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Vocês encontrarão aqui muitas figuras construidas em Flash, Fireworks, Swift3D e outros aplicativos. Encontrarão também muitas crônicas do Luiz Fernando Veríssimo, Martha Medeiros, Macaco Simão e de outros cronistas de jornais diários e de revistas semanais. Endereço para email: cassiano.leonel@terra.com.br e para observações e comentários utlize os links disponíveis nos próprios textos. Espero que ele seja útil a você de alguma maneira, pois esta é uma das razões dele existir.

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Sábado, Julho 17, 2004




Bela da tarde

Vanessa Giácomo, a Zuca de Cabocla, troca o algodão pela seda e fala sobre a vida e a carreira
Marcelle Carvalho


Cetim e crepe de seda no vestido sensual da marca Tessuti (R$ 900)

Ter um dedinho de prosa com Vanessa Giácomo é perceber de cara que a protagonista de Cabocla só tem o ar do interior no jeito de falar. Nem de longe é bichinho do mato, como Zuca. Quando desanda a falar, é despachada, o que deixa qualquer pessoa bem à vontade. Adoro uma boa conversa, afirma Vanessa, 21 anos, que posou para o D+Mulher com delicados vestidos de noite que nunca saem de moda.

Acompanhada da mãe, Ivonete, 53 anos, Vanessa fez um pedido logo que chegou ao local das fotos: algo para comer. Afinal, tinha chegado de Bananal (SP) direto para entrevista. Pede muita batata-frita. Gosto de comer besteira, adoro fast food, diz ela. Tempo depois, devorava um big sanduíche com milk shake. Vanessa pode até ter preocupação com a forma, mas não é doente com dietas e exercícios. Não tenho paciência para eles, afirma. E nem para cremes e óleos. Não ligo. Tenho a cara lavada da Zuca. O que mais gosto é de perfumes, diz ela, que, atualmente, usa Versace Dreams.

Natural de Volta Redonda, Vanessa está no Rio há três anos, quando decidiu investir na carreira. Deixou o pai no interior e veio com a mãe para capital, instalando-se na Barra. Aqui, fez apenas três testes e, num deles, pegou o papel principal de Cabocla. Fiz o teste de peito aberto, com a alma mesmo. Entendi de cara o que era a Zuca, diz Vanessa, que num intensivão da roça, aprendeu a ordenhar e andar a cavalo sem sela.

O biótipo também ajudou. Bonita com a cara lavada e miudinha com 1,60m e 48 quilos Vanessa passa a sensualidade natural da mulher do campo. O que se estende também para fora do vídeo. Me acho menininha, magrinha, uma mulher normal. Quando dizem para mim você é bonitinha, eu gosto, porque vejo um lado puro, acredita. Mas avisa que não se intimidaria em fazer um personagem mais ousado. Se entrou nessa profissão, é para encarar de verdade. Não faria um personagem vulgar, mas ousado, sem problemas, afirma.

Porém, isso não significa que toparia fazer fotos nua. Não estou preparada para isso, nem mesmo para fotos sensuais, garante Vanessa, que declinou convite para estar no site Paparazzo. Sem deslumbramento o glamour pode ser bom, mas não me enche os olhos Vanessa afirma gostar das coisas simples da vida. Se me chamar para ir a um churrasco, feijoada, vou na boa, jura.

FICHA TÉCNICA: CABELO E MAQUIAGEM Alberto Pinheiro (Ophicina do Cabelo); PRODUÇÃO Márcia Góes e Mariana Salim; ENDEREÇOS Maria Bonita Extra - Shopping da Gávea, 2º piso; Tessuti - Rua Garcia DÁvila 134, Ipanema; Gart - São Conrado Fashion Mall, 2º piso.

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Martha Medeiros
18/07/2004


Julgar os outros

Já achei textos consagrados uma chatice e já vi graça e novidade em textos considerados descartáveis. Não sou confiável nem para julgar a mim mesma

Sempre leio com prazer as crônicas da Maria Tomaselli Cirne Lima, mas a que saiu segunda-feira passada me chamou especial atenção porque ela aborda um assunto que me fascina. Maria recentemente participou do júri do Salão Jovem Artista e comentou, na crônica, a dificuldade de se julgar obras de pessoas que estão começando. Disse ela que passou uma noite mal-dormida depois de selecionar alguns trabalhos e descartar outros tantos. Entendo-a perfeitamente.

Recebo dezenas de textos por semana para avaliar. Meus colegas devem receber a mesma quantidade. Não sei o que eles pensam a respeito, mas eu acho a tarefa um suplício. Não só pela falta de tempo, mas pelo constrangimento que causa a mim e ao candidato a escritor. Enviar um texto para avaliação exige certo desprendimento, a pessoa fica ali, despida, sujeita a um "gostei" ou "não gostei". Geralmente, não gosto. E daí? Isso não muda nada.

Posso ter me equivocado. Quem pede avaliação costuma ter pouca experiência, é comum errar. Não tenho bola de cristal, o jovem autor talvez venha a ser, no futuro, um Machado de Assis. Ok, Machado já devia escrever direitinho aos cinco anos de idade, mas você entendeu. Não me considero habilitada para dar veredictos literários. Já achei textos consagrados uma chatice e já vi graça e novidade em textos considerados descartáveis. Não sou confiável para julgar nem a mim mesma.

Até nas vezes em que eu sabia estar certa, fracassei. Quando integrei o júri do Festival de Cinema de Gramado, em 2001, fui voto vencido no prêmio para melhor fotografia. Um dos integrantes do júri julgou "inovadora" a luz de um filme que ninguém nunca mais ouviu falar (Urbania) e convenceu todo mundo a não dar o prêmio a Roberto Henkin, diretor de fotografia de Netto Perde sua Alma, disparado o melhor na categoria. Eu lutei o que pude pelo Henkin, até que alguém insinuou que eu estava sendo tendenciosa por ser a única gaúcha do júri. Tendenciosa, coisa nenhuma. Foi injustiça mesmo.

Injustiça é algo que me desestabiliza, que altera meu humor. E é o que mais ocorre em qualquer julgamento. Faz parte do processo. As maiores top models do mundo nunca ganharam o primeiro lugar em concursos de beleza. Em 1962, um executivo de uma gravadora dispensou os Beatles porque, segundo ele, conjunto de guitarristas não tinha futuro. Em 1864, Manet disse que Renoir, então com 23 anos de idade, não tinha o menor talento para a pintura. Em 1928, um executivo da Metro analisou da seguinte maneira um teste de Fred Astaire: "Não sabe representar, nem cantar, e é careca. Dança um pouco". O ator George Raft (George quem?) recusou-se a ser protagonista de Casablanca porque não queria contracenar com uma sueca desconhecida.

Todo mundo já deu suas bolas fora. Competência para julgar, só quem tem é o tempo.

martha.medeiros@zerohora.com.br

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Luis Fernando Verissimo
18/07/2004


Empréstimo ou doação

A Mila não merece o Gerson. E eu, mereço essa mulher? Mereceria a Mila? Concluiu: nenhum homem sabe a mulher que tem até não merecê-la mais

- Não te mete, João.

Foi o conselho que Bel, a mulher de João, deu quando João disse que ia contar ao Gerson que vira sua mulher, Mila, agarrada com outro homem numa mesa de bar, no fundo, no escurinho.

- Não te mete, João.

- Mas Bel, no fundo, no escurinho.

- Não te mete.

- Agarrada, Bel!

Não adiantou Bel argumentar que podia ser um parente. Um primo. Alguém que a Mila não via há muito tempo.

- Então era há muito tempo mesmo - disse João. - Se beijavam como se não se vissem há 20 anos. 30. Na boca, Bel. E a mão dele na coxa dela. Por baixo da saia. Se era parente, era parente muito próximo.

- Você viu a mão dele na coxa dela?

- Não vi mas deduzi. A mão não estava à vista. A mão só aparecia para...

- Espera um pouquinho. Quanto tempo você ficou espiando a Mila?

- Eu não estava espiando. Não havia como não ver.

- Você disse que estava escuro. Podia não ser a Mila.

- Era a Mila.

- E se era só alguém parecido? Você conta para o Gerson, eles brigam, talvez até se matem, e você estava enganado, não era a Mila. E daí?

- Tenho certeza que era a Mila, mulher do Gerson. E tenho que contar para o meu melhor amigo. Ele faria o mesmo por mim.

Não adiantou Bel argumentar que Gerson podia não acreditar nele. Ele acreditaria se o Gerson lhe contasse que vira ela, Bel, num bar, agarrada com outro? João respondeu que não acreditaria porque sabia a mulher que tinha. E que o que iria dizer ao Gerson era justamente isso: o Gerson não sabia a mulher que tinha. O Gerson precisava saber a mulher que tinha. Não adiantou Bel argumentar que Gerson podia muito bem perdoar a Mila e brigar com o João. Que o João estava pondo em risco sua amizade, além da vida da Mila. Que era melhor para todo o mundo o João não se meter.

Mas João se meteu.

João escolheu a sauna. Por alguma razão, achou que seria mais fácil se os dois estivessem nus. Faziam sauna juntos todas as terças, quando havia menos gente. Pouca gente por perto, os dois reduzidos a apenas isso, dois animais amigos, suando lado a lado. Perfeito. Seria na sauna da terça. João decorou sua fala. O tema seria: a Mila não te merece, você não merece uma mulher como a Mila.

Mas João nem conseguiu completar a primeira frase "Meu amigo, preciso te contar..." e foi interrompido pelo Gerson, que agarrou seu braço.

- Meu amigo, preciso te contar uma coisa - disse Gerson.

E Gerson despejou o drama que estava vivendo. João não sabia, talvez desconfiasse, mas agora ia saber. Ele, Gerson, estava arruinado. Perdera tudo. Não tinha a quem recorrer. Vendera todo o seu patrimônio, mas as dívidas só aumentavam. Recorrera ao patrimônio da Mila, mas não fora o suficiente. Restava uma saída. O crápula do Jailson, seu primo. O que vivia dando em cima da Mila. O crápula tinha dinheiro. O crápula poderia salvá-lo. Mas para isso, era preciso que a própria Mila pedisse. Que a Mila se encontrasse com o crápula e negociasse o empréstimo.

Ou a doação, dependendo de como se desenrolasse a negociação. A princípio, Mila resistira. Tinha nojo do Jailson. Nojo. Mas a isto nos impele este sistema asqueroso, choramingou Gerson, quase encostando a testa no ombro suado do perplexo João. A isto nos leva o dinheiro, a fraqueza humana e uma alma enegrecida pela cupidez. Implorei a Mila para que fosse ter com o crápula e conseguisse o dinheiro. Fui mais crápula do que o crápula.

- E ela foi? - perguntou João.

- Foi. Por amor a mim, foi.

- Empréstimo ou doação?

Gerson mal conseguiu falar. Finalmente, com um soluço, disse:

- Doação. Doação!

E:

- Eu não mereço uma mulher assim!

Bel estranhou o laconismo do João, quando este chegou em casa.

- Como é? Contou?

- Ele já sabia.

- Quem era o outro?

- Um primo.

- Um primo? Mas...

João não quis mais falar no assunto. Durante o jantar, ficou pensando: o que a Bel faria por mim, se eu fosse crápula o bastante? A Mila não merece o Gerson. E eu, mereço essa mulher? Mereceria a Mila? Concluiu: nenhum homem sabe a mulher que tem até não merecê-la mais.

- O que você está me olhando desse jeito?

- Nada.

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Moacyr Scliar
18/07/2004


Neruda, o perguntador

O poeta chileno Pablo Neruda trouxe a interrogação para a poesia e a poesia para o cotidiano de todos nós

Pablo Neruda, cujo centenário de nascimento foi lembrado esta semana, deixou uma vasta obra poética, variando entre o lirismo romântico e o engajamento político. Mas o meu preferido é um livrinho relativamente pouco conhecido que a eclética, poética e sempre estética L&PM recentemente relançou em edição bilingüe: Livro das Perguntas. São 74 poemas sem título, todos redigidos como interrogação, e todos eles surpreendentes pelo humor, pela ironia, pela sabedoria. Alguns exemplos, inteiramente ao acaso: "Onde pode viver um cego/ a quem perseguem as abelhas?". Ou: "Há algo mais triste no mundo/ do que um trem imóvel na chuva?". Ou: "Conversa a fumaça com as nuvens?". Ou ainda: "É verdade que no formigueiro/ os sonhos são obrigatórios?".

Inesperado Neruda, brilhante Neruda. O carteiro com quem conversava ficaria perplexo, mas encantado, com essas perguntas.

Perguntar não ofende, é o dito popular, que reflete uma sabedoria mais do que milenar. Perguntas já aparecem na Bíblia. Quando Caim mata a Abel, Deus não o acusa diretamente do crime; poderia fazê-lo, porque Deus vê tudo, Deus sabe tudo. Mas o Senhor prefere questionar o irmão assassino, perguntando onde está Abel. Ele quer que, desta maneira, Caim tome consciência do que fez. Perguntas também formam a base do método socrático. Sócrates não afirmava, indagava. A mensagem da Bíblia e do filósofo é a mesma: a pessoa tem de se dar conta daquilo que sabe e daquilo que não sabe, daquilo que mostra e daquilo que oculta; a pessoa tem de se questionar e encontrar a sua própria verdade. No caso de Sócrates trata-se de método, com rigor de método, mas com uma gentileza que não é comum a todos os métodos.

Esta gentileza tem inclusive expressão gráfica. Comparem o ponto de exclamação com o ponto de interrogação. A exclamação é usada por aqueles que clamam, que bradam, que gritam, com razão ou sem ela: os retóricos, os demagogos, os fanáticos. A exclamação é representada por uma espécie de bastão, de cunha, abaixo do qual há um ponto. É como se a implacável parte superior tivesse como alvo a parte inferior. Já o ponto tem um formato curvo, mais compatível com a realidade: se a reta é o caminho mais curto entre dois pontos, é também a exceção: a vida, em geral, é tortuosa, cheia de curvas e de dúvidas. Mas o ponto de interrogação também pode ser visto como um anzol ao contrário, e, de novo, esta imagem é metafórica: a interrogação é o anzol que fisga a verdade, como queria Sócrates.

Neruda não foi o único, claro, a usar interrogações. O escritor Max Frisch escreveu um dilacerante conto chamado "Questionário" que pergunta, entre outras coisas, "Tens amigos entre os mortos?". Na tradição judaica perguntas são comuns. Há uma historinha a respeito. Um homem pergunta a um judeu: "Por que vocês, judeus, respondem a uma pergunta sempre com outra pergunta?". "Por que não?" - é a resposta (ou pergunta: você decide). Dentro desta tradição, é famosa a frase do sábio Hillel, que viveu no primeiro século depois de Cristo, e cujos ensinamentos têm muito em comum com os de Jesus: "Se eu não for por mim, quem o será? Mas se eu for só por mim, o que serei eu? E se não agora, quando?".

Neruda, o perguntador, trouxe a interrogação para a poesia e a poesia para o cotidiano. Pergunta: não é este um motivo suficiente para glorificar alguém?

scliar@zerohora.com.br

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Paulo Sant'ana
18/07/2004


Fértil semente

Desculpem que esta coluna possa servir à vanglória do colunista. Mas como é muito delicado opinar, são tantas vezes em que se é incompreendido por argumentar contra o senso comum, contra o fluxo da opinião pública, que quando chega uma mensagem de compreensão para essa dificuldade que o opinador atravessa, a alma da gente se enche de recompensa.

É bem verdade que muitas vezes me surpreendo como opinador a cortejar a opinião pública, causando-me intimamente pejo por buscar o aplauso fácil.

No entanto, quando não raro encorajo-me a contrariar a maré da opinião pública, vou para casa com a sensação do dever de consciência cumprido, mas repleto de incertezas e receios quanto ao impacto que causará à maioria dos leitores uma discordância tão contundente ao entendimento generalizado.

E quando a gente se atreve ao risco da incompreensão - ou até mesmo da revolta - para afirmar uma convicção nascida de laboriosa intelecção e do que se entende como senso de justiça de imperiosa divulgação e encontra amparo nos espíritos justos, retos e superiores, então se fica tomado de intenso júbilo por ter valido a pena desafiar os cânones do julgamento popular, apenas na intenção de lançar alguma luz diversa do brilho ofuscante da inverdade dominante.

É por essa sensação de alívio que publico a mensagem de reconhecimento que recebi, pedindo novamente perdão pelo pecado de auto-elogio que a publicação encerra.

Eis a mensagem: "Caro Sant'Ana. Seduzem os mais afoitos as exigências de justiça rápida, estancamento da crise social, resposta eficiente para a sociedade, e toda a balela que cerca o ideário de 'lei e ordem' muito pregado no Brasil.

Raro, e repito, raro que nos meios de comunicação de massa - Zero Hora é de massa ou seria o Diário Gaúcho? - surjam vozes lúcidas e conscientes sobre postulados tão elementares quanto difíceis de serem respeitados, como presunção de inocência e devido processo.

A função que tua voz, solitária, exerce é a de acender um fósforo numa floresta de escuridão e cegueira. Por isso ela é luzidia, seja pela tua percepção, seja pela função que desempenha.

Como ousas, em meio ao clamor popular e a 'todas as provas' que contra o acusado existem, pregar que seja libertado? Não tenho dúvidas de que recebeste, sobre a questão, dezenas de correspondências te execrando pela defesa do criminoso.

É que é muito difícil ao desinformado ter sensibilidade para observar que o que advogas não é defesa de um indivíduo ou de outro, mas a tua própria, a do cidadão indignado, dos filhos dele, enfim, da sociedade. Que a prisão cautelar é utilizada como antecipação de pena, quando sua única possibilidade legal - e o nome já indica - é a cautela, da sociedade, do acusado, ou do processo.

A coluna - será difícil que percebam isso - é para além da culpa ou inocência do réu, não se compromete com isso, mas sim com o respeito de garantias e a observância de racionalidade e razoabilidade.

Num sistema policial em que, recentemente, prendeu-se quase uma dezena de rapazes pela morte daquelas crianças que um maníaco veio depois a confessar, com psantana.colunistas@zerohora.com.br detalhes insuspeitos, não surpreende que se descubra, ainda, o autor do delito.

Não me comprometo com tuas afirmações quanto à conduta dos advogados do preso, porque processo é estratégia, e há sempre que se escolher um caminho, sendo de rigor que nunca compares um caso com o outro - embora a lógica assim ordene -, porque embora para fatos iguais se devesse aplicar igual direito, não é o que ocorre, por uma infinidade de variáveis, na hipótese da coluna, a começar pela expressão econômica de um dos acusados.

Segue bravando contra a obtusão de massa, pulverizando sol na escuridão, exercendo com esta responsabilidade teu fardo de levar para os cidadãos um pouco de esclarecimento, para que percebam que tua defesa é a defesa deles. Abraço, (ass.) Eduardo Corrêa, Rio Grande, (RS)".

Como chegou bem, em socorro à minha aflição, este reconhecimento de uma pessoa por mim desconhecida.

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Comércio Exterior
Os desacertos da integração



Moradores de cidades fronteiriças com Uruguai e Argentina, como Livramento (acima), há muito vivem os entraves comerciais que governo e empresários brasileiros tentam atualmente superar para garantir o sucesso do Mercosul (foto Duda Pinto, especial/ZH)

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Esta é a crônica do Silvestrin de hoje, comoestou sem as barrinhas de sepração amanhã prometo adicioná-las.

Ricardo Silvestrin
17/07/2004


Sem frescura

Tem um novo ar sendo respirado na TV brasileira. E não vem de algo novo. Vem do resgate de uma figura interessantíssima da nossa cultura: Paulo César Peréio. É o programa Sem Frescura, no Canal Brasil. Peréio faz entrevistas. No programa a que assisti, ele entrevistou sua ex-esposa, Ciça Guimarães. A ousadia já começa por aí. A separação dos dois teve lances não muito legais, mas agora parece estar tudo bem. Inclusive, no final, Ciça falou que estava nervosa antes de fazer a entrevista, mas concluiu: "Somos uma separação que deu certo".

