|
|
Sábado, Julho 24, 2004
Posted
7:41 PM by Cassiano Leonel Drum
Martha Medeiros
25/07/2004
S u c e s s o
Nossa velha e conhecida arrogância nos impede de reverenciar aquilo que está sendo gostado por muita gente
Você está numa loja de discos a fim de descobrir algo novo. Pega um CD aleatoriamente, bota pra tocar e adora. Você nunca tinha ouvido falar daquela banda, o disco foi recém lançado, sem divulgação. Você compra. E leva este segredo pra casa. Cada vez que mostra para os amigos, eles vibram. Virou seu disco de estimação. Dali a um mês você liga o rádio numa FM e está lá a sua música predileta, rodando entre o Bon Jovi e a Avril Lavigne. Caiu no mundo. Entrou nas paradas. Toca 26 vezes por dia. E pra coroar seu desespero, virou trilha de novela. O sonho acabou. O CD voa pela janela.
Acho que todo mundo já passou por isso: cultuar algum filme, música ou livro que, depois que cai na boca do povo, passa a merecer apenas desprezo. Por quê? Ora, por quê. Porque não pega bem render-se ao sucesso. Nossa velha e conhecida arrogância nos impede de reverenciar aquilo que está sendo gostado por muita gente. Se todo mundo está comprando, se todo mundo está falando bem, se a coisa "vende", eca, é porque não tem valor.
Que a gente deixe de escutar uma música por exaustão, entendo. Tudo que massacra, enjoa. Mas desprezar o sucesso pelo simples fato de ser sucesso é coisa pra se pensar. Existem dois tipos de "sucesso": aqueles fabricados do dia pra noite e com prazo Andy Warhol de validade (o grupo Rouge, pra citar um exemplo) e aqueles que começaram anônimos, atraindo apenas meia dúzia de antenados. Só que esta meia dúzia falou para mais meia dúzia, que passou a informação adiante e aí, um belo dia, ganha-se a mídia. Que maravilha. Que encrenca.
Iniciantes costumam merecer nossa condescendência. Salve, salve o alternativo. Mas o que fazer quando os alternativos são abençoados pelo mainstream? Transformamos condescendência em veneno. Fica combinado que ninguém realmente bom pode fazer sucesso, ganhar dinheiro e fugir das nossas mãos. Artista que deixa de ser apenas de uns e outros para ser de todos é o fim. Mídia, você sabe: é meio, média, medíocre, esta livre associação de palavras que faz babar de satisfação a elite cultural do país. Virou comercial? Aí tem. Ou melhor: não tem. Não tem mais talento, não tem mais afago. Se o povo gosta, aos narizes-empinados restará apenas nostalgia: "Ele era muito melhor quando ninguém o conhecia".
Tem gente que não tem talento, são novidades frugais, rapidinho passam. Tem gente que tem talento mas se acomoda: acaba esquecido, será recordado talvez numa retrospectiva da obra. E tem gente que tem talento, não se acomoda e passa o resto da vida se renovando, se reciclando, batalhando, sendo novo todo dia. Só assim serão perdoados por serem bons.
martha.medeiros@zerohora.com.br
Comments:
Posted
7:38 PM by Cassiano Leonel Drum
Luis Fernando Verissimo
25/07/2004
Músicos no céu
Não é a música a linguagem das esferas celestiais, o som humano que mais agrada aos ouvidos do Senhor, incluindo as duplas sertanejas?
Todos os músicos, quando morrem, vão para o céu. Muitos se surpreendem com isso. Não imaginavam que sua vida na Terra os levaria a qualquer outro lugar que não fosse o inferno - ou pelo menos um inferninho, onde seu castigo seria passar a eternidade num ambiente enfumaçado ouvindo bêbados pedir "Toca Feelings", e sem poder beber. Mas outros não demonstram nenhuma estranheza ao se verem no céu. Sabiam que o mesmo Deus que lhes dera o dom da música lhes daria a recompensa pelos sons que produziam em vida, apesar dos seus pecados.
Pois não é a música a linguagem das esferas celestiais, o som humano que mais agrada aos ouvidos do Senhor, incluindo as duplas sertanejas? Chegam no céu sem surpresa e vão logo procurar sua turma, certos de que todos estarão lá. E estão todos lá. Desde o primeiro pastor que fez buracos num talo e soprou na ponta até o inventor do sintetizador eletrônico. De Palestrina a Pixinguinha, de Salomão a Sinatra, passando por Bach, Beethoven, Brahms, Bela Bartok e Bororó. Até Nero está no céu, na sua condição de lirista amador.
Aliás, o músico recém-chegado ao céu se surpreende ao ver Nero tocando numa orquestra de liras e harpas, regida por um Stokovski obviamente enfarado. Toda a categoria está em volta da enorme orquestra de liras e harpas - músicos, cantores e compositores, entre mortos recentes e antigos - e todos demonstram o mesmo tédio do maestro. É evidente que ninguém agüenta mais ouvir liras e harpas. O recém-chegado senta-se numa nuvem ao lado do Perez Prado e pergunta se o concerto começou há muito tempo.
- Si - responde Perez Prado, com um bocejo.
- Ainda bem que já está acabando... - diz alguém do outro lado do recém-chegado, também bocejando. É Tchaikovski.
- E é sempre o mesmo programa... - diz Charles Trenet, sentado atrás.
- Depois melhora um pouco... - diz Franz Lizt, ao lado de Perez Prado.
- O repertório? - pergunta o novato.
- Não. O repertório é sempre o mesmo. Não existem muitas composições para orquestra de liras e harpas - diz Pablo Cassal.
- Mas aqui está cheio de compositores! Por que vocês não compõem música nova para orquestra de liras e harpas?
- Nos recusamos - diz Schubert.
- É a nossa maneira de protestar - diz Schumann.
- Protestar contra o quê? - quer saber o recém-chegado.
Mas a orquestra de liras e harpas parou de tocar. Ouvem-se aplausos esparsos e muitos suspiros de alívio.
- Agora vai melhorar um pouco - diz Liszt. - A outra orquestra, pelo menos é mais animada.
A orquestra só de liras e harpas é substituída por uma só de trombetas. Centenas de trombetas. O recém-chegado vê vários maestros num bolo fazendo um rápido torneio de par ou ímpar. O perdedor substituirá Stokovski e regerá as trombetas. O perdedor é Leonard Bernstein. Ele sobe no pódio, desolado.
A orquestra de trombetas é mesmo mais animada e toca mais alto do que a orquestra de liras e harpas, mas só toca fanfarras. Leonard Bernstein só precisa agitar as mãos no ar para reger as fanfarras. Acaba cansando e é substituído pelo Von Karajan. E as fanfarras continuam. Fanfarra atrás de fanfarra. Nem o Beethoven agüenta. O recém-chegado avista o Tom Jobim no meio da multidão agoniada e vai lhe pedir explicações. Por que os compositores não compõem coisas novas para as orquestras? É um protesto contra o quê? Tom explica:
- Os únicos instrumentos permitidos no céu são lira, harpa e trombeta.
- O quê?
- Pois é. Os primeiros músicos que morreram trouxeram as liras e as harpas. Depois ninguém pôde trazer mais nada.
- E os tocadores de trombeta?
- Estes entraram porque tinham pistolão.
- O anjo Gabriel...
- É. E ele ainda toca. De vez em quando dá uma canja com a turma. Mas também só sabe fanfarra.
- Quer dizer que nem um violãozinho?
- Nem um violãozinho. Eu ainda pedi para experimentar fazer uma bossinha, eu na lira, o Chet na trombeta e o Ciro Monteiro na caixinha de fósforo. Mas não deixaram. Só eles podem tocar.
- Os que vieram depois não podem tocar nada?
- Nada. Sabe como é: sindicato forte...
Mas pouco depois o recém-chegado cruzou com o Sibelius e o Carlos Gardel, que o convidaram para uma sessão clandestina. Numa boca do céu que nem Deus conhecia. O Charlie Parker ia tocar. Charlie Parker? Mas como...
- Ssshh. Ele conseguiu entrar com uma gaitinha de boca.
Comments:
Posted
7:36 PM by Cassiano Leonel Drum
Moacyr Scliar
25/07/2004
O elogio da madrasta
Desfazer os mitos que cercam a figura tornou-se questão fundamental para sobrevivência da família
Em O Elogio da Madrasta, Mario Vargas Llosa nos fala das fantasias do jovem Fonchito em relação a Lucrecia, segunda esposa de seu pai, Don Rigoberto. O livro é, claro, uma gozação, mas provavelmente é a única obra na literatura mundial em que a palavra "madrasta" está associada à palavra "elogio".
Há cerca de 900 histórias sobre o tema da madrasta (Branca de Neve e Cinderela são as mais conhecidas) e todas elas seguem o mesmo paradigma: madrasta é uma figura sinistra, malvada. E não estamos falando de narrativas do passado: num filme de 1988, Minha Madrasta é uma ET, a madrasta (Kim Basinger) vem do espaço para seduzir um astrônomo (Dan Aykroyd) com o propósito de obter certos segredos sobre o cosmos.
Não precisaríamos ir à literatura ou ao cinema: o folclore sobre o tema é bem conhecido, como o são as usuais expressões. A vida lhe foi madrasta, dizemos de alguém que sofreu muito. Conclusão: o termo não goza de muito prestígio.
Curioso é que a imagem do padrasto não é tão ruim. Porque a substituição da mãe, figura psicologicamente poderosa, é que incomoda. Incomoda os filhos, naturalmente. Mas incomoda as madrastas. Que são cada vez mais freqüentes, sobretudo em função dos divórcios e separações: nos Estados Unidos, uma em cada quatro crianças tem uma madrasta. Desfazer os mitos que cercam a figura da madrasta tornou-se questão fundamental para a sobrevivência da própria família.
No penúltimo domingo, o jornal O Dia, do Rio de Janeiro, trouxe uma matéria interessante. Existe agora uma associação da madrastas, mulheres que se reúnem para discutir suas relações familiares. A iniciativa foi da arquiteta Roberta Palermo, que até criou um site especializado, www.madrasta.hpg.ig.com.br, que hoje conta com quase mil participantes no Brasil. As madrastas que se reúnem no Rio têm até uniforme: uma blusa com a inscrição "100% Madrastas". Ou seja: são pessoas que, em vez de sofrer em silêncio, resolveram enfrentar o problema da relação com enteados.
