E N T R E L A Ç O S ENTRELAÇOS

INTERESSES DO BLOG
Vocês encontrarão aqui muitas figuras construidas em Flash, Fireworks, Swift3D e outros aplicativos. Encontrarão também muitas crônicas do Luiz Fernando Veríssimo, Martha Medeiros, Macaco Simão e de outros cronistas de jornais diários e de revistas semanais. Endereço para email: cassiano.leonel@terra.com.br e para observações e comentários utlize os links disponíveis nos próprios textos. Espero que ele seja útil a você de alguma maneira, pois esta é uma das razões dele existir.

Clique em baixo para ver um mapa da Rua Caldas Junior - PORTO ALEGRE





Escreva seu nome?

Escreva de onde você é?

Escreva seu E-mail?


SubmitFree: Submit to 25+ Search Engines for free !!!!

Seus olhos merecem estas paisagens
:: :: :: :: :: :: :: :: :: :: :: :: :: :: ::

on-line


:: :: :: :: :: ::


Visit W3Schools XHTML School


Support Peace Action!
BLOGS QUE EU RECOMENDO


:: :: :: ::
Ordem e Blogresso
OUTRAS PÁGINAS DO AUTOR

:: :: :: :: :: ::

SEMPRE HAVERÃO RELÓGIOS PARA MARCAR O TEMPO
:: :: :: :: :: :: ::
O Ponto de Encontro dos Blogueiros do Brasil
:: ::
::

:: ::

Arquivos

Powered by
Cassiano
[Powered by Blogger]
E N T R E L A Ç O S

Sábado, Julho 17, 2004




Bela da tarde

Vanessa Giácomo, a Zuca de Cabocla, troca o algodão pela seda e fala sobre a vida e a carreira
Marcelle Carvalho


Cetim e crepe de seda no vestido sensual da marca Tessuti (R$ 900)

Ter um dedinho de prosa com Vanessa Giácomo é perceber de cara que a protagonista de Cabocla só tem o ar do interior no jeito de falar. Nem de longe é bichinho do mato, como Zuca. Quando desanda a falar, é despachada, o que deixa qualquer pessoa bem à vontade. Adoro uma boa conversa, afirma Vanessa, 21 anos, que posou para o D+Mulher com delicados vestidos de noite que nunca saem de moda.

Acompanhada da mãe, Ivonete, 53 anos, Vanessa fez um pedido logo que chegou ao local das fotos: algo para comer. Afinal, tinha chegado de Bananal (SP) direto para entrevista. Pede muita batata-frita. Gosto de comer besteira, adoro fast food, diz ela. Tempo depois, devorava um big sanduíche com milk shake. Vanessa pode até ter preocupação com a forma, mas não é doente com dietas e exercícios. Não tenho paciência para eles, afirma. E nem para cremes e óleos. Não ligo. Tenho a cara lavada da Zuca. O que mais gosto é de perfumes, diz ela, que, atualmente, usa Versace Dreams.

Natural de Volta Redonda, Vanessa está no Rio há três anos, quando decidiu investir na carreira. Deixou o pai no interior e veio com a mãe para capital, instalando-se na Barra. Aqui, fez apenas três testes e, num deles, pegou o papel principal de Cabocla. Fiz o teste de peito aberto, com a alma mesmo. Entendi de cara o que era a Zuca, diz Vanessa, que num intensivão da roça, aprendeu a ordenhar e andar a cavalo sem sela.

O biótipo também ajudou. Bonita com a cara lavada e miudinha com 1,60m e 48 quilos Vanessa passa a sensualidade natural da mulher do campo. O que se estende também para fora do vídeo. Me acho menininha, magrinha, uma mulher normal. Quando dizem para mim você é bonitinha, eu gosto, porque vejo um lado puro, acredita. Mas avisa que não se intimidaria em fazer um personagem mais ousado. Se entrou nessa profissão, é para encarar de verdade. Não faria um personagem vulgar, mas ousado, sem problemas, afirma.

Porém, isso não significa que toparia fazer fotos nua. Não estou preparada para isso, nem mesmo para fotos sensuais, garante Vanessa, que declinou convite para estar no site Paparazzo. Sem deslumbramento o glamour pode ser bom, mas não me enche os olhos Vanessa afirma gostar das coisas simples da vida. Se me chamar para ir a um churrasco, feijoada, vou na boa, jura.

FICHA TÉCNICA: CABELO E MAQUIAGEM Alberto Pinheiro (Ophicina do Cabelo); PRODUÇÃO Márcia Góes e Mariana Salim; ENDEREÇOS Maria Bonita Extra - Shopping da Gávea, 2º piso; Tessuti - Rua Garcia DÁvila 134, Ipanema; Gart - São Conrado Fashion Mall, 2º piso.

Comments:




Martha Medeiros
18/07/2004


Julgar os outros

Já achei textos consagrados uma chatice e já vi graça e novidade em textos considerados descartáveis. Não sou confiável nem para julgar a mim mesma

Sempre leio com prazer as crônicas da Maria Tomaselli Cirne Lima, mas a que saiu segunda-feira passada me chamou especial atenção porque ela aborda um assunto que me fascina. Maria recentemente participou do júri do Salão Jovem Artista e comentou, na crônica, a dificuldade de se julgar obras de pessoas que estão começando. Disse ela que passou uma noite mal-dormida depois de selecionar alguns trabalhos e descartar outros tantos. Entendo-a perfeitamente.

Recebo dezenas de textos por semana para avaliar. Meus colegas devem receber a mesma quantidade. Não sei o que eles pensam a respeito, mas eu acho a tarefa um suplício. Não só pela falta de tempo, mas pelo constrangimento que causa a mim e ao candidato a escritor. Enviar um texto para avaliação exige certo desprendimento, a pessoa fica ali, despida, sujeita a um "gostei" ou "não gostei". Geralmente, não gosto. E daí? Isso não muda nada.

Posso ter me equivocado. Quem pede avaliação costuma ter pouca experiência, é comum errar. Não tenho bola de cristal, o jovem autor talvez venha a ser, no futuro, um Machado de Assis. Ok, Machado já devia escrever direitinho aos cinco anos de idade, mas você entendeu. Não me considero habilitada para dar veredictos literários. Já achei textos consagrados uma chatice e já vi graça e novidade em textos considerados descartáveis. Não sou confiável para julgar nem a mim mesma.

Até nas vezes em que eu sabia estar certa, fracassei. Quando integrei o júri do Festival de Cinema de Gramado, em 2001, fui voto vencido no prêmio para melhor fotografia. Um dos integrantes do júri julgou "inovadora" a luz de um filme que ninguém nunca mais ouviu falar (Urbania) e convenceu todo mundo a não dar o prêmio a Roberto Henkin, diretor de fotografia de Netto Perde sua Alma, disparado o melhor na categoria. Eu lutei o que pude pelo Henkin, até que alguém insinuou que eu estava sendo tendenciosa por ser a única gaúcha do júri. Tendenciosa, coisa nenhuma. Foi injustiça mesmo.

Injustiça é algo que me desestabiliza, que altera meu humor. E é o que mais ocorre em qualquer julgamento. Faz parte do processo. As maiores top models do mundo nunca ganharam o primeiro lugar em concursos de beleza. Em 1962, um executivo de uma gravadora dispensou os Beatles porque, segundo ele, conjunto de guitarristas não tinha futuro. Em 1864, Manet disse que Renoir, então com 23 anos de idade, não tinha o menor talento para a pintura. Em 1928, um executivo da Metro analisou da seguinte maneira um teste de Fred Astaire: "Não sabe representar, nem cantar, e é careca. Dança um pouco". O ator George Raft (George quem?) recusou-se a ser protagonista de Casablanca porque não queria contracenar com uma sueca desconhecida.

Todo mundo já deu suas bolas fora. Competência para julgar, só quem tem é o tempo.

martha.medeiros@zerohora.com.br

Comments:




Luis Fernando Verissimo
18/07/2004


Empréstimo ou doação

A Mila não merece o Gerson. E eu, mereço essa mulher? Mereceria a Mila? Concluiu: nenhum homem sabe a mulher que tem até não merecê-la mais

- Não te mete, João.

Foi o conselho que Bel, a mulher de João, deu quando João disse que ia contar ao Gerson que vira sua mulher, Mila, agarrada com outro homem numa mesa de bar, no fundo, no escurinho.

- Não te mete, João.

- Mas Bel, no fundo, no escurinho.

- Não te mete.

- Agarrada, Bel!

Não adiantou Bel argumentar que podia ser um parente. Um primo. Alguém que a Mila não via há muito tempo.

- Então era há muito tempo mesmo - disse João. - Se beijavam como se não se vissem há 20 anos. 30. Na boca, Bel. E a mão dele na coxa dela. Por baixo da saia. Se era parente, era parente muito próximo.

- Você viu a mão dele na coxa dela?

- Não vi mas deduzi. A mão não estava à vista. A mão só aparecia para...

- Espera um pouquinho. Quanto tempo você ficou espiando a Mila?

- Eu não estava espiando. Não havia como não ver.

- Você disse que estava escuro. Podia não ser a Mila.

- Era a Mila.

- E se era só alguém parecido? Você conta para o Gerson, eles brigam, talvez até se matem, e você estava enganado, não era a Mila. E daí?

- Tenho certeza que era a Mila, mulher do Gerson. E tenho que contar para o meu melhor amigo. Ele faria o mesmo por mim.

Não adiantou Bel argumentar que Gerson podia não acreditar nele. Ele acreditaria se o Gerson lhe contasse que vira ela, Bel, num bar, agarrada com outro? João respondeu que não acreditaria porque sabia a mulher que tinha. E que o que iria dizer ao Gerson era justamente isso: o Gerson não sabia a mulher que tinha. O Gerson precisava saber a mulher que tinha. Não adiantou Bel argumentar que Gerson podia muito bem perdoar a Mila e brigar com o João. Que o João estava pondo em risco sua amizade, além da vida da Mila. Que era melhor para todo o mundo o João não se meter.

Mas João se meteu.

João escolheu a sauna. Por alguma razão, achou que seria mais fácil se os dois estivessem nus. Faziam sauna juntos todas as terças, quando havia menos gente. Pouca gente por perto, os dois reduzidos a apenas isso, dois animais amigos, suando lado a lado. Perfeito. Seria na sauna da terça. João decorou sua fala. O tema seria: a Mila não te merece, você não merece uma mulher como a Mila.

