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Sábado, Julho 31, 2004
Posted
8:13 PM by Cassiano Leonel Drum
Martha Medeiros
01/08/2004
O valor das coisas
Desinformados, raramente conseguimos destacar o raro do medíocre. O valor das coisas está no conhecimento das coisas
Outro dia estava assistindo a um programa de tevê que mostrava relíquias da dinastia Ching, especialmente vasos. Peças de valor incalculável, que não eram cedidas nem mesmo a museus, estavam confinadas numa espécie de bunker chinês, preservadas de qualquer olhar. Fiquei pensando: se alguém colocasse um vaso daqueles numa feira de artesanato ao ar livre, junto a outras quinquilharias, as pessoas talvez pagassem 40 reais por ele, não mais.
O mesmo poderia acontecer com uma gravura de Roy Liechtenstein misturada a cartoons expostos numa mostra universitária, ou com um colar do designer Antonio Bernardo pendurado na parede de uma loja de bijuterias, ou uma escultura do Aleijadinho vendida na beira da estrada junto a anjos feitos com material barato. Desinformados, raramente conseguimos destacar o raro do medíocre. O valor das coisas está no conhecimento das coisas.
Tão óbvio, e no entanto há um mundaréu de gente que satisfaz sua curiosidade bisbilhotando a vida alheia, e se contentam com isso. Estão bem informados sobre a novela, sobre a intimidade dos artistas, sobre as fofocas do seu seleto grupo de amigos, e isso é suficiente para preencher-lhes o espírito. Qualquer outra informação adicional - arte, literatura, música, filosofia - é papo de intelectual, e intelectual no sentido mais pejorativo do termo.
Só é possível valorizar aquilo que foi estudado e percebido em sua grandeza. Se eu não me informo sobre o valor histórico de uma moeda que circulava na época dos otomanos, ela passa a ser apenas uma pequena esfera enferrujada que eu não juntaria do chão.
Se eu não conheço o significado que teve uma muralha para a defesa de grandes impérios, ela vira apenas um muro passível de pichação. Se eu não reconheço certos traços artísticos, um vitral de Chagall passará tão despercebido quanto o vitral de um banheiro de restaurante. Podemos viver muito bem sem cultura, mas a vida perde em encantamento.
Vale para pessoas também. Sempre que a gente se conforma com meia dúzia de informações a respeito de alguém- signo, idade, estado civil, time, partido e profissão - perdemos a chance de admirá-lo. Gostamos de muitas pessoas, mas quantas delas a gente admira de verdade? Só aquelas que tivemos a sorte de conhecer mais profundamente.
A ignorância parcial é comum, não há como a gente armazenar milhões de informações, mas ignorância absoluta é preguiça. Faz tudo e todos parecerem iguais. E a vida se torna mais fútil.
Aproveitando o assunto, fica aqui a dica dos cursos de introdução à história da arte ministrados por Clarisse Linhares e Mylene Friedrich. Dia 9 inicia uma nova turma, que estudará o Período Medieval e o Renascimento. Informações pelo e-mail encontroscomarte@terra.com.br .
martha.medeiros@zerohora.com.br
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8:07 PM by Cassiano Leonel Drum
Pois não é que é verdade: às vezes, um único golpe bem assestado da mulher é o suficiente para acabar com a vida do homem. E modificá-la então, seguir estradas impensadas até então nem se fala, tudo por elas...Mas leiam a crônica do Coimbra e tenham um ótimo domingo.
David Coimbra
01/08/2004
A camiseta da ex-mulher
Às vezes, um único golpe bem assestado da mulher é o suficiente para acabar com a vida do homem. Foi nessa verdade que pensou Jonas quando Lisi lhe entregou aquela maldita camiseta.
A marca do centroavante Jonas era a camiseta que usava debaixo da camisa do time em cada jogo. Desde o começo da carreira, sempre que marcava um gol, Jonas puxava a camisa do time até o pescoço e exibia a camiseta branca com uma mensagem escrita no peito. Se fizesse gol no primeiro tempo, trocava de camiseta durante o intervalo e ia a campo com nova inscrição. Pois agora Lisi aparecia com aquela camiseta, quanta desgraça.
Jonas conhecera Lisi havia dois anos. Apaixonaram-se. Jonas queria passar o dia inteiro com ela, queria casar com ela, ter filhos com ela. Entre a paixão, apenas um obstáculo: a diferença de idade. Lisi tinha 33 anos; Jonas, 27.
- É demais - argumentava Lisi, já cogitando da separação. - Quando eu tiver 40 anos, você mal terá completado 34. Se fosse o contrário, tudo bem. Mas uma mulher não pode ser tão mais velha do que o homem...
Jonas resistia. Dizia que o amor verdadeiro não tem idade. Ela balançava a cabeça:
- Não, não...
Até que Jonas decidiu fazer-lhe a revelação.
- Olha, Lisi - começou, grave. - O que vou contar é muito importante. Pode acabar com a minha carreira. Com a minha vida!
Ela acedeu, preocupada:
- Pode confiar, pode confiar.
Depois de um suspiro, Jonas desabafou:
- É que sou gato.
Lisi sorriu:
- Claro que é. Um gatinho...
- Não, não - Jonas continuava grave. - Gato. Uma gíria do futebol: pra poder levar vantagem nos juniores, menti a idade, falsifiquei os registros. Na verdade, tenho 33 anos. Como você.
Lisi levantou as sobrancelhas de espanto:
- Não!
- Sim.
- Mas que coisa...
- Pois é.
A revelação prorrogou o amor deles por mais um ano e meio. Mas não foi o suficiente para imunizá-lo contra as pragas da paixão. Lisi era uma mulher braba, sabe como são as mulheres brabas... Acabaram se separando. Para Lisi, restou o ressentimento. Para Jonas, restou o trauma com as mulheres mais velhas. Em poucos meses, estava de namorada nova, uma moreninha de 22 anos. Roberta, o nominho dela.
- Nossa diferença de idade é perfeita - dizia Roberta. - Cinco anos. Nunca namoraria alguém que fosse, por exemplo, sete anos mais velho.
Jonas estremecia. Felizmente, seu segredo estava muito bem guardado.
Pelo menos era o que ele achava. Até o dia em que a ex bateu à porta de seu apartamento com aquela camiseta na mão. Antes de dizer boa noite, antes até de xingá-lo, Lisi lhe atirou a camiseta no nariz.
- Que é isso? - balbuciou Jonas, lendo a inscrição: "Te amo, Lisi. Sempre te amarei".
Jonas riu:
- Está brincando?
- É bom que você compreenda que isso é muito sério - rosnou Lisi, e parecia que falava a sério mesmo. - Você vai usar essa camiseta no próximo jogo. Quando marcar um gol, vai mostrá-la para a torcida, para as TVs. Para o mundo.
- Você está louca - Jonas não estava mais rindo. - Por que eu faria isso?
- Porque, se não fizer, vou aos jornais contar a sua verdadeira idade!
Jonas começou a suar. Ia dizer que ela não faria aquilo, mas leu nos olhos de fogo dela que ela faria, sim. Balbuciou:
- P... por que isso, Lisi?
- Porque sim. Porque eu quero. Faça isso, e não vou mais incomodar. Adeus. Vou estar de olho na TV.
Jonas ficou parado à soleira da porta, com a camiseta na mão. E agora? Se fizesse o que a ex queria, a atual namorada deixaria dele. Roberta não suportaria aquela declaração pública de amor à outra. Contar a verdade a Roberta estava fora de cogitação - seria mais uma a saber do seu segredo e, além disso, ela não ia querer ficar com um homem tão mais velho do que ela. Mas desobedecer a ex também era alternativa horrenda. Caso Lisi cumprisse a ameaça, a carreira dele estaria acabada. Talvez fosse até preso!
Essas questões circularam entre os miolos de Jonas durante todos os minutos que antecederam o jogo. Na hora de entrar em campo, as palavras na camiseta lhe queimavam o peito como se tivessem sido inscritas com óleo fervente. Jonas suava nas mãos, tremia. O que faria quando marcasse um gol? Mostraria a camiseta? Ou não? Olhou para as arquibancadas, para o ponto onde devia estar Roberta. Robertinha. Robinha. Sua Robinha. Suspirou. Que fazer, na hora do gol? Que fazer?
O adversário era fraco, em menos de 10 minutos, a bola sobrou para ele duas vezes, dentro da grande área. Jonas preferiu passar para um companheiro melhor colocado. Ou nem tão bem colocado, mas em condições de receber o passe. Aos 15, nova chance: Jonas recebeu a bola na frente dos zagueiros, o bandeirinha assinalou impedimento. Não era, mas ele nem reclamou. Ficou aliviado. Até o fim do primeiro tempo, Jonas deixou de marcar pelo menos mais três gols. No intervalo, o técnico o procurou:
- Que está acontecendo, Jonas?
- Nada, professor. Nada...
No segundo tempo, ele resolveu jogar fora da área, na intermediária, armando. Parecia um volante. Nas rádios, os comentaristas tentavam entender a mudança tática do treinador.
- A estratégia do técnico é brilhante! - exultava o Wianey Carlet. - Brilhante! Já havia preconizado isso na minha coluna.
Jonas nem sequer se aproximou da meia-lua. Mesmo assim, aos 33 minutos, o atacante Julinho entrou na área foi derrubado e... pênalti! Jonas estremeceu. Ele era o batedor oficial.
- Quem sabe você bate - sugeriu ao Julinho.
- E se erro? O homem me mata - respondeu o colega, apontando para o técnico. - Não, não: você bate.
Jonas apanhou a bola. Ela pesava como um cofre. Fechou os olhos. Abriu-os. Levou a bola até a marca da cal. Olhou para cima, para o azul do firmamento. Não sabia nem o que pedir a Deus. Correu para a bola sentindo vontade de chorar.
Chutou.
Para fora.
Medonhamente para fora. A torcida ficou pasmada nas arquibancadas, os locutores berravam nos microfones, Roberta deu um pulinho de susto nas cadeiras e Jonas, o pobre Jonas, teve ali mesmo, parado na marca do pênalti, a certeza de que jamais voltaria a marcar um gol. Então, pensou mais uma vez naquela frase: às vezes, um único golpe bem assestado da mulher é o suficiente para acabar com a vida do homem.
david.coimbra@zerohora.com.br
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8:00 PM by Cassiano Leonel Drum
Luis Fernando Verissimo
01/08/2004
Com e sem
Aquela era a divisão fundamental entre as pessoas: as que pediam água mineral com gás e as que pediam água mineral sem gás
Querida Roberta: Você deve estar estranhando meu silêncio e pensando que eu talvez tenha morrido ou, pior, esquecido você.