O papo foi no gramado de uma casa. Cada um sentado numa cadeira de jardim, sem mesa à frente. Peréio estava de bermuda, camisa e pés descalços. Como quem recebe um amigo em casa. É o mesmo saudável despojamento que esse ator de inúmeros papéis marcantes do cinema brasileiro sempre nos trouxe. Contrasta com o neomauricismo dos últimos, digamos, 14 anos.

Contrasta também com esse despojamento atual a la Chapolim Colorado, "meus movimentos são friamente calculados" - o descabelamento feito no cabeleireiro; a calça rasgada e desbotada comprada na loja. Com Peréio não tem isso.

Ele é verdadeiro na sua cara de enfado. Na sua ironia de quem não tem muita paciência para o mundo das aparências. Uma vez perguntaram ao cineasta John Huston por que Orson Welles não tinha conseguido se dar bem em Hollywood. Huston respondeu que Welles não tinha muita paciência para tratar com imbecis, e Hollywood era um lugar cheio deles. Peréio é dessa turma de azedos tão necessários para equilibrar o jogo.

A conversa girou em torno do cinema, do teatro, da TV, do ofício de ator. Ciça contou que, bem no início da carreira, casada com Peréio, chegou em casa e disse que não sabia o que fazer em cena com a sua personagem. Peréio disse: "Não faça nada". Era isso. Não tinha que fazer. Tinha que não fazer, o que, segundo ele, é uma das coisas mais difíceis para o ator. É preciso saber não fazer nada. Foi um grande conselho que Ciça levou inclusive para a sua vida.

Peréio vem de uma turma do menos. Menos ostentação, menos fingimento. O que, na proporção inversa, vira mais verdade, mais crueza. Tem um pouco do Peréio também no seu sobrinho, o Alemão, baterista da Graforréia Xilarmônica. E, por conseqüência, um pouco do ator também na postura e na sonoridade da banda. Alemão, assim como o tio, é despojado, irônico, sem frescura. Frank Jorge e Carlo Pianta não ficam atrás.

Uma das músicas que a Graforréia canta tem como início: "um bagaceiro, chinelão / vai bater na porta da sua casa...". Tem uma estética Peréio nisso. Como tem na capa e no CD solo do Alemão, cujo nome é um deboche total: Supermaneiro. Los Hermanos, com suas barbas longas e suas roupas sem afetação, vejam mais os velhos filmes do Peréio. Encontrarão mais forças para seguir o caminho que buscam. A volta de Peréio é um sinal, uma onda que pode irradiar pelo planeta uma nova fase de desmauricinização irreversível. Amém.

ricardo.silvestrin@zerohora.com.br

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Esta é a crônica de hoje do Paulo Santana.

Paulo Sant'ana
17/07/2004


Discussão acadêmica

Recebo do procurador de Justiça José Túlio Barbosa uma tese insurgente à absolvição do homem que sodomizou seu amigo numa orgia sexual: "Ao caríssimo jornalista Paulo Sant'Ana.
O fecho de tua crônica de quinta-feira é absolutamente magistral, como tantos outros.

Apesar disso, e sem querer polemizar, por não conhecer o processo e por considerar que se deva proteger a intimidade da sedizente vítima, por tal estar garantido constitucionalmente, creio que censuras possam ser feitas à tese consagrada.

Não é verdadeiro afirmar-se que quem aceita convite para participar de uma 'suruba' esteja aceitando a possibilidade de ser ativo e de se submeter às vontades homossexuais de outros participantes (passivo). Com efeito, alguém pode aceitar o convite para apenas penetrar os demais parceiros, tanto as mulheres quanto os homens que do ato participem.

Constrangê-lo, porém, a aceitar a penetração à força é, sim, ao menos em tese, praticar o delito de atentado violento ao pudor, que aqui não é o de participar de ato sexual grupal, mas o de preservar o pundonor sobre seu próprio corpo.

Ao depois, parecer ter havido prejulgamento, a partir de estimativa moral do fato. Se se tratasse de justificativa do ocorrido por falta de prova sobre a violência, então a argumentação haveria de ter dispensado a incursão sobre a dita imoralidade. E a imoralidade não submete as pessoas a completa vontade e à dissolução moral ainda maior dos outros. Se tal pudesse ser alegado, a prostituta poderia ser constrangida às conjunções carnais por aqueles a quem decidiu rejeitar.

A Justiça deve proteger a dignidade de todos, mesmo dos que pensam não tê-la.

Mas... vivas a Sodoma e Gomorra!

Que tempos enlouquecidos, meu Deus! Abraços".

Com todo o respeito, senhor procurador, não compartilho de sua tese e me perfilo à decisão da Justiça goiana. O senhor afirma que é perfeitamente lícito a quem participe de uma bacante reservar-se o direito de somente penetrar.

Já eu entendo que esse direito somente pode ser consagrado quando houver sexo entre duas pessoas. Quando se instala o coletivismo na prática erótica, rompem-se todos os limites éticos.

É impossível o que o senhor preconiza, caro procurador. Se todos ou a maioria dos integrantes desta festa sexual efusiva armarem-se somente de propósitos unilaterais idênticos, soçobra o equilíbrio dos jogos, negando-se o acesso a todos os prazeres aos litigantes.

A orgia sexual é um exercício de ataque e defesa. E o senhor está se alinhando à tese defensivista do colega Wianey Carlet, mediante à qual é preciso primeiro defender-se para depois atacar.

Para o caso em questão, ainda utilizando a metáfora futebolística, prefiro o adágio popular: "Quem não faz leva".

É impossível, querido procurador, fazer funcionar uma orgia sexual com quatro volantes, como prega sempre o Wianey.

Mudando de assunto, eu mesmo incorro em contumácia crítica da imprensa ao Sistema Único de Saúde. O que a nós escapa, críticos do sistema, são as virtudes do SUS, que por trás das denúncias de precariedades, no entanto mostra-se largamente eficaz no atendimento gratuito de saúde das multidões.

Como tal, atentem para esta simples mas significativa mensagem que me manda uma senhora: "Com referência ao seu comentário no Jornal do Almoço sobre a superlotação hospitalar e atendimento do SUS, quero lhe dizer que sou dona de casa e tenho sob minha responsabilidade minha mãe, que tem 87 anos. Ela sofre de isquemia cerebral e tem um irmão que é deficiente mental e tem 60 anos. Recebemos todo o atendimento médico e dentário pelo SUS no Posto Nova Brasília, no bairro Sarandi.

E tem mais: o médico do SUS atende minha mãe a domicílio, em nossa casa, pois ela não tem condições de se movimentar. Gostaria assim de colocar em poucas palavras os imensos benefícios que são prestados a nós e à nossa comunidade pelos médicos, dentistas e funcionários do nosso posto de saúde. (ass.) Maria Luzia Medeiros, Rua Rezende Costa, nº 870, bairro Sarandi".

Que bonito este reconhecimento. Uma anciã tendo atendimento médico a domicílio pelo SUS! Que coisa grandiosa. E eu que tantas vezes critico os dirigentes do SUS, cumpro o dever de enviar a eles um rasgado e profundo elogio.

psantana.colunistas@zerohora.com.br

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Já estou aqui na Terra do Erico Verísimo depois de percorrer os quase 400 km. Sol gostoso mas um vento super frio é o tempo por aqui, nesta Cruz Alta da lenda da Panelinha. Amanhã a gente se cruza outra vez.

Clima
Serra aguarda a neve



Sexta-feira gélida (na foto, Cambará do Sul) colaborou com a previsão de queda de flocos no fim de semana (foto Júlio Cordeiro/ZH)


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Sexta-feira, Julho 16, 2004




Telefonia
Conta sem taxa

Movimento contra cobrança mensal reúne órgãos de defesa, parlamentares e a Embratel

Dolores Orosco
Colaborou: Rita Moraes


Catanduva fica no próspero noroeste paulista. Como tantas localidades da região, nasceu rodeada por cafezais, à beira de um rio, e foi cortada por uma ferrovia. Hoje tem 100 mil habitantes, é um pólo universitário, conta com um parque agrícola diversificado e tem servido de palco para uma batalha de proporções nacionais entre usuários de telefonia fixa e as operadoras.

A discórdia atende pelo nome de taxa (ou tarifa, depende do lado da briga que você estiver) mensal de assinatura. A cobrança é tão antiga quanto o telefone, mas tem sido alvo de ataques nos últimos meses. Por força de uma liminar, os habitantes da Cidade Feitiço (o apelido vem do animado Carnaval catanduvense) passaram 20 dias, até a noite da quarta-feira 14, desobrigados de pagá-la.

O alto custo R$ 31,14 para residências em São Paulo, antes do aumento e uma suposta falta de lógica cobra-se mesmo que o telefone não saia do gancho têm servido de combustível para órgãos de defesa do consumidor, parlamentares e até para a Embratel, que lançou um serviço sem a tarifa fixa.

O movimento contra a cobrança tem três caminhos: o jurídico, o legislativo e o mercadológico. Na primeira frente, estão as ações contra a taxa, em geral promovidas por associações de defesa do consumidor. A de Catanduva se destaca por ter obtido êxito (mesmo que temporário), mas elas já são milhares espalhadas pelo Brasil. Na seara das leis, tramita há três anos, no Congresso Nacional, projeto do deputado Marcelo Teixeira (CE), que pede o fim da assinatura.

No mercado, se destaca a iniciativa da Embratel, que começou a mostrar suas garras na telefonia fixa com o Livre, seu telefone sem tarifa fixa. A empresa criou o produto sobre a estrutura da Vésper, adquirida em dezembro. Até então, a Vésper contava com uma carteira de 500 mil clientes em 17 Estados e dificuldades históricas de crescimento.

O Livre, lançado em fevereiro, garantiu à empresa novos 150 mil assinantes. Com um detalhe: sem publicidade alguma. Nós só começamos a fazer propaganda do produto em julho, diz o diretor da Embratel, Rance Hesketh. Agora que a campanha está no ar, o crescimento tem sido explosivo, garante, sem detalhar os números.

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continuação

Ao mesmo tempo, surgia a frente catanduvense de ataque à tarifa. Um advogado local, Luciano Aparecido Caccia, estudou ao longo de dois meses a legislação do setor. Sua pesquisa resultou numa tese a de que a cobrança é uma taxa (e não uma tarifa) e, portanto, precisa de uma lei que a autorize.

Ele preparou diversas ações em nome de seus clientes e atulhou o fórum local. Três delas caíram nas mãos do juiz Paulo Cicero Augusto Pereira, da 1ª Vara da cidade, que concedeu liminares interrompendo a cobrança. Duas delas já foram suspensas pelo Tribunal de Justiça de São Paulo. Uma permanece em vigor e beneficia apenas o cliente de Caccia.

Inspirado pelo sucesso do advogado, o deputado estadual José Dilson (PDT) se uniu a uma associação e ingressou com uma ação civil pública contra a cobrança em Catanduva. O juiz Pereira concedeu a liminar em 25 de junho, que seria suspensa 20 dias depois. O deputado tem ainda um projeto de lei na Assembléia paulista contra a taxa. Muita gente deixa de ter telefone por causa desses R$ 30, afirma.

A Telefonica, que denomina a cobrança como tarifa, discorda. Há muita desinformação nessa campanha. Eliminar a assinatura significa colocar em risco a universalização do serviço, diz o vice-presidente de Estratégia Corporativa e Regulatória, Eduardo Navarro. Ele explica: Há uma parcela de clientes rentáveis subsidiando uma parcela de não rentáveis.

Sem a tarifa, os pulsos ficariam mais caros. A competição faria com que as contas mais altas se ajustassem, mas não haveria solução para contas de R$ 4 ou R$ 5, diz. Segundo ele, cada usuário custa cerca de R$ 40 mensais à Telefonica.

A tarifa é cobrada em todos os países do mundo, com exceção de Botsuana, afirma. E diz mais: A Telefonica é uma concessionária e tem garantia de equilíbrio econômico. Alguma compensação teria de ocorrer. Em outras palavras, alguém teria de pagar a conta.

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Bom amanhã, pela manhã, estarei viajando para a Terra do Erico Veríssimo, poderá ser que a tarde eu possa postar de lá e dizer como foi a viagem. Senão na volta a gente se vê, no domingo a noite, se Deus quiser.

Como está o atendimento em seu estabelecimento?

Normalmente os artigos e dicas sobre o atendimento focam as atitudes e vícios observados nos balconistas, vendedores, atendentes, mas este artigo deseja falar com você , empresário, gerente.

O que leva um cliente ao seu estabelecimento?

Antes de responder, por favor, atravesse a rua e olhe como uma pessoa comum avaliaria se vale a pena ou não fazer negócios com vocês.

Então vamos às possíveis causas que levam um cliente ao seu estabelecimento: é fácil encontrar o número de seu telefone; todos atendem às ligações com cortesia; fornecem informações pelo telefone; sabem informar como chegar aí; há estacionamento próprio ou conveniado; sua calçada está limpa; a iluminação interna é adequada; a limpeza/ordem interna está nota dez; seus funcionários estão adequadamente trajados, sabem sorrir naturalmente e demonstram prazer naquilo que fazem.

Alguns comentários: certos estabelecimentos possuem duas ou três vagas em frente e que são ocupadas pelo proprietário e eventualmente algum gerente. Outro dia fui a um estabelecimento e as vagas cobertas eram destinadas à diretoria sobrando para os clientes o resto. Sim, resto sim! Após o cinema, já tarde da noite num shopping fui até a praça de alimentação.

No caminho vi lojas fechadas porém desarrumadas, coisas jogadas no chão, papéis, embalagens rasgadas, parecia que tinham sofrido a invasão do "Movimento dos Sem Qualquer Coisa". Resumindo, sua loja poderia ser reaberta tão logo após o fechamento? E o que dizer deste trio formado pela mini blusa, calça "cá embaixo" e tatuagens...

E então passou neste primeiro teste? Vamos adiante.

O que leva um cliente a comprar?

Você se preocupou com o treinamento de seus funcionários: primeiro identificam as necessidades do cliente para oferecer-lhe a melhor alternativa (sob o ponto de vista do cliente, certo?); demostram o devido interesse em oferecer alternativas para concretizar a venda; sabem argumentar pelo menos justificando qualidade e preço; o funcionário do caixa também sabe atender, olhando para os clientes e sorrindo; alguém acompanha o cliente na saída;

Alguns comentários: deixando as técnicas de venda de lado, olhe para o local do seu caixa e tenha em mente que este momento é tão importante quanto à chegada do cliente; sorrisos, cortesia, rapidez, atenção, facilidades de transações e troco correto, mesmo que sejam centavos...e por favor não abandone o cliente na hora da saída, fazendo-o sentir-se um trouxa que já comprou, pagou e que agora só interessa o próximo...pois este já abatemos, é coisa do passado. Lembre-se nesta hora você está iniciando a próxima compra deste cliente.

E por falar nisso, cadê o pós venda?

Pequenas falhas podem ser corrigidas ouvindo os clientes pois as grandes falhas não geram vendas, visto que o cliente vai embora antes e você nem fica sabendo delas, a menos que você freqüentemente, atravesse a rua e comece a avaliar se vale a pena entrar...

por José Teófilo Neto

José Teófilo Neto é diretor da Comunicação Direta ¿ Consultoria & Treinamento em atendimento, vendas e relacionamento.
Fone: (11)5044-5822
teofilo@comunicacaodireta.com.br

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Felicidade

Felicidade! É o que todos querem. Dizem alguns cientistas que faz parte de nossa evolução e que a felicidade seja uma forma de recompensa para tudo o que fazemos que contribua para nossa sobrevivência (comer, beber, dormir) ou de nossa espécie (sexo, cuidar dos filhos). Seja como for, fazemos qualquer coisa para ficarmos felizes: mandamos flores e cartões para quem amamos, presenteamos nossos filhos, fazemos cursos de aperfeiçoamento profissional, etc.

Para estes cientistas, a felicidade é um hábito que pode ser cultivado, desempenhando atividades importantes para si: trabalho, relacionamentos, lazer e estudo. Bem como, acreditam que sem depressão e mau humor não seríamos capazes de reconhecer a felicidade em si.

Outros acreditam que a origem da felicidade está nos genes, ou seja, as pessoas felizes já nascem para serem felizes, todos os processos cerebrais que controlam a felicidade e a habilidade de uma pessoa sentir-se bem está pré-determinada no gene.

O Surgeon General publicou um relatório mostrando que 7,1% dos norte-americanos entre 18 e 54 anos sofrem de alguma desordem do humor. Alguns especialistas consideram alarmante e recomendaram a esses norte-americanos que procurem tratamento psiquiátrico e terapêutico.

Porém, os psiquiatras "evolucionistas" acreditam que as emoções são o produto de milhões de anos de seleção natural e os mau humores não são necessariamente defeitos que precisam ser corrigidos. Argumentam que ainda não conhecemos o suficiente sobre o humor para alterá-lo com remédios.

Assim, para eles, as emoções, sejam elas positivas ou negativas, existem para nos fazer coisas para os nossos genes. Portanto, ao manipular... E, hoje, o consumo de Prozac e Zolof mais que dobrou desde 1995. Contudo, os problemas com o humor, mesmo a depressão profunda, são mecanismos de alerta, que como outros, nos forçam a cuidar do corpo. Seria uma proteção, que nos induz a ter comportamentos que reduzem ferimentos piores no futuro.

Em 1998, o psicólogo da Universidade da Pensilvânia e presidente da Associação Americana de Psicologia, professor Martin Seligman, desenvolveu a psicologia positiva. Para ele, deve-se ensinar as pessoas, jovens em especial, a serem alegres e otimistas desenvolvendo sua força de caráter ao invés de analisar as suas fraquezas.

A psicologia positiva destina-se àqueles que não querem desperdiçar anos tomando Prozac ou no divã de um terapeuta, e tem uma solução idealizada por Aristóteles 2350 anos atrás: desenvolver atividades cívicas, uma vida espiritual e social. A pesquisa do Dr. Seligan, desenvolvida durante 30 anos, mostra que os otimistas minimizam seus infortúnios enquanto que os pessimistas culpam-se pelos incidentes e, por outro lado, atribuem à sorte os bons eventos.

Os otimistas acreditam que as boas coisas durarão muito tempo e que terão benefícios de tudo o que fazem e acreditam que as más coisas são isoladas, não durarão muito e não afetarão sua vida. Os pessimistas... Não é preciso dizer, certo? Todo mundo conhece um montão (no bom sentido) de pessimistas. Assim, de acordo com essa pesquisa, basta desenvolver pensamentos e atitudes otimistas para se viver melhor.

Para corroborar essa tese, os cientistas da Universidade de Michigan, pesquisando os aposentados verificaram que os mais felizes eram aqueles que têm amigos. E olha que levaram em conta a renda, saúde, morte de cônjuge, etc. Assim, valorizar as amizades é essencial para a sobrevida após a aposentadoria.

Outra pesquisa realizada na Mayo Clinic comprovou que os otimistas vivem mais que os pessimistas, cerca de doze anos a mais. O pior é que os pessimistas, além de viverem menos, sofrem mais. A pesquisa analisou pessoas com o perfil a partir de 1962.

Ser feliz depende mais de você que dos outros, plante que Deus garante! E comece pela própria casa, pelas pessoas que ama. Aliás, dizer que ama já alegra o coração do amado. Felicidade, alegria, otimismo, longevidade, alguém quer?

por Mário Eugênio Saturno

Mário Eugênio Saturno é Tecnologista Sênior da Divisão de Sistemas Espaciais do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), Professor do Instituto Municipal de Ensino Superior de Catanduva (www.fafica.br) e congregado mariano. Email: saturno@dea.inpe.br)

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Um gatão muito enciumado

Na estréia de Garfield nos cinemas, o bichano quer se livrar do cãozinho Odie. A criançada vai adorar
Tatiana Contreiras


Procurando por Odie, seqüestrado por um apresentador de TV, Garfield toma até susto no alto de um edifício

Para os adultos fãs das tirinhas do gato mais guloso e irônico das histórias em quadrinhos, Garfield O Filme, que estréia hoje, pode parecer um pouco mais infantil do que deveria. E é verdade. Mas isso não desmerece o longa, dirigido por Peter Hewitt, que diverte com uma historinha simples para as crianças, mas sem deixar de lado as tiradas do bichano que tanto agradam aos mais velhos. Na versão legendada, o gato é dublado por Bill Murray e, em português, a voz é de Antônio Calloni.