Mas João nem conseguiu completar a primeira frase "Meu amigo, preciso te contar..." e foi interrompido pelo Gerson, que agarrou seu braço.

- Meu amigo, preciso te contar uma coisa - disse Gerson.

E Gerson despejou o drama que estava vivendo. João não sabia, talvez desconfiasse, mas agora ia saber. Ele, Gerson, estava arruinado. Perdera tudo. Não tinha a quem recorrer. Vendera todo o seu patrimônio, mas as dívidas só aumentavam. Recorrera ao patrimônio da Mila, mas não fora o suficiente. Restava uma saída. O crápula do Jailson, seu primo. O que vivia dando em cima da Mila. O crápula tinha dinheiro. O crápula poderia salvá-lo. Mas para isso, era preciso que a própria Mila pedisse. Que a Mila se encontrasse com o crápula e negociasse o empréstimo.

Ou a doação, dependendo de como se desenrolasse a negociação. A princípio, Mila resistira. Tinha nojo do Jailson. Nojo. Mas a isto nos impele este sistema asqueroso, choramingou Gerson, quase encostando a testa no ombro suado do perplexo João. A isto nos leva o dinheiro, a fraqueza humana e uma alma enegrecida pela cupidez. Implorei a Mila para que fosse ter com o crápula e conseguisse o dinheiro. Fui mais crápula do que o crápula.

- E ela foi? - perguntou João.

- Foi. Por amor a mim, foi.

- Empréstimo ou doação?

Gerson mal conseguiu falar. Finalmente, com um soluço, disse:

- Doação. Doação!

E:

- Eu não mereço uma mulher assim!

Bel estranhou o laconismo do João, quando este chegou em casa.

- Como é? Contou?

- Ele já sabia.

- Quem era o outro?

- Um primo.

- Um primo? Mas...

João não quis mais falar no assunto. Durante o jantar, ficou pensando: o que a Bel faria por mim, se eu fosse crápula o bastante? A Mila não merece o Gerson. E eu, mereço essa mulher? Mereceria a Mila? Concluiu: nenhum homem sabe a mulher que tem até não merecê-la mais.

- O que você está me olhando desse jeito?

- Nada.

Comments:




Moacyr Scliar
18/07/2004


Neruda, o perguntador

O poeta chileno Pablo Neruda trouxe a interrogação para a poesia e a poesia para o cotidiano de todos nós

Pablo Neruda, cujo centenário de nascimento foi lembrado esta semana, deixou uma vasta obra poética, variando entre o lirismo romântico e o engajamento político. Mas o meu preferido é um livrinho relativamente pouco conhecido que a eclética, poética e sempre estética L&PM recentemente relançou em edição bilingüe: Livro das Perguntas. São 74 poemas sem título, todos redigidos como interrogação, e todos eles surpreendentes pelo humor, pela ironia, pela sabedoria. Alguns exemplos, inteiramente ao acaso: "Onde pode viver um cego/ a quem perseguem as abelhas?". Ou: "Há algo mais triste no mundo/ do que um trem imóvel na chuva?". Ou: "Conversa a fumaça com as nuvens?". Ou ainda: "É verdade que no formigueiro/ os sonhos são obrigatórios?".

Inesperado Neruda, brilhante Neruda. O carteiro com quem conversava ficaria perplexo, mas encantado, com essas perguntas.

Perguntar não ofende, é o dito popular, que reflete uma sabedoria mais do que milenar. Perguntas já aparecem na Bíblia. Quando Caim mata a Abel, Deus não o acusa diretamente do crime; poderia fazê-lo, porque Deus vê tudo, Deus sabe tudo. Mas o Senhor prefere questionar o irmão assassino, perguntando onde está Abel. Ele quer que, desta maneira, Caim tome consciência do que fez. Perguntas também formam a base do método socrático. Sócrates não afirmava, indagava. A mensagem da Bíblia e do filósofo é a mesma: a pessoa tem de se dar conta daquilo que sabe e daquilo que não sabe, daquilo que mostra e daquilo que oculta; a pessoa tem de se questionar e encontrar a sua própria verdade. No caso de Sócrates trata-se de método, com rigor de método, mas com uma gentileza que não é comum a todos os métodos.

Esta gentileza tem inclusive expressão gráfica. Comparem o ponto de exclamação com o ponto de interrogação. A exclamação é usada por aqueles que clamam, que bradam, que gritam, com razão ou sem ela: os retóricos, os demagogos, os fanáticos. A exclamação é representada por uma espécie de bastão, de cunha, abaixo do qual há um ponto. É como se a implacável parte superior tivesse como alvo a parte inferior. Já o ponto tem um formato curvo, mais compatível com a realidade: se a reta é o caminho mais curto entre dois pontos, é também a exceção: a vida, em geral, é tortuosa, cheia de curvas e de dúvidas. Mas o ponto de interrogação também pode ser visto como um anzol ao contrário, e, de novo, esta imagem é metafórica: a interrogação é o anzol que fisga a verdade, como queria Sócrates.

Neruda não foi o único, claro, a usar interrogações. O escritor Max Frisch escreveu um dilacerante conto chamado "Questionário" que pergunta, entre outras coisas, "Tens amigos entre os mortos?". Na tradição judaica perguntas são comuns. Há uma historinha a respeito. Um homem pergunta a um judeu: "Por que vocês, judeus, respondem a uma pergunta sempre com outra pergunta?". "Por que não?" - é a resposta (ou pergunta: você decide). Dentro desta tradição, é famosa a frase do sábio Hillel, que viveu no primeiro século depois de Cristo, e cujos ensinamentos têm muito em comum com os de Jesus: "Se eu não for por mim, quem o será? Mas se eu for só por mim, o que serei eu? E se não agora, quando?".

Neruda, o perguntador, trouxe a interrogação para a poesia e a poesia para o cotidiano. Pergunta: não é este um motivo suficiente para glorificar alguém?

scliar@zerohora.com.br

Comments:




Paulo Sant'ana
18/07/2004


Fértil semente

Desculpem que esta coluna possa servir à vanglória do colunista. Mas como é muito delicado opinar, são tantas vezes em que se é incompreendido por argumentar contra o senso comum, contra o fluxo da opinião pública, que quando chega uma mensagem de compreensão para essa dificuldade que o opinador atravessa, a alma da gente se enche de recompensa.

É bem verdade que muitas vezes me surpreendo como opinador a cortejar a opinião pública, causando-me intimamente pejo por buscar o aplauso fácil.

No entanto, quando não raro encorajo-me a contrariar a maré da opinião pública, vou para casa com a sensação do dever de consciência cumprido, mas repleto de incertezas e receios quanto ao impacto que causará à maioria dos leitores uma discordância tão contundente ao entendimento generalizado.

E quando a gente se atreve ao risco da incompreensão - ou até mesmo da revolta - para afirmar uma convicção nascida de laboriosa intelecção e do que se entende como senso de justiça de imperiosa divulgação e encontra amparo nos espíritos justos, retos e superiores, então se fica tomado de intenso júbilo por ter valido a pena desafiar os cânones do julgamento popular, apenas na intenção de lançar alguma luz diversa do brilho ofuscante da inverdade dominante.

É por essa sensação de alívio que publico a mensagem de reconhecimento que recebi, pedindo novamente perdão pelo pecado de auto-elogio que a publicação encerra.

Eis a mensagem: "Caro Sant'Ana. Seduzem os mais afoitos as exigências de justiça rápida, estancamento da crise social, resposta eficiente para a sociedade, e toda a balela que cerca o ideário de 'lei e ordem' muito pregado no Brasil.

Raro, e repito, raro que nos meios de comunicação de massa - Zero Hora é de massa ou seria o Diário Gaúcho? - surjam vozes lúcidas e conscientes sobre postulados tão elementares quanto difíceis de serem respeitados, como presunção de inocência e devido processo.

A função que tua voz, solitária, exerce é a de acender um fósforo numa floresta de escuridão e cegueira. Por isso ela é luzidia, seja pela tua percepção, seja pela função que desempenha.

Como ousas, em meio ao clamor popular e a 'todas as provas' que contra o acusado existem, pregar que seja libertado? Não tenho dúvidas de que recebeste, sobre a questão, dezenas de correspondências te execrando pela defesa do criminoso.

É que é muito difícil ao desinformado ter sensibilidade para observar que o que advogas não é defesa de um indivíduo ou de outro, mas a tua própria, a do cidadão indignado, dos filhos dele, enfim, da sociedade. Que a prisão cautelar é utilizada como antecipação de pena, quando sua única possibilidade legal - e o nome já indica - é a cautela, da sociedade, do acusado, ou do processo.

A coluna - será difícil que percebam isso - é para além da culpa ou inocência do réu, não se compromete com isso, mas sim com o respeito de garantias e a observância de racionalidade e razoabilidade.

Num sistema policial em que, recentemente, prendeu-se quase uma dezena de rapazes pela morte daquelas crianças que um maníaco veio depois a confessar, com psantana.colunistas@zerohora.com.br detalhes insuspeitos, não surpreende que se descubra, ainda, o autor do delito.

Não me comprometo com tuas afirmações quanto à conduta dos advogados do preso, porque processo é estratégia, e há sempre que se escolher um caminho, sendo de rigor que nunca compares um caso com o outro - embora a lógica assim ordene -, porque embora para fatos iguais se devesse aplicar igual direito, não é o que ocorre, por uma infinidade de variáveis, na hipótese da coluna, a começar pela expressão econômica de um dos acusados.

Segue bravando contra a obtusão de massa, pulverizando sol na escuridão, exercendo com esta responsabilidade teu fardo de levar para os cidadãos um pouco de esclarecimento, para que percebam que tua defesa é a defesa deles. Abraço, (ass.) Eduardo Corrêa, Rio Grande, (RS)".

Como chegou bem, em socorro à minha aflição, este reconhecimento de uma pessoa por mim desconhecida.

Comments:


Comércio Exterior
Os desacertos da integração



Moradores de cidades fronteiriças com Uruguai e Argentina, como Livramento (acima), há muito vivem os entraves comerciais que governo e empresários brasileiros tentam atualmente superar para garantir o sucesso do Mercosul (foto Duda Pinto, especial/ZH)

Comments:


-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x

Esta é a crônica do Silvestrin de hoje, comoestou sem as barrinhas de sepração amanhã prometo adicioná-las.

