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Espero que retornes
sempre a este espaço feito para você.
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MEU PORTO QUE TE QUERO ALEGRE
Nestas andanças da vida
Um dia vim parar aqui
Sem te conhecer Porto Alegre
Não posso mais viver sem ti
As ruas cheias de gente
O som alegre a tocar
Os seus bairros com sua histórias
Tem sempre algo novo no ar
o rio Guaiba, o seu por do sol
Porto que te quero alegre
Eu sempre vou me lembrar
Que a tua beleza cidade
Abriga muitos de todos os recantos
Mas em nenhum lugar por onde passei
Existe a tua beleza cidade de mil canções
Porto que te quero sempre alegre
Voce mora em meu coração
SILA TORRES - Porto Alegre - RS
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E
N T R E L A C O S
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Sábado, Maio 17, 2008
Posted
8:40 PM by Cassiano Leonel Drum
18 de maio de 2008 |
N° - Martha Medeiros
Pés no chão
Volta e meia me pego falando coisas em que nem eu mesma acredito. Por exemplo, costumo dizer por aí que mantenho meus pés no chão, que não sou de delirar, de procurar cabelo em ovo, essas coisas. Pés no chão, pés no chão. Sempre falo isso com um misto de orgulho e ao mesmo tempo de estranhamento.
O orgulho até entendo - pés no chão é uma metáfora para sensatez, lucidez. O estranhamento eu compreendi recentemente, quando li uns versos do norueguês Tor Age Bringsvaerd que descobri serem até manjados, mas que eu não conhecia: Quem mantém os dois pés no chão/ não sai do lugar.
Taí o que me incomodava.
Desde então, fico me perguntando o que os meus dois pés no chão têm me trazido de bom. Trouxeram a consciência de que não sou melhor nem pior do que ninguém, que faço o que posso. Os pés no chão me fizeram reconhecer minhas limitações e a não criar expectativas mirabolantes em relação a nada.
Me fizeram desenvolver um olho clínico para detectar exibicionistas, arrogantes e toda espécie de gente que "se acha", e que me causam verdadeiro tédio. É o que me trouxeram meus dois pés no chão, tanto o esquerdo quanto o direito.
O que eles podem me tirar é que me assusta.
Não tenho vocação para a permanência eterna, para nada eterno. Não mais. Tinha quando era uma menina e não fazia idéia de que estar em movimento não era sinônimo de indecisão, e sim de sabedoria.
Para frente, para trás ou para os lados: não importa a direção, o que vale é a troca de paisagem. O ângulo novo. As coisas que a gente não enxergava antes, quando estava parado.
Ao tirar os dois pés do chão, permito que as certezas me abandonem e me concedo o direito ao mistério. Não fico mais tão segura de nada, e assim abro espaço no cérebro para diversas especulações - que me levarão onde? Não sei.
O "não sei" pode, sem querer, nos apontar um caminho bem legítimo.
Tirando os pés do chão, volto a sonhar, eu que havia trocado sonhos por objetivos. Já não sou criança para temer que essa "levitação" me faça cometer bobagens. Vai ver é de bobagens mesmo que estou precisando.
Manter os pés no chão exige contração, concentração. Não é relaxante. Para sair da posição de sentido, preciso me desapegar, me desprender: será isso ruim?
Não quero mais em mim uma postura militar, uma cabeça de sargento, ao menos não todo o tempo. Preciso encontrar em mim a recruta também, o soldado que cumpre as regras, porém debocha do general quando ele não está vendo.
Vou manter meus pés no chão, porque delirar todo o tempo não é possível, não quando se tem responsabilidades adquiridas. O orgulho da consciência ainda habita em mim. Mas ficar cravada no solo, pra sempre, não dá.
Como diz o norueguês, não se vai a lugar algum, então que eu me desloque ao menos em pensamentos, em vertigens mentais, em piruetas audaciosas que me façam pousar alguns metros adiante, lá onde se consegue olhar pra trás e descobrir o bem que fizemos ao mudar.
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8:37 PM by Cassiano Leonel Drum
18 de maio de 2008 | N° 15605
David Coimbra
O assassino, o corpo putrefato e o cavalo
Sempre que a polícia prende um assassino cruento e interroga o assassino cruento, o delegado comenta:
- Estou chocado. Em 20 anos de carreira, nunca vi alguém tão frio.
Sempre, sempre. Mas não é possível que todos os assassinos sejam frios. Um dia um delegado ainda vai declarar:
- O assassino é muito emotivo, muito sensível. Chora a todo momento. Estou com pena dele.
Da mesma forma, todos os corpos estão em adiantado estado de decomposição. Jamais ouvi ou li uma notícia sobre um corpo encontrado em atrasado estado de decomposição. Imagino o delegado declarando, até com certa satisfação:
- O corpo estava fresquinho quando o encontramos. Estava em muito bom estado, realmente. Em 20 anos de carreira, não havia visto ainda um corpo tão bem conservado.
Uma vez, um cavalo foi encontrado com três patas, lá em Pelotas, parece que foi em Pelotas. O cavalo estava morto, naturalmente, e o matador, por algum motivo, levou-lhe uma das patas embora. O delegado chamado para investigar o caso, declarou, desolado:
- Em 30 anos de carreira, nunca tinha visto um cavalo com três patas.
A notícia saiu na Zero Hora.
Juro.
Cada um com suas perplexidades. Eu, em 25 anos de profissão, por Deus, nunca tinha visto uma competição nacional tão afeita a um time como a Copa do Brasil deste ano para o Inter. A Copa do Brasil ofereceu-se ao Inter. E o Inter, butz, vacilou.
Escândalo no jantar
Noite dessas, fui a um jantar com o pessoal da natação. Sempre digo que é a Escolinha de Natação O Patinho Feliz. Mas não é. O pessoal lá é profissional, são da Raiasul, fazem triatlo e tudo mais.
Bem. O fato é que, assim que entrei na sala onde estavam todos, levei um choque. Fiquei pasmado, olhando para eles sem acreditar no que via.
Eles estavam vestidos!
Nunca os tinha visto com roupa. No máximo, sunga para os homens e maiô para as mulheres. E touca, claro. Aliás, essa foi minha primeira surpresa.
Todo aquele cabelo... Alguns até têm franja. Mas o mais escandaloso foi a roupa. Ele estavam dentro de calças e sapatos, havia gente de blusão e houve quem se enrolasse em mantas.
Fiquei envergonhado ao vê-los, e notei que eles também ficaram. Era muito agressivo ver aquela turma tão vestida. Levou algum tempo para nos acostumarmos com a nossa nova condição.
É a relatividade da moral. Se Fernandão usasse hoje o calçãozinho que Falcão usava na Copa de 82, a turma diria:
- Hmmm, que calçãozinho...
Os pudores mudam. Não duvido que, no futuro, ninguém se escandalize por um centroavante sair com travestis. Não duvido que as pessoas preocupem-se com os gols do centroavante, em vez de ligar para suas preferências sexuais. Acredito no futuro.
A bola na avenida
Recebi o seguinte imeil, a respeito de uma coluna que escrevi semana passada:
"Senhor David! Tio David!
Como queiras.
Eu me chamo Giovanni Zanco Gaiatto, tenho 11 anos e sou um dos meninos que jogava bola no Colégio Maria Imaculada, sobre o qual o senhor escreveu, lembra?
Aquele texto da bola que caiu na avenida. Foi o meu amigo, ele deu um "bago", que nem o senhor diz, e a bola caiu no outro lado do muro. A vó e o moço que estavam na rua não tinham muita vontade de nos devolver a bola. Queriam acabar com o nosso jogo. Mas o senhor entendeu o nosso drama.
Sua reportagem fez sucesso na sala de aula e nós, é claro, nos sentimos o máximo. Os colegas diziam que nós éramos famosos. Senhor David! Sou esportista e da paz. Jogo na escolinha do Flamengo, porém sou gremista de coração e tenho muitos amigos colorados. Logo, logo você vai jogar com seu filho Bernardo, não vai?
Um abraço.
Giovanni".
Gostei muito do imeil do Giovanni, sobretudo porque ele, aos 11 anos, já é "da paz". Só tem o seguinte, ô, Giovanni: tio, não!
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8:34 PM by Cassiano Leonel Drum
18 de maio de 2008
N° 15605 - Paulo Sant'ana
Amazônia urgente
Meditando, descobri a origem desse meu intenso interesse sentimental pelos carroceiros: é que sinto pena do que era para eu ter sido.
Parece que foi Sartre quem disse: "Não importa o que fizeram de mim. Importa o que eu fiz do que fizeram de mim".
Constatei esses dias que só consigo pensar, refletir, deduzir, quando estou em vigília à noite ou na madrugada.
Isto quer dizer que, quando ando com muito sono, sou um imbecil.
O vício do cigarro é muito difícil de ser extirpado porque ele se entranha de tal forma em nosso ser, que se incorpora em nossa personalidade, como o caráter.
E o caráter, depois de adquirido, não há como uma pessoa separar-se dele.