E existe, sim, o que fazer. Para começar, a mulher que está iniciando uma relação com um viúvo ou divorciado com filhos precisa saber o que vai encontrar. É bom saber tudo sobre essa família, inclusive e principalmente os problemas que enfrenta, e que daí em diante serão problemas da madrasta também. O relacionamento tem de ser feito num clima de respeito, de afeto - e de realismo: a madrasta está ocupando o lugar que pertenceu a uma outra pessoa, e isto precisa ficar claro para todos na família.
Para desempenhar este papel não há receitas específicas: cada caso é um caso. Mas uma coisa é certa: a relação entre marido e mulher é prioritária, é fundamental, e servirá como fator de estabilização. Também é importante que haja uma relação no mínimo sensata com a ex-esposa. Finalmente, é bom lembrar que há terapeutas especializados em ajudar famílias. Na dúvida, é melhor consultá-los.
Madrastas não precisam de elogios. Mas precisam de equilíbrio emocional. Como, aliás, qualquer outra pessoa.
scliar@zerohora.com.br
Comments:
Posted
7:34 PM by Cassiano Leonel Drum
Paulo Sant'ana
25/07/2004
O fogo da música
Ainda hoje sinto a mesma ânsia de que era tomado quando menino: sair correndo atrás da banda que passava, acompanhá-la até que ela saísse de formação.
Ainda hoje sinto o mesmo impulso que me fazia acompanhar o corso de cordões carnavalescos, tanto no Carnaval do Partenon quanto no da Rua da Margem e às vezes até no da Borges de Medeiros, seguindo atrás das baterias e dos instrumentos de sopro até que deixassem de tocar e de dançar, lá adiante, longe dos coretos e do público assistente.
Desde criança, sempre fui atraído hipnoticamente pelo som das orquestras e bandas, não me satisfazendo em assistir a elas, mas acompanhando-as em seus percursos, no sonho impotente de integrá-las.
Noto agora que nunca deixei de parar como transeunte, desde criança até a maturidade, sempre que numa esquina ou calçada houvesse um músico solitário ou um grupo de músicos e cantores a tocar ou cantar para os passantes, na Rua Voluntários da Pátria ou em Paris.
Nas vagabundagens da minha meninice, me via atraído ao longe pelo som dos violões e dos cavaquinhos e lá ia eu "costeando os alambrados", a juntar-me embevecido aos grupos de músicos que se reuniam em torno das jurubebas, debaixo das bergamoteiras.
Desde a infância sempre me extasiei com o som melífluo dos banjos e dos bandolins e com o matraquear dos surdos, dos sopapos e dos tamborins.
E sempre fiquei absorto, contemplativo e impregnado de intensa emoção quando em qualquer lugar, nalgum canto de arrabalde, numa roda de samba de terreiro ou nos salões requintados alguém se punha a cantar, cercado de ajuntamentos participativos ou de inebriados auditórios.
Se há um momento em que me desligo de todas as preocupações é quando anunciam um coro ou orfeão. Para mim, talvez só a dança supere em poesia um conjunto de vozes afinadas desfiando harmonicamente os versos e notas musicais de uma canção folclórica ou de um hino.
E se me dominam assim os meus sentidos quaisquer manifestações melódicas ou rítmicas, a ponto de me fazerem ingressar num verdadeiro delírio hedônico quando espocam os primeiros acordes de uma orquestra ou os anúncios de uma escola de samba entrando na avenida, natural que, a exemplo de legiões de pessoas, a minha maior frustração foi sempre a de nunca ter estudado música e nunca ter tocado um instrumento.
Olho os músicos com o respeito reverencial que dedico aos médicos, como se eles fossem deuses, agentes da minha salvação.
Driblei sempre esta decepção de a vida ter-me privado do direito de ser músico com aventuras audaciosas em recitais em que me insinuei junto a cantores e cantoras, participando de seus shows.
Já cantei aqui e no Rio de Janeiro com Alcione, João Nogueira, Paulinho da Viola, Neguinho da Beija-Flor, Jamelão, Lupicínio Rodrigues e tantos outros.
A minha segunda grande façanha foi ter cantado numa edição do Jornal do Almoço com o grande e célebre Armando Manzanero ao piano, o minúsculo índio iucatenho, a composição de autoria dele que é considerada o maior bolero de todos os tempos: Contigo Aprendi.
Só superada por aquela noite em que, transido de nervosismo, com o Beira-Rio quase lotado, Julio Iglesias anunciou: "Que venga cantar comigo ahora mi amigo Paulo Sant'Ana".
Tanto Manzanero quanto Julio Iglesias estavam acolhendo por alguma forma humana e solidária, na carona da sua arte, o excitado menino do Partenon que se embarafustava todos os dias pelos quintais das cercanias para se deslumbrar com as sinfonias cativantes dos músicos e cantores arrabaldinos.
psantana.colunistas@zerohora.com.br
Comments:
Posted
7:32 PM by Cassiano Leonel Drum
História
Os novos imigrantes estão chegando
Depois de 180 anos, alemães repetem o caminho de seus antepassados e formam outra onda de migração. São pessoas como o aposentado Rudolf Milas, que trocou a Alemanha por amor a Ingrid Schlender, de Alecrim (foto Paulo Vilani, especial/ZH)
Comments:
Posted
2:42 PM by Cassiano Leonel Drum
Tales Alvarenga
Heróis no túmulo
"A maioria das pessoas consideradas heróicas matou ou foi morta. As sociedades aceitam e estimulam esse ritual"
O presidente Lula lançou na semana passada uma campanha para "resgatar a auto-estima do brasileiro". Segundo o presidente, o brasileiro não tem heróis, além de esportistas como Ayrton Senna ou Pelé. Lula acha que não é suficiente. "Em qualquer lugar do mundo a que vou, tenho de levar flores ao túmulo do herói nacional.
A gente não tem a figura que todo país do mundo tem." Ainda bem que é assim. O Brasil precisa de gente bem equipada em matéria de cérebro, imaginação, audácia e capacidade de liderança. O Brasil não precisa de heróis com túmulos floridos, como quer Lula.
O herói, de maneira geral, é uma figura simbólica, escalada para representar valores que inspirem a sociedade. No processo de criação de um herói, há uma dose alta de manipulação na qual a pessoa é aliviada das imperfeições humanas para funcionar como objeto de culto.
A maioria das pessoas consideradas heróicas matou ou foi morta. As sociedades aceitam e estimulam esse ritual. Do contrário, seria impossível convencer jovens a ir morrer em guerras, revoluções ou campanhas terroristas.
Entre os grupos radicais muçulmanos, Osama bin Laden e sua gangue dos 19 são heróis. Fora de seu círculo de admiradores, são assassinos. Os franceses ergueram um imponente mausoléu para Napoleão Bonaparte, seu herói. Pergunte a um russo, a um austríaco, a um alemão ou a um inglês o que acha de Bonaparte. Os ingleses preferem o duque de Wellington, que derrotou Napoleão na Batalha de Waterloo, em 1815.
O mausoléu de Napoleão em Paris só perde em exibicionismo mortuário para os túmulos de Vladimir Lenin e Mao Tsé-tung. Lenin e Mao tiveram o cadáver embalsamado e colocado em exposição pública dentro de urnas de cristal, como a Branca de Neve.
A múmia de Lenin foi para um subsolo da Praça Vermelha, em Moscou, e a de Mao, para um salão erguido na Praça da Paz Celestial, em Pequim. Esses dois cavalheiros, heróis do comunismo na União Soviética e na China, iniciaram em seus países regimes totalitários que fizeram milhões de vítimas.
As estátuas de Lenin foram derrubadas quando a União Soviética implodiu. Mao continua firme em seu pedestal na China, mas tem os dias contados como semideus. Obviamente, traços heróicos marcaram os grandes nomes da história, como Bonaparte, Mao e Lenin.
O que se procura aqui não é negar as qualidades que esses homens tiveram em vida. É simplesmente mostrar que esse negócio de herói é muito relativo. Os heróis costumam perder substância quando despojados da mitologia que os cerca.
Duvido que Lula tenha sido convidado a depositar flores em monumentos erguidos para celebrar gênios da arte, da ciência, grandes pensadores ou estadistas brilhantes que nunca estiveram metidos numa guerra. Estas são grandezas que deveriam ser celebradas.
Outra é aquela que algumas pessoas encarnam no cotidiano, sem espalhafato. Se você comparece a uma creche toda semana para cuidar de crianças abandonadas ou se vai a um asilo para trocar fraldas de velhos, sem remuneração nem glória pública, você também é um herói. Pelo menos, o meu herói.
E meu também
Comments:
Posted
9:28 AM by Cassiano Leonel Drum
Diogo Mainardi
Perde Brasil
"Usar dinheiro público para patrocinar o time de voleibol a gente engole. Para patrocinar a torcida é demais. O Banco do Brasil irá gastar 9,5 milhões de reais para patrocinar a torcida brasileira nas Olimpíadas. O jeito é torcer contra nossos atletas"
O time de voleibol do Brasil acaba de conquistar a Liga Mundial. As finais foram em Roma. Os torcedores brasileiros ocupavam um setor inteiro das arquibancadas. Vestiam camiseta amarela, com a marca do Banco do Brasil.
Usar dinheiro público para patrocinar o time de voleibol a gente engole. Usá-lo para patrocinar a torcida é demais. O departamento de marketing do Banco do Brasil irá gastar 9,5 milhões de reais para patrocinar a torcida brasileira nas Olimpíadas de Atenas. O mote da campanha é Brilha Brasil. O jeito é torcer contra nossos atletas. Perde, Brasil.
Além de patrocinar a torcida do time de voleibol, o Banco do Brasil está patrocinando a torcida pela reeleição de Lula. Dois dos maiores dirigentes do banco, Henrique Pizzolato e Ivan Guimarães, trabalharam na última campanha presidencial lulista, respectivamente como arrecadador de fundos e coordenador financeiro.
Pizzolato foi premiado com o cargo de diretor de marketing do banco e é responsável pela campanha Brilha Brasil. Guimarães tornou-se presidente do Banco Popular do Brasil e é acusado de ter defendido o patrocínio de 5 milhões de reais aos cabos eleitorais petistas Zezé di Camargo e Luciano. O Banco do Brasil gastou 70.000 reais nos espetáculos em que a dupla sertaneja arrecadou fundos para a construção da nova sede do PT.
Pizzolato e Guimarães são ligados à CUT, que tem contado com o patrocínio do Banco do Brasil em seus principais eventos, como a festa de vinte anos e o oitavo congresso nacional. Lula é a grande atração da TV CUT, programa semanal feito pelos mesmos publicitários que administram a conta de propaganda do Banco do Brasil. Uma conta que vale 142 milhões de reais anuais.