Único personagem que não é de carne, osso e pêlos, Garfield (quase um bichinho de pelúcia, de tão fofo e bem feitinho por computação gráfica) tem sua rotina alterada depois da chegada do cãozinho Odie, com quem passa a dividir as atenções de Jon (Breckin Meyer, pastel na medida). Enciumado, Garfield dá logo um jeito de fazer o bichinho sumir da área. Mas logo se sente culpado ao descobrir que o mascote de Jon foi seqüestrado por um apresentador de TV e decide deixar a preguiça e a lasanha de lado para sair do beco e procurar Odie.

Ao mesmo tempo, Jon e sua paixão, a veterinária Liz (Jennifer Love-Hewitt, de Eu Sei O Que Você Fez no Verão Passado), buscam pela cidade os dois fugidos, Garfield e Odie que, aliás, rouba a cena em vários momentos, com sua cara de cão perdido na mudança. Programinha de tarde de férias.

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Entre gringos e nativos

Show do Black Eyed Peas terá sucessos como 'Where is The Love'. No Ressaca Hip Hop, em Caxias, produtores locais abrem espaço para novos talentos do movimento
Eusébio Galvão


A loura Fergie se destaca no quarteto, pela beleza e pela voz

O amor está no ar, na rima e acompanha a batida. Quem é do hip hop não tem do que reclamar neste fim de semana. Um dos melhores grupos da atualidade, o Black Eyed Peas, se apresenta amanhã no Skol Stage, no Píer Mauá. Na turnê mundial do álbum Elephunk, eles desembarcam no Rio com direito a banda e um show suingado, animado e dançante.

Mas como na essência o rap nasceu para dar voz a quem quer se expressar, outro evento, longe dali, agita Duque de Caxias também amanhã: o Ressaca Hip Hop, que chega à sua terceira edição e apresenta nomes novos da cena carioca.

O show do Black Eyed Peas é, antes de tudo, uma festa. Que começa já em cima do palco. É amizade mesmo. Estamos sempre rindo, brincando uns com os outros. O que as pessoas vêem na platéia é reflexo disso, conta Taboo, o maluco dos cabelos compridos. Ao lado de Will.I.Am, Apl.De.Ap e da estonteante Fergie, que entrou na banda no último álbum ela já se tornou uma grande amiga, garante Taboo, ele entoa sucessos como Shut Up e o hino otimista Where is the Love. Temos uma vibração muito positiva. Fazemos música para nós mesmos, antes de mais nada, conta.

Uma das maiores vantagens do Black Eyed Peas, além das boas letras, são as batidas, que fogem do óbvio graças a um trabalho de pesquisa musical que inclui até música brasileira, paixão de Will.I.Am . O próprio Taboo, de família mexicana, tem sua contribuição a dar, como se pode notar em Latin Girls, do último CD. Sou mais de rumba, salsa. Tenho o México em mim, foi onde eu cresci. De brasileiro, confesso que só conheço bossa nova, desculpa-se.

A variedade como trunfo levou a banda a viajar pelo mundo, coisa que Taboo diz ser das melhores. Tenho amigos do hip hop que fazem música para os EUA apenas. Eles nunca vieram ao Brasil, à Europa, mesmo ao México. E eu adoro poder ir aonde conseguir. Estamos há meses viajando, é uma grande montanha-russa.

Tenho família e um filho de três anos que fica em casa. Dá saudade, mas é bom, conta. Ver diferentes culturas ajuda a pensar o mundo de outra forma e se sentir livre para criticar o governo americano, como eles fizeram no Rock in Rio Lisboa. Afinal, rap bom tem que protestar.

PROMOÇÃO

Os cinco primeiros leitores que ligarem para o tel.: 2461-2004 a partir das 8h30 ganham dois ingressos para o show do Black Eyed Peas. Os 20 primeiros que ligarem a partir das 10h30 levam convites para o Ressaca Hip Hop.

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David Coimbra
16/07/2004


A cada dia basta o seu cuidado

Dinheiro, dinheiro. O vil metal é superestimado aqui na pátria amada idolatrada salve salve. Agora há pouco mesmo o governador Rigotto comprou passagem de classe econômica para viajar à China, 30 horas de confinamento acima das nuvens. Ora, eu aqui, contribuinte, paguei parte dessa viagem, talvez o trajeto até a Farrapos, sei lá. Então, como interessado, entendo que Rigotto fez mau negócio para o Rio Grande. Porque um governador de cútis lisinha e sem olheiras, com neurônios alertas feito escoteiros e a verve afiada feito o olhar da Ana Hickmann, esse governador pode trazer muito mais lucros ao Estado na negociação com industriais de Pequim ou com plantadores de chuchu de Campos Borges.

Além do mais, o governador representa o Estado, me representa, representa o Wianey Carlet, representa o Cássio da portaria. E nem eu, nem o Wianey, nem o Cássio gostamos de ser representados por um governador estremunhado, com a cara daquele casaco que puxaram dos dentes do cachorro.

Dinheiro. Há também a tal proposta de redução das vagas de vereador. Achei que a idéia fosse corrigir a desproporção entre as câmaras das 5 mil cidades brasileiras. Mas não. Os defensores da medida pretendem, na verdade, economizar. O problema é que a democracia não é um produto barato, ao menos a curto prazo. A ditadura, por exemplo, sai muito mais em conta, se se pensar apenas no sonante. Quer dizer: há chances de que esse também não seja um bom negócio. Lamentável.

Meu avô já ensinava: às vezes, a economia é a base da porcaria.

Há 20 séculos, sobre um monte da Palestina, Jesus compôs um dos mais brilhantes discursos da história da filosofia. (E aí me refiro à filosofia, não à religião.)

Foi o Sermão da Montanha, um conjunto de idéias tão percuciente que até hoje resta malcompreendido. Jesus versou exatamente sobre o dinheiro. Cunhou umas tantas frases poderosas. De uma delas, Erico Verissimo extraiu o título de um clássico da literatura brasileira. Essa:

"Olhai os lírios do campo. Eles não trabalham nem fiam. Entretanto, vos digo que nem o próprio Salomão, no auge de sua glória, se vestiu como um deles. Se Deus veste assim a erva dos campos, que hoje cresce e amanhã será lançada ao fogo, quanto mais a vós, homens de pouca fé!"

Aí está tudo. O homem é o sal da terra. É o homem que precisa de investimento. É o homem que merece, afinal, todo o cuidado.

david.coimbra@zerohora.com.br

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Mauren Motta
16/07/2004

Orkut? Tô fora

Com a sorte de Deus, trabalho na rua e meu escritório é o carro. Não dá tempo pra nada, muito menos de participar do Orkut. Nem mesmo tenho mesa ou computador próprios. Sem vergonha, confesso ter preguiça dessa função. Quando o meu dia acaba, quero dividir meu tempo real com as pessoas que amo, juntinho.

Sou aquele tipo que gosta de ouvir a voz e falar olhando no olho. Amizade virtual não tem a menor graça pra mim. Os poucos amigos que mantenho via Internet estão a milhares de quilômetros do Brasil. Mesmo assim, não resisto e ligo. Fico mais pobre com as contas de telefone, eu sei. Em compensação, muito mais feliz. Pra mim, Internet é pra pesquisar, saber o que rola no mundo, e só!

Amizade é outra história. Quando a onda do Orkut começou, estava em plena temporada de viagens. Muitos amigos me escreveram convidando e querendo saber por que eu não estava lá. Com a desculpa de que só entra gente legal e conhecida, comunidades vão se formando. Todo mundo quer ter muitos "friends", mesmo que nem saibam quem são. Como assim? Não curto essa. Talvez só a solidão justifique a febre do Orkut.

Até entendo que, se você não tem nada de melhor para fazer, possa passar algumas horas na frente de uma máquina trocando opiniões sobre pessoas, coisas ou lugares. Agora virar um vício, que te tira tempo dos teus amigos de verdade, aí já é demais. Além disso, sou contra o uso da Internet para o mal. É muito fácil manipular pessoas virtualmente. Falar na cara é que é difícil. Aos covardes que se escondem atrás de um teclado, o meu desprezo.

Sem radicalismos, sei que tem um monte de gente bacana que se encontra lá, depois de anos. O grande desafio agora é cultivar as antigas e novas amizades. Quem sabe encontrando cara a cara? De que adianta ter milhares de amigos se não conseguimos mantê-los. A maturidade ensina que as amizades vão rareando. Acabamos por ficar com os poucos e bons.

É a seleção natural ou por afinidade. Não dá tempo pra ter uma turma enorme, mas sim parceiros queridos que não dividem apenas o oba-oba virtual. Amigos de verdade escutam as lamúrias, emprestam o ombro para o choro e racham o bico com a gente. Então caros leitores, mesmo que vocês me achem supercareta, não vejo motivo melhor para ficar fora dessa!

mauren@rbstv.com.br

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Paulo Sant'ana
16/07/2004


A prisão preventiva

A prisão preventiva do empresário Mário Sérgio Gomes da Silva, acusado de ser mandante do assassinato do então prefeito de Santo André (SP), o petista Celso Daniel, pode ser comparada com a prisão preventiva de Luiz Henrique Sanfelice, acusado de ter assassinado sua esposa, Beatriz Rodrigues, em Novo Hamburgo.

Anteontem, o ministro Nélson Jobim, do Supremo, revogou a prisão preventiva do acusado do assassinato do prefeito.

O acusado do assassinato de Novo Hamburgo continua preso.

O ministro Jobim considerou "desnecessária" a prisão preventiva do empresário paulista por três razões básicas: 1) o acusado sempre colaborou com a instrução criminal; 2) o próprio Ministério Público declarou não haver notícias de ameaça às testemunhas pelo acusado; 3) o acusado apresentou-se à polícia "tão logo tomou ciência do decreto de prisão".

Em seu despacho de 10 páginas, o ministro Jobim cita jurisprudência do próprio STF, entre ela decisões dos ministros Sepúlveda Pertence e Cezar Peluso, no sentido de que "prisão preventiva baseada tão-somente na gravidade abstrata do crime traduz-se em verdadeira aplicação da sanção penal sem o justo processo da lei e em franca hostilidade a outras garantias constitucionais".

No caso de Novo Hamburgo, também o acusado de matar a esposa "sempre colaborou com a instrução criminal". E também não há notícias de que tenha ameaçado testemunhas. Assim como só não se apresentou à polícia quando foi decretada a sua prisão temporária porque a autoridade policial se antecipou e foi até sua casa prendê-lo.

Temos então aí, na aparência, dois casos, senão idênticos, análogos. Certamente os indícios apurados pela polícia de São Paulo contra o acusado do assassinato do prefeito continham a mesma robustez dos indícios contra o acusado do homicídio de Novo Hamburgo.

Então por que o acusado de lá foi solto e o daqui continua preso?

Se um ministro do Supremo praticamente afirma (o conceito que vem a seguir é do colunista) que não é possível aplicar-se sanção penal sem o justo processo legal, a menos que o juiz esteja de tal forma intensamente convencido da culpa do acusado, que a decretação de sua prisão preventiva não ferirá minimamente o princípio constitucional da presunção da inocência, como pode estar solto o acusado de lá e preso o daqui?

A resposta é a seguinte: tecnicamente, o acusado daqui continua preso porque surpreendentemente a sua defesa adotou a tática de não pedir habeas corpus para ele ao tribunal superior solicitando a revogação da prisão decretada pela juíza de Novo Hamburgo. E a defesa do acusado de lá percorreu diversas instâncias e foi até o Supremo, conseguindo libertar seu constituinte.

Quando decretou a prisão, a juíza de NH escreveu que acautelava "a ordem pública", um dos pressupostos da privação preventiva de liberdade.

Mas eu pergunto - por amar o Direito Penal e por me empolgar com ele, de nenhuma forma por estar convencido da inocência ou da culpa do acusado -, se supostamente a juíza decretou a prisão por entender que há um clamor popular que designa o réu culpado, a opinião pública tem tal força para encarcerar ou libertar um réu?

Não tem. Absolutamente não tem. O maior valor de força que se emana nesse tipo de caso é a presunção da inocência ou o convencimento cabal da culpa.

Na próxima terça-feira, será procedido ao interrogatório do réu de Novo Hamburgo, ato privativo do juiz, quando a acusação e a defesa podem somente no fim solicitar à juíza que encaminhe junto ao réu esclarecimentos ou correções a respeito das declarações prestadas.

Ao final do interrogatório, ao que tudo indica a defesa pedirá verbalmente a liberdade provisória do réu.

A juíza poderá negá-la ou consenti-la, dependendo talvez até mesmo da consistência das respostas do interrogado.

Um processo com réu preso tem muito mais tensão e responsabilidade do que com réu solto. Exatamente porque a liberdade é um bem respeitabilíssimo.

psantana.colunistas@zerohora.com.br

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Violência
Assalto frustrado a carro-forte na Serra



Um grupo de pelo menos sete homens usou um caminhão para parar um blindado ontem no km 107 da Rota do Sol, em Farroupilha. Houve troca de tiros entre vigilantes e assaltantes, que fugiram levando apenas as armas dos guardas (foto Almir Dupont, Agência RBS/ZH)


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Quinta-feira, Julho 15, 2004




As melhores e piores cidades do Estado

Caxias do Sul apresenta os melhores indicadores socioeconômicos entre os 497 municípios gaúchos pesquisados pela Fundação de Economia e Estatística (FEE) para mensurar o grau de desenvolvimento das cidades do Estado. A pior colocação é a de Lajeado do Bugre. Os números, relativos ao Índice de Desenvolvimento Socioeconômico (Idese) 2001 do RS, foram divulgados ontem pela fundação.

Porto Alegre, que no Idese divulgado em 2003 estava em quarto lugar, caiu uma posição. Tanto Caxias do Sul como Canoas, que este ano ocupa a segunda colocação no ranking, mantêm as posições registradas no Idese de 2000. Na terceira melhor colocação está Campo Bom.

O Idese é composto por quatro blocos de indicadores que, no cálculo para a formação do índice, recebem o mesmo peso: Saneamento e Domicílio, Educação, Saúde e Renda. O bloco de Saneamento e Domicílio leva em conta a proporção de domicílios atendidos com água tratada e com rede geral de esgoto ou pluvial e a média de moradores por domicílio. O bloco Educação inclui a taxa de analfabetismo entre pessoas com 15 anos ou mais de idade, as taxas de evasão e de reprovação no ensino fundamental e a taxa de atendimento no ensino médio.

O item Saúde é composto pelo percentual de crianças nascidas com baixo peso, pela taxa de mortalidade de menores de 5 anos e pela expectativa de vida ao nascer. A Renda considera o PIB per capita e o valor adicionado bruto per capita de comércio, alojamento e alimentação.

'Entre os quatro blocos de índices, os dois melhores são os relativos à Saúde e à Educação e o pior é o correspondente a Saneamento', avaliou o coordenador da pesquisa e economista da FEE, Adalberto Alves Maia Neto. Nos dez municípios mais bem colocados, a economia é baseada nos setores da indústria ou de serviços.

Apenas em dois deles - Vacaria e Erechim - a agricultura tem peso igual ou superior a 20% na estrutura econômica. Entre as dez cidades que apresentam o pior índice geral ocorre o oposto. Apenas em um desses municípios - Caraá - a agricultura representa menos de 40% da economia.

O Idese adota os mesmos critérios aplicados pela Organização das Nações Unidas (ONU) em seu Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) para classificar os municípios em três níveis de desenvolvimento: alto (quando o índice é igual ou maior que 0,800), médio (quando ele é igual ou maior que 0,500 e menor que 0,800) e baixo (quando é menor que 0,500). No Rio Grande do Sul, o Idese em 2001 ficou em 0,7510, uma variação negativa de 0,1 em relação ao ano anterior.

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Visitem a página da Sandra, ai abaixo estão os links e verifiquem outras vantagens da meditação e se ainda quiserem adquiram o seu livro sobre o assunto, pois saúde e qualidade de vida não têem preço.

Benefícios da meditação

Na Saúde

- Redução da pressão arterial
- Fortalecimento do sistema imunológico
- Melhora na qualidade do sono
- Alívio da enxaqueca
- Auxílio no tratamento da depressão
- Diminuição do estresse

Estudos realizados pelo cardiologista americano Herbert Benson, da Universidade de Harvard, nos Estados Unidos, em pacientes que aprenderam a meditar de maneira disciplinada, tiveram taxas de recuperação superiores aos do grupo que não meditavam.

O médico constatou ainda que devido a prática da meditação, pacientes com problemas cardíacos, pressão arterial alta, infertilidade e enxaquecas melhoraram significativamente desses problemas. (Fonte: revista Veja de 28/05/03).

No Trabalho e no Estudo

- Aumento da criatividade
- Maior facilidade para resolver problemas
- Raciocínio mais rápido
- Maior lucidez para lidar com as situações de estresse
- Estímulo a memória
- Maior poder de concentração
- Melhora nas relações interpessoais
- Aumento da auto-estima
- Maior equilíbrio emocional

Em março de 2000, cientistas da universidade de Harvard, nos Estados Unidos, fizeram testes neurológicos em monges tibetanos com equipamentos de última geração. Descobriram que o lado esquerdo da região frontal do cérebro, responsável pela alegria e pelo entusiasmo, entrava em alta atividade elétrica durante a meditação. (Fonte: revista Isto É de 21/05/03).

No Dia-a-Dia

- Diminuição do estresse
- Vivenciar o momento presente, não trazendo para o dia de hoje o passado e, ou, a ansiedade e medo do futuro
- Maior aceitação de si mesmo e do outro
- Maior prazer nas relações
- Auto-conhecimento
- Maior alegria na rotina diária
- Lucidez para valorizar as pessoas e os acontecimentos
- Paz e tranqüilidade

A meditação torna nossa vida melhor, porque a nossa essência passa a fazer parte de nosso dia-a-dia. Você medita e vai trazendo para sua vida tudo que vai despertando em você. Não há como você meditar e ser uma pessoa raivosa, ansiosa, medrosa. Com o tempo e a prática, isso vai mudando. A meditação liberta. (Parágrafo 4, página 42 do livro O que é Meditação, Sandra Rosenfeld, Ed. Nova Era).

http://www.sandra.rosenfeld.nom.br/beneficios.htm

http://www.sandra.rosenfeld.nom.br/comomeditar.htm

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Abre o olho, Datena!

Filha do apresentador do Brasil Urgente, Letícia Wiermann estréia na TV no Band InvernoZean Bravo



Modelo há quatro anos e atualmente com 17 anos, Letícia fez fotos sensuais para o site Morango

Apesar de ser estreante, Letícia Wiermann, filha do apresentador José Luiz Datena do Brasil Urgente, jura que não sentiu aquele friozinho na barriga antes de gravar a primeira vez para o Band Inverno. Já passei por esse tipo de sensação como modelo, diz a menina, de 17 anos, que chegou a pensar em desistir de tudo ao fotografar de biquíni no frio da Alemanha.

Estava gelado, eu posava na rua e eles jogavam água em mim. Também já fiz foto de biquíni no inverno do Chile, recorda ela, que ilustra agora o site Morango, com fotos sensuais.

Com cara de menina e capa de revistas adolescentes internacionais no currículo, Letícia quis mostrar outro perfil no Morango. Meu pai ficou surpreso, sempre fiz a linha menininha. Mas estou numa fase de mudança, ficando mulher. Precisava de fotos mais sensuais no meu book, explica. Agora ela quer estampar capas de revistas mais adultas. As fotos do site não ficaram vulgares, nem estou mostrando muita coisa...

Modelo há quatro anos, Letícia foi descoberta em um shopping em Ribeirão Preto, sua cidade natal. A estréia na TV também aconteceu por acaso. Marlene Mattos (diretora artística da Band) viu minha foto na sala do meu pai e pediu para ele perguntar se eu não gostaria de fazer TV, conta Letícia, que estava em temporada de trabalho em Miami, nos Estados Unidos.

No ar com reportagens exibidas durante a programação da Band, feitas em Campos do Jordão, Letícia quer investir agora em TV. Estou meio cansada de ser modelo, resmunga a moça, que ainda não sabe o que fazer depois que o programa acabar.