A população da Terra dobrou de 1960 a 2000. No Brasil, dobrou de 1970 a 2007. Éramos 90 milhões, somos agora 180 milhões de brasileiros.
Enquanto os seres humanos duplicaram em número nos últimos 40 anos, o número de animais sobre a Terra foi reduzido em 30% nesse período.
Pode haver sintoma mais grave e afirmativo de que o planeta caminha para a extinção?
Sem falar na vegetação e zonas de floresta, que vão sendo destruídas ano a ano, haja vista o desmatamento na Amazônia.
É um extermínio sem precedentes das espécies animais, 10 mil vezes superior ao natural. E todo ele determinado pela ação humana.
A mão humana destrói mais a vida na Terra do que a queda de um asteróide, que extinguiu os dinossauros e varreu do planeta 90% das formas de vida, ou as erupções vulcânicas cataclísmicas (terremotos).
O golfinho do Rio Yang, na China, foi considerado extinto no ano passado, após buscas sucessivas terem sido infrutíferas. As razões para o desaparecimento foram colisões contra barcos, perda de hábitat e poluição, todas ligadas ao homem.
Essa decadência terrível na biodiversidade vai logo em seguida cobrar do homem o seu crédito: plantações deverão se tornar suscetíveis a pragas com o desaparecimento dos animais que mantêm o equilíbrio ambiental.
E preocupa fatalmente a diminuição dos mananciais pesqueiros.
São conclusões da Sociedade Zoológica de Londres e das organizações ambientalistas WWF e Global Footprint Network.
A respeito disso, chega a ser revoltante o desmatamento da Amazônia. Para servir ao lucro das madeireiras e à cobiça dos compradores internacionais de nossas riquezas.
A Amazônia tinha de ser tombada. E pronto. Nada de licenças ambientais.
Pois se é vital para a sobrevivência dos homens sobre a Terra, como tanto encarecem entidades ambientalistas mundiais e governos importantes do mundo, então que se destinassem recursos de todos os países desenvolvidos para o Brasil e nos indenizassem pelo "aluguel" da preservação das imensas florestas amazônicas e essas verbas fossem destinadas à substituição dos empregos dos que derrubam as árvores em outras atividades de outras regiões brasileiras.
O que não pode é permanecer essa intranqüilidade sobre o futuro do meio ambiente do planeta e do Brasil, sem nenhuma ação que coíba definitivamente a destruição da Amazônia, em nome de um desenvolvimento talvez pífio, que no entanto ameaça mortalmente as gerações futuras.
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8:31 PM by Cassiano Leonel Drum
18 de maio de 2008
N° 15605 - Moacyr Scliar
O apelo do alternativo
O canal GNT da Net apresenta, todas as semanas, o Alternativa Saúde. Independente da audiência que tem, o simples fato de existir um programa com este nome já chama a atenção para a popularidade do tema. Os números o confirmam.
Uma recente enquete realizada nos Estados Unidos mostra que 75% dos entrevistados já havia recorrido a alguma forma do que agora está sendo chamado de medicina alternativa e complementar (MAC), indo desde a prece até o herbalismo, meditação, megavitaminas, cartilagem de tubarão. O que não chega a ser novidade.
Plantas, por exemplo, sempre foram usadas para a medicina; a digital, um remédio usado no tratamento das doenças cardíacas, era extraído da dedaleira. Qual é a diferença entre a medicina ensinada na maior parte das escolas médicas e a MAC?
É que a primeira é medicina baseada em evidência. A evidência, no caso, é quantitativa, traduz-se em números, em testes estatísticos.
Como sabemos que um medicamento é melhor que o outro para baixar a pressão arterial? Tomamos dois grupos de hipertensos, tão semelhantes quanto possível em termos de idade, de sexo, de níveis tensionais etc. e damos a um deles o medicamento A e a outro o medicamento B.
Depois de algum tempo, comparamos os resultados mediante fórmulas estatísticas (quem faz isto, na verdade, é o computador). E aí temos a evidência, como fundamento da ciência médica.
Na imensa maioria das vezes, a MAC não faz isso. Ela se difunde mediante recomendações de pessoas que a administram ou que a usaram. Estas últimas não são pessoas sem instrução.
Estudos mostraram que os usuários da MAC são adultos, com idade entre 30 e 60 anos, sexo feminino, com elevado grau de escolaridade e renda familiar alta.
Mostram também que essas pessoas são, em geral, portadoras de doença crônica ou em estágio avançado, que fazem parte de alguma tradição religiosa ou de algum grupo étnico-cultural.
Ou seja: a medicina alternativa e complementar tem um tipo de apelo diferente daquele que encontramos na medicina baseada em evidência. É o apelo da fé, o apelo da emoção. Que muitos médicos aceitarão como válido.
Se a pessoa tem uma doença grave, uma doença para a qual já foram esgotados os meios tradicionais de tratamento, nada impede que recorra a meios alternativos. O problema ocorre quando a pessoa troca um tratamento reconhecido por outro duvidoso e, por causa disso, começa a correr riscos.
Aí temos uma situação potencialmente perigosa, e recordo de pessoas que quase morreram por causa disso; por exemplo, uma menina que teve uma dor abdominal aguda e que a mãe insistiu em tratar com algum produto vegetal. Resultado: a pequena paciente teve de ser operada de urgência. Era uma apendicite já com peritonite generalizada.
Existe na MAC um outro apelo: o apelo do alternativo. Ser alternativo é sair do padrão, do habitual, do rotineiro. É viver uma verdadeira aventura.
Quando viajamos, estamos sendo alternativos. Quando usamos uma roupa diferente, estamos sendo alternativos. Quando flertamos com uma pessoa desconhecida, estamos sendo alternativos, estamos dando o nosso lugar para o
Outro, sobre quem Borges escreveu um famoso texto, que começa assim: É ao Outro, a Borges, que as coisas acontecem. Borges é o escritor, e o autor do texto garante, não sem melancolia: Eu vivo somente para que Borges possa escrever sua literatura.
O outro, o alternativo, é uma dimensão inexplorada da existência, e a doença é para ela uma porta de entrada. Que eventualmente será cruzada. Mas é prudente fazê-lo com um mínimo de bom senso.
Recebi muitas mensagens acerca de meu texto sobre o Dia das Mães. Duas particularmente comoventes porque são dos drs. Felipe Antunes da Siva e Victor Dubin Wainberg, médicos do Pronto Socorro, hospital onde trabalhei e do qual sinto muitas saudades. Mães, esta é uma boa notícia: no Pronto Socorro existem muitos médicos que gostam de vocês.
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8:27 PM by Cassiano Leonel Drum
18 de maio de 2008
N° 15605 - Luis Fernando Verissimo
Parados
Entrou no táxi parado no ponto e pediu:
- Rua tal, número tal.
O motorista virou-se para encará-lo e perguntou:
- Tem certeza?
- Como, "tem certeza"? Tenho sim. Vamos lá.
- O senhor sabe como está o trânsito naquela zona?
- Muito ruim, é?
- Péssimo. E não é só naquela zona. É em toda a cidade. Tudo parado.
- Eu sei, eu sei. Mas eu preciso ir.
- Precisa mesmo?
- Olha aqui, meu amigo, se você não quer me levar...
- Não, pense bem. Precisa mesmo? Certeza absoluta?
- Claro. Tenho uma reunião importantíssima.
- Importantíssima?
- Bom... Importante.
- Importante?
- Está certo. Não é questão de vida ou morte. Pensando bem, nada é uma questão de vida ou morte. A não ser a morte.
- E a vida.
- Como assim?
- A única coisa vital da nossa vida é a nossa vida. O senhor concorda?
- Não sei se eu...
- Tome o seu caso. Correndo para ir a uma reunião importante que não é tão importante assim. Enfrentando trânsito que não anda, se irritando, enfim, se matando. Transformando uma questão que não é vital numa questão de vida e morte. É ou não é? - É, mas...
- Eu sei. O senhor precisa ganhar dinheiro. Tem que sustentar a família. É casado?
- Estou me separando...
- Então. Precisa de dinheiro. Eu também. Não posso ficar parado. Mas o dinheiro não compra vida. Pelo contrário, a gente gasta vida para ter dinheiro. É uma troca em que sempre se sai perdendo. Qual foi o problema?
- Como?
- A separação.
- Ah. Pois é. Foi isso. Eu vivo irritado com essa loucura toda, ela vive irritada, nós acabamos só nos irritando mais um ao outro. Mas foi ela que quis se separar.
- E não tem jeito mesmo?
- Sei lá. Por mim, teria. Mas ela diz que eu não consigo me desligar do meu trabalho e das minhas preocupações. Que eu estou sempre ligado, que viver comigo é como viver com uma caixa 24 horas.
- Faça o seguinte. Quando chegar em casa hoje, gire um botão imaginário, ou torça o seu próprio nariz, e diga que está se desligando. Que nada é mais importante na sua vida do que o amor dela, e do que ficar com ela.
- É, pode dar certo.
- Eu sei que vai dar
- De onde você tirou tanta sabedoria?