Quem cuidou do dinheiro de Lula na campanha eleitoral agora cuida de nosso dinheiro no Banco do Brasil. Quem cuidou de sua segurança agora cuida de nossa segurança. Um dos guarda-costas de Lula, Francisco Baltazar da Silva, foi nomeado superintendente da Polícia Federal de São Paulo. Atualmente, está sendo investigado pela compra de 134 600 dólares através do doleiro Toninho da Barcelona. Outro guarda-costas de Lula, Mauro Marcelo de Lima, ganhou a função de diretor-geral da Abin, nosso serviço de espionagem.
Entre suas credenciais, há um curso de dublagem e uma ponta numa telenovela de 1982, Elas por Elas. Agente secreto com pendores artísticos é sempre uma temeridade. Em seu discurso de posse, algumas semanas atrás, Mauro Marcelo admitiu estar na "torcida por um bis" presidencial de Lula. O serviço de espionagem dos Estados Unidos, no passado, também torceu pela reeleição de um presidente. O resultado foi Watergate.
As campanhas pelo time de voleibol e pelo bis de Lula só perdem para a campanha pelo desarmamento. O sofisma é o seguinte: o cidadão corre mais riscos com uma arma na mão do que sem ela. O que se pretende demonstrar é que a responsabilidade pelo crime é nossa, não do poder público.
Se os guarda-costas de Lula não sabem defender a população, então não podem impedi-la de tentar se defender por conta própria, mesmo que de maneira desastrada. Bem mais honesto do que desarmar o cidadão com falsos argumentos seria oferecer-lhe um curso de tiro e defesa pessoal. Todo mundo com uma arma no coldre e andando a cavalo. Perde, Brasil.
Comments:
Posted
9:14 AM by Cassiano Leonel Drum
Ponto de vista: Lya Luft
Falta alegria em nossas vidas
"Erico Verissimo, velho amigo amado, uma de minhas mais duras perdas, me disse quando eu era muito jovem: 'Lya, em certos momentos o que nos salva nem é o amor, é o humor'"
Meu Deus, como andamos chatos, dei-me conta outro dia.
Não paramos de reclamar. Muitas vezes com razão: os impostos, o custo de vida, o desemprego, a violência, a prolongada adolescência dos filhos, a súbita falsidade de alguém em quem confiávamos tanto, a velhice complicada dos pais, a pouca autoridade das autoridades, a nossa própria indecisão. As rápidas mudanças na sociedade, alguns ainda tentando arrastar o cadáver dos valores que precisam ser mudados, outros tentando impor a anarquia quando a gente devia era renovar, não bagunçar.
Pensei que uma das coisas que andam ficando raras é a alegria, e comentei isso. Alguém arqueou uma sobrancelha:
Alegria? A palavra está até com cheiro de mofo... Tanta coisa grave acontecendo, tanta tragédia, e você fala em alegria?
Ilustração Ale Setti
Pois comecei a me entusiasmar com a idéia, e provocativamente fui contando nos dedos os motivos que deveriam levar a que o grupo se alegrasse: a lareira crepitava na noite fria, uma amizade generosa circulava entre nós, três bebês dormiam ali perto, na sala ao lado, ouviam-se risadas e, apesar de sermos na pequena roda mais ou menos calejados pelas perdas da vida, tínhamos os nossos ganhos em experiência, amores, conhecimento, esperança.
Nenhum de nós desistira da jornada. Nenhum de nós era um malfeitor, um ser humano desprezível, ao contrário: a gente estava na luta, tentando ser decente, tentando superar os próprios limites.
Havia marcas da passagem do tempo em todos os rostos: ninguém se fizera deformar pelo fanatismo da juventude eterna, mas todos se gostavam o suficiente para não se deixar cair feito um trapo velho.
Olhei em torno e gostei de nós: ali se viam belos cabelos pintados e belos cabelos brancos, rostos interessantes que tinham visto muita coisa, bocas marcadas que haviam dado muitas risadas e pronunciado palavras amorosas, mas também falado coisas duras, silenciado quem sabe ternuras difíceis, ocultado queixas que deveriam ter sido lançadas.
Mãos que tinham segurado bebês, conduzido crianças, confortado adolescentes, cuidado de velhos doentes, fechado pálpebras, dirigido automóveis, segurado ombros, fendido ondas, tapado o rosto em pranto solitário quantas vezes?
Éramos tão humanos, tão desvalidos e tão guerreiros, o pequeno grupo de amigos diante de uma lareira na noite fria, como centenas, milhares de outros, homens, mulheres, crianças, entre os dois mistérios do nascer e do morrer.
Repeti a minha pequena heresia:
Eu acho que uma das coisas que andam faltando, além de emprego, decência e tanta coisa mais, é alegria. A gente se diverte pouco. Andamos com pouco bom humor.
Erico Verissimo, velho amigo amado, uma de minhas mais duras perdas, me disse quando eu era muito jovem: "Lya, em certos momentos o que nos salva nem é o amor, é o humor".
Um riso bom ou um sorriso terno em meio a toda a crueldade, falsidade, hipocrisia, violência de acusações abjetas, de calúnias vis, de corrupção escandalosa, de desagregação familiar melancólica, de mentira secreta e venenosa podem nos confortar e devolver a esperança.
Lya Luft é escritora
Comments:
Posted
9:02 AM by Cassiano Leonel Drum
Marketing no cardápio atrai cliente
Livro prova que só propaganda boca-a-boca não é suficiente para bares e restaurantes
Silvana Caminiti
Lançado pela Editora Senac, o livro Marketing para Bares e Restaurantes, do empresário e advogado Percival Maricato, contesta mitos como o de que a propaganda boca-a-boca é a melhor forma de divulgação e de que o marketing é acessível apenas a grandes estabelecimentos. No setor há 30 anos, Maricato dá algumas dicas importantes:
Investimento mínimo: bar simples, R$ 25 mil; restaurante simples, R$ 35 mil.
Margem de Lucro: 15%, quando o negócio vai bem.
Marketing: investimento de 3 % do faturamento.
Pesquisa de mercado: aponta se há receptividade para o negócio e o perfil dos clientes em potencial.
Retorno do investimento: um ano, para bares e restaurantes que fazem muito sucesso; dois anos, para os que obtêm bom resultado.
Cardápio: enxutos, os muito variados exigem estoques abarrotados.
Facilidades: tíquetes, cartões de crédito e de débito e cheques representam 70% do faturamento, portanto, deve-se oferecer facilidades nos meios de pagamento.
No Rio, um dos estabelecimentos que Maricato considera exemplo de sucesso é o restaurante Casa da Feijoada, em Ipanema. Quando o empresário Leonardo Braga abriu a casa, disseram que o negócio não daria certo, porque a feijoada é considerada um prato pesado. Temia-se que a casa ficasse vazia durante a semana, com público apenas aos sábados, lembra Maricato.
No entanto, como aponta Maricato, o resultado foi outro. O empresário soube montar uma estratégia de marketing voltada tanto para cariocas, quanto para turistas. Ele também divulgou a casa em hotéis, protegeu a casa com seguranças e prontificou-se a receber caravanas de turistas, além de criar a feijoada delivery. Resultado: um negócio bem-sucedido, diz o escritor.
Casa da Feijoada: (21) 2247-2776
Comments:
Posted
8:56 AM by Cassiano Leonel Drum
Ai, ela está descontrolada
Nalva de Tânia Kalil bebe demais e fala na frente de todo mundo que deseja o cunhado Viriato
Marcelle Carvalho
Desde que Nalva (Tânia Kalil) confessou a Viriato (Marcello Antony) que é apaixonada por ele, a moça não consegue mais segurar seus impulsos, em Senhora do Destino. Não satisfeita em agarrar o cunhado em plena praça pública, tendo como testemunhas Plínio (Dado Dolabella) e Sebastião (Nelson Xavier), a moça vai aprontar mais uma movida pelo calor da paixão, em cena que deverá ir ao ar daqui a três semanas.
Dessa vez a cena constrangedora será no dia do aniversário de Nalva, comemorado na quadra da escola de samba Unidos de Vila São Miguel, da qual é destaque. Ela bebe e quando Viriato vai abraçá-la para dar os parabéns, Nalva ataca o cunhado e diz tudo que sente por ele na frente de toda a família, adianta Aguinaldo.
A atitude de Nalva vai cair como uma bomba na família. Vai ser um escândalo. E ela não vai mais ficar à vontade perante todos que estavam na quadra. Como a situação ficará insustentável, Giovanni (José Wilker), que é presidente da escola de samba, vai conseguir um contrato para ela fazer shows com outras passistas na Itália, avisa o autor.
O curioso é que tal situação saia-justa não é somente fruto da imaginação do autor. Aguinaldo comenta que o triângulo amoroso entre Leandro (Leonardo Vieira), Nalva e Viriato foi retirado da vida real, de parentes de um antigo amigo dele. Eu vi esse triângulo acontecer, na época em que ia a Caxias visitar um amigo. A família dele era grande, sempre tinha um aniversário e, num desses, o inesperado aconteceu. A mulher disse que frente de todo mundo que tinha vontade de agarrar o cunhado, que não agüentava mais fingir que não sentia nada por ele, relata.
Na vida real, Aguinaldo conta que os cunhados acabaram se casando. Mas que na ficção, as coisas não devem seguir esse caminho. Viriato é apaixonado por Maria Eduarda (Débora Falabella), é o amor Romeu e Julieta da novela, porque são separados pela impossibilidade de haver uma relação entre as duas famílias no caso por causa do nível social entre elas, diz Aguinaldo, deixando os fãs do casal mais aliviados
Comments:
Posted
8:45 AM by Cassiano Leonel Drum
Bonequinha de luxo
O figurino de Débora Falabella, a Duda de Senhora do Destino, é só doçura
Márcia Disitzer e Mariana Salim
Sílvia de Souza e as figurinistas Beth Filipecki e Regina Carvalho
O figurino de Duda, personagem de Débora Falabella na novela Senhora do Destino, tem chamado a atenção de quem gosta de moda. Inspirado na fada Sininho, com um quê de Audrey Hepburn, as peças usadas pela atriz na televisão já caíram no gosto popular. Os telefones da central de atendimento não param de tocar. Todo mundo quer saber de onde é a borboleta que ela usa no cabelo e a blusa transparente da abertura. E todas as grifes querem vesti-la, conta, orgulhosa, a figurinista da novela, Beth Filipecki.