Essa coisa da TV pode vingar, posso continuar como modelo e quero fazer faculdade de Administração ou Economia nos Estados Unidos, conta ela, que namora o americano Sean Collins há oito meses. Ele está aqui no Brasil e vai embora no fim do mês. Procuro nem pensar nisso, diz Letícia.

Até agora, a matéria que ela mais gostou de fazer foi a da estréia, na noite de Campos do Jordão. Tentei umas cinco vezes e o texto não saía, mas depois rolou e parecia que já fazia isso há anos, diz ela, que teve todo o apoio paterno. Ele ficou superempolgado. Afinal, foi a ponte de tudo, completa.

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Três é demais

Com novo trio de colunistas, leitor do DIA D vai saber tudo do céu e da terra e ainda ficar de barriga cheia
Clarissa Monteagudo

A partir da próxima semana, seu O DIA D vai dar um giro de salto agulha pela cidade, incrementar a sua cozinha com receitas sofisticadas ao paladar mas simples de fazer, e dar preciosas dicas para sair da cama com o pé direito fincado no chão e a cabeça de bem com os astros. As novidades virão em três novas colunas, assinadas pela jornalista Cláudia Cecília (mande sua sugestão para a colunista aqui), a astróloga Mônica Horta (mande sua sugestão para a colunista aqui) e o ator e chef Rodolfo Bottino (mande sua sugestão para o colunista aqui).

A primeira estréia acontece na próxima quinta-feira. Editora de Produção do jornal, Cláudia Cecília passará a assinar a sua dominical Salto Agulha todos os dias. Jornalista do DIA há sete anos, onde já foi repórter e editora do DIA D, a colunista manterá suas crônicas aos domingos. Mas de segunda a sábado, a coluna trará notas sobre gente, moda, sociedade e cultura, preservando sua característica fundamental: uma análise divertida do comportamento de celebridades e anônimos.

A coluna é um espaço democrático. Vamos trazer gente de todos os cantos da cidade. O que nos move é uma boa história, o interesse que o assunto desperta, não importa se vem de alguém famoso ou não. Pode ser um empresário com projeto social bacana ou o vestido com decote incrível de uma socialite qualquer, define Cláudia.

Dia 26, entra em cena a astróloga Mônica Horta. Também formada em Jornalismo, Mônica foi chefe de reportagem da TV Globo e assina as previsões do site Árvore do Bem, do portal IG. O horóscopo é o lado mais popular da Astrologia e tem característica de oráculo. Sem esse perfil, a Astrologia vira uma Psicologia de segunda linha, defende Mônica, que faz um exercício de texto ao escrever previsões. Quero que o horóscopo faça soar um sino internamente.

A Astrologia acredita que tudo que nasce está impregnado da qualidade do instante. Ao entender esse tempo, a pessoa ganha mais artifícios para tomar as próprias decisões, explica.

Já na quarta-feira, dia 28, Maria Thereza Weiss, que deseja se aposentar depois de 5 anos de sucesso no DIA, passa o bastão da coluna de Gastronomia para Rodolfo Bottino. O ator que coleciona fãs pelo jeitão divertido de apresentar as receitas e a verve para contar histórias sobre os pratos trocou o cotidiano exaustivo das novelas pela paixão pela gastronomia. Começou no Shoptime há 11 anos e hoje comanda o Gema Brasil, que vai ao ar na TVE e na TV Cultura.

Ninguém precisa falar em francês ou inglês para ser um cozinheiro competente. Alta gastronomia é cozinhar com produtos de qualidade. Digo isso e tem chef que fica revoltado comigo porque explico que o prato de nome difícil não tem por que ser caro, conta. Mas o público aplaude, Rodolfo.

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Nilson Souza
15/07/2004


Segunda impressão

- Escreve uma crônica bonita! - me ordena a colega de trabalho, vendo-me mergulhado nos jornais do dia à procura de um tema de maior permanência para compartilhar com os leitores nesta quinta-feira. Percebo na sua fingida ordem o desejo sincero de que eu seja capaz de encontrar, entre tantas notícias amargas e inevitáveis, alguma mensagem edificante, que pacifique espíritos e dê sentido à vida. Pois não é que encontro?

Trata-se de uma revista escrita por estudantes de Jornalismo, totalmente focada no trabalho voluntário de pessoas e organizações que dedicam tempo e atenção a doentes, idosos e crianças. É a revista Primeira Impressão, da Unisinos, que contempla na sua edição de junho Organizações Não-Governamentais e grupos voluntários que atuam no Estado.

Meus futuros colegas fizeram um belo trabalho. Mergulharam fundo no cotidiano de entidades sociais que atenuam o sofrimento alheio, difundem a esperança, constroem sonhos e salvam vidas. Há relatos comoventes, como o da adolescente que conta histórias de fadas para pequenos pacientes do setor de oncologia de um hospital especializado da Capital. Ou do cidadão que fecha o seu escritório e vai tocar música para portadores de deficiências físicas e mentais.

Ou ainda dos homens e mulheres que se preocupam em proteger animais abandonados. As reportagens são entusiasmantes: onde tem um ser humano necessitado, tem também um outro disposto a ajudá-lo. Estudantes, professores, profissionais liberais, donas de casa, especialistas e leigos, é tanta gente comprometida com boas causas que o mundo parece regido pela fraternidade.

Sabemos todos que os problemas sociais de nossos país são imensos, que o poder público não tem condições de atender a todas as necessidades da população. Não se pode ignorar, igualmente, que a ganância, o consumismo e o egoísmo continuam envenenando as relações humanas. Mas dá para ter esperanças quando se constata que um exército de anjos age silenciosamente entre nós, levando alento e dignidade a quem sofre. Melhor: não são anjos. São pessoas de carne, osso, cérebro e coração, gente como a gente, com bons sentimentos, com boa vontade e com energia suficiente para mover as engrenagens da vida para o lado do bem.

Quando minha amiga pediu uma crônica bonita, passei os olhos pelas notícias do dia e senti um primeiro impulso de dizer-lhe que era impossível atender o seu pedido. Mas a segunda impressão prevaleceu: graças ao trabalho dos meninos da Unisinos, posso deixar aqui este registro da verdadeira beleza da existência humana, que se chama solidariedade.

nilson.souza@zerohora.com.br

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José Pedro Goulart
15/07/2004


O sorriso da Mona Lisa: minha versão

Fui ao Louvre, semana passada, e desvendei o mistério por trás do sorriso da Mona Lisa. Mas antes de falar sobre isso quero contar uma história que um amigo próximo jura que acontece. A mãe desse amigo costumava exibir fotos dele, quando ainda era pequeno, na Disney. Ele aparecia com o Mickey, abraçado ao Pateta, andando na montanha-russa. Ao ver as fotos, no entanto, ele ficava confuso: como aquilo tudo tinha acontecido sem que ele se lembrasse de nada? O tempo passou, e um dia, bem mais tarde e com o meu amigo já adolescente, a verdade transbordou: não era ele o menino das fotos, mas um outro, parecido. Aquela era uma memória falsa, inventada pela mãe.

Algumas coisas nunca vão mudar. Era isso que eu pensava dentro do Louvre, diante daquele acervo que remonta aos fenícios, aos egípcios, aos povos que construíram a idéia desse mundo em que vivemos. A Mona Lisa, por exemplo, é ou não é a obra de arte mais importante já produzida pela humanidade? Guernica, o David de Michelangelo, a Capela Sistina.

Tudo certo. Mas mostre uma foto da Mona pra qualquer criança e ela irá reconhecê-la. Foi assim, pensando nisso, dentro daquele museu colossal, naquela cidade onde se tropeça em arte que me dei conta de que nada pode ser feito para superar isso. Dá para imaginar que alguém irá pintar um quadro agora que irá rivalizar com a Mona Lisa, sua mística, sua história?

Em razão disso é que parece que naquele museu todas as outras obras são coadjuvantes. Por mais especiais, volumosas, perfeitas, todas perdem para a pequena notável. A organização do Louvre sabe disso, e por todos os lados setas encaminham os visitantes na direção do quadro de Leonardo da Vinci. Chegando lá, dezenas de pessoas se acotovelam na frente da estrela, o rosto mais famoso do mundo, a superstar que nunca cantou, compôs ou atuou e sequer se tem certeza de que era de fato uma mulher.

A sensação de que certas coisas já estão estabelecidas e de que são "para sempre" me fez estremecer. Foi aí, nesse devaneio, que eu me surpreendi pensando no Brasil. O país imutável, do futuro que nunca chega. O país das memórias falsas, como aquelas do meu amigo. O país camelódromo, pirata e pirateado. Enquanto eu pensava nisso, no fundo, circulavam dois policiais com ostensivas metralhadoras. Os alvos possíveis vêm sendo patrulhados constantemente, a Europa se guarda de um ataque terrorista que ninguém sabe de onde virá.

Todos os dias, assim que o museu é aberto, a Mona Lisa ensaia seu famoso sorriso novamente. As pessoas pensam que é sempre o mesmo, mas enganam-se, milimetricamente ele vem sendo aperfeiçoado através dos tempos. A Mona Lisa sorri a cada dia, esse é o segredo, é um sorriso de quem tem consciência do próprio reinado, mas também é um sorriso de quem vem nos observando nesse tempo todo.

jose.pedro@zerohora.com.br

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Luis Fernando Verissimo
15/07/2004


Banquete

O calçamento com pedras irregulares das velhas ruas de Parati obriga você a caminhar olhando o chão, escolhendo a pedra para pisar. Durante a Festa Literária Internacional da cidade, que terminou no domingo, a Flip, você podia muito bem cruzar com alguém famoso na rua e só ver seus sapatos, e depois tentar adivinhar quem era: "Acho que passei por um dos ingleses..."

Lá estavam alguns dos melhores ingleses atuais nos seus sapatos. Como o Martin Amis, que não conseguiu unanimidade: alguns o acharam insuportável, outros se decepcionaram porque esperavam que ele fosse mais insuportável ainda. E outros gostaram dele e da mulher que o levou para morar no Uruguai, porque ela é uruguaia, não há outra explicação plausível.

Amis acabou fazendo o gesto mais simpático da Festa para os nativos. Na rodada final, em que vários autores leram trechos dos seus livros de estimação (Milton Hatoum leu Graciliano, o francês Pierre Michon um poema que não identificou, pressupondo que todos soubessem que era do Vitor Hugo, Paul Auster um Beckett de safra esquecida), leu o começo do Memórias Póstumas de Brás Cubas e tudo lhe foi perdoado. Ian McEwan (talvez o melhor deles) foi o inglês mais articulado.

Não cheguei a notar que tipo de sapato usava o irlandês Colm Tóibin mas seu estilo combinava com sandálias. Ele fez um dos depoimentos memoráveis da Flip, sobre Ulisses, de Joyce. O Troféu Dupla Insólita foi para Pierre Michon apresentando-se junto com o pernambucano Raimundo Carrero, este divertidíssimo, concorrendo com Tóibin ao título de grande figura da semana.

Paul Auster e sua longa e loira mulher são simpáticos. Moram no Brooklyn. Quando ele soube que eu estava em Nova York quando mataram o John Lennon e depois quando derrubaram as torres, me pediu para não voltar mais a Nova York. Uma surpresa: o outro americano, Jeffrey Eugenides, autor de The Virgin Suicides. O cara é bom, lendo o que escreveu e falando. Mora na Alemanha, por outra razão inescrutável.

Não vi a apresentação de nenhuma das mulheres mais elogiadas (coincidência, não preconceito), a portuguesa Lidia Jorge e a espanhola Rosa Montero, e a de uma mesa aplaudida de pé, a do Ferréz e do José de Souza Martins, mediada pelo Zuenir, mas confirmo o sucesso de outra grande estrela do evento, o angolano José Eduardo Agualusa, que conseguiu brilhar ao lado do Caetano.

Mas de emocionar mesmo foram os brasileiros Davi Arrigucci Jr. e José Miguel Wisnik, ambos falando sobre o homenageado da festa, Guimarães Rosa. Os pratos mais finos de um banquete intelectual inesquecível. E ainda houve a Ligia Fagundes Telles radiante e o Ziraldo pronto para mais algumas vidas. E, claro, o Chico Buarque.

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Paulo Sant'ana
15/07/2004


Organization!

Um homem processou na Justiça de Goiás um seu amigo que abusou dele em sessão de sexo grupal.

A decisão da Justiça goiana veio a público esta semana e está causando repercussão em todo o país.

Acontece que, por duas vezes, a suposta vítima concedeu praticar sexo em grupo do qual participava seu amigo e outras mulheres.

E por duas vezes, segundo a queixa do homem que se diz violentado sexualmente por seu amigo durante a sessão orgíaca, ele se tornou passivo de sexo anal.

Esse é um fato rotineiro nos relatos de camaradagem masculina, há sempre uma história desse tipo. É o clássico conto do homem que entra numa suruba para tornar-se sujeito ativo de sexo com mulheres e até mesmo homens - e na confusão que se estabelece no recinto acaba se tornando sujeito passivo.

Há até a anedota clássica do inglês que concordou em participar de uma bacanal e, passadas duas horas de orgia, ele ainda não tinha conseguido ser ativo em nenhum episódio, enquanto por três vezes já o tinham tornado passivo.

O inglês gritava assombrado no meio daquele tumulto todo: "Organization! Organization!"

O que espanta neste caso agora noticiado é que ele tenha ido parar na Justiça. E a Justiça decidiu com a seguinte sentença: "A prática de sexo grupal é ato que agride a moral e os bons costumes minimamente civilizados. Se o indivíduo, de forma voluntária e espontânea, participa de orgia promovida por amigos seus, não pode ao final do contubérnio dizer-se vítima de atentado violento ao pudor.

Quem procura satisfazer a volúpia sua ou de outrem, aderindo ao desregramento de uma bacanal, submete-se conscientemente a desempenhar papel de sujeito ativo ou passivo, tal é a inexistência de moralidade e recto(!) nesse tipo de confraternização".

O problema é que o queixoso alegou que, tendo sido "encestado", teve enorme prejuízo na tal confraternização.

Ele foi lá para se servir, acabou servido.

Chega a causar assombro que uma pessoa queira por alguma forma indenizar-se, moral ou financeiramente, por um ônus facilmente previsível no emaranhado de possibilidades que se proporcionam naturalmente nos jogos sexuais entre diversas pessoas de dois sexos.

Quem entra num torneio desses tem a obrigação de prever o que está por vir, não podendo se indignar depois, tem toda a razão o Tribunal em seu veredicto.

Participar de uma suruba em que há integrante do mesmo sexo pressupõe o risco do enfrentamento e da submissão, ainda mais que os celebrantes - ou litigantes - de tal ato coletivo no mínimo se mostram alcoolizados, estado que o queixoso reclama em que se encontrava quando seu amigo o sodomizou.

Integrar uma bacante dessas é um risco idêntico ao de ingressar no mercado de ações de uma bolsa de valores ou num cassino, a banca paga e recebe.

É um entrevero, um ninguém é de ninguém, um jogo de prazeres e de inconveniências, cada um tem de usufruir ou de se safar de acordo com as circunstâncias.

Ir queixar-se na Justiça por ter tido suposta desvantagem no lúdico empreendimento é o mesmo que concordar em participar de uma luta de boxe e querer processar o outro lutador por lesão corporal.

O queixoso idealiza regramento para um evento cujos pilares são exatamente a surpresa e a desorganização.

A única forma desse homem tirar o seu prejuízo é tentar a sorte em outro episódio libidinoso do mesmo tipo.

O perigo é viciar no prejuízo.
psantana.colunistas@zerohora.com.br

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Copa América
Brasil perde e pega o México



Já classificada às quartas-de-final da Copa América, Seleção é derrotada pelo Paraguai por 2 a 1 (foto Paulo Whitaker, Reuters/ZH)


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Quarta-feira, Julho 14, 2004




De olho no público masculino

Mercado cria cada vez mais produtos e serviços voltados para homens vaidosos
Silvana Caminiti

O homem está se tornando cada vez mais vaidoso, gerando boas oportunidades de negócios para empresas dos setores de varejo e serviços. Pesquisa do Sindicato da Indústria de Perfumaria e Artigos de Toucador no Estado de São Paulo (Sipatesp) mostra que os produtos masculinos de beleza já representam 15% sobre o total CFT do mercado somatório das vendas de todas as categorias de produto do mercado.

A pesquisa mostra ainda que esse mercado faturou, ano passado, quase R$ 500 milhões, sendo que 92% das vendas foram de perfumes, colônias e loções pós-barba. Para este ano, o setor espera crescer 20%.

Atenta a esses números, a rede de lojas Boticário vem investindo cada vez mais em seu portfólio voltado para o público masculino, que hoje conta com mais de 60 itens. O último lançamento, que chegou ao mercado este mês, é o perfume Malbec, produto que usa uma tecnologia inédita de fabricação, na qual foram investidos R$ 3,2 milhões.

Entre as linhas de produtos para homens, a perfumaria é a primeira categoria em importância para a rede, com 75% de representatividade, seguida por desodorantes, com 20%. Em termos de faturamento, a categoria masculina representa 34% do total de vendas da empresa, lembra Joner Dornelles, administrador de 21 lojas do Boticário no Estado do Rio.

De acordo com o empresário, a rede conta com uma variedade de itens e linhas específicas que atendem as necessidades masculinas, incluindo uma linha especial para cuidar da pele masculina, lançada há três anos. São produtos que agem como tratamento durante e após o barbear, com formulação com ativos modernos e inovadores, que não irritam a pele, explica Dornelles.

Boticário: 0800-413011
http://www.boticario.com.br

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Tux abre as asas sobre brasileiros

Mercado nacional de software livre vem crescendo a vôos largos
Mylène Neno



E não é que a camisa canarinho caiu muito bem no Tux? Também, com o crescimento progressivo do Linux por essas bandas... O mercado brasileiro das distribuições Linux crescerá a uma taxa anual de 9,62% até 2007, quando deverá bater a casa dos US$ 19 milhões. Esse ano, espera-se um crescimento ainda maior: 11,33%.

Os dados são de uma pesquisa do IDC Brasil, encomendada pela Oracle, que mantém todos os 700 servidores de seu datacenter nos Estados Unidos rodando sobre a plataforma, e desenvolveu a nova família 10g com foco nesse sistema aberto.

O sucesso de Tux e sua turma é inegável. Tanto que o Governo federal já avisou que o software livre terá preferência nas compras públicas. E esse relacionamento aberto não é de hoje. Ainda segundo o IDC, em 2002 o segmento governamental foi o principal consumidor da plataforma, com 35,82% do total do mercado.

Mas nem todo mundo vê com bons olhos essa preferência declarada, apontando um certo autoritarismo no incentivo do Governo ao uso (exclusivo) do software livre. Cabe ao usuário escolher o melhor para si. Ele não deve ser obrigado a nada. O futuro dirá que os sistemas livres e proprietários vão conviver amigavelmente, diz o advogado Fernando Stacchini.

Mesmo assim, esse sinal verde governamental vem aquecendo o mercado. A Cobra, por exemplo, lançou em junho seu próprio sistema livre, o Freedows. De olho no mercado internacional, a empresa de TI do Banco do Brasil se reuniu ontem com representantes do governo francês, em Paris, para apresentar o Freedows que está sendo traduzido para o português (Portugal), inglês, francês, espanhol e pasmem! mandarim.

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Olha só a nossa Porto Alegre dos Fóruns Sociais Mundiais, ainda bem que em Janeiro não chove, pelo menos assim como agora. E entra PT e sai PT e os alagamentos continuam. Aliás os governantes dizem que é um problema cultural e não político-administrativo. Enquanto isso os contrtibuintes pagam os impostos, antecipadamente de preferência, para fazer jus aos descontos que lhes são concedidos.

Quarta, 14 de julho de 2004, 16h55
Forte chuva alaga ruas em Porto Alegre

Uma forte chuva caiu sobre Porto Alegre e região metropolitana no final da tarde de hoje, com relatos de granizo em algumas partes, causando alagamentos e transtornos no trânsito.

Os problemas no trânsito da capital ocorrem, principalmente, na zona Norte. A avenida Sertório está com vários pontos de alagamento, especialmente próximo à rua Edu Chaves e avenida Panamericana. O trânsito é bastante lento no local.