- Dos engarrafamentos. Trancados no trânsito o dia inteiro, temos duas opções. Ou nos transformamos em neuróticos com fantasias assassinas, ou aproveitarmos o tempo parado para filosofar. Eu escolhi a filosofia.
- Talvez você possa me ajudar com outro problema...
- Só um instante. Se o senhor não se importar, vou ligar o taxímetro durante a sessão.
- Tudo bem.
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1:19 PM by Cassiano Leonel Drum
Diogo Mainardi
O lado sombrio da internet
"O anti-semitismo tem um novo meio de se difundir: a internet. Depois de Auschwitz, comentários como os recebidos por Caio Blinder tinham de restringir-se aos círculos clandestinos. Agora o anti-semitismo perdeu o pudor"
Caio Blinder recebe um monte de comentários anti-semitas por seus artigos na internet. Em vez de eliminá-los, ele os publica. Além disso, seleciona os mais selvagens e remete-os para mim:
Caio Blinder é um jornalista e apresentador de TV brasileiro de origem judaica (texto retirado da Wikipédia). Só podia, rssss, mais um judeu FDP que teve a sorte de nascer depois do Holocausto, kkkkkkk.
A mensagem é assinada por TimGP. A caricatura nazista do Der Stürmer, do judeu peludo, de orelhas grandes e nariz adunco, agora se transformou num "kkkkkkk". TimGP lamenta que Caio Blinder tenha escapado do Holocausto. Outro leitor, Antonio Aparecido, nega o próprio Holocausto:
Mais de 1 milhão de judeus mortos??... Contem outra estorinha, ou melhor, outra historinha. Não à manipulação da mídia. Sim à história verdadeira, sim aos historiadores antropologistas.
A quem ele se refere? Himmler? Ahmadinejad? Le Pen? Alguns dos maiores historiadores judeus, como Bernard Lewis, argumentam que, nas últimas décadas, surgiu uma nova forma de anti-semitismo.
Se os comentários sobre os artigos de Caio Blinder podem ser tomados como amostra, eu diria que o anti-semitismo continua igualzinho ao de 100 anos atrás, usando inclusive as mesmas fraudes dos tempos dos "pogroms":
O que estão fazendo na Palestina é o verdadeiro Holocausto. Quem não conhece que leia a verdadeira história dos sábios do Sião, que foi retirada por divulgar as reais estratégias dos judeus desde 1900 e de como dominariam o mundo.
Apesar de o anti-semitismo continuar igual, ele tem um novo meio de se difundir: a internet. Depois de Ausch-witz, comentários como os recebidos por Caio Blinder tinham de restringir-se aos círculos clandestinos.
Agora o anti-semitismo perdeu o pudor. A internet é uma espécie de Cazaquistão de Borat. Qualquer um pode pegar um porrete e malhar o judeu. De vez em quando, até a apresentadora de TV gói, por engano, é mandada para o gueto:
Está na história do povo judeu usar os meios de comunicação em massa para se passar por vítimas e conseguir o que desejam. Vejam o senhor Abravanel e a Xuxa.
No Brasil, o anti-semitismo de esquerda, que se confunde com o anti-sionismo, é muito mais forte do que o de direita. Quando Caio Blinder festejou os sessenta anos de Israel, ao mesmo tempo em que defendeu a idéia de um estado palestino nos Territórios Ocupados, seus comentaristas mandaram-lhe mensagens furiosas, legitimando os atentados terroristas da Al Qaeda e do Hezbollah.
O tom foi de "fascista e covarde" até "blitz em você, semita de boca fedida".
A internet tem esse lado sombrio: ela permite que idéias criminosas sejam propagadas abertamente. Anti-semitas e negadores do Holocausto foram condenados em tribunais dos Estados Unidos e da Europa.
Se o Ministério Público brasileiro perseguisse judicialmente um ou dois comentaristas dos artigos de Caio Blinder, a internet só teria a ganhar. Cada um tem de ser responsabilizado pelo que diz e faz. Sem isso, o totalitarismo sempre vence, e podemos acabar num gueto com Silvio Santos e Xuxa.
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1:19 PM by Cassiano Leonel Drum
A vida após a morte
"Se você pretende ser imortal, cuide bem daqueles que continuarão a carregar seu DNA, com carinho, amor e, principalmente, dedicação"
Muitos cientistas, talvez a maioria, não acreditam em Deus, muito menos na vida após a morte. Os argumentos não são fáceis de contestar. Um professor de matemática me perguntou o que existia de mágico no número 2.
"Por que você não acredita que teremos três ou quatro vidas, cada uma num estágio superior?" O que faria sentido, disse ele, seriam os números zero, 1 e infinito. Zero vida seria a morte; uma vida, aquela que temos; e infinitas vidas, justamente a visão hinduísta e espírita.
Outro dia, um amigo biólogo me perguntou se eu gostaria de conviver bilhões de anos ao lado dos ectoplasmas de macaco, camundongo, besouro e formiga, trilhões de trilhões de vidas após a morte.
"Você vai passar a eternidade perguntando: ‘É você, mamãe?’, até finalmente encontrá-la." Não somos biologicamente tão superiores aos animais como imaginávamos 2 000 anos atrás. "É uma arrogância humana", continuou meu amigo biólogo, "achar que só nós merecemos uma segunda vida."
O cientista Carl Sagan adverte, como muitos outros, que vida só se tem uma e que devemos aproveitar ao máximo a que temos. "Carpe diem", ensinava o ator Robin Williams, "curtam o sexo e o rock and roll." Sociólogos e cientistas políticos vão argumentar que o céu é um engenhoso truque das classes religiosas para manter as massas "bem-comportadas e responsáveis".
Aonde eu quero chegar é que, dependendo de sua resposta a essa questão, seu comportamento em terra será criticamente diferente. Resolver essa dúvida religiosa logo no início da vida adulta é mais importante do que se imagina.
Obviamente, essa questão tem inúmeros ângulos e dimensões mais completas do que este curto ponto de vista, mas existe uma dimensão que poucos discutem, o que me preocupa. Eu, pessoalmente, acredito na vida após a morte. Acredito que existem até provas científicas compatíveis com as escrituras religiosas.
A genética mostra que você continuará vivo, depois de sua morte, no DNA de seus filhos. Seu DNA poderá ser eterno, ele continuará "vivo" em nossa progênie, nos netos e bisnetos. "Nossa" vida continua; geração após geração, teremos infinitas vidas, como pregam os espíritas e os hindus.
Mais interessante ainda, seus genes serão lentamente misturados, através do casamento de filhos e netos, com praticamente os de todos os outros seres humanos da Terra.
Seremos lentamente todos irmãos ou parentes, uma grande irmandade, como rezam muitos textos místicos e religiosos. Por isso, precisamos ser mais solidários, fraternos uns com os outros, e perdoar, como pregam todas as religiões.
A pessoa que hoje você está ajudando ou perseguindo poderá vir a ser o bisavô daquela moça que vai um dia se casar com seu bisneto.
Seremos todos um, católicos, anglicanos, protestantes, negros, árabes e judeus, sem guerras religiosas nem conflitos raciais. É simplesmente uma questão de tempo. Por isso, temos de adotar um estilo de vida "bem-comportado e responsável", seguindo preceitos éticos e morais úteis às novas gerações.
Não há dúvida de que precisaremos curtir mais o dia-a-dia, mas nunca à custa de nossos filhos, deixando um planeta poluído, cheio de dívidas públicas e previdenciárias para eles pagarem.
Estamos deixando um mundo pior para nós mesmos, são nossos genes que viverão nesse futuro. Inferno nessa concepção é deixar filhos drogados, sem valores morais, sem recursos, desempregados, sem uma profissão útil e social. Se não transmitirmos uma ética robusta a eles, nosso DNA terá curta duração.
"Estar no céu" significa saber que seus filhos e netos serão bem-sucedidos, que serão dignos de seu sobrenome, que carregarão seus genes com orgulho e veneração. Ninguém precisa ter medo da morte sabendo que seus genes serão imortais.
Assim fica claro qual é um dos principais objetivos na vida: criar filhos sadios, educá-los antes que alguém os "eduque" e apoiá-los naquilo que for necessário. Por isso, as mulheres são psicologicamente mais bem resolvidas quanto a seu papel no mundo do que os homens, com exceção das feministas.
Homens que têm mil outros objetivos nunca se realizam, procurando a imortalidade na academia ou matando-se uns aos outros. Se você pretende ser imortal, cuide bem daqueles que continuarão a carregar seu DNA, com carinho, amor e, principalmente, dedicação.
Stephen Kanitz é administrador - www.kanitz.com.br
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1:19 PM by Cassiano Leonel Drum
CAMILA PATI
As belas e o velho Chico
Depois de Letícia Sabatella, Thereza Collor luta contra a transposição
MILITANTE Thereza quer mobilizar a sociedade
O movimento contra a transposição das águas do rio São Francisco – projeto do governo que promete beneficiar 12 milhões de pessoas – acaba de ganhar uma nova musa.
Na quartafeira 14, a bela Thereza Collor surpreendeu cerca de 120 pessoas, numa reunião organizada por ela para discutir a polêmica obra, quando subiu ao palco e conclamou: “Não fiquem de braços cruzados, o rio já sofreu demais.”
Em seguida, Thereza apresentou uma série de palestras ministradas por ambientalistas contrários à transposição, obra avaliada em R$ 4,5 bilhões. Antes de colocar sua imagem na linha de frente de uma luta que promete ser difícil, Thereza se preparou. Há três anos ela se debruçou sobre o tema e foi fundo.
Estudou, procurou professores ligados à Universidade de São Paulo (USP). “Eu sou nordestina, conheço bem a região e venho de um Estado que vai ser diretamente afetado pela transposição.” Durante o evento, ela mostrou as fotos que fez de trechos quase secos do rio São Francisco.
“O rio não está saudável, os recursos financeiros tinham que ser mais bem utilizados e os recursos naturais deveriam ser preservados”, diz ela. A musa garante que não entraria na luta se não estivesse cercada de conhecimento sobre o tema.
“Esta obra é um trator. Passa por cima de tudo”, afirma, inconformada. “Não é uma questão partidária, é uma questão de Brasil. Quem quiser entrar nessa está convidado, seja de que partido for”, pede Thereza.
BATE-BOCA Letíca Sabatella chegou a discutir com Ciro Gomes no Senado
Alagoana, Thereza é acostumada a batalhas contra adversários poderosos. Ela ganhou fama nacional ao usar todo o seu charme para apoiar o marido, Pedro Collor, durante a troca de acusações que culminou no impeachment do cunhado Fernando Collor de Mello, em 1992.
Atualmente, ela não ocupa nenhum cargo público e andava meio sumida dos holofotes. Agora, Thereza entrou para a lista de famosos que são radicalmente contra a obra que muda o curso do Velho Chico ao lado da não menos bela Letícia Sabatella.
A atriz esteve no Senado acompanhada de outro ator global, Osmar Prado, no final do ano passado, para pedir que se criassem entendimentos que levassem fim à greve de fome do bispo de Barra (BA), dom Luiz Cappio. O religioso ficou sem comer durante 24 dias, mas as obras continuaram.
Em fevereiro deste ano, Letícia chegou a bater boca com o deputado Ciro Gomes, por conta de divergências sobre a manutenção da polêmica transposição.
“A Letícia é uma pessoa de sensibilidade, que quer ajudar, e quando você entra na questão vê o absurdo que é essa obra”, disse Thereza à ISTOÉ. “Essa história de que a obra vai levar água para 12 milhões de pessoas é uma mentira, uma piada”, protesta.
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12:59 PM by Cassiano Leonel Drum
17 de maio de 2008
N° 15604 - Nilson Souza
Labirinto moderno
Uma vez fui solicitado a escrever um texto sobre o significado do automóvel para a humanidade. Pensei no prazer de dirigir, na possibilidade de deslocamento confortável por grandes distâncias, no incomparável cheirinho de carro novo.
Mas pensei, também, na poluição do ar, nos acidentes de trânsito, nos atropelamentos. E acabei fazendo uma comparação entre o automóvel e o Minotauro, o monstro da mitologia grega com corpo de homem e cabeça de touro que apavorava os habitantes da ilha de Creta.
Segundo a lenda, a fera cobrava pedágio em vidas humanas, de jovens, exatamente como faz atualmente esta máquina de velocidade pela qual somos todos apaixonados.
O curioso da história é que o Minotauro vivia num labirinto, onde quem entrava jamais encontrava a saída. Pois não é que agora a fera moderna trouxe o labirinto até nós?
O trânsito das grandes cidades está se transformando rapidamente num emaranhado de ruas sem saídas. Dia desses registrou-se em São Paulo um engarrafamento de 266 quilômetros - uma inimaginável fila de carros parados e motoristas irritados.
Onde está o fio de Ariadne - o novelo de linha que permitiu ao herói Teseu escapar da armadilha depois de ter liquidado o monstro assassino?
Sinceramente, não vejo perspectiva de saída. Ouço de gente respeitável que a alternativa é investir no transporte coletivo, metrôs, ônibus e trens que nos possibilitarão deixar o carro em casa. Pode ser até que funcione.
Mas somente com uma mudança profunda na mentalidade das pessoas que já se habituaram ao conforto e à autonomia do próprio veículo. Temo que sejamos egoístas demais para renunciar à exclusividade.
Se tivéssemos este espírito de renúncia, não estaríamos pagando um preço tão alto em vidas humanas para continuar usufruindo dos prazeres do minotauro de rodas. Por que não corremos menos? Por que não construímos automóveis que só andam devagar?
Por que não pegamos ônibus de vez em quando? Por que não andamos mais de bicicleta ou mesmo a pé? A resposta me parece óbvia: inventamos uma máquina para nos servir e nos tornamos seus escravos. Agora, ela nos arrasta para o seu labirinto.
O touro branco também chegou a Creta como um presente dos deuses e se transformou numa maldição. Mas não percamos a esperança: o monstro mitológico foi vencido por uma conjugação de coragem, amor e um prosaico novelo de linha de costura.
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12:59 PM by Cassiano Leonel Drum
17 de maio de 2008
N° 15604 - A Cena Médica | Moacyr Scliar
Os usos da dor
Dezenas de anúncios no rádio, na TV, nos jornais convencem-nos diariamente de que a vida sem dor é muito melhor. Coisa que, à exceção dos masoquistas, todo mundo aceita.
Uma dorzinha de cabeça de vez em quando ainda dá para agüentar, mas quando se trata de dor crônica, da dor que acompanha doenças graves, aí realmente estamos diante de uma situação tão grave quanto desesperadora. E a pergunta então ocorre: por que, afinal, existe dor? O que pretende nosso organismo ao nos fazer experimentar a sensação dolorosa?
A resposta talvez esteja em quatro letras, NSAH, a sigla para neuropatia sensorial e autônoma hereditária. Nesta estranha e relativamente rara situação, e da qual existem vários tipos, a criança nasce sem a capacidade para sentir dor ou variações de temperatura (e também, no tipo 4, com diminuída secreção de suor pela pele).
O que acontece, então? Estas crianças estão mais propensas a se machucarem, a se queimarem, a sofrer fraturas até. Podem morder o lábio ou a língua até sangrar e não se darão conta disso. Às vezes, esfregam os olhos com tanta força que ficam com úlceras na córnea - porque a sensação dolorosa não lhes serve de advertência.
Os pais só se aperceberão do problema quando constatam que a criança cai, fere-se - e não chora. Entre parênteses, é preciso dizer que a incapacidade de sentir dor física não inclui o lado emocional, de modo que essas crianças sofrem, sim, e sofrem muito.
Como se trata de uma condição congênita do sistema nervoso, não há tratamento específico, capaz de resolver de vez o problema. Pais e crianças têm de aprender a conviver com a situação. O processo educativo, visando a evitar acidentes e lesões, é aí fundamental.¨
Ou seja: ruim com dor, pior sem ela. Porque a dor existe para nos avisar que alguma coisa está errada no nosso organismo. É um alarme, mas um alarme programado para funcionar automaticamente, sem levar em consideração o fato de que já estamos avisados.
É como o bip do microondas: quando chega ao fim o tempo marcado ele vai soar, e soar de novo, e de novo, até que a gente abre a porta e tira o prato de lá de dentro.
Não adianta bradar: "Chega, já estou avisado". O microondas não dá a mínima para protestos. E o mesmo acontece com a dor. Daí a necessidade dos analgésicos, dos opiáceos, dos anestésicos.
Extremos à parte, deveríamos ser gratos à natureza por podermos sentir dor. No mínimo, a dor é uma mestra. A dor ensina a gemer. Quando gememos, estamos pedindo socorro. E quando pedimos socorro estamos confiando nos outros. A dor nos aproxima. A dor aprimora a nossa humanidade.
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12:57 PM by Cassiano Leonel Drum
17 de maio de 2008
N° 15604 - Opinião ZH | Cláudia Laitano
Virando o jogo
Um game chamado Grand Theft Auto 4 (GTA 4) tornou-se o produto de entretenimento mais vendido da história no dia do seu lançamento, anunciou esta semana o Guinness Book. Em apenas 24 horas no mercado, o GTA 4 vendeu 3,6 milhões de unidades.
O Guinness informa que esse número supera qualquer jogo, filme, disco ou livro já vendido no planeta - o recordista anterior era o livro Harry Potter e as Relíquias da Morte, o último da série. O jogo chegou na última segunda-feira ao Brasil, ao preço estratosférico (pra mim, pelo menos) de R$ 229,90 - e já está vendendo como pão quente.
GTA 4 é o Titanic dos games, o Harry Potter das diversões eletrônicas, e mesmo assim tão desconhecido para a minha geração quanto o novo disco de Milley Cyrus (outro fenômeno pop mundial restrito ao público entre seis e 19 anos).
O fato de esse Titanic passar sem sequer fazer marola na atenção da fatia mais madura do planeta indica, entre outras coisas, que os adultos definitivamente viraram um público secundário no universo do entretenimento - ou seja, é possível vender muito aos filhos sem que os pais sequer tomem conhecimento do que está acontecendo no quarto ao lado.
As vendas da indústria de games têm crescido aos pulos nos últimos anos, superando a música e o cinema, tanto em lucro quanto em unidades vendidas. Se a indústria fonográfica bombou dos anos 50 aos 80 (Elvis Presley, Beatles, Michael Jackson, Madonna...) e o cinema inventou os blockbusters a partir dos 70 (Tubarão, Guerra nas Estrelas, Indiana Jones, Titanic), os anos 2000 pertencem aos ases do joystick.
Para quem, como eu, tomou conhecimento apenas esta semana da existência de uma legião de 3,6 milhões de pessoas que aguardava ansiosa pela chegada do GTA 4 às lojas, não foi exatamente espantoso descobrir que parte do fascínio desse jogo vem da violência escancarada e sem limites: assaltos, assassinatos, prostituição, espancamentos de velhinhas - a lista de contravenções é virtualmente inesgotável.
Com tecnologia de ponta, o que torna as imagens ainda mais realistas, e música vibrante para turbinar as emoções, o GTA 4 é mais ou menos como um filme muito violento em que o espectador/jogador pode escolher situações e comportamentos sem censura, colocando-se no papel do anti-herói politicamente incorreto que dirige bêbado, atira em policiais e chama serviços de prostituta (com a opção de espancá-las em seguida, evidentemente).
Os fãs dizem que tudo não passa de uma grande brincadeira e que matar velhinhas virtuais é tão inofensivo quanto dizimar todos os exércitos vermelhos no jogo de War. Pode ser.
Mas diante do sucesso de um jogo que basicamente celebra o fim da civilização me sinto mais ou menos como minha avó ouvindo um disco dos Rolling Stones - a diferença é que a geração dela, para o bem e para o mal, nunca se sentiu obrigada a decifrar os gostos e os insondáveis interesses da geração seguinte.
Não deixa de ser curioso que esse marco histórico da supremacia dos games diante de outras formas de entretenimento aconteça em meio às comemorações do maio de 68 - data que simbolicamente inventa o "poder jovem" no mundo da cultura e do consumo.
Quarenta anos depois do "não confio em ninguém com mais de 30 anos", o slogan há muito deixou de ser revolucionário. A novidade é o tom ameaçador que a frase assume quando lembramos que, logo logo, seremos nós os velhinhos na tela do GTA.
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12:55 PM by Cassiano Leonel Drum
17 de maio de 2008
N° 15604 - Paulo Sant'ana
Saga dos aposentados
Não caberiam aqui todos os cumprimentos pela coluna de ontem sobre o arrocho nos salários dos aposentados. E na rua bastava eu passar por uma pessoa idosa para que ela se mostrasse também agradecida. Alguns dos gestos:
"Nobre Paulo SantAna, venho hoje te saudar com o coração pelo artigo sobre aposentadorias degradadas, só tu pra ter essa luz que te é própria de enfocar esse assunto, te admiramos aqui em casa desde meus tempo de guri e agora com minha esposa e meus três filhos. SantAna de Deus, faz seis anos que me aposentei como professor de colégio federal de 2º grau, trabalhei durante 34 anos na UFSM, mas trabalho sério, com cumprimento de horário sempre a mais do que o necessário e hoje me sinto traído pela teimosa honestidade que tive como funcionário e ver que desde 1994 o meu contracheque é igual.
Dei faculdade pros meus três filhos, mas pra isso vendi minha casa, que financiei em 20 anos, vendi meu carro, um Tipo 94, pra minha própria mulher, pra pegar um dinheiro a mais, fiz mais 10 financiamentos diretos do contracheque, aquele descontado na fonte, hoje resumi tudo num só em 72 parcelas, talvez eu viva até pagar tudo, mas tive que fazer isso, tenho safena de platina, só de remédios gasto 30% do que ganho, minha querida esposa, com a qual vivo e que me atura há 33 anos, é professora estadual aposentada, mas te pergunto hoje se vale a pena viver depois de tudo com que contribuímos pra nação e recolhemos todos os impostos na fonte, né?
Perdoe-me se meu assunto é xarope, mas é só tu que lembras que precisamos um aumentinho de salário, senão agora que sonhamos tanto com um pouco de sossego, passamos o dia fazendo contas pra ver onde cortar, como é que tu queres que veja meus netos crescerem e dizer pra eles que sou funcionário público aposentado que nunca pensou senão cumprir o horário de trabalho?
Dá-lhe, Pablo, chumbo grosso nesses ingratos que esqueceram de nós, que durante uma vida ajudamos este país a crescer. Continua tua luta que nós continuamos a te ler e te amar como nosso defensor. (ass.) Rosalino Crespan (mailto:rosalino.pedro@hotmail.com)''.
"Caro jornalista Paulo SantAna. Parabéns por seu artigo "Aposentadorias degradadas". Mais uma vez você escreve no jornal o que o povo realmente pensa e gostaria de ler. Gostaria que o senhor continuasse a divulgar a questão dos baixos e humilhantes salários da Brigada Militar. Cumprimentos. (ass.) Professor João Neutzling Jr. (jtz69@terra.com.br)".
"Caro Paulo SantAna. Em nome dos aposentados, da Fetapergs (Federação dos Trabalhadores Aposentados e Pensionistas do RS), agradeço-lhe e cumprimento-o pela maneira objetiva e precisa com que a questão do fator previdenciário foi apresentada em sua coluna de 16 de maio.
Com certeza, o texto colabora para o esclarecimento de tamanha injustiça imposta aos aposentados e pensionistas de todo o país. Se a imprensa brasileira tivesse mais jornalistas com sua lucidez, certamente nossos problemas seriam minorados. Atenciosamente, (ass.) Iol Alves Medeiros, 1º vice-presidente da Fetapergs (jornalismo@fetapergs.com.br)".
"A questão dos carroceiros hoje engloba a questão da inclusão social e a destinação da arrecadação de cada cidadão para recolhimento de lixo que deveria ser realizado pela prefeitura. Contudo, engloba também a agressão a nós, cidadãos que circulamos pelas ruas e somos obrigados a conviver com um circo de horrores. Porto Alegre é um Coliseu a céu aberto, com torturas a animais indefesos.
Ontem mesmo, na Avenida Cristiano Fischer, assisti a uma cena muito perturbadora, em que um cavalo manco de duas patas levava uma carroça sobrecarregada. O que uma cidadã pode fazer numa situação dessas? Se jogar na frente da carroça? Onde está a EPTC nessas horas?
Será que algum azulzinho interceptou essa carroça ou seus agentes permaneceram parados com os braços para trás?
Me admira a capacidade intelectual dos cidadãos carroceiros em termos de organização da classe, concomitante com total despreparo para lidar com animais.
A insatisfação popular está aumentando. A lista de pessoas participantes dessa discussão cresce e não há mais como negar a urgência da resolução desta questão. Simplesmente, não queremos mais esta situação!
Os catadores merecerão mais valorização do poder público e da sociedade quando exercerem atividades que não envolvam crueldade.
Eu acredito no poder de sobrevivência e superação do ser humano, mesmo sem um cavalo escravizado. (ass.) Greise dos Santos Bertoglio (fairde@gmail.com), publicitária".
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Sexta-feira, Maio 16, 2008
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9:45 PM by Cassiano Leonel Drum
João Domingos 16/5/2008 - O Estado de S. Paulo
É melhor um filho vivo no colo de outro
Marina usa passagem bíblica sobre rei Salomão para ilustrar sua demissão
Na imagem que construiu para sua demissão - a de imolar-se para salvar a política ambiental do governo -, a ex-ministra Marina Silva recorreu a uma famosa passagem bíblica que busca relatar a sabedoria do rei Salomão, herdeiro do trono de Davi. “É melhor um filho vivo no colo de outro do que tê-lo jazendo no próprio colo.” O filho, no caso, é a política ambiental. Marina é evangélica.
De acordo com essa passagem bíblica, duas mulheres que se diziam mãe de um mesmo menino foram até o rei Salomão para que resolvesse o impasse.
Como as duas afirmassem categoricamente que eram a mãe, Salomão pegou a espada e ameaçou partir a criança ao meio, para entregar um pedaço a cada uma delas.
Diante disso, uma das mulheres renunciou à maternidade e atirou a criança no colo da outra. Salomão deu-lhe então o menino, reconhecendo que só o amor de mãe verdadeira a levaria a renunciar ao filho, para salvá-lo.
A ex-ministra disse que aprendeu muito no Ministério do Meio Ambiente. Por isso, prometeu, na tribuna do Senado, continuar lutando para que não haja retrocesso na política ambiental, mas sem sectarismo.
“Se o deputado Caiado (Ronaldo Caiado, do DEM de Goiás, ruralista) tiver uma boa proposta, vou julgá-la no mérito, não no preconceito.”
Marina disse que chegou a fazer boa parceria com o governador de Mato Grosso, Blairo Maggi (PR), tido como um dos maiores adversários da política ambiental do governo.
“Nós fomos para Bali (Indonésia, para conferência mundial sobre meio ambiente em 2007). Eu dizia sempre para ele: ‘deixa comigo a parte da política ambiental que gera desgastes e toque a que gera frutos políticos’. Se ele rompeu comigo, foi um rompimento unilateral.”
Ela se gabou de nunca ter deixado vazar suas brigas com ministros. “Hoje posso dizer que tive discussões muito acaloradas com o ex-ministro Ciro Gomes (Integração Nacional).
Mas consegui convencê-lo a reduzir a vazão da transposição do Rio São Francisco. Sei o quanto ele sofreu para trabalhar com sua equipe e reduzir a vazão. Ganhamos todos.”
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9:42 PM by Cassiano Leonel Drum
Ludmilla Totinick - Gazeta Mercantil
Pobre paga mais imposto que rico
O Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) revelou ontem, em Brasília, que a população considerada extremamente mais pobre do país compromete 44,5% de sua renda com pagamento de impostos e contribuições. Os 10% mais ricos gastam 23% em tributos. A diferença superior a 21 pontos percentuais é atribuída à política tributária brasileira.
O presidente do Ipea, Márcio Pochmann, considera que o sistema atual aprofunda a desigualdade social. Os mais pobres arcaram também com maior elevação no pagamento de impostos em comparação com os ricos.
Os brasileiros mais pobres pagam mais impostos que os mais ricos devido à política tributária do país, de acordo com levantamento apresentado ontem pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), em Brasília.
A pesquisa revela que os 10% mais pobres do país comprometem 33% da renda com pagamento de impostos e contribuições, enquanto os 10% mais ricos pagam 23% em impostos. Os extremamente pobres pagam 44,5%.
O estudo mostrou ainda que os 10% mais pobres tiveram um aumento de 73,4% no pagamento de impostos, enquanto os 10% mais ricos tiveram aumento de 45,9%, no período de 1996 a 2003.
De acordo com o presidente do Ipea, Marcio Pochmann, o sistema tributário aprofunda a desigualdade social do país.
– O Brasil precisa de um sistema tributário mais justo que seja progressivo e não regressivo como é hoje, quando quem é pobre no Brasil está condenado a pagar mais impostos – disse Pochmann. – Quem ganha mais deve pagar mais, quem ganha menos, deve pagar menos.
O economista sugere a cobrança de impostos sobre grandes fortunas. –Se cobrasse 1% dessas pessoas, teria R$ 100 bi a mais nos cofres – disse o presidente do Ipea.
A média salarial dos 10% mais pobres é de R$ 45,86 e dos 10% mais ricos é 2.178, 69, ou seja, os mais ricos ganham 47,6 mais vezes que os pobres, analisados em 2003.
Os números do Instituto mostram que os impostos indiretos são os principais indutores da desigualdade. Os pobres pagam, proporcionalmente, três vezes mais Imposto sobre Circulação de Mercadoria e Serviços (ICMS) que os ricos. Os pobres pagam 16% no mesmo impostos, enquanto os ricos pagam 5,7% em ICMS.
Marcio Pochmann lembrou ainda que outro exemplo de desigualdade é o Imposto de Renda para pessoa física. Segundo ele, os ricos deveriam pagar mais, e sugere a necessidade de novas faixas do IR.
– Na história recente do país, os Imposto de Renda tinha 13 faixas com alíquotas de até 60%, entre 1983 e 1985. Na ditadura militar, houve 12 faixas, com arrecadação de até 55% sobre as maiores rendas – lembrou o presidente do Ipea. – Desde 1989, há apenas duas faixas. Na primeira, a alíquota é muito alta (15%), na segunda é muito baixa (27,5%), isso precisa mudar.
Dessa forma quem ganha R$ 2.743,25 mensais paga proporcionalmente a mesma coisa de quem ganha R$ 27 mil ou R$ 270 mil mensais.
Comparado a 26 países, o Brasil mantém o menor número de faixas do IR, como Peru e Barbados. E tem o segundo menor imposto de renda para o mais ricos, perdendo apenas para o Peru, onde a faixa mais alta é de 20%.
Outro ponto destacado por Marcio Pochmann foi o IPTU: os 10% mais pobres gastam 1,8% da renda com o imposto, enquanto os ricos desembolsam 1,4%.
– O pobre está lascado por morar na favela –afirmou Pochmann. – As mansões pagam menos impostos que as favelas.
A cobrança com o Imposto sobre Propriedade de Veículos Automotores (IPVA) também contribuiu para o empobrecimento da população mais necessitada, segundo a pesquisa. O imposto tem quase a mesma incidência para todos, com alíquotas de 0,5% para o mais pobres e de 0,6% a 0,7% para os mais ricos.
O estudo mostra ainda que o Estado só fica um terço do que arrecada. Dos 34% da carga bruta de impostos, só fica com 12%.
– Não há governabilidade sobre 2/3 do arrecadado. É falso dizer que o setor público se apropria de 35% da carga tributária - concluiu Pochmann
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9:39 PM by Cassiano Leonel Drum
JOSÉ SIMÃO
Socuerro! Minc é casaco de pele!
E um amigo disse que o mico-leão é um bicho em extinção. E viado é um bicho em expansão!
BUEMBA! BUEMBA! Macaco Simão Urgente! O esculhambador-geral da República! Direto do País da Piada Pronta!
E como disse aquele paulista engarrafado: como será a vida depois do trânsito?! E saiu o apelido do novo ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc? MINC LEÃO! É o Minc-Leão-Dourado!
E eu já disse que Minc é nome de casaco de pele! O Peta vai cair em cima! E um amigo me disse que o mico-leão é um bicho em extinção. E viado é um bicho em expansão! Rarará!
E o Lulalelé disse que a política ambiental continua a mesma. Ou seja, tem que continuar obedecendo à Dilma. A Dilma falou, tá falado!
E ontem eu vi o Roberto Justus, o SUSTUS! Ele tá parecendo jacaré do Pantanal tomando sol, nem pisca mais!
E reparou que tudo no Brasil tem o dedo do Zé Dirceu? É a versão brasileira da mãozinha da família Adams. Tudo no Brasil tem o dedo do Zé Dirceu. Até exame de próstata.
Aí, o médico pergunta: "O que você está sentindo?" O DEDO DO ZÉ DIRCEU! Como na charge do Amorim! E como é que o Zé Dirceu conseguiu ficar 20 anos na clandestinidade com aquele sotaque? Rarará!
E olha a faixa que eu vi numa igreja evangélica: "O pastor Lucio Hermano, que morreu após uma facada no coração, estará contando seu testemunho e agradecendo a Deus pelo milagre". Rarará!
E sabe o que me deixou mais admirado no jogo São Paulo x Fluminense!? O Fluminense tem torcida!
Ou era efeito especial da Globo? Cinco pessoas replicadas por mil? Eu achava que o Fluminense não tinha torcida, tinha testemunha.
Que o presidente do clube ligava pra casa do torcedor: "Hoje tem jogo, você vem, né?" Rarará! E Flamengo depois do Ronaldo é TRAmengo. I
Love TRA! É o Tra-Tru. Tramengo e Truminense. Rarará! É mole? É mole, mas sobe! Ou, como disse aquele outro: é mole, mas trisca pra ver o que acontece! Antitucanês Reloaded, a Missão.
Continuo com a minha heróica e mesopotâmica campanha "Morte ao Tucanês". Acabo de receber mais um exemplo irado de antitucanês.
É que em Cuiabá tem um bar de sapatas chamado Borracharia Bar das Meninas! Rarará! Mais direto, impossível. Viva o antitucanês. Viva o Brasil! E atenção! Cartilha do Lula.
Mais um verbete pro óbvio lulante. "Trotskysta": companheiro que gosta de passar trote. Rarará! O lulês é mais fácil que o inglês.
Nóis sofre, mas nóis goza. Hoje, só amanhã. Que eu vou pingar o meu colírio alucinógeno! E vai indo que eu não vou!
simao@uol.com.br
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6:27 AM by Cassiano Leonel Drum
16 de maio de 2008
N° 15603 - Liberato Vieira da Cunha
O silêncio dos celulares
Algum dia ainda vou escrever uma tese sobre o silêncio dos celulares. Quando fui comprar meu primeiro, nos longínquos anos 90, o vendedor armou uma pose solene e começou a recitar todas as proezas que o minúsculo aparelho era capaz de aprontar. Mal o ouvi. Eu estava à procura de um mínimo instrumento que executasse duas tarefas simples: chamasse determinados números e pessoas e recebesse ligações idênticas ou diversas.
É tudo o que continuo a esperar de seus sucessores. Sei hoje que um telefone desses tira fotos, anota endereços, conversa até com computadores, isto sem falar no milagre de mostrar a imagem viva da pessoa para a qual discamos. Mas eu não sonho com nada disso. Toda a minha ambição é passar recados, se possível breves, e ouvir respostas, prontas e curtas.
Sucede no entanto que o meu celular, ou por ser antigo, ou por ser tratado com alguma indiferença, é dado a silêncios. Soa o meu número, atendo, responde uma abissal ausência de ruídos.
Transcorridos uns 20 segundos da mais absoluta incomunicabilidade, emerge um barulhinho: tu, tu, tu, tu. Não é preciso dizer que a ligação foi cortada e não resta, como desde o início, sombra de algarismos na telinha.
Minhas teorias são três.
Primeiro: me chamou alguém para participar que acertei os seis números mágicos da Mega Sena. São os próprios, reais e inconfundíveis, exatos e inimitáveis.
Mas, depois de certa reflexão, o autor da chamada se eclipsa, pois suspeita que provavelmente eu vou desperdiçar o dinheiro em banalidades como livros, viagens, uma tela de Renoir.
Segundo: me ligou alguém para dizer que fui contemplado com uma bolsa de dois anos em Paris. A passagem está carimbada com uma singela informação: Air France, primeira classe. Mas, após segundos de suspense, não vem som nenhum, pois desconfiam que gastarei os dois anos estudando de verdade, sem nem chegar próximo às mesas de Les Deux Magots.
Terceiro: a Gwyneth Paltrow descobre que está apaixonada por mim. Disca, siderada e romântica, mas alguns instantes depois de eu atender, desliga. Um cavalheiro como eu deve ter muitas amadas, e ela não quer ser apenas mais uma. Uma lágrima escorre de seus olhos perfeitos.
Perceberam? Há muitos universos no silêncio dos celulares.
Ótima sexta-feira e um excelente fim de semana para todos nós.
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6:21 AM by Cassiano Leonel Drum
16 de maio de 2008
N° 15603 - Paulo Sant'ana
Aposentadorias degradadas
Acontece o seguinte: no governo Fernando Henrique Cardoso, foi instituído o fator previdenciário.
Trata-se de um mecanismo que determina um corte de até 40% nas aposentadorias dos trabalhadores, conforme a idade do cidadão, mesmo que ele já tenha cumprido todo o tempo de contribuição.
O corte varia de acordo com a idade de quem se aposenta (menos idade, maior o corte). Os mais penalizados são aqueles que começaram a trabalhar mais jovens, que cumprem o tempo de contribuição mas têm de continuar a trabalhar para não sofrerem o corte.
Outra herança trágica para o trabalhador instituída no governo Fernando Henrique Cardoso foi a desvinculação do reajuste de todas as aposentadorias com o reajuste do salário mínimo.
Por essa separação, os governos Fernando Henrique e Lula jactam-se de concederem reajustes consideráveis no salário mínimo, mas não atribuem às outras aposentadorias com valor superior ao salário mínimo o mesmo índice de reajuste.
Quem ganha na aposentadoria mais que um salário mínimo tem recebido reajuste insignificante em comparação ao salário mínimo, ocasionando por exemplo a perversidade de que quem ganha cinco salários mínimos na aposentadoria vê reduzidos seus proventos, em poucos anos, para três, para dois salários mínimos, logo adiante passará a ganhar um só salário mínimo.
Vai subindo cada vez mais o valor do salário mínimo, reajustado em nível altamente compensador, enquanto que as aposentadorias maiores sofrem um arrocho que tem sido desumano.
Tanto o fator previdenciário quanto o não-acompanhamento do reajuste das aposentadorias em geral com o do salário mínimo constituem-se em perversidade do governo com os aposentados, que ficam por esses dispositivos condenados à opressão salarial ou a trabalhar por tempo excessivo ao do exigido para a contribuição.
Os aposentados brasileiros vêm sofrendo ano a ano degradação de seus ganhos, eles que já entregaram toda sua vida ao trabalho e agora precisam mais do que nunca de proventos minimamente dignos, com reajustes de índices iguais ao do salário mínimo.
O governo mesmo informou que nos últimos sete anos poupou R$ 10 bilhões graças ao fator previdenciário.
A seguridade, que compreende previdência, saúde e assistência social, é superavitária. Parte desse superávit tinha de ser destinada aos cada vez mais precários proventos dos aposentados.
Para mudar esse quadro, o senador Paulo Paim (PT-RS) apresentou projeto no Senado Federal que acaba com o fator previdenciário e revincula os proventos dos aposentados ao índice de reajuste do salário mínimo.
Foi tanta a repercussão do esforço do senador Paim, que o projeto foi aprovado por unanimidade no Senado.
Mas o governo, que tem maioria absoluta na Câmara, onde será decidida a questão, não concorda com a mudança.
Anteontem, foi realizado em Brasília um evento que visou à mobilização dos deputados federais para essa importante questão previdenciária e social, sob a liderança do senador Paim e da deputada federal Luciana Genro (PSOL-RS), dois gaúchos na liderança dessa luta pela redenção das aposentadorias.
E, no próximo dia 29, esse ato pela luta contra a opressão salarial dos aposentados será realizado aqui em Porto Alegre, às 14h, no auditório da Fetag e às 18h na Esquina Democrática.
É imprescindível que os aposentados gaúchos lá compareçam, como o público em geral, para levar à frente esta luta por uma política que visa a desconstituir o empobrecimento e a inanição dos aposentados brasileiros.
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6:15 AM by Cassiano Leonel Drum
16 de maio de 2008
N° 15603 - Opinião ZH | David Coimbra
O livro, a frase
Tenho um velho livro, Maravilhas do Conto Francês, que é velho mesmo. A encadernação original nem existe mais, o livro foi reencapado em pano, num tecido axadrezado que bem daria um kilt escocês. Há contos que, como promete o título, são maravilhosos.
De Stendhal, Balzac, Mérimée, Maupassant, Verlaine e outros de igual quilate. Não sei se o comprei em um sebo, se ganhei de presente, não sei como foi parar em minhas mãos, mas sei que o possuo há tempo. Li as histórias com prazer. Na última página da última delas, de Tristan Bernard, encontrei uma dedicatória:
"Lelê: Só queria te desejar felicidades em tudo que tu desejas alcançar. Seja pouco ou muito, o importante é que pra ti seja muito. E não te esquece da gente quando estiveres no Louvre. Até. Beto. Julho de 1961".
Embora tenha lido o livro há pelo menos 20 anos, nunca esqueci da dedicatória. Porque, sei lá, imaginava a Lelê em Paris, com aquele mesmo livro debaixo do braço, zanzando pelo Louvre, pensando no Beto que a esperava no ultramar. Tinha sua história, aquele livro. Havia emoções impressas em suas páginas, e não só as que os autores tentavam transmitir.
Ontem, lidava na minha pequena biblioteca e, sem qualquer razão consciente, tomei o livro de uma estante e reli a dedicatória. Enquanto o fazia, senti que havia algo preso sob a capa de pano. Uma saliência que talvez até tivesse percebido antes, mas que só agora se soltara.
Era como se fosse um cartão ou um bilhete. Fiquei aceso de curiosidade. Fiz à faca uma pequena incisão no tecido e empurrei o papelzinho para fora.
Era uma foto.
Uma daquelas fotos antigas, do tamanho de uma caixa de fósforos, com as bordas recortadas em ziguezague. Duas pessoas estavam retratadas, um homem e uma mulher. Posavam lado a lado em uma praia que não consegui identificar.
Ela vestia um maiô que poderia remontar aos anos 50, tudo ficava pudicamente coberto por aquele maiô. Ele usava um calção que lhe subia ao umbigo.
Ambos olhavam sorridentes para a câmera, os braços pendentes ao longo do corpo, relaxados. A foto, tão antiga quanto o livro, estava escurecida, desgastada, mal divisei os rostos deles e a paisagem que lhes fazia moldura.
Intrigado, pensei no motivo pelo qual alguém esconderia uma foto dentro de uma capa de livro.
Então, a virei.
No verso, alguém escreveu a lápis uma frase em letra de fôrma, sem ponto final. Uma frase de letras apagadas, como se fosse desenhada sem convicção. A seguinte:
"Eu era feliz".
Foi como se levasse um soco no peito. Eu era feliz. Quem teria escrito a frase? O Beto? A Lelê? Ou algum outro antigo dono do livro? Eu era feliz. Significava que, quando a frase havia sido escrita, a felicidade já se fora.
E a felicidade, óbvio, existia na época em que o flagrante na praia fora colhido. E a reunião dos dois personagens da foto é que era a causa da felicidade. Assim, tornava-se lógico que a razão da infelicidade era a separação dos dois.
O que aconteceu? Um deles morreu? Romperam?
Mais: por que a parcela sobrevivente do casal costurou a foto sob a capa do livro? Por que aquele livro em especial? As possibilidades têm rondado o meu cérebro, desde então. Quem diria que, num livro escrito por tantos mestres, a melhor história seria a do seu leitor?
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6:10 AM by Cassiano Leonel Drum
16 de maio de 2008
N° 15603 - Ricardo Silvestrin
Made in England
O que Woody Allen foi achar na Inglaterra? Como se sabe, o cineasta americano hoje vive por lá. Se tomarmos por base dois dos seus filmes made in England, ele encontrou as matrizes do pensamento do seu próprio país. É sempre mais difícil entender algo estando dentro.
Os filmes de Woody Allen criados nos Estados Unidos tratavam, a maioria, de questões psicológicas da classe média culta. Pessoas como o próprio diretor. Não por acaso, ele é quase sempre um dos personagens.
O bom humor mais à frente ou os dramas, mas num universo conhecido, olhado afetivamente. É o olhar para os seus pares, para pessoas de cujas questões o autor compartilha. Não vão além desse horizonte, como se o mundo que interessava estivesse dado.
E o que o circunda é o velho e gasto american way of life, alvo de críticas mais no âmbito da cultura de massa, o rock versus o jazz, quando muito os de esquerda num país de direita.
Mas, na Inglaterra, Woody Allen acordou para as bases de comportamento e de ideologia do mundo americano. Isso que aparentemente todos sabiam, inclusive ele, tocou tão fundo e com tanta nitidez que virou imagem: filme. São histórias que precisam ser contadas. Foi o que se viu em Match Point e agora em O Sonho de Cassandra.
O que aparece é o desesperador materialismo guiando as relações sociais. Ter dinheiro, ser o tal do vencedor, o bem-sucedido, tudo isso como uma carga insuportável sobre os ombros de todos. Medindo e mediando os vínculos, inclusive os familiares e afetivos.
A ponto de a vida valer muito menos do que o dinheiro. Isso que agora na Inglaterra grita aos olhos do diretor parecia passar camuflado durante todos esses anos nos Estados Unidos. E, no entanto, é o que move seu país de origem.
Falando da Inglaterra, Woody Allen está dialogando com seus compatriotas. A estrutura de tragédia grega dos dois filmes é também um alerta.
Nesse sentido, o deliberado pessimismo das histórias narradas ainda é um gesto de otimismo. Como se sabe, a função da tragédia, fazendo o espectador vivenciar o sofrimento, é contribuir para tornar a todos mais humanos.
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Quinta-feira, Maio 15, 2008
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9:59 PM by Cassiano Leonel Drum
Brincar também é importante
Perdoai-me, Senhor, por todas as tarefas que hoje ficaram por fazer. Mas, de manhã, quando meu filho, com seus passinhos incertos, entrou no quarto e pediu: "Mamãe, quer brincar comigo?", eu simplesmente tive de dizer sim.
E entre os quebra-cabeças e caminhões, cubos de madeira e bonecos, velhos chapéus, livros e risadas, dividimos mil pensamentos especiais, centenas de esperanças, sonhos e muitos abraços.
E quando à noite, na hora de rezar, ele juntou as mãozinhas e falou baixinho: "Obrigado, Deus, por mamãe e papai, pelos meus brinquedos, pelo cachorro-quente, pelo sorvete de chocolate e por mamãe brincar comigo", eu sabia que tinha sido um dia bem gasto.
E tinha certeza de que o Senhor entenderia.
Jayne Jandon Ferrer
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9:57 PM by Cassiano Leonel Drum
CARLOS HEITOR CONY
Tábua de logaritmos
RIO DE JANEIRO - Nos últimos tempos, por penitência ou por masoquismo, tenho ouvido palestras, conferências e debates sobre variados assuntos sobre os quais nada entendo.
Pouco tenho aprendido, mas sempre me distraio vendo a reação das platéias.
Descobri que metade delas, de uma forma ou de outra, cochila de diversos modos. Alguns chegam a ressonar, a cabeça tombada sobre o peito, dando a impressão de que aprovam o que está sendo dito.
Outros aprendem a dormir de olhos abertos -técnica na qual o finado Magalhães Jr. era mestre, ajudado pela natureza, que o fez estrábico dos dois olhos.
Há, porém, os "punti luminosi" de que Ezra Pound falava. Em qualquer situação, seja qual for o orador, seja qual for o assunto, ficam atentos, eretos, marciais, como se estivessem ouvindo um hino nacional imaginário -a imagem é do Nelson Rodrigues.
Um desses pontos luminosos, segundo consta na ABL, foi o ministro Ataulpho de Paiva, mestre do galanteio e das boas maneiras.
Chegou ao Supremo Federal sem ser jurista e à Academia sem ter livro publicado. Hoje é nome da avenida mais importante do Leblon, enquanto Machado de Assis tem uma rua mesquinha, escondida no Catete.
Ataulpho tinha um topete majestoso, que pintava de acaju, ninguém sabia a sua idade, era celibatário e rico. Sucesso absoluto nas rodas sociais, não perdia conferência, simpósio, palestra, debate, mesa-redonda ou quadrada.
Duro na cadeira, aprovava antecipadamente tudo o que orador dizia, lesse ele o catálogo de telefones ou a tábua de logaritmos.
Reza a lenda que foi o autor do convite para Getúlio Vargas entrar na Academia. Vargas quis tirar o corpo fora, alegando não haver vaga. Ataulpho respondeu: "Não seja por isso, presidente, eu me suicido".
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9:54 PM by Cassiano Leonel Drum
ELIANE CANTANHÊDE
A praia de Minc é outra
BRASÍLIA - Sai a cabocla Marina Silva, herdeira de Chico Mendes, criada descalça na Amazônia, só alfabetizada na adolescência, contaminada por malária e por mercúrio. Entra Carlos Minc, o ambientalista do Leblon e de Ipanema. Digamos que a Amazônia não é exatamente a praia dele.
Os dois são do PT e respeitados por ambientalistas de diferentes cores, mas os contrastes podem, em vez de diminuir, aumentar as reações e a perplexidade diante da queda de Marina, principalmente fora do país.
Acrescente-se que Minc tem fama de ser rápido na concessão de licenças ambientais. Para alguns, um grande mérito. Para outros, um risco.
Lula preferia o ex-governador Jorge Viana por uma questão mais política do que ambiental. Ele também é do PT do Acre e cresceu sob o simbologismo de Chico Mendes, o que ajudaria a neutralizar as reações externas. E, internamente (no governo, diga-se), seria um alívio para Dilma (Casa Civil), Stephanes (Agricultura) e outros mais.
Marina é considerada "purista", Viana já passou por um governo e uma prefeitura e é mais "realista" -ou seja, mais flexível no embate entre ambiente e desenvolvimento.
Mas, desta vez, a decantada habilidade de encantador de serpentes não funcionou, e Lula não convenceu Viana a aceitar a cadeira de Marina. Aliás, nem se esforçou muito, porque o ex-governador já chegou ao Planalto disposto a agradecer muito e a declinar do convite.
Com Viana fora, Lula agora tem de convencer gregos e troianos, não só acreanos, de que a prioridade de Minc, dele próprio e do Brasil é a Amazônia -que é o que interessa ao mundo.
Tem, também, de tirar o PAS (Plano Amazônia Sustentável) de Mangabeira Unger e devolver ao Meio Ambiente, de onde nunca deveria ter saído. Para isso, Lula precisa admitir que errou. Ou que o seu "problema" não era só o endereço do ministério; tinha cara e nome: Marina Silva.
elianec@uol.com.br
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6:24 AM by Cassiano Leonel Drum
JOSÉ SIMÃO
Socuerro! O Bambi é argentino!
Walt Disney desenhou a floresta do Bambi em Bariloche. Desculpe destruir seu sonho!
BUEMBA! BUEMBA! Macaco Simão Urgente! O esculhambador-geral da República! Direto do País da Piada Pronta!
E um amigo meu de Piracicaba me deu a definição esdrúxula de travesti: "Travesti é como gorro de lã, é uma delícia usar, mas quem nos vê com ele acha feio". Rarará!
E socuerro! Mais uma baixa no Sinistério do Lula: Marina Silva. Aliás, sabe por que a ministra do Meio Ambiente pediu demissão?
Por falta de ambiente! "Não tenho mais ambiente pra ficar nesse ministério.
" Ministra do Meio Ambiente não tinha mais ambiente! E aí o Lula convidou o Carlos Minc. Errado. Minc é nome de casaco de pele. Como é que um ministro do Meio Ambiente pode ser um casaco de pele?
E sabe qual é o sonho de toda onça? Ter um casaco de pele de puta! Rarará! E aí perguntei a uma modelo: "O que é ecologia?". "Ecologia é quando dá eco na cabeça da gente." Ou seja, a Carla Perez é ecológica. Rarará!
Salve o planeta. Mande o Bush pro planeta dele! E o Ronalducho, na Ana Maria Braga: "Meu sobrepeso se deve ao gosto que tenho por pratos pesados como lasanha e rabada".
RABADA? Isso é piada pronta. Buemba! Buemba! Ronaldo é chegado a uma rabada! Voltando ao meio ambiente: tem aqueles ecologistas radicais! A sua existência polui o planeta: "Pára de respirar, você tá poluindo o planeta".
Nem o planeta agüenta mais os ecologistas radicais. O planeta ainda vai gritar: "Parem de me pr | |