Sobreposição de camisetas da loja Tempo 4, jeans Mara Mac e bolsa de vime acervo da figurinista
A imagem visual de Duda foi concebida por Beth com a assessoria da consultora de estilo Sílvia de Souza, que imprime nos personagens tendências do universo da moda. As roupas da personagem foram aprovadas com louvor pela atriz. Tenho me policiado para não sair vestida de Duda, diverte-se.O figurino mistura peças com memória, como as de brechó, com outras cheias de modernidade. Como ela é a Sininho, colocamos no cabelo prendedores em forma de borboleta e flor, explica Beth. E as roupas encaixaram com a Débora, que tem frescor e um lado muito romântico, emenda a figurinista.
Blusa Agilitá, saia acervo e bolsa Osklen
No guarda-roupa de Duda, um mix típico das meninas contemporâneas. Tem peças da Maria Bonita Extra, Osklen e Mr. Cat; outras foram compradas em Paris e muitos acessórios de marcas supernovas, como a borboleta do cabelo que é da Mugia. Já a blusa da abertura é de brechó, continua Beth. Segundo Sílvia de Souza, Duda antecipa o que será moda no verão 2005. Ela usa o revival dos anos 50 e investe em roupas com toque romântico. São saias rodadas, blusas delicadas e escarpins, exemplifica Sílvia, que elogia a elegância da atriz: É a própria Audrey Hepburn.
Comments:
Posted
8:39 AM by Cassiano Leonel Drum
Cláudia Laitano
24/07/2004
Com outros olhos
Uma das experiências mais geniais quando a gente convive com crianças é assistir ao exato instante em que elas aprendem alguma coisa nova. Se você parar e prestar atenção, quase dá para ouvir o barulho do cérebro se ajeitando para receber a informação recém-chegada. O olhar pára, ainda desconfiado, o sorriso se ilumina.
Enquanto isso, em algum canto desconhecido daquela inteligência absolutamente insaciável, velhas hipóteses são descartadas e outras tantas começam a surgir, apontando para direções imprevisíveis, sempre um pouco mais adiante, ao infinito e além. Um pequeno passo para a humanidade, um grande passo para um homenzinho.
Christopher Boone, narrador de O Estranho Caso do Cachorro Morto (Record, 287 páginas, R$ 34,90), livro do escritor inglês Mark Haddon que se transformou em fenômeno editorial na Inglaterra e nos Estados Unidos no ano passado, não é um menino comum. Na verdade, ele já tem 15 anos, mas a maneira como ele conta sua história obriga os adultos a verem a realidade com os olhos de quem ainda não domina totalmente as regras a que o mundo dos adultos obedece.
Gênio da matemática (sabe de cor todos os números primos até 7.507), Christopher sofre da Síndrome de Asperger, um tipo de autismo que o torna incapaz de mentir, de entender metáforas ou de decifrar emoções. Ele é um estrangeiro num ambiente hostil e caótico - o dia-a-dia comum. Sua única arma é a lógica, que se revela uma espadinha de madeira quando o assunto são as relações humanas.
O fascinante nesse livro - um tanto sombrio demais para ser classificado imediatamente como infanto-juvenil, mas diversão garantida para adultos de todas as idades - é exatamente o contraste da lógica muito peculiar do narrador com a mixórdia em torno dele: pais que seguram a barra de ter um filho autista, traições, mentiras, pequenas vilanias.
Sem estragar a surpresa do livro, dá para adiantar que Christopher se sai muito bem na tarefa de sobreviver a toda essa confusão com as poucas armas de que dispõe. O narrador que não entende emoções comove todos os leitores que um dia foram crianças.
claudia.laitano@zerohora.com.br
Comments:
Posted
8:37 AM by Cassiano Leonel Drum
Paulo Sant'ana
24/07/2004
Ensarilhar armas!
É inacreditável, mas duas pessoas compareceram anteontem à Polícia Federal, no Rio de Janeiro e na Paraíba, fazendo entrega de duas granadas, uma cada uma, às autoridades.
Esta campanha pelo desarmamento tabelou como preço de indenização por cada granada entregue R$ 300, valor igual ao pago por um fuzil e superior aos R$ 200 por carabinas e rifles e os R$ 100 que são pagos a quem entregar um revólver.
A portaria que rege a entrega dessas armas é taxativa num ponto: as autoridades não podem interrogar as pessoas que entregam suas armas, que têm o direito de manter em sigilo a sua origem.
Mas suscita curiosidade o fato de um cidadão ter em sua residência uma granada de uso exclusivo das Forças Armadas. Essa granada entregue no Rio de Janeiro estava em razoável estado de conservação e com o pino intacto.
Eu fico a pensar nos motivos que estão levando as pessoas a entregar seus armamentos à polícia, já tendo sido arroladas mais de 6 mil armas levadas às autoridades de maneira espontânea.
Será a dificuldade econômica o que as leva a faturar centenas de reais que podem tirá-las de alguma dificuldade financeira?
Não creio que seja só isso, essa campanha do desarmamento despertou um certo ardor cívico nas pessoas, que parecem se nutrir da esperança de que, sendo desarmados os cidadãos, será atenuado o nível assustador da criminalidade que grassa no país.
A idéia de recolher as armas pagando indenização por elas saiu de uma mente privilegiada.
Calcula o Ministério da Justiça que até o fim do ano devem ser arrecadadas de 150 mil a 200 mil armas.
Ontem à tarde, houve a arrecadação mais retumbante: a filha de um colecionador entregou à polícia 1,3 mil armas, entre revólveres, pistolas, morteiros, granadas, bazucas e explosivos.
Receberá por esse lote, que teve de ser carregado num caminhão, a importância de R$ 200 mil. Sensacional!
E a ordem na Polícia Federal é não fazer qualquer pergunta às pessoas que entregam as armas, esta discrição é o penhor para o sucesso da campanha: se as pessoas fossem obrigadas a se explicar sobre a origem das armas, isso as inibiria e as armas iriam permanecer em perigosa clandestinidade.
Seria arriscado prever que a maioria das armas em poder dos cidadãos não será entregue? Talvez. Mas esta anistia que o governo concedeu a quem portar armas, estimulando ainda a sua entrega pela indenização em dinheiro, revela um entusiasmante espírito de civilidade entre a população.
Estabeleceu-se uma relação de confiança entre o governo e seus governados. E o comovente é que essas pessoas que estão entregando suas armas são gente de bem, que, afora os colecionadores, mantinham armas em suas casas com a intenção de defender-se de agressões.
A cidadania está cumprindo com o seu dever, desarmando-se. Cabe agora aos governos retribuir este desprendimento ao aperfeiçoarem-se no combate ao crime e na proteção dos desarmados.
É indispensável que ninguém no futuro venha a arrepender-se de entregar a sua arma.
psantana.colunistas@zerohora.com.br
Comments:
Posted
8:34 AM by Cassiano Leonel Drum
Violência
Menino morre na Guerra da Cruzeiro
Para participar de congresso mundial de educação, Lula fez rápida visita a Porto Alegre, pronunciou um discurso sem metáforas e prometeu um sistema informatizado para controlar a freqüência nas escolas brasileiras (foto Júlio Cordeiro/ZH)
Comments:
Sexta-feira, Julho 23, 2004
Posted
9:54 PM by Cassiano Leonel Drum
23/07/2004 - 17h27m
Globo Online
Atriz faz a linha reservada e revela que desejava ser palhaça quando era criança
RIO - A novata Gisele já é da turma que fala de trabalho numa boa mas fica tensa quando o assunto é vida pessoal.
- O que me assusta é essa exposição exagerada que muitos atores escolhem. Eu faço novela, mas a minha vida não é uma novela. Existem atores consagrados que não saem por aí divulgando tudo sobre suas vidas. Gostaria que o público sonhasse com a vida da minha personagem, não com a minha vida fora da TV - alfineta ela, admitindo estar mais solteira do que nunca.
- Faz um tempo que estou solteira, mas neste momento é melhor assim. Sou uma pessoa que gosta de namorar e de ter alguém para dividir o cotidiano. Agora prefiro me voltar somente para o trabalho.
Aos 22 anos, Gisele admite que gosta de fazer programas normais de jovens de sua idade.
- Adoro ficar trancada no quarto vendo DVDs. Mas também curto sair para dançar com as minhas amigas, aliás, vou fazer isso hoje! - conta a atriz, que antes de seguir a carreira artística emprestou sua beleza a editorias de modas e desfiles. E, mais cedo ainda, tinha o sonho de ser palhaça.
- Lembro que nos carnavais da minha infância eu me vestia de palhaça, pegava qualquer livro e começava a ler trechos para os meus pais. E era uma menina muito curiosa, adorava ler tudo, de bula de remédio a outdoors - finaliza.
Comments:
Posted
9:41 PM by Cassiano Leonel Drum
Rio, Versão impressa
Homens rústicos que choram por amor
Simone Mousse
O sucesso que Malvino Salvador e Eriberto Leão vêm fazendo como os peões tudo-de-bom de Cabocla, segundo eles, tem uma explicação: são machões e frágeis ao mesmo tempo. Capazes de matar aqui e chorar de amor ali. Um tipo que agrada. Falante e extrovertido, Malvino, o Tobias, conta que já sofreu, e muito, por amor. Eriberto, o Tomé, mais contido, também confessa: aos 16 anos uma menina partiu seu coração. Mas levantaram poeira e hoje as fãs é que estão com os corações partidos.
A virilidade dos dois, por serem do campo, algo bem brasileiro, agrada. Está no inconsciente coletivo do povo arrisca Malvino. Nossa amizade também transparece. Ficamos amigos no dia em que fizemos o teste.
O sucesso vem dessa mistura da rudeza com a sensibilidade. O lado feminino em um homem é importante opina Eriberto.
Tobias e Tomé são dois rejeitados, qualquer mulher tem vontade de levá-los para casa. Mas sofrer por uma paixão não-correspondida não é privilégio somente dos personagens. Homem que é homem... fica deprimido quando leva um fora!
Na última vez que eu sofri muito por amor, muito mesmo, perdi três quilos. A menina me deixou mal. Mas foi só uma semana! Se eu fosse o Tobias não ficaria correndo atrás da Zuca ( Vanessa Giácomo ) assim garante Malvino.
Claro, já estaria atrás da Mariquinha ( Carolina Kasting ) brinca Eriberto.
Pegando o gancho, quando o comentário é Bem que Tobias já deu uns beijos na Mariquinha mesmo..., a resposta de Malvino é titubeante:
Desde o começo ele dá mole para ela. Não que fosse trair Zuca ou que seja safado. É que...