A avenida Farrapos também tem problemas em três sinaleiras, e está alagada no cruzamento com a avenida Ramiro Barcelos. E a chuva também causou pontos de alagamento na avenida Padre Cacique, na ida para a zona Sul.

A EPTC informou que houve cinqüenta acidentes na cidade, a maioria deles nas últimas horas da tarde, quando a forte chuva caiu sobre a cidade.

Na saída da capital, o trânsito é igualmente complicado. A avenida Bento Gonçalves, na saída para a RS-040, no limite com Viamão, está com um grande alagamento, que obriga os carros a diminuir bruscamente a velocidade.

Na BR-290, Freeway, os motoristas buscam refúgio sob viadutos para proteger seus veículos do granizo que cai na região, com pedaços de gelo do tamanho de bolas de golfe.

Em Canoas, na região metropolitana, alguns moradores tiveram suas casas avariadas pelo granizo. Segundo a prefeitura, o bairro Guajuviras foi o mais atingido. A base aérea de Canoas registrou ventos de até 60km/h, além do granizo.

Ainda em Canoas, cerca de 1200 casas estão sem energia elétrica, devido a duas chaves automáticas que caíram devido à forte chuva. A situação deve ser normalizada em algumas horas.

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A favorita do Rei

Nem Roberto Carlos resistiu e elogiou as formas de Suzana Vieira em Senhora do Destino
Alícia Uchôa


Para a novela, Suzana, 61 anos, perdeu 12 quilos e testa a boa forma em cenas de amor com o personagem de José Mayer

Ser protagonista de novela não é fácil. A aparência mais jovem da vitoriosa Maria do Carmo em Senhora do Destino não veio por acaso para Suzana Vieira. A atriz, de 62 anos,ficou morena para a personagem e com a lipoaspiração aliada a um acompanhamento nutricional perdeu 12 quilos. A boa forma, que tem deixado o público boquiaberto, já encantou até Roberto Carlos, que elogiou suas curvas recentemente.

Não é à toa que Suzana está chamando atenção. Durante o processo de emagrecimento, que começou em março, a atriz mudou o manequim de 44 para 40. Comecei a acompanhá-la oito dias depois da lipoaspiração. Ela já tinha perdido três quilos na cirurgia e perdeu mais nove com um programa de reeducação alimentar, conta a nutricionista Bia Rique, da clínica do cirurgião plástico Ivo Pitanguy, que vê na mudança de hábitos 70% do resultado. Os outros 30% vêm com o exercício físico, ensina a nutricionista.

Nas ruas, o público faz coro com os elogios do Rei. Ela está nova em folha, uma tchutchuquinha, elogia o guarda municipal Moacir Savi Arouca, de 40 anos, casado há 20. Se minha mulher chegar aos 60 assim, fico mais 20 com ela, ri. Tem certeza que ela tem essa idade toda?, indaga o taxista Alcimar Azeredo, 49, que completa: Ela está uma gatona, linda, maravilhosa. O visual novo está superaprovado.

O segurança Luciano Gonçalves Souza, 30 anos, duvidou da foto ao lado. Ela está assim mesmo? Não é possível. Na novela parece até que ela está bem, mas não isso tudo, questiona ele, que já viu a atriz no palco e ficou reticente até quando soube que a cirurgia foi feita há apenas quatro meses.

O funcionário público Antônio Nascimento Filho, 46, acredita que não houve milagre. Ela malha, tem uma boa alimentação e um bom salário. Assim, é mais fácil, diz. E logo defende a atriz: Nessa profissão, é importante ter todo esse cuidado.

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Bolo de mel

Sumida da TV, a eterna Anita Mel Lisboa foi escolhida pela Playboy para edição de aniversárioZean Bravo


Com o sucesso da minissérie, repleta de cenas de sexo e nudez, Mel fez dois ensaios sensuais para o Paparazzo

Mel Lisboa bem que tentou se livrar do estigma de Anita, mas a imagem que ficou foi a da sensual lolita que ela interpretou na minissérie de 2001, em que protagonizou fartas cenas de nudez e sexo. Apostando ainda nesse apelo, a Playboy recrutou a atriz para estampar sua capa de 29º aniversário, que chega às bancas dia 10. Só agora? O presente está atrasado. Mel deveria ter posado nua logo depois da minissérie, não aproveitou o momento, decreta o universitário Marco Aurélio Mansur, 21 anos, que aponta a estrela ideal para soprar as velinhas da revista: Alinne Moraes! Ela está no auge.

O fato é que depois de fotografar para ensaios sugestivos ela esteve duas vezes no Paparazzo e em recente capa da Trip , Mel tirou tudo. Ela posou num casarão antigo em Santa Teresa, na segunda e terça-feira, para a lente de J R Duran. O tempo dela não passou. Mel é bonita e até trabalha bem. Ela só poderia ter tido outra estréia. Ninguém merecia participar de uma cópia de segunda de Lolita. Mas ela se saiu com dignidade e, felizmente, pouca roupa, exulta o publicitário Oswaldo Portella, 30 anos, que não vê a hora de ter a Playboy de aniversário nas mãos. Ao contrário das atrizes de sua geração, Mel não se valeu de nenhuma intervenção cirúrgica para ter o corpo que tem. Coisa rara hoje em dia.

As formas naturais de Mel, exploradas em vários e generosos ângulos em Presença de Anita, ganham agora as páginas da revista em clima de mistério. Só vamos falar do ensaio quando a revista for lançada, diz a assessoria de imprensa da atriz, que não explica os motivos que a fizeram aceitar a proposta da revista só agora. Ela é convidada desde que fez a minissérie, garante o assessor.

Se Mel surgirá nas fotos num clima lolita ou não, ainda é segredo. Prefiro um ensaio estilo mulherão. Para enterrar Anita de vez e mostrar que ela tem valor sem a personagem, sugere o universitário Danilo Coimbra, 22 anos, que não gostou do cenário das fotos. Santa Teresa? Eles vão é fazer algo na linha da minissérie. Mas eu compro mesmo assim, deixa escapar, para protesto do primo, José Carlos Coimbra: Não importa a personagem se ela estiver nua.

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Caixa paga nova parcela da correção do FGTS

Agências têm três dias para depositar

Antes da abertura das agências da Caixa Econômica Federal ontem vários trabalhadores já faziam fila para receber mais uma parcela das diferenças do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) relativas aos planos Collor e Verão.

Estão sendo pagas a quarta parcela para os trabalhadores que recebem valores entre R$ 2 mil e R$ 5 mil, a terceira parcela para quem tem direito a receber entre R$ 5 mil e R$ 8 mil e a segunda parcela para os que têm direito a valores superiores a R$ 8 mil.

Com a liberação das novas parcelas, a Caixa Econômica Federal injeta R$ 1,5 bilhão na economia. Desse total, quase R$ 1,4 bilhão poderão ser sacados imediatamente ou depositados em conta corrente. São mais de 1,4 milhão de contas. A Caixa esclareceu que os trabalhadores com créditos de até R$ 2 mil estão recebendo a última parcela. A primeira foi paga em janeiro de 2003.

Os técnicos da instituição alertam aos que optaram por receber o dinheiro diretamente em suas contas. Nesse caso, as agências têm prazo de até três dias para fazer o depósito. O pagamento das diferenças dos planos econômicos foi determinado pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

O governo determinou os termos do acordo para o pagamento, abrangendo os trabalhadores que tinham conta vinculada ao fundo entre janeiro de 1989 e abril de 1990, mesmo aqueles que já sacaram os recursos.

Mais de 32 milhões de trabalhadores aderiram ao acordo para o recebimento do dinheiro em parcelas. Desde junho de 2002, quando se iniciaram os pagamentos, mais de R$ 19 bilhões foram injetados na economia. Outros R$ 7 bilhões foram depositados nas contas do FGTS dos trabalhadores que ainda não puderam sacar o dinheiro nos termos determinados pela lei.

Serviço
A Caixa Econômica Federal informou que os trabalhadores que tiverem dúvidas poderão se informar sobre todo o processo nas próprias agências da instituição ou no site www.cef.gov.br.

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Martha Medeiros
14/07/2004


Envenenados

Eu já tinha um outro texto preparado para publicar hoje, sobre os novos discos do Prince e do Lenny Kravitz, aproveitando que ontem foi o dia mundial do rock. Ia ser um texto ameno, leve, sensual até. Mas ontem, além do dia do rock, foi o dia em que deparei com uma reportagem assustadora em Zero Hora: aquela sobre os rachas feitos em movimentadas ruas de Porto Alegre com carros turbinados com óxido nitroso, que dá aos veículos uma potência absurda. Como é que eu poderia falar de música? Rifei o rock, fica pra outra vez.

Agora estou aqui, na frente do computador, pensando no que posso dizer sobre o que li. Falar o que sobre um bando de imbecis e irresponsáveis? Vai mudar alguma coisa? Não vai mudar nada. Quem anda a 260km/h numa via pública, correndo o risco de se matar e matar outras pessoas, não tem a menor consciência sobre coisa nenhuma. Diante desse tipo de estupidez, as palavras pouco podem.

Penso, nessa hora, na Diza Gonzaga, que deve estar muito mais desanimada do que eu. Ela trabalha duro no projeto Vida Urgente, tentando conscientizar a garotada sobre responsabilidade no trânsito, e aí acorda de manhã e lê no jornal depoimentos de debilóides que se orgulham de fazer do carro uma arma, que chamam de brincadeira o fato de ficarem sem condições de frear no caso de alguém cruzar a frente deles.

Penso na polícia, na EPTC, no governo, penso naqueles que poderiam conter isso e não conseguem. Penso em Tarumã, tão pertinho, aqui em Viamão, onde essa rapaziada poderia se divertir com mais segurança, mas, aí, que graça teria? Penso nas pessoas que nada têm a ver com isso, que deslocam-se à noite, que voltam de festas e muitas vezes do trabalho e que podem ser atingidos numa esquina por um desses boçais.

Penso nas namoradas dessas criaturas, meninas que não possuem a menor idéia do que seja um homem de verdade. Penso nos pais desses marmanjos que só têm tamanho, eles certamente não apóiam e provavelmente desconhecem o que seus bebezões fazem para injetar um pouco de emoção à vida. Penso em todas as palavras que usei aqui e que não fazem parte do meu vocabulário usual: imbecis, boçais, debilóides. Parece forte, mas estou sendo de uma delicadeza extrema. O nome real dessa categoria de gente? Criminosos.

martha.medeiros@zerohora.com.br

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David Coimbra
14/07/2004


O Flagelo de Deus

Quando a figura sinistra de Gengis Khan assomou à soleira da porta da mesquita de Bucara, os habitantes da cidade que ainda podiam se locomover ficaram petrificados de horror. Corria o inverno de 1219. Desde o ano anterior, Gengis Khan e seus ferozes guerreiros mongóis vinham das estepes da China rasgando o ventre do Oriente.

Percorriam quase 100 quilômetros por dia em seus cavalos fortes, velozes e atarracados, de metro e meio de altura; embriagavam-se com o cúmis, sua tradicional bebida de leite de égua fermentado; comiam, dormiam e faziam suas necessidades fisiológicas sem jamais desmontar. Até irromperem naquela indefesa cidade da Ásia Central e dizimarem-na sem piedade. Aos suplicantes sobreviventes, Gengis Khan então anunciou:

- Eu sou o flagelo de Deus. Se vocês não tivessem cometido grandes pecados, Deus não lhes teria mandado uma punição como eu.

Assim autorizado pela fúria divina, o conquistador ordenou que seus soldados terminassem o serviço e passassem os prisioneiros pelo fio da espada.

A matança não era novidade para eles. Volta e meia, Gengis Khan ensinava aos seus mongóis:

- A maior alegria de um homem é conquistar o exército do inimigo, persegui-lo, privá-lo de seus pertences, reduzir sua família às lágrimas, cavalgar em seus cavalos e possuir suas esposas e filhas.

Isso no século 13.

Oitocentos anos antes, um outro conquistador levantou-se do Oriente Longínquo para aterrorizar o trêmulo Ocidente. Tratava-se de Átila, o rei dos hunos. Como os mongóis, os hunos também eram povos tártaros. Como os mongóis, também viviam montados em seus pequenos e resistentes cavalos. Colocavam a carne que iam comer entre a sela e o pêlo da montaria - o próprio suor do cavalo se encarregava de salgar a peça de carne e, desta forma, preservá-la. Os guerreiros a devoravam crua, sem nunca desmontar.

No primeiro dia do nascimento de seus filhos, os hunos já lhes cortavam a face com uma espada, para que o menino se acostumasse à dor. Ao longo da vida, o rapaz ia sofrendo outros talhos no rosto, feitos pelo pai ou por si mesmo, até que, transformado em guerreiro, o jovem assumia uma aparência que impunha pavor aos inimigos.

Átila era assim. O historiador Prisco o descreveu como um homem atarracado e de ombros largos, com nariz achatado e uns fiapos no rosto que faziam as vezes de barba. Seus olhos negros e penetrantes só se enterneciam quando acariciava o rosto do filho, mas, ao fitar um inimigo, se tornavam duros de pedra. Átila, ele também, se denominava o Flagelo de Deus.

Foi o que disse para o Luciano Peres, semana passada. O Luciano é editor de Mundo e estava escrevendo uma matéria exatamente sobre Gengis Khan. Acontece que o conquistador mongol teve uma centena de filhos. Eles se multiplicaram, como os humanos tendem a se multiplicar em tempos de prosperidade, e, agora, acredita-se que haja descendentes do Grande Khan espalhados por toda a Europa e toda a Ásia. Você mesmo pode ter Gengis Khan na raiz da sua árvore genealógica, já pensou?

Preparando-se para abrir o texto, o Luciano hesitou: era Gengis Khan a quem chamavam de "O Flagelo de Deus"? Ou era Átila? Ele tinha certeza de que era Átila.

Foi nesse momento sublime que me assaltou a compreensão de um dos desígnios do Senhor, como minha fronte tivesse sido lambida pela língua de fogo do Espírito Santo: Átila no século 5, Gengis Khan no século 13... Dois Flagelos de Deus. Está mais do que evidente: a cada milênio, o Todo-Poderoso envia um de seus Flagelos para punir a humanidade. Ou parte dela, pelo menos.

Resta uma dúvida: quem será o Flagelo do terceiro? Estará ele entre nós? Acredito que sim. E tenho palpites:

Bush, talvez?

Bin Laden, quem sabe?

Ou será que pode ser algum dirigente do Grêmio? Pensando bem... acho que pode.

O professor de fatiota

Protegido por sua flamante cacharel cor de areia, decerto uma cacharel marselhesa, Fernandão enfrentou as geladas correntes de ar do Morro Santa Tereza, apresentou-se ao Bate Bola domingo à noite e, lá, no acalanto do estúdio, sentado ao lado do também elegante Pedro Ernesto, fez a principal revelação do pós-clássico: os responsáveis por sua escalação foram Sangaletti e Clemer. Porque no intervalo do Gre-Nal, ante a lesão do zagueiro Wilson, os dois experientes jogadores puxaram o técnico Joel Santana para um canto mais penumbroso do vestiário e sugeriram: coloca o Fernandão. Joel acatou a idéia. E ganhou o jogo.

Extraio daí duas constatações. A primeira: Joel foi sensato ao dar ouvidos a seus jogadores. A segunda: os técnicos realmente são muito menos importantes do que se quer fazer crer. Refiro-me às questões táticas. Isso de esquemas de jogo e variações e posicionamentos e talicoisa. Os técnicos se arrogam estrategistas. De uns tempos para cá, se enfatiotaram.

Olho para o Jair Picerni às fímbrias do gramado e tenho a impressão de ver o Karpov pensando se vai defender seu rei com um roque ou simplesmente avançar o bispo até a terceria casa. Mas o detalhe mais saboroso é o "professor". Todo técnico, hoje, é professor. Tudo isso para, na hora do jogo, um desmilingüido pontinha egresso da Vila Cachorro Sentado dar dois dribles no zagueiro e, num único lance, desmontar a tática tão bem engendrada.

O Inter usou artimanhas de prancheta, de quadro negro e computador no Gre-Nal, mas o que ganhou a partida foi a malícia dos jogadores. Como quase sempre acontece.

david.coimbra@zerohora.com.br

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Paulo Sant'ana
14/07/2004


Noite de tortura

Dois crimes brutais foram registrados no noticiário de ontem: um PM e um empresário metalúrgico foram mortos impiedosamente por assaltantes em Gravataí e na Rua Voluntários da Pátria, na Capital.

Chamou a atenção o traço comum entre os dois assassinatos: a mais absoluta desnecessidade para as mortes, foram simples execuções, elas não tiveram qualquer utilidade para a impunidade dos assaltantes.

O PM José Carlos da Silva, com 35 anos, tentou evitar um assalto a banco no centro de Gravataí. Como um assaltante fez de um transeunte refém da sua ação, o PM atendeu a exigência do bandido e jogou sua arma ao chão.

Pois, ainda assim, foi baleado e morto covardemente.

O empresário Alfredo Rysdyk foi surpreendido junto com os funcionários de sua metalúrgica, no horário de saída, início da noite.

Foi levado até o cofre da firma, quando lhe pediram os assaltantes que ele o abrisse. Disse que não tinha a chave, sua mulher a possuía e já tinha ido embora. Foi executado friamente, depois que lhe roubaram o dinheiro dos bolsos.

Compreende-se - vá lá - que saiam os assaltantes a buscar dinheiro em suas investidas. Mas o assassinato improfícuo assim de um PM e de um industrial, indefesos, o primeiro já desarmado, o segundo dócil diante dos captores, revolta. Pela crueldade. Pela não-reação das vítimas, que obedeceram aos conselhos das autoridades para não reagir. E ainda assim foram eliminadas impiedosamente.

Não passam pela recepção neuronial de ninguém esses dois crimes. Só a perversidade os explica. Esses dois casos aterrorizam todas as populações, que ficam assim cientificadas de que as vítimas podem ser mortas mesmo que os bandidos tenham êxito em seus assaltos e a fuga garantida. Ou seja, matam por uma espécie de prazer lúdico, como se estivessem participando de um esporte, uma caçada.

Deriva sem dúvida daí a forte escolha da opinião pública pela pena de morte nas pesquisas em que é consultada, também o apoio das pessoas aos maus-tratos e péssimas condições nas prisões, ou seja, crimes horrendos justificando errada percepção sobre justiça penal e tratamento carcerário.

Que desânimo e que náusea existencial provocam crimes como esses!

Eis-me lá, ontem, a torcer como um desatinado pelo Grêmio, cheio de esperança quando o Marcelinho fez o gol no cruzamento do Pitbull, a acreditar no milagre, bem como tinha escrito ontem: os fatos mensuráveis levavam a prognosticar uma vitória do Cruzeiro, mas restavam os acontecimentos exteriores à esfera real, isto é, o milagre.

Torcer pelo milagre é como torcer para ganhar na Mega Sena, a gente se enche de esperança até o instante do sorteio.

Dali a pouco, o Cruzeiro fez dois gols com a maior facilidade, outra vez uma falta com barreira, o novo goleiro Márcio também aceitou, embora de menor distância do que naquele fiasco do Tavarelli contra o Figueirense.

Eis-me lá como um frígido europeu a torcer apenas pelo prato de comida que me oferecem: para que o Grêmio não baixe para a zona de rebaixamento.

Nesse drama, vibrei com o gol de empate do Internacional, fazia despencar o Guarani, que é concorrente do Grêmio na precipitação para o vexame.

De repente, um meio milagre: um gol espírita do Grêmio empatando o jogo, uma bola despretensiosa de Cléber bateu no zagueiro do Cruzeiro e entrou no gol.

Mas logo em seguida o Armagedon, o inferno: um pênalti de Baloy, outra derrota do Grêmio no Olímpico, já lá vão oito jogos em Porto Alegre com apenas um vitória, uma média que nos arrasta sem remédio para o rebaixamento, média negativa que arrasta para o abismo.