Ricardo Silvestrin
17/07/2004


Sem frescura

Tem um novo ar sendo respirado na TV brasileira. E não vem de algo novo. Vem do resgate de uma figura interessantíssima da nossa cultura: Paulo César Peréio. É o programa Sem Frescura, no Canal Brasil. Peréio faz entrevistas. No programa a que assisti, ele entrevistou sua ex-esposa, Ciça Guimarães. A ousadia já começa por aí. A separação dos dois teve lances não muito legais, mas agora parece estar tudo bem. Inclusive, no final, Ciça falou que estava nervosa antes de fazer a entrevista, mas concluiu: "Somos uma separação que deu certo".

O papo foi no gramado de uma casa. Cada um sentado numa cadeira de jardim, sem mesa à frente. Peréio estava de bermuda, camisa e pés descalços. Como quem recebe um amigo em casa. É o mesmo saudável despojamento que esse ator de inúmeros papéis marcantes do cinema brasileiro sempre nos trouxe. Contrasta com o neomauricismo dos últimos, digamos, 14 anos.

Contrasta também com esse despojamento atual a la Chapolim Colorado, "meus movimentos são friamente calculados" - o descabelamento feito no cabeleireiro; a calça rasgada e desbotada comprada na loja. Com Peréio não tem isso.

Ele é verdadeiro na sua cara de enfado. Na sua ironia de quem não tem muita paciência para o mundo das aparências. Uma vez perguntaram ao cineasta John Huston por que Orson Welles não tinha conseguido se dar bem em Hollywood. Huston respondeu que Welles não tinha muita paciência para tratar com imbecis, e Hollywood era um lugar cheio deles. Peréio é dessa turma de azedos tão necessários para equilibrar o jogo.

A conversa girou em torno do cinema, do teatro, da TV, do ofício de ator. Ciça contou que, bem no início da carreira, casada com Peréio, chegou em casa e disse que não sabia o que fazer em cena com a sua personagem. Peréio disse: "Não faça nada". Era isso. Não tinha que fazer. Tinha que não fazer, o que, segundo ele, é uma das coisas mais difíceis para o ator. É preciso saber não fazer nada. Foi um grande conselho que Ciça levou inclusive para a sua vida.

Peréio vem de uma turma do menos. Menos ostentação, menos fingimento. O que, na proporção inversa, vira mais verdade, mais crueza. Tem um pouco do Peréio também no seu sobrinho, o Alemão, baterista da Graforréia Xilarmônica. E, por conseqüência, um pouco do ator também na postura e na sonoridade da banda. Alemão, assim como o tio, é despojado, irônico, sem frescura. Frank Jorge e Carlo Pianta não ficam atrás.

Uma das músicas que a Graforréia canta tem como início: "um bagaceiro, chinelão / vai bater na porta da sua casa...". Tem uma estética Peréio nisso. Como tem na capa e no CD solo do Alemão, cujo nome é um deboche total: Supermaneiro. Los Hermanos, com suas barbas longas e suas roupas sem afetação, vejam mais os velhos filmes do Peréio. Encontrarão mais forças para seguir o caminho que buscam. A volta de Peréio é um sinal, uma onda que pode irradiar pelo planeta uma nova fase de desmauricinização irreversível. Amém.

ricardo.silvestrin@zerohora.com.br

-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x

Comments:


Esta é a crônica de hoje do Paulo Santana.

Paulo Sant'ana
17/07/2004


Discussão acadêmica

Recebo do procurador de Justiça José Túlio Barbosa uma tese insurgente à absolvição do homem que sodomizou seu amigo numa orgia sexual: "Ao caríssimo jornalista Paulo Sant'Ana.
O fecho de tua crônica de quinta-feira é absolutamente magistral, como tantos outros.

Apesar disso, e sem querer polemizar, por não conhecer o processo e por considerar que se deva proteger a intimidade da sedizente vítima, por tal estar garantido constitucionalmente, creio que censuras possam ser feitas à tese consagrada.

Não é verdadeiro afirmar-se que quem aceita convite para participar de uma 'suruba' esteja aceitando a possibilidade de ser ativo e de se submeter às vontades homossexuais de outros participantes (passivo). Com efeito, alguém pode aceitar o convite para apenas penetrar os demais parceiros, tanto as mulheres quanto os homens que do ato participem.

Constrangê-lo, porém, a aceitar a penetração à força é, sim, ao menos em tese, praticar o delito de atentado violento ao pudor, que aqui não é o de participar de ato sexual grupal, mas o de preservar o pundonor sobre seu próprio corpo.

Ao depois, parecer ter havido prejulgamento, a partir de estimativa moral do fato. Se se tratasse de justificativa do ocorrido por falta de prova sobre a violência, então a argumentação haveria de ter dispensado a incursão sobre a dita imoralidade. E a imoralidade não submete as pessoas a completa vontade e à dissolução moral ainda maior dos outros. Se tal pudesse ser alegado, a prostituta poderia ser constrangida às conjunções carnais por aqueles a quem decidiu rejeitar.

A Justiça deve proteger a dignidade de todos, mesmo dos que pensam não tê-la.

Mas... vivas a Sodoma e Gomorra!

Que tempos enlouquecidos, meu Deus! Abraços".

Com todo o respeito, senhor procurador, não compartilho de sua tese e me perfilo à decisão da Justiça goiana. O senhor afirma que é perfeitamente lícito a quem participe de uma bacante reservar-se o direito de somente penetrar.

Já eu entendo que esse direito somente pode ser consagrado quando houver sexo entre duas pessoas. Quando se instala o coletivismo na prática erótica, rompem-se todos os limites éticos.

É impossível o que o senhor preconiza, caro procurador. Se todos ou a maioria dos integrantes desta festa sexual efusiva armarem-se somente de propósitos unilaterais idênticos, soçobra o equilíbrio dos jogos, negando-se o acesso a todos os prazeres aos litigantes.

A orgia sexual é um exercício de ataque e defesa. E o senhor está se alinhando à tese defensivista do colega Wianey Carlet, mediante à qual é preciso primeiro defender-se para depois atacar.

Para o caso em questão, ainda utilizando a metáfora futebolística, prefiro o adágio popular: "Quem não faz leva".

É impossível, querido procurador, fazer funcionar uma orgia sexual com quatro volantes, como prega sempre o Wianey.

Mudando de assunto, eu mesmo incorro em contumácia crítica da imprensa ao Sistema Único de Saúde. O que a nós escapa, críticos do sistema, são as virtudes do SUS, que por trás das denúncias de precariedades, no entanto mostra-se largamente eficaz no atendimento gratuito de saúde das multidões.

Como tal, atentem para esta simples mas significativa mensagem que me manda uma senhora: "Com referência ao seu comentário no Jornal do Almoço sobre a superlotação hospitalar e atendimento do SUS, quero lhe dizer que sou dona de casa e tenho sob minha responsabilidade minha mãe, que tem 87 anos. Ela sofre de isquemia cerebral e tem um irmão que é deficiente mental e tem 60 anos. Recebemos todo o atendimento médico e dentário pelo SUS no Posto Nova Brasília, no bairro Sarandi.

E tem mais: o médico do SUS atende minha mãe a domicílio, em nossa casa, pois ela não tem condições de se movimentar. Gostaria assim de colocar em poucas palavras os imensos benefícios que são prestados a nós e à nossa comunidade pelos médicos, dentistas e funcionários do nosso posto de saúde. (ass.) Maria Luzia Medeiros, Rua Rezende Costa, nº 870, bairro Sarandi".

Que bonito este reconhecimento. Uma anciã tendo atendimento médico a domicílio pelo SUS! Que coisa grandiosa. E eu que tantas vezes critico os dirigentes do SUS, cumpro o dever de enviar a eles um rasgado e profundo elogio.

psantana.colunistas@zerohora.com.br

Comments:


Já estou aqui na Terra do Erico Verísimo depois de percorrer os quase 400 km. Sol gostoso mas um vento super frio é o tempo por aqui, nesta Cruz Alta da lenda da Panelinha. Amanhã a gente se cruza outra vez.

Clima
Serra aguarda a neve



Sexta-feira gélida (na foto, Cambará do Sul) colaborou com a previsão de queda de flocos no fim de semana (foto Júlio Cordeiro/ZH)


Comments:

Sexta-feira, Julho 16, 2004




Telefonia
Conta sem taxa

Movimento contra cobrança mensal reúne órgãos de defesa, parlamentares e a Embratel

Dolores Orosco
Colaborou: Rita Moraes


Catanduva fica no próspero noroeste paulista. Como tantas localidades da região, nasceu rodeada por cafezais, à beira de um rio, e foi cortada por uma ferrovia. Hoje tem 100 mil habitantes, é um pólo universitário, conta com um parque agrícola diversificado e tem servido de palco para uma batalha de proporções nacionais entre usuários de telefonia fixa e as operadoras.

A discórdia atende pelo nome de taxa (ou tarifa, depende do lado da briga que você estiver) mensal de assinatura. A cobrança é tão antiga quanto o telefone, mas tem sido alvo de ataques nos últimos meses. Por força de uma liminar, os habitantes da Cidade Feitiço (o apelido vem do animado Carnaval catanduvense) passaram 20 dias, até a noite da quarta-feira 14, desobrigados de pagá-la.

O alto custo R$ 31,14 para residências em São Paulo, antes do aumento e uma suposta falta de lógica cobra-se mesmo que o telefone não saia do gancho têm servido de combustível para órgãos de defesa do consumidor, parlamentares e até para a Embratel, que lançou um serviço sem a tarifa fixa.

O movimento contra a cobrança tem três caminhos: o jurídico, o legislativo e o mercadológico. Na primeira frente, estão as ações contra a taxa, em geral promovidas por associações de defesa do consumidor. A de Catanduva se destaca por ter obtido êxito (mesmo que temporário), mas elas já são milhares espalhadas pelo Brasil. Na seara das leis, tramita há três anos, no Congresso Nacional, projeto do deputado Marcelo Teixeira (CE), que pede o fim da assinatura.

