canino

Noticia-se que um deputado federal está apresentando projeto pelo qual todo proprietário de cães terá de pagar um imposto por animal que tiver em seu poder, em casa ou em canil.

Não é de surpreender, a criação de impostos no Brasil parece ser o esporte favorito dos governantes e legisladores.

A ordem tributária vigente é tributar a propriedade, o trabalho e o prazer. Paga-se imposto ou tarifa para ter carro, barco, telefone, garagem, ancoradouro, residência, televisor, assim como para fumar, beber, comer, sem falar nas despesas várias que se instalam sempre que uma pessoa deliberar fazer sexo, tais como camisinha, viagra, motel etc.

O imposto sobre cães é análogo, trata-se de tributar o amor que as pessoas têm pelos animais. Odiar custa barato, mas o Estado impõe aos seus súditos que paguem muito caro para amar.

Ficou impossível para as pessoas viver sem serem tributadas. Na vida moderna, cada vez mais o Estado controla e mantém vigilância sobre as pessoas.

Recentemente, os vereadores de São Paulo aprovaram um projeto de lei que prevê o registro de animais de estimação na prefeitura.

Os animais ganharão nos próximos 180 dias uma plaqueta de identificação para ser colocada na coleira e um registro geral, semelhante à carteira de identidade.

A medida em breve se estenderá para todas as cidades e Estados brasileiros. Primeiro, o cadastramento, depois a tributação, a exemplo do que acontecerá com as armas: as pessoas são obrigadas a registrarem os revólveres ou pistolas que têm em seu poder, sendo-lhes cobrado o respectivo tributo sobre posse ou eventual uso.

A declaração de propriedade e posse de animais deverá ser feita a exemplo do imposto de renda: confissão e logo em seguida a tributação.

Evidentemente, em seguida os cães tributados terão uma classificação, como acontece com os carros: cão com pedigree pagará mais do que os outros. Com certeza, os cães ferozes, que servem também de armas de defesa e proteção, pagarão imposto maior do que, por exemplo, os inofensivos poodles.

Ou então se tarifarão os cães pelo peso.

Cada raça de cão com a sua alíquota respectiva.

Em compensação, o imposto deixará neste caso de ser leonino para se tornar canino.

Prepare-se então para pagar imposto para ter em casa cães ou pássaros. Como tudo que é bom, haverá o correspondente imposto.

No caso dos pássaros, além do imposto de registro, não se surpreenda se concederem direito ao Ecad de tributar o seu cântico.

E como sempre acontece com os impostos, se instalará a respectiva sonegação. A ocultação de cães, método já usado em muitos condomínios, se exacerbará.

Quem tiver quatro cães vai tentar só pagar imposto sobre dois.

Sem falar nos vira-latas, que se constituirão em explosiva e polêmica informalidade.

Os cães ambulantes de rua serão os camelôs da nova ordem tributária.

psantana.colunistas@zerohora.com.br

Comments:


Evento
Potência sobre duas rodas



As mais incrementadas e modernas motos disponíveis no Estado estão expostas no 5º Salão de Motociclismo, em Porto Alegre. Sessenta expositores estão instalados no centro de eventos do DC Navegantes, até domingo (foto Aline Custódio/ZH)


Comments:

Quarta-feira, Julho 07, 2004




Quarta, 7 de julho de 2004.
Maestro, qual é a nota musical?

Internet e celulares prometem reacender a indústria fonográfica
Cristina de Luca e Mylène Neno


Nada melhor do que comemorar os 50 anos do rock incendiando o mundo da música, não é? E as novas tecnologias estão aí exatamente para esse propósito. Pelo menos é o que nos faz crer a nova investida do Escritório Central de Arrecadação e Distribuição (Ecad), capaz de abalar qualquer estrutura.

Se preparem agora para a arrecadação de direitos de execução pública de ringtones e músicas baixadas da Web! Isso mesmo. A entidade entende que ao receber chamadas em seu celular, com toques de suas músicas favoritas, o usuário está executando publicamente essas canções e deve pagar por isso.

As pessoas acham que na Internet tudo é possível, é uma orgia informática. Mas essa libertinagem de direitos não existe. Por isto o Ecad está se adequando a fim de que a utilização de música pela Web seja feita de forma lícita, explicou a superintendente do Ecad, Glória Braga, durante o 5º Seminário de Inverno: Desafios Jurídicos na Internet, Publicidade e Software Livre, semana passada, no Rio.

A cobrança recairá sobre operadoras, desenvolvedores de software e provedores de conteúdo. E é bem provável que ao menos parte desse valor seja repassado aos clientes, aumentando o custo dos downloads. Isso tem que ser muito estudado para que não passem a cobrar duas, três, quatro vezes esses direitos, lembra Claudia Boechat, da Sony Music. Até entendo que o Ecad considere ringtones e mastertones como execução pública, mas não vai ser viável para nenhum dos lados nem Ecad, nem gravadoras, nem editoras.

Segundo Antero Salgado, gerente nacional de arrecadação do Ecad, a negociação com as operadoras está bem adiantada e a cobrança deve começar a ser feita já a partir desse mês. Os índices são de 5% sobre o valor de download de ringtones e 7,5%, nos true tones. No mundo todo é assim. Não estamos inventando nada, garante.

Confira como é dividida a arrecadação de execução pública pelo Ecad em cada segmento do mercado.