Não aconteceu nem uma coisa nem outra. Continuo razoavelmente vivo e em vez de esquecê-la, não paro de pensar em você. Só o que faço, desde o nosso jantar, é pensar em você. Sim, o jantar, o fatídico jantar em que finalmente nos conhecemos.
Antes éramos apenas seres abstratos, nomes numa tela de computador. O meu nickname era Sonhador e o seu era Bebeta e lembro a primeira coisa que você me perguntou, "Com que sonha o Sonhador?" e eu respondi "Encontrar alguém sonhador como ele". E você: "Serei eu?" E eu: "Me diga com o que você sonha".
E você: "Sonho em encontrar alguém que sonha comigo, mesmo sem me conhecer". E eu: "Me diga como você é". E você: "Me invente, me invente". E eu: "Mas você já se inventou, ou seu nome verdadeiro é mesmo Bebeta?" E você: "Claro que não. Ou seu nome verdadeiro é Sonhador da Silva?" E depois: "Como nunca vamos nos encontrar, invente a Bebeta que você quiser". E eu: "Por que nunca vamos nos encontrar? Vamos sim.
Eu preciso conhecê-la, para ter com o que sonhar". E você: "Mas aí eu não serei mais um sonho seu, mas uma lembrança, e nem serei mais eu, pois meu sonho é alguém que sonhe comigo sem me conhecer e você me conhecerá". Foi então que eu decidi que tinha que conhecê-la.
Você resistiu. Eu insisti. Em vez de sonhar com a abstração, perdi o sono pensando em como seria, concretamente, essa Bebeta que não queria se mostrar, e não queria ver como eu era. Seria feia? Seria velha? Seria homem? Eu precisava conhecê-la.
Finalmente você sugeriu que fôssemos à mesma hora a um local público em que haveria muita gente, sem nada que nos identificasse um para o outro, e tentássemos adivinhar quem era um e quem era o outro. E você lembra o que aconteceu. Você me reconheceu. A mulher mais bonita de todas as que estavam ali bateu no meu ombro e disse "É você o Sonhador?", e era eu. Mal pude dizer "Eu devo estar sonhando".
Depois fomos jantar, e só o que eu conseguia pensar era "Isto não pode estar acontecendo comigo. Não pode ser verdade. Uma mulher dessas. O que eu estou fazendo com uma mulher dessas?" Você talvez não tenha notado o efeito que causava em mim, pobre de mim. Foi simpática o tempo todo. Maravilhosa o tempo todo. Me disse que seu nome era Roberta. Eu: "Sonhador da Silva". Depois: "Brincadeira..." e disse meu verdadeiro nome. Você riu. Além de tudo, tinha os dentes perfeitos! Foi quando eu decidi que era demais.
O garçom perguntou se queríamos água mineral com ou sem gás.
Respondemos ao mesmo tempo. Eu: "Com". Você: "Sem".
Você deve ter estranhado que o resto da nossa conversa foi sobre a minha teoria de que aquela era a divisão fundamental entre as pessoas: as que pediam água mineral com gás e os que pediam água mineral sem gás. Eram as duas grandes tribos humanas, os do com e os do sem.
Você riu outra vez, com os mesmos dentes, até se dar conta de que eu estava falando sério, de que aquele assunto me absorvia, me obcecava. Você tentou mudar de assunto, saber mais a meu respeito, contar mais a seu respeito, descobrir gostos comuns, talvez planejar um futuro em comum para nós.
Mas eu voltava ao tema dos com e dos sem com ênfase crescente. Era irreconciliável aquela divisão entre os com e os sem. Podiam conviver por alguma tempo numa mesma mesa ou numa mesma sociedade, mas fatalmente viria o grande cisma, e um dia a humanidade seria obrigada a escolher o seu lado definitivo, sem entendimento possível. Não estava fora de questão que a última guerra mundial fosse causada pela água mineral. E você se lembra que pedi licença para me retirar porque só pensar naquilo me causava depressão.
Você era demais para mim, entende, Bebeta? Nos conhecermos daquele jeito, nos encontrarmos daquele jeito, você ser perfeita, você não me rejeitar... Não era natural. Desculpe. Mas tenho pensado muito em você. E sonhado com você, Bebeta. Sonhado muito.
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7:57 PM by Cassiano Leonel Drum
Moacyr Scliar
01/08/2004
O mês da urucubaca
Muitos brasileiros acreditam que agosto é um período de mau agouro para casamentos, mudanças de casa e negócios
Num discurso sobre a situação econômica do país, o presidente Lula usou uma expressão não muito freqüente em pronunciamentos oficiais; ele disse que as coisas vão dar certo e que "a urucubaca não vai pegar".
Não é uma linguagem enigmática. Todo brasileiro sabe bem o que é urucubaca. E muitos brasileiros acreditam em urucubaca. Assim como muitos brasileiros acreditam que agosto é o mês do desgosto.
O que, aliás, não é uma crença só brasileira. Nos países latinos em geral, este é considerado um mês aziago, um mês de mau agouro para casamentos, mudanças de casa, negócios. "No lavarse la cabeza en el mes de agosto: llama la muerte", reza o folclore argentino.
E, no mês de agosto, há dois dias particularmente ruins: um é o 1° de agosto, considerado arriscado sobretudo para viagens; outro é o 24 de agosto, dia de São Bartolomeu, dia em que o diabo anda à solta. Não faltará quem associe as duas datas a acontecimentos funestos. A Primeira Guerra mundial começou exatamente a 1º de agosto de 1914; 40 anos após, em 24 de agosto de 1954, suicidava-se o presidente Getúlio Vargas.
Coincidências à parte, existe uma diferença básica entre crendice e raciocínio lógico. Para a crendice, existem nexos invisíveis e inexplicáveis entre as coisas, nexos estes para os quais existem antídotos que também funcionam de modo inexplicável. Não é de admirar que, com a proximidade de agosto, a venda de amuletos tenha aumentado bastante, segundo uma matéria da revista Veja.
Além das proteções clássicas contra o mau-olhado, existe um misterioso fio dito cabalístico, um cordel vermelho que é atado no pulso com 7 nós. A moda foi lançada pela sempre irrequieta Madonna, que conseguiu a adesão de Demi Moore, Britney Spears e David Beckham (e que custa R$ 70). Uma corrente de prata com olhinhos coloridos é vendida na butique Daslu, de São Paulo, por R$ 450. O preço já está a indicar que superstição não é coisa só de pobre. Mesmo executivos recorrem a proteções desse e de outros tipos.
Temor supersticioso é uma coisa atemorizante, mortal até. No Haiti, existe um fenômeno conhecido como a morte vudu, estudado pelo grande pesquisador americano Walter B. Cannon. A pessoa que é objeto de um feitiço entra num estado de tal tensão que acaba morrendo pelo estresse resultante. Nas necropsias que fazia dos falecidos, Cannon não achava lesões orgânicas, evidência do poder da ansiedade e do medo.
No caso de agosto e, ao menos no Brasil, há uma explicação para as coisas que acontecem neste mês. Em nosso país, o ano se divide em dois semestres. O primeiro semestre começa, festivo, em pleno verão, logo depois do Natal e do Ano Novo, um pouco antes do Carnaval; é um semestre curto e cheio de festas.
O segundo semestre começa no inverno. É um semestre mais longo que o primeiro, e é o semestre em que os problemas empurrados com a barriga têm de ser, de alguma maneira, resolvidos. O segundo semestre é o período de acerto de contas; aliás, não por outra razão, nele ocorre o período eleitoral.
Os grandes movimentos políticos no Brasil ocorrem mais no segundo semestre, simplesmente porque há mais tempo para que eles possam ocorrer. E qual o mês que começa o segundo semestre? Julho? Não, julho, principalmente para a classe média, que é a grande caixa de ressonância em sociedades como a brasileira, é um mês de férias.
Férias que coroam o primeiro semestre. Terminam as férias, termina o primeiro semestre, damos de cara com agosto. Urucubaca? Não. Lógica. Lógica que, de alguma maneira, vai nos ajudar a enfrentar a crendice e o azar, não é mesmo? Vamos bater na madeira.
scliar@zerohora.com.br
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7:54 PM by Cassiano Leonel Drum
Paulo Sant'ana
01/08/2004
O pedágio de rapina
Ontem focalizei o absurdo de os contratos de pedágio permitirem que se cobrem tarifas dos ônibus de transporte coletivo, onerando gravemente o preço das passagens.
Não tenho nada contra os empresários que exploram praças de pedágio, eles são agentes econômicos triviais, assinam contrato de concessão com os governos, estão literalmente na sua.
O que sou obrigado a criticar com veemência é este sistema de pedágios que foi erigido entre nós no governo estadual passado, sendo logo imitado pelo governo federal, com distorções que se tornam carnívoras para grande parte das pessoas que transitam por nossas estradas.
Como é que podem ter sido firmados estes contratos com as empresas de pedágio permitindo que elas gravem os passageiros de ônibus com suas tarifas?
Se progredirem esses critérios espoliativos das cobranças de pedágios, em breve essas praças de cobranças serão instaladas dentro das cidades, não mais nas estradas, mas nas ruas e avenidas do perímetro urbano citadino.
É desumano e anticivilizatório cobrar-se tarifa de pedágio de pessoas que transitem diariamente pelas praças tarifadas.
Como é que o governo que assinou tais contratos não se acautelou com salvaguardas sociais que impedissem que passageiros de ônibus ou motoristas que são obrigados cotidianamente, por força de suas relações de trabalho e outros afazeres, a cruzarem praças de pedágio diariamente, não sejam isentos dessas tarifas?
Não se pode cobrar pedágio, em nenhuma hipótese, de quem esteja obrigado a transitar por uma estrada todos os dias em cumprimento de seu sustento, obviamente tinham que ser isentos da tarifa todos os que têm trajeto curto, embora intermunicipal, para trabalhar e ganhar a vida.
Simplesmente porque isso inibe a circulação e o trabalho, até mesmo o emprego, caso que se verifica cabalmente com os trabalhadores e desempregados de Guaíba e de outras centenas de cidades gaúchas.