E para mal dos pecados, o Internacional perdeu no finzinho e o Grêmio desceu na tabela para a região sinistra da segunda divisão. Como sábado é contra o Palmeiras no Parque Antártica, preparem-se gremistas para o choro e ranger de dentes do ano passado, só que desta vez com quatro rebaixados.

A vida assim não tem sabor, só o gosto amargo de torcer por um time que nos proporcionou felicidade imensa e glória no passado e no presente arremessa-nos para o estraçalhamento existencial.
psantana.colunistas@zerohora.com.br

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Castigo nos Descontos
Na zona do rebaixamento



Derrota de 3 a 2 para o Cruzeiro, levando o último gol nos acréscimos, deixou torcida gremista revoltada com o time (foto Paulo Franken/ZH)


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Terça-feira, Julho 13, 2004




Essas duas crônicas, do Artur da Távola e do Arnaldo Jabor, nos falam de desencontros, daquilo que poderia ter sido e não foi. E nós quantos casos desses já tivemos, dias em que o amor poderia ter sido e não foi...Ficando essas lembranças daqueles momentos tão fugazes, mas que a memória por uma razão que não sabemos, insiste em lembrar pela vida além. Leiam os textos e fiquem com os anjinhos...

ARTUR DA TÁVOLA

Cena dos anos 50

Chovia, e ele estava atrasado. Atravessou veloz a Raimundo Correia, escorregou, caiu, sujou-se e esfolou o braço, mas nada o impediria de ainda tentar a sessão das seis, na primeira vez em que conseguiria ficar a sós com Milana, ainda que no cinema. Vê, do outro lado da rua, esbaforido, a imagem da qual jamais se esqueceria.

A porta do cinema ficara vazia. Lotado, ninguém mais entrava após a sessão começada. Não cabia. Milana, esguia, os belos cabelos ondulados e compridos soltos sobre o ombro, a roupa discreta (pudor que sempre teve), e escondia - e por isso mesmo revelava - seu belo corpo, sozinha, entre a marquise e a rua, debaixo da pequena sombrinha a esperá-lo. Chuvada!

Não acreditou. Havia pensado em tudo até chegar lá: que ela desistira de esperar; que nem veio ao encontro; que a mãe não a deixara sair sozinha, que a tormenta (a essa altura era um temporal daqueles de encher ruas); que a rigor não se interessava por ele, que era mais feio e o único que possuía era um caderno de versos no qual Milana disse haver talento, contrariando o parecer de um colega muito culto que lhe fizera duras críticas, daquelas desanimadoras.

Lá estava, respingada de chuva, assustada por estar só na rua àquela hora. Chega ele com pedidos de desculpa, o coração galopante, a dizer que o trânsito etc. Empapado de chuva da cabeça aos pés. Milana não devolveu qualquer palavra de reclamação, sentiu-se aliviada com a chegada, embora assustada com a proporção da chuva que já enchia a Avenida Copacabana. Ficaram naquela indecisão do coração aos pulos sem saber o que dizer até que num lance do qual jamais se julgaria capaz não fosse a emoção, segurou com decisão e vigor a mão dela que estava livre da sombrinha.

Os dois calados, quase colados, sem saber o que dizer, viveram quinze minutos de só silêncio. Milana repousou a cabeça no ombro dele e sempre em silêncio os dois viram a chuva aumentar, a água a subir a calçada, os pés encharcados, ela sem saber o que diria em casa e ambos a ignorar como retornar.

Então começam a rir e a rir sem parar. Rir de tudo: do que não foi falado, dele empapado, da descoberta do amor possível, de não saberem o que fazer e de se manterem calados, apenas mão na mão e um riso saboroso, desses que só surgem em momentos de amor, a fazer alegria do que parecia ser um problemão.

Depois, por motivos vários, o namoro não prosperou mas ambos até a morte se lembravam daquele dia. Separados no tempo e no espaço, um nunca soube que o outro jamais esqueceu a cena.

tavola@ism.com.br

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Publicado em 13 de julho de 2004 Versão impressa
Arnaldo Jabor


Resposta a uma moça 50 anos depois

Outro dia, escrevendo sobre meu passado, falei de uma menina da Urca que, de longe, eu considerava minha namorada, Silvinha, moreninha de olhos verdes. Dias depois, recebi um e-mail assim:

Meu amigo Arnaldo,

Lisonjeada fiquei ao ler sua coluna de 29/06 pp. por me ver citada em suas reminiscências.

Hoje, com 46 anos de casada, com dois filhos e dois netos, entristece-me pensar que a meninada atual não pode ter a infância livre e despreocupada que tivemos e, portanto, não terá as lembranças das peripécias próprias de cada fase. Ah, bons tempos!

Agradecendo as citações, deixo aqui um saudoso abraço.

Hoje, sou a grisalhinha de olhos verdes.

Silvinha

Fiquei emocionado com o e-mail e agora respondo.

Querida Silvinha,

Hoje, mais de 50 anos depois, vou dizer o que sentia por você. Você foi o que eu imaginava o que seria uma namorada. Você despertou em mim um tremor novo, a primeira emoção do que mais tarde vi que chamavam amor.

Em uma tarde cinzenta, em frente ao portão de sua casa, eu senti uma alegria inesquecível como se tudo ali estivesse no lugar perfeito: a brisa leve da tarde, a paz da rua, o silêncio sem pássaros, você encostada no portão marrom do jardim e, não sei por quê, senti uma felicidade insuportável, como se ouvisse o calmo funcionamento no mundo.

Percebi confusamente que ali, no teu sorriso, ou olhos, ou boca, estava a explicação do sol filtrado em listras entre as folhas da árvore, e a perfeição do som agudo que tirei da folha de ficus enrolada como uma flautinha vegetal, instrumento que hoje os garotos não conhecem mais.

Esse foi um momento que me ficou nos últimos 50 anos. Depois, uma brincadeira também esquecida: casamento japonês, onde se escolhia uma menina a quem se perguntava: Pêra, uva ou maçã?; você disse uva e eu beijei timidamente seu rosto, sentindo-me, em seguida, a voar por cima do seu jardim, vendo as casas da Urca lá embaixo. E, assim, você ficou de namorada oficial de minha infância imaginária.

Não sei por que, Silvinha, sempre tive fascinação por meninas que me deixavam arrebatado e com medo ao mesmo tempo, sempre de algum modo as meninas que me atraíam me pareciam inatingíveis, etéreas, como se fossem destinadas a outros e não a mim... e essa impossibilidade aumentava meu fascínio de pierrô.

Aliás, devo te confessar hoje, 50 anos depois, que você não foi a única.

Márcia corria de bicicleta pela pracinha e só tinha olhos para o Porcolino e olhava com desdém sorridente para minha tentativa de alcançá-la na bicicleta, e eu via suas pernas sob a saia que ventava e a bicicleta parecia deixar um rastro de cometa de Márcia; também, mais tarde, ainda sem te esquecer, confesso que me apaixonei por Ciomara, que, percebendo meu interesse tímido, aplicou-se em me espezinhar, tendo eu sofrido muito vendo-a cantar provocativamente.

Vivo esperando e procurando Cervantes no meu jardim, uma versão da música Four-leaf clover, um sucesso na época, que ela adaptou para conquistar Cervantes, o belo half-back do time Arsenal. Ciomara me fez sofrer, vendo-a de mãos dadas com ainda outro, para espicaçar também Cervantes, não eu, debaixo dos flamboyants carregados de flores vermelhas.

Devo dizer também que fui crescendo e enlouqueci de um amor mais carnal por uma moça mais velha, Isadora, de pernas lindas no maiô roxo Catalina, alva, de boca rubra com muito batom.

Daí para a frente, Silvinha, já adolescente, comecei minhas incursões pelo mundo do pecado, sempre instruído por meu professor de sacanagens, o saudoso pipoqueiro Bené, que você certamente conheceu, ele que me induzia às mais pecaminosas ações solitárias, dando-me revistinhas de mulher nua, ainda ingênuas, como Saúde e Nudismo, cheias de moças azuis, deitadas em praias remotas. Nessa época eu já vivia em Copacabana, na casa de meu avô, onde eu tinha mais liberdade que sob as ordens de mamãe.

Lá no Posto Seis, no escuro dos cinemas, as primeiras namoradas se retorciam e se recusavam ao assédio a seus desejados peitinhos, me deixando desesperado e enroscado em intrincados sutiãs cheios de presilhas e elásticos, que me impediam de chegar à maciez dos seios ocultos, enquanto tiroteios rolavam na tela e eu me embaraçava nas terríveis teias das alças, de onde saía exausto com dores nos rins de tanto ardor insatisfeito.

Depois, Silvinha, continuei minha trilha pelos caminhos que se abriam para os jovens solitários daquela época: as casas de pecado do Catete, os famosos rendez-vous , o que nos fez dividir as mulheres em santas e prostitutas, ficando as santas como você em nossa memória iluminada e as outras sendo fonte de erros e sofrimentos. Todas, então, santas e bruxas, eram intangíveis, todas impossíveis. Veja como se formavam os jovens nos anos 50 para o amor.

Não conversamos nunca, Silvinha, você nem soube que era minha namorada secreta, e vivemos esse meio século em mundos diversos. Você deve ter sido feliz, com filhos e netos, seguindo a trilha natural que saía do seu jardim, enquanto eu tive um caminho mais torto talvez, sempre meio fora das coisas que eu via acontecer.

Tenho inveja das estradas largas e sadias e talvez eu tivesse sido mais feliz, se tivesse feito a Escola Naval como meu pai queria, e hoje fosse um orgulhoso almirante comandando cruzadores pelos mares do meu Brasil.

Mas não posso me queixar de nada, casei várias vezes, tive duas filhas e um filho maravilhosos, chorei muitas vezes de dor de corno e de desentendimento, mas não posso me queixar, pois, além do que vivi, vejo hoje que as memórias são tão sólidas quanto as realidades, que muitas vezes se esvaem mais rápido que aquelas. Você, de quem nem lembro o rosto, ficou como uma primeira sensação do que chamam de amor. E como diz o poeta: ...as coisas findas, muito mais que lindas, essas ficarão...

Beijo tardio,
do Jabor

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Lindo, Jasão, bonito e gostosão

José Mayer encanta mulheres em Senhora do Destino com o visual grisalho e barbado que adotou para MedéiaClarissa Monteagudo e Marcelle Carvalho


Em Medéia, ele faz Renata Sorrah enlouquecer de amor

Suzana Vieira está deslumbrada. Não bastasse ser protagonista de Senhora do Destino e estar cercada de filhos-galãs, ela ainda conseguiu um marco na teledramaturgia brasileira: pôr José Mayer, fiel, a seus pés como o jornalista Dirceu. O Zé já pegou tanta mulher bonita e vai ser fiel justamente a mim? Isso é uma delícia, diz Suzana, às gargalhadas. Pudera. O cinqüentão está mesmo diferente. Assumiu com gosto o visual maduro adotado para viver Jasão, na peça Medéia.

E agora usa barba, cabelo e bigode grisalhos pela primeira vez na TV. A mulherada, nas ruas, aplaude e o galã, quem diria, se espanta. Ficou bom? É mesmo? Eu ainda não sabia. Veja só, eu achei que reclamariam porque tem um aspecto selvagem, surpreende-se, com ares de desentendido sobre seu sex appeal.

Dirceu não entra na galeria de pegadores de Mayer. Mas o jornalista não deixa a peteca cair na hora de dar uns amassos na amada Do Carmo, seja dentro da banheira ou na sala de estar. A mulherada também suspira ao vê-lo exibir a boa forma e um sorrisinho irônico para o espelho ao se perfumar antes de ir para a cama. É José Mayer em seu melhor estilo. Ele pode tudo. É o tipo de homem que balança uma mulher. Está ainda mais másculo com esse novo visual, derrete-se a universitária Ana Paula Lima, 25 anos.


Não é só na ficção que o ator agrada da Anita de Mel Lisboa à Do Carmo de Suzana. Aprovei. Ele continua bonito. Aquele vai morrer galã, elogia a assistente de Recursos Humanos Teresa Brandão, 49. O novo José Mayer também fez sucesso na família. As mulheres da minha casa me estimularam a ficar com barba e bigode. Tanto Júlia (a filha) quanto Vera (a mulher, a atriz Vera Fajardo) gostaram. E a mudança ainda traz outras vantagens.

O tormento masculino é fazer todo dia a barba. Agora está bem mais tranqüilo, confortável, admite Mayer. O visual não foi planejado para a novela mas combina com o temperamento do Dirceu. Ele é um jornalista romântico, vem de uma época mais idealista. E foge do padrão, não dá tanta atenção à parte visual, diz Mayer.

Elas aprovaram o novo estilo. Está despojado, mas charmoso. Dá para competir com os garotos. Os jovens não estão com essa bola toda, compara a funcionária pública Bárbara Araújo, 26 anos. Relaxado ou mauricinho, Mayer é barbada.

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Moacyr Scliar
13/07/2004


A literatura é festa - e é vida

O lugar não era pequeno: uma sala de espetáculos com cerca de mil lugares. Mesmo assim havia dúvidas se o espaço seria suficiente: uma imensa fila formara-se à porta, todos impacientes por entrar. De repente, a confusão: algumas pessoas tinham encontrado uma entrada alternativa nos fundos do recinto. Logo estavam todos se precipitando por ali, uma verdadeira torrente humana que os organizadores tentavam inutilmente conter. Finalmente, com muitos sentados no chão e outros tantos tendo de assistir em vários telões colocados fora, o evento pôde começar.

Pergunta: que evento foi esse? Um concerto de rock, com algum conjunto muito popular? Um desfile de supermodelos? Um popular programa de auditório?

Não. Era um painel sobre literatura. Isto mesmo: sobre literatura. É verdade que os dois principais participantes não são propriamente desconhecidos. Um deles era Chico Buarque, que ali comparecia como autor do best-seller Budapeste. O outro era o norte-americano Paul Auster, autor da chamada Trilogia de Nova York.

Mas também é preciso assinalar que se tratava da Festa Literária de Parati, que, em termos de promoção da palavra escrita, está - como a Jornada Literária de Passo Fundo - revolucionando o cenário cultural brasileiro. A Festa trouxe a uma pequena cidade do litoral fluminense uma penca de escritores conhecidos. Mais que isto, transformou as apresentações em verdadeiros shows, com leitura de textos e vivos debates.

É importante assinalar estas coisas, porque elas ocorrem num momento de controvérsia: segundo noticiam os jornais, discute-se a retirada da literatura do currículo escolar. Se existe realmente este propósito, é um erro. Diferente da química, literatura lida com emoções (é claro que também existe uma química das emoções, mas isto é outra história).

E está sendo revalorizada por isso. Exemplo: faculdades de Medicina no mundo inteiro estão incluindo a leitura de textos literários no currículo para ensinar aos scliar@zerohora.com.br estudantes de medicina que o ser humano não é só um fígado problemático ou uma glicose elevada.

A Flip mostrou que o público quer, sim, falar de literatura. Tudo está na maneira de apresentar às pessoas livros e escritores. Quando fica claro que literatura é festa, é vida, as pessoas não apenas se interessam, elas invadem correndo as salas e salões.

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Liberato Vieira da Cunha
13/07/2004


O professor de felicidade

Se você acha que a felicidade não se compra, como diz o título daquele esplêndido filme cult de Frank Capra, incorre num engano d'alma ledo e cego. A felicidade está à venda na Austrália. Por módicos R$ 436 a hora, um certo Timothy Sharp, de Sydney, ensina como encontrar essa arisca deusa e tirar assim do vermelho sua conta-corrente do bem-viver.

Ele próprio, aliás anda rindo à toa. Segundo leio em ZH, o instituto que fundou em honra da esquiva ciência navega no azul, pois é cada vez maior o número de seus clientes, desde pessoas feito você e eu, até empresas inteiras que matriculam seus funcionários em workshops destinados a treiná-los a vencer a má fortuna.

De acordo com o professor, entre os 10 principais fatores responsáveis por saldos crescentes da ventura, ao lado do sono e dos exercícios físicos, está o sexo. Não sou ninguém para discordar do ilustre mestre. Mas ouso supor que aos que muito dormem não sobra tanto tempo assim para fazer amor. E me indago se um trabalhador braçal, que ganha a vida no rude exercício de arrancar pedras, será mesmo feliz.

Não creio também que, como pregam o cientista e alguns de seus distintos colegas, basta comparar o seu salário, a sua casa ou seu carro com os do vizinho para sentir-se sério - ou sorridente - candidato à bem-aventurança.

Concedo que Mr. Sharp - nome que em inglês pode significar igualmente esperto - não está sozinho em suas rendosas elucubrações. Um economista americano, Paul Zane Pilzer, sustenta que a próxima grande indústria a faturar trilhões, depois da automobilística e da informática, será a que avia receitas de paz, saúde e prazer. Não sei se esse Pilzer diplomou-se na escola de Sydney.

Me palpita no entanto que há milênios tem gente interessada no negócio: visionários, curandeiros, santos, embusteiros, sacerdotes, xamãs. Não recordo de um único que tenha acabado trilionário. O melhor de todos terminou crucificado. Um outro, Frei Luís de León, afirmava que o segredo da felicidade é cada um viver de acordo com a sua natureza e sua ocupação. Há megatons de bom senso nessa singela constatação e no entanto o frade espanhol morreu tão pobre quanto viveu, além de ter amargado os cárceres da Inquisição, acusado de heresia.

Partilho de suas heréticas inclinações. Os seres humanos não se tornam mais felizes por serem atletas sexuais, adormecerem em horas cristãs, malharem, embolsarem gordos contracheques, possuírem belas moradas ou automóveis importados. São menos infelizes, no geral, quando conhecem as suas limitações, entregam-se a ofícios de seu gosto, atribuem mais valor ao ser do que ao ter, não se atormentam com ambições ou invejas, buscam a serenidade, a companhia dos amigos, um jeito solidário de ir tocando o barco. liberato.vieira@zerohora.com.br

Pois destes, ainda que ignore Mr. Sharp, será o reino, o poder e a glória.

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Luís Augusto Fischer
13/07/2004


Chorão, Camelo e Chico

Podia ser a escalação de um meio-campo antigo, do tempo do 4-3-3: Chorão, Camelo e Chico. Não é, porém. Chico Buarque fez 60 anos e nós todos o saudamos, nem que tenha sido no silêncio de nossa mais íntima consciência. Camelo é o Marcelo, da banda Los Hermanos, sujeito gente-fina que levou uma cabeçada de um incontido Chorão, do Charlie Brown Jr. Para quem não lembra: a agressão imbecil veio de este Chorão ter ficado desgostoso com a opinião de Camelo sobre a incongruência entre o estilo da Charlie Brown, que faz pose de maldita e rebelde, e o fato de essa banda ter aparecido fazendo comercial para um refri.

Em língua de gente grande, e descontada a simples estupidez humana, o tema é arte versus mercado, tema por sinal velho e sempre irresolvido. Mais ainda quando se trata da canção popular brasileira, um manancial até agora inesgotável de diversão e arte para todas as gentes que praticam a mesma nossa língua, incluindo os analfabetos. (Uma das enormes virtudes da canção é precisamente ser uma arte disponível para iletrados. O sujeito pode ser analfabeto nato e hereditário e mesmo assim curtir horrores e ainda compor uma maravilha.)

Este Chorão - que não se perca pelo nome, que deve talvez sensibilizar adolescentes com gosto maternal - imagino que vai passar, sem marcas; Camelo talvez fique, como tem demonstrado em algumas composições apreciáveis; Chico, nem se fala: está para sempre no repertório do que de melhor a cultura de nossa língua produziu. O caso é que a canção toda, mesmo a do Chico, como é mesmo que permanece? Como é que as novas gerações vão conhecendo Chico, para além do Camelo e do Chorão? E como conhecerão Caymmi, Noel Rosa, Ary Barroso?

Tese geral: ou a escola toma o encargo de repassar adiante esse patrimônio, do mesmo jeito que se passa adiante um Machado, fischer@zerohora.com.br um Simões Lopes Neto, um Drummond, ou nada feito. Porque a canção, arte nascida junto com a gravação e o rádio, vive sozinha apenas como mercadoria; sua porção artística, que em alguns compositores é nula mas em outros é plena, se deixada ao acaso acabará escorrendo pelo ralo do tempo junto com a embalagem do CD, com o saquinho de súper, com o papel da bala.