No mercado, se destaca a iniciativa da Embratel, que começou a mostrar suas garras na telefonia fixa com o Livre, seu telefone sem tarifa fixa. A empresa criou o produto sobre a estrutura da Vésper, adquirida em dezembro. Até então, a Vésper contava com uma carteira de 500 mil clientes em 17 Estados e dificuldades históricas de crescimento.

O Livre, lançado em fevereiro, garantiu à empresa novos 150 mil assinantes. Com um detalhe: sem publicidade alguma. Nós só começamos a fazer propaganda do produto em julho, diz o diretor da Embratel, Rance Hesketh. Agora que a campanha está no ar, o crescimento tem sido explosivo, garante, sem detalhar os números.

Comments:




continuação

Ao mesmo tempo, surgia a frente catanduvense de ataque à tarifa. Um advogado local, Luciano Aparecido Caccia, estudou ao longo de dois meses a legislação do setor. Sua pesquisa resultou numa tese a de que a cobrança é uma taxa (e não uma tarifa) e, portanto, precisa de uma lei que a autorize.

Ele preparou diversas ações em nome de seus clientes e atulhou o fórum local. Três delas caíram nas mãos do juiz Paulo Cicero Augusto Pereira, da 1ª Vara da cidade, que concedeu liminares interrompendo a cobrança. Duas delas já foram suspensas pelo Tribunal de Justiça de São Paulo. Uma permanece em vigor e beneficia apenas o cliente de Caccia.

Inspirado pelo sucesso do advogado, o deputado estadual José Dilson (PDT) se uniu a uma associação e ingressou com uma ação civil pública contra a cobrança em Catanduva. O juiz Pereira concedeu a liminar em 25 de junho, que seria suspensa 20 dias depois. O deputado tem ainda um projeto de lei na Assembléia paulista contra a taxa. Muita gente deixa de ter telefone por causa desses R$ 30, afirma.

A Telefonica, que denomina a cobrança como tarifa, discorda. Há muita desinformação nessa campanha. Eliminar a assinatura significa colocar em risco a universalização do serviço, diz o vice-presidente de Estratégia Corporativa e Regulatória, Eduardo Navarro. Ele explica: Há uma parcela de clientes rentáveis subsidiando uma parcela de não rentáveis.

Sem a tarifa, os pulsos ficariam mais caros. A competição faria com que as contas mais altas se ajustassem, mas não haveria solução para contas de R$ 4 ou R$ 5, diz. Segundo ele, cada usuário custa cerca de R$ 40 mensais à Telefonica.

A tarifa é cobrada em todos os países do mundo, com exceção de Botsuana, afirma. E diz mais: A Telefonica é uma concessionária e tem garantia de equilíbrio econômico. Alguma compensação teria de ocorrer. Em outras palavras, alguém teria de pagar a conta.

Comments:




Bom amanhã, pela manhã, estarei viajando para a Terra do Erico Veríssimo, poderá ser que a tarde eu possa postar de lá e dizer como foi a viagem. Senão na volta a gente se vê, no domingo a noite, se Deus quiser.

Como está o atendimento em seu estabelecimento?

Normalmente os artigos e dicas sobre o atendimento focam as atitudes e vícios observados nos balconistas, vendedores, atendentes, mas este artigo deseja falar com você , empresário, gerente.

O que leva um cliente ao seu estabelecimento?

Antes de responder, por favor, atravesse a rua e olhe como uma pessoa comum avaliaria se vale a pena ou não fazer negócios com vocês.

Então vamos às possíveis causas que levam um cliente ao seu estabelecimento: é fácil encontrar o número de seu telefone; todos atendem às ligações com cortesia; fornecem informações pelo telefone; sabem informar como chegar aí; há estacionamento próprio ou conveniado; sua calçada está limpa; a iluminação interna é adequada; a limpeza/ordem interna está nota dez; seus funcionários estão adequadamente trajados, sabem sorrir naturalmente e demonstram prazer naquilo que fazem.

Alguns comentários: certos estabelecimentos possuem duas ou três vagas em frente e que são ocupadas pelo proprietário e eventualmente algum gerente. Outro dia fui a um estabelecimento e as vagas cobertas eram destinadas à diretoria sobrando para os clientes o resto. Sim, resto sim! Após o cinema, já tarde da noite num shopping fui até a praça de alimentação.

No caminho vi lojas fechadas porém desarrumadas, coisas jogadas no chão, papéis, embalagens rasgadas, parecia que tinham sofrido a invasão do "Movimento dos Sem Qualquer Coisa". Resumindo, sua loja poderia ser reaberta tão logo após o fechamento? E o que dizer deste trio formado pela mini blusa, calça "cá embaixo" e tatuagens...

E então passou neste primeiro teste? Vamos adiante.

O que leva um cliente a comprar?

Você se preocupou com o treinamento de seus funcionários: primeiro identificam as necessidades do cliente para oferecer-lhe a melhor alternativa (sob o ponto de vista do cliente, certo?); demostram o devido interesse em oferecer alternativas para concretizar a venda; sabem argumentar pelo menos justificando qualidade e preço; o funcionário do caixa também sabe atender, olhando para os clientes e sorrindo; alguém acompanha o cliente na saída;

Alguns comentários: deixando as técnicas de venda de lado, olhe para o local do seu caixa e tenha em mente que este momento é tão importante quanto à chegada do cliente; sorrisos, cortesia, rapidez, atenção, facilidades de transações e troco correto, mesmo que sejam centavos...e por favor não abandone o cliente na hora da saída, fazendo-o sentir-se um trouxa que já comprou, pagou e que agora só interessa o próximo...pois este já abatemos, é coisa do passado. Lembre-se nesta hora você está iniciando a próxima compra deste cliente.

E por falar nisso, cadê o pós venda?

Pequenas falhas podem ser corrigidas ouvindo os clientes pois as grandes falhas não geram vendas, visto que o cliente vai embora antes e você nem fica sabendo delas, a menos que você freqüentemente, atravesse a rua e comece a avaliar se vale a pena entrar...

por José Teófilo Neto

José Teófilo Neto é diretor da Comunicação Direta ¿ Consultoria & Treinamento em atendimento, vendas e relacionamento.
Fone: (11)5044-5822
teofilo@comunicacaodireta.com.br

Comments:




Felicidade

Felicidade! É o que todos querem. Dizem alguns cientistas que faz parte de nossa evolução e que a felicidade seja uma forma de recompensa para tudo o que fazemos que contribua para nossa sobrevivência (comer, beber, dormir) ou de nossa espécie (sexo, cuidar dos filhos). Seja como for, fazemos qualquer coisa para ficarmos felizes: mandamos flores e cartões para quem amamos, presenteamos nossos filhos, fazemos cursos de aperfeiçoamento profissional, etc.

Para estes cientistas, a felicidade é um hábito que pode ser cultivado, desempenhando atividades importantes para si: trabalho, relacionamentos, lazer e estudo. Bem como, acreditam que sem depressão e mau humor não seríamos capazes de reconhecer a felicidade em si.

Outros acreditam que a origem da felicidade está nos genes, ou seja, as pessoas felizes já nascem para serem felizes, todos os processos cerebrais que controlam a felicidade e a habilidade de uma pessoa sentir-se bem está pré-determinada no gene.

O Surgeon General publicou um relatório mostrando que 7,1% dos norte-americanos entre 18 e 54 anos sofrem de alguma desordem do humor. Alguns especialistas consideram alarmante e recomendaram a esses norte-americanos que procurem tratamento psiquiátrico e terapêutico.

Porém, os psiquiatras "evolucionistas" acreditam que as emoções são o produto de milhões de anos de seleção natural e os mau humores não são necessariamente defeitos que precisam ser corrigidos. Argumentam que ainda não conhecemos o suficiente sobre o humor para alterá-lo com remédios.

Assim, para eles, as emoções, sejam elas positivas ou negativas, existem para nos fazer coisas para os nossos genes. Portanto, ao manipular... E, hoje, o consumo de Prozac e Zolof mais que dobrou desde 1995. Contudo, os problemas com o humor, mesmo a depressão profunda, são mecanismos de alerta, que como outros, nos forçam a cuidar do corpo. Seria uma proteção, que nos induz a ter comportamentos que reduzem ferimentos piores no futuro.

Em 1998, o psicólogo da Universidade da Pensilvânia e presidente da Associação Americana de Psicologia, professor Martin Seligman, desenvolveu a psicologia positiva. Para ele, deve-se ensinar as pessoas, jovens em especial, a serem alegres e otimistas desenvolvendo sua força de caráter ao invés de analisar as suas fraquezas.

A psicologia positiva destina-se àqueles que não querem desperdiçar anos tomando Prozac ou no divã de um terapeuta, e tem uma solução idealizada por Aristóteles 2350 anos atrás: desenvolver atividades cívicas, uma vida espiritual e social. A pesquisa do Dr. Seligan, desenvolvida durante 30 anos, mostra que os otimistas minimizam seus infortúnios enquanto que os pessimistas culpam-se pelos incidentes e, por outro lado, atribuem à sorte os bons eventos.

Os otimistas acreditam que as boas coisas durarão muito tempo e que terão benefícios de tudo o que fazem e acreditam que as más coisas são isoladas, não durarão muito e não afetarão sua vida. Os pessimistas... Não é preciso dizer, certo? Todo mundo conhece um montão (no bom sentido) de pessimistas. Assim, de acordo com essa pesquisa, basta desenvolver pensamentos e atitudes otimistas para se viver melhor.

Para corroborar essa tese, os cientistas da Universidade de Michigan, pesquisando os aposentados verificaram que os mais felizes eram aqueles que têm amigos. E olha que levaram em conta a renda, saúde, morte de cônjuge, etc. Assim, valorizar as amizades é essencial para a sobrevida após a aposentadoria.

Outra pesquisa realizada na Mayo Clinic comprovou que os otimistas vivem mais que os pessimistas, cerca de doze anos a mais. O pior é que os pessimistas, além de viverem menos, sofrem mais. A pesquisa analisou pessoas com o perfil a partir de 1962.