Ele é homem! emenda Eriberto.
Machismos e risadas (muitas, aliás) à parte, é bom saber que Eriberto, depois de seu momento desembaraçado, acaba confessando:
Minha primeira namorada me trocou por outro. Também perdi peso, fiquei mal por mais de uma semana, achava que nunca mais seria feliz. Vamos sempre sofrer por amor, mas a felicidade não está no outro, e sim em nós. Se o outro não quer participar disso, paciência. Fechamos o canal até a hora que aparecer alguém que possa sintonizar conosco. Este lado racional me ajuda a lidar com os problemas de amor.
Os dois acham que não são tão machistas, só um pouquinho. Coisas da sociedade. Eriberto, por exemplo, diz que compreende melhor a traição masculina do que a feminina.
É algo que tenho que trabalhar em mim, porque sei que é uma bobagem explica. Eu perdoaria uma traição. Mas não porque sou bonzinho, e sim porque aí eu me livro de sentimentos negativos que vão me prejudicar.
Já Malvino tem outra teoria:
Homens e mulheres deveriam ser mais verdadeiros, ir de cabeça nas relações. Quando eu me apaixono é para valer. Tem muita gente que gosta de fazer joguinhos. Isso é influência das revistas femininas, que dizem: Faça isso ou aquilo que ele vai cair aos seus pés. Mata a espontaneidade!
Eriberto complementa:
A liberdade sexual e intelectual da mulher é recente. O feminismo bateu num extremo em que a mulher passou a ser um pouco masculina em suas atitudes. Passou a fazer o que antes criticava. É por isso que hoje é comum ficarem com vários caras.
A fidelidade é sagrada para a dupla. É a palavra-chave de um relacionamento.
Eu já traí e me arrependo. Eu era mais jovem e foi por pura insegurança conta Malvino. É claro que vai sempre ter uma mulher bonita para olhar, mas dá para ser fiel. É fácil.
É uma opção. Ou você cai para o lado animal e passa a ser guiado pelos seus instintos mais primitivos ou você vai ponderar e raciocinar se vale a pena diz Eriberto.
Para ambos, o machismo está com seus dias contados. E o discurso prova isso. Garantem que homem que diz que não chora está mentindo.
No silêncio do quarto eles estão chorando, com certeza diz Eriberto.
Eu choro até no cinema admite Malvino. Outro dia fui assistir a um filme chamado Peixe grande, que fala de relação entre pais e filhos. Comecei a chorar e, quando acabou, eu fiquei com vergonha porque sabia que meus olhos estavam inchados. Pensei: Como eu vou fazer para sair daqui? Tamanho marmanjo, barbudo, 28 anos na cara... Como vai ser?
O papo está muito bom, mas e o trabalho? Cabocla é a estréia do manauara Malvino na TV. Eriberto já esteve em outras novelas, como O amor está no ar (1997). Os atores, que sempre foram urbanos, estão totalmente peões. Montam a cavalo como ninguém, enrolam um cigarro de palha e laçam bois como quem anda de bicicleta. Eriberto está tão apaixonado pela vida no campo que vendeu a moto, uma paixão, e pensa em comprar o cavalo de seu personagem.
Meu pai tinha uma fazenda, mas eu gostava mesmo de fazer trilha de moto. Sou urbano. Mas sou mais ligado à natureza do que eu pensava, e a novela me ajudou a perceber isso. Estamos sempre com o pé na terra explica Eriberto.
Antes da novela, o contato de Malvino com o campo era nos fins de ano, na casa dos avós.
Meu pai fala sô até hoje. Mas eu morria de medo de montar, era meio traumatizado.
O assédio, por enquanto, é controlável. Mas uma vez, durante um jogo de futebol beneficente, os seguranças precisaram agir.
Se eles não estivessem ali ia ter camisa rasgada lembra Eriberto.
Zuca e Tina que se cuidem.
Um ótimo fim de semana se Deus quiser.
Comments:
Posted
9:25 PM by Cassiano Leonel Drum
Tribos
Torre de babel
É cada vez mais difícil entrar em acordo numa sociedade que mistura tantas gírias. Surfistas, skatistas, rappers, economistas, cada grupo tem seu dialeto
Thiago Asmar
"Vou te mandar um papo reto. Quando o swell entrar, eu vou dropar mesmo se tiver crowd. Vai ser um tylon arrepiante, tá ligado? Para entender um filho que abusa de expressões como estas, o pai ou a mãe devem ser surfistas, skatistas e rappers. Até amigos da mesma faixa etária ficam sem entender uns aos outros. Diálogos entre integrantes de tribos diferentes tornam-se, muitas vezes, verdadeiros desafios. Enquanto o skatista diz que uma manobra foi pegada, o surfista fala que foi o bicho e o rapper acha responsa. O leigo, quando consegue, entende como radical.
As gírias sempre foram comuns entre jovens, mas nunca estiveram tão fatiadas e inacessíveis aos menos enturmados. Para complicar, os socioletos dialetos praticados por grupos específicos invadem o mundo digital e confundem, por exemplo, a vida de quem tenta investigar o correio eletrônico dos filhos. Um pai dificilmente saberia o que pensar ao se deparar com a seguinte frase: Ko é kr, vou lá no fds, cm smp, vlw? A mãe da estudante carioca Lívia Gomes Silvestre, 17 anos, certamente precisaria que a filha traduzisse: Qual é cara, vou lá no fim de semana, como sempre, valeu?
Lanzillotti acha que foi desquali-ficado em entrevistas de emprego por usar termos do hip hop
O linguista Ricardo Salles explica o uso de socioletos como um código de identificação dos grupos. Algumas tribos usam uma linguagem própria como uma espécie de carteira de identidade. Um surfista não precisa dizer que pega onda. O modo de falar o identifica, diz. Ao contrário da língua, os socioletos são excludentes.
Quem não fala daquela forma está fora da galera, completa Salles. Para o estudante de direito Paulo Alberto Galarti, 22 anos, surfista há quatro, as gírias são indispensáveis para a prática do esporte. Sem sabê-las, como vou entender a rapaziada e a previsão das ondas na internet? O chato é quando algum amigo não entende o que eu falo. Tem gente que debocha e pede para eu apertar a tecla SAP, brinca. Galarti gaba-se de conquistar muitas garotas as denominadas Marias-Parafinas com seu jeito de falar, mas lembra que já levou um fora pelo mesmo motivo. Ela era supercareta e disse que não tinha como me entender, conta.
Sem perceber, o surfista já usou gírias em momentos inadequados. Procuro me controlar, mas já dei uns vacilos. Uma vez, disse para minha chefe que o 1º Juizado Especial Cível estava crowdiado e ela não entendeu nada, conta. O colega de esporte Flávio Padaratz, que já foi convidado a ministrar palestras sobre como falar em público, dá a dica: Não é ruim se expressar como o resto do grupo. O errado é não se policiar quando deve.
Os skatistas também têm seu dialeto. Palavras como tylon e bazon são alguns dos termos incompreensíveis. Em diversas entrevistas, eu nem sabia explicar o significado das coisas que havia falado e o repórter ficava sem entender nada, conta o paulista Sandro Dias, 29 anos, campeão mundial de skate vertical em 2003 e conhecido como Mineirinho. Até sua mãe entrou na onda. Ela passou 40 dias comigo na Califórnia e pegou o hábito de falar certas gírias.
Ela sempre me pergunta, por exemplo, se vou fazer uma sessão, ou seja, se vou andar de skate. Eu morro de rir, diz. Sempre na turma do fundo da sala de aula, Sandro era figura carimbada na coordenação da escola e entrava em apuros na hora de se explicar: Eu tentava me redimir e acabava me complicando ainda mais, lembra.
Às vezes, o uso de socioletos chega a despertar preconceito. Quem vê de fora acha ruim. Quem pratica acaba atuando em defesa da própria linguagem. Enquanto divulga a realidade das favelas, os rappers, por exemplo, propagam também seu jeito de falar. O empresário Leonardo Lanzillotti, 23 anos, foi conquistado.
Aprendeu a gostar de hip hop e, claro, a usar seu linguajar. Escuto rap e leio sobre o assunto há algum tempo. Passei a conviver com pessoas que curtem e fui me acostumando, diz. Leonardo já pagou caro por falar tanta gíria. Não me controlava nem em entrevistas de trabalho. Acredito já ter sido desqualificado em umas três por falar informalmente, diz. Afinal, são poucos os clientes capazes de entender expressões como pá e papo reto.
Nas entrevistas de recrutamento, gírias e até mesmo palavrões viraram elementos corriqueiros. Para a maioria dos profissionais de recursos humanos, são indicativos de que o candidato ainda não está preparado para assumir as responsabilidades do mundo do trabalho. Entrevistei um rapaz que aspirava a uma vaga de representante comercial. Criatividade e iniciativa eram características marcantes de sua personalidade, mas, quando abria a boca, parecia se comunicar por meio de um dialeto.
Foi eliminado na hora, lembra Ana Lúcia Corrêa Pires, uma das gerentes do grupo Catho Consultoria de RH. Em outros grupos, é a própria profissão que impõe o vocabulário. Bater um papo em uma mesa de economistas ou de médicos não costuma ser uma experiência agradável para quem não é do ramo. Quanto maior a habilidade para lidar com o socioleto, melhor. O estudante de economia Felipe Gazal sentiu a saia-justa no início da faculdade.
No meu primeiro dia de aula ouvi um professor falando com um aluno mais adiantado. Era um tal de joint-venture pra cá, de viés pra lá, de break-even pra acolá. Não entendi nada, lembra. Hoje, mais estudado, ele domina os antigos enigmas. O dicionário já pode voltar para a gaveta.
Comments:
Posted
8:02 AM by Cassiano Leonel Drum
Torcida organizada Júlio César
À distância, família sofre e vibra com as defesas do goleiro da Seleção, que na infância usava meias nas mãos quando ainda não podia ter luvas
Marluci Martins
A família que torce unida: o pai Jênis, a mãe Fátima, o irmão Júnior e a cunhada Carla, com o sobrinho Roger Fellipo. Cauet veste a camisa 12 que o pai usou na primeira convocação à Seleção
As luvas que, hoje, cobrem as mãos tratadas semanalmente num salão de beleza da Barra da Tijuca eram, na infância, o maior sonho de consumo de Júlio César. Mesmo na falta delas, o menino insistia em dar chance ao destino: enquanto o pai, Jênis, não providenciava a compra, as mãos, ainda pequenas, vestiam um par de meias nas peladas no bairro da Penha.