Palavra de ordem, então: todo mundo tem direito ao Noel Rosa. E Noel Rosa não é mais mercadoria, perdeu o encanto do dinheiro, ultrapassou todo e qualquer Chorão em direção ao infinito. Nós é que temos que fazer por merecê-lo.

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Paulo Sant'ana
13/07/2004


Espasmo de inação

Um leitor pergunta: "Será que este remédio que concorre com o

Viagra, chamado Cialis, que mantém a ereção por 36 horas, não dá dor de cabeça?"

Resposta do colunista: dá, sim. Na mulher.

A grande maioria, numa escala de 7 para 2, dos e-mails recebidos por esta coluna foi contrária à tese exposta pela professora universitária que no sábado criticou aqui o método de propaganda que coloca meninas adolescentes empunhando cartazes comerciais nas esquinas, umas subindo em caixotes.

O texto foi combatido sob o ponto de vista técnico mas também sob o aspecto de que a maioria dos missivistas não vê qualquer humilhação em garotas usarem nariz de palhaço ou treparem em caixotes para anunciar produtos. Acham muito mais digno e útil isso do que se marginalizarem perigosamente na inatividade.

Um anunciante diz que cada garota ganha R$ 30 por dia.

Algum técnico (engenheiro) da prefeitura podia me tirar de um impasse racional? É que saudei como grande desenvolvimento urbano o viaduto da Avenida Carlos Gomes sobre a Avenida Nilo Peçanha.

Cá comigo, o que deve ter acontecido com todos, pensei que ia ficar livre da espera penosa no cruzamento que ali havia.

No entanto, foi erguido o viaduto e permaneceram o cruzamento e a espera.

Eu queria que me explicassem então tecnicamente qual foi a vantagem de tal obra grandiosa e entusiasmante?

E se o planejamento estratégico que hoje se faz no Grêmio concluiu que o clube não pode acrescentar quaisquer outras despesas aos seus gastos atuais - e que o volume assustador da dívida aconselha que seria mais digno e viável enfrentá-lo na segunda divisão?

Pela ausência mais completa de qualquer gesto para reforçar o time, é possível presumir que o Grêmio tenha entendido que o clube só é orçamentariamente viável na segunda divisão.

Ou seja, que o clube está quebrado.

Isso parece ser surrealista e absurdo. Mas esse vazio de reação oficial da diretoria à ameaça de rebaixamento transmite até a idéia de que o rebaixamento não pode ser descartado pelo plano.

O Grêmio demonstra claramente que se deixou abater e resignar pela desgraça do endividamento.

E, embora não deseje o rebaixamento, admite-o.

Ou seja, a atitude da direção do Grêmio em alienar-se completamente da gravidade por que o clube passa no campeonato nacional faz intuir que há um propósito oficial de auto-anestesia, com a finalidade de driblar o terror permanente do rebaixamento.

Por isso é que não repercute nenhum apelo ou protesto da torcida junto à direção.

É um dramático e letárgico espasmo de inação.

O paciente só pode ser salvo por milagres, o primeiro deles vencer o Cruzeiro hoje com seis reservas.

Todos ao Olímpico hoje à noite, torcendo pela metafísica, isto é, pelo plano irreal, que nada tem a ver com os fatos.
psantana.colunistas@zerohora.com.br

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Clima
Natureza congelada



Baixas temperaturas, que chegaram a -6,8ºC no Estado e congelaram até cascatas, como em Urupema, SC (acima), devem deixar a Região Sul hoje, dando lugar a um clima mais ameno, com os termômetros chegando a 25ºC (foto Susi Padilha, Agência RBS/ZH)


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Segunda-feira, Julho 12, 2004




Segunda, 12 de julho de 2004, 10h34 Atualizada às 11h21

Poema gigante homenageia Pablo Neruda

Reuters

Poema em homenagem a Neruda tem 2 quilômetros de extensão

A cidade de Valparaiso, no Chile, não deixou esta segunda-feira, data do centenário de Pablo Neruda, passar em branco. Um poema gigante, de 2 quilômetros de extensão, enfeitou o centro da cidade e atraiu inúmeros curiosos.

O poema coletivo, que foi exibido em frente à casa onde Neruda morava em Valparaiso, também incluiu desenhos em homenagem ao poeta chileno. As pessoas se ajoelharam para ler alguns trechos do poema que deve entrar para o Livro dos Recordes.

Pablo Neruda nasceu no dia 12 de julho de 1904, no Chile. Comunista e vencedor do Prêmio Nobel de Literatura, Neruda morreu em 1973, doze dias depois que Augusto Pinochet tomou o poder e instaurou o regime militar no país.

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Arnaldo Jabor

O mundo de hoje é travesti

Está rolando na internet um texto ridículo sobre mulheres atribuído a mim. Sou uma besta, todos o sabem; mas não chego a esse relincho lamentável do asno que o escreveu. Diz coisas como: A mulher tem um cheirinho gostoso, elas sempre encontram um lugarzinho em nosso ombro... Uma bosta, atribuída a mim. Toda hora um idiota me copia e joga na rede. Por isso, vou falar um pouco de mulher, eu que mal as entendo na vida. Não falarei das coxas e seios e bumbuns... Falo de uma aura mais fluida que as percorre.

Gosto do olhar de onça, parado, quando queremos seduzi-las, mesmo sinceramente, pois elas sabem que a sinceridade é volúvel, não perdura. Um sorriso de descrédito lhes baila na boca quando lhe fazemos galanteios, mas acreditam assim mesmo, porque elas querem ser amadas, muito mais que desejadas. Elas estão sempre fora da vida social, mesmo quando estão dentro. Podem ser as maiores executivas, mas seu corpo lateja sob o tailleur e lá dentro os órgãos estranham a estatística e o negócio. Elas querem ser vestidas pelo amor. O amor para elas é um lugar onde se sentem seguras, protegidas.

O termômetro das mulheres é: Estou sendo amada ou não? Esse bocejo, seu rosto entediado... será que ele me ama ainda? A mulher não acredita em nosso amor. Quando tem certeza dele, pára de nos amar. A mulher precisa do homem impalpável, impossível. As mulheres têm uma queda pelo canalha. O canalha é mais amado que o bonzinho.

Ela sofre com o canalha, mas isso a justifica e engrandece, pois ela tem uma missão amorosa: quer que o homem a entenda, mas isso está fora de nosso alcance. A mulher pensa por metáforas. O homem, por metonímias. Entenderam? Claro que não. Digo melhor, a mulher compõe quadros mentais que se montam em um conjunto simbólico sem fim, como a arte. O homem quer princípio, meio e fim. Não estou falando da mulher sociológica, nem contemporânea, nem política. Falo de um sétimo órgão que todas têm, de um ponto g da alma.

Mulher não tem critério; pode amar a vida toda um vagabundo que não merece ou deixar de amar instantaneamente um sujeito devoto. Nada mais terrível que a mulher que cessa de te amar. Você vira um corpo sem órgãos, você vira também uma mulher abandonada.

Toda mulher é Bovary... e para serem amadas, instilam medo no coração do homem... Carinhosas, mas com perigo no ar. A carinhosa total entedia os machos... ficam claustrofóbicos. O homem só ama profundamente no ciúme. Só o corno conhece o verdadeiro amor. Mas, curioso, a mulher nunca é corna , mesmo abandonada, humilhada, não é corna .

O homem corneado, carente, é feio de ver. A mulher enganada ganha ares de heroína, quase uma santidade. É uma fúria de Deus, é uma vingadora, é até suicida. Mas nunca corna . O homem corno é um palhaço. Ninguém tem pena do corno. O ridículo do corno é que ele achava que a possuía. A mulher sabe que não tem nada, ela sabe que é um processo de manutenção permanente. O homem só vira homem quando é corneado. A mulher não vira nada nunca. Nem nunca é corneada... pois está sempre se sentindo assim... Como no homossexualismo: a lésbica não é veado.

A mulher é poesia. O homem é prosa. Isso não quer dizer que mulher seja do bem e o homem, do mal. Não. Muita vez, seus abismos são venenosos, seu mistério nos mata. A mulher quer ser possuída, mas não só no sexo, tipo me come todinha. Falam isso no motel, para nos animar. O homem é pornográfico; a mulher é amorosa.

A pornografia é só para homens. A mulher quer ser possuída em sua abstração, em sua geografia mutante, a mulher quer ser descoberta pelo homem para ela se conhecer. Ela é uma paisagem que quer ser decifrada pelas mãos e bocas dos exploradores. Ela não sabe quem é. Mas elas também não querem ser opacas, obscuras. Querem descobrir a beleza que cabe a nós revelar-lhes. As mulheres não sabem o que querem; o homem acha que sabe. O masculino é certo; o feminino é insolúvel.

O homem é espiritual e a mulher é corporal. A mulher é metafísica; homem é engenharia. A mulher deseja o impossível; desejar o impossível é sua grande beleza. Ela vive buscando atingir a plenitude e essa luta contra o vazio justifica sua missão de entrega. Mesmo que essa plenitude seja um living bem decorado ou o perfeito funcionamento do lar. O amor exige coragem. E o homem... é mais covarde. O homem, quando conquista, acha que não tem mais de se esforçar e aí, dança...

A mulher é muito mais exilada das certezas da vida que o homem. Ela é mais profunda que nós. Ela vive mais desamparada e, no entanto, mais segura. A vida e a morte saem de seu ventre. Ela faz parte do grande mistério que nós vemos de fora, com o pauzinho inerme. Ela tem algo de essencial, tem algo a ver com as galáxias. Nós somos um apêndice.

Hoje em dia, as mulheres foram expulsas de seus ninhos de procriação, de sua sexualidade passiva, expectante, e jogadas na obrigação do sexo ativo e masculino. A supergostosa é homem. É um travesti ao contrário. Alguns dizem que os homens erigiram seus poderes e instituições apenas para contrariar os poderes originais bem superiores da mulher

As mulheres sofrem mais com o mal do mundo. Carregam o fardo da dor histórica e social, por serem mais sensíveis e mais fracas. Os homens, por serem fálicos, escamoteiam a depressão e a consciência da morte com obsessões bélicas, financeiras ou políticas. As mulheres agüentam firmes a dor incompreendida.

O mundo está tão indeterminado que está ficando feminino, como uma mulher perdida: nunca está onde pensa estar. O mundo determinista se fracionou globalmente, como a mulher. Mas não é o mundo delicado, romântico e fértil da mulher; é um mundo feminino comandado por homens boçais. Talvez seja melhor dizer um mundo-travesti. O mundo hoje é travesti.

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Comércio eletrônico abre vagas

Vendas pela Internet crescem 36% em relação ao ano passado e provocam procura por novos profissionais de várias áreas: depósito, transporte, informática e relacionamento
Clarisse Cintra

Passear por prateleiras virtuais e encher o carrinho sem sair de casa é cada vez mais comum para os consumidores brasileiros. Por causa do aumento da procura, a Internet tornou-se uma fonte de empregos, um novo mercado de trabalho no comércio. Atualmente, 10% dos internautas brasileiros fazem compras on-line, o que gera emprego direto para mais de 4.500 pessoas, segundo a Câmara Brasileira de Comércio Eletrônico. Contando o pessoal de logística e pagamento, o número de empregados é muito maior, mas não existem informações sobre a quantidade total.

O mercado é fragmentado, o que dificulta obter dados exatos. São pelo menos 3 mil empresas no País vendendo pela Internet, lembra Cid Torquarto, presidente da Câmara. Os salários podem variar de R$ 450 a R$ 2.500.

Para o professor Leonardo Graziadei, da Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM), a tendência é o número de vagas crescer cada vez mais. A tecnologia não gera desemprego, diz. Flávio Jansen, presidente do Submarino, um dos maiores sites de venda do Brasil, diz que são dadas oportunidades a profissionais de diversas áreas:

Precisamos de mão-de-obra intensiva, como atendimento, e outras especializadas, como tecnologia, webdesign, marketing e marketing direto e área comercial. Cid acrescenta que ainda há uma concentração de grandes empresas na Internet. Na opinião dele, a inclusão de pequenas e médias empresas vai aumentar a oferta de vagas.

Sites de venda podem ser mais uma loja da rede

Existem dois tipos de lojas virtuais. As que têm o site como mais um ponto de vendas de uma rede física que já existe como o das lojas Ponto Frio e as totalmente virtuais, como a Amazon, as Americanas.com (que são controladas pelas Lojas Americanas, mas são outra empresa) e o Submarino. No Extra.com, o estoque usado é o mesmo do Supermercado Extra, sem alimentos. Fazemos os contratos de transportadora e fornecedores juntos. O comércio é virtual, mas a operação e o estoque não, conta Jonas Ferreira, gerente-geral de comércio eletrônico do Extra.com.

Pequenas empresas que decidem comercializar seus produtos pela rede precisam estar atentas a pontos importantes, como segurança e distribuição. Se a logística falhar, a empresa fica mal. A propaganda negativa se espalha com velocidade, alerta o professor Leonardo.

Faturamento 36% maior indica novas contratações

E foi justamente para cuidar do relacionamento entre a empresa e o cliente on-line que Risoletta Miranda criou a Advice Netbusiness, agência de planejamento de marketing e comunicação para a Internet. O site de venda tem que ser objetivo e prático. O cliente não pode parar de comprar porque não acha um link com o preço ou as características do produto, por exemplo. Entre outros serviços de comércio eletrônico, a Advice criou o site E-ponte, que vende passagens da Varig para a ponte aérea Rio-São Paulo.

Segundo a e-bit, empresa de pesquisa e marketing na Internet, o faturamento do comércio eletrônico brasileiro no primeiro trimestre foi de R$ 350 milhões. A previsão para o ano é de R$ 1,6 bilhões 36% a mais que no ano passado. Isso significa, obviamene, mais empregos. O comércio eletrônico precisa de funcionários que possibilitem venda, entrega e administração de toda a transação, argumenta Pedro Guasti, diretor-geral da e-bit.

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Gato de casa

No auge do sucesso, Felipe Dylon toca sábado no Canecão, casa fundada por seu avô
Zean Bravo

Com aquele jeitão zen de surfista do Arpoador, Felipe Dylon avisa que será preciso reforçar o som do Canecão para as apresentações que fará sábado e domingo. É para a casa agüentar a pressão. Digo isso na humildade. Nos meus shows, as meninas gritam bastante. Nunca vi ninguém bater palma, é só no grito, revela o cantor, que completa 17 anos no dia 23.

Filho da atriz e bailarina Maria Lúcia Priolli e neto de Salvador Priolli, fundador do Canecão, Felipe toca pela primeira vez na casa de Botafogo. A Zona Sul é meu lar e fico amarradão ao tocar aqui. Vou ao Canecão desde moleque, ganho ingresso para os shows, diz ele, que não chegou a conhecer o avô.

Foi na casa de shows que hoje é de Mário Priolli, primo de Maria Lúcia que Dylon esbarrou em Tim Maia. Vivia nos bastidores. Uma vez minha mãe me arrastou para falar com ele. Não era fã, mas sabia que Tim Maia era um ícone. Eu lá, molequinho, com seis, sete anos. Tim usava uma camisa colorida, recorda o cantor, que foi embora com uma relíquia. Ele assinou um CD para mim.

Outro encontro memorável foi com o líder da banda Yes, Jon Anderson. Ele me deu a palheta e um autógrafo, enumera Felipe, que destaca ainda os shows do Jota Quest, do Rappa, e do LS Jack, que acompanhou das internas do Canecão. Esse entrosamento é muito legal. Mas não estou na expectativa, nem na neurose de tocar lá. Vou fazer o que sei, com toda a tranqüilidade, garante o cantor, que bateu seu recorde de público há uma semana tocando para 43 mil pessoas em Itaguaí. É adrenalina.

Com 150 mil cópias vendidas do CD Felipe Dylon, de estréia depois de emplacar Deixa Disso e Musa do Verão, ele trabalha a faixa Mais Perto de Mim , e um DVD tinindo nas lojas, o cantor está na estrada há um ano. Nos dias 20 e 22, ele toca em Orlando, nos Estados Unidos. E já coleciona história. Caí três vezes no chão num show em Minas. Tinha uma máquina de fumaça que soltava glicerina. Tomei o maior tombão com a guitarra. Na terceira vez, caí sentado, diverte-se.

Solteirão, segundo suas palavras, Felipe confessa que fica com fã. Mas ele jura que não é galinha. Não fico com todas, procuro ver como a menina é por dentro, ver a cabeça. Mas agora não dá para ter uma relação maneira com uma gata. Tem tanta mina bonita nos shows. Aproveito mesmo, sou um molecão de 16 anos!, diz ele, que avisa: Os moleques sabem que minha platéia tem muita mulher. Não tem como não se dar bem!. Dado o recado.

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Luis Fernando Verissimo
12/07/2004


O eterno retorno

Diziam que quem ficasse sentado na frente do café Deux Magots em Paris por um tempo indeterminado veria passar todo o mundo à sua frente. Um exagero, claro, parecido com aquele dos mil macacos ao teclado de mil computadores, que no fim de 1 milhão de anos (estamos falando de macacos longevos) teriam reescrito toda a obra de Shakespeare - e ido comemorar no Deux Magots, presumivelmente. Mas quem escolher um ponto imóvel da política brasileira e esperar, cedo ou tarde verá acontecer de tudo à sua volta. Principalmente o Maluf passar várias vezes.

Se há muitos anos alguém lhe dissesse que Fernando Henrique Cardoso seria o presidente do Brasil, você teria todo o direito de se entusiasmar, ou dizer "Quem nos dera". Seria um sinal de madureza política: uma esquerda com boa cara e sensata, uma opção social-democrata com respeitabilidade acadêmica, finalmente a geração da resistência à ditadura no poder com o que tinha de melhor. Quem poderia imaginar que seu governo seria do PFL?

Se há poucos anos atrás alguém lhe dissesse que o Lula seria o presidente do Brasil, você teria todo o direito de se entusiasmar, ou dizer "Só acredito vendo". Seria um sinal de que acabava o preconceito político, que um homem do povo com um claro ideário de esquerda, da geração da resistência à ditadura militar e à social-democracia comprometida, chegava ao poder com o que tinha de mais representativo. Como poderia imaginar que o seu governo seria do PSDB?

Está certo, a reincidência do Maluf é um atestado da inconseqüência reinante no Brasil, onde nada tem história e ninguém tem biografia, ou pelo menos biografia relevante. Maluf é o símbolo dessa constante reabsolvição, dessa licença sempre renovada para a regeneração que salva nossa elite política do seu passado e dos seus prontuários e nossos contestadores das suas incoerências.

Mas confesso que vejo com alguma esperança esse eterno retorno do Maluf, que se for bem na eleição de São Paulo pode muito bem ser imaginado para a presidência do Brasil. E quem nos assegura que, se o Fernando Henrique era o PFL insuspeitado e Lula o PMDB inconcebível, Maluf não será, no poder, a esquerda disfarçada que a gente tanto esperava? Pela nossa lógica, parece lógico.

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David Coimbra
12/07/2004



Vinícius marca o primeiro gol do Gre-Nal 360 e comemora com os jogadores do banco de reservas o começo da vitória que elevou o Inter e enterrou o Grêmio na tabela de classificação do Brasileiro

O que fez a diferença

O gol número 1000 dos Gre-Nais não foi apenas de autoria de Fernandão. Quando o atacante do Inter meteu a cabeça melenuda na bola, aos 34 minutos do segundo tempo do clássico de sábado, estava cristalizando a diferença abissal entre duas filosofias de futebol. Porque o Inter, que venceu o jogo por 2 a 0, é o atual campeão gaúcho, vinha em melhor posição no Campeonato Brasileiro e tem, notoriamente, melhor grupo de jogadores do que o Grêmio.

Mesmo assim, o Inter correu a contratar Fernandão, quando teve atacantes lesionados. O Inter também correu para liberar Fernandão às vésperas do clássico. E, graças a esse investimento e a essa previdência, Fernandão estava lá, sentado no banco de reservas no começo da partida, saltando na área no segundo tempo.