Ser feliz depende mais de você que dos outros, plante que Deus garante! E comece pela própria casa, pelas pessoas que ama. Aliás, dizer que ama já alegra o coração do amado. Felicidade, alegria, otimismo, longevidade, alguém quer?

por Mário Eugênio Saturno

Mário Eugênio Saturno é Tecnologista Sênior da Divisão de Sistemas Espaciais do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), Professor do Instituto Municipal de Ensino Superior de Catanduva (www.fafica.br) e congregado mariano. Email: saturno@dea.inpe.br)

Comments:




Um gatão muito enciumado

Na estréia de Garfield nos cinemas, o bichano quer se livrar do cãozinho Odie. A criançada vai adorar
Tatiana Contreiras


Procurando por Odie, seqüestrado por um apresentador de TV, Garfield toma até susto no alto de um edifício

Para os adultos fãs das tirinhas do gato mais guloso e irônico das histórias em quadrinhos, Garfield O Filme, que estréia hoje, pode parecer um pouco mais infantil do que deveria. E é verdade. Mas isso não desmerece o longa, dirigido por Peter Hewitt, que diverte com uma historinha simples para as crianças, mas sem deixar de lado as tiradas do bichano que tanto agradam aos mais velhos. Na versão legendada, o gato é dublado por Bill Murray e, em português, a voz é de Antônio Calloni.

Único personagem que não é de carne, osso e pêlos, Garfield (quase um bichinho de pelúcia, de tão fofo e bem feitinho por computação gráfica) tem sua rotina alterada depois da chegada do cãozinho Odie, com quem passa a dividir as atenções de Jon (Breckin Meyer, pastel na medida). Enciumado, Garfield dá logo um jeito de fazer o bichinho sumir da área. Mas logo se sente culpado ao descobrir que o mascote de Jon foi seqüestrado por um apresentador de TV e decide deixar a preguiça e a lasanha de lado para sair do beco e procurar Odie.

Ao mesmo tempo, Jon e sua paixão, a veterinária Liz (Jennifer Love-Hewitt, de Eu Sei O Que Você Fez no Verão Passado), buscam pela cidade os dois fugidos, Garfield e Odie que, aliás, rouba a cena em vários momentos, com sua cara de cão perdido na mudança. Programinha de tarde de férias.

Comments:




Entre gringos e nativos

Show do Black Eyed Peas terá sucessos como 'Where is The Love'. No Ressaca Hip Hop, em Caxias, produtores locais abrem espaço para novos talentos do movimento
Eusébio Galvão


A loura Fergie se destaca no quarteto, pela beleza e pela voz

O amor está no ar, na rima e acompanha a batida. Quem é do hip hop não tem do que reclamar neste fim de semana. Um dos melhores grupos da atualidade, o Black Eyed Peas, se apresenta amanhã no Skol Stage, no Píer Mauá. Na turnê mundial do álbum Elephunk, eles desembarcam no Rio com direito a banda e um show suingado, animado e dançante.

Mas como na essência o rap nasceu para dar voz a quem quer se expressar, outro evento, longe dali, agita Duque de Caxias também amanhã: o Ressaca Hip Hop, que chega à sua terceira edição e apresenta nomes novos da cena carioca.

O show do Black Eyed Peas é, antes de tudo, uma festa. Que começa já em cima do palco. É amizade mesmo. Estamos sempre rindo, brincando uns com os outros. O que as pessoas vêem na platéia é reflexo disso, conta Taboo, o maluco dos cabelos compridos. Ao lado de Will.I.Am, Apl.De.Ap e da estonteante Fergie, que entrou na banda no último álbum ela já se tornou uma grande amiga, garante Taboo, ele entoa sucessos como Shut Up e o hino otimista Where is the Love. Temos uma vibração muito positiva. Fazemos música para nós mesmos, antes de mais nada, conta.

Uma das maiores vantagens do Black Eyed Peas, além das boas letras, são as batidas, que fogem do óbvio graças a um trabalho de pesquisa musical que inclui até música brasileira, paixão de Will.I.Am . O próprio Taboo, de família mexicana, tem sua contribuição a dar, como se pode notar em Latin Girls, do último CD. Sou mais de rumba, salsa. Tenho o México em mim, foi onde eu cresci. De brasileiro, confesso que só conheço bossa nova, desculpa-se.

A variedade como trunfo levou a banda a viajar pelo mundo, coisa que Taboo diz ser das melhores. Tenho amigos do hip hop que fazem música para os EUA apenas. Eles nunca vieram ao Brasil, à Europa, mesmo ao México. E eu adoro poder ir aonde conseguir. Estamos há meses viajando, é uma grande montanha-russa.

Tenho família e um filho de três anos que fica em casa. Dá saudade, mas é bom, conta. Ver diferentes culturas ajuda a pensar o mundo de outra forma e se sentir livre para criticar o governo americano, como eles fizeram no Rock in Rio Lisboa. Afinal, rap bom tem que protestar.

PROMOÇÃO

Os cinco primeiros leitores que ligarem para o tel.: 2461-2004 a partir das 8h30 ganham dois ingressos para o show do Black Eyed Peas. Os 20 primeiros que ligarem a partir das 10h30 levam convites para o Ressaca Hip Hop.

Comments:




David Coimbra
16/07/2004


A cada dia basta o seu cuidado

Dinheiro, dinheiro. O vil metal é superestimado aqui na pátria amada idolatrada salve salve. Agora há pouco mesmo o governador Rigotto comprou passagem de classe econômica para viajar à China, 30 horas de confinamento acima das nuvens. Ora, eu aqui, contribuinte, paguei parte dessa viagem, talvez o trajeto até a Farrapos, sei lá. Então, como interessado, entendo que Rigotto fez mau negócio para o Rio Grande. Porque um governador de cútis lisinha e sem olheiras, com neurônios alertas feito escoteiros e a verve afiada feito o olhar da Ana Hickmann, esse governador pode trazer muito mais lucros ao Estado na negociação com industriais de Pequim ou com plantadores de chuchu de Campos Borges.

Além do mais, o governador representa o Estado, me representa, representa o Wianey Carlet, representa o Cássio da portaria. E nem eu, nem o Wianey, nem o Cássio gostamos de ser representados por um governador estremunhado, com a cara daquele casaco que puxaram dos dentes do cachorro.

Dinheiro. Há também a tal proposta de redução das vagas de vereador. Achei que a idéia fosse corrigir a desproporção entre as câmaras das 5 mil cidades brasileiras. Mas não. Os defensores da medida pretendem, na verdade, economizar. O problema é que a democracia não é um produto barato, ao menos a curto prazo. A ditadura, por exemplo, sai muito mais em conta, se se pensar apenas no sonante. Quer dizer: há chances de que esse também não seja um bom negócio. Lamentável.

Meu avô já ensinava: às vezes, a economia é a base da porcaria.

Há 20 séculos, sobre um monte da Palestina, Jesus compôs um dos mais brilhantes discursos da história da filosofia. (E aí me refiro à filosofia, não à religião.)

Foi o Sermão da Montanha, um conjunto de idéias tão percuciente que até hoje resta malcompreendido. Jesus versou exatamente sobre o dinheiro. Cunhou umas tantas frases poderosas. De uma delas, Erico Verissimo extraiu o título de um clássico da literatura brasileira. Essa:

"Olhai os lírios do campo. Eles não trabalham nem fiam. Entretanto, vos digo que nem o próprio Salomão, no auge de sua glória, se vestiu como um deles. Se Deus veste assim a erva dos campos, que hoje cresce e amanhã será lançada ao fogo, quanto mais a vós, homens de pouca fé!"

Aí está tudo. O homem é o sal da terra. É o homem que precisa de investimento. É o homem que merece, afinal, todo o cuidado.

david.coimbra@zerohora.com.br

Comments:




Mauren Motta
16/07/2004

Orkut? Tô fora

Com a sorte de Deus, trabalho na rua e meu escritório é o carro. Não dá tempo pra nada, muito menos de participar do Orkut. Nem mesmo tenho mesa ou computador próprios. Sem vergonha, confesso ter preguiça dessa função. Quando o meu dia acaba, quero dividir meu tempo real com as pessoas que amo, juntinho.

Sou aquele tipo que gosta de ouvir a voz e falar olhando no olho. Amizade virtual não tem a menor graça pra mim. Os poucos amigos que mantenho via Internet estão a milhares de quilômetros do Brasil. Mesmo assim, não resisto e ligo. Fico mais pobre com as contas de telefone, eu sei. Em compensação, muito mais feliz. Pra mim, Internet é pra pesquisar, saber o que rola no mundo, e só!

Amizade é outra história. Quando a onda do Orkut começou, estava em plena temporada de viagens. Muitos amigos me escreveram convidando e querendo saber por que eu não estava lá. Com a desculpa de que só entra gente legal e conhecida, comunidades vão se formando. Todo mundo quer ter muitos "friends", mesmo que nem saibam quem são. Como assim? Não curto essa. Talvez só a solidão justifique a febre do Orkut.

Até entendo que, se você não tem nada de melhor para fazer, possa passar algumas horas na frente de uma máquina trocando opiniões sobre pessoas, coisas ou lugares. Agora virar um vício, que te tira tempo dos teus amigos de verdade, aí já é demais. Além disso, sou contra o uso da Internet para o mal. É muito fácil manipular pessoas virtualmente. Falar na cara é que é difícil. Aos covardes que se escondem atrás de um teclado, o meu desprezo.

Sem radicalismos, sei que tem um monte de gente bacana que se encontra lá, depois de anos. O grande desafio agora é cultivar as antigas e novas amizades. Quem sabe encontrando cara a cara? De que adianta ter milhares de amigos se não conseguimos mantê-los. A maturidade ensina que as amizades vão rareando. Acabamos por ficar com os poucos e bons.

É a seleção natural ou por afinidade. Não dá tempo pra ter uma turma enorme, mas sim parceiros queridos que não dividem apenas o oba-oba virtual. Amigos de verdade escutam as lamúrias, emprestam o ombro para o choro e racham o bico com a gente. Então caros leitores, mesmo que vocês me achem supercareta, não vejo motivo melhor para ficar fora dessa!

mauren@rbstv.com.br

Comments:




Paulo Sant'ana
16/07/2004


A prisão preventiva

A prisão preventiva do empresário Mário Sérgio Gomes da Silva, acusado de ser mandante do assassinato do então prefeito de Santo André (SP), o petista Celso Daniel, pode ser comparada com a prisão preventiva de Luiz Henrique Sanfelice, acusado de ter assassinado sua esposa, Beatriz Rodrigues, em Novo Hamburgo.