Para quem faça uma viagem longa e marcada por certa eventualidade, cabe o pedágio. Jamais para pessoas que trabalhem numa cidade e morem na outra ou para pessoas que desenvolvam atividades profissionais diárias, que impliquem travessias de um ou dois municípios.
É injustificável a cobrança de pedágios, às vezes na ida e na volta, dessas pessoas.
Já se chegou ao cúmulo aqui no Rio Grande do Sul de empresas de pedágios, no maior caradurismo, fecharem estradas alternativas às praças de pedágio.
E, por falar nisso, onde estão as estradas alternativas ao pedágio, como manda o espírito da lei?
Sem falar nos reajustes das tarifas de pedágio, desumanamente impostos aos usuários com índices acima da inflação.
Como é que os governos permitem isso? As pessoas, sem voz, suportam esse pesado e injusto encargo. Ou então tombam profissional ou existencialmente diante da exploração. E vão cair na marginalização.
Então, é a hora de denunciar esses contratos que ferem o direito das pessoas de circularem em trajetos curtos, todos os dias, dentro de ônibus ou tripulando veículos, pagando uma tarifa de pedágio que incide direta e brutalmente sobre seu meio de sobrevivência, inviabilizando-lhes a existência.
O pedágio não tem o direito de esquartejar ou paralisar o indivíduo.
psantana.colunistas@zerohora.com.br
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7:51 PM by Cassiano Leonel Drum
Serviços
Viagem à tecnologia oriental
No Japão e na Coréia do Sul, os celulares são usados como TV, cartão de crédito, videogame, guia de endereços e até telefone. Em Seul, por exemplo, o que mais se vê é gente com o aparelho na mão, como a estudante Choi Ming Young e seus amigos.
No Japão, é possível usar o aparelho até para comprar refrigerante. O desenvolvimento da indústria móvel justifica-se pela paixão que coreanos e japoneses nutrem pela tecnologia e pela concorrência acirrada entre as operadoras (foto: Rodrigo Müzell/ZH)
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9:00 AM by Cassiano Leonel Drum
Ponto de vista: Stephen Kanitz
Observar e pensar
"Ensinar a observar deveria ser a tarefa número 1 da educação. Quase metade das grandes descobertas científicas surgiu
não da lógica, do raciocínio ou do uso de teoria, mas da simples observação"
O primeiro passo para aprender a pensar, curiosamente, é aprender a observar. Só que isso, infelizmente, não é ensinado. Hoje nossos alunos são proibidos de observar o mundo, trancafiados que ficam numa sala de aula, estrategicamente colocada bem longe do dia-a-dia e da realidade. Nossas escolas nos obrigam a estudar mais os livros de antigamente do que a realidade que nos cerca. Observar, para muitos professores, significa ler o que os grandes intelectuais do passado observaram ¿ gente como Rousseau, Platão ou Keynes.
Só que esses grandes pensadores seriam os primeiros a dizer "esqueçam tudo o que escrevi", se estivessem vivos. Na época não existia internet nem computadores, o mundo era totalmente diferente. Eles ficariam chocados se soubessem que nossos alunos são impedidos de observar o mundo que os cerca e obrigados a ler teoria escrita 200 ou 2.000 anos atrás ¿ o que leva os jovens de hoje a se sentir alienados, confusos e sem respostas coerentes para explicar a realidade.
Não que eu seja contra livros, muito pelo contrário. Sou a favor de observar primeiro, ler depois. Os livros, se forem bons, confirmarão o que você já suspeitava. Ou porão tudo em ordem, de forma esclarecedora. Existem livros antigos maravilhosos, com fatos que não podem ser esquecidos, mas precisam ser dosados com o aprendizado da observação.
Ensinar a observar deveria ser a tarefa número 1 da educação. Quase metade das grandes descobertas científicas surgiu não da lógica, do raciocínio ou do uso de teoria, mas da simples observação, auxiliada talvez por novos instrumentos, como o telescópio, o microscópio, o tomógrafo, ou pelo uso de novos algoritmos matemáticos. Se você tem dificuldade de raciocínio, talvez seja porque não aprendeu a observar direito, e seu problema nada tem a ver com sua cabeça.
Ilustração Ale Setti
Ensinar a observar não é fácil. Primeiro você precisa eliminar os preconceitos, ou pré-conceitos, que são a carga de atitudes e visões incorretas que alguns nos ensinam e nos impedem de enxergar o verdadeiro mundo. Há tanta coisa que é escrita hoje simplesmente para defender os interesses do autor ou grupo que dissemina essa idéia, o que é assustador. Se você quer ter uma visão independente, aprenda correndo a observar você mesmo.
Sou formado em contabilidade e administração. A contabilidade me ensinou a observar primeiro e opinar (muito) depois. Ensinou-me o rigor da observação, da necessidade de dados corretamente contabilizados, e também a medir resultados, a recusar achismos e opiniões pessoais. Aprendi ainda estatística e probabilidade, o método científico de chegar a conclusões, e finalmente que nunca teremos certeza de nada. Mas aprendi muito tarde, tudo isso me deveria ter sido ensinado bem antes da faculdade.
Se eu fosse ministro da Educação, criaria um curso obrigatório de técnicas de observação, quanto mais cedo na escala educacional, melhor. Incentivaria os alunos a estudar menos e a observar mais, e de forma correta. Um curso que apresentasse várias técnicas e treinasse os alunos a observar o mundo de diversas formas. O curso teria diariamente exercícios de observação, como:
1. Pegue uma cadeira de rodas, vá à escola com ela por uma semana e sinta como é a vida de um deficiente físico no Brasil.
2. Coloque uma venda nos olhos e vivencie o mundo como os cegos o vivenciam.
3. Escolha um vereador qualquer e observe o que ele faz ao longo de uma semana de trabalho. Observe quanto ele ganha por tudo o que faz ou não faz.
Quantas vezes não participamos de uma reunião e alguém diz "vamos parar de discutir", no sentido de pensar e tentar "ver" o problema de outro ângulo? Quantas vezes a gente simplesmente não "enxerga" a questão? Se você realmente quiser ter idéias novas, ser criativo, ser inovador e ter uma opinião independente, aprimore primeiro os seus sentidos. Você estará no caminho certo para começar a pensar.
Stephen Kanitz é administrador por Harvard
www.kanitz.com.br
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8:55 AM by Cassiano Leonel Drum
Diogo Mainardi
Brasil, cúmplice de um crime
"Lula foi à África. De novo. Assinou acordos para o plantio de mandioca com o ditador do Gabão. Deveria ter aproveitado a viagem para condenar o regime genocida do Sudão. Preferiu falar sobre maracatu"
Sudão. De um lado, os milicianos árabes ou "janjawid". Do outro, a população negra da região de Darfur. Os milicianos árabes querem tomar a terra dos negros. Já assassinaram cerca de 30.000 pessoas. Incendiaram vilarejos. Praticaram estupros em massa. Raptaram crianças. Envenenaram as fontes de água. Um milhão de habitantes de Darfur foram obrigados a abandonar suas casas. Dois milhões estão desnutridos. Cento e cinqüenta mil se refugiaram no Chade.
Trata-se da maior crise humanitária da atualidade. Que lado o Brasil escolheu nessa tragédia? O dos negros? Claro que não. O Brasil escolheu ficar com o regime do Sudão e seus esquadrões da morte árabes. Lula nos tornou cúmplices das atrocidades cometidas em Darfur.
A questão está sendo debatida no Conselho de Segurança da ONU. Os Estados Unidos, desde o fim de junho, defendem a imposição de sanções contra o regime ditatorial do Sudão, que arma e protege os milicianos árabes de Darfur. França, Inglaterra, Alemanha, Espanha e Chile apóiam a iniciativa. O Brasil, não. Uniu-se à Argélia e ao Paquistão para obstruir a proposta americana. O representante brasileiro na ONU, Ronaldo Sardenberg, sugeriu dar mais tempo ao regime do Sudão.
A Anistia Internacional calcula que 1.000 pessoas morrem por semana em Darfur. Dar mais tempo aos paramilitares sudaneses significa permitir o assassinato de ainda mais gente. Como disse o jornal Washington Post, o Brasil considera mais importante a soberania do que a vida.
Os parlamentares dos Estados Unidos, na última semana, definiram a situação em Darfur como um genocídio. Pediram uma intervenção urgente do governo americano, multilateral ou unilateral. Ou seja, com ou sem a ONU. George W. Bush ameaçou abertamente os chefes militares sudaneses, incitando-os a conter os "janjawid".
O candidato do Partido Democrata, John Kerry, foi ainda mais veemente. Discursando na maior associação de negros do país, demandou a punição imediata dos mandantes do genocídio. O movimento negro americano pressionou os políticos a se ocupar do genocídio de negros no Sudão. A ministra de Promoção da Igualdade Racial, Matilde Ribeiro, que representa o movimento negro brasileiro, optou por ignorar o imobilismo criminoso de seus colegas de governo.
Lula foi à África. De novo. Doou cinco ou seis computadores à população de São Tomé e Príncipe e assinou acordos para o plantio de mandioca com o ditador do Gabão, Omar Bongo, conhecido por ser o líder estrangeiro com o maior número de propriedades imobiliárias em Paris. O presidente deveria ter aproveitado a viagem à África para condenar o regime genocida do Sudão. Preferiu falar sobre maracatu.
A megalomania petista considera o Brasil importante o bastante para merecer uma cadeira permanente no Conselho de Segurança da ONU. Neste ano, ocupamos uma cadeira rotativa. A primeira decisão relevante de nosso mandato foi sobre as sanções ao Sudão. Escolhemos o lado errado. Decidimos ser coniventes com um crime. Ainda bem que daqui a um ano e meio tomam de volta nossa cadeira rotativa.
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8:42 AM by Cassiano Leonel Drum
Padarias fazem pães diferentes
Empresas buscam diversificar os produtos e serviços para garantir bons negócios
Silvana Caminiti
Foi-se o tempo em que as padarias vendiam só pão e leite. A concorrência com os grandes supermercados que também vendem esses produtos fez com que os empresários do setor da panificação buscassem a diversificação, para evitar a falência. Ainda assim, é grande o número de padarias que fecham, a cada ano.
Uma das maiores feiras do setor da panificação, a Fipan (Feira Internacional de Panificadoras), que começa hoje em São Paulo, vai mostrar as novas tendências para a área e o que a indústria que abastece padarias e panificadoras tem de novo a oferecer aos empresários.