Comments:




ARTUR DA TÁVOLA
Sabores inesquecíveis

E não é que deu saudade do tempo em que mergulhava o Biscoito Maria, aquele de maisena, na xícara farta do café com leite? Contrariei restrições médicas, fui ao armário, achei o pacote e, com alegria de travessura infantil, afundei dois biscoitosno café com leite! Desilusão! O sabor era outro, não porque deixei de ser criança mas a qualidade do produto, era inferior à dos saborosos e velhos biscoitos Maria.

Fiquei a pensar em antigas delícias que por sua popularidade ou popularização, depois caíram na desqualificação. Já nem falo no gostoso Polenguinho que misteriosamente foi diminuindo de tamanho na relação inversa ao preço..., nem no antes maravilhoso Catupiry que hoje parece sebo.

Tampouco aludo aos saquinhos de queijo ralado com sabor de tudo menos de parmesão, ou mesmo no velho e crocante Creme Cracker, cujo quadrado diminuiu como já diminuíra, aos poucos o tamanho das garrafas de água mineral, cada vez menores e mais caras, um avanço predatório das empresas multinacionais em nossas águas, a ameaçar incomparáveis relíquias do patrimônio mineral do País.

Garrafinhas ínfimas que as ditas empresas diminuem de tamanho sem baixar o preço e ninguém faz nada. Isso, sem esquecer de que um litro de Coca Cola custa mais caro que um litro de gasolina...Já não falo nas caixinhas do sorvete ¿diet¿ e de iogurte que igualmente minguaram. São espertezas da indústria em País no qual o consumidor ainda não aprendeu a se defender como deve.

Mergulhar o biscoito de Maisena no café com leite, vejam só, um gesto tão simples e olhe-me a reclamar e a recordar alguns sabores inesquecíveis de anos passados, hoje tornados artificiais e insípidos em qualquer bar ou botequim, e mesmo em restaurantes, como pastéis, empadas, quibes fritos, bolinho de bacalhau que é batata pura e pizzas sem graça..

Neguinho come para matar a fome, não mais pelo sabor. Ficaram tão populares que passaram a ser feitos de qualquer maneira. O mesmo se deu com alguns produtos de lata como salsichas e os outrora deliciosos e fartos pêssegos em calda, hoje mirrados e tristonhos...Por falar nisso: há quanto tempo você não come uma broa de milho ou um doce de batata roxa?

E-mail: tavola@ism.com.br

Esta coluna é atualizada às terças, quartas e quintas.

Comments:




Hoje temos futebol para começar, Turismo, Televisão/Cinema e como sempre, as cronicas do dia, com a Martha Medeiros, o Coimbra e o Paulo Santana. Boa leitura e um ótimo dia de quarta-feira.

O Vasco é o time da virada

Com a dupla Pet-Muriqui, equipe vence o Vitória por 3 a 1. Foi o primeiro tirunfo em São Januário
Carlos Monteiro


Petkovic foi o maestro do Vasco em São Januário. Mesmo caçado em campo, o gringo fez um gol de pênalti e se isolou ainda mais na artilharia da equipe, agora, com 7 gols

Demorou. Mas depois de 4 meses e três dias, o Vasco finalmente venceu em São Januário. Ontem, de virada, o time de Geninho bateu o Vitória de Osvaldo de Oliveira, por 3 a 1. Os gols foram marcados por Petkovic, Henrique e Muriqui, com Obina descontando. Sábado, é dia de enfrentar o Flamengo.

O jogo começou com a torcida do Vasco sentindo um friozinho na espinha. Aos 3 minutos, Pedro cruzou da direita e Márcio rebateu para o meio da área. A tensão aumentaria, aos 15. Ignorando as pressões da diretoria cruzmaltina, que colocou faixas criticando os erros da arbitragem contra o Vasco, o juiz Romildo Correia marcou, corretamente, um pênalti de Henrique em Obina. O próprio Obina cobrou e fez 1 a 0, aos 16.

A partir daí, o Vasco acordou. Depois de desperdiçar boas oportunidades aos 15 (Pet escorregou na área) e aos 24, quando a zaga interceptou um passe açucarado de Valdir para o Gringo, o Vasco empatou.

Aos 31, Valdir foi lançado pela esquerda, invadiu a área, foi derrubado e o juiz, também corretamente, marcou o segundo pênalti do jogo. Pet cobrou aos 34 e empatou a partida em 1 a 1.

Como na primeira etapa, os vascaínos levaram um susto, logo no primeiro minuto da etapa final. Leonardo chutou de fora da área e Márcio soltou novamente. Só que desta vez para escanteio.

O Vasco, com menos um Alex Alves não fazia nada de produtivo , quase marca, aos 10. Diego lançou da esquerda, no segundo pau, Valdir subiu mais do que os zagueiros e cabeceou cruzado, mas para fora.

Aos 12, o gorducho Alex Alves desperdiçou sozinho, diante de Juninho. Aos 16, foi Valdir quem perdeu gol incrível. Chiquinho cruzou da Direita, o Bigode, sozinho, cabeceou para o chão, mas o goleiro pôs a escanteio.

Muriqui entrou no lugar do inoperante Alex Alves e mudou o time. Além de provocar a expulsão de Nenê, fez a jogada do segundo gol. Depois de passe de Petkovic ele chutou e a bola sobrou para Henrique marcar, aos 28. Mas o terceiro foi do jovem atacante. Pet fez excelente jogada, tocou para Muriqui, que teve tranqüilidade, escolheu o canto e fez 3 a 1, aos 46, tranqüilizando a torcida.