Anteontem, o ministro Nélson Jobim, do Supremo, revogou a prisão preventiva do acusado do assassinato do prefeito.

O acusado do assassinato de Novo Hamburgo continua preso.

O ministro Jobim considerou "desnecessária" a prisão preventiva do empresário paulista por três razões básicas: 1) o acusado sempre colaborou com a instrução criminal; 2) o próprio Ministério Público declarou não haver notícias de ameaça às testemunhas pelo acusado; 3) o acusado apresentou-se à polícia "tão logo tomou ciência do decreto de prisão".

Em seu despacho de 10 páginas, o ministro Jobim cita jurisprudência do próprio STF, entre ela decisões dos ministros Sepúlveda Pertence e Cezar Peluso, no sentido de que "prisão preventiva baseada tão-somente na gravidade abstrata do crime traduz-se em verdadeira aplicação da sanção penal sem o justo processo da lei e em franca hostilidade a outras garantias constitucionais".

No caso de Novo Hamburgo, também o acusado de matar a esposa "sempre colaborou com a instrução criminal". E também não há notícias de que tenha ameaçado testemunhas. Assim como só não se apresentou à polícia quando foi decretada a sua prisão temporária porque a autoridade policial se antecipou e foi até sua casa prendê-lo.

Temos então aí, na aparência, dois casos, senão idênticos, análogos. Certamente os indícios apurados pela polícia de São Paulo contra o acusado do assassinato do prefeito continham a mesma robustez dos indícios contra o acusado do homicídio de Novo Hamburgo.

Então por que o acusado de lá foi solto e o daqui continua preso?

Se um ministro do Supremo praticamente afirma (o conceito que vem a seguir é do colunista) que não é possível aplicar-se sanção penal sem o justo processo legal, a menos que o juiz esteja de tal forma intensamente convencido da culpa do acusado, que a decretação de sua prisão preventiva não ferirá minimamente o princípio constitucional da presunção da inocência, como pode estar solto o acusado de lá e preso o daqui?

A resposta é a seguinte: tecnicamente, o acusado daqui continua preso porque surpreendentemente a sua defesa adotou a tática de não pedir habeas corpus para ele ao tribunal superior solicitando a revogação da prisão decretada pela juíza de Novo Hamburgo. E a defesa do acusado de lá percorreu diversas instâncias e foi até o Supremo, conseguindo libertar seu constituinte.

Quando decretou a prisão, a juíza de NH escreveu que acautelava "a ordem pública", um dos pressupostos da privação preventiva de liberdade.

Mas eu pergunto - por amar o Direito Penal e por me empolgar com ele, de nenhuma forma por estar convencido da inocência ou da culpa do acusado -, se supostamente a juíza decretou a prisão por entender que há um clamor popular que designa o réu culpado, a opinião pública tem tal força para encarcerar ou libertar um réu?

Não tem. Absolutamente não tem. O maior valor de força que se emana nesse tipo de caso é a presunção da inocência ou o convencimento cabal da culpa.

Na próxima terça-feira, será procedido ao interrogatório do réu de Novo Hamburgo, ato privativo do juiz, quando a acusação e a defesa podem somente no fim solicitar à juíza que encaminhe junto ao réu esclarecimentos ou correções a respeito das declarações prestadas.

Ao final do interrogatório, ao que tudo indica a defesa pedirá verbalmente a liberdade provisória do réu.

A juíza poderá negá-la ou consenti-la, dependendo talvez até mesmo da consistência das respostas do interrogado.

Um processo com réu preso tem muito mais tensão e responsabilidade do que com réu solto. Exatamente porque a liberdade é um bem respeitabilíssimo.

psantana.colunistas@zerohora.com.br

Comments:


Violência
Assalto frustrado a carro-forte na Serra



Um grupo de pelo menos sete homens usou um caminhão para parar um blindado ontem no km 107 da Rota do Sol, em Farroupilha. Houve troca de tiros entre vigilantes e assaltantes, que fugiram levando apenas as armas dos guardas (foto Almir Dupont, Agência RBS/ZH)


Comments:

Quinta-feira, Julho 15, 2004




As melhores e piores cidades do Estado

Caxias do Sul apresenta os melhores indicadores socioeconômicos entre os 497 municípios gaúchos pesquisados pela Fundação de Economia e Estatística (FEE) para mensurar o grau de desenvolvimento das cidades do Estado. A pior colocação é a de Lajeado do Bugre. Os números, relativos ao Índice de Desenvolvimento Socioeconômico (Idese) 2001 do RS, foram divulgados ontem pela fundação.

Porto Alegre, que no Idese divulgado em 2003 estava em quarto lugar, caiu uma posição. Tanto Caxias do Sul como Canoas, que este ano ocupa a segunda colocação no ranking, mantêm as posições registradas no Idese de 2000. Na terceira melhor colocação está Campo Bom.

O Idese é composto por quatro blocos de indicadores que, no cálculo para a formação do índice, recebem o mesmo peso: Saneamento e Domicílio, Educação, Saúde e Renda. O bloco de Saneamento e Domicílio leva em conta a proporção de domicílios atendidos com água tratada e com rede geral de esgoto ou pluvial e a média de moradores por domicílio. O bloco Educação inclui a taxa de analfabetismo entre pessoas com 15 anos ou mais de idade, as taxas de evasão e de reprovação no ensino fundamental e a taxa de atendimento no ensino médio.

O item Saúde é composto pelo percentual de crianças nascidas com baixo peso, pela taxa de mortalidade de menores de 5 anos e pela expectativa de vida ao nascer. A Renda considera o PIB per capita e o valor adicionado bruto per capita de comércio, alojamento e alimentação.

'Entre os quatro blocos de índices, os dois melhores são os relativos à Saúde e à Educação e o pior é o correspondente a Saneamento', avaliou o coordenador da pesquisa e economista da FEE, Adalberto Alves Maia Neto. Nos dez municípios mais bem colocados, a economia é baseada nos setores da indústria ou de serviços.

Apenas em dois deles - Vacaria e Erechim - a agricultura tem peso igual ou superior a 20% na estrutura econômica. Entre as dez cidades que apresentam o pior índice geral ocorre o oposto. Apenas em um desses municípios - Caraá - a agricultura representa menos de 40% da economia.

O Idese adota os mesmos critérios aplicados pela Organização das Nações Unidas (ONU) em seu Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) para classificar os municípios em três níveis de desenvolvimento: alto (quando o índice é igual ou maior que 0,800), médio (quando ele é igual ou maior que 0,500 e menor que 0,800) e baixo (quando é menor que 0,500). No Rio Grande do Sul, o Idese em 2001 ficou em 0,7510, uma variação negativa de 0,1 em relação ao ano anterior.

Comments:




Visitem a página da Sandra, ai abaixo estão os links e verifiquem outras vantagens da meditação e se ainda quiserem adquiram o seu livro sobre o assunto, pois saúde e qualidade de vida não têem preço.

Benefícios da meditação

Na Saúde

- Redução da pressão arterial
- Fortalecimento do sistema imunológico
- Melhora na qualidade do sono
- Alívio da enxaqueca
- Auxílio no tratamento da depressão
- Diminuição do estresse

Estudos realizados pelo cardiologista americano Herbert Benson, da Universidade de Harvard, nos Estados Unidos, em pacientes que aprenderam a meditar de maneira disciplinada, tiveram taxas de recuperação superiores aos do grupo que não meditavam.

O médico constatou ainda que devido a prática da meditação, pacientes com problemas cardíacos, pressão arterial alta, infertilidade e enxaquecas melhoraram significativamente desses problemas. (Fonte: revista Veja de 28/05/03).

No Trabalho e no Estudo

- Aumento da criatividade
- Maior facilidade para resolver problemas
- Raciocínio mais rápido
- Maior lucidez para lidar com as situações de estresse
- Estímulo a memória
- Maior poder de concentração
- Melhora nas relações interpessoais
- Aumento da auto-estima
- Maior equilíbrio emocional

Em março de 2000, cientistas da universidade de Harvard, nos Estados Unidos, fizeram testes neurológicos em monges tibetanos com equipamentos de última geração. Descobriram que o lado esquerdo da região frontal do cérebro, responsável pela alegria e pelo entusiasmo, entrava em alta atividade elétrica durante a meditação. (Fonte: revista Isto É de 21/05/03).

No Dia-a-Dia

- Diminuição do estresse
- Vivenciar o momento presente, não trazendo para o dia de hoje o passado e, ou, a ansiedade e medo do futuro
- Maior aceitação de si mesmo e do outro
- Maior prazer nas relações
- Auto-conhecimento
- Maior alegria na rotina diária
- Lucidez para valorizar as pessoas e os acontecimentos
- Paz e tranqüilidade

A meditação torna nossa vida melhor, porque a nossa essência passa a fazer parte de nosso dia-a-dia. Você medita e vai trazendo para sua vida tudo que vai despertando em você. Não há como você meditar e ser uma pessoa raivosa, ansiosa, medrosa. Com o tempo e a prática, isso vai mudando. A meditação liberta. (Parágrafo 4, página 42 do livro O que é Meditação, Sandra Rosenfeld, Ed. Nova Era).

http://www.sandra.rosenfeld.nom.br/beneficios.htm

http://www.sandra.rosenfeld.nom.br/comomeditar.htm

Comments:




Abre o olho, Datena!

Filha do apresentador do Brasil Urgente, Letícia Wiermann estréia na TV no Band InvernoZean Bravo



Modelo há quatro anos e atualmente com 17 anos, Letícia fez fotos sensuais para o site Morango

Apesar de ser estreante, Letícia Wiermann, filha do apresentador José Luiz Datena do Brasil Urgente, jura que não sentiu aquele friozinho na barriga antes de gravar a primeira vez para o Band Inverno. Já passei por esse tipo de sensação como modelo, diz a menina, de 17 anos, que chegou a pensar em desistir de tudo ao fotografar de biquíni no frio da Alemanha.

Estava gelado, eu posava na rua e eles jogavam água em mim. Também já fiz foto de biquíni no inverno do Chile, recorda ela, que ilustra agora o site Morango, com fotos sensuais.