Além da necessidade da diversificação do mix de produtos, a feira vai mostrar também a importância de ter funcionários bem treinados, seja no preparo de pães e outros itens, ou no atendimento ao cliente. Uma empresa carioca que pode ser considerada um sucesso no ramo é a Ateliê do Pão, na Tijuca. A empresa mantém uma clientela fiel, graças principalmente à diversificação de seus produtos.
Regina Corato, administradora do estabelecimento, conta que a padaria produz mais de 40 tipos de pães, além de tortas e mais 30 tipos de doces finos. Além disso, oferecemos pizza para viagem, sorvete de massa italiana, assados na brasa, e um serviço de bar, com venda de chope e petisco, comenta ela.
Para Regina, a diversificação é o principal diferencial da empresa, e é justamente o que atrai e fideliza a clientela, que ainda conta com serviço de entrega em domicílio.
O setor da panificação é concorrido, e é preciso oferecer um algo mais para não perder o cliente, ensina Regina, lembrando que a casa treina mensalmente seus funcionários, para garantir bom atendimento.
Ateliê do Pão:(21) 2278-0931
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8:37 AM by Cassiano Leonel Drum
Bela Jogada
Uniforme oficial dos atletas das Olimpíadas de Atenas se une às roupas descoladas e garante uma torcida em verde, azul e amarelo
Texto Marcia Disitzer / Fotos Márcio Mercante
Esporte e moda têm ficado cada vez mais próximos. E, às vésperas das Olimpíadas da Grécia, esse casamento atinge o nirvana. Dia 11, quando a seleção feminina de futebol entrar em campo, a combinação do verde, azul e amarelo estará lá em Atenas, fazendo bonito. Afinal de conta, nossas cores estão em alta no mercado fashion e nunca foram tão badaladas, comentadas e desejadas.
Para esquentar a torcida, a dica é juntar peças do uniforme oficial dos atletas da marca Olympikus, com assinatura do estilista Alexandre Herchcovitch, e maiô da Speedo, que patrocina vários atletas da natação, com roupas urbanas e descoladas, prontas para acelerar o dia-a-dia. Nessa corrida pelo estilo, todos são campeões. A sofisticação do paetê, a flexibilidade e o conforto dos tecidos elásticos e os medalhões dourados se unem ao uniforme olímpico e ganham o jogo da moda. Agora, é só correr para o pódio e comemorar.
CAMISETA Olympikus (R$ 52,90) sobre segunda-pele Yes, Brazil (R$ 89) e saia Animale (R$ 139).Pulseiras Francesca Romana (a partir de R$ 98)
CASACO Olympikus (R$ 306, o conjunto com calça) e colar Francesca Romana (R$ 218)
MAIÔ e óculos Speedo na Sport Society (R$ 79,90 e R$ 67,90) e tricô Maria Filó (R$ 104). Broche Francesca Romana (R$ 116)
REGATA Maria Filó (R$ 59) sob blusa Yes, Brazil (R$ 89), camisa Corpo e Alma amarrada na cintura (R$ 84) e corrente Fiszpan (R$ 42). A calça é Olympikus (R$ 306, o conjunto com jaqueta)
FICHA TÉCNICA: MODELO Nayana Montechiari (Ag. Mega); CABELO E MAQUIAGEM Fernando Rodrigues (com produtos Trucco & Sebastian); PRODUÇÃO Mariana Salim; LOCAÇÃO Academia Estação do Corpo da Lagoa; ENDEREÇOS Olympikus - 3154-7199; Yes, Brazil - Shopping Tijuca, 1º piso; Animale - Plaza Shopping, 2º piso; Francesca Romana - Rua Visconde de Pirajá 351/1º piso, Ipanema; Maria Filó - Rua Lopes Trovão 52/lj.103, Icaraí; Corpo e Alma - Rio Sul, 2º piso; Sport Society - Madureira Shopping, 2º piso; Fiszpan - Rua Sete de Setembro 98, Centro.
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8:32 AM by Cassiano Leonel Drum
O Prazer das Palavras
Cláudio Moreno - 31/07/2004
Africanismos
Duas abnegadas professorinhas, preparando uma aula sobre a influência africana em nosso vocabulário, incluíram entre esses empréstimos a palavra figa, a qual, segundo Nei Lopes, em seu Novo Dicionário Banto do Brasil, seria derivada do Suaíli fingo, "amuleto".
Animadas com a descoberta, planejavam fazer as crianças construírem gigantescas figas de papel machê quando uma delas se deu conta de que o autor encerrava o verbete com uma interrogação: "Seria um portuguesismo?". Como isso as deixou intrigadas, pediram que eu explicasse o que ele queria dizer. É o que eu faço a seguir.
Não há dúvida de que este é um dos talismãs preferidos pelos seguidores das religiões afro-brasileiras, mas já era conhecido na pré-história européia. O vocábulo figa, por sua vez, vem do Latim fica, e aparece também no Francês e no Espanhol (figue e higa, respectivamente); não se trata, portanto, de uma contribuição africana ao nosso idioma.
Como todos sabemos, os portugueses exploraram a costa da África, dos dois lados do continente, antes de descobrir o Brasil. Quando os primeiros escravos foram trazidos para cá, possivelmente muitas palavras portuguesas já faziam parte do léxico das regiões em que os nossos antepassados se estabeleceram para dedicar-se ao tráfico negreiro - assim como aconteceu na Ásia, em que os povos do litoral da Índia, da Malásia, da China e do Japão, ao negociarem com os lusitanos, terminaram absorvendo vários vocábulos do Português.
Além disso, com a intensificação do comércio de escravos, estabeleceu-se através do Atlântico uma verdadeira rede de influências lingüísticas e culturais que viajavam em mão-dupla, da África para o Brasil e vice-versa - o que explica a dúvida levantada por Nei Lopes: o fingo que aparece no Suaíli pode ser influência do Português sobre o idioma africano, e não o contrário; daí a sua justificada cautela.
Esta prudência é exatamente o que faltou à maior parte dos estudos sobre os africanismos no Português do Brasil, que invariavelmente tendiam para os extremos: ou limitavam essa influência ao vocabulário específico dos cultos religiosos e à culinária correspondente (entre centenas de outros, exu, bará, egum, orixá, ilê, mungunzá, efó, dendê, vatapá, axoxô, xinxim, acaçá), ou caíam no exagero oposto, atribuindo à África vocábulos de origem européia, ameríndia ou oriental (bugiganga, cachaça, cutucar, fulo, bengala, tarrafa, minhoca, pindaíba).
Minhas caras professoras, dou-lhes um conselho que não me pediram: para mostrar às crianças a presença do elemento africano em nossa cultura, acho que pouca ênfase deve ser dada à terminologia específica dos ritos africanos, pois são palavras que, em geral, não fazem parte do léxico corrente do brasileiro, ficando restritas aos fiéis dessas religiões - assim como amicto, casula, galheta, manutérgio, oblata e pátena, palavras relativas à missa, só circulam entre os (bons) católicos.
Trabalhar com este tipo de vocabulário daria, a meu ver, um indesejável caráter exótico à contribuição africana, reforçando a visão de que o negro seria o "outro", o estranho, o não-brasileiro - com todas as implicações racistas que nós tão bem já conhecemos.
Parece-me muito mais produtivo ressaltar aqueles vocábulos que fazem parte do nosso quotidiano afetivo e familiar, que podem muito melhor testemunhar o quanto carregamos na mente (e no sangue) a nossa herança negra: bamba, caçula, cacunda, cafuné, calombo, camundongo, carimbo, catimba, dengue, farofa, inhame, macaco, mamona, marimbondo, miçanga, molambo, moleque, mondongo, quindim, quitanda, quitute, senzala, sunga, tanga, além do especialíssimo samba e da insubstituível bunda, que o Português Europeu raramente usa. (Veja o meu leitor a vantagem de escrever, como eu faço, o nome dos idiomas com inicial maiúscula! Em minúsculas, a frase seria escandalosa...)
claudio.moreno@zerohora.com.br
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8:29 AM by Cassiano Leonel Drum
Cláudia Laitano
31/07/2004
Flashback
O segredo da receita do mandiopã é guardado até hoje por um sujeito chamado Antonio Gumercindo. Magda Cotrofe, a Juliana Paes dos anos 80, agora é professora de etiqueta e namora um personal trainer. O dublador de Dick o Vigarista, Domício Costa, também é o dono das vozes do Prefeito de As Meninas Superpoderosas e do cachorro Eustácio do desenho Coragem, o Cão Covarde. O Chevette Jeans vinha com bolsos nas laterais dos bancos, imitando calças - só de chinfra.
Não, não derrubaram maconha no meu mountain dew. Ocorre que a minha diversão esta semana foi ler a revistinha Flashback, uma edição especial da SuperInteressante que terá ainda mais dois números lançados este ano - um em setembro e outro em novembro. Se der certo, pode virar uma publicação regular da Abril em 2005. Por mim, já deu.
A pauta são "clássicos, retrôs, vintages, nostalgias e outras saudades" dos anos 70 e 80. Os textos são bem-humorados, informativos, e não caem na armadilha de levar a sério demais o interesse que marmanjos perto dos 40 podem manter sobre esse acervo de cultura inútil.
Não sei se você já reparou, mas poucos assuntos mobilizam tanto um grupo da mesma geração quanto as lembranças de infância e adolescência. Talvez não apenas pela carga afetiva que uma determinada recordação individual envolve, mas principalmente pela oportunidade de compartilhar um arquivo comum de experiências.
A calça deandê, o show do The Cure no Gigantinho, o programa Pra Começo de Conversa, tudo isso são notas de rodapé nas memórias de quem viveu a adolescência em Porto Alegre nos anos 80. Mas são miudezas desse tipo que nos localizam no tempo, que nos fornecem uma espécie de CEP na linha da história. É reconfortante reconhecer membros da mesma tribo, reviver em conjunto experiências banais que, filtradas pela distância, sempre nos parecem um pouco mais divertidas e grandiosas do que elas realmente foram. O tempo deixa as boas lembranças cada vez melhores.
E como a vida não anda de Chevette, quando você vê, pimba: aqueles garotos que ainda ontem andavam emplastando o cabelo de gel subitamente viraram público-alvo de uma revista chamada Flashback. Já? Cacíldis, como foi que a gente chegou aqui tão rápido? De aeromóvel é que não foi.
claudia.laitano@zerohora.com.br
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8:26 AM by Cassiano Leonel Drum
Paulo Sant'ana
31/07/2004
Tarifas genocidas
Esqueci-me ontem de colocar como insumo das passagens de ônibus o pedágio.
Existe maior absurdo que ônibus de linha pagarem pedágio? Para caracterizar melhor a insensibilidade oficial, a pergunta tem de ser modificada: é admissível que cada passageiro de ônibus da linha Guaíba-Porto Alegre pague R$ 0,17 de pedágio, embutidos no preço total da passagem?
E assim vai se encarecendo a passagem de ônibus das populações carentes, tornando-a insuportável para as pessoas, ainda mais para aquelas que são obrigadas a viajar em dois ônibus para cumprir um só trajeto.
É da lógica racional que qualquer passageiro que queira se dirigir a um determinado ponto de uma cidade como Porto Alegre - ou de uma região metropolitana como a Grande Porto Alegre - somente em um sentido, pague somente uma passagem.
Essa é a lógica que preside todos os metrôs do mundo: o passageiro penetra no subterrâneo mediante a aquisição de um tíquete e lá embaixo embarca em quantos trens forem necessários para chegar ao seu destino, sem precisar gastar com uma segunda passagem.
Tanto que a prefeita de São Paulo, Marta Suplicy, instituiu em São Paulo, e está lá vigorando, a passagem integrada.
Inteligentemente, em São Paulo, qualquer passageiro poderá trocar de ônibus durante duas horas com o pagamento de uma só passagem.
Isto é o lógico, isto é o humano, isto é o racional. Aqui não, quem mora em Guaíba muitas vezes é obrigado a pagar duas ou até três passagens para dirigir-se da residência até o emprego em Porto Alegre, isso no sentido de ida, dobra o martírio fiscal com a volta. O mesmo acontece quando o destino ou a origem é Viamão.
Têm consciência as nossas autoridades para o dano monumental que causam às nossas populações ao obrigarem-nas a pagar diversas passagens para cumprirem um único trajeto?
Só em pedágio, portanto, cada morador de Guaíba ou Gravataí que passar como passageiro de ônibus em posto de cobrança paga a mais por sua passagem quase R$ 0,20 por viagem.
Somem-se a isso os impostos embutidos nos combustíveis e temos as passagens de ônibus oneradas de forma tão selvagem que o processo só podia acabar como está culminando: com as reprováveis depredações dos ônibus em Guaíba.
Por milagre, esses condenáveis incêndios de ônibus ainda não se alastraram para outras cidades ao redor de Porto Alegre.
É preciso que o governo estadual, de maneira urgente, em consórcio com o governo federal, revise a planilha de custos das passagens de ônibus metropolitanos.
Está comprovado de maneira definitiva que os empresários de Porto Alegre evitam empregar moradores das cidades vizinhas.
Amanhã Zero Hora publica matéria do repórter Humberto Trezzi em que um grande empresário declara taxativamente que sua empresa não contrata forasteiros. E o diz sem pejar-se: é lógico que uma empresa não empregue quem mora noutro município, pois incrivelmente despenderá seis vezes mais (incrível!) com vale-transporte do que se contratar empregado que more na cidade de sua sede.
Quem tem a obrigação de corrigir esse atentado social é o governo.
psantana.colunistas@zerohora.com.br
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8:24 AM by Cassiano Leonel Drum
Acidente
Explosão mortal na Bélgica
Vazamento de gasoduto provocou incêndio em complexo industrial, deixando pelo menos 14 mortos (foto Stijn Defrene, AP/ZH)
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Sexta-feira, Julho 30, 2004
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6:56 PM by Cassiano Leonel Drum
Superpai
Major Crespo, da Esquadrilha da Fumaça, e as pequenas Isadora e Yasmin: o pai que vem do céu
Para toda criança, o pai é sempre um herói. Em alguns casos, eles são mesmo. Conheça a história de paizões que enfrentam o perigo, voam pelo céu, salvam vidas de inocentes e pilotam máquinas incríveis
Celso Fonseca, Dolores Orosco e Felipe Gil
Ser mãe é padecer no paraíso. Ser pai é ter o privilégio de ser condecorado herói pelo filho logo nos primeiros meses de vida. A mãe segura o bebê com os braços em forma de concha, o que dá uma sensação de proteção e acalento. A forma como o pai segura o filho, desajeitado, permite que a criança perceba que há um mundo a sua volta, explica o psicólogo da Pontifícia Universidade Católica (PUC) Haim Grunspum. Instintiva-mente, o bebê considera o pai a figura forte nesse ambiente que ainda não conhece, completa o especialista.
Com o passar dos anos, o mito do pai herói diminui ou até acaba. Afinal, papai também é humano e tem uma série de pontos fracos. Muitos conseguem manter a imagem do paizão herói. Até porque eles são, literalmente, heróis. Caso do piloto da Esquadrilha da Fumaça Ricardo Beltran Crespo, do piloto de Stock Car Guto Negrão, do policial Nestor Gomes e do professor Helio Teixeira que salvou seu filho Alexandre das mandíbulas de um crocodilo. Cada um a seu modo fortalece a idéia de heroísmo no imaginário de seus rebentos. E são infalíveis nessa difícil missão.
Circo voador
Para o Super-Homem voar, basta querer. Já o major Ricardo Beltran Crespo, 35 anos, precisa do caça T-27 Tucano da Esquadrilha da Fumaça, que corta o ar a mais de 400 quilômetros por hora. Viajando pelo céu, ambos são heróis. Durante a segunda quinzena de junho e a primeira de julho, os pilotos da Esquadrilha apresentaram suas acrobacias em 12 cidades do Norte do País e na cidade de Rio Negro, na Colômbia.
Em todas as demonstrações do chamado Circuito Norte havia uma multidão em terra, hipnotizada, de olho nas evoluções. Segundo a Esquadrilha, em Rio Branco (AC), a platéia era de 50 mil pessoas. As pessoas pedem autógrafos e fotos ao nosso lado. Algumas querem nos tocar, como se não acreditassem que somos reais, e outras chegam a chorar, diz Crespo.
Além dos admiradores em cada cidade que passa, o major tem três fãs em sua casa, na vila militar da Academia da Força Aérea (AFA), em Pirassununga, interior de São Paulo: a esposa, Rita, as filhas, Yasmin, nove anos, e Isadora, sete. Durante a semana, o trabalho de Crespo é cuidar da seção de pessoal do Esquadrão de Demonstração Aérea, nome oficial da Esquadrilha.
Vôos, no máximo dois por semana, rotina bem diferente das duas saídas diárias do primeiro mês de treinamento dos fumaceiros, como os pilotos são conhecidos. Quando sobrevoamos a vila, soltamos um pouco de fumaça e balançamos os aviões, conta o major. A filha Isadora corre para a janela sempre que ouve o barulho dos caças.
A rotina de demonstrações nos finais de semana afasta o pai da família. No Dia dos Pais do ano passado, ele não pôde ir à festa que preparamos na escola. Eu fiquei um pouco chateada, mas gosto muito do trabalho dele, diz Yasmin. Para Crespo e Rita, as filhas assimilam bem a ausência do pai. Elas sabem o quanto ele gosta de voar na Esquadrilha.
A convivência com aviões é tanta o casal está baseado na AFA desde 1995 que Isadora já vestiu as pesadas botas do pai e Yasmin, aos três anos, construiu um avião de travesseiros com chinelos no lugar das asas e uma fralda de pano no lugar do capacete.
A apresentação do domingo que vem está marcada, e este ano Yasmin não terá com o que se preocupar. As acrobacias serão feitas em Pirassununga e devem dar mais graça à festa de Dia dos Pais.
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2:27 PM by Cassiano Leonel Drum
Roubar é um prazer quase sexual
Por que há tanto ladrão no Brasil? Ah... Miséria, falta de emprego... Mas... não é só isso. Não falo dos ladrões de galinha, que pulam janelas mordidos de cachorro. Falo do ladravaz instituído, aquele que mora dentro dos cofres públicos, que passa dias e noites estudando como burlar as leis e burocracias. Nos grandes e pequenos há, claro, o doce prazer da adrenalina.
Roubar é uma aventura louca, um filme de ação, roubar é um vício secreto: poder entrar numa loja e estarrar um livro ou uma jóia, com o coração disparado do pavor de ser pego, e a imensa alegria do êxito de sair na rua, sem ninguém ver. No caso do ladrão da coisa pública, há o estímulo da vingança contra secretas humilhações você se vinga dos ladrões que sempre te roubaram. Ahhh... estou tirando o meu... Esses ladrões do governo roubam há séculos... antes eu que eles... justificam-se.
Um velho executivo me contou que já comprou um presidente da república. E foi humilhado como se fosse ele o ladrão. O presidente dera ordem para que a eterna mala preta fosse entregue dentro do próprio Alvorada. Ele foi entrando por todas as portas e ninguém lhe barrava. Já era de noite. Até que chegou na sala do presidente.
Luz acesa e, lá longe, o chefe da nação, fingindo desatenção, escrevia na mesa. Olhou o velhinho com desprezo e apontando-lhe o dedo ameaçador berrou, expulsando-o: Deixe a mala aí no chão e... retire-se! O pobre homem se esgueirou como um cão pelo palácio e foi vomitar nos tinhorões do jardim.
No caso dos ladrões públicos, o roubo tem uma conotação até meio patriótica, pois já vi muita gente se orgulhar de não pagar imposto. Eu? Pagar para esses vagabundos pagarem o FMI? Nunca!. Esse é o ladrão de esquerda. Hoje, muitos pululam dentro da administração infiltrada de petistas, que vêem o governo como um palácio a ser saqueado.
Há muitos tipos de ladrões. Já conversei com alguns deles na maciota, para perceber o motivo que os anima. O mais recorrente é o desejo de dar um tapa numa nota e resolver a vida. A idéia de sair da sociedade e de seus contratempos, de ir para uma praia infinita e nunca mais parar de beber água de coco. Mas esses ainda são amadores. O grande ladrão quer ficar, roubando sempre. É uma missão.
Esse ladrão vocacional é olhado com admiração nas churrascarias e shoppings. Olha lá o ladrão!..., diz o executivo traçando uma picanha. O outro responde: É ladrão, mas é espada, dá nó em pingo dágua!....
Eles dizem que depois do primeiro milhão de dólares o negócio é mais sexual.
Um sujeito me contou que já pegou muita mala preta debaixo de banco de praça. A adrenalina que rola na hora de ver as verdinhas é melhor que morfina. Palpar os dólares arrumadinhos pela concessão pública de um canal de esgoto ou de um golpe no INSS são volúpias inesquecíveis.
Outro me contou que adora ver os olhos covardes do empresário pagando-lhe a propina para o empréstimo público ou para o perdão da dívida. O empresário tenta fingir naturalidade, mas o ódio lhe acende os olhos. Disse-me: Adoro ver-lhe a raiva travada, o sapo engolido, fingindo-se simpático, adoro ver-lhe as mãos trêmulas, adoro até o desprezo impotente que ele tem por mim, vendendo-me eu, eu, o desonesto sem vergonha. Gosto de me sentir conspurcado pelo nojo do outro... Disse-me também esse Mr. M... da roubalheira: Hoje, estou aposentado, boiando aqui na minha piscina enorme em forma de vagina, mas me babava de prazer quando via a cara do juiz tentando uma severidade olímpica, enquanto exarava uma liminar comprada e que se exasperava, mudo, quando via a piscadela cúmplice que eu lhe dava na hora da sentença.
Não sei porque me sinto superior aos otários que me compram; não me ofendo, ao contrário, olho-os do alto! Roubar é sexy , meu amigo disse-me o ladrão aposentado, deitado numa bóia roxa, flutuando na piscina, com um coquetel amarelo e rosa na mão Roubar dá tesão!. Roubar tem algo de orgasmo. Quando o sujeito embolsa uma bolada, o fluxo de libido é inesquecível.
Eu mesmo, uma vez, estava com uma pasta com cerca de US$ 50 mil dentro. Fui tomar um cafezinho e tive o capricho de deixar a pasta em cima do balcão, ao lado do açucareiro, onde se acotovelavam proletários com copinhos de cachaça, e eu pensava: Nessa pasta aí está a salvação deles e eles nem imaginam...
Vejam o prazer perverso do poder...
Nos ladrões bem-sucedidos do Brasil, há o orgulho imenso da cafajestice: todos passam a entender de vinho quando enricam, todos compram lanchas e gado, todos arranjam amantes cachorras de cabelo pintado e correntinha no tornozelo, todos se deliciam em se saber vilipendiados pelas costas em salões de grã-finos sussurrando Olha o ladrão..., mas sabendo-se também invejados pelas aventuras que eles lhe atribuem.
As mulheres imaginam os colares que ganhariam se fossem suas piranhas louras, como nos filmes de gângsteres dos anos 40. Nelson Rodrigues dizia que o honesto tem úlcera e a mulher que lhe atira na cara: Você não é honesto, não; você é burro!!.
Senti mesmo em alguns canalhas que conheci o orgulho de suportar o sentimento de culpa que raras vezes lhes bate na consciência quando, digamos, roubaram verbas de remédios para criancinhas com câncer; sua gelada indiferença lhes parece prova de macheza, quase integridade. Um assassino do esquadrão da morte que namorou uma atriz com quem trabalhei contou-lhe que se masturbava diante do estrangulamento de crioulos num terreno baldio, indo depois para casa, onde os filhos felizes viam desenho animado na TV.
Um ladrão intelectual me disse: Esse país foi feito assim: na vala, entre o público e o privado. Há uma grandeza na apropriação indébita, florescem ricas plantas na lama das roubalheiras. A bosta não produz flores magníficas? Pois é... o Brasil foi construído com esse fertilizante. O progresso do país se deve à roubalheira secular. Sempre foi assim e sempre será. Roubo é cultura...
Enquanto isso, o STF quer acabar com os poderes do Ministério Público...
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8:01 AM by Cassiano Leonel Drum
O filme que abalou uma nação
A munição de Fahrenheit 11 de Setembro: as mazelas da Guerra do Iraque, o relatório entregue pela CIA a Bush antes da explosão das Torres Gêmeas e a suposta ligação comercial do presidente americano com os árabes. O resultado: um documentário brilhante
Tatiana Contreiras
Em frente ao Congresso, Moore e um soldado que sobreviveu ao Iraque
Panfletário, manipulador e tendencioso; gênio, investigador e militante: a opção é sua. Mas não há como negar que Michael Moore, 50 anos, é sinônimo de polêmica. Seja por seus filmes ou por sua postura declaradamente política, o cineasta é um dos líderes de uma legião de americanos insatisfeitos com seu país, que criticam e muito o próprio umbigo.
Depois de ganhar um Oscar por Tiros em Columbine, documentário em que busca os motivos do fascínio americano por armas, Moore agora leva às telas o bombástico Fahrenheit 11 de Setembro, em que sobram acusações a George Bush e até toques de comédia.
A intenção é clara: além de ridicularizar Bush de todas as formas possíveis (e é aí que os críticos de Moore o acusam de ser tão manipulador quanto a Casa Branca), o diretor se propõe a mostrar o que se passou antes e depois de 11 de Setembro (data do ataque às Torres Gêmeas), abusando de imagens fortes como os mortos no Iraque, jovens soldados americanos torturando iraquianos e até a pouca importância dada ao relatório da CIA, que alertava sobre o risco de atentados. Mas não se vê o momento exato do choque dos aviões nas Torres, talvez a imagem que os americanos considerariam a mais violenta de todas.
As férias intermináveis de Bush no início do mandato são alvo de gozação do cineasta no filme
Fahrenheit 11 de Setembro ganhou a Palma de Ouro no Festival de Cannes, em maio. Há quem diga que o prêmio teve um apelo muito mais político que cinematográfico. Mas o documentário caiu como uma bomba num momento em que os Estados Unidos se preparam para ir às urnas e Bush concorre à reeleição. No filme, que começa em tons de pastelão western, não há como não questionar (no mínimo) a postura do presidente, que logo após saber do atentado continuou lendo historinhas para uma classe infantil na Flórida.
Policial pára Moore, que grava nas ruas: uma das aparições do diretor
Fundamentado por pesquisas (que não o impedem de apresentar as informações como quer, é verdade), Moore ganha de vez o espectador ao esmiuçar o passado de Bush, mostrando suas ligações comerciais com os mesmos sauditas que estariam envolvidos no atentado e como, claro, seria mais fácil usar Saddam Hussein como bode expiatório. Independentemente de opção política, Fahrenheit é mais que necessário.
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7:54 AM by Cassiano Leonel Drum
Mauren Motta
30/07/2004
Paulicéia querida
Inacreditável o tempo que a gente perde em São Paulo. Todas as grandes avenidas estão em obras. Quando morei lá em 1998, já ficava chocada e irritada com a lentidão do trânsito. Mas agora passou dos limites total! Perder 45 minutos para andar um quilômetro é o cúmulo. Por outro lado, tem coisas que só rolam em Sampa.
Desta vez, o motivo da minha viagem foi a coletiva do filme Hellboy e o Amni Hot Spot. Cinema e moda, duas coisas que adoro. Além disso, essa cidade é um prato cheio de novidades. Dá pra fazer um programinha diferente a cada dia. Reservei o meu tempo livre para assistir a alguns shows.
Com a casa cheia, o ZERO subiu ao palco do Bar Avenida na mesma noite que o Violeta de Outono. Parecia que eu tinha voltado 15 anos no tempo. Na minha adolescência, essas bandas eram superconhecidas, depois não ouvi mais falar. Estava curiosa. A expectativa foi superada quando tocou Agora Eu Sei, hit do ZERO. Guilherme Isnard, vocalista, tá ótimo. O cara, que sempre teve uma personalidade marcante e voz forte, parece mais tranqüilo no palco.
A passagem dos anos não inibiu os sonhos do careca bonitón. A impressão que se tem é de que ele ainda pode estourar. Sabe como é, ficar conhecido pela moçada que descobriu tardiamente outras bandas dos anos 80, como o Capital Inicial.
É por essas e por outras que amo São Paulo. Adoro também a terrine de cabra do SPOT, o frozen yogurt do América, o X-vegetariano do New Dog, e o sushi de enguia do Nagayama. Amo catar tranqueiras na 25 de Março, andar pela sofisticada Oscar Freire, bisbilhotar as feirinhas da Benedito Calixto e Bixiga e as barbadas do Bom Retiro.
Para pegar fôlego, vou dar uma paradinha no Ibirapuera. Tô na corrida entre uma pauta e outra e suuuperengarrafada...
Beijolas cosmopolitas.
mauren@rbstv.com.br
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7:51 AM by Cassiano Leonel Drum
Paulo Sant'ana
30/07/2004
A revisão das tarifas
É muito bom que por trás dos lamentáveis acontecimentos de Guaíba retorne a discussão sobre o subsídio governamental às passagens no transporte público, o primeiro grito foi desta coluna.
Da minha parte entendo ser dever do Estado transportar as pessoas. E no Estado brasileiro vou mais adiante: as pessoas têm de ser transportadas quando suportam o preço das passagens e também quando não o suportam, seja gratuitamente, seja por passagens sociais, com horários eventuais a preço reduzido.
A planilha de insumos da passagem de ônibus está assim composta: empregados das empresas (50%); combustível e lubrificantes: 18%; pneus e câmaras: 7%; peças e acessórios: 7%; impostos e taxas: 15%.
Já temos aí, segundo a visão das empresas de ônibus, 97% do preço da passagem. Elas reclamam que ainda têm de pagar luz, telefone, energia elétrica, materiais administrativos e a obrigação de renovar a frota com os restantes 3%.
O diretor do Expresso Rio Guaíba, Gerson Piccoli, empresa em tela, manda-me dizer que não sabe a sua empresa o que é lucro há muitos anos, recorrendo ao endividamento para sobreviver. A avaliação da sinceridade dessa afirmação deixo-a para os leitores.
Mas dois itens dessa planilha de custos chamam-me a atenção: os 18% para o custeio de combustíveis e os 15% destinados aos impostos.
Num sistema como o nosso, em que se privilegia para o transporte de massas o ônibus, não tem explicação que os combustíveis destinados para as empresas sejam onerados pelos impostos. Os combustíveis dos ônibus têm de ser anistiados de impostos pelo governo, têm de ser subsidiados pelo governo.
E não tem também explicação que as empresas sejam obrigadas a pagar 15% de impostos para operar seus ônibus.
Só com esses dois itens modificados se poderia baratear sensivelmente as passagens.
O que aflora com extraordinária eloqüência desse episódio de Guaíba é que o preço das passagens assumiu um vulto tal que está agredindo a ordem econômica e social vigente: camadas imensas da população não têm como pagar pelo seu transporte.
E têm de ser transportadas. Paralisar-se as pessoas é marginalizá-las, é desumano, é agressivo, é selvagem privar as pessoas do seu direito de ir e vir. Ainda mais quando é para seu sustento.
É preciso depressa rever o sistema.
Recebo do comando-geral da Brigada Militar um contraditório à visão desta coluna de que tinham de ter sido presos em flagrante os agressores daquele rapaz no aeroporto Salgado Filho: "Senhor colunista. A classificação dos delitos cabe ao Órgão do Ministério Público, após todos os elementos constitutivos da prova, colhidos em conformidade com os dispositivos contidos nas Leis nº. 9.099/95 e 10.259/01.
No que diz com a prisão em flagrante, esta tem natureza cautelar, com vista à preservação da materialidade e autoria do delito, elementos esses que foram colhidos no local do fato.
Afirmar que pretendiam matar o condutor do veículo trata-se de visão açodada. Correto seria afirmar que ao agredirem a vítima poderiam assumir o risco de produzir resultado mais gravoso. O que é de difícil caracterização no caso concreto.
A Brigada Militar não pode nem deve pautar sua atenção baseada em hipóteses, pois lida com valores que uma sociedade tem de mais sagrado, que são a vida e a liberdade.
Assim, frente ao caso narrado, tem-se de concreto uma ocorrência envolvendo jovens tripulantes e condutores de dois veículos que, em conseqüência de desentendimentos e desavenças, resultou em lesões corporais recíprocas, cuja gravidade só se pode afirmar com o devido laudo pericial.
No que se refere à liberação das partes, longe de caracterizar banalização da violência, trata-se de procedimento legal que tem por objetivo oportunizar o exercício do contraditório, da ampla defesa e da formalização da culpa das partes envolvidas, que somente se verifica no âmbito do Poder Judiciário.
Gize-se que prisão em flagrante, no caso em análise, resta substituída pelo Termo Circunstanciado, pela concordância das partes em comparecerem em juízo para que, enfim, se examinem todas as circunstâncias relativas ao delito, em tese, praticado. Portanto, não houve o prejuízo dispensado ao caso na matéria veiculada no jornal Zero Hora do dia 27/07/2004. Reitero estima e consideração, (ass). Airton Carlos da Costa, comandante-geral da Brigada Militar".
psantana.colunistas@zerohora.com.br
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7:49 AM by Cassiano Leonel Drum
David Coimbra
30/07/2004
Quem é meu candidato
Votei pela primeira vez em 1982. O feriado amanheceu azul e amarelo no IAPI, lembro bem. A caminho da urna, eu e os amigos debatemos acerca dos abrolhos da política. Em coisa de 15 minutos, desenvolvemos a fórmula exata para salvar o Brasil. Não sei o que fiz com ela nesses últimos 22 anos, talvez tenha se extraviado em meio à coleção de Tex Willer e o Tesouro da Juventude, sei lá. Pena. O Brasil perdeu a chance de ser salvo.
Enfim. Quando finalmente recebi a cédula na qual iria assinalar os candidatos, senti que minha mão tremia. Tremor cívico. Achava que a eleição mudaria o mundo.
Hoje, entendo que o mundo só estará mudado de fato no dia em que a eleição for menos importante. No dia em que eleger este candidato ou aquele não fizer tanta diferença assim. O sistema. O fundamental é que o sistema funcione apesar da interferência humana.
Mas, lastimável, as eleições ainda são importantes. Essa também o será. Donde a necessidade de precisão germânica na escolha dos candidatos. Desenvolvi uma técnica, dos anos 80 para cá: analiso as mulheres e as eventuais ex dos gajos. O tipo de mulher que um homem toma para si diz muito a respeito dele.
Por exemplo: digamos que você conheça uma mulher deslumbrante, daquelas tão lindas que chega a doer, e ela manifeste certo interesse pela sua pessoa. Se você for esperto, vai torcer para que ela seja muito chata e muito burra, ou que tenha mau hálito. Porque, se ela não for nada disso, se, ao contrário, ela for inteligente e agradável e cheirosinha, você estará prestes a se tornar escravo dessa semideusa. Ou seja: homens realmente práticos não se deixam envolver por mulheres estonteantes.
Agora, um homem que opta por uma mulher bonita, mas não tanto que derreta os paralelepípedos da Rua da Praia; uma mulher inteligente, mas não pérfida; uma mulher não indispensavelmente fiel, mas leal; um homem que toma uma mulher dessas é digno de voto.
Pois bem. Estamos diante de uma eleição decisiva, das que podem mudar mesmo o destino do mundo. E temos um candidato com a mulher ideal. O Kerry! Observem Tereza Kerry. Fala cinco línguas, inclusive o português. É bela e até é charmosa. Mais: vive elogiando o ex. Está certo, o ex morreu e lhe legou US$ 500 milhões, mas ainda é o ex. Logo, não há que vacilar: Kerry para a presidência! Enquanto isso, vou ver se encontro aquela fórmula para salvar o Brasil nos escaninhos lá de casa.
david.coimbra@zerohora.com.br
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7:45 AM by Cassiano Leonel Drum
Fórum Mundial
Todos os sotaques da educação
Evento reúne 22 mil educadores de 47 países em Porto Alegre para discutir a qualificação do ensino (foto Júlio Cordeiro/ZH)
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Quinta-feira, Julho 29, 2004
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7:04 PM by Cassiano Leonel Drum
Felicidade
Felicidade! É o que todos querem. Dizem alguns cientistas que faz parte de nossa evolução e que a felicidade seja uma forma de recompensa para tudo o que fazemos que contribua para nossa sobrevivência (comer, beber, dormir) ou de nossa espécie (sexo, cuidar dos filhos). Seja como for, fazemos qualquer coisa para ficarmos felizes: mandamos flores e cartões para quem amamos, presenteamos nossos filhos, fazemos cursos de aperfeiçoamento profissional, etc.
Para estes cientistas, a felicidade é um hábito que pode ser cultivado, desempenhando atividades importantes para si: trabalho, relacionamentos, lazer e estudo. Bem como, acreditam que sem depressão e mau humor não seríamos capazes de reconhecer a felicidade em si.
Outros acreditam que a origem da felicidade está nos genes, ou seja, as pessoas felizes já nascem para serem felizes, todos os processos cerebrais que controlam a felicidade e a habilidade de uma pessoa sentir-se bem está pré-determinada no gene.
O Surgeon General publicou um relatório mostrando que 7,1% dos norte-americanos entre 18 e 54 anos sofrem de alguma desordem do humor. Alguns especialistas consideram alarmante e recomendaram a esses norte-americanos que procurem tratamento psiquiátrico e terapêutico.
Porém, os psiquiatras "evolucionistas" acreditam que as emoções são o produto de milhões de anos de seleção natural e os mau humores não são necessariamente defeitos que precisam ser corrigidos. Argumentam que ainda não conhecemos o suficiente sobre o humor para alterá-lo com remédios.
Assim, para eles, as emoções, sejam elas positivas ou negativas, existem para nos fazer coisas para os nossos genes. Portanto, ao manipular... E, hoje, o consumo de Prozac e Zolof mais que dobrou desde 1995. Contudo, os problemas com o humor, mesmo a depressão profunda, são mecanismos de alerta, que como outros, nos forçam a cuidar do corpo. Seria uma proteção, que nos induz a ter comportamentos que reduzem ferimentos piores no futuro.
Em 1998, o psicólogo da Universidade da Pensilvânia e presidente da Associação Americana de Psicologia, professor Martin Seligman, desenvolveu a psicologia positiva. Para ele, deve-se ensinar as pessoas, jovens em especial, a serem alegres e otimistas desenvolvendo sua força de caráter ao invés de analisar as suas fraquezas.
A psicologia positiva destina-se àqueles que não querem desperdiçar anos tomando Prozac ou no divã de um terapeuta, e tem uma solução idealizada por Aristóteles 2350 anos atrás: desenvolver atividades cívicas, uma vida espiritual e social. A pesquisa do Dr. Seligan, desenvolvida durante 30 anos, mostra que os otimistas minimizam seus infortúnios enquanto que os pessimistas culpam-se pelos incidentes e, por outro lado, atribuem à sorte os bons eventos.
Os otimistas acreditam que as boas coisas durarão muito tempo e que terão benefícios de tudo o que fazem e acreditam que as más coisas são isoladas, não durarão muito e não afetarão sua vida. Os pessimistas... Não é preciso dizer, certo? Todo mundo conhece um montão (no bom sentido) de pessimistas. Assim, de acordo com essa pesquisa, basta desenvolver pensamentos e atitudes otimistas para se viver melhor.
Para corroborar essa tese, os cientistas da Universidade de Michigan, pesquisando os aposentados verificaram que os mais felizes eram aqueles que têm amigos. E olha que levaram em conta a renda, saúde, morte de cônjuge, etc. Assim, valorizar as amizades é essencial para a sobrevida após a aposentadoria.
Outra pesquisa realizada na Mayo Clinic comprovou que os otimistas vivem mais que os pessimistas, cerca de doze anos a mais. O pior é que os pessimistas, além de viverem menos, sofrem mais. A pesquisa analisou pessoas com o perfil a partir de 1962.
Ser feliz depende mais de você que dos outros, plante que Deus garante! E comece pela própria casa, pelas pessoas que ama. Aliás, dizer que ama já alegra o coração do amado. Felicidade, alegria, otimismo, longevidade, alguém quer?
por Mário Eugênio Saturno
Mário Eugênio Saturno é Tecnologista Sênior da Divisão de Sistemas Espaciais do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), Professor do Instituto Municipal de Ensino Superior de Catanduva (www.fafica.br) e congregado mariano.
saturno@dea.inpe.br
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6:44 PM by Cassiano Leonel Drum
Bom não sei se já tem tradução, mas é uma boa alternativa de leitura, não?
Quinta, 29 de julho de 2004, 15h01 Atualizada às 15h30
Francesa 'ensina' a manter emprego sem trabalhar
Um livro que ensina trabalhadores a enrolar nos seus empregos está causando polêmica na França.
Bonjour Paresse (Bom Dia Preguiça) se propõe a difundir "a arte de trabalhar o menos possível para o seu empregador". O livro foi escrito como uma paródia de obras que ensinam como fazer sucesso em grandes corporações.
A autora, Corinne Maier, trabalha como consultora na área de economia para a EDF, estatal francesa do setor elétrico. A empresa iniciou um processo disciplinar contra a funcionária.
A EDF está sendo parcialmente privatizada para que se torne mais eficiente, e a diretoria acha que o livro de Maier prejudica a companhia.
Gerentes inúteis
Bonjour Paresse não faz menção direta à EDF. Em capítulos com título como "Cultura Corporativa - Gente Estúpida", o livro ataca os "inúteis" gerentes de médio escalão. E diz que "você não tem muito a perder se não fizer muito no trabalho".
Maier aconselha o leitor a escolher os tipos mais inúteis de trabalho, como o de consultor, especialista ou conselheiro.
A escritora enfrentará a diretoria da EDF em uma audiência no dia 17 de agosto. Se seguir seu próprio conselho, trará uma pilha de arquivos polpudos debaixo do braço.
Segundo ela, essa é a melhor maneira de evitar perguntas da chefia sobre o que exatamente ela fez o dia todo.
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6:37 PM by Cassiano Leonel Drum
Bom esta foto ai acima é onde trabalho, ouvindo o cantar dos pássaros da Praça da Alfândega. Sim porque mesmo quando tem Feira do Livro e aquele acúmulo de pessoas, eles ainda assim cantam e encantam. Tirada pelo Gilberto Simon lá do Porto Imagem, é uma bela foto sem dúvida, pois não mostra apenas a arte da parede e o prédio em si: alguns galhos da paisagem fazem parte da mesma.
Thanks my brother e continues fotografando esta cidade e mostrando-a ao mundo.
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8:20 AM by Cassiano Leonel Drum
Tecnologia que une o mundo
Telefonia celular é a que mais emprega no setor de telecomunicações, em crescimento acelerado
O setor de telecomunicações está crescendo no país. O interesse cada vez maior pela Internet, TV a cabo e celulares gera uma demanda pelo avanço tecnológico, via ondas de rádio e satélite ou fibras óticas. Com isso, o mercado de trabalho para engenheiros e técnicos na área está crescendo. Com o investimento no setor, a tendência é um mercado promissor para novos profissionais.
Segundo Fernando Beiriz, professor de Engenharia de Telecomunicações da UFF, depois da privatização do setor, em 98, o maior mercado são as empresas de telefonia celular. Vivo, Telemar, Tim e Oi são responsáveis por 90% dos empregos dos nossos alunos, explica Beiriz. A crescente disputa entre elas aumenta a procura por profissionais. Provedores de acesso à Internet e canais de TV a cabo também geram muitos empregos na área, lembra.
O engenheiro de telecomunicações é responsável por projetos de redes de telefonia e comunicação de dados, utilizando sistemas de rádio, fibras óticas e centrais de computadores, e pela operação e manutenção de sistemas e equipamentos de telecomunicações. Ele também lida com desenvolvimento de serviços e participa de planos comerciais, completa Beiriz.
O profissional é fundamental também na agência reguladora do setor, a Anatel, fabricantes de equipamentos de telecomunicações e empresas de consultoria. O salário inicial está entre R$ 1,5 mil e R$ 2 mil.
Para seguir a carreira é preciso ter interesse por números e cálculos e criatividade. Também é necessário capacidade de adaptar-se a mudanças e às novas tecnologias. É um curso puxado, tem que se dedicar e gostar da carreira, ressalta Beiriz.
Para quem não quer fazer uma faculdade, há ainda os cursos técnicos. O técnico trabalha na parte operacional, realizando tarefas de construção, instalação, manutenção e serviços da área de transmissão de dados e imagens.
Tammy de Souza Pereira, 17 anos, do Curso Electra, faz o curso técnico e depois pretende fazer faculdade na área. Informática e eletrônica já estão com o mercado saturado, ao contrário do que eu estou estudando. A colega Aline Guerra, de 16 anos, também pretende fazer o curso superior após o técnico. Pesquisei muito antes. O mercado é bem amplo, por isso resolvi seguir a profissão, conta.
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8:08 AM by Cassiano Leonel Drum
Loucura, loucura, loucura!
Versátil, engraçada e inteligente, Narcisa Tamborindeguy estréia domingo como colunista do DIA
Flávia Motta
Ela freqüenta altas rodas da sociedade, boates moderninhas em Nova Iorque, conhece bem pontos turísticos do mundo inteiro. Também é amiga de moradores da Rocinha e, recentemente, foi ver de perto a população de rua que vive em cavernas. Versatilidade é uma de suas marcas registradas. Bom humor também. E é isso que Narcisa Tamborindeguy promete levar aos leitores do DIA na sua nova coluna no Dia D, que estréia domingo. Vai ter entrevistas com gente de todo tipo: médicos, gente que faz trabalho social, personalidades. Para interessar do rei ao trabalhador, garante.
Dona do bordão ai, que loucura que dá nome à coluna Narcisa é despachada a ponto de tentar fazer uma demonstração de uma posição invertida de ioga na frente da repórter. Foi minha filha Marianna (19 anos) quem me levou. Tenho me sentido mais tranqüila, conta ela, que coruja também Catharina, 13 anos. No outro dia ela apareceu no meu quarto às quatro da manhã com uma crônica sobre o amor, dizendo que era para me ajudar na coluna, lembra Narcisa, que acredita dar mais trabalho às filhas do que o contrário.
Ao lado do jornalista e amigo Bruno Astuto, Narcisa promete ainda notícias do que rola pelo mundo, uma seção para responder perguntas de leitores sobre qualquer assunto e uma crônica. A coluna vai ser um canal direto com o leitor. Quero dar conselhos, ajudar as pessoas, conta ela. Boa parte das fontes de notícias serão os próprios amigos, todos com espaços reservados nas seis agendas que a colunista guarda.
Mas tem a lógica da Narcisa. Se vai guardar o telefone de um dentista, coloca na letra D, não importa o nome dele, entrega Bruno minutos antes de Narcisa colocar em prática seu estilo e achar em N, de Nova Iorque, o número de um amigo chamado Jeffrey.
Narcisa é divertida a ponto de fazer suas amigas estrangeiras se apaixonarem pelos morros cariocas. Uma amiga que é condessa vem de Paris passar seis meses trabalhando na Rocinha.
Só eu para fazer isso, gaba-se ela que dá provas de popularidade nos quase 300 e-mails diários que recebe através de seu site (www.narcisa.com.br). E a quantidade triplica quando ela aparece na televisão, como quando topou o desafio do Pânico na TV para viver uma rotina atípica: andar de ônibus, comer ovo colorido de boteco. Sou popular, acho que o povo do DIA vai gostar de mim.
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8:05 AM by Cassiano Leonel Drum
T r a d u ç ã o
01/07/2004
Você
tão carinhoso, amigo
Você
doce acalento, calor
Você
que seduziu, brincou
Você
inconseqüente invasor
Você
desperta o prazer
Você
desfruta o bem querer
Você
seqüestra a paz
deixa um rastro
um gosto, um caos
e vai embora
inconsciente, nem sente
fugaz.
Maria Cely Corrêa Parronchi
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7:56 AM by Cassiano Leonel Drum
Nilson Souza
290/08/2004
A coreografia
Vem aí agosto, com uma atração especial que fatalmente mexerá com as nossas emoções: os Jogos Olímpicos. Desta vez, a maior competição esportiva do planeta chega cercada de simbologia. A Grécia ainda é a pátria dos filósofos, dos heróis e dos deuses que nos legaram o saber e o prazer da Antigüidade.
Além disso, num evento internacional deste porte até o nacionalismo - este sentimento mesquinho que Einstein rotulou de sarampo da humanidade - está liberado. Sejamos todos verde-amarelos sem qualquer constrangimento. Vamos torcer por nossos atletas, vamos azarar os rivais, vamos cantar o nosso hino e chorar quando a nossa bandeira subir mais alto do que as demais. Depois, em setembro, a gente volta a ser cidadão do Mercosul e a apostar na globalização como se nada tivesse acontecido.
Falando sério: sou incondicional apreciador de esportes, pois acredito que a competição saudável reproduz a vida e ensina valores indispensáveis ao aperfeiçoamento do ser humano. Cheguei mesmo, em priscas eras, a praticar diversas modalidades esportivas. Depois de concluir o curso de Jornalismo, fiz vestibular para Educação Física.
Confesso que nunca senti tanta satisfação numa escola quanto no período em que freqüentei a pista, as quadras, as piscinas e as salas de aula da Esef da UFRGS. Diziam outros irônicos acadêmicos que nós, alunos de Educação Física, tínhamos músculos no cérebro. Não é verdade: tínhamos, isto sim, muita alegria no coração, resultante de agradáveis aulas ao ar livre, abençoadas pelo sol e pela camaradagem dos companheiros de jogos, brincadeiras e trabalhos.
Nunca fui um atleta de elite, até mesmo porque não era essa a finalidade do aprendizado. Estávamos lá para aprender a ensinar, como na maioria dos cursos de licenciatura destinados ao magistério. Mas, num ambiente como aquele, era impossível não cair de vez em quando na tentação de competir com os colegas.
Em alguns esportes coletivos, até que me defendia bem, mas paguei pelo menos dois grandes micos: na natação e numa tal de ginástica rítmica, que espero já tenha sido abolida do currículo. Na natação, penei para vencer os 200 metros nos quatro estilos exigidos. Sequer me consolava saber que tinha gente pior, como uma colega de afogamento que certa vez, quando estávamos fazendo exercícios em apnéia (com a respiração bloqueada), equivocou-se com as paroxítonas e me propôs:
- Vamos atravessar a piscina em eutanásia?
Era realmente o mais apropriado para nós. Mas constrangedor mesmo foi a prova final de ginástica rítmica. Tive que ensaiar uma coreografia meio, digamos, Balé Bolshoi. Minha mulher ri até hoje quando lembra do dia em que me flagrou em meio a uma estranha dança indígena, ao som de um gravador e com todas as portas e janelas da casa fechadas para não chamar a atenção da vizinhança.
Atleta sofre!
nilson.souza@zerohora.com.br
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