As mãos de Júlio César cresceram tanto que não cabem mais nas meias. Cresceram tanto que defenderam o pênalti do uruguaio Sanchez, garantindo o Brasil na final da Copa América.
Chorei tanto, que nem ouvi quando ele, na entrevista, mandou um beijo para mim, disse a mãe, Fátima, torcedora, brasileira e sofredora.
O irmão Júnior, 26 anos, quer mais. Espera que o coração dispare como nunca, na decisão. E avisa: vai rolar um churrascão na cobertura da família. Comida e visibilidade garantidas: a televisão tem 65 polegadas.
Meu irmão já disputou sete partidas decisivas que terminaram em pênaltis. Em todas, pegou pelo menos um. Quer saber? Estou torcendo para o jogo ser decidido nos pênaltis, afirmou Júnior, corretor de imóveis formado em Fisioterapia, que gosta mesmo é de aventuras.
Então, sabe-se a quem Júlio César puxou. Aventureiro, o rapaz matava as aulas do Colégio Estadual Madri, quando já havia trocado a Penha pelo Grajaú. Com Júnior e o outro irmão, Espíndola jogador do Joinville , vivia no Grajaú Country. O tricolor Roger era um fiel companheiro de bola e notas ruins.
O Roger acabou sendo reprovado. Estava sempre na nossa casa, lembrou o pai, Jênis, que cansou de fingir não saber das matadas de aula de Júlio César.
Apaixonado por futebol, Júlio César deve a seu Jênis a perfeita forma de suas mãos. Assim como as unhas tratadas pelas manicures do salão Bahut ou do Werner , todos os dedos estão no lugar. Mas foi por pouco...
Uma vez, ele luxou o dedo mínimo. Tinha 10 anos. Levei-o a um médico, que botou o dedo no lugar. Fez plec. Em três dias, ele voltou a treinar, lembrou o zeloso pai.
Zeloso, mas exigente: Ele falhou no gol do Uruguai.
Mas ele tem crédito, interrompeu o irmão, sonhando com a perigosa disputa de pênaltis no domingo, que pode aumentar ainda mais a dívida da agradecida torcida brasileira.
Comments:
Posted
7:56 AM by Cassiano Leonel Drum
Bons tempos de volta
Show-tributo a Cazuza no Circo Voador, festa nova no Ateliê Belmonte e o recém-inaugurado Odisséia. Os fins de semana na Lapa prometem
Eusébio Galvão, Flávia Motta e Tatiana Contreiras
Foi-se o tempo do Circo Voador mambembe. A versão século 21, que abre hoje, tem lona de última geração
A boa é a Lapa. Cada vez mais. O Circo Voador volta hoje e novos lugares reforçam o time dos boêmios cariocas. Tem pra todo mundo, de samba a rock, passando por forró e churrasquinho de gato na calçada. O ecletismo já é evidente no Circo. Hoje tem a banda de metal Krisium; amanhã show-tributo a Cazuza com Lobão, Jorge Israel e outros; e domingo a Orquestra Tabaraja. Acho que o Circo vai ser a âncora disso tudo, diz Alexandre Rossi, um dos produtores da lona.
Quando eu era público e ia pra lá, sempre pensava que alguém podia ocupar aqueles casarões de pé direito alto e fazer coisas bacanas ali, lembra. Agora, resolveram fazer. Do lado do Circo abriu o teatro Odisséia, que é maneiríssimo. A gente vive nos shows lá. A Fundição, atrás de nós, tem vários shows bacanas. E aquela praça dos Arcos é muito legal, empolga-se.
A novidade que empolga Rossi existe há um mês. O Teatro Odisséia resume bem a proposta eclética da Lapa. Casa de shows de médio porte, nesse pouco tempo já recebeu Miúcha, Mundo Livre S/A, o rapper BNegão e o suingue carioca do Bangalafumenga, entre uma e outra festa. Hoje, a noite será de hip hop, em festa comandada por Diana Bouth, enquanto amanhã, MPB, samba, coco e funk se misturam na Superbrazooka, em que o DJ Janot divide a cena com o bloco Empolga às 9. Já o domingo é de improvisação teatral, com o desafio Zé x Teatro do Nada.
"Para vir para a Lapa não é preciso saber a programação das casas. É só chegar porque tanto o turista quanto o carioca com certeza vão se encontrar em algum lugar", defende Léo Feijó, dono do Odisséia ao lado de seus sócios na Casa da Matriz.
É verdade. Antes de ir ao Circo, Alexandre Rossi faz um tour. Vou ao Bar do Ernesto e peço chope preto e frango defumado, que é incrível. Depois dou uma volta, passo no Buraco da Lacraia. Gosto de ver pessoas na rua, ninguém quer criar confusão quando está ali, acredita. Ele faz questão de levar amigos estrangeiros para a área. Os gringos têm que comer o acarajé de uma mulher que fica ali onde funcionava o Semente e beber cerveja na rua, decreta.
E isso é só um dos programas. Semana que vem ainda tem mais. O Estrela da Lapa vai abrir na Mem de Sá com temporada de Fafá de Belém. O Circo terá Celso Blues Boy. O Odisséia tem o rock do Hurtmold e o samba de Teresa Cristina.
Comments:
Posted
7:52 AM by Cassiano Leonel Drum
David Coimbra
23/07/2004
Problemas com o chassi
Aconteceu algo legal, dias atrás. O seguinte: eu estava estacionado na José de Alencar, perto do supermercado. Fui sair, dei o sinal de pisca, conferi nos dois retrovisores, até olhei para o lado a fim de não ser ludibriado pelo malfadado ponto cego. Tudo bem, tudo limpo. Coloquei o bico do carro na pista e aí: UAAAAAAH!, surgiu um Fox branco no meu retrovisor. De onde tinha vindo aquele cara??? Tentei desviar, usei toda a minha formidável habilidade de condutor de veículos automotivos, mas não adiantou, o Fox roçou no bico do meu carro, fez rreec.
Um acidente. Meu primeiro acidente! Fora aquele em que aterrissei numa arvorezinha lá em Criciúma, mas aquele não conta, não tinha outro carro envolvido.
Bem. Mas por que meu acidente foi legal? Em primeiro lugar, ninguém se machucou. Em segundo, a culpa não foi minha - o outro é que não respeitou a placa de pare nem a bifurcação em tê, sou bom nas bifurcações em tê, pode me chamar de o rei da bifurcação em tê. E, em terceiro lugar, e muito importante: o carro era da auto-escola!
O Fabrício, que além de ser o melhor de todos os instrutores é o dono do carro, ele é que ficou um pouco nervoso. Só um pouco. Depois viu que estava tudo bem. Agora uma explicação: fiquei contente não por estar pouco ligando para o carro do Fabrício. Não. Foi porque, depois, saí contando para todo mundo:
- Eu ia tirar o carro e veio o Fox no meu retrovisor...
Entendeu? No MEU retrovisor. EU ia tirar o carro. Conversas de motorista! Muito excitante. Nos dias seguintes, narrei em pormenores a história do acidente. Não tanto para os amigos, que esses sabiam que estava tirando a carteira. Foi com os desconhecidos que me esbaldei. Contei para porteiros, para gente que encontrava no elevador, para garçons.
Fiz descrições minuciosas da batida para pelo menos quatro taxistas. Reclamei da forma como as pessoas dirigem, comentei sobre seguros e franquias, critiquei a fragilidade dos carros, perguntei onde afinal essa gente tira a carteira. Lá estava eu, um motorista, tendo conversas bastante graves com outros motoristas. Nós nos entendemos, nós, motoristas. Nós falamos de chassis, de carburadores, de caixas de câmbio. Que maravilha!
Ah, a vida. A gente sabe que tudo na vida é assim: nascimento, crescimento, apogeu e morte. A gente sabe que tudo que vive caminha inexoravelmente para a extinção. A gente sabe que só existe perfeição de fato na não-existência. A gente sabe que nossa trajetória nesse mundo é pontilhada de perdas e marcada por elas. A gente sabe que o destino de todo amor é o sofrimento. De tudo isso a gente sabe. Mas, às vezes, até um sinistro pode realmente ser muito divertido.
david.coimbra@zerohora.com.br
Comments:
Posted
7:50 AM by Cassiano Leonel Drum
Mauren Motta
23/07/2004
Tempos bicudos
mauren@rbstv.com.br É impressionante como tá todo mundo reclamando da falta de dinheiro. Sempre fui daquelas esperançosas e viradoras. Quando a grana encurtava, não perdia tempo e ia logo achando uma maneira de descolar uns pilas. Cara-de-pau, adorava vender coisas. Eu e minha prima Beatriz costumávamos montar banquinhas na calçada da nossa rua. Mesmo morando numa zona bem residencial, daquelas em que não passa muita gente, sempre dava um jeito de arranjar um cliente.
Catava as pessoas na descida do ônibus e oferecia as mercadorias. Tinha de tudo: colarzinhos, água-de-cheiro, revistinhas antigas e todo tipo de tranqueira. Na praia, era a mesma coisa. Como o movimento era maior, minha amiga Claudia se somava à equipe de vendas. O tabuleiro armado na frente da casa da minha vó ainda tinha conchinhas catadas à beira-mar.
Na adolescência, a moda do sanduíche natural começou a rolar. Além de ser superbossa, não tinha pra vender no bar do colégio. Pronto! Um novo mercado se abria pra mim. Dava um trabalhão, mas todo mundo comprava mesmo antes de tocar o sinal do recreio. E eu não era a única comerciante da escola. Tinha gente que vendia bolo, rifa, docinhos...
Minha colega Mônica Loss, por exemplo, era a rainha do negrinho. Depois comecei a diversificar os negócios. Vendia bijuterias, piranhas de cabelo decoradas, roupas e tudo mais que achasse apropriado. Já meu primeiro frila foi como pesquisadora da Datafolha. Eu e minha a amiga Luciana saíamos lépidas e faceiras em direção à Zona Norte de Porto Alegre. Carregadas de formulários, íamos de porta em porta fazendo pesquisas eleitorais e mercadológicas. Era dureza, porém garantia a grana do final do mês.
Começar a trabalhar cedo não faz bem só para o bolso. Nos dá, além de muita experiência, uma sensação de liberdade absurda. Ser dono do próprio nariz, e todo aquele papinho que vocês já estão carecas de ouvir, é muito bom! Hoje, passados 16 anos, continuo batalhando. Acho que em tempos de crise devemos ser criativos. Nada de ficar parado. Tem que se mexer e botar a cabeça pra pensar. Outro dia, troquei uma gravura por um lustre antigo. Se no tempo do Mercantilismo dava certo, por que não tentar de novo? Minha amiga Fabiana tem participado de um evento chamado Tarde do Desapego.
Ela e algumas amigas do trabalho levam coisas que não querem mais para trocar. Dá supercerto, ela sempre sai cheia de coisinhas novas. Às vezes a gente enjoa da cara de uma roupa e nem percebe como é legal. Nesses encontros, geralmente alguém olha para aquela peça batida com olhos diferentes e oferece algo em troca. Viu só? Sempre tem uma saída. O que não pode é ter vergonha de batalhar. Até porque o tempo é curto e não pára de passar.
Ah! Obviamente que, com tanta polêmica, não poderia deixar de comentar a coluna da semana passada. Agradeço os muitos e-mails recebidos. É sempre bom saber que tem tanta gente ligada na coluna e querendo trocar opiniões e experiências. No caso, o Orkut. Muito obrigada!
Comments:
Posted
7:46 AM by Cassiano Leonel Drum
Paulo Sant'ana
23/07/2004
Em busca do frio
Um dos fenômenos psicossociais mais surpreendentes é esta atração que está sendo exercida pelo clima frio de inverno sobre as classes mais favorecidas aqui no Rio Grande do Sul.
As multidões disputam a cotovelaços vagas nos hotéis da serra gaúcha nos fins de semana de inverno, em busca do frio ou até mesmo da neve.
Enquanto o que acontece no verão tem uma diferença: todos buscam no Litoral um clima mais ameno, isto é, se refugiam nas praias contra o calor.
Agora no inverno ninguém busca em Gramado, Canela e outras estâncias serranas proteção contra o frio. Nada disso, as pessoas vão para a Serra torcendo para que faça frio, o mais rigoroso possível, só assim se realizarão.
Quem sai de Porto Alegre ou qualquer outra cidade distante do Litoral ou da Serra, no verão, dirigindo-se às praias, está fugindo do calor sufocante, à procura de uma refrescante brisa marítima ou do refrigério das águas do oceano.
Já quem sai de Porto Alegre no inverno e se dirige à Serra está indo para um lugar mais frio, o frio da cidade não satisfaz, é preciso um frio mais intenso: a geada e a neve são aguardadas com ansiedade e fazem sucesso se ocorrerem. Se, pelo contrário, não gear nem nevar, voltam da Serra frustradas as multidões.
Não tenho dúvida de que o homem, se já tivesse atingido a perfeição de fabricar para si clima mais propício, conseguindo intervir diretamente nas condições meteorológicas, reservaria para si na serra gaúcha um inverno repleto de nevadas, com o que a região serrana se tornaria de pressa no maior pólo turístico do Brasil, superior até mesmo às praias do Nordeste.
Está faltando só a neve para a nossa Serra estourar a boca do balão em matéria de economia e turismo, embora mesmo sem a neve sejam já impressionantes os índices de acorrência às estâncias serranas que irromperam nos últimos anos.
É intrínseca às pessoas esta preferência (ou aversão) pelas temperaturas extremas. Todas as pessoas que conheço opinam assim: "Eu gosto do verão". Ou então: "Eu adoro o inverno".
"Eu detesto o verão" é outra opinião muito desenvolvida. Ou então: "Tenho horror do inverno".
Nunca se ouve ninguém dizer que detesta a primavera ou tem horror ao outono, parecem ser duas estações neutras, as pessoas não tem opinião sobre elas.
De tal sorte que o outono e a primavera se constituem apenas em estações de espera para o verão e o inverno, estas sim estações definidas que empolgam os seus amantes.
No outono, curte-se apenas a expectativa do inverno, fica-se aguardando com pressa o tempo de comer mocotó, pinhão, feijoada e beber vinhos e chulear por neve.
Na primavera, apesar do encanto das flores e dos pássaros, fica-se tomado apenas pela sensação de que o verão das águas e das férias está próximo e torce-se para que não tarde o tempo de vestir-se e calçar-se sumariamente.
Como os humanos são criaturas que amam os extremos, a primavera e o outono se tornaram assim para nós apenas estações-tampão, sem qualquer utilidade ou atração.
Temos assim metade da nossa vida perdida.
psantana.colunistas@zerohora.com.br
Comments:
Posted
7:43 AM by Cassiano Leonel Drum
Governo Federal
139 minutos na Capital
Para participar de congresso mundial de educação, Lula fez rápida visita a Porto Alegre, pronunciou um discurso sem metáforas e prometeu um sistema informatizado para controlar a freqüência nas escolas brasileiras (foto José Doval/ZH)
Comments:
Quinta-feira, Julho 22, 2004
Posted
9:46 PM by Cassiano Leonel Drum
Bom, lemos os jornais de Porto Alegre e os assaltos a banco são uma constante, assim como os sequestros relâmpagos. Se lermos os de São Paulo ou os do Rio, as manchetes não mudam muito. Ai lemos os da Capital Federal, culta politizada e ai está uma das noticias. Então a situação é ampla, geral e irrestrita, não é assim? Tenhamos todos uma boa noite e não esqueçamos de rezar, acho que esse ainda é um recurso válido.
Violência
Filha do jornalista Alexandre Garcia sofre seqüestro relâmpago
Do CorreioWeb
com Guilherme Goullart
Do Correio Braziliense
22/07/2004
18h04 - A universitária Julia Nunes Garcia, 18 anos, sofreu um seqüestro relâmpago na noite desta quarta-feira quando entrava em seu carro no estacionamento do Centro Empresarial Brasília, no Setor de Rádio e TV Sul. Ela foi abordada por dois homens, sendo que um deles estava armado. Julia é filha do jornalista Alexandre Garcia.
Um dos homens assumiu o volante, enquanto o outro ameaçava a adolescente, que estava no banco traseiro. Os bandidos seguiram pelo Eixo Monumental e a deixaram entre a via de acesso a Estrutural e a EPTG, por volta das 24h. A estudante pediu carona e conseguiu chegar até o posto da polícia da Estrutural.
O carro da vítima foi encontrado na altura da quadra 15 da Estrutural. Entre os objetos roubados estão um aparelho de DVD, uma máquina fotográfica digital, um celular, CDs, documentos e R$ 78. Os assaltantes estão sendo procurados e o caso está na 3ª Delegacia de Polícia (Cruzeiro Velho).
Comments:
Posted
9:33 PM by Cassiano Leonel Drum
Quinta, 22 de julho de 2004.
ARTUR DA TÁVOLA
Fulano faliu...
Chegou à porta da loja. Posto 3. Tarde. Olhou a rua e entrou. Lembrou como o ponto era bom quando o pai instalou a loja, Copacabana fervilhava nos anos 50. O pai criou-os com largueza. O irmão aperfeiçoou-se em oftalmologia nos States. Tudo tirado da loja, o ponto ótimo, perto do Copacabana Palace.
Vendendo mal agora. Dispensara, já, três comerciários. Só aparecem alguns turistas, escasso movimento.
Sentiu raiva das autoridades, dos fiscais, do abandono do bairro, raiva geral de quem pressente decadência e pane onde antes havia segurança e progresso. Pensou no bairro. A calçada imunda. A Avenida Copacabana suja e barulhenta como nunca. Todo mundo a comprar nos shoppings maravilhosos e seguros. Lá de dentro ouvia os motores.
Todo dia aquilo. Um comércio em naufrágio, apenas lojas para turistas. E se modificasse seu negócio? Mas tantos anos vendendo roupas. Não saberia. Fulano faliu. Beltrano fugiu. Sicrano fechou. Até a Progresso, que era tão forte, pifou! Liquidação sem élan. Vendas baixas. De novo aquela fantasia que o perseguia, estaria doido? Reunir os comerciantes:
Olha minha gente, se ficarmos esperando vamos à falência. Ou fazemos algo, ou Copacabana acaba. E não é possível! O bairro dos melhores hotéis, dos melhores e mais tradicionais restaurantes. Temos que nos unir, bolar promoções, shows no calçadão. Teatro de rua. Conheço gente que faz teatro e para sobreviver trabalha em casa de jóias.
Poderia ajudar. Bolaremos nova iluminação para o bairro. Vamos a um arquiteto e ele modificará a faixada de todo o quarteirão, embelezando-o. Vamos ao Detran e pedimos uma alteração no trânsito para, de noite, as lojas abrirem com promoções especiais, ruas iluminadas, com segurança e sem trânsito, pagaremos melhor aos funcionários, horas extras, esforço conjunto de todos nós. Vamos nos mobilizar.
Ouviu os aplausos imaginários da classe ali reunida. Viu Copacabana florescendo, os negócios crescendo, quem sabe, até, a própria candidatura à presidência da Associação Comercial.
Afundado no sonho, não viu o olhar de espanto da moça do caixa sendo assaltada. Só teve tempo de esboçar um calma. O tiro varou-lhe a carótida e Copacabana nem ligou.
tavola@ism.com.br
Comments:
Posted
7:54 AM by Cassiano Leonel Drum
Com as musas na mão
Ike Cruz, que comanda carreiras das belezocas Juliana Paes e Carol Castro, abre agência própria
Zean Bravo
Com Juliana, cuidados que vão do tamanho da saia ao batom usado
De férias em Boston, nos Estados Unidos, Juliana Paes aciona o empresário, Ike Cruz, pelo rádio, antes dele começar a entrevista. Quer saber se ele prefere ganhar de presente um perfume diferente dos que usa. A passagem ilustra a estreita relação da dupla, que extrapola o profissional. Não trabalho com gente que não gosto. Sento com a pessoa para ver se estou a fim e se vou poder implantar meu método. Tenho que ter predominância sobre as decisões. Se for me questionar, pra que agente?, frisa Ike. Agora, aos 37 anos, ele deixa o posto de diretor da Ford Models para abrir sua própria agência de atores e celebridades, a Actors & Arts.
Com de 17 anos de mercado, Ike começou como modelo e hoje é tido como revelador de beldades. Seu lançamento mais recente, Joana Balaguer, fez campanha de celular com Ronaldinho, e foi descoberta numa padaria. Ela não vai para a agência. Não quero mais trabalhar com modelo. Vou lidar com vocação. Só vou levar quem tem caminho na TV, explica Ike, que usa intuição e empatia para atuar no ramo.
Carol estava doente e quase que o próprio Ike a levou ao médico
Além de Juliana e Carol Castro, a Angélica de Senhora do Destino, Ike leva para o escritório a atriz Luiza Valdetaro, que fez um papel pequeno em Celebridade, e sua nova aposta, Camila Rodrigues, cotada para América, próxima novela das oito. Identifico uma pessoa com estética bacana e que vá de encontro com o que a TV quer, explica ele, que foi o primeiro agente de Rodrigo Santoro. Ele não era seguro de seu potencial no começo, revela.
Às atrizes em potencial, vale avisar: Não gosto de ninguém exibido. Nas festas sempre tem gente querendo se fazer notar. Fico mais atraído quando eu percebo o talento, entrega Ike. Atração profissional, que fique claro. Vejo a Juliana como mulher atraente para os outros, não para mim. Quando nos conhecemos eu era casado e ela namorava. Se tivesse que rolar alguma coisa, seria num primeiro momento, crê.
Fato é que hoje Ike é o único homem que pode reclamar do tamanho da saia, determinar a cor do batom ou apontar míseros gramas a mais na (desejada) silhueta de Juliana sem ouvir uma resposta atravessada. Pelo contrário. Ele sugere, ela acata. Não gosto da Juliana de batom vermelho, falo quando a roupa não me agrada e puxo a orelha se ela atrasa. Tenho um lado disciplinador que vai além de fechar contratos, valores, e fazer assessoria de imprensa. Não vai ser o cara que serve comida a quilo que vai dizer se ela engordou.
Para Ike, é esse tipo de atitude que o difere de um simples babá de celebridade. Não mimo ninguém porque acostuma mal. Dou minhas broncas e não tenho cerimônia com ator, falo como se fosse minha irmã, garante o empresário, que também passa a mão na cabeça quando julga necessário. Dou atenção e colo de vez em quando, alivia. Quer exemplo? Carol Castro estava doente no fim de semana e ele só não a levou ao médico porque não foi preciso. Me dedico muito e exijo isso da pessoa do outro lado.
Comments:
Posted
7:48 AM by Cassiano Leonel Drum
Imperador garante a vaga
Júlio César defende pênalti e salva a seleção brasileira contra o Uruguai. Final será com a Argentina
LIMA - Foi sofrido, emocionante e nos pênaltis. Após sair atrás no placar, o Brasil conseguiu empatar o jogo no segundo tempo (1 a 1) e, nas penalidades, brilhou a estrela de Júlio César, que defendeu uma das cobranças e despachou o Uruguai (5 a 3), ontem à noite, no Estádio Nacional, em Lima, no Peru. Agora, a Seleção fará uma final inédita na Copa América, contra a Argentina, domingo, às 17h (horário de Brasília). É certeza de mais emoção.
No jogo de ontem, o Uruguai adotou uma tática que pegou o Brasil de surpresa: a pressão total, que deixou a Seleção desorientada. Logo no primeiro minuto de jogo, Dario Silva recebeu uma bola nas costas de Juan, finalizou com força e Júlio César fez grande defesa. A zaga brasileira errava no posicionamento e parecia assustada diante de tanta correria. Em quatro minutos, os uruguaios conseguiram quatro escanteios.
A partida era franca, com muita movimentação no meio-campo e oportunidades de gol. Aos 5, Adriano invadiu a área, bateu cruzado, Vieira fez boa defesa, e a bola sobrou para Kléberson, que chutou para nova intervenção do goleiro. Nada que assustasse os uruguaios. Aos 12, Juan, dentro da área brasileira, deu uma cabeçada para trás, Bueno ajeitou, também de cabeça, para Dario Silva protagonizar um lance inacreditável: totalmente livre de marcação, quase dentro do gol, o atacante conseguiu a proeza de acertar a bola no travessão.
Enfim, aos 21 minutos, a seleção de Jorge Fossati abriu o placar. Depois de cobrança de falta pela esquerda de ataque, Sosa subiu mais do que a zaga, cabeceou para o chão e a bola quicou bem à frente de Júlio César. O goleiro bobeou e não evitou o 1 a 0.
A partida seguiu movimentada, mas com um Uruguai mais disposto. Adriano era o único que produzia, mas não conseguia resolver sozinho. Aos 40, Delgado cobrou falta no canto e o goleiro, com a ponta dos dedos, evitou o segundo gol.
Parreira reclama no intervalo e time acorda
No fim do primeiro tempo, Parreira fez uma análise sensata da equipe. Temos de acertar a cabeça e partir para a briga com eles, que nos sufocaram, afirmou o técnico. A bronca surtiu efeito e o Brasil acertou a cabeça e, principalmente, o pé. Antes de um minuto, Luís Fabiano chutou, Adriano, sempre ele, se antecipou ao zagueiro e com o bico da chuteira dourada deixou tudo igual: 1 a 1. Foi o sexto gol do atacante na Copa América.
O Brasil subiu de produção e criou as melhores oportunidades, mas sempre levando sustos. Aos 43, Júlio Baptista desperdiçou o que seria o gol da vitória. Mas não havia tempo para mais nada e a decisão foi para os pênaltis.
Brilhou a estrela de Júlio César. Todos os cobradores do Brasil assinalaram: Luisão, Luís Fabiano, Adriano, Renato e Alex. Pelo Uruguai, Dario Silva, Vieira, Pouso fizeram, mas na quarta cobrança, Sanchez bateu para a defesa de Júlio César. Alex, então, cobrou o quinto e garantiu a vaga na grande final. Que venha a Argentina.
Comments:
Posted
7:44 AM by Cassiano Leonel Drum
Nilson Souza
22/07/2004
O intruso
A menina dos meus olhos só tem olhos para a sua melhor amiga. Telefonam-se várias vezes por dia, encontram-se sempre que podem, brincam juntas, têm a mesma idade, os mesmos gostos, a mesma visão da vida. E acabam de descobrir um sentimento tão novo quanto desconcertante: o ciúme. Por nada, estão às lágrimas - uma querendo a companhia da outra, mas sempre colocando a amizade à prova como se estivessem envolvidas num incansável jogo de fidelidade.
Quem nunca sentiu ciúme que atire a primeira pedra. Todo sábado, que é o dia em que dou alguma atenção para a minha outra vida e para as pessoas que fazem parte dela, procuro atuar como juiz desta intrigante disputa de afetos. Sei bem que elas terão que aprender sozinhas a administrar seus próprios sentimentos, mas sinto-me autorizado - pelos anos de rodagem - a dizer-lhes duas ou três coisas sobre o assunto. Invariavelmente digo o seguinte: só quem a gente ama é que pode nos magoar. Mas quem ama de verdade aprende a superar mágoas, mal-entendidos e desfeitas.
E a amizade - já disse um poeta gaúcho que um dia elas certamente vão estudar na escola - é um amor que nunca morre.
Não dá para evitar o ciúme. Ele é um silencioso invasor de corações apaixonados. Não se anuncia, nem pede licença. Simplesmente instala-se no nosso peito e passa a alimentar-se tanto do nosso amor quanto da nossa desconfiança. Se não o identificamos a tempo, pode crescer demais e tomar o lugar dos nossos melhores sentimentos. Porém, quando o reconhecemos e aprendemos a lidar com ele, tende a transformar-se num cãozinho de estimação - que até ladra de vez em quando, mas é incapaz de nos fazer mal.
O principal, para aprendermos a conviver com esse intruso, é nos conscientizarmos de que não somos donos das nossas amizades e dos nossos amores. Amor não é posse - é partilha. Amizade é desprendimento, desinteresse, aceitação incondicional.
Fácil de dizer, difícil de fazer. Como exigir racionalidade de quem está sendo levado pela correnteza de um envolvimento emocional? Que a menina dos meus olhos não veja isso, mas este calejado escriba, metido a dar conselhos sobre os sentimentos alheios, nem sempre consegue driblar o ciúme quando a vê sofrendo pela sua paixão infantil.
nilson.souza@zerohora.com.br
Comments:
Posted
7:42 AM by Cassiano Leonel Drum
Leticia Wierzchowski
22/07/2004
Bife com feijão
Antigamente é uma palavra empoeirada feito estas velhas máquinas de costura com pedal e cobertas por guardanapos de crochê. Pois antigamente a casa era azul feito um céu e ampla o suficiente, com suas altas paredes de madeira, para acomodar todos os sonhos infantis. Ali passávamos as férias. Ali, após o Natal, com o porta-malas repleto, era que o pai estacionava sua Rural. Já no caminho, disputando espaço no banco traseiro com as minhas irmãs, eu ia farejando o cheiro da areia. Era um olor característico que nascia numa misteriosa curva da estrada; após essa anunciação olfativa, vinha a areia propriamente dita. O primeiro montinho, nada mais que um rastro de areia suja pontilhada de capim.
Freqüentávamos um balneário sulista, e aquela praia não era diferente das demais: mar quase triste, areia compacta, horizonte limpo - podia-se perder o olhar pelo nada. Não havia nada que quebrasse a monotonia do litoral varrido pelo vento. Mas era o nosso paraíso. Nunca o frio ou a cor parda daquelas águas inibiu o banho de mar. Nunca o uivo do vento nas venezianas de madeira nos roubou o sono. Contávamos os meses esperando o verão e, ainda hoje, tantos verões depois e tantos litorais passados, não recuperei em mim, perdida em alguma gaveta da memória, a genuína alegria daquele tempo.
O sobrado de madeira do avô reunia com galhardia os primos e os tios. Tamborilando nossos passos pelo assoalho, nós espiávamos o porão com um medo delicioso: noutros tempos, era ali que minha avó guardava a manteiga. A casa cresceu conosco - a madeira tinha esse dom, o concreto de hoje é como um sapato apertado. Sempre cabiam os novos, os primos nascidos pelo ano, a namorada do tio solteiro, os amigos. Multiplicavam-se as camas: pelos quartos, os beliches iam cheios; almoçava-se em dois turnos, crianças primeiro, adultos depois. Nunca haverá felicidade maior do que o almoço após o banho de mar, o feijão com bife, a mesa repleta e alegre.
Depois, como tudo, isso se acabou. Venderam a casa, e eu nunca mais voltei lá. A casa azul é que vem até mim, toda noite, quando eu conto histórias para o meu filho dormir. Mas por que (vocês devem estar pensando) esta pequena crônica de verão em pleno inverno? Porque minha irmã teve bebê ainda há poucos dias, uma menina linda de nome Mariana, e a vida deu outra inescrutável volta rumo aos seus mais secretos desígnios, enquanto todos nós, que fomos crianças um dia, seguimos agora ocupados em preparar novas infâncias de bife com feijão. Em algum lugar inalcançável e alheio ao tempo, a casa azul ganhou mais |