Com cara de menina e capa de revistas adolescentes internacionais no currículo, Letícia quis mostrar outro perfil no Morango. Meu pai ficou surpreso, sempre fiz a linha menininha. Mas estou numa fase de mudança, ficando mulher. Precisava de fotos mais sensuais no meu book, explica. Agora ela quer estampar capas de revistas mais adultas. As fotos do site não ficaram vulgares, nem estou mostrando muita coisa...

Modelo há quatro anos, Letícia foi descoberta em um shopping em Ribeirão Preto, sua cidade natal. A estréia na TV também aconteceu por acaso. Marlene Mattos (diretora artística da Band) viu minha foto na sala do meu pai e pediu para ele perguntar se eu não gostaria de fazer TV, conta Letícia, que estava em temporada de trabalho em Miami, nos Estados Unidos.

No ar com reportagens exibidas durante a programação da Band, feitas em Campos do Jordão, Letícia quer investir agora em TV. Estou meio cansada de ser modelo, resmunga a moça, que ainda não sabe o que fazer depois que o programa acabar.

Essa coisa da TV pode vingar, posso continuar como modelo e quero fazer faculdade de Administração ou Economia nos Estados Unidos, conta ela, que namora o americano Sean Collins há oito meses. Ele está aqui no Brasil e vai embora no fim do mês. Procuro nem pensar nisso, diz Letícia.

Até agora, a matéria que ela mais gostou de fazer foi a da estréia, na noite de Campos do Jordão. Tentei umas cinco vezes e o texto não saía, mas depois rolou e parecia que já fazia isso há anos, diz ela, que teve todo o apoio paterno. Ele ficou superempolgado. Afinal, foi a ponte de tudo, completa.

Comments:




Três é demais

Com novo trio de colunistas, leitor do DIA D vai saber tudo do céu e da terra e ainda ficar de barriga cheia
Clarissa Monteagudo

A partir da próxima semana, seu O DIA D vai dar um giro de salto agulha pela cidade, incrementar a sua cozinha com receitas sofisticadas ao paladar mas simples de fazer, e dar preciosas dicas para sair da cama com o pé direito fincado no chão e a cabeça de bem com os astros. As novidades virão em três novas colunas, assinadas pela jornalista Cláudia Cecília (mande sua sugestão para a colunista aqui), a astróloga Mônica Horta (mande sua sugestão para a colunista aqui) e o ator e chef Rodolfo Bottino (mande sua sugestão para o colunista aqui).

A primeira estréia acontece na próxima quinta-feira. Editora de Produção do jornal, Cláudia Cecília passará a assinar a sua dominical Salto Agulha todos os dias. Jornalista do DIA há sete anos, onde já foi repórter e editora do DIA D, a colunista manterá suas crônicas aos domingos. Mas de segunda a sábado, a coluna trará notas sobre gente, moda, sociedade e cultura, preservando sua característica fundamental: uma análise divertida do comportamento de celebridades e anônimos.

A coluna é um espaço democrático. Vamos trazer gente de todos os cantos da cidade. O que nos move é uma boa história, o interesse que o assunto desperta, não importa se vem de alguém famoso ou não. Pode ser um empresário com projeto social bacana ou o vestido com decote incrível de uma socialite qualquer, define Cláudia.

Dia 26, entra em cena a astróloga Mônica Horta. Também formada em Jornalismo, Mônica foi chefe de reportagem da TV Globo e assina as previsões do site Árvore do Bem, do portal IG. O horóscopo é o lado mais popular da Astrologia e tem característica de oráculo. Sem esse perfil, a Astrologia vira uma Psicologia de segunda linha, defende Mônica, que faz um exercício de texto ao escrever previsões. Quero que o horóscopo faça soar um sino internamente.

A Astrologia acredita que tudo que nasce está impregnado da qualidade do instante. Ao entender esse tempo, a pessoa ganha mais artifícios para tomar as próprias decisões, explica.

Já na quarta-feira, dia 28, Maria Thereza Weiss, que deseja se aposentar depois de 5 anos de sucesso no DIA, passa o bastão da coluna de Gastronomia para Rodolfo Bottino. O ator que coleciona fãs pelo jeitão divertido de apresentar as receitas e a verve para contar histórias sobre os pratos trocou o cotidiano exaustivo das novelas pela paixão pela gastronomia. Começou no Shoptime há 11 anos e hoje comanda o Gema Brasil, que vai ao ar na TVE e na TV Cultura.

Ninguém precisa falar em francês ou inglês para ser um cozinheiro competente. Alta gastronomia é cozinhar com produtos de qualidade. Digo isso e tem chef que fica revoltado comigo porque explico que o prato de nome difícil não tem por que ser caro, conta. Mas o público aplaude, Rodolfo.

Comments:




Nilson Souza
15/07/2004


Segunda impressão

- Escreve uma crônica bonita! - me ordena a colega de trabalho, vendo-me mergulhado nos jornais do dia à procura de um tema de maior permanência para compartilhar com os leitores nesta quinta-feira. Percebo na sua fingida ordem o desejo sincero de que eu seja capaz de encontrar, entre tantas notícias amargas e inevitáveis, alguma mensagem edificante, que pacifique espíritos e dê sentido à vida. Pois não é que encontro?

Trata-se de uma revista escrita por estudantes de Jornalismo, totalmente focada no trabalho voluntário de pessoas e organizações que dedicam tempo e atenção a doentes, idosos e crianças. É a revista Primeira Impressão, da Unisinos, que contempla na sua edição de junho Organizações Não-Governamentais e grupos voluntários que atuam no Estado.

Meus futuros colegas fizeram um belo trabalho. Mergulharam fundo no cotidiano de entidades sociais que atenuam o sofrimento alheio, difundem a esperança, constroem sonhos e salvam vidas. Há relatos comoventes, como o da adolescente que conta histórias de fadas para pequenos pacientes do setor de oncologia de um hospital especializado da Capital. Ou do cidadão que fecha o seu escritório e vai tocar música para portadores de deficiências físicas e mentais.

Ou ainda dos homens e mulheres que se preocupam em proteger animais abandonados. As reportagens são entusiasmantes: onde tem um ser humano necessitado, tem também um outro disposto a ajudá-lo. Estudantes, professores, profissionais liberais, donas de casa, especialistas e leigos, é tanta gente comprometida com boas causas que o mundo parece regido pela fraternidade.

Sabemos todos que os problemas sociais de nossos país são imensos, que o poder público não tem condições de atender a todas as necessidades da população. Não se pode ignorar, igualmente, que a ganância, o consumismo e o egoísmo continuam envenenando as relações humanas. Mas dá para ter esperanças quando se constata que um exército de anjos age silenciosamente entre nós, levando alento e dignidade a quem sofre. Melhor: não são anjos. São pessoas de carne, osso, cérebro e coração, gente como a gente, com bons sentimentos, com boa vontade e com energia suficiente para mover as engrenagens da vida para o lado do bem.

Quando minha amiga pediu uma crônica bonita, passei os olhos pelas notícias do dia e senti um primeiro impulso de dizer-lhe que era impossível atender o seu pedido. Mas a segunda impressão prevaleceu: graças ao trabalho dos meninos da Unisinos, posso deixar aqui este registro da verdadeira beleza da existência humana, que se chama solidariedade.

nilson.souza@zerohora.com.br

Comments:




José Pedro Goulart
15/07/2004


O sorriso da Mona Lisa: minha versão

Fui ao Louvre, semana passada, e desvendei o mistério por trás do sorriso da Mona Lisa. Mas antes de falar sobre isso quero contar uma história que um amigo próximo jura que acontece. A mãe desse amigo costumava exibir fotos dele, quando ainda era pequeno, na Disney. Ele aparecia com o Mickey, abraçado ao Pateta, andando na montanha-russa. Ao ver as fotos, no entanto, ele ficava confuso: como aquilo tudo tinha acontecido sem que ele se lembrasse de nada? O tempo passou, e um dia, bem mais tarde e com o meu amigo já adolescente, a verdade transbordou: não era ele o menino das fotos, mas um outro, parecido. Aquela era uma memória falsa, inventada pela mãe.

Algumas coisas nunca vão mudar. Era isso que eu pensava dentro do Louvre, diante daquele acervo que remonta aos fenícios, aos egípcios, aos povos que construíram a idéia desse mundo em que vivemos. A Mona Lisa, por exemplo, é ou não é a obra de arte mais importante já produzida pela humanidade? Guernica, o David de Michelangelo, a Capela Sistina.

Tudo certo. Mas mostre uma foto da Mona pra qualquer criança e ela irá reconhecê-la. Foi assim, pensando nisso, dentro daquele museu colossal, naquela cidade onde se tropeça em arte que me dei conta de que nada pode ser feito para superar isso. Dá para imaginar que alguém irá pintar um quadro agora que irá rivalizar com a Mona Lisa, sua mística, sua história?

Em razão disso é que parece que naquele museu todas as outras obras são coadjuvantes. Por mais especiais, volumosas, perfeitas, todas perdem para a pequena notável. A organização do Louvre sabe disso, e por todos os lados setas encaminham os visitantes na direção do quadro de Leonardo da Vinci. Chegando lá, dezenas de pessoas se acotovelam na frente da estrela, o rosto mais famoso do mundo, a superstar que nunca cantou, compôs ou atuou e sequer se tem certeza de que era de fato uma mulher.

A sensação de que certas coisas já estão estabelecidas e de que são "para sempre" me fez estremecer. Foi aí, nesse devaneio, que eu me surpreendi pensando no Brasil. O país imutável, do futuro que nunca chega. O país das memórias falsas, como aquelas do meu amigo. O país camelódromo, pirata e pirateado. Enquanto eu pensava nisso, no fundo, circulavam dois policiais com ostensivas metralhadoras. Os alvos possíveis vêm sendo patrulhados constantemente, a Europa se guarda de um ataque terrorista que ninguém sabe de onde virá.

Todos os dias, assim que o museu é aberto, a Mona Lisa ensaia seu famoso sorriso novamente. As pessoas pensam que é sempre o mesmo, mas enganam-se, milimetricamente ele vem sendo aperfeiçoado através dos tempos. A Mona Lisa sorri a cada dia, esse é o segredo, é um sorriso de quem tem consciência do próprio reinado, mas também é um sorriso de quem vem nos observando nesse tempo todo.

jose.pedro@zerohora.com.br

Comments:




Luis Fernando Verissimo
15/07/2004


Banquete

O calçamento com pedras irregulares das velhas ruas de Parati obriga você a caminhar olhando o chão, escolhendo a pedra para pisar. Durante a Festa Literária Internacional da cidade, que terminou no domingo, a Flip, você podia muito bem cruzar com alguém famoso na rua e só ver seus sapatos, e depois tentar adivinhar quem era: "Acho que passei por um dos ingleses..."