Mas as precauções da direção do Inter com o clássico não se limitaram às garantias da presença de Fernandão. Desde quarta-feira, depois da goleada para o Botafogo por 5 a 1, o presidente Fernando Carvalho foi o irmão siamês do técnico Joel Santana. Passou três dias orientando o treinador, dando-lhe respaldo. Apresentando-lhe o clube, afinal, uma vez que o próprio Joel reconhece mal saber o nome de seus jogadores.

Mais: a goleada fez com que Carvalho se cercasse de aliados, na tentativa de superar o revés. Assim, o ex-mandarim Ibsen Pinheiro ressurgiu no Beira-Rio durante a semana, preconizando um esquema de forte segurança defensiva para o clássico. E foi desta forma que o Inter entrou em campo, sábado. Com três atentos zagueiros, Wilson, Sangaletti e Vinícius, e mais um limpa-trilhos à frente deles, Edinho.

Quando o jogo começou e o Grêmio tentou abafar o Inter, marcando no campo de ataque, esses protetores todos formaram uma trincheira dentro da área. Às vezes uma trincheira confusa, é verdade, mas sempre enérgica, sempre concentrada. Até os seis minutos, a blitzkrieg do Grêmio resultou em três roubadas de bola, com seus jogadores partindo para cima da área colorada numa massa azul, afobando os zagueiros, inquietando o goleiro Clemer.

Mas as infelicidades do Grêmio logo passaram a se suceder. Numa dessas estocadas, aos 9 minutos, o zagueiro Bilica se lesionou na área do Inter. Voltou ao jogo, mas não seria mais o mesmo. Aos 15 foi Bruno quem torceu o tornozelo, saiu e deu lugar a Élton.

A partir daí, o Inter foi melhorando lentamente, se assentando em campo, sentindo que a ameaça do adversário não era tão terrível assim. No final do primeiro tempo, o Inter já agredia mais. Rafael Sobis aproveitava vitalidade dos seus 19 anos e passava zunindo pelo zagueiro Claudiomiro, que, com a experiência de seus 32, logo intuiu que só conseguiria pará-lo com faltas. E as faltas foram feitas. O primeiro tempo terminou com uma seqüência de três escanteios a favor do Inter.

No intervalo, Wilson acusou uma lesão e foi substituído. Aí, mais uma vez a diferença de filosofia de direção se fez sentir. Fernandão viera da Europa para reforçar o Inter. Não havia jogado uma única vez, seria sua estréia no time. Foi o que bastou. O esquema tático permaneceu o do começo da partida. Bolívar desceu da lateral para a zaga, Élder Granja desceu do meio-campo para a lateral e Fernandão foi para o meio. Quer dizer: havia mais qualidade de toque de bola na zaga, na lateral e no meio.

Fernandão caía pela direita e fazia um triângulo com Élder Granja e Danilo ou Sobis. No meio desse trio, o perdido lateral gremista Michel Bastos. Por ali saíram os gols. O primeiro, aos 9, porque Fernandão roubou a bola de Michel Bastos e sofreu falta. Alex cobrou em curva, Vinícius subiu à altura da segunda trave e cabeceou para cima. A bola subiu, subiu e foi morrendo devagar atrás do adiantado e impotente goleiro Tavarelli. No segundo, Granja cruzou também da direita e Fernandão estava no meio, saltando e saltando muito, cabeceando para baixo.

A bola entrou à meia-altura. Tavarelli esticou até a língua para defendê-la, sem sucesso. Era o milésimo gol da história do Gre-Nal. Uma história que se iniciou há 95 anos, com um gol marcado pelo também atacante Booth, às 15h35min de 18 de julho de 1909, no velho Estádio da Baixada, no Moinhos de Vento.

O Inter mereceu esse laurel e mereceu essa vitória porque fez para merecê-los dos gabinetes da direção até a grande área. Não foi à toa que, terminada a partida, dirigentes e conselheiros colorados gritavam em coro, no vestiário vencedor, um canto irônico que dá bem a medida da diferença entre quem ganhou e quem perdeu:

- Obino! Obino! Obino!

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Paulo Sant'ana
12/07/2004


Rotina nauseante

No penúltimo Gre-Nal, critiquei a forma prosaica com que o Grêmio levava os gols do Internacional: chamei de tática varzeana alçar bolas na área do adversário, tentando a cabeçada.

Fui mal entendido. Algumas pessoas acharam que eu estava desvalorizando a vitória colorada.

sábado, repetiu-se tudo. O Internacional ganhou o Gre-Nal com duas bolas aéreas mandadas para dentro da área do Grêmio.

Vitória merecida, lisa, sem contestação. Mas chama a atenção que já são diversos Gre-Nais que o Grêmio perde pelo expediente surrado de o Internacional fazer gols de cabeça.

Esse tipo de gol se aceita numa eventualidade, mas como estratégia fixa de um time se vitoriar sempre sobre o outro soa como um libelo contra a inteligência, o Grêmio está se deixando abater como um bobo, um otário, nem se deve a qualquer treinador colorado o mérito dessas jogadas: os jogadores do Internacional perceberam que nesse método banal está o mapa da mina e dê-lhe levantarem bolas sobre a área do Grêmio em todos os Gre-Nais!

Sucedem-se os treinadores no Grêmio e nenhum deles se apercebe da esparrela. Nem treinadores nem dirigentes gremistas atinam para esse trivial estratagema.

A cegueira gremista é tão grande que o Internacional arranjou uma "mocante" nos Gre-Nais. Toma uma goleada do Botafogo e se recupera no Gre-Nal seguinte mandando bola aérea sobre a área do Grêmio. O Gre-Nal virou uma "boquinha" para o Internacional disfarçar a sua ruindade.

Um monumento à incompetência do Grêmio é o seu goleiro. No primeiro gol, autoria do Vinícius, como sempre, o que aconteceria também no segundo gol, formou-se uma linha de defensores e atacantes à espera do cruzamento aéreo de bola parada.

O goleiro do Grêmio nem vai para onde a bola é cruzada nem fica debaixo dos paus. Ele fica no meio do caminho e é encoberto pela bola.

E os gremistas burros e os colorados inteligentes da imprensa, estes últimos visando à caveira do Grêmio, pregam que o Tavarelli tem que continuar titular.

Mas como? Se ele não defende uma bola, é uma peneira. Quando levou aquele gol do Figueirense, o Tavarelli tinha de ser retirado do gol antes do Gre-Nal.

Ainda faltava um calvário para a minha vida: goleiro baixinho e de bigode!

Falhou nos dois gols o goleiro, no primeiro a falha foi ecoante. Não sei como é que isso não foi salientado.

Preciso dizer mais uma vez que a vitória colorada foi merecida? Acho que não.

Mas quero fazer a minha consideração sobre as razões do resultado.

O que vi foi um Grêmio melhor no primeiro tempo, não por seus méritos, mas pela ruindade do Internacional.

E um Internacional melhor no segundo tempo, menos por seus méritos do que pela ruindade do Grêmio.

O Grêmio joga contra o Cruzeiro amanhã sem seis titulares. Como já cansei de dizer, se não vierem urgentemente os reforços, o Grêmio ingressa nos dois próximos jogos na zona de rebaixamento e no terceiro jogo vai segurar a lanterna.

Os dirigentes gremistas alegam que não contratam para não inviabilizar o clube.

Mas existe forma mais violenta de inviabilização do clube que a segunda divisão?

psantana.colunistas@zerohora.com.br

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Gre-Nal
Um gol para a história



Aos 34 minutos do segundo tempo, o goiano Fernandão sobe sozinho para fazer o segundo gol da vitória de 2 a 0 do Inter e o milésimo da história do clássico (foto Ricardo Chaves/ZH).

Bom sem muitos comentários, porque um time que leva dois a zero de outro que levou cinco do lanterna do campeonato é não ter aspiração para vitória, mesmo. E aí não adianta arrancar todos os cabelos que não vai resolver.


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Domingo, Julho 11, 2004




Publicado em 11 de julho de 2004 Versão impressa

Muito obrigado pela paciência

JOÃO UBALDO RIBEIRO

O governo acaba de completar um ano e meio e nos preparamos para as eleições municipais. Armaram uma festinha para comemorar os 18 meses e nos contaram como, naturalmente, não fizeram tudo o que queriam, mas fizeram muito, considerando as duras contingências que a realidade impõe.

O presidente chegou a dizer, com quase infinita bondade (a infinita de verdade é apanágio de Deus e creio que nem mesmo o ministro Gushiken imagina que o imperador do Japão partilhe dela), praticamente com um suspiro audível para toda a nação, que a política é a arte da paciência e que o governo não deve perder a paciência. Sobretudo com as críticas da imprensa parece que sugeriu também , pois estas ofendem e magoam ainda mais.

Particularmente, fico aliviado com a exortação presidencial. Já pensaram se o governo perdesse a paciência comigo ou até com vocês, os que também criticam ou reclamam, mesmo não sendo da imprensa? Afinal, quem governa é o governo e os governados somos nós. Gostar ou não gostar de alguma coisa é certamente um privilégio que o governo nos outorga.

Na minha irresponsável ignorância, desconheço a lei com que o governo (ou o Estado, que aqui é a mesma coisa) nos faculta gostar ou não gostar. É com certeza essa lei, bem como o espírito democrático inerente ao governo, que nos garante que não virá aí uma medida provisória, instrumento principal de ação legislativa a que hoje somos submetidos (na ditadura do Estado Novo se chamava decreto-lei, mas isso era na ditadura, agora é muito diferente), nos desautorizando a gostar ou não gostar de algo sem permissão, depois de contratarmos um despachante que nos possibilite tirar a papelada necessária, embora, numa confusão normal em qualquer administração, parte do governo assegure que não há tanta burocracia aqui e parte denuncie essa mesma burocracia.

De qualquer maneira, vou logo agradecendo, porque, se o governo perdesse a paciência, nada mais justo que me proibisse de dizer que não gostei disso ou daquilo, ou ordenasse que o jornal deixasse de publicar o que escrevo. Obrigado, muito obrigado, menos um desempregado, neste país que a passos largos se aproxima do pleno emprego. A família que depende de mim também agradece a concessão. Estamos com a cesta básica garantida, pelo menos enquanto durar a paciência do governo, que, como também ouso dizer da paciência do imperador do Japão, não é eterna.

Pedindo desculpas por falar em meu caso particular, mas com a consciência apaziguada por achar que muitos outros se encontram em situação parecida, solicito também vênia ao governo para expor (e estar pronto a desdizer-me, se ele perder a paciência, pois não quero ser subversivo) o ponto de vista de que não mudei. Tenho sido acusado de haver mudado.

Costumava fazer tantas críticas ao governo passado, manifestei tanta esperança no governo atual e agora faço críticas ao presente. Como não existe mais o ouro de Moscou para me sustentar e não acho muito provável que Wall Street resolva me conceder um estipêndio para que eu defenda seus interesses, talvez fique difícil entender por que mudei tanto, sou outra pessoa, tenho outras convicções.

Sim, devo ter mudado. Fiquei mais careca, as pelancas do pescoço aumentaram, deixei de fumar e é só para não dizerem que perdi de todo a coerência que continuo a comprar meus jornais na banca do Carlinhos, aqui perto de casa, e meus remédios na venerável farmácia Edith (daqui a pouco eu passo lá para pegar minhas revistinhas e minhas pílulas para reumatismo como pagamento pela promoção, pois nós, jornalistas venais, levamos vantagem em tudo e não vou citar os nomes de dois estabelecimentos comerciais assim de graça).

Mas confesso que enfrentei dificuldades em achar que minha maneira de pensar ou agir mudou. Lendo, porém, o que o dr. Dirceu disse, percebo que mudei muito, o PT é que não mudou nada. Assumiu e começou a mostrar logo que veio para cumprir o que disse que estaria aí para fazer. Como o direito de pensar também é uma benemerência do governo, registro minha gratidão e longe de mim querer prejudicar, com as minhas mudanças atarantadas, a performance do Partido-Estado nas eleições municipais. Força para ele, até porque estou ficando com grande receio de que, perdendo as eleições, ele perca também a paciência.

Ia dizer hoje que andei chocado com o fato de que prédios residenciais foram abandonados, aqui no JOÃO UBALDO RIBEIRO é escritor.

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Paulo Coelho

Das armadilhas do amor

O califa e sua mulher

Eo califa árabe mandou chamar seu secretário: Tranque minha mulher na torre enquanto viajo ordenou... Mas ela ama Vossa Majestade! E eu a amo respondeu o califa. Mas sigo um velho provérbio de nossa tradição: emagrece teu cão e ele te seguirá; engorda teu cão, e ele te morderá.

O califa partiu para a guerra, voltando seis meses depois. Ao chegar, chamou o secretário, e pediu para ver a esposa.

Ela o abandonou foi a resposta do secretário. Vossa Majestade citou um lindo provérbio antes de partir, mas esqueceu de outro ditado árabe:

Se teu cão passa fome, qualquer pessoa que oferecer um pedaço de comida consegue afastá-lo.

Tentando controlar a alma

Muitas vezes achamos que podemos controlar o amor. E, neste momento, nos surpreendemos fazendo uma pergunta completamente inútil: será que vale mesmo a pena?

O amor não respeita esta pergunta. O amor não se deixa avaliar como uma mercadoria. Um dos personagens da peça A boa alma de Setzuan, de Bertold Brecht, nos fala da verdadeira entrega:

Quero estar junto da pessoa que amo.

Não quero saber quanto isto vai me custar.

Não quero saber se isto vai ser bom ou ruim para minha vida.

Não quero saber se esta pessoa me ama ou não.

Tudo que preciso, tudo que quero, é estar perto da pessoa que amo.

A medida do amor

Sempre desejei saber se era capaz de amar como o senhor ama disse o discípulo de um mestre hindu.

Não existe nada além do amor respondeu o mestre. É ele que mantém o mundo girando e as estrelas suspensas no céu.

Sei disso. Mas, como vou saber se meu amor é grande o suficiente?

Procure saber se você se entrega, ou se você foge de suas emoções. Mas, não faça perguntas como esta, porque o amor não é grande nem pequeno. Não se pode medir um sentimento como se mede uma estrada; se agir assim, estará enxergando apenas seu reflexo, como o da luz em um lago, mas não estará percorrendo seu caminho.

A busca contemplativa

Linda Sabatth pegou seus três filhos e resolveu viver numa pequena fazenda no interior do Canadá; queria dedicar-se apenas à contemplação espiritual.

Em menos de um ano depois apaixonou-se, casou de novo, estudou as técnicas de meditação dos santos, lutou por uma escola para os filhos, fez amigos, fez inimigos, descuidou do tratamento dentário, teve um abcesso, pegou carona debaixo de tempestades de neve, aprendeu a consertar o carro, degelar os encanamentos, esticar o dinheiro da pensão no final do mês, viver do seguro-desemprego, dormir sem calefação, rir sem motivo, chorar de desespero, construir uma capela, fazer reparos na casa, pintar paredes, dar cursos sobre contemplação espiritual.

E terminei entendendo que a vida em oração não significa isolamento diz.

O amor é tão grande que precisa ser dividido.

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Rio, 11 de julho de 2004 Versão impressa

Mulheres e crianças na pobreza

Flávia Oliveira e Letícia Lins
RIO e RECIFE


Apobreza no Brasil tem idade, sexo e escolaridade bem definidos. De cada quatro pobres, um tem entre 7 e 14 anos; mais da metade (52%) são mulheres; 56% são analfabetos ou sequer completaram a quarta série do ensino fundamental. As informações fazem parte do primeiro relatório elaborado pelo Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Pobreza, com base nas informações dos 8,262 milhões de famílias inscritas até fevereiro no cadastro único, ponto de partida dos programas sociais do governo. Num universo de 34 milhões de indivíduos cadastrados, 13,5 milhões (40%) não completaram 15 anos.

Este número está em linha com os dados revelados pelas pesquisas amostrais, como a Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios, do IBGE). Sugere que o cadastro está indo na direção certa. Sabemos que crianças e adolescentes são a faixa etária mais afetada pela pobreza diz o economista e sociólogo Marcelo Medeiros, coordenador do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) no Centro Mundial de Pobreza, um escritório das Nações Unidas dedicado exclusivamente ao tema.

Meta é cadastrar 11 milhões de lares

O cadastro único começou a ser montado em 2001, ainda no governo Fernando Henrique Cardoso, com base nas informações das prefeituras sobre a população de baixa renda dos municípios. Das 5.507 cidades brasileiras, 5.463 já foram cadastradas. Na origem, o governo pretendia identificar 9,3 milhões de famílias, meta de que subiu para 11,2 milhões após a divulgação, no ano passado, da Pnad-2002. Hoje, dos quase nove milhões de lares incluídos no cadastro, 4,1 milhões já estão recebendo o Bolsa-Família, carro-chefe da política social do governo Lula. No Rio, são 51.432 famílias de 88 dos 91 municípios.

O cadastro único não foi criado para atender a um só programa, mas para representar a pobreza na sociedade. Precisamos garantir essa representatividade para que as políticas sejam desenhadas com o perfil correto assinala Cláudio Roquete, diretor do Departamento de Informações e Dados Sociais do ministério e coordenador do cadastro.

O perfil traçado pelo governo traz semelhanças com os diagnósticos dos mais experientes pesquisadores brasileiros nas áreas de pobreza e desigualdade. Autora do livro A pobreza no Brasil, a economista Sonia Rocha, do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (Ibre-FGV), estima que 42,4% dos pobres brasileiros têm até 14 anos e apenas 4,1% têm 60 anos ou mais de idade.

O dado sobre faixa etária está afinado com várias pesquisas, mas o cadastro precisa de um confronto maior com outras informações da Pnad em áreas como mercado de trabalho e rendimento sugere.

Os dados do cadastro revelam que 54% dos chefes das famílias cadastradas não trabalham; apenas 4% têm carteira assinada; 65% têm rendimento familiar per capita de até meio salário-mínimo. Mesmo reconhecendo que o desemprego é maior entre os mais pobres, a desocupação parece alta demais no banco de dados do governo.

Para a pesquisadora, como sabem que vão integrar um cadastro relacionado a programas de transferência de renda, as famílias podem emitir informações sobre trabalho e rendimento para se habilitar aos benefícios. Daí a necessidade de uma comparação mais afinada com a Pnad.

Entretanto, são poucas as dúvidas no que diz respeito ao perfil etário e ao gênero. O número médio de filhos das famílias que vivem com até meio salário-mínimo varia de dois a três. Quase seis em cada dez famílias (54,3%) chefiadas por mulheres sem marido têm renda mensal inferior a um mínimo por pessoa. Como estão mais expostas às más condições de vida, elas são maioria (91%) entre os titulares do cadastro.

É o caso de Albertina Soares de Souza, de 30 anos. Mãe de quatro filhos a mais nova, Dandara, tem quatro meses era obrigada a sobreviver com o salário de R$ 280 do companheiro, recém-contratado como gari, até passar a receber R$ 240 por mês em ajuda de programas governamentais, entre os quais o Bolsa Família. Albertina vive na Ilha de Deus, localizada em um aterro no bairro da Imbiribeira, a 16 quilômetros do Centro de Recife. Depois de ver a renda da família passar de R$ 46 para R$ 87 por pessoa, ela tem conseguido dar mais atenção às crianças:

Antes eu vivia com o pé na maré, catando marisco para vender. Agora não é mais preciso e posso tomar conta dos meus filhos.

Só 3% concluíram o ensino fundamental

O cadastro único também traz informações sobre a escolaridade dos chefes das famílias inscritas. Dos 8,262 milhões de cadastrados, 23% são analfabetos e 33% não completaram a quarta série. Apenas 3% concluíram o ensino fundamental e 6%, o ensino médio. São informações que se alinham com as pesquisas sobre pobreza. Como no Brasil o nível de instrução é um dos determinantes da desigualdade de renda, quanto menor o número de anos de estudo, menor a remuneração média e, conseqüentemente, maior a proporção entre pobres e indigentes.

Dos domicílios listados no cadastro único, 5% têm acesso à energia elétrica sem medição por relógio ou seja, fazem gato. Outros 7% não têm eletricidade e usam velas ou lampião como fonte de iluminação. Dos pobres identificados pelo governo, 63% têm água encanada. Metade não dispõe de saneamento básico adequado (rede coletora ou fossa séptica).

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