Lá estavam alguns dos melhores ingleses atuais nos seus sapatos. Como o Martin Amis, que não conseguiu unanimidade: alguns o acharam insuportável, outros se decepcionaram porque esperavam que ele fosse mais insuportável ainda. E outros gostaram dele e da mulher que o levou para morar no Uruguai, porque ela é uruguaia, não há outra explicação plausível.

Amis acabou fazendo o gesto mais simpático da Festa para os nativos. Na rodada final, em que vários autores leram trechos dos seus livros de estimação (Milton Hatoum leu Graciliano, o francês Pierre Michon um poema que não identificou, pressupondo que todos soubessem que era do Vitor Hugo, Paul Auster um Beckett de safra esquecida), leu o começo do Memórias Póstumas de Brás Cubas e tudo lhe foi perdoado. Ian McEwan (talvez o melhor deles) foi o inglês mais articulado.

Não cheguei a notar que tipo de sapato usava o irlandês Colm Tóibin mas seu estilo combinava com sandálias. Ele fez um dos depoimentos memoráveis da Flip, sobre Ulisses, de Joyce. O Troféu Dupla Insólita foi para Pierre Michon apresentando-se junto com o pernambucano Raimundo Carrero, este divertidíssimo, concorrendo com Tóibin ao título de grande figura da semana.

Paul Auster e sua longa e loira mulher são simpáticos. Moram no Brooklyn. Quando ele soube que eu estava em Nova York quando mataram o John Lennon e depois quando derrubaram as torres, me pediu para não voltar mais a Nova York. Uma surpresa: o outro americano, Jeffrey Eugenides, autor de The Virgin Suicides. O cara é bom, lendo o que escreveu e falando. Mora na Alemanha, por outra razão inescrutável.

Não vi a apresentação de nenhuma das mulheres mais elogiadas (coincidência, não preconceito), a portuguesa Lidia Jorge e a espanhola Rosa Montero, e a de uma mesa aplaudida de pé, a do Ferréz e do José de Souza Martins, mediada pelo Zuenir, mas confirmo o sucesso de outra grande estrela do evento, o angolano José Eduardo Agualusa, que conseguiu brilhar ao lado do Caetano.

Mas de emocionar mesmo foram os brasileiros Davi Arrigucci Jr. e José Miguel Wisnik, ambos falando sobre o homenageado da festa, Guimarães Rosa. Os pratos mais finos de um banquete intelectual inesquecível. E ainda houve a Ligia Fagundes Telles radiante e o Ziraldo pronto para mais algumas vidas. E, claro, o Chico Buarque.

Comments:




Paulo Sant'ana
15/07/2004


Organization!

Um homem processou na Justiça de Goiás um seu amigo que abusou dele em sessão de sexo grupal.

A decisão da Justiça goiana veio a público esta semana e está causando repercussão em todo o país.

Acontece que, por duas vezes, a suposta vítima concedeu praticar sexo em grupo do qual participava seu amigo e outras mulheres.

E por duas vezes, segundo a queixa do homem que se diz violentado sexualmente por seu amigo durante a sessão orgíaca, ele se tornou passivo de sexo anal.

Esse é um fato rotineiro nos relatos de camaradagem masculina, há sempre uma história desse tipo. É o clássico conto do homem que entra numa suruba para tornar-se sujeito ativo de sexo com mulheres e até mesmo homens - e na confusão que se estabelece no recinto acaba se tornando sujeito passivo.

Há até a anedota clássica do inglês que concordou em participar de uma bacanal e, passadas duas horas de orgia, ele ainda não tinha conseguido ser ativo em nenhum episódio, enquanto por três vezes já o tinham tornado passivo.

O inglês gritava assombrado no meio daquele tumulto todo: "Organization! Organization!"

O que espanta neste caso agora noticiado é que ele tenha ido parar na Justiça. E a Justiça decidiu com a seguinte sentença: "A prática de sexo grupal é ato que agride a moral e os bons costumes minimamente civilizados. Se o indivíduo, de forma voluntária e espontânea, participa de orgia promovida por amigos seus, não pode ao final do contubérnio dizer-se vítima de atentado violento ao pudor.

Quem procura satisfazer a volúpia sua ou de outrem, aderindo ao desregramento de uma bacanal, submete-se conscientemente a desempenhar papel de sujeito ativo ou passivo, tal é a inexistência de moralidade e recto(!) nesse tipo de confraternização".

O problema é que o queixoso alegou que, tendo sido "encestado", teve enorme prejuízo na tal confraternização.

Ele foi lá para se servir, acabou servido.

Chega a causar assombro que uma pessoa queira por alguma forma indenizar-se, moral ou financeiramente, por um ônus facilmente previsível no emaranhado de possibilidades que se proporcionam naturalmente nos jogos sexuais entre diversas pessoas de dois sexos.

Quem entra num torneio desses tem a obrigação de prever o que está por vir, não podendo se indignar depois, tem toda a razão o Tribunal em seu veredicto.

Participar de uma suruba em que há integrante do mesmo sexo pressupõe o risco do enfrentamento e da submissão, ainda mais que os celebrantes - ou litigantes - de tal ato coletivo no mínimo se mostram alcoolizados, estado que o queixoso reclama em que se encontrava quando seu amigo o sodomizou.

Integrar uma bacante dessas é um risco idêntico ao de ingressar no mercado de ações de uma bolsa de valores ou num cassino, a banca paga e recebe.

É um entrevero, um ninguém é de ninguém, um jogo de prazeres e de inconveniências, cada um tem de usufruir ou de se safar de acordo com as circunstâncias.

Ir queixar-se na Justiça por ter tido suposta desvantagem no lúdico empreendimento é o mesmo que concordar em participar de uma luta de boxe e querer processar o outro lutador por lesão corporal.

O queixoso idealiza regramento para um evento cujos pilares são exatamente a surpresa e a desorganização.

A única forma desse homem tirar o seu prejuízo é tentar a sorte em outro episódio libidinoso do mesmo tipo.

O perigo é viciar no prejuízo.
psantana.colunistas@zerohora.com.br

Comments:


Copa América
Brasil perde e pega o México



Já classificada às quartas-de-final da Copa América, Seleção é derrotada pelo Paraguai por 2 a 1 (foto Paulo Whitaker, Reuters/ZH)


Comments:

Quarta-feira, Julho 14, 2004




De olho no público masculino

Mercado cria cada vez mais produtos e serviços voltados para homens vaidosos
Silvana Caminiti

O homem está se tornando cada vez mais vaidoso, gerando boas oportunidades de negócios para empresas dos setores de varejo e serviços. Pesquisa do Sindicato da Indústria de Perfumaria e Artigos de Toucador no Estado de São Paulo (Sipatesp) mostra que os produtos masculinos de beleza já representam 15% sobre o total CFT do mercado somatório das vendas de todas as categorias de produto do mercado.

A pesquisa mostra ainda que esse mercado faturou, ano passado, quase R$ 500 milhões, sendo que 92% das vendas foram de perfumes, colônias e loções pós-barba. Para este ano, o setor espera crescer 20%.

Atenta a esses números, a rede de lojas Boticário vem investindo cada vez mais em seu portfólio voltado para o público masculino, que hoje conta com mais de 60 itens. O último lançamento, que chegou ao mercado este mês, é o perfume Malbec, produto que usa uma tecnologia inédita de fabricação, na qual foram investidos R$ 3,2 milhões.

Entre as linhas de produtos para homens, a perfumaria é a primeira categoria em importância para a rede, com 75% de representatividade, seguida por desodorantes, com 20%. Em termos de faturamento, a categoria masculina representa 34% do total de vendas da empresa, lembra Joner Dornelles, administrador de 21 lojas do Boticário no Estado do Rio.

De acordo com o empresário, a rede conta com uma variedade de itens e linhas específicas que atendem as necessidades masculinas, incluindo uma linha especial para cuidar da pele masculina, lançada há três anos. São produtos que agem como tratamento durante e após o barbear, com formulação com ativos modernos e inovadores, que não irritam a pele, explica Dornelles.

Boticário: 0800-413011
http://www.boticario.com.br

Comments:




Tux abre as asas sobre brasileiros

Mercado nacional de software livre vem crescendo a vôos largos
Mylène Neno



E não é que a camisa canarinho caiu muito bem no Tux? Também, com o crescimento progressivo do Linux por essas bandas... O mercado brasileiro das distribuições Linux crescerá a uma taxa anual de 9,62% até 2007, quando deverá bater a casa dos US$ 19 milhões. Esse ano, espera-se um crescimento ainda maior: 11,33%.

Os dados são de uma pesquisa do IDC Brasil, encomendada pela Oracle, que mantém todos os 700 servidores de seu datacenter nos Estados Unidos rodando sobre a plataforma, e desenvolveu a nova família 10g com foco nesse sistema aberto.

O sucesso de Tux e sua turma é inegável. Tanto que o Governo federal já avisou que o software livre terá preferência nas compras públicas. E esse relacionamento aberto não é de hoje. Ainda segundo o IDC, em 2002 o segmento governamental foi o principal consumidor da plataforma, com 35,82% do total do mercado.

Mas nem todo mundo vê com bons olhos essa preferência declarada, apontando um certo autoritarismo no incentivo do Governo ao uso (exclusivo) do software livre. Cabe ao usuário escolher o melhor para si. Ele não deve ser obrigado a nada. O futuro dirá que os sistemas livres e proprietários vão conviver amigavelmente, diz o advogado Fernando Stacchini.

Mesmo assim, esse sinal verde governamental vem aquecendo o mercado. A Cobra, por exemplo, lançou em junho seu próprio sistema livre, o Freedows. De olho no mercado internacional, a empresa de TI do Banco do Brasil se reuniu ontem com representantes do governo francês, em Paris, para apresentar o Freedows que está sendo traduzido para o português (Portugal), inglês, francês, espanhol e pasmem! mandarim.

Comments: